outubro 14, 2006

Senhor Primeiro Ministro!

Meu Caro (carote!) Senhor Primeiro Ministro do País de Camões

Venho por este meio, rogar-lhe encarecidamente, que se digne sair um pouco mais da casca em que se encontra, e observe o país real que V.Excia governa.
Retirar direitos adquiridos aos trabalhadores, aumentar-lhes a idade da reforma, diminuir o poder de compra das massas, querer pretender salvar a Segurança Social à custa da vida de quem trabalhou anos e anos, cumprindo a sua parte como trabalhador e cidadão, esperando do Estado, a retribuição do mesmo Respeito e Responsabilidade demonstrados. Enfim...uma questão de Honra. Afinal, se um tipo não pode confiar no Governo que o governa, em quem terá de confiar?
Oh Senhor Primeiro Ministro, que se passa com essa cabecita não loura, mas rasante a essa côr? Lixar o Alberto João com a Lei do Teixeira dos Santos, outro menino aloucado do nosso pintado Governo !? Ora francamente. Não vê que assim, vai lhe dar ainda mais força junto do eleitorado ? Acredite, que o Alberto João vai governar a gosto dos madeirenses, com dinheiro ou sem dinheiro, tendo agora razão para justificar-se perante os madeirenses: "Meus Amigos, eu não fiz porque o sacana do Socrates não deu o dinheiro!" E pronto! Alberto João ficará de pedra e cal no seu Governo, pelo menos até à quinta reencarnação.
Onde está essa sua inteligênciazinha, Senhor Primeiro Ministro? Será que a crise dos finais dos quarenta está a ser mais forte do que tudo?
Aconselho-o a repousar. Descanse essa cabecita! Ouça um bom trecho de Mozart, leia assim uma obrazita ou outra, nem que seja da Rebelo Pinto, sente-se confortávelmente numa frisa dum teatro e deleite-se com a magia duma Eunice Muñoz, ou com o desempenho dum Diogo Infante...Relaxe. E depois de tudo isto, talvez vossa Excelência se torne num razoável governante.
Sinceramente, a sua (salvo seja!),
Madame Satã

Afixado por Madame Satã at 02:35 AM | Comentários (61)

setembro 01, 2006

Leng-lenga

«Ó compadre, como passou a
tarde de ontem à tarde?
Deixe-me lá, meu compadre,
que a tarde de ontem à tarde
foi para mim tamanha tarde
que há-de ser tarde e bem
tarde que eu venha cá outra
tarde como a tarde de
ontem à tarde.»

Afixado por Prusidente da Junta at 11:05 PM | Comentários (0)

abril 17, 2006

Mudanças

Venho informar os clientes deste espaço que abandono em definitivo este barco. Há sempre um fim a chegar e ele acabou de atracar. Fica quem ficar. Eu e os meus companheiros mais chegados mudámo-nos para aqui. Não temos tempo para mais. Um grande abraço!

A todos uma excelente vida!

Afixado por Prusidente da Junta at 10:05 AM | Comentários (1)

fevereiro 05, 2006

Retalhos da vida de um Prusidente / Tomo #432

«Estou a chover. Sabes?
Estou a chover. Não sei como parar.
Como parar de chover.
Talvez um feiticeiro. Uma dança índia.
Uma magia. Que leve esta chuva.
Que a adormeça.
Adormeces a minha chuva?
Com os teus feitiços. A tua hipnose.
Dás-me a tua dança índia?
Danças em cima de mim.
Por cima dos meus olhos.
Quebras-me? O chover, em mim?
Por favor?
»
"Metereologia" por Prusidente da Junta em 31 de Março de 2004

Afixado por Fornecedor Alternativo at 02:26 PM | Comentários (1)

dezembro 03, 2005

Dia Z

Foi assim que começou este espaço há mais de dois anos. Este documento confidêncial era uma chamada para o centro do quartel, para quem tivesse ainda dúvidas do que se ia passar. A campanha chamava-se "aJunta-te a Nós!" e este era o modelo 2A. Digamos que foi um projecto falhado.
...
A JUNTA – Termos e Questões Frequentes
- A Junta é um espaço fictício embutido na realidade contemporânea. Não há divisão entre o que pode ser ficção e o que pode ser real. Os factos estão misturados no oceâno da imaginação. Tanto faz. Tudo pode acontecer.
A Junta existe em Portugal. Como Junta de todas as Juntas. Como Junta de qualquer tipo de Junta. Como Junta do poder centralizado e hegemónico. A Junta é o funil de qualquer senso.
O Prusidente da Junta é quem manda na Junta. Mas não é totalotário, curva-se face aos seus colaboradores. O Prusidente é boa rês. Ouve e dialoga. Reflecte e observa. O Prusidente não é bom da cabeça.

O que fazer para aderir ou colaborar com a Junta?
- Há diversas áreas por preencher. E se não houver arranjam-se à medida das pretensões dos interessados.

O que se pode fazer na Junta?
- Escrever. Como exercício puro de escrita sem lógica intlectual ou moral. Apenas se pede uma pitada de sarcasmo. Mas nada muito vincado (consciente). A escrita corre ao sabor das palavras e sem ter, necessariamente, de passar pelo cérebro. Na Junta está-se à vontade.

Como se escreve para a Junta?
- Cada colaborador terá acesso a uma página arquivada no servidor www.tblog.com – com o endereço http://nomedaassessoria.tblog.com – que controlará com a administração sempre condescendente do amigo Prusidente.

Como se faz a página de assessoria da Junta?
- O Prusidente trata disso. O design e a estrutura será em tudo semelhante à do Prusidente. Apenas com uma diferenciação tonal. Nada por aí além. O assessor só é responsável pela secção central da página. As margens serão espaço da Junta para informações e ligações à base de toda a estrutura.

O que não se pode fazer?
- Não se pode mexer na estrutura da página nem nos settings da mesma. Não se podem tornar independentes as assessorias. A Junta funciona como um Todo. De resto pode-se fazer tudo.

Como acedo à página?
- Com o início da colaboração será dado um username e uma password a cada assessor, que lhes permite facilmente deixar a sua colaboração depois de feito o login em www.tblog.com.

Quais as funções do acessor?
- O assessor, para além da fulcral colaboração escrita, terá o dever de publicitar a Junta na sua rede de conhecimentos, da maneira que pretender e achar mais piada. ;-)
Terá, também, de aturar o Prusidente. E se possível beber uns copos com ele.

Quais as regalias de um assessor?
- Cada colaborador, para começar, terá o salário de 10 tBucks (a moeda do tBLOG) semanais, acrescentados de 5 tBucks semanais por comentários do Prusidente (cada comentário vale 1 tBuck) mais 5 tBucks por post. Terá carro e chauffer para o trazer até ao seu gabinete na Junta.

Que deveres e que fluxo de trabalho tem um assessor?
- Um assessor deverá escrever (deixar um post) pelo menos três vezes por semana, sendo um deles necessariamente à sexta-feira ou sábado e de preferência mais longo.
De resto cada um pode escrever quanto quiser, o que quiser e quando estiver para aí virado. O Prusidente não exercerá pressões!

O assessor usará o nome real ou será um mero anónimo?
- Na fase inicial o assessor terá o nome do cargo que ocupa. Mais para a frente, dependendo do andamento da Junta, poderá usar-se, mas nunca exigir-se, a identidade verdadeira de cada um.

Para que serve a Junta?
- A Junta não serve para nada. Apenas existe como conceito básico de escrita criativa e conceptual. Serve para o que serve.

Que normas de realidade e de ficcão são exigidas?
A Junta funciona com a base real do dia-a-dia - a realidade diária – e com o que se quiser misturar. A Junta existe com personagens reais ou irreais. A Junta, para além do aspecto lúdico, pretende criticar, gozar ou pôr a olho nu o rídiculo colectivo ou individual do país que é Portugal, em particular, e do Mundo, em geral. Tanto faz. A Junta não é um Contra Informação ou coisa que o valha. A Junta não é nada e ao mesmo tempo é tudo o que se quiser. Na Junta não se mede nem se tem mãos a medir.

Quanto custa?
- Não custa nada!

Quando posso começar?
- Quando quiser! O processo de activação da página é simples e célere. Basta contactar o Prusidente e aceitar os termos deste acordo. É pretensão da Junta arrancar com as assessorias o mais rápido possível. Não é preciso ter medo. Apenas uma pequena disponibilidade semanal.

Para mais questões, dúvidas, omissões e regateios contactar o Prusidente em prusidente@hotmail.com.

...
Não se sabe quem escreveu este documento, foi encontrado dentro do estofo do sofá do Prusidente, que entretanto se pôs a andar, dentro do seu gabinete. As primeiras instalações deste projecto funcionavam aqui. Depois mudámo-nos para o sítio que estão a ver.

Afixado por O Homem do Leme at 11:50 AM | Comentários (1)

novembro 26, 2005

Dá-se

este blog a quem for capaz de tomar conta dele!
Deixar declaração da prova devida na caixa de comentários.

Afixado por O Homem do Leme at 03:56 AM | Comentários (3)

novembro 22, 2005

Love you all

push.jpg
Queria que este fosse um espaço em que as pessoas falassem de si, contassem o que fazem, o que pensam enquanto estão aqui. Queria que fizessem disto as suas próprias casas ou um quarto onde se pode estar a falar com os outros. A viver, a contar, a rir. A chorar. Somos nós e é preciso deixar alguma coisa para a posteridade. Para quem vem. Para nós que voltamos sempre mais tarde. Era bom se pudéssemos conversar. Se nos pudéssemos orientar em conjunto. Ou mesmo dar as mãos? Isso tudo. Isso e o resto.
Será pedir muito?

Afixado por Prusidente da Junta at 10:48 AM | Comentários (2)

agosto 25, 2005

Já lá vai um ano!

Iloveringjoid.jpg

Afixado por O Homem do Leme at 12:52 PM | Comentários (1)

julho 22, 2005

Último

E é verdade, despeço-me assim sem mais. Sem explicações. Sem novidade. Vou-me e nem digo adeus. Desapareço. Um Prusidente da Junta já não faz sentido aqui. Não faz sentido em lado nenhum.
Não faz falta.

Anyway, keep it going!
Alguém tomará o meu lugar. Não o de Prusidente mas o que está cá dentro. De mim. See you around!

Afixado por Prusidente da Junta at 09:53 AM | Comentários (1)

julho 21, 2005

Frase do dia de ontem updated by the creator!

«Esfodaça a normalidade, estraçalhando o conveniente conforto acagaçado...»
by this guy!

Afixado por Prusidente da Junta at 09:20 AM | Comentários (0)

Só para recordar

O Motel dantes, há módica quantia de ano e meio, era ASSIM. Tínhamos outro nome, outro conceito: «Somos tudo aquilo que quiser, Animais e Amantes. Derrubamos qualquer um!», depois veio um gajo que comprou o prédio ao lado e que não gostou do nome e nós, sem deixar de estar indiferentes, depois de um bom suborno, mudámos. E assim acontece!
Boas tardes, senhoras. Já agora, tenho uma novidade. É fresquinha, em primeira mão. Aí vai:
O Prusidente vai demitir-se!

Afixado por Prusidente da Junta at 09:08 AM | Comentários (5)

julho 20, 2005

Sing the Blues Cheese

«Then at 18 I decided I wanted
To be a commercial photographer
I rented a studio down by the docks
Which I shared with a friendly pornographer
I photographed models in fluorescent light
Whose veins were so blue and whose breasts were so white
I assumed, like the moon, women were blue cheese...
»

Afixado por Prusidente da Junta at 01:22 PM | Comentários (2)

Frase do dia de ontem que eu li!

«ESFODAÇA A NORMALIDADE, BABY DOLL!!»

Afixado por Prusidente da Junta at 12:41 PM | Comentários (0)

julho 19, 2005

Só para não dizerem que não ponho cá os pés!

Estes rapazes chamam-se Earlimart, têm duas ou três músicas que eu considero fabulosas, como se importasse alguma coisa, o que eu considero, gostava de vos poder mostrar assim que metessem aqui o nariz.
Os Earlimart são uma banda de Los Angeles formada em 1996, com quatro discos lançados em editoras independentes, vivem essencialmente do talento criativo do lider da banda (vocalista/guitarrista) Aaron Espinoza e do toque feminino de Ariana Murray (baxista/pianista) que formam um sonoridade cheia de experimentalismos suaves. Que vão do acústico a sons espaciais com uma profundidade mais dura. Entre a calma das ondas do mar e os trovões de um estra-terrestre a tocar guitarra. Com uma conotação para uma certa tendência depressiva, li-o não sei onde, demonstram precisamente o contrário, aliás, formam um conjunto de uma abertura musical que dá vontade de voar. Eu sei que isto é um bocado parvo de se dizer, mas é isso que me apetece fazer quando os oiço. Deixar-me ir, com um sorriso a sair-me dos dentes.
Têm aqui um vídeo que podem espreitar, é uma das tais que gosto muito: "Heaven Adores You". Deixo-vos no entanto com outra, "We're So Happy", que é daquelas canções simples que nos deixam mesmo tão felizes. Enjoy.
[Já sabem, peçam-me que eu envio. Basta enviarem ESTE pedido.]

«It's been a while
But we're so happy
Yeah, we're so happy
Uh huh
To wash our feet off
To hang upside down
Uh huh

To call someone out
Just to come out here
Uh huh
We won't cause we're happy

Yeah, were so happy
We're so happy
Uh huh
We're so happy
We're happy
Uh huh
Uh huh
Uh huh
Uh huh

And we left the piano
In the truck
»
EARLIMART - "We're So Happy"
[no site, se carregarem em 'discography' e depois em 'stream tracks' é possível ouvir algumas das músicas da banda.]

Afixado por Prusidente da Junta at 08:54 AM | Comentários (0)

julho 14, 2005

Dias santos

E de repente isto morreu de novo. Perdi a vontade de aqui vir. Sorry. Se calhar fui de férias, eu é que não sei!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:21 AM | Comentários (6)

julho 11, 2005

Liberty

LondonC.jpg

Afixado por Prusidente da Junta at 05:58 PM | Comentários (1)

O que é o "War of The Worlds"?

Uma mistura de "Schindler's List" + "E.T." + um pouco da dimensão dos "Encontros Imediatos de 3º Grau" e MUITO de "Lassie" !
Agarra à cadeira, sim, quando se sai o mundo é um bocado irreal. Mas é um filme à la Hollywood. Uma treta!
Digam-me, no final, aquele casal de velhotes saídos do século XIX, devem-se ter enganado no filme, outro H.G.Wells, "A Máquina do Tempo", não? Só pode.

Afixado por Prusidente da Junta at 12:45 PM | Comentários (0)

Automobile portraits #5

Bluish son of a bitch behind glass!

Afixado por Prusidente da Junta at 12:11 PM | Comentários (0)

With me

Preciso de nadar sempre. De mergulhar para o interior da água e tornar-me líquido de esquecimento. Sem ver, sem ouvir. Apenas um estado a passar por mim.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:40 AM | Comentários (2)

julho 10, 2005

O Prusidente foi à China

China01.jpg
O Pruz. e o Controladinho, motorcycling em direcção ao norte da muralha.

«... e o que foste lá fazer?
Giroflé, giroflá.
Fui lá buscar uma rosa,
giroflé, giroflé,
Para quem é essa rosa?
Giroflé, giroflá,
É para quem a apanhar,
giroflé, flé, flá...
»

Afixado por Prusidente da Junta at 03:49 PM | Comentários (0)

julho 08, 2005

Mote de mim

Filipe II para o arquitecto do Escurial:

«Façamos qualquer coisa que o mundo diga que nós fomos loucos.»

Afixado por Prusidente da Junta at 05:49 AM | Comentários (2)

julho 07, 2005

Bombyx Deaf

O Afonso Bivar acabou com os comentários. Não lhe posso dizer como também me sinto bem em Londres. Não lhe posso dizer como o Mundo já não me diz nada. Já é qualquer coisa que se engole como uma aspirina. Que não sinto nada. Que se diz qualquer coisa, mas não entra nada.
Não lhe posso dizer como adorei a Laura do Otto Preminger. Como sempre me fascinou a Gene Tierney. Como nunca percebi porque raio não foi uma Lauren Bacall ou uma Hepburn? A estrela da companhia. Sim, não importa que não tenha sido.
Não percebo porque se fecham os comentários. Assim sem avisar. É pudor? Também não percebo porque é que há essa mania de pedir um email válido, de não permitir o anonimato, como se todos nós não fossemos anónimos, como se um zéninguém@hotmail.com fosse algum gajo conhecido e que só por isso tivesse o passe para abrir a porta dos comentários a alguém. Aqui no Motel toda a gente entra. Aqui toda a gente escreve. Aqui nada importa. Aqui que se foda!
Encham as paredes de grafittis! Porra!

Afixado por Prusidente da Junta at 07:15 PM | Comentários (8)

KO

Quando andei à procura de outra coisa, sobre o mar, encontrei isto, que para o caso também serve:

«Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas


um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador
»

Chama-se "Vigílias" e é do Al Berto. E eu não sou pessoa para gostar de poesia, para perceber o que quer dizer, mas esta entra-me bem no desnível que tenho na espinha.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:41 AM | Comentários (0)

Não chegas

E se me tivesses apenas por mais três minutos? Sim, não mais, só isso. Abraçavas-me, dizias-me adeus? Davas-me um beijo, contavas-me uma história, choravas? Amavas-me nesses segundos, como nunca? Davas-me a mão e ficavas até ao fim, à espera do milagre?

Afixado por Prusidente da Junta at 02:20 AM | Comentários (0)

julho 06, 2005

Dias de Motel #1

«Coisa mais bonita é você
Assim, justinho você
Eu juro, eu não sei por que
Você
Você é mais bonita que a flor
Quem dera
A primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza
Que é o amor
Perfumando a natureza
Numa forma de mulher
Por que tão linda assim não existe
A flor
Nem mesmo a cor não existe
E o amor
Nem mesmo o amor existe
E eu fico um pouco triste
Um pouco sem saber
Se é tão lindo o amor
Que eu tenho por você
»
[Carlos Lyra & Vinícius de Moraes]
por Enfiada Especial in "Coisa mais linda!" - MAI 04

Afixado por Prusidente da Junta at 02:32 AM | Comentários (1)

julho 04, 2005

Para a História

É fenomenal o poder dos Media, o que se pode construir à volta de um acontecimento. A jornalista Diana Andringa deixa a prova para que não se destrua na memória.
Aqui, onde me encontro, passou tudo no canal do efémero, três ou quatro dias depois, sem importância, como uma espécia de anedota, uma notícia em que não se acredita logo à partida: "Um gang de 550 pessoas fez um assalto à Praia de Carcavelos, a polícia de um lado e os assaltantes do outro lado, em provocação, se fosse noutro sítio tinha começado tudo aos tiros". Alguns dias depois, num jantar, despercebido, oiço alguém dizer: "Afinal não foram 400, foram 80."
"Afinal não foi". Não houve arrastão.
E como diz a minha mãe, "é assim a vida!"
A vida de um país!

Afixado por Prusidente da Junta at 05:48 AM | Comentários (1)

Os chineses têm sempre razão

cc.jpg
Coca-Cola em chinês: Ho Hau-Ho Lok - "Possível Boca Possível Alegria".

Afixado por Prusidente da Junta at 05:12 AM | Comentários (2)

julho 01, 2005

À espera de Dogot... (v.1.1)

Pruz
... de Esgraton, Vlamidir, Culky, Zoppo e também à espera de uma rapariga.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:25 PM | Comentários (2)

The Heart Teacher

Rufus
«There I was in uniform
Looking at the art teacher
I was just a girl then;
Never have I loved since then

He was not that much older than I was
He had taken our class to the Metropolitan Museum
He asked us what our favorite work of art was,
But never could I tell it was him
Oh, I wish I could tell him
Oh, I wish I could have told him

I looked at the Rubens and Rembrandts
I liked the John Singer Sargents
He told me he liked Turner
Never have I turned since then
No, never have I turned to any other man

All this having been said,
I married an executive company head
All this having been done, a Turner - I own one
Here I am in this uniformish, pant-suit sort of thing,
Thinking of the art teacher
I was just a girl then;
Never have I loved since then
No, never have I loved any other man
»
['The Art Teacher'] [RUFUS WAINWRIGHT]

[EMPRESTA-SE A QUEM ENVIAR ESTE FORMULÁRIO]

Afixado por Prusidente da Junta at 04:54 AM | Comentários (0)

junho 29, 2005

Retalhos da Vida de um Prusidente #4

«Cego pelo sudoeste. Cego pelo nordeste. Cego por tudo. Cego. Simplesmente cego!»
in "Isqueiro?" - JAN 04

Afixado por Prusidente da Junta at 02:21 PM | Comentários (1)

Beco de Má Fama

Aqui estão as razões porque nos procuram, o Top 20 das pesquisas efectuadas com os motores de busca espalhados pelo éter. Os desejos dos pesquisadores:

01. 8.92% - Motel
02. 3.74% - Scarlet Johansson
03. 3.31% - Pecados
04. 3.31% - Recado
05. 2.89% - Moço
06. 2.29% - Ondas
07. 2.12% - Virgem
08. 1.78% - Ladytron
09. 1.61% - Orgia
10. 1.44% - Tripla penetração
11. 1.27% - Suicida
12. 1.19% - Pornografia
13. 1.02% - Prusidente
14. 0.76% - Voltei
15. 0.68% - Enfiada
16. 0.68% - Mulheres
17. 0.68% - Peitos
18. 0.68% - Tesão
19. 0.59% - Beijos
20. 0.59% - Fome

Será preciso escrever uma tese como conclusão? Os dados falam por si.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:25 AM | Comentários (4)

junho 28, 2005

Drops

Alguém da Covilhã aqui?

Afixado por Prusidente da Junta at 05:02 PM | Comentários (5)

Pontes por onde passei mais vezes #1

Vila Franca
Ponte Marechal Carmona, sobre o Rio Tejo, em Vila Franca de Xira. Destino: Alto Alentejo.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:40 AM | Comentários (0)

junho 27, 2005

Catched Up

Planes.jpg
O azul é o jet da Assussora, o outro é do Cavalheiro de Beri-Beri, um rapaz que a seguiu desde Istambul. O amor tem destas coisas. O que vale é que há sempre estações de serviço!
Está bem, vou deixar de brincar com isto. Time's out!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:22 AM | Comentários (1)

Alien Spot

É neste local, algures perdido no meio do Alentejo, que costumamos aterrar quando voltamos ao nosso planeta.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:47 AM | Comentários (0)

Não anda!

Maserati
O nosso Maserati Birdcage no Goodwood Festival of Speed, que se realizou entre os dias 24 e 26 de Junho.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:53 AM | Comentários (0)

junho 26, 2005

Gouging Away

E aqui temos Las Vegas: Macau do Ocidente, como gostam muito de lhe chamar, cá deste lado, mas ao contrário! Aqui o Venetian, um resort/hotel/casino réplica deste sítio em Itália. Só para terminar: Paris, no Texas, de baixa resolução. Berlim e o Adamastor.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:28 PM | Comentários (1)

Sattelite is watching you!

Macau.jpg
Este é o sítio onde eu vivo. A imagem foi conseguida através do Google Maps, onde se pode encontrar o mundo inteiro, em resoluções diferentes.
A Microsoft prepara um serviço semelhante, em género de resposta. Quem ganha somos nós. Qualquer dia posso ver-me a andar na rua. Será isso um ganho?

Macau e Hong Kong, com as suas zonas limítrofes, são os únicos locais na Grande China pesquisáveis com mais alto detalhe, não se vá criar algum incidente político. Já Taiwan... está muito bem catalogado!

E aqui o ground zero! A Piazza Navona em Roma. Uma ilha no Rio de Janeiro. E muito mais. Enjoy!

Afixado por Prusidente da Junta at 01:31 PM | Comentários (13)

We wanna be Casmurros forever!

Digo e volto a dizer, ESTE é o melhor blog de sempre.
Este outro nosso amigo enviou-nos o seu poiso, que também tem a sua piada. O senhor sofre das costas e vive desterrado em Porto Santo. Fascina-o mulheres bem fornecidas. De vez em quando lá vai encontrado uma ou outra, que com mestria coloca na sua montra.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:42 AM | Comentários (0)

junho 24, 2005

Gayish Straightness

Os estéreotipos deixaram de se definir por normas estreitas, pelo que se vê ou deixa de se ver, do que parece à primeira vista. Neste caso, o New York Times tenta pesquisar as diferenças aparentes nas orientações sexuais do Homem. É um estudo de antropomorfia estatística baseado no estilo, na maneira de vestir, nos trejeitos de comportamento. New York City, aposto que em Lisboa ou no Porto as linhas mudam de figura. See for yourself. Os membros do Motel são tudo o que houver para ser. É só pedir na recepção, no menu.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:16 PM | Comentários (3)

C'est comme ça la la la la la

Les Rita Mitsouko
Encontrei-os no elevador, num hotel em Tóquio. Bonjour, disseram eles. Vinham tão alegres como eu. Bonjour. Só depois percebi quem eram, dois anos mais tarde, quando de novo os vi, desta vez a tocar, num bar em Berlim.
Qual era o nome do bar? Não me lembro.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:15 AM | Comentários (0)

junho 23, 2005

Blow Dry

Miss Soma and her new hair cut.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:00 AM | Comentários (2)

Alguém se lembra?

«Walk in silence,
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.

Walk in silence,
Don't turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don't walk away.»

Uma tenda. Várias. Não me lembro como a montei. Não me lembro de me ver a montá-la. A tenda. Várias. Dormia-se.
O meu avó comprou. Compraram-lhe. Um gravador de cassetes. Com rádio. Para se gravar. Para se fazer ouvir. Mais tarde. E se escrever. Ou alguém o escrever.
Eu desgravava.
Levei o gravador para a tenda. Levava-o para todo o lado. Nessa noite. Era o que se ouvia.
O que me lembro. Noite. Invasões. Estrelas. Alcatrão. Pinheiros bravos.
E a música. Algures por cima do meu avó.

["Atmosphere" - Joy Division]

Afixado por Prusidente da Junta at 09:20 AM | Comentários (1)

A homenagem da terra

 

ANTÓNIO VENTURA (Coord.)
Feliciano Falcão
"Memória Viva"

Livro que reúne um conjunto de testemunhos sobre a personalidade íntegra do republicano e médico de profissão, Feliciano Falcão, natural de Ribeira de Nisa, concelho de Portalegre, onde nasceu em 1911 e onde viveu grande parte da sua vida. Figura destacada do meio intelectual portalegrense, é aqui lembrado por muitos que o conheceram pessoalmente e outros que aprenderam a respeitar o seu nome pelo que dele ouviram contar. A obra reúne ainda catorze textos da autoria do homenageado.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:00 AM | Comentários (2)

A história

No dia 18 de Março de 1940, Feliciano Falcão casou com Zélia Sofia, filha de João Diogo Casaca, um republicano histórico e então director do jornal a Rabeca, e de Branca da Encarnação Martins Casaca. E um ano mais tarde nasceu o primeiro “rebento” do casamento, uma menina, Branca José.
É também em 1941 que Feliciano Falcão se encontra pela primeira vez com José Régio, com quem, aliás, inicia uma duradoura amizade. Sentimento que o levou a promover, ainda durante o ano de 1941, uma homenagem ao poeta. Acontecimento que causou alguma polémica.
No Café Central, primeiro, e no Café Facha, por último, eram frequentes e contínuas as “tertúlias” em torno de Régio e de Feliciano. Momentos que contavam com a presença de algumas figuras locais e outras que sazonalmente passavam pela cidade, como David Mourão Ferreira e Eugénio Lisboa, ambos a cumprirem serviço militar em Portalegre.

