Quando me sentei o meu coração batia muito depressa. E eu pensei, "O meu coração está a bater tão depressa, nunca bateu assim, até consigo ouvi-lo, não vou conseguir dizer nada!".
E calei-me, sem ter sequer falado, e esperei que aquilo tudo parasse.
Parou. Porque me esqueci do que estava a bater cá dentro. E comecei a falar e a dizer. E tudo o que falei e disse não foi mais do que o bater do meu coração a acalmar-se.

Por esse mundo fora algures no FotoBen.
"[…] No entanto, também há silêncios longos, de muito em muito longe, muito muito longe, durante os quais, como já não ouço nada, não digo nada. Isto é, se apurar o ouvido, ouço uns sussurros. Mas não são para mim, são só para eles, voltam a entender-se. Não ouço o que dizem, só sei que continuam ali, que ainda não acabaram comigo. Afastaram-se um pouco. São segredos […]"
Samuel Beckett, "O Inominável"
«Tomemos a pergunta: "Como deve ler-se a poesia? Qual é a maneira correcta de a ler?" Se nos estamos a referir a versos brancos, o modo correcto de leitura pode ser o acentuá-los correctamente - discutimos até que ponto devemos acentuar o ritmo e até que ponto o devemos camuflar. Uma pessoa diz que devia ser lido deste modo e lê-nos. Dizemos: "Ah, claro. Agora faz sentido." Há casos de poesia que deve ser quase escandida - quando o metro é absolutamente claro - e outros casos em que o metro se encontra completamente num plano secundário. Tive uma experiência com Klopstock, poeta do séc. XVII. Descobri que a maneira de o ler era acentuar o seu metro anormalmente. Klopstock punha - (etc.) no princípio dos seus poemas. Ao ler os seus poemas deste novo modo, disse: "Ah, agora sei porque é que ele fez isto." Que tinha acontecido? Tinha lido já esta espécie de coisas e tinha- me aborrecido sofrivelmente, mas quando li daquele modo especial, intensamente, sorri e disse: "Isto é grandioso", etc. Mas poderia não ter dito nada. O importante é que eu voltei a ler e a reler. Ao ler estes poemas fiz gestos e expressões faciais que seriam aquilo a que se chama gestos de aprovação. Mas o importante é que li os poemas de um modo inteiramente diferente, mais intensamente, e disse a outros: "Vejam! Assim é que devem ser lidos." Os adjectivos estéticos não tiveram quase nenhum papel.»
Ludwig Wittgenstein - "Aulas e Conversas. Sobre estética, psicologia e fé religiosa" - LIVROS COTOVIA
Por problemas técnicos a que somos alheiros e que não repelem o SPAM das caixas de comentários, resolvemos temporariamente fechar aqui a participação dos nossos assíduos leitores. Obrigado pelo sacrifício.
Venho informar os clientes deste espaço que abandono em definitivo este barco. Há sempre um fim a chegar e ele acabou de atracar. Fica quem ficar. Eu e os meus companheiros mais chegados mudámo-nos para aqui. Não temos tempo para mais. Um grande abraço!
A todos uma excelente vida!

"69" - Oil on Canvas by Ring Joid

Alex Majoli © Magnum Photos
Conheci o Alex em 1999 quando veio a Macau fazer uma reportagem sobre o Handover. Não falámos muito, porque eu não sou de falar muito, mas o que falámos foi essencial. Calmo e sereno, e observador. Cheio de humor. Gostei dele. Esteve cá umas duas semanas e andámos nos copos várias vezes. Esses tempos foram loucos em Macau. Fechava-se a loja e tudo era permitido. Havia quase a lei do "que se lixe", ninguém queria saber, era uma festa todos os dias.
Nesse período muitos dos portugueses fizeram as malas. A maioria deles um bocado obrigados. Foi um dos grandes erros do processo de transição, abandonar o barco sem pensar no que viria a seguir. Sem querer lutar por uma presença. Mas "que se lixe"!
O Alex tinha uma forma peculiar de usar a câmara e a luz envolvente. Usava o flash de uma maneira que nunca vi mais ninguém utilizar. Dirigia o disparo para cima e com uma das mãos atirava a luz para cima das pessoas. Atirava mesmo e era lindo de se ver. Mais tarde usei o mesmo processo algumas vezes. As fotografias ficam com um ar quente. Um ar de carne. Com o calor da mão a fazer-lhe festas na cara.
Nunca mais o vi. Mas quero ainda trabalhar com ele um dia destes. Está na minha to do list. Trazê-lo de novo a Macau para mostrar o seu talento. Como se vê pelos seus portfolios o Alex gosta de coisas fortes e não tem medo de nada. É único.
«Before having sex with another person, first it is necessary to find a partner.»
in WIKIPEDIA
Encontro-me ausente em parte incerta. Não tenho a vossa vida de luxúria e boémia. Eu trabalho, pouco, mas com afinco.
Acho interessantes os vossos devaneios fúteis e infantis. Mas não escrevem sobre nada de sério, como a problemática económica em que nos sustentamos! Enfim, são como umas crianças sem dono.
Por isso não apareço para escrever. Não me resta nada.
Além do mais dedico-me a assuntos sérios como Global Equity Strategy
Pratiquem, pois, coisas sérias que a vida não está para folias.
Onde está o Icon?
O'Claustra...