O nascimento da sua segunda filha acontece em 1942, e à qual dá o nome de Maria João.
Dois anos mais tarde regressa a Lisboa, onde durante dois anos (1944-46) exerce medicina e estagia como especialista de análises clínicas no Hospital de Santa Marta.
Apoiou o Movimento de União Democrática (MUD) e colaborou no diário oposicionista República, com um artigo sobre a actividade de “Médico curandeiro em terras medievais”, resultando dessa experiência, em Junho de 1946, a exclusão do Concurso para Assistente da Faculdade de Medicina.
Não foi aceite, por razões meramente políticas, como médico no Hospital da Misericórdia de Portalegre, sendo excluído como analista na Caixa de Providência.
Sem nunca desistir dos seus objectivos nem dos seus estudos, montou em Portalegre, em 1946, ano em que nasceu a sua última filha, Maria Amélia, um laboratório de Hematologia em Portalegre, ao mesmo tempo que se dedicava à investigação.
Entre 1949 e 54 frequentou vários cursos, um deles em Barcelona. Mais tarde, a convite da Ordem dos Médicos faz o 7º curso de Aperfeiçoamento Médico-Sanitário em Lisboa.
Um dos seus trabalhos de investigação foi premiado pela Ordem dos Médicos, com o Prémio Nacional de Medicina, em 1954. O estudo intitulava-se “Nota Hematológica sobre o 1º Estudo de KalaZar no adulto, diagnosticado em Portalegre”.
Sabe-se que o prémio era para ser entregue numa cerimónia presidida pelo Presidente da República, o Almirante Américo Tomaz. No entanto quando se soube quem era o premiado, apenas lhe foi entregue o dinheiro (2.500 escudos), sem pompa nem circunstância.
Para além disso, participou no AMICITA, grupo Cultural de Portalegre, escrevendo para o seu boletim. Foi também um dos fundadores do Cine-Clube de Portalegre (que mais tarde, por ordem governamental, foi extinto).
Participou na elaboração de uma lista oposicionista, em 1969, pelo circulo de Portalegre. A constituição da lista acabou por ser apenas uma tentativa falhada, tendo Feliciano Falcão participado numa sessão comemorativa do 5 de Outubro, no Cine-Teatro Crisfal. E em 1973 esteve presente no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro. No mesmo ano foi eleito por unanimidade director do jornal “A Rabeca”.
Foi com muito entusiasmo que recebeu a notícia da mudança de regime, no dia 25 de Abril de 1974 e esteve na recepção ao Dr. Mário Soares e ao Dr. Álvaro Cunhal no seu regresso do exílio.
Durante oito anos (1972-1980) fez várias conferências sobre várias temáticas, na Escola Mouzinho da Silveira, e no Graal de Portalegre.
Retirou-se mais tarde para a sua quinta na Serra de Portalegre, onde passou os últimos anos da sua vida, continuando sempre a fazer viagens, com a mulher, pelo estrangeiro.
Na última viagem, à Alemanha, país a que se deslocava frequentemente para buscar tratamento médico, faleceu, em casa da sua filha mais nova a, 17 de Agosto de 1988.
Uma vida sempre vivida em torno de ideais. Um portalegrense que fez história como médico e como homem.
Os dados biográficos do Dr. Feliciano Falcão foram-nos facultados por Fernando Mão de Ferro, responsável pela editora Colibri. A quem agradecemos a disponibilidade.

"O homem para além de médico" in Jornal Fonte Nova.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:49 AM | Comentários (1)

E o que escorreu de mim

Ode1.jpg

«Ode a tudo»

(Para a Zélia*)

Vou cozinhar para ti. Sei que gostas de coisas boas, tipicamente simples, saídas da terra. Não interessa de onde. De quem é a terra. É preciso apenas que tenham muito sabor. É isso que vou fazer. Andei toda a semana por estas estradas quentes. A subir a serra, do sopé para meia distância do cume. A descer de novo para uma parte mais fria e a reencontrar esse horizonte que se desprende da vista, numa curva contra curva. Lá estava o vale do lado esquerdo. Ao fundo a montanha mais alta do sul do país. Uma paragem de autocarro à direita e talvez um cão a ladrar, não tenho bem a certeza. E fresco de novo, só por um segundo. Mudou tanta coisa que não sei por onde começar. Vai ser um prato de carne. É bom, acredita.

Quando voltaste dentro daquela caixa fiquei no jardim a noite toda. Dormi na rede sem me balançar, à espera que o céu caísse de vez em cima de mim e me acordasse do pesadelo. Tentava esconder-me. De mim e dos outros. Corria para o fundo qualquer de uma azinhaga. Para chorar. Para que ninguém me visse. Deitado no chão, a olhar de novo para as estrelas, talvez no sítio onde íamos apanhar amoras. Agora já não existem nesse sítio. Não existem em lado nenhum. Desapareceram. Compram-se no supermercado, sem as silvas, e custam os olhos da cara. Acreditas nisso? Eu também não.

No dia em que te levámos fomos todos em silêncio. Vieram homens e mulheres de todo o lado. Nos seus burros, nos seus carros de bois. Vinham do outro lado dos montes. Nos seus tractores, nas suas carrinhas de caixa aberta, que pararam em transgressão em qualquer lado, sem se preocuparem com isso. Vieram movidos pela ideia que o sol estava a estremecer, em rodopio, aos saltos, e a brilhar de uma outra forma. A chamar por eles. A dizer-lhes que aquele era um dia especial. Mas homens e mulheres que nunca mais te esqueceram, que na recordação viva de ti trouxeram as famílias, numerosas, e os gatos, e os cães. Para se despedirem de ti. Estava um dia cheio de luz. Seguimos-te e imitámos o teu silêncio. Todos. As pessoas vinham de veredas e ruas íngrimes juntando-se na mais completa das ordens, enquanto caminhávamos. Posso dizer-te que foi lindo. Quase no fim passámos em casa do teu amigo, ele disse-te adeus, do alto do seu olhar de bronze, e deixámos-te. Os gatos não miaram. Os cães não ladraram. Muitas flores e um ramo de uma árvore tua caíram por cima desse fosso geométrico onde te enfiaram. Agradeceste. Eu sei que agradeceste. A árvore que ia crescer dentro de ti. Soubemos todos. Quando saímos nunca mais fomos os mesmos. A cidade nunca mais foi a mesma. Parou congelada naquele verão quente. Lembras-te das groselhas? Já não existem. As borboletas? Raramente lá vão e são todas da mesma cor. Não há cães nem gatos. Apenas erva a crescer em desatino.

Vou fazer-te Goulash. A mesma receita que a avó te fazia, sabes? Que por sua vez era a receita de um restaurante em Budapeste onde vocês estiveram. Lembras-te? Foram os dois para a cozinha, bisbilhotar, à procura do cozinheiro. Telefonei-lhe há pouco, a perguntar-lhe como se fazia. Ela ainda a sabia de cor, claro. Lembrava-se até do nome do homem, chamava-se Lórand Kardos Ogúz e o restaurante ficava na praça Franz Liszt. Mas se lhe perguntares, se eu falei com ela mesmo agora, já não se lembra. Lembra-se apenas do essencial. Do mais importante. Do dia em que te viu descer a rua pela primeira vez. A cor da camisa que trazias vestida, as mãos nos bolsos, o olhar que lhe fizeste. Ela a mudar de cor à janela. A tornar-se amor, à primeira vista. E lembra-se de tudo o resto que vale a pena lembrar. E o que vale a pena lembrar foram todos os dias que passou contigo, todos eles, sem tirar um único. Claro, agora não tem espaço para mais. Para saber se já tomou ou não os comprimidos. Se é Verão ou Inverno. O que é que isso interessa? Ela lá sabe o que interessa, e é muito, é tanto. São tantas voltas ao mundo. Foste sempre o meu modelo. O nosso. Ainda és. Queria ser assim feliz como tu, ter essa capacidade infinita para estar sempre atento, atento ao saber, às brisas da inovação, ser a vanguarda do tempo e em simultâneo transportar um sol de conhecimentos. De vida. A querer inventar-me com as coisas mais ínfimas. E ser feliz como nunca vi ninguém ser feliz. Como nunca vou ver ninguém ser feliz, dessa maneira, mesmo que viva setecentos e cinquenta anos. Porque o teu ser feliz foi a felicidade dos homens todos juntos, desde que o Homem apareceu neste planeta. Há duzentos e quarenta triliões de anos. É preciso saber muito, não é, para lá chegar?

( O homem que encontrei hoje na rua sorria, desalmadamente, quase que não tinha roupa no corpo, nem dentes, não lhe perguntei nada porque tinha a cara toda esborratada de felicidade. E Amor. Em grande. Numa headline de parietal a parietal. Não tinha cabelo, o homem. Ainda tudo é possível no mundo trivial que se atravessa, foi o que gravei.)

No teu laboratório ia ver-te trabalhar. Atravessava o jardim a correr com medo dos cisnes negros que me mordiam o rabo. Nessa altura os carros andavam mais devagar, as pessoas sabiam conduzir, e chegava-se num instante, sem perigos. Entrava. Lá estavam as mulheres todas, que trabalhavam contigo, que sorriam a toda a hora. Felizes, também. Com os seus tubos de ensaio na mão. Os papéis. As pipetas. Os garrotes. Os pica dedos. Picaram-me o dedo e saiu uma bolha de sangue que eu depositei nos lábios. Na sala ao lado tinhas as tuas máquinas, que os médicos todos compram mas que nunca usam e que estão sempre a brilhar. Ficava a olhar para elas, aquelas naves espaciais. A conduzi-las. Ainda lá estão? Devem estar. Vendeste tudo, ao desbarato.
Já não chegaste a tempo. Tinha uma família muito bonita. Amalgamou-se com um calor qualquer ou com a corrosão da humidade. Mas gostava muito que conhecesses umas pessoas pequeninas. Já lá vamos, está bem? Sabes o que é o amor? É nós todos gostarmos de ti, sempre. E eu delas. Essa é a definição da palavra, a mais simples que se pode arranjar. A melhor que sei. A que vou responder no exame da minha faculdade.

Também íamos para o café. Ler. Ouvir os homens que vinham logo ter contigo. Que num ápice perguntavam. Perguntavam. E tornavam a perguntar. E ouviam. Tudo. Os homens que aprendiam contigo, sempre com sede do que lhes dizias. O homem dos jornais, que tinha nome de pássaro como tu. Ficavam os dois a chilrear montes de tempo. O que é que eu pedia nessa altura? Torradas, só podia ser. Com manteiga.
E os táxis? Os homens dos táxis. Lembras-te? Já não existem. Reformaram-se todos. Não fazia sentido transportarem outras pessoas. Venderam os carros, sem se preocuparem com o lucro, saíram da terra, desapareceram. Nunca mais ninguém os viu. Voltaram no dia em que a tua cidade te fez uma homenagem. De novo com os seus carros de praça. Debaixo dos plátanos. A reluzir. À espera que chegasses. Levaram o livro debaixo do braço, que fizeram sobre ti. Pesa duzentas e vinte gramas. Chamaram-lhe ‘Memória Viva’. É o que estou ali a fazer na cozinha, para que não te esqueças. Agora tens também uma rua com o teu nome. Sabias que em Porto Alegre, no Brasil, existe uma rua homónima à tua, só que de outra pessoa? Coincidência, não é? É de um general.

(Acordou com dores de estômago, a pensar que tinha todas as doenças do mundo, mas como a viu, ao lado, a respirar como uma fada, ficou descansado e voltou a adormecer.)

Entrava pelo teu hospital adentro. Percoria os corredores como um fio. Conhecia os andares todos. As máquinas espaciais de todos os médicos. Ficava à espera com os doentes. A olhar para eles. A adivinhar-lhes as dores. Depois entrava e lá estavas tu, sempre de bata branca, a contar leucócitos dentro de um microscópio. A contabilizar os glóbulos brancos. A falar alto, com um pianinho ao lado e a tocar aquilo que vias lá dentro: os linfócitos, os monócitos ou mesmo certos eosinófilos. No fim tínhamos uma gymnopédie, lenta e dolorosa. De vez em quando lá se encontravam alguns basófilos. São os piores. Agarram e não largam mais. Vão até ao osso. São apenas aquilo que se vê, não têm mais nada por baixo. Nada mais para descobrir. São um bife, todos os dias da semana. Noutros dias estavas a compor madrigais sob sedimentos urinários. No pianinho que marcava números. Naquela profusão toda de vidros de aumentar. Às vezes visitávamos o teu irmão que tinha um buraco na garganta por onde falava. Sim, também era médico.

E quando eu desaparecia sem deixar rasto, só porque me apetecia fugir de casa, ou quando ia dormir para o telhado, e encontravas a minha cama vazia? Não havia telemóveis nessa altura, que chatice que era. Nem assim ficavas chateado. Fingias apenas, mas eu sei que não ficavas. Quando te desgravei das bobines onde estavas a falar de música dodecafónica e te substitui por uma peça radiofónica sobre a Volta a Portugal também só ficaste furioso, mas não chateado. Quando substituí o nome do Alban Berg por outro de um corredor chamado Zequinha. Ou mais adiante, quando já estavas na pintura, e mudei Paul Klee por Toupeira, e Vassili Kandinsky pela chegada à meta do pelotão seguido de uma queda colectiva, apenas torceste o nariz ao de leve. A pensar que aquilo era tudo mentira. A tua sorte foi não perceberes nada de teorias das fitas magnéticas.

A mim só me bastavam dois dos teus passos. Com eles podia chegar onde quisesse. À Lua, se fosse preciso. Se ainda tiver dois genes dos teus posso tentar ir mais longe. Onde nunca fui. E desembrulhar-me. Pode ser que me visites, outro dia, num país mais frio, onde o sol nunca desce.

Podes sentar-te, aí nessa mesa azul. Não faças caso, é pequena demais, eu sei. Só chega para a semana, a outra que comprei. Come. É o melhor Goulash que eu alguma vez fiz na vida. Ensinou-me o Lórand Kardos Ogúz. Nunca mais vais esquecê-lo. É uma memória viva e está quentinha. Está bem. Imagina que somos amigos do Gulliver. Somos todos pequeninos. De novo crianças.

___________________________
* Zélia é o nome da minha avó.

"Ode a tudo"
[Publicado por Ring Joid in Hoje Macau – 9 de Julho de 2004]

Afixado por Prusidente da Junta at 08:47 AM | Comentários (1)

Casmurros

Hoje, enquanto ouvia a última gravação de um discurso que ainda não fiz, encontrei ISTO. O mundo é cheio de novidades, a toda a hora. Não são bem coisas novas, elas já existem há muito sem nós as vermos, é mais o choque de diferentes mundos, a sua percepção, que cria a novidade. Esta existe há pouco tempo, creio.
Anunciam-se assim: «Outside of a dog, a book is a man's best friend; inside of a dog, it's too dark to read.» Groucho Marx

Aqui fica uma pequena amostra:

«— E aí, Groucho, tudo jóia?
— Folgo em vê-lo mais bem disposto, senhor.
— Venho de dormir uma sesta. Diga-me, acredita na reencadernação das almas?
— Ah, e voltou ao projecto de compilar paronomásias burlescas.
— Nem mais, se a tanto ajudar o engenho e a tarte.
— Hoje de morango, senhor, e sem electricidade estrábica. Vieram em embalagens aritmeticamente fechadas.
— Boa, quero duas. E desculpe ter feito de si bode respiratório esta manhã.
— Ora, senhor, trabalho para servir, embora não sirva para trabalhar.
— Alto lá, que isso é uma antimetábole.
— Imperfeitíssima, senhor, imperfeitíssima.
»

Pois, só para apreciadores. Nós já os colámos nas paredes do Motel, até já chateia, diz a clientela de pensar mais exíguo.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:27 AM | Comentários (0)

junho 22, 2005

Não se discute

Gosto do que escreve este senhor, que é parecido com este, que já morreu. Qualquer deles é benvindo aqui neste tasco. Vivo ou morto. Não interessa.

Afixado por Prusidente da Junta at 01:08 PM | Comentários (2)

«Ordet» #1

Ordet

Quando vi o filme de Carl Dreyer "Ordet" - "A Palavra" - pela primeira vez e Joahnnes, a mística criatura que dizia ser a reincarnação de Cristo, pensei: aí está alguém que eu poderia representar facilmente. A languidez de movimentos, o compasso da fala, a figura hermética, fechada sobre si, mas aberta para o mundo, e de todo cheia de uma luz interior que não se vê por fora, à primeira vista, aliás para a qual não se pretende olhar, porque é esse o sintoma da sua "loucura".
Quero dizer, podia encarná-lo numa representação simples e pouco encenada, numa versão qualquer meio amarrotada. Seria fácil recriá-lo, dar-lhe forma, por mim.
O filme é extraordinário, creio que voltarei a ele vezes sem conta, não que procure as conotações religiosas, a sua iluminação teológica, mas sim o mundo puro de Dreyer que inspira uma outra dimensão aos meus dias. Como a flutuação da personagem de Joahnnes na sequência narrativa. Encadeado no seu espectro silencioso e perpétuo. Anjelical.
Joahnnes, o maluquinho que se perdeu devido a leituras intensas de Soren Kierkegaard, a certa altura diz: "... I came to my own, but my own doesn't receive me", é nessa luta com a realidade de que o filme vive, a procura de um estado de alma puro, transparente. Divino. Um estado que nos represente e dê visibilidade de um todo, do nosso ser, aos outros. Um reconhecimento nos outros sem extravios, sem falsas interpretações. É isso que eu procuro, que não me tomem por outra pessoa. Que não me escondam noutra palavra que não a minha.
Que não me fodam o juízo.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:56 AM | Comentários (9)

Mourning

Vi umas pernas mortas. A andar transparentes. Dentro de um branco amarelecido. Vi um homem de calções. Velho. A regatear. Com uma mulher de calções. Com as mãos cheias de papéis. Vi água em chamas. Um carro a tossir. Uma menina de lábios vermelhos que não me quis dar um beijo. Outra de cabelo loiro que não foi ao meu colo. Vi uma mulher feia. Raquítica da cabeça aos pés. Por dentro e por fora. Fugi dela.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:13 AM | Comentários (0)

junho 21, 2005

Chorar por menos

Aaron tem problemas com a namorada, anda em terapia há várias semanas. Meses. Anos. Nada lhe tira o aperto que vive dentro dele. É uma doença como outra qualquer. Um virús. Não há nada a fazer. Mas não é o único. Spencer, Lindsay, Sumoh e muitos mais.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:11 PM | Comentários (0)

Stressadinho?

Precisa de descontrair os neurónios, agarrar qualquer coisa, perder-se no tempo? Aqui está uma ajuda.
E aqui um crash test para os dois lados do cérebro.

Afixado por Prusidente da Junta at 01:16 PM | Comentários (0)

Retalhos da Vida de um Prusidente #3

«I'm not here at the moment. Leave your message after the beep . . .»
in "Gone Like the Swallows" - DEZ 03

Afixado por Prusidente da Junta at 09:36 AM | Comentários (0)

The Indy Fiasco #2

Ferrari 500

O presidente Juan Perón era um hábil manipulador de massas, compreendendo o impacto que uma vitória dos heróis locais Juan Manuel Fangio ou Froilan González teria, decretou que o Grande Prémio da República da Argentina de 1953 seria de entrada livre ao público. Não foi uma surpresa tal decisão - num país com uma paixão ávida pela competição automóvel - ser uma receita directa para o desastre. Uma multidão sem fim invadiu os meandros do circuito, sobrecarregando a sua capacidade e estrutura. Perón no dia da prova descobre por si que existiam demasiadas pessoas que pudessem ser controlados. Em tais circunstâncias, uma tragédia era justamente o que estava à espera de acontecer.

E assim. Na trigésima volta da prova, quando Ascari num Ferrari abria uma distância sobre o Maserati de Fangio, o piloto que seguia em terceiro lugar, Giuseppe Farina, ao tentar desviar-se de um espectador mais excitado que vagueava no meio da pista, perde o controle do seu Ferrari 500, despistando-se para cima da multidão de espectadores que se alinhava na borda do circuito, personificando o que seria um dos acidentes mais graves de toda a história da Fórmula 1.
Mesmo que o relatório oficial mencione nove espectadores mortos e outros incontáveis feridos, pelo menos dez deles - e de acordo com algumas testemunhas, talvez quinze - perderam a sua vida no massacre. As vítimas eram Claudio Enrique Rivas (25 anos de idade), Rubén Carrillo (16), Juan Gallo (45), Ítalo Gallo (25), Elvio [ou Pedro] Ulises Etchegaray (29), Juan José Temprano (22), Oscar Argentino Cabret [ou Cabré] (19 ou 20), Hugo Valdés (10 ou 12), uma pessoa desconhecida (16 ou 17) e um homem sem nome. A corrida continuou, e mais tarde somente um golpe de sorte evitou um outro acidente terrível quando uma roda voou fora do Gordini dirigido por Robert Manzon. Sob uma atmosfera de confusão, de ruído e de drama semelhante a um circo romano, a prova seria ganha por Ascari, seguido do seu companheiro de equipa Emilio Villoresi e por Froilan González, o herói local.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:02 AM | Comentários (0)

Vivem em nós inúmeros

«Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.
»

[Ricardo Reis]

Afixado por Prusidente da Junta at 06:39 AM | Comentários (0)

The Indy Fiasco #1

Indy01.jpg
Lewis Strang looks over a model of the proposed Indianapolis Motor Speedway, he would become the first pole sitter in Indianapolis 500 history.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:18 AM | Comentários (0)

junho 20, 2005

Automobile Portraits #3

«Don't make fun of Daddy's voice because he can't help it, when he was a teenage boy something got stuck in his throat.
No te divertes con pappy. No te divertes con pappy, No te divertes con pappy. No te divertes con pappy.
»

Afixado por Prusidente da Junta at 07:52 AM | Comentários (0)

junho 17, 2005

More Issey

Para acabar... um video!

«Irish Blood, English heart, This I'm made of, There is no one on earth I'm afraid of, And I will die with both of my hands untied...»

Afixado por Prusidente da Junta at 10:44 AM | Comentários (3)

E hoje

Acordar. Tarde. O escombro do espelho. O vazio da água. Gelada. Nem quente. Um cinto a apertar-me. Paredes brancas. Dois andares que rodam em balanço. A rua. A estrada. A ponte. A chuva. A chuva. A chuva. E parar num sítio qualquer. Com frutas. Tarde. Tudo muito tarde. Suspenso.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:39 AM | Comentários (0)

Sonegar acontecimentos

Capital1.jpg

Afinal a história do arrastão na Praia de Carcavelos nunca existiu. Diz A Capital, dizem dois jovens detidos, dizem dois jovens sem culpa, apanhados ao acaso, um branco, um negro. Afinal dos quatrocentos jovens, perdão, criminosos, pertencentes a gangs organizados, que interromperam o sossego de um dia de praia, não sobra nenhum, o que aconteceu não passou de uma brincadeira de crianças, jovens, no final do ano lectivo. Afinal a notícia não o foi. Afinal foi tudo mentira. Afinal...

Os mesmos órgãos de comunicação social que deram cobro à notícia, que a multiplicaram, que a difundiram, vêm agora, como se não fosse nada com eles, desmenti-la, dar-lhe a volta, inseri-la noutro contexto. Deturpá-la? Que é isto afinal? Eu sei que às vezes reformulo a minha opinião. Mas assim deste modo, à escala mundial, já que as imagens correram mundo, é sinal que o País está profundamente doente. Profundamente em estado de sítio. Mesmo que afinal não tenha havido arrastão nenhum.

A imprensa é sem dúvida o meio que comanda tudo o que se passa no país, que forma a opinião da sociedade em geral. Eles é que sabem. Depende só da disposição como acordam. Não há mais ninguém que mostre a realidade. Que a prove. Que a demonstre. Existir não chega. Existir não existe.

Segue o artigo retirado d'A Capital.

Confusão mostrada pelas fotografias que correram mundo só aconteceu quando chegou a polícia.A história do arrastão que nunca existiuHouve roubos, como sempre na praia mais perigosa do país, mas um «arrastão» como acontece no Brasil ninguém viu no dia 10 de Junho em Carcavelos.

Banhistas, polícia e jovens presos há uma semana em Carcavelos garantem que o «arrastão» do passado 10 de Junho, afinal, nunca existiu. Todos confirmam que existiram assaltos pontuais no areal, apesar de não existir uma única queixa de roubo na PSP, mas as imagens daquele dia, difundidas por todo o mundo como um «arrastão» organizado por 400 pessoas, mostram sobretudo a fuga de centenas de jovens provocada pela chegada da polícia à praia.

Pedro e João, alunos numa das várias escolas secundárias da Amadora, e dois dos jovens detidos naquele dia pela polícia, garantem que tudo não passou de uma enorme confusão. O início do Verão aproximava-se e, como noutros anos, explicam, «milhares de alunos das várias escolas da Linha de Sintra foram passando a palavra dizendo que no feriado iam à praia a Carcavelos».

O ponto de encontro seria, como sempre, a velha bola da Nívea, mesmo no centro da praia. Hora e meia de viagem depois, Pedro e João (nomes fictícios de dois adolescentes de 16 e 17 anos de cor negra e branca, respectivamente, que nos recebem à porta da sua escola secundária) chegaram ao início da tarde à praia, que na zona da bola de Nívea já estava completamente cheia de grupos de jovens, sobretudo de pele negra.

Aqui, a versão da polícia, responsáveis dos bares da praia e restantes banhistas de Carcavelos diverge da dos jovens detidos a 10 de Junho na praia. Pedro e João garantem que tudo começou quando uma roda de jovens, sobretudo negros, se juntou à volta de um grupo com um rádio a dar músicas de hip hop. No meio, outro grupo dançava.
[continua na edição impressa]

por NUNO GUEDES / A CAPITAL

E assim Acontece. Em Portugal.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:53 AM | Comentários (1)

Retalhos da Vida de um Prusidente #2

«O sorriso mais longo. O caminho obstruído. As rodas no passeio que subi à pressa. As ventoinhas. O risco. Alguém que fugia, a correr. Nove e catorze. O meu relance num reflexo de mim. As curvas. O Livro. O contrário. A parede a cair. O chão por fazer. A vista. A tarde. O tempo a passar. A escuridão. Ela. Ela. E ela. Uma chorava.»
in "O que vi hoje" - DEZ 03

Afixado por Prusidente da Junta at 07:15 AM | Comentários (0)

More of the same stuff

Morr1.jpg

«I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Of nothing in particular...
»

HERE!

Afixado por Prusidente da Junta at 03:34 AM | Comentários (6)

junho 16, 2005

And now something completely different

arrepio...

Bollywood, Tamilwood, whatever!

Afixado por Prusidente da Junta at 06:40 PM | Comentários (0)

Let Me Kiss You

«There's a place in the sun,
For anyone who has the will to chase one
And I think I've found mine,
Yes, I do believe I have found mine, so...
Close your eyes,
And think of someone,
You physically admire
And let me kiss you, Let me kiss you

I've zig-zagged all over America,
And I cannot find a safety haven
Say, would you let me cry, On your shoulder
I've heard that you'll try anything twice
Close your eyes,
And think of someone,
You physically admire,
And let me kiss you, Let me kiss you

But then you open your eyes,
And you see someone,
That you physically despise
But my heart is open
My heart is open to you
»

by MORRISSEY [aqui numa versão ao vivo do albúm "Live At Earls Court" de 2004]

Afixado por Prusidente da Junta at 01:32 PM | Comentários (0)

"Rocco Ei Suoi Fratelli" #1

Filme de Luchino Visconti, realizado em 1960, com Alain Delon, Renato Salvatori e Annie Girardot nos principais papéis.
Lá voltaremos.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:21 AM | Comentários (0)

Só para o registo [#832]


Bordel.jpg

Entre as 17:00 de ontem e as 05:00 de hoje este sítio mudou de nome, mas a Brigada dos Bons Costumes fez questão de se instalar no lobby e estragar a festa toda. Os cães já estavam lá fora para fechar as portas do Motel, mas no final resolvemos acordar com um regresso ao passado, ao nome de sempre. Mais tarde, resignados, a Brigada juntou-se à festa e ficámos até de manhã. Andavam à procura da Enfiada. Ela tratou-lhes da saúde, na Suite Prusidencial.

OK. Back to normal.
Roger & out!

Afixado por Prusidente da Junta at 04:50 AM | Comentários (0)

junho 15, 2005

Hardcore Day

Mostrem o pior/melhor que têm. Vá. Show it all. Hoje mudámos para este nome. Não há regras e é como quiserem. Hard stuff.
Amanhã regressamos ao estado habitual.
Mas hoje temos um Gang Bang aqui dentro. Para toda a gente. Be our guests!

Afixado por Prusidente da Junta at 05:53 PM | Comentários (0)

junho 14, 2005

Retalhos da Vida de um Prusidente #1

«A dor não dura para sempre. Há um momento antes do sempre em que a dor termina. E já não dói mais.»
in "Bloco" - FEV 04

Afixado por Prusidente da Junta at 08:40 AM | Comentários (10)

Operação de lógica

Segundo Alberto João Jardim:
Os jornalistas são bastardos,
Os jornalistas são filhos da puta,
logo, alguns bastardos são filhos da puta!

ou, já estarei a fazer confusão:
Os bastardos acabam por ser jornalistas,
Alguns deles chegam a ser filhos da puta,
logo, os jornalistas tornam-se filhos da puta pelo exercício da profissão.

ou:
O Alberto João vive na Madeira,
Vai buscar o dinheiro ao Continente,
logo a Madeira está dependente do Continente.

e:
Se o Alberto João é filho da puta,
logo, poderá ser bastardo,
logo, aspira a ser jornalista.

Não era bem isto, mas é o que se pode arranjar!

Afixado por Prusidente da Junta at 05:54 AM | Comentários (3)

junho 13, 2005

Who wants a WEB DESIGNER?