Moses Pray: “I got scruples too, you know. You know what that is? Scruples?”
Addie Loggins: “No, I don't know what it is, but if you got 'em, it's a sure bet they belong to somebody else!”
In "Paper Moon",
by Peter Bogdanovich
"All that we see or seem, is but a dream within a dream."
Edgar Allan Poe
I love you, you're so well read
Bluestocking give head
Whisper what they said:
"Le silence de la chambre est profond
Aucun bruit n'arrive plus
Ni des routes, ni de la ville, ni de la mere
La nuit est a son terme, partout limpide et noir
La lune a disparu
Ils ont peur
Il ecoute, les yeux au sol
Son silence effrayante
Il parle de sa beaute
Les yeux fermees
Il peut revoir encore l'image dans sa perfection"
in BLUESTOCKING by MOMUS

Caso não saibam, perderam uma excelente mostra de cinema mudo em Portalegre.
Albanês - Te dua
Alemão - Ich liebe dich
Alemão (Suíço) - Ich lieb' Di'
Árabe (Marrocos) - Ana moajaba bik
Árabe (para homem) - Ana behibak
Árabe (para mulher) - Ana behibek
Arménio - Yes kez sirumen
Bahasa (Indonésia) - Saya cinta padamu
Bambara - M'bi fe
Bangla - Aamee tuma ke bhalo aashi
Bielorusso - Ya tabe kahayu
Bisaya - Nahigugma ako kanimo
Búlgaro - Obicham te
Cambojano - Soro lahn nhee ah
Catalão - T'estimo
Checo - Miluji te
Cheyenne - Ne mohotatse
Chichewa - Ndimakukonda
Chinês (Cantonês) - Ngo oiy ney a
Chinês (Mandarim) - Wo ai ni
Concani - Tu magel moga cho
Coreano - Sarang Heyo
Corso - Ti tengu caru (para homem)
Crioulo (francês) - Mi aime jou
Croata - Volim te
Dinamarquês - Jeg Elsker Dig
Eslovaco - Lu`bim ta
Esloveno - Ljubim te
Espanhol - Te quiero / Te amo
Esperanto - Mi amas vin
Estónio - Ma armastan sind
Etíope - Afgreki'
Faroês - Eg elski teg
Farsi (Irão) - Doset daram
Filipino - Mahal kita
Finlandês - Mina rakastan sinua
Francês - Je t'aime, Je t'adore
Gaélico - Ta gra agam ort
Gaélico (Escócia) - Tha gra\dh agam ort
Galês - 'Rwy'n dy garu
Georgiano - Mikvarhar
Grego - S'agapo
Gujarati - Hoo thunay prem karoo choo
Havaiano - Aloha wau ia oi
Hebreu (para homem) - Ani ohev et otha
Hebreu (para mulher) - Ani ohev otah
Hindu - Hum Tumhe Pyar Karte hae
Hmong - Kuv hlub koj
Holandês - Ik hou van jo
Hopi - Nu' umi unangwa'ta
Húngaro - Szeretlek
Inglês - I love you
Inuit (Esquimó) - Negligevapse
Irlandês - Taim i' ngra leat
Islandês - Eg elska tig
Italiano - Ti amo
Japonês - Aishiteru
Latim - Te amo
Letão - Es tevi miilu
Libanês - Bahibak
Lituano - Tave myliu
Malaio - Saya cintakan mu / Aku cinta padamu
Malayalam - Njan Ninne Premikunnu
Marathi - Me tula prem karto
Mohawk - Kanbhik
Nahuatl - Ni mits neki
Navajo - Ayor anosh'ni
Norueguês - Jeg Elsker Deg
Papiamento - Mi ta stimabo
Persa - Doo-set daaram
Polaco - Kocham Ciebie
Português - Amo-te
Romeno - Te ubesk
Russo - Ya tebya liubliu
Servo-croata - Volim te
Sioux - Techihhila
Sueco - Jag alskar dig
Swahili - Ninapenda wewe
Tagalog - Mahal kita
Tahitiano - Ua Here Vau Ia Oe
Tailandês - Chan rak khun (para mulher)
Thai - Phom rak khun (para homem)
Taiwanês - Wa ga ei li
Tamil - Nan unnai kathalikaraen
Turco - Seni Seviyorum
Ucraniano - Ya tebe kahayu
Urdu - mai aap say pyaar karta hoo
Vietnamita - Anh ye^u em (para mulher)
Vietnamita - Em ye^u anh (para homem)
Yiddish - Ikh hob dikh
Yoruba - Mo ni fe

O novo filme de Manoel de Oliveira
«Estou aqui. E estarei sempre. Hoje, amanhã e quando quiseres.
Há pouco não consegui esboçar uma corda, fiquei assombrado com o teu desespero.
Mas é essa a História da tua vida. Que vives agora. Não é brincadeira. É coisa de gente crescida.
Mesmo andando à procura de um sentido que te leve daí para fora. não é nenhuma lenda.
É a sério.
Não se criam meios de garantir paixões imortais. Eles existem. Elas também.
Com Força. Com mais cordas. Muitas.
Vou dizer-te que não sei o que escrevo. Cai-me!
Ainda me dói aqui o abdómen. Estou a ficar fraco.
É da idade. Dizem.
Se acordas num mundo que não é o teu.
Do alto da tua cama, do alto das tuas janelas. Do alto de ti. Que ainda te governa.
Lá.
Onde podes traçar outra espera. E continuar para a frente.
E ser feliz porque és tu. E poucos há como tu.
Eu sei. Aqui. No mundo. Neste e nos outros.
Aproveita.
E queria muito dizer-te isso, isto, mesmo sem conseguir, que há alguém que sonha contigo, a toda a hora.
Que vai contigo e te protege dos lagartos Lizards. (Não há icons emotivos neste email !?) (Aii!)
Que te dá a mão e diz que é o homem da tua vida.
Desculpa já estou com tanto sono.
Consegues ver agora? Consegues olhar à tua volta?
Os papéis que ficaram escritos atrás de ti. Durante tanto tempo.
As luzes que te chegaram nas tuas janelas. Precisamente à sua própria velocidade?
Estás cá por ti. Por mim. Por eles todos. Sim esses que estás a pensar. E esses outros também.
És mais que tudo o resto que te atormenta.
Fiquei abalado. Com o coração aos pulos. Nesta cripta.
Sem remorso. Sem vida.
A olhar para aquele objecto de não sem quantas polegadas.
E agora tenho este à frente.
E Epopeias.
E mais Guerras.
E o teu coração lindo.
Uma estrada. Que te leva para o outro lado.
Sem perdão.
E com tantos passos.
Tu, ( "...danzando ne prati... girando e girando... nel mondo delle elfi sognando..."), podes atravessar todas, essas barreiras, com o teu livrinho que te guia.
Porque procuras o que é Matéria.
O que é Físico. O que é Limite.
Amar sem ter sentido?!
Do alto de mim. Frágil. Tão submerso.
Poderia passar a fronteira mas nunca iria encontrar o caminho de volta.
Se estou perto de ti, no medo, de estar demasiado perto de mim. Por ser claro e sincero.
Aprendi que o tempo não tem preço.
Porque também sou meio cego.
Olha mais à tua volta. Respiras fundo?
É um começo para outra vida.
Em plena ressonância e em défice de memória.
Não posso dizer mais nada. Eu deixei um espaço negro em mim.
E podia dizer-te tanto.
Se fosse mais que eu próprio. Se fosse dois.
Olha à tua volta uma última vez.
Não sentes paz? No ar? Em ti?
Essa música? Muito bonita, não conhecia assim, ao vivo.
Por mim detesto estes filmes que só acabam no próximo Natal.
Dorme bem.
Gooooood Niiiight.
(Não tem som? Isto?)
Amar sem ter sentido !! Sempre!»
Ficheiro 326.txt - encontrei-o perdido num canto do meu velho computador, uma carta que escrevi a alguém há uns atempos... Fica aqui para que não se perca.
Há sempre alguma coisa que não se gosta nas pessoas, mas que valor é que isso tem face ao que se gosta?
És um sonho quando estou a dormir e um pesadelo quando estou acordado!
Às vezes só queria que me levassem daqui para fora.
«Hey,
I like the story very much ...
kaleidoscopic, fragmented visions of a futuristic, technological emotional distopia in alienation with reality,
a perceptive treatment of an individual schizophrenia,
very engaging to read and with a graceful ironic tone especially at the end when you tie it to a hypothetical Arts Festival.
Send more!
Hope to see you soon,
Ray»
Hoje não saí. Porquê? Porque a guilhotina me cortou o pescoço e já não consegui lá chegar inteiro. Não faz mal. Uns parafusos aqui e ali e a coisa fica apertada.
É impressão minha ou isto hoje está cheio de malta por aqui? Andam para aí a enrolar esses cigarrinhos e deixam tudo de pernas para o ar, o que acho muito bem. Estou no bengaleiro a ver se isto vai lá... se não for também que se lixe... um dia irá...
Há pessoas que acham que Joseph Conrad era americano, que era amigo do Jack Kerouac e que esteve com o William Burroughs no Cairo a fumar ópio, enquanto viam passar para trás e para a frente a figura etílica de Indiana Jones. Na verdade Kerouac tinha dois anos quando o "americano" morreu. É assim que é representado o mundo. Com chicotes, com pulsos de memórias e de conhecimento que, aqui e ali, se vão aprendendo. Influências disformes que sobram da literatura e que entram no nosso corpo transformando o fluxo sanguíneo no mundo real.
Disseram-me: "...estávamos para aqui a discutir se o Joseph Conrad tinha nascido em Varsóvia ou em Cracóvia. Apostámos uma grade de minis."
Enganaram-se ambos, Jósef Teodor Konrad Korzeniowskie, que para muitos foi considerado o maior escritor em língua inglesa, nasceu em Berdychiv, na altura Polónia sob administração russa, hoje em dia uma cidade ucrâniana. É para lá que eu vou agora... recomeçar tudo de novo.
Há uma altura para fazer tudo e eu passei todos os prazos para fazer o que devia!
«I played the imbecile
And no one noticed
And no one noticed»
Bzzz... Test one two. Test one two. One two. Testing...
Hoje andei a esticar-me. Em frente de mim tinha uma rapariga de amarelo com um rabo redondo. À minha direita uma mulher de cabelo curto de quem eu também gosto. E que também gosta.
E... e... e...
Estiquei-me todo. O método de Pilates é como isso se chama. Usa-se o corpo. Usam-se as pernas e uns elásticos que deixam as mãos a cheirar a latex. E as mãos. E o pescoço. E a turbulência dos músculos.