Precisa de criar um site? Aliás, quer criar o seu site? Ou apenas reformulá-lo mas de maneira diferente, vivo, atraente, especial? Precisa de uma nova imagem para a sua empresa, atrair clientes, essas coisas? Um menú, cartões de visita? Mais. Quer fazer uma revista e não sabe como, ganhar uma campanha eleitoral? Então carregue aí no lado direito, em SOMA SPACE, ou aqui.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:30 AM | Comentários (3)

Ainda

«Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar.
Para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
»

"O Sal da Língua" de Eugénio de Andrade.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:17 AM | Comentários (1)

Eugénio de Andrade

«Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.

Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.

Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.

A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.

De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.

Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.

A boca sobre a boca nevava.
»

"Deixa a Mão..." de Eugénio de Andrade.
[A morte levou-o pela mão às 3 e 30 da madrugada, terá levado Ávaro Cunhal na outra mão?]

Afixado por Prusidente da Junta at 10:10 AM | Comentários (0)

Cunhal is Dead

Cunhal not found

Faleceu hoje de madrugada o líder do movimento comunista em Portugal. A imagem. A pessoa viva. O mastro. O centro. Não é que eu tenha afinidades com o movimento. Todos me transtornam de tédio uns mais que outros. Mas perdeu-se um símbolo da vitalidade humana. Da franqueza. Da luta. Um dos pilares do nosso país, quer se queira quer não. É óbvio que não haverá outro igual. Os tempos são outros. Retira-se a Foice e o Martelo e fica o quê? Um panejar vermelho a carpir ao vento?
Segue um perfil retirado do Público.

Perfil de Álvaro Cunhal

Álvaro Barreirinhas Cunhal, nascido em Coimbra, em 10 de Novembro de 1913, hoje falecido aos 91 anos, morreu comunista como resolveu sê-lo aos 17 anos.
A sua vida confunde-se com a do Partido Comunista Português, para o qual foi sempre uma referência, mesmo depois de ter cedido a sua cadeira de secretário-geral, em Dezembro de 1992.
O pai de Álvaro, Avelino Cunhal, era advogado de província tendo chegado a governador civil da Guarda.Fez a primária em casa, mas aos 11 anos, a família mudou- se para Lisboa, tendo estudado nos liceus Pedro Nunes e Camões.
Em 1931, com 17 anos, ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa e, eleito representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário, a sua primeira proposta foi acabar com a Mocidade Portuguesa.
No mesmo ano filiou-se no PCP, entrou para a Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional e depressa subiu os degraus da organização do partido.
Em 1935 já era secretário-geral das Juventudes Comunistas e no ano seguinte entrava para o Comité Central, que o enviou a Espanha, onde viveu os primeiros meses da guerra civil, uma experiência que o inspirou para o seu romance "A Casa de Eulália".
Aos 24 anos, em 1937, sofre a primeira prisão, no Aljube e Peniche.
Por questões políticas foi obrigado ao serviço militar (início de Dezembro de 1939) na Companhia Disciplinar de Penamacor, mas por motivos de saúde, a junta militar dispensou-o pouco depois.
Em Maio de 1940 foi novamente preso.
Estudou na cela e foi à Faculdade, sob escolta policial, defender a sua tese (100 páginas, confiscadas depois pela PIDE) sobre a realidade social do aborto e a sua despenalização.
Os examinadores Paulo Pita e Cunha, Cavaleiro Ferreira e Marcelo Caetano (que vieram a integrar o consulado de Salazar) deram-lhe 19 valores.
Em 1941, trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares e chegou a dar explicações a Mário Soares, mas, no final do ano, passa à clandestinidade.
Até 1947 conseguiu pôr de pé o partido, restabelecer as relações com a Internacional Comunista (interrompidas em 1938) e ganhou todos os "desvios internos", sendo mesmo o responsável pelo relatório político apresentado no II e IV Congressos.
Preso de novo pela PIDE em 1949, no ano seguinte é levado a julgamento e é condenado a quatro anos de prisão maior celular, seguida de oito anos de degredo.
Na prisão escreve e desenha. Esteve mais de oito anos isolado numa cela.
"Quando se tem um ideal o mundo é grande em qualquer parte", lembraria mais tarde.
A 03 de Janeiro de 1960 foge, com outros camaradas, do Forte de Peniche, uma fuga espectacular e novo período de clandestinidade.
No ano seguinte é eleito secretário-geral (cargo vago desde 1942).
E, mesmo vivendo no exílio, entrou e saiu várias vezes do País e consegue publicar em 1964 o "Rumo à Vitória", cujas teses ainda perduram no núcleo duro do PCP.
Cinco dias após o 25 de Abril de 1974, Cunhal regressou a Lisboa, vindo de Paris, para a 15 de Maio tomar posse como ministro sem pasta no governo provisório.
Entre 1975 e 1992 foi deputado à Assembleia da República, mas só por curtos períodos ocupou o lugar na sua bancada.
Em 1982, torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandonou em 1992, ano em que cedeu liderança do PCP a Carlos Carvalhas, para passar a presidente nacional do Conselho Nacional do partido, um cargo criado à sua medida e extinto anos depois.
Passou incólume aos desaires internos: o "grupo dos seis" e a "terceira via" em 1986; em 88 o caso Zita Seabra, que acaba por ser expulsa dois anos depois.
Foi operado a um aneurisma da aorta, em 1989, em Moscovo.
Quando regressa a Portugal, o partido sofre sucessivos contratempos: o grupo do INES e a "quarta via", a queda do muro de Berlim e a "perestroika".
Livre das luzes da ribalta partidária, nem por isso deixou de influenciar os destinos dos comunistas portugueses, embora tenha assumido claramente apenas a sua condição de romancista e esteta.
Os seus contactos com jovens multiplicaram-se, mas tiveram de passar 28 anos sobre o 25 de Abril para Cunhal ser convidado a falar na Universidade Católica (1997), onde surpreendeu todos ao dizer que Jesus Cristo se sentiria mais próximo dos comunistas.
Com obras publicadas como ideólogo do marxismo-leninismo (entre as quais "Rumo à Vitória" e "Partido com Paredes de Vidro"), só em 1995 reconheceu publicamente ser ele o Manuel Tiago da ficção literária "Até amanhã Camaradas", "Cinco Dias e Cinco Noites", "Estrela de Seis Pontas" e "A Casa de Eulália" e o António Vale que assinava temas plásticos e fazia desenhos como as suas célebres ceifeiras.
Após a aprovação no Comité Central do "Novo Impulso", um documento que em 1998 imprimia um sentido renovador às linhas de orientação do partido para os anos seguintes, Álvaro Cunhal fez uma ronda de sessões de esclarecimento pelo país, alertando contra as "tendências de social-democratização" no PCP.
Dois anos depois, e por motivos de saúde, Cunhal faltou pela primeira vez à Festa do Avante e pela mesma razão ao XVI Congresso do PCP.
Mesmo ausente, marcou os trabalhos, ao enviar um documento em que reafirmava a actualidade do marxismo-leninismo.
Nos últimos anos esteve sempre afastado da cena política devido à sua avançada idade e ao seu estado de saúde.
Em Novembro último, voltou a enviar uma nova mensagem ao XVII Congresso, também saudada de pé pelos militantes.
Álvaro Cunhal teve uma filha única, Ana (a mãe foi a sua companheira de exílio Isaura Dias) embora a mulher dos seus últimos anos fosse Fernanda Barroso.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:50 AM | Comentários (1)

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Afixado por Prusidente da Junta at 08:19 AM | Comentários (1)

Half Lift Half Nothing

Need help!

Quero voltar a onde tudo começou. Quando o tempo não existia. Depositar-me no Big Bang. Esperar pelo Bang. E recomeçar tudo de novo. Tornar-me real. Com a explosão.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:44 AM | Comentários (9)

junho 12, 2005

Free yourself

Mão

«All the lazy dykes, Cross armed at the palms,
Their legs astride their bikes,
Indigo burns on their arms.
One sweet day, An emotional whirl,
You will be good to yourself
And you'll come and join the girls.
All the lazy dykes,
They pity how you live,
Just "somebody's wife",
You give, and you give, and you give, and you give...
And one sweet day, An emotional whirl
You will be good to yourself,
And you'll come and join the girls.
Touch me, Squeeze me, Hold me too tightly,
And when you look at me you actually see me.
And I've, Never felt so alive,
In the whole of my life,
Free yourself, Be yourself,
Come to the Palms and see yourself,
And at last your life begins,
At last your life begins,
At last your life begins... »

"All the Lazy Dykes" by MORRISSEY
(Envio a quem me pedir)

Afixado por Prusidente da Junta at 08:52 PM | Comentários (0)

Not afraid

Estou a poucos dias de me acontecer alguma coisa fora do comum. Não sei o que é, mas é algo que está mesmo a virar a esquina, e não o posso evitar.
Já o sinto.
Há um trânsito caótico dentro de mim, cheio de linhas trocadas: os semáforos deixaram de funcionar. O que se nota, o que fica, são apenas rotas de colisão.
Um acidente à espera de acontecer.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:38 PM | Comentários (5)

Love Sand Wishes


Peguei no teu amor e...

Afixado por Prusidente da Junta at 08:10 PM | Comentários (0)

junho 10, 2005

Zen #4902

Zen.jpg

Eu vou atirar-me ao mar!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:14 AM | Comentários (7)

junho 09, 2005

Duas coisas

1. Passando pelo Portugal Diário pode-se encontrar esta publicidade bastante engraçada, que com o país a arder faz todo o sentido.
2. Tropeçando na Bomba Inteligente é possível seguir para aqui e encontrar mais ajudas para quem gosta de se linkturbar! Gosto de imaginar a Carla Hilário a praticar este desporto enquanto lê as últimas do Abrupto, as mais recentes coisas quentes, hot stuff, que José Pacheco escreve.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:54 AM | Comentários (0)

Margarida Rebelo Pinto

Passei pela Livraria para ver o que tinha chegado. Estava lá o novo livro da Margarida Rebelo Pinto. Não me lembro do nome e também não me apetece procurar. Vem com uma citação do Francisco José Viegas na capa, a envolvê-la em papel vegetal - estes gajos citam-se todos uns aos outros - uma coisa qualquer que o F. escreveu só para ser simpático, só para não dizer: "Foda-se Margarida, não tenho paciência para te aturar!"

Tenho sempre curiosidade quando chega um novo livro da Margarida Rebelo Pinto. Abro-os sempre. O que procuro é uma cena de sexo bem escrita. O que procuro é saber como fode a Margarida. Abri. Páginas centrais. Uma gaja qualquer está a fazer uma conferência, não reparei no crachá, no banner por detrás da mesa. Se era escritora ou não. Devia ser, ou qualquer coisa do género. Banhista. Canalizadora. Trolha. Surpreenda-me, Margarida. Fiquei sem saber qual o nome da personagem, nem a cor dos seus olhos.
Na primeira fila um Gabriel. Alguém que ela já tinha comido. Que andou dez anos a pensar nela mas... mas não tinha tido coragem para dar o passo. God damn it! Duas três páginas, aquilo não desenvolveu e segui-os até casa. Já não me lembro se foram de táxi. Acho que enfiaram no carro dele e arrancaram a abrir. Eu é que apanhei um táxi para os perseguir, só sei que me saiu caro, mais de dez euros. O que aconteceu foi que ele lhe deu boleia, de certeza. Acho que tanto fazia irem para casa dele ou dela, vinha lá escrito. O que importava era a proposta de intimidade. Vinha lá escrito. O convite. O objectivo era foder. Moram sempre longe estes gajos.
Ela era mais uma daquelas com uma depressãozinha, a queixar-se da vida. Ele, vejam, tornou-se um Ortopedista bem sucedido... A Margarida fez uma alegoria à Muralha da China e tudo. Que imaginação.
Mas não. Não o vi a rasgar-lhe a roupa. A meter a língua entre as pernas dela. A derrubar a jarra das flores, o computador portátil, sim pelo ar da papelada devia ser escritora, e tudo o que estava em cima da mesa da sala, e comê-la mesmo ali, até perder o fôlego. Até a partir ao meio. Rodando-a como nos churrascos.

Esta viagem durou dois minutos. Nunca li nenhum livro desta autora. Apenas umas crónicas medíocres, e pretenciosas, que escreveu aqui. Não me apeteceram, os livros. Debico-os, apenas, quando aparece um novo, à procura de poucas vergonhas. Como quem lambe as pernas à Margarida, enquanto ela escreve, enquanto ela sonha, e antes de chegar às coxas se vai embora. Desaparece.
Desculpem, devo ser estúpido, fico à espera do próximo. Talvez ela me surpreenda.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:13 AM | Comentários (5)

Pruz & Mohamed™


PruzMoahm.jpg

Esta linda fotografia foi tirada este ano, estavamos nós a comemorar o 25 de Abril, o desfoque não é propositado, juro! Era o Lenhador que tinha a máquina nas mãos e a hora já ia avançada... ao que parece. Não ma lembro muito bem.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:59 AM | Comentários (2)

Foda-se o cabrão não escreve!


Жama says: Escreve-se "dans le lit" ou "au lit" ?
Sשtra says: au lit.
Sשtra says: in bed.
Sשtra says: na cama!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sשtra says: na cama é que eu sou inteligente!
Sשtra says: Já o Truman Capote dizia ser um escritor horizontal.
Жama says: ok
Sשtra says: gostei de ler isso. há anos que digo que sou melhor na horizontal!
Sשtra says: cama, chão, água, tudo horizontal. Tudo oriental,
Sשtra says: de orientação,
Sשtra says: de extremo oriente,
Sשtra says: agora do Sul. Bermuda trianguled.
Жama says: D'a Pakistan Song?
Жama says: "dans le lit" é mal escrito então?
Sשtra says: não é bem escrito
Sשtra says: mas existe.
Sשtra says: é mesmo lá dentro, dentro.
Sשtra says: dentro dos lençóis, dentro da cama.
(...)

Afixado por Prusidente da Junta at 09:37 AM | Comentários (20)

junho 08, 2005

Rebuçados que falam

Tenho cá destas paranóias. "Candy Says" é uma das minhas músicas preferidas dos Velvet Underground. No mundo actual, I mean na net, é possível encontrar tudo o que se quer. Pesquisa-se. Procura-se. E o impossível começa a chover-nos aos pés. Isto tudo para dizer que tenho n versões dessa música, aí vai a lista, para além da versão original:
Antony And The Johnsons (estiveram em Portugal há pouco tempo e tocaram-na no final, quase em silêncio.)
Beth Gibbon (ao vivo em Barcelona.)
Blind Melon (a mais folk, a que gosto menos.)
Garbage
Kathryn Williams
La Buena Vida (um grupo espanhol com uma versão cheia de sotaque.)
Martin L. Gore (ao vivo em Hamburgo.)
Secret Square

E canta-se assim:
«Candy says I've come to hate my body
and all that it requires in this world
Candy says I'd like to know completely
what others so discreetly talk about

I'm gonna watch the blue birds fly over my shoulder
I'm gonna watch them pass me by
Maybe when I'm older
What do you think I'd see
If I could walk away from me

Candy says I hate the quiet places
that cause the smallest taste of what will be
Candy says I hate the big decisions
that cause endless revisions in my mind

I'm gonna watch the blue birds fly over my shoulder
I'm gonna watch them pass me by
Maybe when I'm older
What do you think I'd see
If I could walk away from me
»

Velvet Underground

Afixado por Prusidente da Junta at 05:10 PM | Comentários (7)

Ponto da Situação

Já vai estando melhor. Regressámos de vez. Só falta pintar as paredes e acordar o resto dos funcionários. Actualizar a lista de Blogs e as Ligações Rápidas. Havia também um contador que informava quantos manfios estavam cá dentro. É preciso repôr isso.
A novidade é a estreia de Mohamed Ali para breve. Esperamo-lo a qualquer momento.

Temos também um novo patrocinador. Está aí no lado direito: SOMA SPACE. Atrevam-se a visitá-lo. Fica em S. Bento. Vão ficar surpreendidos. A renovação será completa.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:38 PM | Comentários (1)

Uma questão de língua

My girl anda na Aliance Française há uns meses. Ontem passámos a noite a falar francês "dans le lit". Como a percepção que temos das pessoas muda conforme a língua que falam, conforme a língua que falamos. E a descoberta que podemos fazer através de um novo idioma. Um novo termo de comunicação, que estende as asas. E nos leva.
O chinês é cantado, melodioso, mas também banal, sem encanto. Corriqueiro. Arrastado. Depende sempre de quem ouve. O inglês é profundo, absorvente, claro. Doce. Mas com o francês parece uma pequena princesa, algo de um outro mundo. Flutuante. De um mundo totalmente imaginário. Mas real, mesmo ao nosso lado. Palpável. Pacífico. Interminável.
E é tudo uma questão de língua. If you know what I mean. De understanding.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:51 AM | Comentários (15)

O Métier de Carl Dreyer



Há dois dias atrás vi um documentário sobre a obra do cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Um DVD de uma colecção de critério comprado no outro lado da fronteira. "My Métier" aborda em profundidade a obra do realizador, num estudo conceptual todo ele a preto e branco. Dreyer tinha fama de ser minucioso, rígido, levado ao mais ínfimo detalhe. Inovador. Denso. Raramente uma actriz subsistia de um filme para outro. Uma delas, é essa a razão deste post, foi Maria Falconetti.
Dreyer tinha recebido um subsídio do governo francês para realizar uma série de filmes, um dos projectos foi a "Paixão de Joana d'Arc". O argumento foi baseado, não na lenda ou no mito, na ficção, mas nos manuscritos originais do verdadeiro julgamento de Joana d'Arc, realizado em Rouen em 1431. O que se vê no filme, as palavras em silêncio, são as mesmas proferidas durante o interrogatório. Dreyer desesperado por não encontrar alguém à altura da personagem, ou porque as escolhidas se recusavam simplesmente a trabalhar no ambiente rígido do realizador, tropeçou em Falconetti num dos teatros de Paris e desde logo achou que a actriz tinha muito da sua Joana d'Arc.
Filme mudo de 1928, a rodagem efectuou-se como se o som pudesse ser captado pelos espectadores. Dreyer foi pioneiro nessa relação da tela do cinema com a realidade. Eliminando-a. Eliminando os limites da técnica. O realizador explicou a Joana d'Arc que tinha que dizer palavra por palavra tudo o que vinha escrito no guião. Que as pessoas as iriam perceber, uma a uma, quando as lessem, ouvissem, nos seus lábios.
É esta paixão pelo todo, pelo Universo, que fez de Carl Dreyer um dos maiores cineastas de todos os tempos. Quanto a Maria Falconetti nunca mais se livrou do ícone de Joana d'Arc. Foi o seu último filme, quase o único, recusada a sua entrada no Sonho Americano, acabou por emigrar para a Argentina onde encontrou a morte em 1946, nos escombros de uma vida sem julgamento, sem conseguir transpôr os limites da sua própria tela.

E a "Paixão de Falconetti" é dos filmes mais marcantes que vi até hoje. Nada lhe é comparável.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:53 AM | Comentários (4)

junho 07, 2005

Chuck

Passei a manhã a ler uns textos avulsos de Chuck Palahniuk que arranjei no extenso mundo da Internet. Ensaios, crónicas, entrevistas, pequenos contos. Os bastidores do Fight Club, como se faz a construção de uma realidade através da ficção do filme. O culto dos empregados de mesa, pelo menos cinco vezes a Margaret Tatcher provou o esperma de um dos empregados numa Sopa de Lagosta, nuns H'ors-Doeuvres. O nascimento de verdadeiros Clubes de Luta. A necessidade que as pessoas têm da infracção para que se sintam mais vivas. O contágio, a cópia do ilícito, a fuga à norma.
Há uma entrevista com a Juliette Lewis. À mãe da Juliette Lewis. Ao Marilyn Manson. A morte do pai Palahniuk.
A gestação da Juliette Lewis aconteceu num ambiente puro, saudável. A mãe quando começou a sentir contracções telefonou ao médico, alguém que ela não gostava, e ele disse-lhe para esperar até ele chegar, antes de começar a fazer força. Que por mais que quisesse nunca devia começar a fazer força. "What the hell" pensou ela, "é só o que me apetece fazer", e em pouco tempo a Juliette Lewis estava a chorar-lhe nos braços e a fazer muito barulho.
A Juliette com o Bob de Niro no Cape Fear, a cena do beijo entre os dois, que não foi preparada, que não estava no guião, que era surpresa. E a Juliette tinha comido peixe ao almoço e não devia lavar os dentes para não dar a entender que sabia que iria existir uma cena de beijo. E no filme o que parece violento, o que parece brutal, a Juliette só estava a pensar se tinha feito bem, se tinha sido como deve ser, quando meteu na boca o dedo do Bob. Se tinha sido bom?
E o Woody Harrelson, e o George Clooney e o Oliver Stone.
Há sempre histórias por detrás das histórias.
Chuck estava no Oregon quando se deu o 11 de Setembro sem televisão. E de tão longe as nótícias chegavam-lhe pelos mais variados modos e de repente é tudo tão longe, tudo é tão relativo.
O livro "Survivor" que esteve em pré-rodagem durante vários anos deixou de ter sentido quando os aviões se estatelaram nas Torres. O livro conta a história de alguém que resgata um Boeing 747, que o leva para o ar, só para contar para a caixa negra do avião a sua história de sobrevivente de uma seita religiosa em que todos se suicidaram. O realizador seria Spike Jonze, talvez, a banda sonora seria de Trent Reznor. Gwyneth Paltrow seria a actriz.
Agora fala-se em Keanu Reaves para o ressurgimento do projecto.
Há outra história com os lábios do Brad Pitt. Outra sobre sexo em aviões. Outra sobre wrestlers.
Mas a história de hoje é que não fiz ponta de corno durante todo o dia.
E etc.

And that's it.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:29 AM | Comentários (2)

Espada

Quando se vai ao hospital e nos perguntam se é urgente... o que podemos responder? Não? Sim?
Tenho um espeto atravessado que vai do pescoço até ao meu braço esquerdo. Não é urgente, aguento mais uns dias porque até curto a dorzinha. Be it, then. Aguenta-se até Quinta-feira ao meio-dia.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:27 AM | Comentários (0)

Random work

Deixei a chave debaixo do tapete que está fora de casa, que raramente tem uso, porque raramente alguém esfrega os sapatos nele, hoje em dia ninguém tem esse hábito, ninguém quer saber, a verdade é que quando entram tiram logo os sapatos, e para além disso são poucas as pessoas que se deslocam à porta de minha casa.
Deixei a chave debaixo do tapete para que a minha empregada pegasse nela e abrisse a porta. Mas não a avisei. Não lhe telefonei, bastava mandar uma mensagem, mas nem isso fiz, não me apeteceu. Não me apeteceu pegar no telefone e escrever se ela podia ir hoje. Trabalha quando a aviso, quando me apetece. Tem outro patrão que a suporta, que suporta a estadia dela nesta terra, que a mantém legal. Precisava que me passasse a roupa a ferro, que limpasse o chão da cozinha que está pegajoso, que aspirasse os despojos do fim de semana, na sala. Que fizesse trinta por uma linha.
Não me apeteceu.
Talvez amanhã.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:58 AM | Comentários (10)

junho 06, 2005

Questão frívola

Faço só uma pergunta.
Quanto tempo mais vai o meu pescoço aguentar a minha cabeça?
Pelas minhas contas não vai ser muito mais tempo. Não tarda nada estou a precisar de um colar ortopédico.
É a chamada Lei da Gravidade.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:14 PM | Comentários (2)

Drag your boat!

Dragao.jpg

Durante este fim de semana, no sábado, participei durante um minuto e doze segundos numa prova de Barcos Dragão. Duzentos e cinquenta metros a remar só para mim, a ver estrelas, a perder-me, a ficar com os braços dormentes, a afogar-me com o esforço.
Ficámos em penúltimo na primeira eliminatória...

Afixado por Prusidente da Junta at 05:21 PM | Comentários (2)

ANÚNCIO!

Temos lugares a preencher:

Desgovernada Civil - quem ocupar este posto fica isento do pagamento de IVA.
Mestre - não há limites para os seus ensinamentos. É um lugar temporário, nunca se sabe quando é que o Mestre pode despertar.
O Gajo Novo - quaquer gajo novo pode entrar.
Surfer Rosa e Técnico Cinetário, entre outros.

Envie-nos a sua proposta de adesão. Os gabinetes cheiram a mofo mas pode-se fazer qualquer coisa...

Afixado por Prusidente da Junta at 03:23 PM | Comentários (6)

Transplantation

Ok. Estava a tentar mudar isto, mas parece que há um problema com o servidor, ou lá como se chama, o gajo que serve, que devia servir e na realidade não serve para nada. Se calhar é jornalista. O documento não contém data. Ok. E agora? Há mais alguma coisa a dizer?

O Prusidente vai desaparecer. O Motel vai abaixo. Depois logo se vê.

Agora é:
"503 Service Unavailable
The service is not available. Please try again later."

Later é a que horas? É que tenho mais que fazer. Tenho água a ferver em cima da chama!

(copy e faz-se paste num sítio qualquer...)

Ok.
Para o caso de ainda aí estarem vai uma musiquinha:

«Do you remember me, you used to call me your own
Like your dyed coloured hair
Like those legs who used to walk
Do you remember me, you used to call me your own
Like the senseless heart you carry
Like those legs who used to walk

I can't remember
What is there to forget
When I did it full
Transplantation

My own body, my own mind
Are inside someone, hanging around
If you want me, you must find them
Me, just hanging around somewhere

I can't remember
What is there to forget
When I did it full
Transplantation
»

See ya!
We're alive!

(hey, não te esqueças do copy!)

Afixado por Prusidente da Junta at 02:33 PM | Comentários (2)

Frase das 8 e 50




"Everyone's in their personal coma"

Chuck Palahniuk

Afixado por Prusidente da Junta at 08:50 AM | Comentários (0)

To Do List

1. Matar o Prusidente.
3. Enterrá-lo.
4. Deitar abaixo o Motel.
5. Erguer outra merda qualquer.
6. Mudar a fatiota.
7. Escrever todos os dias.
9. Interagir com o abcesso do dia a dia.
10. Repetir.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:50 AM | Comentários (1)

The page cannot be found

Fode-me que não possa encontrar aquilo que quero ver. Aqui, agora, à minha frente. é preciso sempre o compromisso. A condescendência. Dou por mim a ouvir diálogos que não me dizem nada, a pensar que não tenho nada para dizer, que não consigo inserir-me. Que sou um cabrão de um anti-social latente. O que procuro não é nada de especial, talvez procure silêncio, talvez procure ruído, talvez te procure a ti.
Acordo. Levanto-me.
Saio. Ando. Chego.
Vejo pessoas. Falo sem me ouvir. Sem me ouvirem.
Não tenho nada de interessante para dizer, é a verdade. Nada mesmo.
Vejo e quero ver mais. Quero que me construam o cenário à minha frente. Aqui, agora.
Tenho a cabeça vazia.
Quero qualquer coisa que nem eu sei.
Que não posso encontrar.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:45 AM | Comentários (15)

maio 25, 2005

Automobile Portraits #2

Pruz1.jpg

Afixado por Prusidente da Junta at 05:03 AM | Comentários (1)

Automobile Portraits #1

Half Chinese Half Elevator
Into the Van

Afixado por Prusidente da Junta at 04:01 AM | Comentários (0)

maio 16, 2005

Nada

De repente há um silêncio enorme. Um silêncio a gritar uma vontade de mudar. Fuigir pelas paredes e deixar um rasto de difrença. Uma diferença anómala. Virtual. Aqui nada existe. Estão enganados. Não estamos cá. Desaparecemos sem deixar nada para trás.
Há uma vontade de mudar, de tornar isto diferente, de chamar todos para a primeira linha. Dar-lhes de novo o entusiasmo. Há anos que penso nisso. Há anos que não o faço.
Qualquer dia...

Afixado por Prusidente da Junta at 09:28 AM | Comentários (0)

maio 02, 2005

Ivo M. Ferreira

Assine a PETIÇÃO para libertar o nosso dearest friend Ivo:


THANKS!

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abril 13, 2005

Em vias de...

A pedido de várias famílias endireitou-se o edíficio, está ainda um pouco bambo, pode cair de novo não tarda nada, mas até lá divirtam-se!
Um subsídio do novo Ministério da Cultura chegou entretanto às nossas mãos. Vamos usá-lo na demolição completa destas instalações. Obrigado.

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março 16, 2005

100 000 Visitas

Eu sei que o Motel está todo ele em estado de sítio. Morto, a cheirar a mofo. No entanto ainda temos clientela a subir as escadas de vez em quando. Atingimos 100 000 visitas há pouco tempo. Fica só o registo.
Não prometemos mais nada!