A rapariga de amarelo estava de calças. Eu de calções. A mulher de cabelo curto tinha umas sapatilhas pretas de ballet.
À esquerda o Mohamed quase a dar-me com os pés.
Tenho os dentes a ranger e não sei o que é isto... será do café que bebi ou da aproximação ao fundo da página?
Hoje não consigo fazer mais nada a não ser ranger os dentes... rrrrrrrr...
Por Duarte Barral
«Numa altura em que o vírus influenza tipo H5N1 assume lugar de destaque em todos os noticiários, vale a pena tentar perceber melhor como funcionam os vírus e reflectir um pouco sobre porque é que estes são tão bem sucedidos na Natureza e nos causam tanto receio. Esta reflexão torna-se ainda mais interessante quando tomamos conta que os vírus, que são constituídos “apenas” por proteínas que envolvem um pequeno número de genes, estão no limiar de serem considerados organismos vivos, por não cumprirem alguns critérios clássicos da definição de vida, como a auto-replicação. E isto porque um vírus, para se multiplicar, tem que obrigatoriamente infectar uma célula viva. Ao infectar uma célula, o vírus apropria-se da sua maquinaria e literalmente põe-na a funcionar para se replicar, gerando um grande número de cópias que permitem ao vírus propagar-se às células vizinhas, destruindo, no processo, a célula hospedeira.»
«Ao longo da evolução os vírus desenvolveram estratégias notáveis para serem melhor sucedidos neste processo: alguns possuem modificações das suas proteínas semelhantes às das células hospedeiras, o que lhes permite usar da melhor forma uma maquinaria estranha. Outros bloqueiam e impedem a resposta imunitária da célula infectada para não serem detectados pelo sistema imunitário.
Dentro das estratégias que os vírus adoptam, uns são demasiado letais, como o Ébola e matam o hospedeiro rapidamente. Estes vírus tendem a ser eliminados rapidamente por não se poderem propagar. Mas há outros, como o HIV, que ficam latentes durante um longo período de tempo, permitindo o contágio eficaz entre hospedeiros. Mas não se pense que o Ébola não é tão bem sucedido, pois no animal que lhe serve de reservatório, e que permanece desconhecido, este vírus propaga-se sem prejudicar o hospedeiro, mantendo-se assim presente na Natureza.
Estes exemplos levam-nos a uma questão intrigante: não sendo os vírus organismos vivos, na definição clássica do termo, como podem ser tão bem sucedidos entre os organismos vivos? A resposta é, porventura, a sua evolução. De facto, os vírus têm uma taxa de mutação elevada e é possível gerar um novo vírus no espaço de décadas. Por isso se teme tanto que o H5N1 possa sofrer mutações e adaptar-se à propagação entre humanos. Esta alta taxa de mutação implica que se tenham de desenvolver constantemente novas vacinas contra o vírus influenza e que, por exemplo, a vacina contra o HIV continue a não existir. Se tivermos em conta que as drogas anti-virais disponíveis são poucas e de eficácia limitada percebemos porque é que entidades tão simples continuam a causar-nos pesadelos e a aparecer nas primeiras páginas dos noticiários. Apesar de tudo, as vacinas continuam a ser as armas mais poderosas de que dispomos contra alguns vírus e já permitiram erradicar a varíola e, eventualmente, permitirão a erradicação da poliomielite e outras doenças graves. Ao permitir “educar” o sistema imunitário para reconhecer e debelar rapidamente certas infecções virais, as vacinas dão uma preciosa ajuda a este sistema de vigilância fantástico que, ao evoluir juntamente com os vírus, aprendeu a combatê-los e, também ele, desenvolveu estratégias que são tão admiráveis quanto as dos organismos que combate.»
in Ciência Hoje
Do que preciso eu para começar a andar? Há dias que estou mesmo por baixo de mim, tão lá atrás que nem me vejo. E dói. Custa. O monstro. O vulto lá dentro. E o outro cá fora, como se não fosse real e não fizesse parte deste horizonte. Aprendi a vê-lo, a saber que está aqui a comprimir-me a carne. A vê-lo por fora também, de costas, o nódulo medonho da cabeça, que me causa tanta impressão porque o resto permanece cá dentro, a outra ponta...
E não sei bem qual o caminho a seguir. Há portas abertas que abri. Não consigo entrar e continuar por nenhuma delas. Mas estão lá e a ideia de lá estarem ajuda. É um princípio, é alguma coisa.
Alguma outra coisa virá, algum dia...
Sei muito bem o que quero. Sei da massa corrosiva de que sou feito. Sei que se aprende. Sei que é preciso estabeler limites, prazos, regras. Conversar com os erros percebendo-os. Sei que algumas coisas são impossiveis mas é para essas que eu vou apontar cumprido as mais fáceis de alcançar. Sei que a longo prazo poderei lá chegar.
Sei que não vou viver agarrado para sempre a tudo o que fiz mal feito. Sei que a pouco e pouco vou escovar as peças tortas. Sei que um dia elas se vão endireitar. E eu endireito-me também porque não sou apenas uma máquina, sou mais que isso. Penso.
É um céu em que eu acredito.
É para lá que caminho, little by little...
Acabando-se o combustível caí para o único lado que havia para cair!
... já andava a planar há tanto tempo...
... e é um corpo com uma pessoa lá dentro que me faz assim.
Só um corpo.
E a pessoa lá dentro.
Que te ocupa.
Que és
TU!
E o que é isso?
Porquê?
Não é um idioma que eu fale.
Nem tem legendas. Captions!
Não consigo perceber...
É mesmo assim...
É de lá!
«De olhos vermelhos
De pêlo branquinho
Dou saltos bem altos
Eu sou um coelhinho
Comi uma cenoura
Com casca e tudo
Ai que ela era tão grande
Que eu fiquei barrigudo
Dou saltos pra frente
Dou saltos para trás
Eu sou um coelhinho
Que de tudo sou capaz»
[CANÇÃO POPULAR]
O que há de mau
por querer fazer um verso
O que há de mau
por querer pensar em ti
por querer entrar em ti
O que há de mau
Mau nisso
aqui também
E sempre
querer muito
querer para toda a vida
Dizes
Podias dizer
o que há de mau
nisso
Agora
- Vá diz lá mais, o rapaz tem um amante e depois??
- Depois anda um atormentado às vezes... com os girinos. Mas agora não consigo explicar... estou demasiado excitado!
- Uh! Excitado com quê? Com a ideia de ser sodomizado?? Sabes... ser sodomizado é bom... acredita!
- Eu sei, já experimentei... Mas do que eu estou farto é de paneleiros armados em artistas! Tipo o Magritte.
- Então mas tu já experimentaste ser sodomizado? Realmente tu é que és um homem, sempre que eu tento ficam todos cheios de miufa, com medo de se tornarem paneleiros!
- Experimentei com instrumentos! Bisturis, máquinas de podar e assim. Eu cá gosto de experimentar tudo! Não me faço esquisito! Sou um lambão!
- É? Não é bom?
- É, talvez me venha mais depressa... depende.
- Ahhahahahaha mas deve ser melhor se for uma mulher bonita a enfiar-te o instrumento não achas? Eu cá ando a tentar. Ele já está a começar a perceber que é bom. É o meu lado fufo! gosto de penetrar homens, excita-me bué!
- Pois deve! Com mulheres bonitas é sempre melhor! Mas ouve lá, vens-te quando és sodomizada?
- Não, não me venho, mas é bom!
- Tipo... és tu que mexes o rabinho e ficas ali com o pau para trás e para a frente...
- Quando sou passiva ou activa?
- Activa! Sei lá. Passiva activa passiva activa... isso assim.
- Quando sou activa sou eu que comando o instrumento. Quando dou comando, quando levo, fico quietinha e submissa!
- Estou a ver que tu é que mandas sempre, mas tipo sem comandar... só a mexeres o rabinho para trás e para a frente... que nem uma cabrinha... com o cio... a roçar-se!?
- Hmmm isso é bom isso faço mais com pipi... hehehehe...
- Hades fazer com o cuzinho!!!
- Com o rabo não tenho mtio institnto!
- Assim de cuzinho bem esticado...
- Hades!!!!!!
- Hades hades!
- É bom bom bom!! Eu gosto de ser sodomizada por um homem por isso quero sodomizar
- Ok! E depois de sodomizada gostas de chupar? (cada vez gosto mais destas nossas conversas intelectuais!)
- Não!!!!!!!!!!!!! Só se tirar a camisinha! (hehehe lindas! são super instrutivas)
- Aaah...
- (e principalmente descomplexadoras. eu vou aempre para casa com novas ideias. E aplico-as!!!!)
- E sodomizar sem camisinha... e depois gritares... "vem-te na minha boca!!!quero engolir-te todo!!" Não?
- Não, não gosto do cocó!
- Esse é o proximo passo! Eheh... que se foda!! Fazes como nos filmes...
passas com a mão priimeiro... depois enfias na boca. Eu cá grito sempre! E dirty talking, tens muita ?
- Tinha mais. Já tive mais e adoro conversa porca! Mas o ultimamente o parceiro é caldo e eu habituei-me... "aaaaaaaaaaahhhh! ahahahahhahaha..."
. Mas voltando à boca. Lavas o rabinho primeiro... com um daqueles coisos para lavar biberons... e já não há problema ehehe... qué que tu dizes?
- Também podes fazer um clister!
- Uma coisa que nao curti na ש foram as mamas dela... tiraram-me um bocado a tusa! Os nipples! Por isso é que nao me apeteceu fodê-la mais...
- Mamas como? Era ela que tinha coninha dentada?
- Não, não era essa... a ש tinha uma coninha fixe... e fodia que nem uma leoa!
- Hmm tinha aspecto disso! Mas tu também! Tem que ser tudo perfeito, não és um porco de verdade!
- Não não... era qualquer coisa que não curtia... Não curtia mesmo!
- Mas há sempre qualquer coisa não é? Eu pelo menos sempre encontrei qualquer coisa que não me agrada.
- É!
- Mas quando o que agrada é maior... o que não agrada desaparece ou transforma-se!
- Pois... logo se vê... O pior é quando o que agrada é uma treta comparado com o compêndio do que desagrada. É uma prisão enão se percebe onde se anda. E aí é fugir enquanto é tempo!
- Ora...
Nada de mais para dizer. Uma coisa ou duas. A música que trazia no carro. Pelo rio abaixo. Uma água, uma vida, umas rodas. O silêncio. O respirar de um silêncio ou dois. De uma vida!