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fevereiro 25, 2005

Gratify your ego

Yeah, I'm in love with everyone who knows it's hard
To build a way of seeing
Who knows that nevertheless that's the only way
To flame into being...

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fevereiro 22, 2005

Home

haus.jpg

Esta é a casa dos meus sonhos! Não precisava de mais.

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fevereiro 19, 2005

Casting Pods

O que está a dar agora não são blogues. O que está a dar são PODCASTS! Sim ouviram bem: PODCASTING! Aqui também.

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fevereiro 11, 2005

Neves daquele manjar

Socs.jpg

Não sou pessoa de me agarrar ao que se passa lá fora. Mesmo que o lá fora seja o meu país de origem. A minha pátria, como gostam tanto de dizer. Há muito que perdi essa nostalgia da saudade, do fado, do garrafão de tinto às costas. Da sardinha assada, do bacalhau. Essas coisas. Mesmo o futebol, quero que se lixe. Estarei a ser demasiado severo, intolerante? Creio que não. Também, confesso, não sou pessoa de ligar muitas vezes a televisão para ver o que se passa no mundo. Que se lixe o mundo? Não será bem assim, na verdade ele não precisa da minha ajuda para se ir afundando, e parece que o tempo dentro de um televisor está parado, não passa. Repete-se, apenas. Que a linha que define a realidade e a ficção é demasiado ténue. Que a informação não passa de mais um conteúdo imaginário intercalado no meio de uma outra fantasia. Que pela voz de quem a dita a realidade se torna disforme. Irrequieta. Fingida. Que pelo nariz das câmaras as imagens se tornam apenas um passado congelado. Longínquo. Morto. No entanto, há coisas que, de modo selectivo, me interessam. Essencialmente o ruído. Rádio também é coisa que me abstenho de ouvir, a não ser a Soma FM que apanho via cyberespaço. Não estou a massacrar ou a desfazer os senhores que povoam estes electrodomésticos, estou só a generalizar. Que me perdoem as mulheres e os homens que se ouvem por esses lares fora, em particular neste território que me alberga. Se bem que haveria muita coisa a dizer. Mas como hoje essa não é a minha chávena de chá passemos à frente para o que interessa.

Por acaso. Dei de raspão, creio que ontem, se não talvez há uns dias, com José Sócrates. Lá estava ele sob um fundo verde algo ofuscado pelos holofotes, de gestos suaves, enfastiado quanto baste com esse banho de povo - sim ainda sei que estão prestes a rebentar eleições em Portugal, que o governo foi despedido, e que o país ferve com isso. Ainda sei que Pedro Santana Lopes já não é Presidente da Câmara da Figueira da Foz e que o pai de Cavaco Silva já trespassou a bomba de gasolina que possuía algures a caminho da Via do Infante, essa parte já percebi, modéstia à parte, não me tomem por tanto. – José Sócrates a gesticular, dizia eu, com uma das mãozinhas e a elevar a voz: “eu estou para ver o que Santana Lopes irá dizer quando aqui vier… estou para ver…” – bem, enquanto do lado de cá eu dava uma dentada nalguma coisa que estava a meter à boca, consegui aperceber-me, nessa nulidade de tempo, que não estou realmente a perder nada de interesse. Que não estou a perder nada do meu país. Nessa pequena frase deu para compreender quanto mística está a sociedade onde ainda circula uma alusão da Lusitânia. Noutros tempos teria ficado no mínimo arrepiado, hoje em dia não me aquece nem arrefece. Já nem me entristece. Mas cheguei a esta prancha e parece que me apetece mergulhar lá para dentro. Para tentar compreender de que modo isso é importante para os outros que ainda conseguem ouvir e ver, já que a mim não me diz respeito. Talvez queira saber, sem nenhum secular propósito, em que ponto se encaixam essas mentalidades na recriação do presente e que diferenças cairão do futuro.
Ao falar em Santana Lopes, José Sócrates, estava a passar à frente de uma série de explicações, de uma infinita resma de papel cheia de horas de estudo sobre o que é fazer política; ao falar em Santana Lopes, estava a enganar o povo com mais uma historieta de cordel. Estava a delirar. A armar-se. Entre o primeiro “estou para ver” e o segundo acabou por dar uma cotovelada no programa eleitoral, no seu projecto para o país, naquilo que realmente era necessário falar: na distinção que existe entre uma farsa e o desejo de governar um Estado com as mangas todas arregaçadas, levando-o para a frente. Mas José Sócrates, como toda a gente, estava a manifestar o desejo das audiências, estava a vestir-se com a vontade do povo, ávido em folhetins de faca e alguidar e em guerras de bairro . Na verdade para a generalidade das pessoas basta-lhes o limite da sua própria vizinhança, tudo o que sai fora do seu espaço de controle é de pronto enfiado no baú do “não gosto, não quero, não me interessa”, prolongando assim o autismo que os distancia cada vez mais do saber e do progresso. Que separa o artifício do entender. Mas o que é que essa porcaria interessa se se vive bem assim? Para quê tentar compreender o que os outros dizem se que o que me interessa saber é se o Vitor Baía já deu uma trancada no Pinto da Costa, ou na mulher dele, ou qualquer coisa. Tanto faz.
Então, para simplificar, Paulo Portas fala de Santana Lopes, de José Sócrates e dos outros todos. Diz: “o Dr. Lopes tentou apalpar-me quando eu ia a subir para a um F16 no dia da Força Aérea…”, na verdade o Primeiro Ministro estava só a prestar auxílio ao Ministro da Defesa, que ao tentar visionar in loco o cockpit de uma aeronave escorregou na pequena escada que lhe dava acesso. A realidade como se pode reparar é sempre difusa. Depende sempre de quem a vê. Pode pintar-se de muitas maneiras. O que se passou realmente está escondido no sabor dos intervenientes.
Santana Lopes por sua vez, agora dando posse ao seu ar de carroceiro, instituído por decreto governamental, de botas da tropa, a transpirar testoterona, para que não restem dúvidas da sua virilidade masculina, com um invejável currículo de quatro meses de governo, onde passou o tempo de estábulo em estábulo a afinar ferraduras e, claro, a ganhar cheiro, ainda se arrisca a aparecer na rua, para falar dos outros. O seu alvo preferido é sem sombra de dúvida o seu maior adversário, José Sócrates, pelo qual tem especial carinho. E só o faz para se entreter a si próprio, esgotando assim os últimos cartuchos da sua carreira política. Nesse vaivém não deixa de divulgar a sua carteira de casos amorosos, com respectivos contactos para confirmação, para que não se diga que o seu colo não tenha sido bem frequentado, não deixa, quando a ocasião o aconselha, de ser mais atrevido com alguma rapariga que passe. A distância é fulcral. E parece que o futuro ex-Primeiro-ministro está tão distante da realidade como a Terra está do planeta habitado mais próximo. Santana Lopes é arrogante. É irreal, não tem noção do país que pisa. Não tem respeito pela garantia das liberdades básicas que fomentam um estado. Veja-se o caso recente com Freitas do Amaral. Não sabe estar à frente, quer se trate de um governo ou de um mero departamento municipal. E no entanto é teimoso. Teimoso e persistente nesta sua rota de suicídio político. É a ovelha mais ranhosa do bando e humildade é coisa que não lhe corre nas veias. Encalhado em alguma questiúncula imberbe, Santana Lopes não se consegue desenvencilhar das malhas da sua rigidez machoide, como se alguém o tivesse atacado pelas costas. Santana Lopes dedicou a sua campanha a averiguar as preferências sexuais dos seus adversários, materializadas na pessoa de José Sócrates, chamando para o debate público, apenas como pretexto, questões bem menos pertinentes como por exemplo o casamento entre homossexuais. Isto tudo para colmatar a falha de não ter redigido um programa político, de não formular uma proposta para o futuro do país, para a sua economia, para a sua reforma, para o seu desenvolvimento. Medidas que levem com determinância a que nos afastemos da cauda da Europa. E não que se escorregue para o cu do mundo de braços abertos, como demostraram os últimos meses de governação, por coincidência obra do Sr. Lopes. Se isto não é ser básico e ter vistas curtas, vou ali e já venho. E o Partido Social Democrata onde está? É só o que está à vista? É “isto” que resta dele? Terrorismo político é como se chama a este evento. Já Durão Barroso tinha o mesmo tique, bastava vê-lo na assembleia de cenho aceso, o veneno da acusação, da insinuação frouxa, do açurro. É assim que se tentam ganhar eleições. Foi assim que Santana Lopes atingiu as suas vitórias, na exacerbação do que é mediático, na assunção de um brilhantismo que tem tanto de feira como de Jet7. Felizmente com os dias contados.
Quanto a José Sócrates, ao fugir das acusações de que foi alvo, ao desmentir de forma aberta que não “sofria” de nenhum desvio sexual, pelo bom nome dos seus filhos, quantas vezes eu já ouvi este argumento, como se fosse caso para tanto, sujeita-se a viver amordaçado ao longo da sua carreira como futuro Primeiro-ministro de Portugal caso a sua realidade íntima seja outra e pela qual não temos nenhuma discussão. E no entanto a vida privada não faz o monge. Nos Estados Unidos a realidade seria bem outra. Caso fosse visto na rua de mão dada com algum Vitor Baía, o Sr. Sócrates podia ser chamado a depor por ter mentido ao povo português. E sofreria, como Bill Clinton, os trâmites de um impichamento (eh pá verifica lá o spelling), o que não seria nada bom. Mas Portugal é Portugal e o resto que se lixe, até o futebol.
Tenho ou não tenho razão em querer estar longe?

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fevereiro 02, 2005

David Shrigley

BillBen

Nova exposição aí ao lado na nossa Galeria. Chama-se David Shrigley e foi-me apresentado pela Sra. Assussora. É apenas uma pequena amostra. Explorem-no aqui.

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janeiro 27, 2005

João Penalva

E o João Penalva? Alguém fala nele, alguém o conhece? Acho que é dos artistas portugueses, vivos, mais fabulosos, mais completos, mais à frente!

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janeiro 19, 2005

Caro Senhor Presidente *

Sampaio

Ando a escrever nesta página há umas boas semanas, nem sempre bem, nem sempre com temas que interessem ao menor dos pobres diabos, comecei nisto porque tinha uma comichão cá dentro que me pedia para falar, é esse torpor que se levanta de novo e, aproveitando a sua passagem por este maravilhoso território, dirijo-lhe algumas míseras palavras. Nada por aí além. Não te tratar por tu já é uma sorte. Jorge. Aqui vamos. Começa sempre no estômago, como todos os sentimentos mais profundos.

Viver neste lado do mundo é sempre uma técnica mista que absorve todos os sentidos. Uma estranheza de corpo que cansa. Do corpo dos outros com quem se convive no diário das ruas. É um outro sol a brilhar, vindo de uma outra lua que nos faz rodar à sua volta. Um nevoeiro quente com sonoridades de excepção que o ouvido nunca antes gravou na lembrança. Chios, numa permanência mutante. E os cheiros. Um enxofre de chocolate que se entranha na pele, que lhe dá corda, enchendo-a de cicatrizes. A terra. As muralhas que separam as lições da história a contornar de viabilidade esta dimensão de espaço. A roubar-lhe a noção, poderia dizer do aroma do tempo, mas não digo.
Aqui deixam-se as memórias de lado. Perdidas no primeiro canto que se encontra. Deitam-se, simplesmente, sem mais. Para ali. Constrói-se com o coração uma outra que se transporta numa gaiola feita de engenhos. De lendas. De pequins. E no meio da lenda reside a nossa permanência, nesta parceria com o invisível. Sim, Senhor Presidente, vamos continuar a prosseguir. Para qualquer lado. Nem que seja aqui neste papel a chover boatos. Colóquios? Nem vê-los.

Essa história do diálogo de culturas fica sempre bem no papel, é sempre uma boa frase, mas pouco se dialoga por aqui. Com os sentidos todos empregues tornamo-nos senhores dos sepulcros do silêncio, que também é um termo bonito. Surdos, que se percebe melhor, na mudez do intelecto. Podia ser esta uma terra de militares. Armados de jogos. Veja. Não passa de uma cidade de brinquedo onde tudo é possível. O que se aprende do passado troca-se por fichas de plástico que se aplicam em mesas cheias de presentes. E o amanhã já está aí, a crescer por todos os lados. Aleatoriamente. Templos de histórias. Vulcões. Vultos dourados. E muitos números cheios de bons augúrios, virados para o sucesso. Dogmas. Certezas, muitas certezas. Aqui, Senhor Presidente, temos sede de dúvidas. Essas asas que nos libertam da gaiola e nos tornam heróis.

Eu conto-lhe como foi, porque vinha cá de vez em quando. Demorou quase um ano para se perceber que esta nossa diferença era das poucas coisas que era útil a Macau. Para que se distinguisse das outras metrópoles espalhadas pelo meio desse império, que nos envolve num abraço constante. Era a questão dos símbolos, da herança, da História. Dúvidas. Fachadas. E de caminho mais aberto partiu-se para ambivalência desse segundo sistema, sempre com a vista posta no lado de lá. E aqui é tudo boa gente. Seguem normalmente o seu caminho povoados com os olhos de uma outra humanidade.
A nossa deixou-se ficar. Sempre vivem cá cem mil portugueses. Mais que isso. São um quarto da população que se esquecem. Mas o que são cem mil pessoas nesta corrente que nos transporta? O Estádio da Luz cheio num dos seus melhores dias, a abarrotar? Uma migalha na China da nossa amiga que suporta a luz deste estado. Não se percebe, eu sei, mas tenho a mania desta morfologia bifurcada sem sentido. Não se apoquente. Na verdade eles estão lá sempre, os nossos compatriotas, a renovarem antecipadamente as suas quotas de sócio. Com os seus caderninhos de tonalidades vermelhas, sempre em riste. É uma alegria. Um esforço comum de crianças a que os adultos não resistem.
E que mais nos distingue? Fala-se. Cegamente. Com a inteligência que se apanha no primeiro canto. Ali. Com o pouco português que resta, apesar de oficial, que escorre em vertigem para um inglês global. No meu caso escrevo porque as palavras que a minha boca dizem não se ouvem. Digamos que é quase um defeito de fabrico. Não dá muito jeito para relações afectivas. Os amores cansam-se. Eu a amá-los e eles a dizerem que nunca poderão corresponder do mesmo modo. E mesmo que falasse não adiantava. Quando uma mulher não gosta de nós, também não gosta daquilo que nos ouve dizer. Podemos até falar como um Hamlet que não há diferença nenhuma. Falta sempre o código de acesso. Os ovos. Oiça. Ouve como se fala? Como sempre se fala e se grita por aqui? Decerto já gravou tudo isto noutras lembranças que levou desta cidade pequena. Cá entre nós confesso-lhe que não compreendo bem o gene feminino. Mas isso é só cá entre nós. É segredo.

E porque não tenho mais nada para fazer, e necessito sempre de momentos de graça, dá-me uma certa vontade de rir todos esses cavaleiros que o acompanham. Nos seus cavalos lusitanos. Não é por mal, dá-me sempre piada observar as comitivas. Os séquitos. Eu sei. É preciso mostrar vontades, intenções, quereres. Cooperação. A parceria. Mas eu sou sempre um bocado céptico nestas coisas. Ponho-me a fazer contas de cabeça. Os anos que cá estivemos. As empresas que estabeleceram relações económicas com a China nessa altura. Penso, com o meu ego desligado, que é sempre necessário ficar para trás, colher frutos um pouco no anonimato. E para isso não há tempo. Mas, de pedra e cal, acredito sempre nos ventos de mudança, há um campo cheio de galopes sempre aberto onde as possibilidades são infinitas.
E de política não se fala, não me desperta sentimentos profundos. Mas gostei. Da slot machine. Para o governo se dissolver não foi preciso nenhuma intempérie. Nenhuma grande onda. Diluiu-se com brisas leves, numa demonstração cheia de repetições diárias. Com a sala sempre esgotada. Com ministros que se demitem por cima das suas próprias demissões. E Portugal não se deixa assim vestir, é qualquer coisa que desce pelos rios, que ladra nas estradas, que cresce nas árvores, que se leva no sovaco com que se barra o pão. Estende-se. Estica-se para as fronteiras. Senhor Presidente, vender-nos a Espanha, não? Também lhe digo, de modo sincero, olhava-o nos olhos se pudesse, e não os desviava: raramente pergunto ao vento o que se passa, raramente sintonizo um canal vindo desse país. Cada vez mais me sinto estrangeiro em qualquer parte do mundo, que é o mesmo que dizer não me sentir estrangeiro em lado algum. Sou cada vez mais um companheiro humano, um congénere sem pátria. Não é um problema de satélite, não, é uma aversão que me entra no intimo. No andar mais baixo. Não me apetece ver, olhar, saber, incomoda-me aquele faz de conta todo. O meu cartão de sócio diz, em letras grandes, Cidadão do Mundo. Não quero pensar que os outros é que estão equivocados, que a sociedade ao formar-se criou uma imensidão de erros, mas também não quero pensar que sou eu que estou errado. Vivo um pouco nessa ambiguidade que se cola à minha permanência. Porque não voltam, à pátria, os que cá estão anos sem conta? Porque se deixam ficar? Gostamos assim tanto deste isolamento insular, que não nos responsabiliza, que nos deixa em paz? Bem podíamos ser úteis ao país, como fomos recentemente com essa maré demasiado alta. Ocupar-lhe o lugar, o seu Senhor Pruzidente, que vai deixar vago. Aqui aprende-se a nadar dentro de uma humidade sempre relativa, e isso ajuda a deslizar.

Um amigo meu sonhou consigo ontem, sugerido talvez pelo mediatismo da imprensa. Usava t-shirt disse-me ele. Chamava-se apenas Jorge e parecia simpático. A brincar aos presidentes, despido de qualquer seriedade. Acredito que sente falta disso. Da sua verdadeira identidade. De ir a um supermercado, acariciar o invólucro de um produto congelado e agarrá-lo com as duas mãos, há quanto tempo não faz isso? Saudades do sistema original que o opera. Sei que é difícil, fica-se eternamente agarrado a essa coisa que se chama fama. Eu também tenho esse problema há dias que saio para a rua e as raparigas não me largam. É necessário guardar-me nesta heteronímia, a que uso diariamente torna-me refém da sociedade, e com esta liberto-me.

Deve lembrar-se de mim, de ouvir falar. Estive nessa cerimónia do Handover, nos idos de noventa e nove. Hirto que nem uma espada. A certa altura quando ouvi tocar o hino, toda aquela gente a cantar, com as bandeiras ao peito, logo no alumiar dos heróis do mar, deu-me para o sentimento e esticando o peito o mais que podia, no lugar que gentilmente me tinha sido atribuído, lá para cima, pus-me a gritar vivas a Portugal. Foi a coisa mais linda que fiz até hoje. Aqueles vinhos dos jantares tinham-me deixado deslumbrado. Durou pouco, quando dei por mim já me estavam a amordaçar. Alguma armada senegalesa que para ali tinha sido convidada, também hirta, de telecomando na mão resolveu aquecer as mãos e despejou-me nos restos da rua, onde fiquei a apreciar a pátria a partir. Estava tanto frio como hoje. Um frio de rachar.
Vi-o também um dia, Senhor Presidente, passar na ponte de Brooklyn, dentro do seu carro cheio de bandeirinhas, eu fazia uma fogueira cá fora, com uns amigos, acenei-lhe com uma das mãos, se calhar não me viu. Noutro dia de calor estávamos no Cabo Finisterra a beber um café e ao levantar-me para o ver passar tropeço numa evidência do espaço físico. Sim ia dentro de outro carro grande. Não deve ter reparado nesse meu simulacro de vida.
Para terminar, para além dos cumprimentos à sua esposa, digo-lhe que há sempre alguém que resiste. Sempre alguém que luta. Sempre alguém que tem esperança (um abraço, Paulo), é isso que nos mantém, que nos veste de permanência. Senhor Presidente, a luta continua. Boa viagem.

* Jorge Sampaio pegou num avião da TAP, numa catrefada de empresários e jornalistas, enfiou-os lá dentro e foi brincar aos mercados para a China, esse mito. Alguns resultados? Parcos. Caro, sim, o Senhor Presidente.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:19 PM | Comentários (0)

Kamera Photo

Kamera Photo
© Alexandre Almeida/ Kamera Photo
Os senhores que tiram estas fotos são meus amigos, estão aqui, tratem-nos bem porque são dos melhores talentos que há para esses/estes lados. Têm um blog também, estão a partir de hoje aí na lista do lado. Abraços para eles.

Afixado por Prusidente da Junta at 12:03 PM | Comentários (0)

janeiro 12, 2005

Já sei

Não quero dizer nada, mas de repente, dadas tantas evidências, acho que me sinto melhor. E já agora, se querem saber, o vosso Prusidente é um palerma. But I know my way.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:28 AM | Comentários (1)

janeiro 05, 2005

Double sided

Gostei de ficar a cheirar a ti. Não me vou lavar. Vou guardar-te até à exaustão. É o meu novo perfume. O perfume do teu corpo, que carrego comigo.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:55 PM | Comentários (0)

janeiro 03, 2005

Achado

Vinha na rua a pensar: que espécie de homem sou?
A cruzar-me com os outros homens e a pensar como fui capaz de chegar ao meio deste mato, como foi possível vir cá parar? Agora ando às voltas nesta clareira sem sombra de gente, sem sombra de nada. Com os meus pés a marcar um círculo perfeito. Os meus passos deveras perdido. A querer limpar o Golias que está dentro de mim. A não querer que se vá embora de maneira nenhuma, porque é a única coisa que me aquece, que me traz fantasia. Sonho. Nem que cavasse até ao fundo da Terra conseguiria daqui sair. Conheço todos os cantos deste sonho que me beija à noite quando acordo para dentro de mim e durmo. É lá que vivo. Para sempre.
De resto só a música me consegue manter desperto. Em delírio.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:44 AM | Comentários (2)

janeiro 02, 2005

O segundo dia do ano

Queria que te duplicasses. Queria receber a tua cópia. Queria guardá-la. Queria vê-la todos os dias. Queria cheirar o papel da sua tinta. Queria que ela me gritasse com a cópia dos teus lábios. Queria prová-los. Queria provar que sou eu nem que fosse por um minuto. Queria levá-la qualquer lugar. Queria viciar-me. Fazê-la subir ao meu palco. Perder-me do tempo. Todo o tempo.
Mas será que a tua cópia queria alguma coisa de mim?

Afixado por Prusidente da Junta at 11:59 PM | Comentários (1)

janeiro 01, 2005

O primeiro dia do ano

Não quero ouvir os outros. Sou compulsivamente surdo. Surdo de ouvir. Já tanta gente me disse para fazer isto ou aquilo. Para seguir en frente. Deram-me estalos, atiraram-me baldes de água para cima. Choques eléctricos. E eu não saio deste coma.
Quero começar o ano. Começar a viver. Como nunca.
Sem dramatismos. Sem acreditar em adaptações, sem olhar para as versões que vivem dentro de mim. Versões da minha vida. Os meus dias a correrem com milhares de sequelas lá dentro. Sempre me irritou esta palavra. Mas vou. Entrei neste ano sem perceber bem para onde quero ir. O poder está separado do querer. Não posso logo não quero. Bla bla bla.
Pela primeira vez tenho um plano alternativo, se tudo o resto falhar. Chamo-lhe Plano Z. Começa a crescer cá dentro, a pedir água para beber. É a alternativa das alternativas. Em inglês diz-se gathering information, é esse o passo seguinte.
Não falo de coisa concretas. Estou aqui a publicitar coisa nenhuma. A fazer de conta que existo. Só o ridículo do nome diz tudo.
BOM ANO!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:21 PM | Comentários (4)

novembro 16, 2004

1000

Um belo número para quem não tem mais nada para fazer. Este é o milésimo post, é verdade. Mil vezes alguém aqui entrou para escrever o eclipse que lhe ia na alma. Alguém o viu?

«All I really, really, really want to see
is a total eclipse of the sun.
»

Keep kool!

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novembro 11, 2004

De votos na mão!

Em breve haverá eleições para Prusidente da Junta. Universais e democráticas. Cheguem-se à frente!

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outubro 28, 2004

Terminador Implicável

Move! Go left! Go right! Go ahead! You're blocking me!

Salta-se para fora do baralho. Abraça-se sem sentido a marginalidade. Abraça-se porque não há muito mais para abraçar. O peso de uma condenação. Ai está a porta da saída. Sai. Comporta-te. Vai-te embora. Não importa que cada dia seja diferente. Têm que ser todos iguais. Comporta-te. Não interessa ser depositado num dia que não se conhece. Um dia todos iguais. Sai. Não sintas. Fica calado. Não olhes. Vira a cara para qualquer outro lado. Para um novo dia. Escolhe o melhor. Marca uma consulta com ele, antes de lá chegar. Comporta-te. Sê um tigre se puderes. Um puma. Um lobo. Mas não mostres as garras. Transforma o desconhecido num quotidiano repetitivo sem olhares para a novidade diária. Instrui-te. Não sintas. Não desejes. Não tenhas fome. Sai. Comporta-te. Por aquela porta. Ou pelo buraco da fechadura. Ao fundo.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:07 AM | Comentários (3)

outubro 19, 2004

Afogo-me cheio de fogo



The Lady With the Ermine - Leonardo Da Vinci

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setembro 28, 2004

LUXXX

Hoje, eu, a Enfiada, a Produtora, a Guarda Costas e, possivelmente, o Escriturário, vamos estar nesta festa. Apareçam! Somos os gajos com mais speed! Ainda estamos em negociações com a Assussora... está constipada e cheia de stress! Anda lá, vá!

Afixado por Prusidente da Junta at 02:34 PM | Comentários (8)

setembro 22, 2004

Silk Skins

You have nothing to fear
I'm just making enquiries
Dog bone hunting
Gives you back to yourself
Standing before me
The gargoyle turns
Jutting jaws and
The stubble burns
I shift the blame
To the worm in the bottle
I shift the blame
To anyone standing before me
I check-up the once over
Give yourself an opening
Keep your mouth shut
In the event of an accident
Contact the following
A certain air
An invading smile
Inbreeding seals the flaw
Silk skin paws
Hang by both feet
Embracing the world
Hang the expense
Breuel's cut corners
Wring out the senses
I have nothing like it
I've seen nothing like it


WIRE - «Silk Skin Paws»

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Psi

Está sol. Está um tempo diferente. A humidade relativa foi-se, veio a humidade humana, a que chamamos humanidade! Ruas que se percorrem com gentes que falam a nossa língua. Raparigas várias. Velhotas. Homens de todas as cores com fatos até aos pés. Cheios de calor. Com canetas e bloquinhos. Palermas que falam nos restaurantes, aos gritos, para impressionar a parceira. No meio do feijão verde e do peixe espada. Vegetarianos, de olhos arregalados. E os autocarros a passar. A chiar por entre o calçado dos cães.
E os táxis. Viagens alucinantes de táxi. A quinhentos à hora. Sem ver as ruas, sem ver o alcatrão. A sentir o balançar das curvas, para um lado e para o outro. Sempre com o sinal verde, mesmo que esteja completamente encarnado. My god! O veludo. Da pele.
Onde estou? Que horas são? Onde vamos?

Afixado por Prusidente da Junta at 03:39 PM | Comentários (1)

setembro 18, 2004

Cheguei!

O mundo é grande, ainda é possível fazer viagens de 24 horas. Longas. Nem por isso. São apenas distâncias. Tempo. Espaço. Coisas sem grande importância. Mas é verdade, estou aqui. AQUI. Portugal. E é bom estar de volta. É bom estar pronto para tudo, para o que der e vier. O campo não tem fim. A imaginação é infinita. E estamos abertos a toda a hora. Kisses to you all!!!

Afixado por Prusidente da Junta at 02:07 PM | Comentários (3)

Back in town!

I've been on the road
I've been on vacation
I've been travelling light to reach my final destination

Now I'm coming home

So tell the girls that I am back in town
You'd better tell them to beware
Well they may go or they might try to hide
I follow on and I'll be there
So tell the girls that I am back in town
And if it's true I do not know
That every girl around had missed me since
I decided to go

I could be your friend
I could be your stranger
I could be the one your mother said would be a danger
Now it's up to you

Jay Jay Johanson- «So tell the girls that I am back in town»

Afixado por Prusidente da Junta at 02:04 PM | Comentários (2)

setembro 15, 2004

Wanna power? Fuck it!!!

My love is bigger than your love
We take more drugs than a touring funk band
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it

My band is better than your band
We've got more songs than a song convention
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it

And we're all going straight to hell

My dad is bigger than your dad
He's got eight cars and a house in Ireland
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it

When we gonna torch the restaurant?
Sing it
When we gonna pay the guide dog?
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it

And we're all going straight to hell

My love is bigger than your love
We take more drugs than a touring funk band
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it

When we gonna torch the restaurant?
Sing it
When we gonna get excited?
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
And we're all going straight to hell

Mclusky - «The Hell With Good Conditions»

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setembro 14, 2004

What if you never get home?