Tudo tão simples. A paz.
Podia ser tudo tão simples. E no entanto, não é...
Aqui neste site fomos catalogados como "COOL NONSENSE". Sim, gosto do termo. Não deve ser uma estação muito longe desta onde nos encontramos.
«All of me
Why not take all of me
Can't you see
I'm no good without you
Take my lips
I want to lose them
Take my arms
I'll never use them
Your goodbye left me with eyes that cry
How can I go on dear, without you
You took the part that once was my heart
So why not take all of me»
[Billie Holiday & Lester Young - "All of Me"]
Os homens que cheiravam a homem eram idolatrados pelos gregos, também pelos negros, pelos monstros de muitas cabeças, mas ignorados pelos grandes heróis esquecidos. Nenhum destes podia subir até aos homens que cheiravam a homem, falar com eles, vê-los. Com as suas estrelas cadentes e com os seus céus a sorrir. Esta espécie de homem vivia feliz. Sem coroas, sem nada dentro deles. Sem nada por fora. Normais. Kronos engoliu uma pedra, ao ter conhecimento desta situação. Ao encontrar esta espécie. Engoliu outra.
Ao encontrar o mesmo, o mesmo, o mesmo, uma segunda vez, Kronos engoliu-se a ele próprio.

[Yellow Number Five] por Ring Joid
Nunca fue tan breve
Una despedida,
Nunca me creí
Que fuera definitiva,
Nunca quise tanto a nadie
En mi vida,
Nunca a un ser extraño
Le llamé mi familia,
Nunca tuve fe
En mi filosofía,
Nunca tuve yo
Ni gurú ni guía,
Nunca desprecié una causa perdida,
Nunca negaré que son mis favoritas,
Ésta es mi flor de loto
Y yo era su sombra,
Ésta es mi flor de loto.
Mi mundo no se acabará,
Tanto vagar para no conservar
Nunca nada.
Nunca una llama
Permanece encendida,
Nunca aguanté su calor,
Nunca más, nunca más de un día,
Nunca soporté ser un alma invadida
Hasta que vi frente a mí
Por quien yo moriría,
Ésta es mi flor de loto
Y yo era su sombra,
Ésta es mi flor de loto.
Mi mundo no se aclarará,
Tanto vagar para no conservar
Nunca nada...
¿Querrás tú rectificar
Las líneas de mis manos?
¿Quién esparcirá al azar
Los posos del café?
¿Y qué decía la bola de cristal
Cuando echó a rodar?
¿Qué más puedo necesitar?
¿Tengo algo que perder?
No puedo perder.
Flor de loto,
Flor de loto,
Fácil es buscar
(Fácil no encontrar)
Fácil es buscar
(Fácil no encontrar)
Heroes del Silencio - "Flor de Loto"
Happiness yeah
Happiness is like tv
On or off
It’s up to me
Happiness yeah
Relationships
Are like a cow
Growing strong
Just for now
Poor little cow
Mom and dad
Are like my head
I won’t listen to them
Until they’re dead
Or I’m dead
Sad but true
Self indulgence
Inconsiderate bitch
You’re nothing more than this girl
C’mon everybodysing
Pain and sadness
Are real to me
They stick around
And let me be
Give it up
Try again
Ain’t life fun?
Happiness
Sad but true
Self indulgence
Insonsiderate bitch
Ain’t nothing more than this
Inconsiderate
Lisa Germano - Happiness
Também eu hoje me sinto especialmente horny, poderosamente horny. Para sempre horny.
O que é espontâneo tem que ser imediato, não pode ser adiado. Não é uma recorrência, não se pode congelar ou mesmo guardar para usar mais tarde. Há sempre um prazo de validade. A chama perde a força e a cor e, com o tempo, começa a criar bolor.
Nunca se dorme sozinho. Dorme-se sempre com alguém, que por vezes não nos deixa dormir.
O mundo dos sonhos onde tudo é possível. O sonho em si a trazer a vida de volta. O sonho a acordar. O sonho como pesadelo. O pesadelo a infiltrar-se na consciência. A consciência a rejeitar. A tornar-se vigilante. A abrir os olhos. A olhar para o relógio. A dizer -só mais um bocadinho.
Malditos sonhos onde tudo é possível. Voam sozinhos dentro de nós. Ninguém os controla.
De que é feita uma recordação? De tempo? De memória, apenas?
Uma recordação é um sentir que ficou gravado cá dentro. É um pedaço de nós que não deixámos ir embora com os outros. Que não foi abraçado pelo esquecimento. São momentos que percorremos, que presenciámos, que sentimos na pele. Dor ou prazer. Alegria ou medo. Sabor ou tacto.
São recordações. Estão dentro de nós, não podemos vivê-las de novo como se fossem agora. Repetir. Reviver. Continuar.
O tempo pesa. Adianta-nos para uma incógnita. Envelhece. Transforma possibilidades em amálgamas de memória. Amálgamas de pessoas. Viver de recordações é, em sequência, tornar-nos gastos e antecipar um futuro longínquo, desprezando o presente. O dia de hoje. O prazer de acordar de manhã e viver como somos. Em plena consciência. A abraçar-nos de vida. Em testemunha do crescimento.
Respirar fundo. Muito fundo.
A cidade derrete à minha volta. Não se aturam estes outros gajos. Penteadinhos. Sem face. Fotocópias uns dos outros. Sem prumo. Andam. Vêm contra mim. Falam. Moem-me o juízo.