Danny keeps beats in a box by the door.
She's a diligent girl but she's been here before.
It reminds her of riding a bike.
Hey hey hey!
Slovenly ground for your slovenly shoes.
Cos we're destined to win and we're destined to lose.
And we're destined to deal with it.
Hey hey hey!
It used to be form to be warned about robots.
And alien life-forms on your way to the toilets.
But now it's like chasing a fish.
Hey hey hey!
Follow me down we can chase single mothers.
Around and around 'til those sluts blow their cover.
Just stick to the plan obi-wan.
Hey hey hey!
What if you never get home?
What if you never get high-hung?
What if you never get home?

Mclusky - «Rock vs. Single Parents»

BIOGRAFIA:

Originally conceived (c.1999) as the first victim-friendly surface-to-air missile by the US military, mclusky are a band of three, like back when three meant three and wasn't some crazy potsdamic in-universal code for 4. mcluskys idea of a keyboard player is the man(?) who invented computer battleships. All Dj`s must be French.

Jon Chapple of bass (and occasional vocals) fame is an equation waiting for a bracket. At weekends he can often be found on some mountain or other, running around and screaming. Jon likes nothing better than learning words and using them in conversations to aid meaning and understanding.

Vocalist and guitarist Andy Falkous likes to spend his time boobytrapping bandanas in the vain hope of snaring a member of Guns n Roses for the purposes of scientific research. His ideal job would be paid.

Drums are provided by Jack Egglestone, who likes buying oranges and bananas.

Second album 'mclusky do dallas' is released on the scarily-appropriate April 1st. For an alternative biography flip that pretty hair over to the toopure site.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:13 AM | Comentários (0)

setembro 10, 2004

Esta também não se esquece

oh, the lights are blinking
here’s the great deceiver
bling, bling all bets are off
it goes unnoticed
if not for me it goes unnoticed

find another record
play another record
it could be anything
I play the jukebox
I play the dj
I could be vice, FBI
I played the imbecile
And no one noticed
And no one noticed

oh boy, come see the plans
they’re pure genius
pure genius
oh boy, come see the plans

oh, you wouldn’t notice
here they come
see them tumble
my lucky numbers
here they come
i’ve got lots of secrets
man, I’ve lots of secrets
you’re my number one
and you’re my number one

oh boy, come see the plans
they’re pure genius
pure genius
oh boy, get with the program, man
come see the plans
they’re pure genius
you understand, you understand

oh, the lights are blinking
turn off the stereo
it wears the batteries
they’re double A’s
come morning
I’ll sleep like a dog
And dream of numbers
My lucky numbers

Here they come

TWEAKER (com David Sylvian) - «Pure Genius»

Afixado por Prusidente da Junta at 08:44 AM | Comentários (2)

setembro 07, 2004

Quase no fim

Sim vamos fechar. Já não temos mais nada para dizer. Acho que nunca tivemos. Entrávamos, faziamos uso das instalações e no final ninguém pagava a conta. Agora temos ordem de despejo e vamos cumpri-la. Não porque achemos que se devam cumprir ordens superiores, neste caso de chefes de estado, mas porque realmente nos apetece ir desta para melhor.

No entanto, como o povo é que decide, quem estiver contra esta solução que ponha o dedo no ar. Trespassamo-nos. Ok? Ah! Vamos fazer um jantar de despedida, algures nas imediações do rio Tejo, lá para o fim do mês. Aberto a funcionários (sem respectivos cônjuges) e a quem tiver estaleca pra nos aturar. Sim, Estafermo, podes vir, mas deixas o cãozinho à porta!

Afixado por Prusidente da Junta at 06:05 AM | Comentários (10)

Também estive aqui!

Peter Murphy

1990. Alguém lá esteve? Ele andava em cima do palco como se estivesse dentro de uma jaula, viram?

Afixado por Prusidente da Junta at 05:51 AM | Comentários (2)

Antes que feche!

uma música que não consigo parar de ouvir! Fui atacado por ela, agarrado pelas entranhas, e rompe-me a toda a hora!

See my love cut down the lane
Sways and grinds ooh, That's your play
Ya Treat me like your prayers
Though I'm alone
Yer drivin' me to pray, "Trouble" I'm undone
Hold me up
Will ye be my doll?
Hold me up
'Till the sun it cometh down

I didn't want it no
Blood is to blame
There's a little fury on me and I'm ok
Don't tell me that
You'll descend 'cause
I'm no bedlam - I'm your friend

See the girl -- The girl's alone
See the boy -- Away from home
Don't tell him nothin'
Leave well enough alone
Boy, oh boy, the boy's a stone

16 Horsepower- "The Denver Grab"

Afixado por Prusidente da Junta at 05:24 AM | Comentários (2)

setembro 03, 2004

Eu estive aqui!

Wooden.jpg

30 de Julho de 1988

Afixado por Prusidente da Junta at 03:41 AM | Comentários (7)

agosto 27, 2004

Quero todas as mãos

Passou o tempo, de repente, sem darmos por isso. Veio a correr e não mostra sinais de se conter. Começámos há um ano, não sei bem porquê, com que necessidade. Foi o começo de um exercício e continua a ser apenas isso. Não temos muito para dizer e o puco que dizemos pouco interessa ao público em geral. Não falamos do que se passa no mundo, não queremos saber de política, nem se o Primeiro-ministro já mudou as fraldas hoje. Olhamos para o nosso umbigo, divertimo-nos a dizer parvoeiras, não temos pretenções. Não senhora. Queremos viver. Esticar os dedos de vez em quando, dançando em cima destas águas, e, sim, queremos despejar amor para cima de toda a gente. É para isso que cá estamos. Para subir lá ao alto e dizer que nada neste mundo é demasiado importante, nada é definitivo. Nada é eterno. E ao mesmo tempo tudo vale a pena. Cada minuto que passa. Cada olhar. Cada sorriso. É bom estar aqui, de braços abertos, de corpo e alma, para o que der e vier. Estamos por tudo. Somos livres. Nada nos prende, não temos traumas nem preconceitos. Temos pedalada. Só queremos que nos acompanhem. Não há limites. O campo é uma vastidão infinita. E o caminho é sempre para a frente. Venham.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:59 AM | Comentários (0)

agosto 25, 2004

Inside Source

Rape me
Rape my friend
Rape me
Rape me again
I'm not the only one
Hate me
Do it and do it again
Waste me
Rape me my friend
I'm not the only one
My favorite inside source
I'll kiss your open sores
Appreciate your concern
You're gonna stink and burn
Rape me
Rape me my friend
Rape me
Rape me again
Am I the only one?
Rape me (Rape me)

Nirvana - "Rape Me"

Afixado por Prusidente da Junta at 09:02 AM | Comentários (0)

agosto 22, 2004

Respira-se.

Há um novo mundo à frente. Com dias imensos. Com um panorama vasto que não se pode nomear. Um mundo de novas aventuras, novos começos, novos rumos. Todos eles inéditos, todos eles diferentes. Há uma vida à espreita, para ser vivida com tudo o que temos para dar. Sem restrições, sem normas. Um mundo leve, claro, explícito. Todo ele para abraçar. Em força.
Here we go...

Afixado por Prusidente da Junta at 05:34 PM | Comentários (6)

agosto 20, 2004

Kick Kick Kick... BACK!

You missed that so you wanna kick back
All messed up and that's a fact
If you wanna risk that do that

I guess its time for payback
So u want your cish cash
All wet up and splish splash
So mish mash you slash and go go go

You want it - you take it
You take it - you got it
You want it - you take it

You're insatiable

It's not enough you want more of it
It's not enough must have all of it
Overflowing on overkill
All the hands are out for their pound of flesh

It makes the world spin round & round
The hands are out for their bloody pound
Overflowing on overkill
Sticky licky yummy yummy
Dipping in the milk & honey

You want it - you take it
You take it - you got it
You want it - you take it

You're insatiable

They say it makes the world spin round

Splish splash coming for your cish cash

Basement Jaxx ft. Siouxsie Sioux - «Cish Cash»

Afixado por Prusidente da Junta at 06:32 PM | Comentários (0)

agosto 17, 2004

Não quero mais

Estou a ficar surdo. Não é defeito. É mesmo feitio!

Afixado por Prusidente da Junta at 04:56 AM | Comentários (0)

Nothing remains

E eu. E eu se não estivesse cá. Amanhã. Se me levassem. Se a qualquer hora me levassem. Para um lugar incerto. Vinhas ter comigo. Ainda hoje?

Afixado por Prusidente da Junta at 04:16 AM | Comentários (0)

Eu sou grande

Hoje é um dia mau. Acordou assim. Mau. Destruído. Não há nada a fazer. Os minutos passam. Os dias passam. Tudo passa. Mau. Destruído. Logo ao acordar. Nem sombras. Para esconder. Sombras para esquecer o escuro. Sombras para fugir daqui. Sombras para desaparecer. Hoje é um dia tão escuro. Não há sombras. Não há nada a fazer. Acordou assim. Mau.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:11 AM | Comentários (1)

For such a long time now

I've been looking for a woman to save my life
Not to beg or to borrow
A woman with the feeling of losing once or twice
Who knows how could it be tomorrow?

I've been waiting for you
And you've been coming to me
For such a long time now
Such a long time now.

I've been waiting for you
And you've been coming to me
For such a long time now
Such a long time now
"

NEIL YOUNG- I've been waiting for you

Afixado por Prusidente da Junta at 03:52 AM | Comentários (0)

agosto 09, 2004

Memória colectiva

O mundo esqueceu tanto que nem dá pela falta do que esqueceu.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:00 AM | Comentários (0)

julho 31, 2004

Mulheres tããão violentas



Esta noite vou ser o que tu quiseres. Tudo o que quiseres. Qualquer coisa, uma, duas, três. Sim, isso mesmo que estás a pensar. Isso que sempre pensaste e nunca disseste a ninguém. Hoje à noite, vais dizê-lo, a mim. Eu vou ouvir. Depois faço. Pretendo que faço. Finjo que faço. Mas ao fingir faço mesmo. Agora decidi que queria escrever. Decidi agora mesmo, só neste segundo, já mudo. De opinião. Mas também posso ser carpinteiro. Faço uma cama e levo-ta às costas. Queres que deixe em casa? Na tua ou na minha? Eu sei. Ontem estiveste a olhar para mim, de costas, o almoço todo. Eu sei, não digas que não. Naquele restaurante onde nunca vais. Onde nunca vou. Disseste adeus quando passaste na minha mesa e eu sei que todo aquele espectáculo era só para mim. Queres repetir? Agora? Anda, traz o teu gato. Que queres que seja hoje? Um tigre, um leopardo, um roedor qualquer? Um autocarro? De que cor? Azul, verde, amarelo? Red? Ligas o rádio? Vamos dançar. Podemos dançar toda a noite. Não há limite. O campo é uma vastidão imensa sem fim. O campo onde vamos dançar. Toda a noite. Ou se calhar não. Podemos cair. Cantar? Eu toco qualquer coisa. O que tu quiseres. Com muito barulho. Sabes que gosto de tanto barulho. Sabes que sou completamente surdo. Preciso de muito barulho. Eu sei que vais arranjar tudo, quando formos famosos, quando fugirmos para sermos famosos. Eu e tu. Ainda queres a cama? Já vem a caminho. Fui eu que fiz. Espera tenho uma nova surpresa. Estava só à espera de uma oportunidade para dizer. Para falar. Deixas-me falar? Ou não é preciso? Posso fazer tudo por gestos. É mais giro. E grito, também. Sem falar. Posso?

Cem por cento new. Disseram-te eles. Estavam a mentir. Claro. Agora voltei à minha juventude sónica e perdoo tudo. Quero reencaminhar-me para ela, todos os dias, ser mais inconsciente, pensar ainda menos. O que já de si é difícil. Fazes-me febre, sabias? Quero recuperar a paz. A soma do património. Elevar tudo ao cubo. Ouvir, ouvir muito. Agora sei. Vivi de alfa a ómega. Agora sei. Tal como o Tom Verlaine. Ou o Paul. Queres chamar-me outro nome? Hoje posso chamar-me Kowalsky, por exemplo, se te apetecer. Ou Não-sei-quantos Gillespie. Espera não digas nada. Vamos cantar. Levas-me hoje? Onde há gente, onde há música. Onde são novos e vivos. Vamos. Dou-te as minhas duas mãos, enquanto guias o teu carro. Nunca mais quero chegar a casa. Guia-me. Que queres que seja hoje à noite? Um falso alarme, um urso nebuloso? O teu pai não, por favor. Podes olhar-me nos olhos que eu não fujo. Olha. Não desvio o olhar. Olha. Vês, não estou a desviar. Vamos ver quem ri primeiro. Oh. Perdeste. Queres que eu seja o padeiro? Fiz estes pães todos para ti. Estes milhares de pães. Como queres? Com doce? Posso ser o teu herdeiro, só por uma noite. Não dizes nada. Não dizemos nada a ninguém. Fingimos que pretendemos fingir. Ok? (Diz ok!) Quando me contaste o teu maior segredo. Quando me contaste o teu maior segredo a chorar. Porque pensavas que eu não te queria. Quando choraste e disseste ao meu ouvido, muito baixinho, que o teu nariz crescia para dentro quando mentias. Eu não te contei o meu. O meu maior segredo. Chega-te aqui. Não vou chorar. Mais. Precisas de saber. Eu levo tudo pelo lado contrário. Tenho os fusíveis todos trocados. Por isso é melhor que te diga. Não vou pensar mais. Quanto tempo vai durar? O tempo que tu quiseres. Pode ser só hoje à noite. Faço o que me pedires. Uma, duas, três. Isso tudo que estás a pensar. Levo-te às costas. E deixo a cama aqui. Não é preciso. Vês aquela árvore? É para lá que vamos. Pergunta-me, se quiseres, o meu maior segredo, pelo caminho. Sabes, nunca estive em Biarritz, por isso não sei responder. Que estás a ouvir? Que canal é esse? Chuva? É o meu preferido. Ouvir a água a cair. Ficamos a vê-la. Deitados. Eu vou lá atrás buscar a cama. Depois canto para ti. Com as mãos nos bolsos. O silêncio das gotas a bater na tua testa. Não vamos forçar nada. Typical me. Começamos qualquer coisa. Depois não acabamos. Sim, sou eu a voltar à minha juventude sónica. Não ligues. Comprei os bilhetes todos do festival de música. Todos. Pedi aos meus quinhentos melhores amigos, velhos e novos, mulheres e homens, burros e alucinados, e eles esgotaram tudo. De propósito. Só para te seduzir. Não, não são para vender. Também não são para comer. Forramos as paredes do teu quarto com eles? Já sei. Vou fazer barcos e aviões. Com todo esse papel. Muitos barquinhos. Depois fazemos um rio. Fazemos um mar. Fazemos um céu. Fazemos adeus, mas não vamos embora. É a mesma coisa. Fingimos que ensaiamos. Ensaiamos por completo que fingimos tudo o que há para sentir no mundo. Faz alguma diferença? Não. Mesmo a fingir, fazemos. E fazemo-lo com o prazer de sentir que estamos a fazer qualquer coisa. Que queres para hoje? Escondo-me? Contas tu ou conto eu? Contas aquela história? Com lobos que pedem desculpa por serem lobos. E o teu gato, que diz? Vem. Espero por ti. Foi um dia longo, não foi? Já terminou, já se foi embora, agora vamos sair. Levo as minhas duas mãos e guio-te para as minhas maiores verdades. Agora sou todo de verdade. Mesmo a fingir que sou de verdade, sou ainda mais de verdade. Sou a sério. Tiveste medo quando te beijei? Medo de nunca mais sair. Medo de nunca mais conseguires ver os teus olhos. Os teus olhos claros. Ou. Medo de ter medo. Vou abrir um livro. Agora meteu-se-me esta mania que sabia ler. Às vezes abro um livro. Só para te seduzir. Queres que leia? Espera. Gosto muito desta parte. Em que ele grita. Para sempre: foi-se. Já não está aqui. E a partir de agora vai doer. Levanta-te. Vai. Deita-te. Ou não te deites. Senta-te. Bebe outro gin ou não bebas. Sai. Volta. Ele não está. Gostas? Queres que leia mais? Agora levanta-te e vai procurar, levanta-te com ligeireza e calma e vai procurar o que perdeste. É bom, não é? Está escrito na capa que é uma obra-prima. Na contra capa que é uma inesquecível obra de arte. Assim como tu. Sou o que quiseres. Hoje. Médico, arquitecto, ladrão de casinos. Ladrão de ladrão. Quantos anos tem de perdão? Já me esqueci. Posso ser pastor, alfaiate, ministro. Primeiro-ministro ou mesmo um pequeno palhaço. Jurista não, por favor. Estou fora da lei. Onde está a lei, anyway? Ainda queres os bilhetes? Ainda queres a cama? Deitas-te nela? Ainda gostas de mim? Está bem, chama-me Billy. Boy. Billy Boy. Anda cá, chega-te mais perto. Eu só olho para ti. Vês? Só estou a olhar para ti. Para mais ninguém. Espera, deixa-me olhar para o relógio. Temos cinco minutos e quarenta e um. Vamos correr. Somos ágeis. Vamos correr. Aquela árvore. Ali. Vamos correr até lá. Queres ir à frente e ver se eu lá estou, se já cheguei? Ainda queres a cama? Já fiz cem barcos. Já fiz duzentos e trinta aviões. Falta o céu. Falta o mar. Precisamos de um deus? Dois? Três? Às tantas és mesmo uma Deusa e eu não tinha reparado. Bebes outro gin? Corre. Aqui só há tubarões. Mergulhamos? É só o rio da minha juventude sónica, não tenhas medo. Fizemos as pazes com o mundo inteiro. Fizemos equilíbrio. Lá em cima. E agora podes tocar-me, em todo o meu corpo. Estás fora do tempo? Não interessa. É o teu. Vamos somar. Sabes fazer contas? Soma. Agora fecha os olhos. Espera. Biarritz, Texas. Já podes abrir. Biarritz, Colorado. Onde vamos? Roubei as chaves do carro do meu pai. É grande, podemos dormir lá dentro. Dou-te as minhas duas mãos e tu guias. Para lado nenhum. Ou. Washington DD. Queres ir contra aquela árvore? Não. Vira à esquerda. Depois vai em frente. Vai sempre em frente. Nunca estive em Biarritz. Sabes ler? Desculpa, esqueci-me de perguntar. Um fogo na floresta vai dar na TV. Eu não quero ver. Vamos embora. Vamos para o restaurante onde nunca vamos e fazes esse filme, outra vez. Toma é teu. O céu. Fiz o céu todo para ti. Agora podemos trazer a luz, com todas as tuas cores. Vamos viver na linha da frente, já sabias disso. Que queres? Vamos conduzir? Dançar toda a noite? Eu e o teu génio puro. Eu e a superfície curva da tua tatuagem. Eu e a tua promessa. Sentamo-nos ao pé daquela árvore e esperamos que a chuva passe. Anda cá. Kool thing. Olha para mim. Mais perto. Mais perto ainda. Vês? Não desvio o olhar. É todo teu. Bebes outro gin? Chega um bocadinho para lá. Eu guio. Cuidado com a árvore. Ainda temos uns segundos. Queres contar? Sabes contar? Eu fujo. Para dentro de ti. Quem sorri primeiro? Perdeste. Agora posso ser o que quiseres. Pode ser já agora. Tens um segundo para pensar. Já! Queres as minhas mãos? Não são de ferro. Chama-me o que quiseres. Posso ser o teu maior segredo, para tornar tudo isto mais quente. Muito mais quente. Já foste a Biarritz? É sempre verão. Lá. Qual é o teu tour? Mostra-me onde está a lei. Mostra-me onde está escrito que não posso fazer isto que estou a fazer. Tu é que me disseste para meter os dedos nos buracos das tuas meias. Mostra-me tudo. Queres que seja um resineiro, um tanoeiro, um petrolino? Advogado não, por favor. Lançarote também não. Jornalista, hmmm, muito menos. Queres que seja O Gajo? Indiano, costa-riquenho, neo-qualquer coisa? Está bem. No sítio do costume. À mesma hora. Temos cinco segundos. Olha para mim, depressa. Cuidado com a árvore. Três. Vês? Perdeste. Dois. E o teu cão? Um. Ainda morde? Zero. See you!

Afixado por Prusidente da Junta at 12:24 PM | Comentários (2)

julho 29, 2004

Kiev

I woke up this morning with a bad hangover
And my penis was missing again.
This happens all the time.
It's detachable.
This comes in handy a lot of the time.
I can leave it home, when I think it's gonna get me in trouble,
or I can rent it out, when I don't need it.
But now and then I go to a party, get drunk,
and the next morning I can't for the life of me
remember what I did with it.
First I looked around my apartment, and I couldn't find it.
So I called up the place where the party was,
they hadn't seen it either.
I asked them to check the medicine cabinet
'cause for some reason I leave it there sometimes
But not this time.
So I told them if it pops up to let me know.
I called a few people who were at the party,
but they were no help either.
I was starting to get desperate.
I really don't like being without my penis for too long.
It makes me feel like less of a man,
and I really hate having to sit down every time I take a leak.
After a few hours of searching the house,
and calling everyone I could think of,
I was starting to get very depressed,
so I went to the Kiev, and ate breakfast.
Then, as I walked down Second Avenue towards St. Mark's Place,
where all those people sell used books and other junk on the street,
I saw my penis lying on a blanket
next to a broken toaster oven.
Some guy was selling it.
I had to buy it off him.
He wanted twenty-two bucks, but I talked him down to seventeen.
I took it home, washed it off,
and put it back on. I was happy again. Complete.
People sometimes tell me I should get it permanently attached,
but I don't know.
Even though sometimes it's a pain in the ass,
I like having a detachable penis.

King Missile - "Detachable Penis"

Afixado por Prusidente da Junta at 06:00 PM | Comentários (0)

julho 22, 2004

Luas

Venho por este meio certificar-me, de que, não tem esta página colaborações de pessoas com vontade de comunicar pensamentos demasiado profundos ou intelectuais. Se tal se verificar, quero deixar bem claro, que a esse ou a essa iluminada, terei que perseguir de forma implacável. Tenho dito.

Afixado por Tó Barné at 10:53 AM | Comentários (2)

julho 15, 2004

Some particular places

Well it's been a long time
How should I feel?
What can I say?

With fantastic stories
You present yourself
In different ways

Some particular places
Remembered so well
Are hard to forget

We've travelled so far now
Then we were so young
Hard to impress

But she comes and goes
The other side of life
Sheltering only
The other side of life

These singular occasions
We seem to share
Stumble and fall

If you could remember to wave a sign of life my way

JAPAN - "The Other Side of Life"

Afixado por Prusidente da Junta at 12:29 PM | Comentários (0)

julho 13, 2004

ANÚNCIO!

Estou à venda! Quem me quiser comprar/contratar/adquirir/alugar estou disponível para quase tudo. Aliciem-me! Paguem-me! Em troca ofereço os meus variados préstimos!

Afixado por Prusidente da Junta at 05:00 PM | Comentários (3)

No Words

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can’t you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence

FAILURE - «Enjoy the Silence»
música original dos DEPECHE MODE

Afixado por Prusidente da Junta at 04:40 PM | Comentários (1)

julho 09, 2004

Ode a tudo



Vou cozinhar para ti. Sei que gostas de coisas boas, tipicamente simples, saídas da terra. Não interessa de onde. De quem é a terra. Tem é que ter muito sabor. É isso que vou fazer. Andei toda a semana por estradas quentes. A subir a serra. A descer de novo para uma parte mais fria e reencontrar esse horizonte que se desprende da vista. Numa curva contra curva. Lá estava o vale do lado esquerdo. Ao fundo a montanha mais alta do sul do país. Uma paragem de autocarro à direita e talvez um cão a ladrar, não tenho bem a certeza. E fresco de novo, só por um segundo. Mudou tanta coisa que não sei por onde começar. Vai ser um prato de carne. É bom, acredita.

Quando voltaste dentro daquela caixa fiquei no jardim a noite toda. Dormi na rede sem me balançar, à espera que o céu caísse de vez. Corria para o fundo qualquer de uma azinhaga, para chorar. Para que ninguém me visse, deitado no chão, a olhar de novo para as estrelas, no sítio onde íamos apanhar amoras. Já não existem lá, agora. Desapareceram. Compram-se no supermercado e custam os olhos da cara, acreditas nisso? Eu também não.

No dia em que te levámos fomos todos em silêncio. Vieram homens e mulheres de todo o lado, nos seus burros, nos seus carros de bois, do outro lado do monte, nos seus tractores, que pararam em transgressão em qualquer lado. Vieram movidos pela ideia que o sol estava a estremecer, em rodopio, aos saltos, a brilhar de uma outra forma. A chamar por eles. A dizer-lhes que aquele era um dia especial. Mas homens e mulheres que nunca mais te esqueceram, que trouxeram as famílias, numerosas, e os gatos, e os cães. Para se despedirem de ti. Estava um dia cheio de luz. Seguimos-te e imitámos o teu silêncio. As pessoas vinham de veredas e ruas ingrimes e foram-se juntando, enquanto caminhávamos. Posso dizer-te que foi lindo. Por fim passámos em casa do teu amigo, ele disse-te adeus, no seu olhar de bronze, e deixámos-te. Os gatos não miaram. Os cães não ladraram. Flores e um ramo de uma árvore tua caíram em cima de ti. Agradeceste. Eu sei que agradeceste. Soubemos todos. Quando saímos nunca mais fomos os mesmos. A cidade nunca mais foi a mesma. Parou congelada naquele verão quente. Lembras-te das groselhas? Já não existem. As borboletas? Raramente lá vão e são todas da mesma cor. Não há cães nem gatos.

Vou fazer-te Goulash. A mesma receita que a avó te fazia, sabes? Que por sua vez era a receita de um restaurante em Budapeste onde vocês estiveram. Lembras-te? Foram os dois para a cozinha, bisbilhotar, à procura do cozinheiro. Telefonei-lhe há pouco, a perguntar-lhe. Ela ainda a sabia de cor, claro. Lembrava-se até do nome do homem, chamava-se Lórand Kardos Ogúz e o restaurante ficava na praça Franz Liszt, mas se lhe perguntares, se eu falei com ela mesmo agora, já não se lembra. Lembra-se apenas do essencial. Do mais importante. Do dia em que te viu descer a rua pela primeira vez. A cor da camisa que trazias vestida, as mãos nos bolsos, o olhar que lhe fizeste. E lembra-se de tudo o resto que vale a pena lembrar. E o que vale a pena lembrar foram todos os dias que passou contigo, todos eles, sem tirar um único. Claro, agora não tem espaço para mais. Para saber se já tomou ou não os comprimidos. Se é verão ou inverno. O que é que isso interessa. Ela lá sabe o que interessa, e é muito, é tanto. São tantas voltas ao mundo. Foste sempre o meu modelo, o nosso. Queria ser assim feliz como tu, ter essa capacidade infinita para estar sempre atento, atento ao saber, às brisas da inovação, ser a vanguarda do tempo. A inventar-me com as coisas mais ínfimas. E ser feliz como nunca vi ninguém ser feliz. Como nunca vou ver ninguém ser feliz, dessa maneira, mesmo que viva setecentos e cinquenta anos. Porque o teu ser feliz foi a felicidade dos homens todos juntos, desde que o Homem apareceu neste planeta. Há duzentos e quarenta triliões de anos. È preciso saber muito, não é? ( O homem que encontrei hoje na rua sorria, desalmadamente, quase que não tinha roupa no corpo, nem dentes, não lhe perguntei nada porque tinha a cara toda esborratada de felicidade. E Amor. Em grande. Numa headline de parietal a parietal. Não tinha cabelo, o homem. Ainda tudo é possível no mundo trivial que se atravessa, foi o que gravei.)

No teu laboratório ia ver-te trabalhar. Atravessava o jardim a correr com medo dos cisnes negros que me mordiam o rabo, nessa altura os carros andavam mais devagar, as pessoas sabiam conduzir, e chegava num instante. Entrava. Lá estavam as mulheres todas, que trabalhavam contigo, que sorriam a toda a hora. Felizes, também. Com os seus tubos de ensaio na mão. Os papéis. As pipetas. Os garrotes. Os pica dedos. Na sala ao lado tinhas as tuas máquinas, que os médicos todos compram mas que nunca usam e que estão sempre a brilhar. Ficava a olhar para elas, aquelas naves espaciais. A conduzi-las. Ainda lá estão? Devem estar. Vendeste tudo, ao desbarato.
Já não chegaste a tempo. Tinha uma família muito bonita. Amalgamou-se com um calor qualquer ou com a corrosão da humidade. Mas gostava muito que conhecesses umas pessoas pequeninas. Já lá vamos, está bem? Sabes o que é o amor? É nós todos gostarmos de ti, sempre. E eu delas. Essa é a definição da palavra amor, a mais simples que se pode arranjar. A melhor que sei. A que vou responder no exame da minha faculdade.

Também íamos para o café. Ler. Ouvir os homens que vinham logo ter contigo. Que num ápice perguntavam. E perguntavam. E tornavam a perguntar. Tudo. E o homem dos jornais, que tinha nome de pássaro como tu. Ficavam os dois a chilrear montes de tempo. O que é que eu pedia nessa altura? Torradas, só podia ser.
E os táxis? Os homens dos táxis. Lembras-te? Já não existem. Reformaram-se todos. Não fazia sentido transportarem outras pessoas. Venderam os carros, saíram da terra, desapareceram. Nunca mais ninguém os viu. Voltaram no dia em que a tua cidade te fez uma homenagem. Com os seus carros de praça. Debaixo dos plátanos. A reluzir. À espera que chegasses. Levaram o livro debaixo do braço, que fizeram sobre ti. Pesa duzentas e vinte gramas. Chamaram-lhe Memória Viva. É o que estou ali a fazer na cozinha, para que não te esqueças. Agora tens também uma rua com o teu nome. Sabias que em Porto Alegre, no Brasil, existe uma rua homónima à tua, só que de outra pessoa? Coincidência, não é? É um general. (Acordou com dores de estômago, a pensar que tinha todas as doenças do mundo, mas como a viu, ao lado, a respirar como uma fada, ficou descansado e voltou a adormecer.)

Entrava pelo hospital adentro. Pelos corredores. Conhecia os andares todos. As máquinas espaciais de todos os médicos. Ficava à espera com os doentes. A olhar para eles. A adivinhar-lhes as dores. Depois entrava e lá estavas tu, sempre de bata branca, a contar leucócitos dentro de um microscópio. A contabilizar os glóbulos brancos. A falar alto, com um pianinho ao lado e a tocar aquilo que vias lá dentro. Os linfócitos, os monócitos ou mesmo certos eosinófilos. No fim tínhamos uma gymnopédie, lenta e dolorosa. De vez em quando lá se encontravam alguns basófilos. São os piores. Agarram e não largam mais, vão até ao osso. São apenas aquilo que se vê, não têm mais nada por baixo. Nada mais para descobrir. São um bife, todos os dias da semana. Noutros dias estavas a compor madrigais sob sedimentos urinários. No pianinho que marcava números. Naquela profusão toda de vidros de aumentar. Às vezes visitávamos o teu irmão que tinha um buraco na garganta por onde falava.

E quando eu desaparecia sem deixar rasto, só porque me apetecia fugir de casa, ou quando ia dormir para o telhado, e encontravas a minha cama vazia? Não havia telemóveis nessa altura, que chatice que era. Nem assim ficavas chateado. Fingias apenas, mas eu sei que não ficavas. Quando te desgravei das bobines onde estavas a falar de música dodecafónica e te substitui por uma peça radiofónica sobre a Volta a Portugal também só ficaste furioso, mas não chateado. Quando substitui o nome do Alban Berg por outro de um corredor chamado Zequinha. Ou mais adiante, quando já estavas na pintura, e mudei Paul Klee por Toupeira, e Vassili Kandinsky pela chegada à meta do pelotão seguido de uma queda colectiva, apenas torceste o nariz ao de leve. A pensar que aquilo era tudo mentira. A tua sorte foi não perceberes nada de teorias das fitas magnéticas.

A mim só me bastavam dois dos teus passos. Com eles podia chegar onde quisesse. À lua, se fosse preciso. Se ainda tiver dois genes dos teus posso tentar ir mais longe. Onde nunca fui. E desembrulhar-me. Pode ser que me visites, outro dia, num país mais frio, onde o sol nunca desce.

Podes sentar-te, aí nessa mesa azul. Não faças caso, é pequena demais, eu sei. Só chega para a semana, a outra que comprei. Come. É o melhor Goulash que eu alguma vez fiz na vida. Ensinou-me o Lórand Kardos Ogúz. Nunca mais vais esquecê-lo. Está bem. Imagina que somos amigos do Gulliver.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:00 PM | Comentários (4)

julho 07, 2004

Just wondering

E podíamos continuar a noite inteira.

«Could I ever explain this feeling of love?
It just lingers on
The fear in my heart that keeps telling me
Which way to turn

We'll wander again
Our clothes they are wet
We shy from the rain
Longing to touch all the places we know we can hide
The width of a room that can hold so much pleasure inside

Here am I alone again
A quiet town where life gives in
Here am I just wondering
Nightporters go
Nightporters slip away

I'll watch for a sign
And if I should ever again cross your mind
I'll sit in my room and wait until nightlife begins
And catching my breath, we'll both brave the weather again

Here am I alone again
The quiet town where life gives in
Here am I just wondering
Nightporters go
Nightporters slip away
»

JAPAN - «Night Porter»

Se fosse teólogo podia concluir que foram estes gajos que me fizeram viajar para o Oriente. Como não sou, fico por aqui, como um Cantonese Boy com as minhas Visions of China. Alguém percebe o significado disto? Esta vinha num disco chamado Gentlemen Take Polaroids, em que o David Sylvian estava na capa de luvas pretas e de guarda chuva. Há vinte e quatro anos atrás! Mandei vir o disco pelo correio. Chegou inteirinho. Devorei-o até estalar!

Afixado por Prusidente da Junta at 05:21 PM | Comentários (9)

Et toi qui me dit tout

Esta, sendo muito mais antiga, descobri-a depois.

«Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dis tout
Ô, toi,
Que nous dansions ensemble
Toi qui me parlais d'elle
D'elle qui te chantait
Toi qui me parlais d'elle
De son nom oublié
De son corps, de mon corps
De cet amour là
De cet amour mort
Chanson,
De ma terre lointaine
Toi qui parleras d'elle
Maintenant disparue
Toi qui me parles d'elle
De son corps effacé
De ses nuits, de nos nuits
De ce désir là
De ce désir mort
Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dit tout
Et toi qui me dit tout
»

JEANNE MOREAU - «India Song»

Afixado por Prusidente da Junta at 05:03 PM | Comentários (1)

Ton vehicule n'a pas l`air d`avoir de passager

Isto é quase religioso, vem no seguimento do post da Madame Satã sobre as suas preferências musicais. Eu sou do tempo em que, com os meus 13 ou 14 anos ou sei lá, menos e/ou mais, ouvia este disco de trás para a frente. Embriagado. A achar que era mesma assim a vida. La Folie. Em extâse. O sindroma da juventude à flor da pele. Onde tudo era novo. Nós. Que eramos nós. Quem? O que queríamos. E o disco não parava até estar todo riscado. Esta era a última, que era sempre a primeira. Era mesmo religioso, acreditem. Ainda hoje é. Mando a quem me pedir!

«Bonsoir
Ton vehicule n'a pas l`air d`avoir de passager
Peux-tu: Veux tu me recevoir
Sans trop te deranger?
Mes bottes ne feront pas trop d`echos dans ton couloir
Pas de bruit avec mes adieux
Pas pour nous les moments perdus
En attendant un uncertain au-revoir
Parce que-j'ai la folie, oui c'est la folie
Il etait une fois un etudiant
Qui voulait fort, comme en literature
Sa copine, elle etait si douce
Qu'il pouvait presque, en la management
Rejeter tous les vices
Repousser tou les mals
Detruire toutes beautes
Qui par ailleurs, n'avait jamais ete ses complices
Parces qu'il avait la folie, oui, c'est la folie
Et si parfois l'on fait des confessions
A qui les raconter - meme le bon dieu nous a laisse tomber
Un autre endroit, une autre vie
Eh oui, c'est une autre histoire
Mais a qui tou raconter?
Chez les ombres de la nuit?
Au petit matin, au petit gris
Combien de crimes ont ete commis
Contre les mensonges et soi disant les lois du coeur
Combien sont la a cause de la folie
Parce qu'il ont la folie
»

THE STRANGLERS - «La Folie»

Quem quiser que confirme o que digo. Madame? É tão verdade! Sempre...

Afixado por Prusidente da Junta at 04:34 PM | Comentários (9)

julho 03, 2004

Not me

It may be as you say, I'll admit
But you don't sound convinced
Between the surface you and the surface me
You didn't touch me
It may be as well that
I didn't see the point
You didn't touch me
I suppose it's just hollow
No idea, no spark
But I thought that in order to survive you need to touch me
All of the me's

THIS MORTAL COIL - «Not me» (original de Colin Newman)

Afixado por Prusidente da Junta at 04:03 PM | Comentários (1)

julho 02, 2004

This Mortal Coil

Isto quer dizer, de certa maneira, que estou de volta, aos poucos.

In my life the piano sings
Brings me words that are not the strength of strings
Fiery rain and Ruby's cooling sun
Now I see that my world has only begun
Notes that roll on winds with swirling wings
Brings me words that are not the strength of strings
When I'm feeling high, or I'm feeling low, or there is no change
Somehow days keep melting into the night
And there's always high on the cosmic range
I am always high, I am always low, there is always change
Hear the strings are bending in harmony
Not so far from breaking on the cosmic range

THIS MORTAL COIL - «The Strength of Strings»

Afixado por Prusidente da Junta at 02:54 PM | Comentários (1)

Gold Gold Gold Cream

Que me desculpem todos mas esta é a melhor música dos ultimos tempos. A um tempo que nao é de agora. Mando a quem me pedir, é caso para dizer: o resto que se foda!

So much for destiny,
A pin prick on my knee,
The frost you paint
across our dead affair.
I sensed the toxic aura
from the second we touched,
You were stitched up venom
and I was the cursed from the Vedic.

Time is a one way track and I am not coming back,
I dream in beige why'd you leave me so far now,
Time tired you're tainted through,
wind (wins?), songs and substitutes,
I dream in beige why'd you leave me so far now.

The afterlife is steep,
We wonder and retreat,
And everyone is after us.
Skirt the gone street hawkers
with the black lemonade,
Keep an arrow trained on their
conflicted minds 'cause they stutter.

Time is the one way track and I am not coming back,
I dream in beige why'd you leave me so far now,
Time tired you're tainted through,
wins, songs and substitutes,
I dream in beige why'd you leave me so far now,
I bleed in beige why'd you leave me so far now... (repeat forever)

PAVEMENT - «Cream of Gold»

Afixado por Prusidente da Junta at 06:03 AM | Comentários (3)

O esquimó arde de frio humano



Passa a bola. Estou aqui há meia hora à espera, a correr de um lado para o outro. Passa-me a bola. Vou correr pela linha lateral, até ali ao fundo, desmarcar-me. Sem bola, não faz mal. Corro sem ela feito parvo, só para fingir que estou a jogar. Mas passa-me a bola quando lá chegar. Estou a correr. Está tanta gente a ver. De onde é que vieram todos? Que barulheira infernal. Merda. Estou a ficar nervoso. Não devia ter comido aquela omeleta de cogumelos mágicos ao pequeno-almoço. Disseram-me que não é considerada substância dopante. E como não acredito muito nesta realidade, precisava de uma outra, à força. E o Mister, o que está a dizer o Mister? Não consigo ouvir. Calem-se um bocadinho, deixem lá de assobiar, de me chamar nomes. Para a frente? Mais para a esquerda? O quê? Homem a homem? Mato este? Dou cabo dele à dentada? Se tivesse trazido um pau seria muito mais fácil. Levava uma paulada no meio dos dentes, ficava muito mais bonito. Infiltra-te? Deve ser isso. Mas como o Mister tem um sotaque esquisito nunca se percebe bem. O que é eu vou fazer quando sair daqui? Apetecia-me pegar no carro e andar pela Segunda Circular horas a fio. Para trás e para a frente. A abrir. A desfocar as luzes dos outros carros e a transformá-las em coisas que gosto. Coisas bonitas. Estou com fome. Acho que vou comer o resto dos cogumelos que ficaram dentro do cacifo nos balneários. Vão mesmo crus. Parem lá com esses flashes que me fazem mal ao juízo. Atrapalham-me. Parecem golfinhos de luz. Oh porra. Já nem sei com que equipa estamos a jogar. Pelas caras de cavalo que eles têm só podem ser Troianos. Está bem. Vou portar-me bem. Vou fingir que não vi um urso mesmo agora a passar por mim. Ainda para mais vinha sem roupa. Esquece. Não viste nada. Passa a bola. Será que repararam em mim? Fogo. Estas luzes são todas tão lindas. Posso transformá-las em tudo. Em letras. Em marcas de bebida. No que quiser. Em silhuetas femininas. Mas o mais fácil é deixar que por elas se transformem em óvnis e que se ponham a voar. Olha. Parece a nossa senhora de Fátima e tudo. Está com um penteado mais moderno. A bambolear-se, como dizem nos livros. Deve ser sueca. O Mister está a olhar muito para mim. Faz uns sinais quaisquer com as mãos. O pior é que não lhe consigo distinguir os dedos. Parecem tampos de sanita. Se isto acusa no controlo antidoping estou mesmo lixado. Lá se vai a minha carreira fulgurante. O melhor jogador do ano. O contrato, já assinado, com o Marcelona. E mais o meu mundinho todo. Está quieto. Não faças essa cara de parvo. Não te mexas tanto que isto está quase a acabar. Acredita. Infiltra-te. Ai Jesus. Ai vou eu. É sempre bom correr, assim com a velocidade não tenho mais genica para pensar. Parece que o estádio se está a afundar de repente. Não acredito nisto. Esta noite é mesmo difusa. Vá puto. Acredita. Puuuto. Puuuuto. Puuuuto. Dá-lhe. Lá vem ele. É agora ou nunca. Este tem cara de holandês, é só apontar o canhão, fazer pontaria e lá vai para casa mais cedo. Para o meio dos diques, que já devem estar a meter água. Vá não te ponhas a cantar. Não é hora para isso. Será que me arrombaram o cacifo? Ou que aquilo cresceu de repente e rebentou com as instalações sanitárias? Olha um bicho a passar. Cheio de pernas. Disseram-me que isto era fraquinho. Não dá para confiar nas pessoas. Exageram sempre. Nunca dizem a verdade. E o árbitro, o que é que ele quer? Diz que tenho de vestir os calções. Mostrou-me qualquer coisa. Acho que era um sabonete fluorescente. A acender e a apagar. Com umas espirais enormes de sonâmbulo. Acho que me queria hipnotizar, o camelo. Pronto. Não são camelos. São mesmo cavalos e vêm todos nas suas quatro patas a cavalgar para cima de mim. Fujo. Só podem ser Troianos. Passa a bola. São uns assassinos. Está um homem a arder em cima da bandeirola de canto, cheio de frio. Porque é que eu não estou aqui? Custa alguma coisa, estar quietinho? À espera de um sinal que me revele a verdadeira dimensão da vida sem precisar de escalar a face da razão. Pronto era só o que faltava. Armar-me em filósofo. Não te ponhas a cantar. Seria muito mais fácil desistir. Arrumar as botas a um canto. Com toda a sua miséria e mentiras infelizes. Ainda bem que trouxe os óculos escuros. Assim topavam que eu tinha um olho de cada cor. Estão a mudar que nem semáforos de variadíssimas tonalidades e era uma chatice, darem por isso. Vou sucumbir agora. Só por dois segundos. Nem dá tempo para cair, mas mesmo assim caio. Pode ser que marquem falta. Ai vou eu. Já está. Agora, quando me levantar, vou ser sereno como um bálsamo. Meigo. Vais ver. Deixa-me só descansar um bocado. Quantos há? Quem ganha? Quanto tempo falta? Pararam a porcaria das horas. É uma perseguição vã esta dos ponteiros dentro de um relógio. Os segundos ganham sempre. O que é estranho. Os segundos são sempre os primeiros. A chegar. Nunca tinha pensado nisso. Nem vale a pena. Não me pagam para pensar.
Lá estão os pássaros que saem lá de cima, dessa coisa que chamam céu, a chamarem por mim. Mas continuo deitado, endividado com o medo de voar. Os ventos. Agora. Os ventos de mudança a consumir este relvado, enquanto me levanto na sombra deste verão a passar. Gritam o meu nome. Acreditam em mim. Gritam até deixar de ouvir. Até deixar de ver. Os inimigos. A definição de inimigo que se sugere. Que é um inimigo? Um irmão do avesso? Não sou teólogo. Se não os inimigos seriam para aniquilar. Sou apenas um cabrão de um jogador de futebol. Deu-me para isto. Ainda para mais hoje deu-me também para magias aux champignons. John Tortulho, é o nome pelo qual eu respondo se me quiserem chamar. Vá mais uma dentadinha. Afinal os mortos podem dançar. Ele diz fica se tiveres que ficar, sai se tiveres que sair, sai por pouco tempo e volta, sai por muito tempo e volta. É sempre o mesmo jogo: sobrevivência. Ai vou eu. Não tenho medo. Não tenham mais medo. Infiltro-me, às ordens do Mister. Corro que nem um desalmado. Para lá das quatro linhas, mas ainda do lado de cá. Não te passo a bola agora. Aqui está ela, redondinha. Foi o mensageiro da verdade que ma deu. Ai vou eu. Um já está sentado. Até lhe caiu a sela. Outro. Mais um, ainda. Não são inimigos coisa nenhuma. São gajos vulgares. Pouco brilhantes. Não acredito. Já não vejo ninguém. Estou sozinho. Ninguém grita. Deixo de cantar. O estádio está vazio. Os pássaros já cá não estão. Viajo em câmara lenta, no enigma do absoluto. É só rematar, de qualquer ângulo. Para dentro da baliza. Aí vai ela. Come-me à força. Puuuto. Puuuto. Puuuuto.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:10 AM | Comentários (6)

Blows

«I abandoned the stage because I realized the fact that the only language which I could have with an audience was to bring bombs out of my pockets and throw them in the audience's face with a blatant gesture of aggression... and blows are the only language in which I feel capable of speaking.» by Antonin Artaud

Afixado por Prusidente da Junta at 03:37 AM | Comentários (0)

junho 30, 2004

Anda!

Vou tomar banho. Depois pego em mim e saio. Para o meio da trovoada. Não tenho medo. Fico a ver o que é que dá. Levo-te comigo. Vens sempre comigo, agora. Não espero mais nada. O que acontecer, aconteceu. Tudo é possível. Sim, estou mais calmo. Guardei os insultos num sítio bem lá no fundo. Não vão aparecer mais. Sim, espero tudo. Vamos?

Afixado por Prusidente da Junta at 07:09 PM | Comentários (7)

junho 18, 2004

No passeio dos olhos de toda a gente



Escrever sobre os sujeitos de Edward Hopper. As personagens. Que saem todas as noites dos quadros. Das pinturas. Que saltam de dentro das molduras, com a tinta a escorrer, e vão para a sala ao lado que passa em contínuo um filme sobre a vida de Edward Hopper. Em vídeo. Esperam todos pelas imagens a preto e branco retiradas de um programa de televisão, dos anos sessenta, onde o casal Hopper aparece com idades compreendidas entre os setenta e os oitenta anos, ou mais. Sentam-se todos. As mulheres. Os homens. Ao acaso, onde há ar para sentar. Em silêncio. Solitários. Como se tivessem apenas sozinhos sem mais ninguém ao lado. Sozinhos consigo próprios acompanhados de outros sozinhos consigo próprios. Estão lá, os corpos, mas para além disso não está mais nada. Os pensamentos fugiram antes de entrarem na sala e com eles a alma foi arrastada. A personna foi arrastada. O logos. Como um rio. Pode pensar-se, por exemplo, num rio onde existe apenas uma bactéria. A única presença de vida. Esse ser microbiológico é a possibilidade de explicação que a população do planeta Hopper procura encontrar. Um rio infinito, uma possibilidade invisível. Intangível.
Nesse excerto, nessa pequena peça sinfónica, de programa a preto e branco, Edward Hopper permanece imóvel, enquanto a sua alma gémea fala. Solitário. Perdido no vaguear do seu fluxo neurológico. Trocar fluxo neurológico por outra coisa qualquer. Pode ser pelo verbo pensar. Solitário consigo próprio. À espera de, aos oitenta e tal anos, encontrar a bactéria que lhe vai desvendar toda a sua existência. Não o porquê da obra. As paredes. A luz transparente. A cor. O verde. O vermelho. O encarnado. O homem que tira o casaco que no entretanto cristalizou. Que não existe antes disso. Que não existe depois. A mulher sem face a olhar para o infinito. Para o absoluto nada. Para o rio. Na brisa do tempo que não passa, na dor do vento que não sente. As árvores lá fora apenas feitas de árvores. As casas depois da guerra. Do holocausto. Deixadas ao abandono, à pressa. Onde tudo desapareceu. Onde todos fugiram para a sala de vídeo, à espera de ouvir o rio Hopper, revolto em ondas, em remoinhos. A resfolgar destemido nas suas próprias paredes. O homem a varrer apenas feito de corpo. Autómato. Dirigido pela vontade do instrumento que tem entre as mãos. Com a sensibilidade de um manequim inóspito.
Pelo meio, assim meio ao calhas, tentar convencer os leitores que os críticos de arte só estão lá - nos jornais, nos livros, nas revistas da especialidade, a guiar dentro dos museus e galerias – para ganhar o deles. Estamos todos para ganhar o nosso. O que é nosso. Vencendo-o. Persuadi-los também, os mesmos leitores, que todos os momentos da História existiram apenas para ser transformados em Obras de Arte. Que são a única coisa que permanece. Que do passado é a única coisa que fica. Visível. Da História restam apenas histórias. Nunca factos. Nunca fenómenos. Relatos, sim. Estudos, também. E que, frequentemente, o melhor da História é passar à história. É a libertação. Finalmente, se ainda estiverem para isso, os muito queridos e chatos que ainda têm capacidade de leitura, está bem, os leitores, os mesmos, sempre os mesmos, explicar-lhes, no português que se conseguir arranjar, que um palácio é mesmo um palácio, e que sem a presença do autor não vale a pena estar a inventar, what you see is what you get.
Escrever sobre a mulher sentada no calor artificial da noite. Em repouso consigo própria. Com a sua chávena solitária de café congelado, a fumegar. Na noite sem noite. Sem lua. Um luar imenso sem lua. A noite colorida sem cor. O lóbi sem hotel. O tempo vazio de espaço. No prazer do ser solitário. O prazer sem tristeza. Sem remorso. À espera de alguma bondade. Em construção. A gerar bactérias. A infectar-se de alegria. De esperança. De amor. Descrever Edward Hopper a olhar. O olhar de Edward Hopper a olhar. Para o mundo cá fora. Lá fora. Apenas fora. Como quiserem. Com as retinas a rasgarem o espaço. A chegarem aos rostos que o separam das ondas eléctricas do vídeo. Das frequências. Do verde. Do vermelho. Do encarnado. Dos olhos que o olham. Noctâmbulos. A servir-se deles, para ver melhor. À procura de explicação, à procura da vida. Do além do corpo. Do além do físico. Falar também do rio que lhes bate na falta do sentir. Na falta do ser. Onde só existe o estar. Em sugestão. E exibir, com palavras simples, a imagem de Edward Hopper pensativo, aos oitenta e tal anos, com as mãos a segurar o rosto que lhe cai do pescoço.
Falar sobre a cortina que se abre no fim. Demonstrar, logicamente, a quem queira ver, nós, ou eles dentro da sala de video, que estava tudo lá atrás. Atrás do pano. O tempo todo. Anos e anos. Oitenta e tal anos é o tempo todo. E no fim. Alguém. Um casal. Diferente dos outros. Dos outros cercados pelas outras molduras. Agradece. De mãos dadas. Obrigado. Somos nós, aqui sentados, aqui em pé. E no final. Um canto vazio. O interior de um quarto vazio. Sem voz. Sem sussurro. Um canto em silêncio. De alguém que acabou de sair. Que acabou de saltar da janela. Deixando apenas o vento. Que acabou de passar. De se sentar no banco ao lado. Ao lado de ninguém. Apenas de um corpo. Só mais um corpo. No rio. À espera que alguém ligue a televisão onde nenhuma hora é interrompida. No vídeo a piscar sempre o mesmo tempo. Hoje ou amanhã. Tanto faz. A aparecer Edward Hopper de novo, sempre, pensativo. A agradecer. A sorrir. A explodir numa gargalhada. A soltar as bactérias. Feitas de silêncio. Todas elas feitas de silêncio. Silêncio de vida.
Escrever sobre isto. Sobre Edward Hopper.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:30 AM | Comentários (1)

junho 15, 2004

Nonsense bullshit

Quem pensa que a indiferença do mundo se baseia nos factos que dele próprio vertem está claramente enganado. Quem pensa que a indiferença dos outros se baseia apenas na nossa imagem tem a visão distorcida. O que somos depende apenas de nós. O que mostramos depende apenas de nós. O andar na rua depende apenas de nós. O olhar, a confiança, a força que escorre cá de dentro, para fora. A vontade de estar próximo. De querer. De ir mais longe. Depende tudo de nós.
O mundo deixa cair acontecimentos ao acaso, a diferença que há entre eles é que partem de polos individuais que colidem entre si. Se o mundo colide entre si, depende apenas dele próprio.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:50 AM | Comentários (3)

junho 14, 2004

Maps

Pack up
I've strayed
Enough
Oh, say say say
Oh, say say say

Wait, they don't love you like I love you
Wait, they don't love you like I love you
Ma-a-a-a-ps, wait!
They don't love you like I love you

Made off
Don't stray
My kind's your kind
I'll stay the same

Pack up
Don't stray
Oh, say say say
Oh, say say say

Wait, they don't love you like I love you
Wait, they don't love you like I love you
Ma-a-a-aps, wait!
They don't love you like i love you...

Yeah Yeah Yeahs - «Maps»

Esta é uma daquelas bandas que ninguém ouviu falar que faz uma canção estrondosa, é esta, envio-a a quem me pedir.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:54 AM | Comentários (11)

junho 10, 2004

ACTA

Senhor Prusidente,
reunidas em alegre convívio, suas fãs pensam e falam em V. Exª.
Não obstante tal facto lhe passar ao lado, como cão por vinha vindimada, vimos por este meio expôr a nossa ordem de trabalhos:
1. Foi indagada a sua altura, em cm.
2. Foi igualmente questionado o seu tamanho de polegar e de punho, pelo que pude escutar chegou-se mesmo ao percentil encefálico e tamanho de pé.
3. Coeficiente de inteligência e coeficiente emocional.
4. Endurence coital, em h.p.
5. Capacidade licorosa, em litros.
6. Velocidade de estimulação.
7. Volume toráxico.
8. Volumetria do plexus principalis (o pai de todos), em cm3.
9. Performance da língua, em r.p.m.
10. Capacidade de encaixe.


Podem comentar.

Afixado por Assussora Remota at 11:41 PM | Comentários (9)

junho 01, 2004

London Calling

Estou em Londres. Vim numa comitiva de gajos ricos. Vim fazer uma cura. Uma cura de vida. Eu e a Sra. Assussora. We'll keep you updated! Bye.