Derreto na ânsia de melhores dias. Sem pensar. Sem sentir. Vagueio nesta vida sem perceber que direcção toma. Sem perceber se é a minha ou de outro gajo qualquer. GRRRIIITTTOOO!
Já está.
O amanhecer mais limpo. Regular. Em tudo mais claro. Confiante.
O corpo em expansão para uma nova atitude. A repetir. A suportar a dor. A repetir. A empurrar-se para fora. A repetir. Ai vai ele. À frente. A repetir. Rápido. Grito para o acompanhar. Repito.
Água. Muita água.
Que me lava em todos os sentidos.
O tempo parou. Que dia é hoje?
Acordo num mundo que não é o meu. Que não conheço. Irrespirável. Vejo-me mas não me reconheço. Até o invisível desapareceu. É um mundo obsessivo, circular, com imensas saídas. Portas, janelas. Saio sempre por uma delas, todos os dias diferente. Tento. Percorro. Fujo. Berro. Mas acabo sempre por voltar ao ponto de partida. Ao presente que me cerca.
É um mundo de solidão. Onde tudo está ausente. Sem significado à vista. Sem vida. Que existe dentro de mim, em rodopio constante. Solidão terrível. Como não conheci igual.
Não penso. Não quero pensar. Não quero ver. Não quero sentir. Mordo-me. Fustigo-me diariamente. Arranho o corpo num vício deplorável. Em fúria. Momentos que não duram para sempre. O corpo não aguenta. Quando caio em mim de novo as mãos se tornam geladas. E novamente a existência se divide sem força.
Sou um Palerma com P muito grande! Socooooorrrrro!
On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.
And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."
Tim Buckley - «Song to the Siren»
O prazer da câmara escura. Cheia de luz negra. De escuridão colorida. De preto puro e luminoso. A câmara escura onde nada se vê. Onde se sente o calor das caixas, dos líquidos, do químico. O ruído todo de fundo. Onde nada existe. Onde nada mexe. Onde nada se sente. Onde o tempo morre.
It's hard being a man
living in a garbage pale
My old lady called me up,
she tried to hit me with a mop
I can't stand it any more, more
I can't stand it any more, more
But if Shirley would just come back, it'd be alright
If Shirley would just come back, it'd be alright
I live with thirteen dead cats
a purple dog that wears spats
they're all living in the hall
and I can't stand it anymore
I can't stand it any more, more
I can't stand it any more, more
But if Shirley would just come back it'd be alright
if Shirley would just come back it's be alright
It's hard being a man living in a garbage pale
my old lady called me up
she tried to hit me with a mop
I can't stand it any more, more
I can't stand it any more, more
But if Shirley would just come back, it'd be alright
I cried, if Shirley would just come back it'd be alright
What ya gotta lose?
Velvet Underground - «I Can't Stand It»
Acorda-se todos os dias no pesadelo. Numa tristeza profunda. Que só termina no fim do dia quando de novo se dorme. E se abraça o sonho.

Agora que o Prusidente voltou torno-me apenas um súbdito do arco e da flecha. Conseguem ver-me, lá ao fundo, eu com mais alguém?

Deixa estar, não faz mal, é só uma fotografia, mais nada!

Preciso de magia. De ser mágico. De conseguir a fórmula milagrosa. Seria tão fácil pedir-lhe. Ou criá-la de viva voz. Com falas tão sedutoras e mil encantos. Mas como? Ser eu, apenas eu? O muito mais eu?
Um efeito fantástico. Um duende cheio de desejos para oferecer. Com fadas. Com princesas. Castelos.
E abraços e beijinhos. E coisas tão doces. Tão bonitas. Os dias todos tão lindos.
E viver feliz para sempre!?
I'm rolling down a well worn road
I'm wondering if I'll ever know
If I'll be better than I was before
When I surface through the service door
Bye
I'm on standby
Out of order or sort of unaligned
Powered down for redesign
Bye bye
I'm on standby
According to the work order you signed
I'll be down for some time
I'll be down for some time
I got good at saying "I gotta go"
Number one at saying "I don't know"
But from the stories that I've heard
You humans require more words
Bye
I'm on standby
Out of order or sort of unaligned
Powered down for redesign
Bye bye
I'm on standby
According to the work order you signed
I'll be down for some time
I'll be down for some time
Grandaddy - «I'm On Standby»
Paz.
Acho que nunca senti esta paz.
Que me cerca.
Que me rodeia e me afaga.
Paz de tempo.
No sobejo do inumerável.
Que diz perdição.
Que sente tudo.
Que nada para longe.
O sol.
O dia.
Em mim.
Que podia ser tudo.
Todo.
Por ti.
E que se afasta.
Nos remos do vento.
«Enquanto não alcançares a verdade, não poderás corrigi-la. Porém, se a não corrigires, não a alcançarás.»
No entanto é tão bonito, o que se sente.
O que descobrimos.
Em ti. Em mim.
O respeito solene.
Que seria uma pena perdê-lo.
Rejeitar.
Os milhões de possibilidades.
De viver.
Em pleno.
O prazer de estar sozinho.
A surpresa inaudita de ser sozinho.
Ao vivo.
Um certo sabor de independência.
A ouvir o transpirar do próprio corpo.
A sentir cada movimento.