Afixado por Prusidente da Junta at 12:05 PM | Comentários (39)

maio 28, 2004

Delírios do campo

Heart

Esperem só um bocadinho, estou aqui a atar o sapato, não tenho muito jeito para isto, apareceu-me uma hérnia no cérebro que me limita certas funções, é isto e pentear-me, demora uma eternidade. Também só consigo escrever, neste teclado, com a mão direita, a outra tem uma inclinação para algumas teclas, algumas letras, chega-se a elas e fica ali a acariciá-las, a fazer-lhes festinhas. A imaginar, na sua mente de mão, uma certa palavra, um certo nome. Já está. Decidi-me pelo nó cego, sempre dura mais tempo. Dura uma eternidade e fica mais bonito.
Conto-vos a história, deste meu problema, sempre se adianta qualquer coisa, e ficam a gostar mais de mim, se calhar.
Não começa mal. Nem bem. Começa em Coloane comigo às voltas de carro, a olhar para ontem, e com um gajo feio, de óculos, num Antonov encarnado do século passado, que de repente se mete comigo. A acelerar que nem um desalmado, a acender os piscas, a fazer-se de bonito. De engraçadinho. A olhar para mim com aquele seu ar duplo. E a pisgar-se na sua lambreta. É assim que começa. Podia começar de uma outra maneira qualquer. Continua. Eu a ir atrás, a querer apanhá-lo, a pedir mais pelo meu carro automático. A pedir-lhe muito mais, a pedir-lhe tudo. No Istmo. Nas rotundas do Istmo. Ele à frente, a distanciar-se. Taipa. Rotundas da Taipa. A perdê-lo de vista. Sozinho. Na noite. Completamente sozinho. Não pára a história. Agora que penso nela, como aconteceu, em tudo o que vivi nela, perco a ideia que a pode tornar escrita. Continua. É a parte melhor, agora. Ao aproximar-me da ponte Nobre de Carvalho, já ele levava uma vantagem como daqui a Espanha, ao negociar a curva, já cheio de febre, a suar por todos os lados, perco o controle do meu carro japonês e vou estampar-me contra o macaco que anuncia o Ano Novo Chinês. Acho que foi de propósito. Para me magoar. Do resto já não me lembro. Li num jornal no dia seguinte. Ou na semana seguinte, também já não me lembro. Uma fotografia do macaco dentro do carro ao meu lado, quase a acariciar-me, a fazer-me festas na cara, a rir-se que nem um perdido. A gozar comigo. Eu de olhos fechados. Dizia na notícia que os bombeiros demoraram uma hora a desencarcerar-me. Só que o pior é que quando falavam em mim, não era eu, era o macaco. É verdade, confundiram-me com o símio e quando terminaram o servicinho levaram-no na ambulância, com máscara de oxigénio. Deixaram-me a mim no pedestal em posição de combate, num passo perdido de dança contemporânea. Esquecido. Na noite. Só faltavam umas luzinhas de orelha a orelha a dizer “Seja Bem-vindo”. Devo ter ficado em estado de coma. Só me lembro de acordar com uma daquelas trovoadas da época, ainda de madrugada, perder o equilíbrio, e estatelar-me ao comprido no relvado feito de calhaus. Levantar-me. Ver os carros a passar e olhar para mim de tanga e com um chapéu de marinheiro. Carro nem vê-lo. Quando comecei a andar reparei que tinha um alto na cabeça. Nunca mais saiu.
É uma história de amor. E é disso que vos quero falar. Mesmo não sendo isto que queria contar, foi o que me passou à frente.
Está bem. Não me conhecem, eu sei, devem estar para aí a pensar quem é que eu sou? O que é isto. Eu apresento-me. Sabem aquele gajo que deu um soco no George Bush quando teve a ideia de invadir o Iraque? Era eu. Aquele que vos conta uma história à noite, vos adormece e ainda despeja o lixo? Sou eu. Lembram-se do 11 de Setembro, aquele cão que guiou o velho cego desde o 349º andar? Era eu, o cão. Aquele que ensinou o John Travolta a dançar no Pulp Fiction? Eu. O silêncio que ouvem à noite? Sou eu. A ressonar. Sou tudo o que possam imaginar a multiplicar por vinte. Só tenho uma confissão a fazer. Não sei se a consideram pertinente: eu não existo. Sou um pensamento dentro de um quarto fechado. Sou feito apenas de coragem. Chega? Não. Ao princípio é simples, anda-se sozinho. Só nos vem à memória outra fase muito mais batida. É esse mesmo. Bebe-se a coragem até dum copo vazio. Estão todos vazios. É simples. Ao princípio. Começar frases. Ajustar dimensões. Histórias tristes assim tão lindas como esta. O jornal com a minha fotografia. Com o macaco a falar-me ao ouvido, a pedir-me descanso. A fotografia de mim, a sonhar, em estado de coma. No meu mundo. A acordar, com um raio qualquer, e cair com o degelo. Uma pedra no sapato? Sou eu. Não podem perceber mais nada. Também não consigo explicar. Comecei daquela maneira. A apertar o sapato. Agora só tenho a cama aberta. Cheia de mim. Isto é pessoal. Não podem perceber. Sabem, aquelas trepadeiras que se agarram às pernas das casas e nunca mais as largam? Mesmo que as cortem, nunca mais as largam? Sou eu.
E bem podias vir no Ferrari, que te deu o magnata do jogo para te pôr a milhas quando andavas a catrapiscar a filha dele. Agora tenho a minha bicicleta. Pedais. Sabem o que são? Acham-nos pertinentes? «Ridículo» é a palavra que quero usar, mesmo que não tenha nada a ver com o caso. Já agora lembro-me de outra coisa. Nunca comprem produtos previamente embalados, embalem-nos, escolham-nos com cuidado, quando se abrem normalmente são diferentes do outro lado. Têm outra cor. Outro cheiro. Se vos cheira a podre, my dears, é porque o material já está fora de prazo e, segundo dizem, o material tem sempre razão.
E a minha mão esquerda já se agarrou ao B e ao L. Tenho de ir passear. Apanhar fresco.
Amor. É só do que queria falar. A culpa é vossa. Olham-me com essa cara e eu distraio-me. Prezem-no. Dêem-lhe tudo. Se têm um em casa. Adorem-no. De modo gigantesco. Construam-no. Respirem-no. Pode ser ao lado. Pode ser sempre ao lado. Mas acreditem. Há sempre uma seta, uma flecha, uma lança, chamem-lhe o que quiserem. Um fulminante. Que lhe pode acertar em cheio. Não me quero lembrar. Calo-me. A música mais simples em que podem pensar? Sou eu. Na ponta dos vossos lábios.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:55 AM | Comentários (1)

Loop

I just wanna say
I haven't been away
I'm still right here
Where I always was
So one day, if you're bored
By all means call
Because you can do
(But only if you want to)

I just wanna say
I haven't been away
I am still right here
Where I always was
So one day, when you're bored
By all means call
Because you can do
But you might not get through

Morrissey - «The Loop»

Afixado por Prusidente da Junta at 05:00 AM | Comentários (0)

maio 27, 2004

I'm here

your day will come
it's catching up on you
when your race is run
your feint-hearted faith
follows through, always, always....
roll back the night
roll by the lonely parade and it's gone
what a delight
to unravel the fabric of love
it's the way, it's a crime
it's all the same, but it's not your time
in sequins and dust
scatter your pearls with the hungry remains
lipstick and trust
and hope rides another day
hope rides another day....

Cousteau - «Your Day Will Come»

Afixado por Prusidente da Junta at 04:43 PM | Comentários (2)

motel prusidente

Se pensa que vai entrar num MOTEL recheado de surpresas, de conversas animadas, de teorias sentimentais , de música, de sonhos e pesadelos, de desejos e até de sexo, está enganado!
Este Motel já teve a sua época. É que tudo tem o seu tempo, depois...é inevitavelmente o declínio. As camas estão por fazer, as portas dos quartos não têm fechadura, o restaurante já não funciona, só serve ginginhas em copos de três (querem pior?). Na recepção encontrará uma boazona decadente a limar as unhas, que por aqui se manteve sem razão, e que pela mesma razão se vai embora. Para quem gosta de fenómenos espectrais, talvez valha a pena dar uma espreita, é que vive um fantasma no Motel Prusidente, uma mulher que se enfiou e se perdeu num dos quartos e que ainda hoje é vista a vaguear captando imagens dos poucos que se atrevem...
O que aconteceu? Dizem que foi uma virose. O Prusidente anda por aí a carpir e os outros seguiram-lhe os passos. A Madame Satã foi de retro com o seu amigo, a Produtora de Inventos e o Mestre foram de Lua de Mel, nunca mais ninguém os viu.
Vos deixo com uma frase do Mestre:

"Perdições"

Amigo sem A não é como Revolução sem R
Amigo sem A, continua a ser amigo é o Migo
E estamos cá é para andarmos de braço dado.

ATÉ SEMPRE!

Afixado por Assussora Remota at 09:50 AM | Comentários (3)

maio 25, 2004

Não esquecer a Dica do Dia!

Nunca penses que estás a pensar!!

Afixado por Prusidente da Junta at 08:57 AM | Comentários (1)

Small town

When you're growing up in a small town
when you're growing up in a small town
when you're growing up in a small town
you say, no one famous ever came from here

When you're growing up in a small town
and you're having a nervous breakdown
and you think that you'll never escape it
yourself or the place that you live

Where did Picasso come from
there's no Michelangelo coming from Pittsburgh
if art is the tip of the iceberg
I'm the part sinking below

When you're growing up in a small town
bad skin, bad eyes, gay and fatty
people look at you funny
when you're in a small town

My father worked in construction
it's not something for which I'm suited
oh, what is something for which you are suited
getting out of here

I hate being odd in a small town
if they stare let them stare in New York City
as this pink eyed painting albino
how far can my fantasy go

I'm no Dali coming from Pittsburgh
no adorable lisping Capote
my hero, oh, do you think I could meet him
I'd camp out at his front door

There is only one good thing about small town
there is only one good use for a small town
there is only one good thing about small town
you know that you want to get out

When you're growing up in a small town
you know you'll grow down in a small town
there is only one good use for a small town

You hate it and you'll know you have to leave

Lou Reed & John Cale - «Smalltown»

Afixado por Prusidente da Junta at 08:50 AM | Comentários (0)

End

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Oh ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
See, the sea wants to take me
The knife wants to slit me
Do you think you can help me ?
Sad veiled bride, please be happy
Handsome groom, give her room
Loud, loutish lover, treat her kindly
(Though she needs you
More than she loves you)
And I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Over and over and over and over
Over and over, la ...
I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
"If you're so funny
Then why are you on your own tonight ?
And if you're so clever
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very entertaining
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight ?
I know ...

'Cause tonight is just like any other night
That's why you're on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they're in each other's arms..."
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Over, over
Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can even feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...

The Smiths - «It's Over»

Afixado por Prusidente da Junta at 03:38 AM | Comentários (0)

maio 21, 2004

Kooks

Will you stay in our Lovers' Story
If you stay you won't be sorry
'Cause we believe in you
Soon you'll grow so take a chance
With a couple of Kooks
Hung up on romancing

We bought a lot of things
to keep you warm and dry
And a funny old crib on which the paint won't dry
I bought you a pair of shoes
A trumpet you can blow
And a book of rules
On what to say to people
when they pick on you
'Cause if you stay with us you're gonna be pretty Kookie too

And if you ever have to go to school
Remember how they messed up
this old fool
Don't pick fights with the bullies
or the cads
'Cause I'm not much cop at punching other people's Dads
And if the homework brings you down
Then we'll throw it on the fire

Will you stay in our Lovers' Story
If you stay you won't be sorry
'Cause we believe in you
Soon you'll grow so take a chance
With a couple of Kooks
Hung up on romancing

David Bowie - "Kooks"

Afixado por Prusidente da Junta at 04:16 AM | Comentários (0)

maio 18, 2004

Semáforos

Não me posso esquecer daquela velha, cega, que se atravessou à frente do meu carro, de bengala na passadeira. Enquanto eu que nem um tonto, a buzinar, lhe apontei o sinal encarnado. Não me viu. Prosseguiu o seu caminho. Devia ser surda, também.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:39 AM | Comentários (0)

maio 14, 2004

Outras vidas se elephantom!

Vou ter de me ausentar durante um certo período de tempo. Não sei quanto.
Agora tudo o que escrever tem que ser para mim. E tudo o que escrever é muito. Tudo o que escrever é quase tudo o que pensar. Sou eu todo em escrita. Sou eu numa nova vida. A sós. E tenho de escrever cada passo, para mim. Para alguém, talvez, mais tarde. Alguém que ainda não percebe. Que ainda não sabe ler. Há quem escolha andar para trás. Eu escolho, em definitivo, andar para a frente. Para além disso não sei comunicar socialmente. Há quem seja rei nisso, mesmo desfraldadamente. A deitar fumo. Como uma fábrica.
Sintam-se em casa quando aqui vierem. Tenham prazer em estar aqui. A Assussora toma conta das rédeas. Fiquem bem. Obrigado por tudo. Até breve.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:54 AM | Comentários (2)

Creativity and Moving Images

The favorite film I ever saw I don't remember it's name, it was a French movie, with a guy wearing a green coat regarding some army uniform, the same model has one of my oldest brothers had at the time. I remember this guy coming from the rainy street entering through some building in a noisy elevator. Then there was a sweet home with warm colored walls and the guy stepped on the corridor waiting, back against the warm wall, loading up a cigarette. We were in the eighties. I was a kid who got mixed up with ideas and the sense of what world was about. I don't know what were the remains of this movie that kept me haunting ever since. But as everything else in my life it became a part of me, a part of my imagination, a part of my dreams. And this is how it starts my venerated relationship between me and the films themselves.

This dubious confused love has created another life where half of me was permanently transferred. A room close to the world of dreams where reality survives as in real life. This is the place of celluloid artifacts where stories are made flowing out the creative will. Where we forget our daily torments and pay the tribute to our fantasies in graphical configurations, movement conflicts and, above all, images and sound.
Different approaches that entertain and stimulate our being like birds. It's a parallel universe opened in front of our eyes. As Melanie, Mitch and the Captain standing by the window. A legendary screen where you can easily mistake a bin for a can of beans, where there are actions that can always be undone.
Twisting and flipping your time and space.
For me the word that defines this world is unlimited and undefined. A collective result made by unnamed individuals for some other unnamed individuals drowned in the social collective movie word.
Movies above all the technical terms and specifications have learned to drive their own presence and their own way. Their own individuals. Their own nice fellows.

My project for this course is also about dreams, life and fantasies. A life from someone who cannot see images. My project his about this blind man who's thinking about his loved one. A woman, he thinks. A love that can only be imagined, where nothing is clear, nothing is real true and time. It's a concept about unreality, about someone who never saw, who never known what light and color was. A short monologue term where fiction is the daily banquet. And that's all I know. Is about the perception of feelings translated in words and imagined in invisual content. As dreams are the translations of our daily visual subjects.

When Man created God before the word society was known there was no place for him in earth so Man looked up and gave him the Sky as this was the only place Man was not able to go. When Man invented the so-called movies, cinema, films he also recreated God's world giving him the ability to perform and to subsist further up the divine adoration of religion. God is the tape that is never destroyed when you loose your own clips. God is the parallel world of imagination where my whole me permanently lives.

I will show two examples that in a way can show what I could never say, two short clips from "Mulholland Drive" by David Lynch and "Memento" by Christopher Nolan.
The first is a movie that flows along the lines of sense of wonder, where the narrative is playfully surreal followed by visual contours of racing seduction and sensuality. It shows the World supported in this imaginary window of Melanie, Mitch and the Captain where everything can happen. Even if it makes no sense.
The second traces the puzzle of time and memory. In a reversed structure.
Both are the compelling will of cinema to in itself recreate the steps of God among Men apart of all forms of edited Creativity and Moving Images.

Escrevi isto para um mini curso de cinema que fiz há dois anos. Não revi o texto. Mas tudo o que diz faz parte de mim. Sou eu. Li-o em voz alta para um pequeno público.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:48 AM | Comentários (0)

maio 12, 2004

One wasted, useless, selfless, none of a kind.


Close your eyes and see the sky is fallin'...

Afixado por Prusidente da Junta at 07:47 AM | Comentários (0)

Asfixia (Palahniuk #5)

Se vais ler isto, não te maces.
Ao fim de um par de páginas, não vais querer estar aqui. Por isso, esquece. Sai enquanto ainda estás inteiro.
Salva-te.
Tem de haver qualquer coisa melhor na televisão. Ou, uma vez que tens tanto tempo livre, talvez pudesses tirar um curso à noite. Tornares-te médico. Podias fazer qualquer coisa boa para ti. Oferecer a ti próprio um jantar fora. Pintar o cabelo.
Não estás a ficar mais jovem.
O que acontece aqui, primeiro, vai chatear-te. Depois, vai ficando cada vezpior.
O que vais ter aqui é uma história estúpida sobre um rapazinho estúpido. Uma estúpida história verdadeira sobre ninguém que alguma vez te tenha apetecido conhecer. Imagina este idiotazinho que te deve dar pela cintura, com uma mão-cheia de cabelo louro, penteado com risco ao lado. Imagina o pieguinhas do pequeno merdoso nas fotografias antigas da escola, sem alguns dentes de leite e com os primeiros dentes de adulto a nascerem todos tortos. Imagina-o vestido com uma estúpida camisola às riscas azuis e amarelas, uma camisola que tinha sido prenda de anos e era a sua preferida. Mesmo assim tão novinho, imagina-o a roes as imbecis das unhas dos dedos. Os sapatos preferidos são Keds. A comida preferida, quela porra das salchichas fritas.
Imagina um rapazinho sebento com o sinto de segurança posto, sentado numa carrinha escolar ao lado da mamã depois de jantar. Só que está um carro da pólícia parado à frente do motel deles e, por isso, a mamã carrega no acelerador e continua a cem ou cento e dez quilómetros à hora.

Chuck Palahniuk - «Choke» - © Chuck Palahniuk, 2001
Versão portuguesa: Editorial Notícias - Tradução: Maria Dulce Guimarães da Costa

Afixado por Prusidente da Junta at 07:38 AM | Comentários (0)

maio 10, 2004

A Good Cancer

Mando a quem me pedir, e a quem tiver um email válido capaz de albergar 4 mb de uma assentada, esta música dos Queens of the Stone Age. Há muito tempo que não ouvia nada assim. Um power infinito que nos salta para cima!

....

She said "I'll throw myself away"
"They're just photos after all"
I can't make you hang around
I can't wash you off my skin
Outside the frame is what we're leavin' out
You won't remember
Anyway-

I can go with the flow
But don't say it doesn't matter anymore
I can go with the flow
You believe it in your head?

It's so safe to play along
Little soldiers in a row
Fallin' in and out of love
Something sweet to throw away
But I want something good to die for
To make it beautiful to live
I want a new mistake
Loose is more than hesitate
You believe it in your head

I can go with the flow
But don't say it doesn't matter anymore
I can go with the flow
You believe it in your head?

Queens Of The Stone Age - «Go With The Flow»

Afixado por Prusidente da Junta at 10:41 AM | Comentários (2)

RRRRRRRRRRRRR...

Tenho alguma coisa para dizer, ainda? Depois de tudo? Da força toda? Do mundo a meus pés. Do poder ciclópico que ruge das minhas veias. Sentem, as garras? Hmmm? O Céu! Todo o céu à minha volta. Sobrevoo. Plano. Com o espírito liberto das asas. Flutuo de pujança. Não sei de onde veio. Não sei como consegui aqui chegar. Estou cá em cima. A vê-los. Aguentem-se!

Afixado por Prusidente da Junta at 10:05 AM | Comentários (0)

maio 08, 2004

Está aí alguém?

Desculpem lá, como é que este Gajo Novo veio cá parar? Foi alguém que o trouxe que se esqueceu de o levar de volta? Quem é? Levem-no por favor. Desamparem-me a loja!
.....
Reparei hoje, dia 8, que fomos o Blog do Dia no dia 3. Alguém reparou? Ninguém nos avisou! Onde está a taça? Obrigado de qualquer maneira. É uma honra.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:19 PM | Comentários (2)

maio 04, 2004

Lost in the woods

Todos os dias de manhã, quando entro no carro, a minha filha - sim tenho duas filhas, lindas! - pede-me para pôr a música da menina que se perde na floresta, aqui está ela:

You're the night, Lilah.
A little girl lost in the woods.
You're a folk tale, the unexplainable

You're a bedtime story.
The one that keeps the curtains closed.
I hope you're waiting for me cause I can't make it on my own.
I can't make it on my own.

It's too dark to see the landmarks.
I don't want your good luck charms.
I hope you're waiting for me across your carpet of stars.
You're the night, Lilah.
You're everything that we can't see.
Lilah, you're the possibility.

You're the bedtime story.
The one that keeps the curtains closed.
And I hope you're waiting for me cause I can't make it on my own.
I can't make it on my own.

Unknown the unlit world of old.
You're the sounds I never heard before.
Off the map where the wild things grow.
Another world outside my door.
Here I stand I'm all alone.
Drive me down the pitch black road.
Lilah you're my only home and I can't make it on my own.

You're a bedtime story.
The one that keeps the curtains closed.
And I hope you're waiting for me cause I can't make it on my own.
I can't make it on my own.

You're the paint can falling off the wall at the door that slams at the end of the hall where the kid rings sounds of basketball. The battle of the earth of the angels. The shifting snow drifts so realistic, so realistic - call you carpet of stars. See there is something in the yard. It's awful dark. With the painted strings, the cross, the good luck charm, the prayer, the extra layer. The group...

Morphine - «The Night» - words by Mark Sandman

Afixado por Prusidente da Junta at 10:39 AM | Comentários (0)

maio 03, 2004

BLOG DO DIA!!

Camaradas fomos considerados "O BLOG DO DIA". E nem tinha dado por isso. Desculpem ando perdido em combate. Obrigado a todos. Venham sempre. Despertem-nos!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:06 PM | Comentários (0)

Party!

Camaradas vamos a levantar esses cus. Não há tempo a perder. Vamos embora. Hoje temos festa. É como vocês quiserem. Mandei vir o que vos apetecer, sou eu que pago!

Afixado por Prusidente da Junta at 10:44 AM | Comentários (1)

abril 30, 2004

Tiragem

Hoje tivemos 543 visitas nesta casa. É a nossa maior enchente, e não se passou nada de especial, não estivemos em promoção, não fizemos nenhuma festa. A todos os que passaram por cá agradecemos efuzimamente. MUITO OBRIGADO.

[ hits: 2.616; páginas: 877; visitas: 543; kbytes: 122.735 ]

Afixado por Prusidente da Junta at 11:59 PM | Comentários (0)

Negócio louco

Vai minha tristeza
E diz a ela que
sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas se ela volta
Se ela volta
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos
a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos
sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim

João Gilberto - «Chega de Saudade»

Afixado por Prusidente da Junta at 02:34 PM | Comentários (1)

abril 28, 2004

A minha secretária!

Desert1.jpg

Afixado por Prusidente da Junta at 01:00 PM | Comentários (10)

abril 23, 2004

(RRRRRRRRR)evolta

Abril.jpg

"O governo apaga, o povo escreve!"

Afixado por Prusidente da Junta at 08:07 AM | Comentários (0)

CPL593H

I tried but I could not find a way
Looking back all I did was look away
Next time is the best time we all know
But if there is no next time where to go?
She’s the sweetest queen I’ve ever seen (CPL593H)
See here she comes see what I mean? (CPL593H)
I could talk talk talk talk talk myself to death
But I believe I would only waste my breath
Ooh show me...

ROXY MUSIC - «Re-Make Re-Model» - 1972

Afixado por Prusidente da Junta at 05:44 AM | Comentários (0)

Sonhos

Numa fracção de segundo tive dois sonhos:
O primeiro. Tinha a minha mão junto à tua, era verão, era calor, estávamos em trajes de praia, de mãos dadas. Tu eras pequenina. Eu era eu. Não te vi a ti nem a mim. Apenas senti a tua mão. E corremos. Salta-mos para dentro de água, uma piscina imensa, sem fundo. Ouvi gritos de alguém a dizer cuidado. Vários alguéns. A água estava fria. Tu não sabias nadar, eras pequenina. Quando olhei debaixo do líquido todo ele fresco, tu já lá não estavas. Só a imensidão do fundo que não tinha fim. E os gritos filtrados pela profusão da água.
O segundo. Estava a dormir e acordei. Vi a minha mão na mesa ao lado da cama como se fosse um bibelô. De repente começa a arder. De repente fica em brasa. E eu, no preciso momento em que isso acontece, com a mesma mão que estava em brasa, mas que ao mesmo tempo estava no fim do meu braço, agarro e aperto o vermelho incandescente, como se fosse lava quase sólida. Acordei de seguida com um salto.

Agora venha de lá um simbologista freudiano para explicar o meu imaginário.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:39 AM | Comentários (3)

abril 22, 2004

Não morri!

Desert1.jpg

Sempre estive aqui, espectante, a olhar para o mundo à minha volta. A observar em redor. De variadíssimos ângulos e perspectivas. Neste deserto perdido.
O olhar por vezes deixa de ser compatível com o sentir, torna-o dúbio. Desfocado. Posso afirmar, no entanto, que me tornei outra pessoa. Alinhado no desalinho. Capacitado na incapacidade. Cheio no vazio. Acredito que um processo binário tem sempre muitas arestas. Nunca é só uma coisa ou a outra, opostas entre si. Existem nuances, determinações, sintomas, que as envolvem. Que as desmontam, simulando um outro estado, uma outra presença, uma outra vida. Contudo, são sempre formas do sentir, de encarar a realidade, o amanhã. É uma previsão fora do tempo. Sem espaço para se instalar. São unidades de simulacro que se entornam no diâmetro do presente.
O viver existe de muitas maneiras, as decisões que se tomam surgem de muitas vertentes, influenciadas pela ideia de felicidade, talvez, o projectar de um sonho, ou, em contínuo, o rasgar de uma insatisfação, que se pensa ser permanente. São caminhos que se tomam, passos que se dão, que se dirigem, por vezes, à oposição de nós próprios. Mas é aí que nos encontramos, é aí que vamos buscar o nosso canto de verdade. A nossa esperança de saída para um destino melhor. O nosso destino. Nas nossas próprias mãos.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:00 AM | Comentários (2)

abril 13, 2004

Retorção


O Prusidente da Junta MORREU!!!!

Afixado por Prusidente da Junta at 02:21 AM | Comentários (9)

abril 12, 2004

Como se fosse eu

Claro que sei algumas coisas, mas o importante não é isso. O que conta realmente não é o que sei, mas o que intuo.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:20 AM | Comentários (0)

Hipocôndrio esquerdo

Vi uma boca sem dentes. Uma boca escura. Sem grito.
Aberta sem o branco dos dentes. Mesmo sem o amarelo dos dentes. Só o negro do fundo da boca. Uma escuridão baça. Morta.

Vi um penso debaixo de um olho. Um rectângulo a imitar pele. A esconder um traço, uma ferida, uma dor. Ainda viva.

Vi alguém que me viu. Que se escondeu na boca do escuro. No escuro da ferida. No traço da dor a imitar pele. Com o penso no olho baço. No rectângulo a imitar vida. A esconder o amarelo dos dentes. A tapar o escuro do branco. No fundo do grito. Ainda morto.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:54 AM | Comentários (1)

O tempo a passar

Unus, duo, tres, quatuor, quinque, sex, septem, octo, novem, decem, undecim, duodecem, tredecim, quatuordecim, quindecim, sedecim, septemdecim, duodeviginti, undeviginti, viginti, viginti unus, viginti duo, viginti tres, viginti quator, viginti quinque, quinque sex, quinque septem, quinque octo, quinque novem, triginta, triginta unus, triginta duo, triginta tres, triginta quator, triginta quinque, triginta sex, triginta septem, triginta octo, triginta novem, quadraginta, quadraginta unus, quadraginta duo, quadraginta tres, quadraginta quator, quadraginta quinque, quadraginta sex, quadraginta septem, quadraginta octo, quadraginta novem, quinquaginta, quinquaginta unus, quinquaginta duo, quinquaginta tres, quinquaginta quator, quinquaginta quinque, quinquaginta sex, quinquaginta septem, quinquaginta octo, quinquaginta novem, sexaginta. UNUS MINUTU. Unus, duo, tres, quatuor, quinque, sex, septem...

octo, novem, decem, undecim, duodecem, tredecim, quatuordecim, quindecim, sedecim, septemdecim, duodeviginti, undeviginti, viginti, viginti unus, viginti duo, viginti tres, viginti quator, viginti quinque, quinque sex, quinque septem, quinque octo, quinque novem, triginta, triginta unus, triginta duo, triginta tres, triginta quator, triginta quinque, triginta sex, triginta septem, triginta octo, triginta novem, quadraginta, quadraginta unus, quadraginta duo, quadraginta tres, quadraginta quator, quadraginta quinque, quadraginta sex, quadraginta septem, quadraginta octo, quadraginta novem, quinquaginta, quinquaginta unus, quinquaginta duo, quinquaginta tres, quinquaginta quator, quinquaginta quinque, quinquaginta sex, quinquaginta septem, quinquaginta octo, quinquaginta novem, sexaginta. DUO MINUTE. Unus, duo, tres, quatuor, quinque, sex, septem, octo, novem, decem, undecim, duodecem, tredecim, quatuordecim, quindecim, sedecim, septemdecim, duodeviginti, undeviginti, viginti, viginti unus, viginti duo, viginti tres, viginti quator, viginti quinque, quinque sex, quinque septem, quinque octo, quinque novem, triginta, triginta unus, triginta duo, triginta tres, triginta quator, triginta quinque, triginta sex, triginta septem, triginta octo, triginta novem, quadraginta, quadraginta unus, quadraginta duo, quadraginta tres, quadraginta quator, quadraginta quinque, quadraginta sex, quadraginta septem, quadraginta octo, quadraginta novem, quinquaginta, quinquaginta unus, quinquaginta duo, quinquaginta tres, quinquaginta quator, quinquaginta quinque, quinquaginta sex, quinquaginta septem, quinquaginta octo, quinquaginta novem, sexaginta. TRES MINUTE. Unus, duo, tres, quatuor, quinque, sex, septem, octo, novem, decem, undecim, duodecem, tredecim, quatuordecim, quindecim, sedecim, septemdecim, duodeviginti, undeviginti, viginti, viginti unus, viginti duo, viginti tres, viginti quator, viginti quinque, quinque sex, quinque septem, quinque octo, quinque novem, triginta, triginta unus, triginta duo, triginta tres, triginta quator, triginta quinque, triginta sex, triginta septem, triginta octo, triginta novem, quadraginta, quadraginta unus, quadraginta duo, quadraginta tres, quadraginta quator, quadraginta quinque, quadraginta sex, quadraginta septem, quadraginta octo, quadraginta novem, quinquaginta, quinquaginta unus, quinquaginta duo, quinquaginta tres, quinquaginta quator, quinquaginta quinque, quinquaginta sex, quinquaginta septem, quinquaginta octo, quinquaginta novem, sexaginta. QUATOR MINUTE....