E a transbordar de novidade.
Ouve, meu amigo
põe a máquina a gravar
queria só explicar aqui
que eu sou como o pano-cru
como pano-cru
eu ainda estou por acabar
e como o linho vem da terra
assim viemos eu e tu
e como tu eu faço e amo
e luto e dou
e como tu eu estou
entre aquilo que já fiz
e aquilo que eu fizer
eu sou de pano-cru
Letra e música: Sérgio Godinho
Hoje é outro dia. E o que sinto. Que todo o minuto deixou de ser uma ameaça para se tornar um termo de aprendizagem.
Não quero acreditar, apesar de o sentir, que me tornei uma pessoa diferente. Um gajo novo. É tudo tão rápido. O ontem. O hoje. De transformação em transformação. Pequenas coisas, peças, em mudança. Para cima umas das outras, ao molho, a fluirem em conjunto, a criarem força. Não quero acreditar que depois de bater no fundo me reconstrua de um outro modo. Num novo mundo
O que penso. Que um gajo tem que ser, sobretudo, digno. Digno! Sabem o que é? Creio que não sabia. Estou a aprender a sê-lo, a juntar os bocados.
A crescer! Estou a crescer! Será que finalmente me tornei um homem?
Agora é comigo. Por mais que o amanhã se decida. A tranquilidade, com tudo o que possa acontecer. Sentir-me tranquilo. Com pequenas saídas. Soluções. Com portas para o futuro.
É tudo tão rápido. Este hoje. O terrível ontem. Que não posso acreditar. Resta-me deixar a decorrer este minuto que passa, o seguinte, e por aí fora. Suporto-os bem. Com um pequeno gozo dentro de mim, de alegria. Acreditem, quem me lê, em mim. Amigos?! Abraços como nunca dei, como nunca ninguém deu. Isto é vida! Isto é a vida! De um lado ou do outro.
Quanto mais se precisa da Razão ela não existe. Perde-se algures.
É muito simples chamar as coisas pelos nomes. É simples dizer. Dizer o sentir. O árduo, o obscuro. O difícil é descobrir de onde vem o sentir, o que o traz para dentro de nós, de repente, sem pedir. São desejos, sensações estrondosas, arrepiantes. São pensamentos. Ideias. Não têm foco, não têm corpo, são apenas impulsos que atordoam a alma. A ideia do momento.
Não é a ideia do corpo, ou o desejo do corpo, é mais, muito mais, é a fusão em algo incorpóreo, que excita dos pés à cabeça. E é também a mente, a exuberância da mente. A fala, é muito a fala.
Falo de amor. Do amor a sério, verdadeiro, sem transparências. Falo do sentir do amor, da falta de sentido, da falta de lógica, do perigo, que o amor transporta. A verdade do amor, escrita cá dentro, que mais ninguém sabe, mais ninguém sente.
O desejo de estar perto. De estar dentro. O desejo cego do sublime, do fundir sem corpo, a aliança imaterial impalpável. Maior que o universo, maior que todos os universos juntos. Maior que o infinito. Infinitamente maior que o infinito, que o ilimitado, que o absoluto. Um sem fim imenso.
O amor sem limites nem medidas. É disso que falo. Do meu amor. A extinguir-me numa insaciabilidade que me exalta. Em combustão permanente. O amor exasperado de paixão, maior que o tudo. A enfurecer o sentir, a revolver o espírito. A inconsciência.
Sou eu a bater forte. Num corpo infinito, sem espaço. Onde tudo roda, tudo ferve. Falo de ti, meu amor. De ti, apenas. Sem palavras para te descrever. Sem uma única palavra para te nomear.
Não há palavras, frases, no mundo, em qualquer idioma, que te possam eleger. Nenhuma. Nem todas.
Por isso, falo de mim. Apenas.
Quando se rasga uma coisa não há muito a fazer, pode coser-se, mas não fica tão bonito. A solução é arranjar uma nova!
Muitos pais, e mesmo pediatras, têm uma grande preocupação com o "tirar das chupetas". A preocupação que têm sobre essa questão assenta, quase sempre, sobre alguns hipotéticos malefícios que ela tem no desenvolvimento de complicações com os dentes. Isto é, abordam a questão apenas sob o ponto de vista físico. Mas a questão da chupeta tem um importante componente afectivo que deve ser considerado. Para além de um instinto genético, a sucção tem uma componente importante no desenvolvimento afectivo: é fonte de prazer porque se satisfaz a necessidade de alimento, é tb por aí que começa o conhecimento do mundo. Assim, a chupeta, é muitas vezes securizante para a criança porque a remete para uma situação de satisfação. Por outro lado, ela tem uma função de suporte quando á criança é deixada fora de casa (ama, creche, etc), serve de continuidade à segurança da casa, da mãe, do pai ...
Na minha opinião, se permitem, a criança deve deixar a chucha de forma natural, quando se sentir segura para o fazer. Isto não quer dizer que os pais não promovam situações para que a criança a deixe, mas como em tudo é preciso bem senso para que a criança não entre em crise de ansiedade ou stress por isso ser uma exigência que ela ainda não está preparada para enfrentar.
«Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.
Serve-se morto.»
de Reinaldo Ferreira
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto corri o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
por Ary dos Santos
agora vens-me buscar?
à uma frente à millies?
Parem lá com isso... o Prusidente é todo meu! Está bem... quase todo!!