Afixado por Prusidente da Junta at 08:07 AM | Comentários (2)

Onde está o meu yoga?

Daqui consigo sentir a electricidade que percorre o teu corpo. O corpo todo, quase em combustão. Sinto-o, na minha pele. Toda ela quase em combustão. E dentro de mim um calôr, tão evasivo, tão estranho, que me morde. Um quente eléctrico a dar-me pequenas dentadas. A morder-me o rebordo dos ossos, a arranhar-me os muros do estômago, a segredar-me enzimas de ácido.
Impulsos de entusiasmo que me sentam, imóvel, a compor-me em desarmonia, em dissonância com os órgãos; como numa espécie de sinfonia, a transmitir sensibilidade, apenas, sem movimento.
Sinto o teu feixe na minha resistência, em qualquer adorno, em cada um dos filamentos, em todas as minhas arestas.
Não sei se é bom, se é mau.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:26 AM | Comentários (2)

Stranger

I was born today
There were strangers there
Cut me off and left me in a chloroformed cell
I yelled and I yelled
But nobody cared
First day of school
I lost my front teeth
Boys beat me up cause
I wasn't one of them
I fought til I bled
and everyone was scared
Yeah everyone was scared

It isn't my fault
That I'm strange

I wasn't good at kickball
I wasn't good at girls
I used to make a habit of peeing in my pants
Cause I was scared and I could'nt dance
and nobody cared but I learned
Today i'm glad to say
I'm just like to rest
Anonyme is best
Anonyme is best
and life grows stranger every day
Has anybody dared to be more that dead
It isn't my fault
That i'm strange

Mother died today
Or maybe yesterday
I don't know I don't know I don't know
Got to ask my boss to let me go
At the funeral they expected me to cry
Well I did'nt
I don't know
I don't know
Everybody's staring at me now
What's gone to their heads
It isn't my fault
That i'm strange
I'm strange I'm strange I'm strange
I'm the stranger

Tuxedomoon - «The Stranger»

Afixado por Prusidente da Junta at 04:06 AM | Comentários (2)

Primo giorno di scuola

Falar sobre o tempo que passa. As horas. Este momento e o outro, logo a seguir. Ou esta semana que começa, depois da anterior que terminou. O anterior, todo ele, terminado. O que passa por nós para além do tempo? O que passa pelo tempo para além de nós? Os outros? O tempo dos outros?
Precisar minutos, definir o hoje, encontrar o dia seguinte. Roubar segundos aqui e ali. Semelhantes a um olhar. O nosso, o de outro. O pensamento dentro do tempo. Que vai, longe, em queda, como um saco. Um saco em queda dentro de um buraco. Dentro do buraco a lamber as paredes. Nós por cima, a esticarmos o saco do pensamento, a puxarmos a ponta, para deixar entrar o ar e torná-lo comprido, o pensamento. Torná-lo fluído, quase líquido.
Falar de alguém. Dentro de alguém. De dentro de alguém.
Nada mais.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:52 AM | Comentários (2)

abril 08, 2004

Dez

Pode parecer que só sabemos brincar, mas aqui é tudo muito real. Desculpem, hoje estive impróprio para consumo.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:46 PM | Comentários (1)

Stop the Night, Holy Girl

Holy girl
Don't get up
For running
Stay with me
I feel sad
When you run

Sands of time
Are lying
On my chest
Stay in bed
I feel sad
When you run

Stay like this
On the hills
Of my chest
Don't wake up
I feel strange
When you go

Stop the night
Hold me tight
Holy girl
Don't stand up
I feel strange
When you go

Air in «Run» - 2003

Afixado por Prusidente da Junta at 08:59 AM | Comentários (0)

Hook on Me

Do you know what it means to me
To delight in your company
Could it happen to me?

Do you know what i´m certain of?
I would love to fall in love
Could it happened to me?

Hey won´t you look at me
Now I’m cracked wide open I can’t conceal
My all-over trembling, I’m acting strange
And while you’re out of reach, I never change

God knows I’m beside myself
If a tear’s a crime, then I must confess
My guilty secret, I’m not ashamed
Take me as I am, an average man

Oh boy is it getting rough
When my old world charm isn’t quite enough
I’d throw you cantos, I’d jazz ’em up
When I lay me down, you don’t pick up

What’s more, it’s a crying shame
Only this time no one but myself to blame
All I touch turns to dust
It’s right there in my cards, I ought to cut

Let us sing of the tortured heart
And a lonely soul in this world apart
As he plays a fear, takes a little pain
And move our separate ways again

Is it easy to say ’I do’?
At this moment I love you
See beyond me, it’s true

Now that evening is closing in
Should I light that fire again?
Could it happen to me?
Did it happen to you?

ROXY MUSIC - «Could it Happen to Me?» - Words: Bryan Ferry - 1975

Afixado por Prusidente da Junta at 05:56 AM | Comentários (0)

Tarde de Mel Selvagem

E se me despedisse? Assim de repente, despedia-me, dizia adeus e, despedindo-me, ia-me embora. Não levava nada comigo. Começava a andar para um lado qualquer e não parava mais. Nunca mais. Dizia adeus. Sem fazer grande alarido. Nem dinheiro precisava. Roupa, apenas isso. Dizia adeus, ao de leve. Adeus. E desaparecia...

Afixado por Prusidente da Junta at 05:18 AM | Comentários (1)

Pesquisas mais frequentes

Desde o princípio do ano, vêm parar aqui dentro os senhores que fazem pesquisas com estes termos (search strings):

1. Tripla Penetração (35 vezes)
2. Pteridófitas (30)
3. Tabuada (15)

Serão estas as nossas keywords?

Mas também temos, em termos avulso: alma do osso, amor rapariga conquistar, a piton maior do mundo, carbonato de amónio, carburador, chocolates regina, como dar prazer, como fazer no motel, contorcionista elasticidade, cuecas, fotógrafo cego, graxa azul, homens carente, imagens de beijos mas quentes, loiras quentes, o mistério da morte de River Phoenix, orgias com animais, etc...

Em underline as pesquisas onde nos encontramos como primeiro resultado, o que nos dá um grande orgulho!

Afixado por Prusidente da Junta at 04:02 AM | Comentários (0)

abril 06, 2004

In the most peculiar way

Encontrei a Kristin no meio da rua, muito acústica, muito grotesca, sempre gordinha, com os seus olhos bonitos a deitarem chispas para cima de mim. Escreve-me muito. Falámos da última coisa que li dela:

- Que era aquilo, uma ameaça? - comecei eu.
- Não, era só eu. Eram palavras comigo lá dentro. Umas palavras quaisquer que encontrei à porta de casa, que precisavam de ser escritas.
- Tuas?
- Não eram minhas. Encontrei-as, percebes? Estavam ali e eu peguei nelas, sem rigor, sem sentir. Precisava de as largar, agarrando-me. Precisava de me ver nelas. Que elas me vissem.
- Uma questão de visibilidade, portanto.
- Isso mesmo, eu e a minha visibilidade perdida, toda eu perdida nessa visibilidade. Em desespero agarrei-me a elas. Na altura só podia ser assim. Havia falta de mais, percebes? Falta de mais. Como se fosse a outra que há em mim, o furioso gémeo que há em mim, que se tornava super real, sem fantasia.
- E agora?
- Agora? Continuam lá as palavras, mesmo depois de as ter liberto, é uma espécie de pânico para principiantes, como sorrir para um estranho, um sorrir de medo. Porque há falta de mais. Como se o sol se tivesse tornado de prata. Duro. De prata dura. A ferir-me os olhos. Há falta de mais.
- Continuas a escrever...
- Não posso fazer mais que isso. Só vejo línguas. Línguas que falam, que sentem. E esse sol de prata. A brilhar para cima de mim. A controlar-me com o medo do pânico. Eu a controlar-me e a fantasiar com as línguas. A humedecer a minha língua nas palavras que escrevo. Que encontro. Que me libertam. A libertar-me nelas. E vê-las a voar por cima desse sol de prata. A perderem a luz. A estabilidade. A morrerem no sorriso desse estranho. Como uma rua toda feita de leite. Que não se atravessa.
- Comes a rua? Se é de leite, bebe-se, não é?
- A derreter, a rua. Percebes? A sentir-me gasta, em ondas. O sentir-me gasta a vir em ondas. A sacudir-me o azedo. E eu a ficar ali enterrada na água.
- E o leite?
- Água para uma sede com que não podes lutar. Sede. Só sede. Sede seca.
- Deixa lá, eu estou sempre contigo.
- É o que me vale, my friend - a Kristin é inglesa.

Demos um abraço e ficámos assim um bom par de horas, sem ouvir nada, sem ouvir as línguas.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:59 AM | Comentários (1)

My little princess

Got hips like cinderella
must be having a good shame
talking sweet about nothing
cookie i think you're
tame
i'm making good friends with you
when you're shaking your good frame
fall on your face in those bad shoes
lying there like you're tame
uh huh huh
tame

PIXIES - «Tame»

Afixado por Prusidente da Junta at 07:45 AM | Comentários (1)

NOVOS TALENTOS

A nossa repórter de imagem chegou, já não era sem tempo, está aqui bem perto de nós, com o olhar sempre alerta, sempre vivo, atento. A partir de hoje, tenho o prazer de anunciar, meus caros, a presença nos serviços deste Motel da grande Enfiada Especial. Sempre onde mais ninguém está presente. Se ela desfocar, não se preocupem é mesmo assim, é de lá!
Já sabem, tratem-na bem!! Muito bem!

Afixado por Prusidente da Junta at 05:25 AM | Comentários (0)

And the head has no room

E agora é o quê? É medo? Medo de não saber, de saber, o que sei. De perguntar, de responder? De querer saber o que sei. É medo ou é ser estúpido?

São períodos de tempo, são palavras em períodos de tempo. São espaços onde não quero pertencer, querendo pertencer, pertencendo. São palavras que não quero ler, querendo ler, lendo. Espaços com palavras. Palavras cheias de espaço. É tudo ou nada, sendo tudo e nada. É nada, mesmo nada. Em tudo.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:13 AM | Comentários (0)

Longer

we are accidents
waiting waiting to happen.
we are accidents
waiting waiting to happen.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:59 AM | Comentários (0)

abril 05, 2004

Esclarecimento

Hoje quando entrei aqui dentro encontrei no chão uma folha de papel branco dobrada ao meio que alguém imiscuiu por debaixo da porta, continha estes dizeres:

«Excelentíssimo Visconde de Castellani!
Não teria pegado na canete se as circunstâncias e o próprio senhor não me tivessem obrigado a tal. Acredite que só a necessidade me obriga a recorrer a estes esclarecimentos para consigo e, por tal motivo, peço-lhe antes de mais que não considere esta minha iniciativa como uma inteñção premeditada de o insultar, meu caro senhor, mas como uma consequência inevitável das circunstâncias que agora nos ligam
»

Não dizia mais nada, era uma carta escrita à mão com uns gatafunhos que já não se usam. Vou esperar por mais.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:19 PM | Comentários (1)

Ten Years After His Death



Come, as you are, as you were, as I want you to be
As a friend, as a friend, as an old enemy
Take your time, hurry up
The choice is yours, don't be late
Take a rest, as a friend, as an old memoria

Memoria (x3)

Come, dowsed in mud, soaked in bleach, as I want you to be
As a trend, as a friend, as an old memoria

Memoria (x3)

And I swear that I don't have a gun
No I don't have a gun (x2)

Memoria (x4)
And I don't have a gun

Well I swear that I don't have a gun
No I don't have a gun (x4)

Memoria (x2)

Nirvana - «Come As You Are» - Author: Kurt Cobain - 1991

From Kurt Cobain's Journals (page 145)

Come, as you are – as you were – as I want you to be
As a friend - as a friend - as an old enemy
Take your time - hurry up
The choice is yours - don't be late
Take a rest - as a friend - as an old memoria memory ah
Come dowsed in mud - soaked in bleach, as I want you to be -
As a trend, as a friend, as an old memoriah

You said that I remind you of yourself tomorrow.

And I swear that I don't have a gun

Afixado por Prusidente da Junta at 03:49 AM | Comentários (0)

abril 04, 2004

Reno & Donna

Gosto de brincar com o fogo. Vê-lo a borbulhar, a fazer faísca. Não gosto de coisas mornas, gosto delas a ferver. E quando as chamas, as labaredas, maiores que eu, se tornam incontroláveis atiro-lhes um balde cheio de gasolina para as apagar.

Afixado por Prusidente da Junta at 10:30 AM | Comentários (1)

Silêncio cego



Nem que subisse ao monte mais alto e gritasse com todas as forças que tenho ela me iria ver ou ouvir. O pior é que nem cinquenta perfariam uma igual.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:12 AM | Comentários (0)

Vai sozinho

Não se consegue desviar o amor, por-lhe sinais de trânsito, para virar à direita ou à esquerda. Não se consegue desenhá-lo, de maneira nenhuma. O amor é material genético. Rompe o destino aos açoites. Nada o pode mudar. É mesmo assim. Não tem controle. Vai sozinho.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:53 AM | Comentários (0)

abril 03, 2004

A Realidade é Fodida

Waitress: Do you want something to drink?
Me: No, I cannot drink. I'm in pain!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:33 PM | Comentários (0)

abril 02, 2004

The Only Way



Era dia Um de Abril, pois era, mas já não é. Partimos para as verdades e para uma nova era aqui nesta vossa casa. Encomendámos um novo visual, novas camas, novos sanitários, novos clusters. Estão a chegar. Queremos também dar uma nova direcção aos nossos sentidos pesares aqui dentro. Queremos saborear o dia-a-dia com esplendores na alma e com isso moldar a perversa forma humana. Queremos que vivam connosco uma época de fomentação de esperança, regozijo pelo momento seguinte. Em crescimento. Em luz. Em sabor. Caminhando, passo a passo, para o que mais vos alegra. Queremos que se libertem da agonia diária do viver. A vida é bela, meus caros. Somos todos belos. Estamos vivos. É isso que importa. Hoje, acima de tudo.
Abraços. Nossos.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:18 AM | Comentários (1)

We’d rather fly

Before you slip into unconsciousness
I’d like to have another kiss
Another flashing chance at bliss
Another kiss, another kiss

The days are bright and filled with pain
Enclose me in your gentle rain
The time you ran was too insane
We’ll meet again, we’ll meet again

Oh tell me where your freedom lies
The streets are fields that never die
Deliver me from reasons why
You’d rather cry, I’d rather fly

The crystal ship is being filled
A thousand girls, a thousand thrills
A million ways to spend your time
When we get back, I’ll drop a line

The Doors - «The Crystal Ship»

Afixado por Prusidente da Junta at 03:40 AM | Comentários (0)



Daqui para cima tudo vai ser diferente!

Afixado por Prusidente da Junta at 02:34 AM | Comentários (1)

abril 01, 2004

O Motel Prusidente FECHOU!



Por ordem da Secção Secreta de Segurança (SSS) da PABLIPE* vejo-me obrigado a fechar e destruir este blog. Fui aprisionado, esta é a minha última mensagem. Gostámos muito de cá estar, agradecemos a todos, em especial ao Sr. Paulo Querido, dono destes maravilhosos sistemas de criação. É com grande mágoa que nos despedimos. Daqui para a frente não se sabe o que vai acontecer, se será de ferro em brasa ou se, simplesmente, iremos receber uns açoites da Ministra das Finanças, por não termos pago as rendas ao estado.
Fomos despejados, esta é a triste verdade.
Até sempre!

O Vosso Prusidente.

*Polícia de Ataque aos Blogs de Livre Pensamento

Afixado por Prusidente da Junta at 10:53 AM | Comentários (4)

PRIMEIRA EVIDÊNCIA



Pesquisa no Google à palavra 'estúpido', vejam o primeiro resultado!
Do Gabinete do Primeiro-ministro, pelos vistos, veio a ordem para alterar o próprio endereço, acrescentando-lhe um '_', para não ser tão evidente. Só que esta alminha não pensou que ao fazer isso estava a retirar as ligações todas, existentes nas páginas do governo, por exemplo, ou em qualquer website no mundo inteiro, à página referenciada. Como não sabem o que se passa, os visitantes, levam com o erro no endereço e mais nada. Das duas uma, ou se espera que o Google associe a palavra a outros sites ou se actualizam os links com o novo endereço, o que por si é impossivel.
De qualquer maneira, está aqui o atalho! Afinal o Google é que sabe!

Afixado por Prusidente da Junta at 07:51 AM | Comentários (1)

Saramago desafia Bush

José Saramago foi visto hoje a entrar nas instalações da Embaixada dos Estados Unidos da América. O que foi lá fazer, soubemos nós depois por via diplomática, foi pedir a cidadania Norte-americana, Saramago reclamou aos serviços consulares ter uma costela de Américo Vespúcio, o qual apareceu num dos seus livros na figura de um jovem cão. Reclamou também pertencer à primeira geração de colonos do estado do Colorado. E por isso exigiu ser cidadão Norte Americano de raiz. Crê-se que o candidato da CDU ao Parlamento Europeu não saiu de lá sem o documento.
Mais tarde uma das nossas secretárias seduziu o Nobel Português, que lhe confessou, entre os lençóis, ser seu objectivo candidatar-se às próximas eleições Presidenciais Norte-americanas. Objectivo: ir viver para a Casa Branca.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:02 AM | Comentários (0)

Primeiro-ministro PIDófilo?

O Primeiro-ministro Durão Barroso foi indiciado como arguido no caso PIDE vs. EURO 2004.
Perseguido até Moçambique por uma patrulha da GNR, munida com um mandato de captura do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, Durão Barroso foi finalmente capturado na Cidade da Beira depois de uma perseguição de várias horas pelas matas circundantes. Durante a noite, agarrado a uma liamba em cima de uma bananeira, foi algemado e levado em braços para o cárcere móvel fornecido pelo Ministério da Justiça de Portugal.
À chegada ao Aérodromo de Figo Maduro, Durão Barroso, encontrava-se visivelmente agastado e não quis prestar declarações aos jornalistas, limitou-se a tirar uma banana de dentro do bolso, a descascá-la, e a introduzi-la de uma só vez na boca, agasalhando-a na mandíbula.
Seguiremos esta notícia com a maior das atenções.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:42 AM | Comentários (5)

Vanglória de Género

Hoje vamos estar aqui, lá dentro e lá fora, a distribuir notas de 100, senhas de gasolina, refeições quentes e frias, viagens para lugares longínquos, berbequins pneumáticos para levar ao EURO 2004, sabonetes, preservativos eléctricos, livros, muitos livros, material genético roubado nos cofres do Ministério da Defesa, música, muita música, amor, muito amor, e todo o tipo de milagres. Tudo oferta, com os nossos melhores cumprimentos. Apareçam. Temos também várias grades de mines para derrubar no momento.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:25 AM | Comentários (0)

março 31, 2004

Até amanhã

Vou-me deitar, estejam à vontade, podem deixar a luz acesa, se quiserem. Amanhã cá estaremos. Beijos às meninas. Beijos também ao Moço. Este é também o 500º post efectuado nesta casa. A partir de agora têm 500 quartos onde se podem esconder. Obrigado.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:28 PM | Comentários (3)

Metereologia

Estou a chover. Sabes? Estou a chover. Não sei como parar. Como parar de chover. Talvez um feiticeiro. Uma dança india. Uma magia. Que leve esta chuva. Que a adormeça. Adormeces a minha chuva? Com os teus feitiços. A tua hipnose. Dás-me a tua dança india? Danças em cima de mim. Por cima dos meus olhos. Quebras-me? O chover, em mim? Por favor.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:06 AM | Comentários (1)

Prova concludente



Acreditam em cabalas, em premonições, coincidências, então aqui têm a prova de uma. Vejam. Aconteceu ontem. Não me perguntem mais nada. Eu sabia que eles tinham estado juntos, mas desta maneira, com o mesmo número e tudo!? E eu por baixo a ver...

Afixado por Prusidente da Junta at 02:34 AM | Comentários (0)

março 30, 2004

Aviso Muito Importante

Vamos contratar um ESCRITOR, um a sério, de rendimento cerebral. Não estamos a brincar, é o evento do século, o acontecimento que toda a blogosfera estava a precisar, o que ele tem para nos contar.
Preparem-se!! Ele e a sua nova amiga.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:40 PM | Comentários (0)

Aviso Muito Muito Muito Importante



Já que isto se estava a tornar uma rebaldaria resolvemos contratar uma Recepcionista. A partir de agora sexo em grupo, despedidas de casado, orgias com animais, só com marcação. Tratem disso com a nossa menina da Recepção, está bem? Também temos livro de reclamações. Se precisarem de lubrificantes, instrumentos ou utensílios vários, não hesitem em contactar-nos. Ou contactá-la directamente, é só descer as escadinhas. Mexam-me esses rabos!
Ah! Chama-se Sio Tche, a menina! É uma mistura de tudo o que de bom há no mundo. A síntese de todas as iguarias dos Deuses. Já sabem, tratem-na muito muito muito bem!
Obrigadinhos.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:50 PM | Comentários (4)

Leite Bârtdei

O Gueta fez anos ontem e eu esqueci-me de lhe ligar. O Gueta é o meu irmão mais novo. Na nossa família fazemos anos quase todos no mesmo mês, em Março. É um efeito genético que já vem dos meus avós! O que interessa agora é que me esqueci, a determinada hora do dia, desta data importante. PARABÉNS!! PARABÉNS, nino! Sorry la!

Afixado por Prusidente da Junta at 12:32 PM | Comentários (2)

Burro como as portas

Faço mau uso das palavras. Desprezo-as. Não as considero. Mordo e depois cuspo-as, sem intenção alguma, sem sentimento, sem direcção. Sem valor, sem juízo.
As palavras secam-me o saber, apoderam-se de mim, do meu parco intelecto, de andorinha. Ainda tento dar-lhes a volta, envergar a pele do esperto, do urso. Mas não passo de um ignorante, sem nada para dizer. Um ladrão, das palavras dos outros. É isso, não passo de um pedinte, um reles dependente, um cabeça vazia, um convencido. A brincar às letras. A fazer joguinhos semânticos. A pintar com os dedos. A imitar, como os macacos. Pois, não passo de um macaco, é isso mesmo. Que burro!

Afixado por Prusidente da Junta at 10:39 AM | Comentários (1)

Less

Pensei que tinhas morrido, acredita. Numa curva do IC-38 ou 39, ou na mesma curva onde morreu o T. Rex. Em cima de uma árvore. Acredita, pensei que já não existias. Que tinhas desaparecido de vez. De vez e para sempre. Na curva do T. Rex, num Mini, com alguém a guiar que não eras tu.
Se soubesse, tinha-te procurado, na tua estrada, na praia, na encosta. Tinha ido à curva e retirado a árvore. Acredita, agora sabias o que eu era. Sem dúvidas, sem tempo, sem palavras. Tinha esquecido tudo, voltado ao mar, em cima de uma onda. Despindo-te ao sol.
Não eras tu. E agora?

Afixado por Prusidente da Junta at 09:13 AM | Comentários (0)

Ignição Livre

- Lembra-me, Lime, não te esqueças, lembra-me!
- De quê?
- Que não posso esquecer de me lembrar.
- Mas lembrar-te de quê?
- Que não posso esquecer.
- Esquecer?
- Sabes, Lime, eu não tenho memória, preciso de lembrar-me dela. Lembrar-me do esquecimento. Trazê-lo de novo vivo para dentro da memória. Trazer o esquecimento que ainda me lembro. Onde vive a memória. Ainda viva no esquecimento.
- Queres que escreva, as tuas memórias, é isso?
- Não, basta que me lembres dela. Que ela existe. Lembra-me para não me esquecer.
- Da memória...
- Sim, Lime, lembra-me da memória, não te esqueças, lembra-me.

Afixado por Lime & Purple at 03:36 AM | Comentários (1)

março 29, 2004

Heinfrica

Se de repente África se afundasse ficavamos sem chefes de estado, lá teria que me fazer à estrada e, em simultâneo, desempenhar as duas funções. Não se preocupem, seria uma situação provisória.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:55 PM | Comentários (0)

Come on tell me what U taste

No!

I'm going down 2 Alphabet Street
I'm gonna crown the first girl that I meet
I'm gonna talk so sexy
She'll want me from my head 2 my feet

Yeah, yeah, yeah
Yes she will
Yeah, yeah, yeah (Yeah)
Yeah, yeah, yeah

I'm gonna drive my daddy's Thunderbird (My daddy's thunderbird)
A white rad ride, '66 ('67) so glam it's absurd
I'm gonna put her in the back seat
And drive her 2 ... Tennessee

Yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, Tennessee
Yeah, yeah, yeah, drive her

Excuse me, baby
I don't mean 2 be rude
But I guess tonight I'm just not, I'm just not in the mood
So if U don't mind (Yeah, yeah, yeah)
I would like to...watch

Yeah, yeah, yeah...can I?
Yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah (Can I, can I, can I, can I)

We're going down, down, down, if that's the only way
2 make this cruel, cruel world hear what we've got to say
Put the right letters together and make a better day

Yeah, yeah, yeah, better days
Yeah, yeah, yeah, it's O-O-K
Yeah, yeah, yeah

Maybe it's the only way
Yeah, yeah, yeah, yeah

Cat, we need U 2 rap
Cat, we need U 2 rap
Don't give 2 us slow
Cause we know U know
New Power Soul
Gotta gotta gotta go!

Talk 2 me lover
Come on tell me what U taste
Didn't your mama tell U
Life is 2 good 2 waste? (Put your love down)
Didn't she tell U
That Lovesexy was the glam of them all?
If U can hang, U can trip on it
U surely won't fall (Put your love down)
No side effects and
The feeling last 4-ever
Straight up - it tastes good
It makes U feel clever (Put your love down)
U kiss your enemies
Like U know U should
Then U jerk your body
Like a horny pony would (Put your love down)
U jerk your body like a horny pony would
Now run and tell your mama about that!

And while U're at it tell your papa about this

Yeah-yeah

Put your love down there when u wanna get shot

No! (Yeah, yeah)

Put your love down there when u wanna get shot
Put your love down there when u wanna get shot
Put your love down there when u wanna get shot

Put your love down there...

Get home, Alphabet Street

No!

L-L-L-L-Lovesexy

Yea, Oh, Alphabet Street
Yea, Oh, Alphabet Street

A B C D E F H I love U

Jesus & Mary Chain - «Alphabet Street» (Prince Cover)

Afixado por Prusidente da Junta at 06:33 PM | Comentários (0)

Gasta-se tudo numa só noite



A última vez que estive no Lux. Fiquei a abanar-me até de manhã, em cima, em luta desenfreada com o meu corpo, que não me largava. A doer. A bambolear-me até doer, até não poder mais, aos saltos. Só uma outra pessoa teve a minha pedalada. Uma mulher loira, estrangeira, que parecia louca, tão louca como eu. Aos saltos. De braços no ar, a lutar contra o corpo, que não queria sair, que não a largava.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:23 PM | Comentários (9)

Máquina de Osso



Somos todos culpados. De tudo. Somos culpados de tudo. Todos.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:21 AM | Comentários (6)

março 28, 2004

Going down


Miiiiiiau...

É assim quando não há nada para dizer...

Afixado por Prusidente da Junta at 06:51 PM | Comentários (0)

Go, go little record go.

Porquê? I ask!
Continuamente me assaltam com memórias de uma outra vida. Outra minha vida. Memórias que não existem. Eu, sou eu, mas sou outro, at the same time. Como se tivesse escrito nas costas, a minha outra life. O minha outra pele. Por cima da original, como uma camisola. O caminho é livre, we know. Todo o caminho é livre, mesmo aquele por debaixo das árvores ali ao fundo, very faraway. Pouco importa a divisão que fazemos das nossas memórias. Tudo é livre.
Há um ela, há um eles, representados pelas luzes. Deluxe Lights. Que comprámos num loja qualquer, a cantar não sei o quê. Entrámos na loja a contar não sei o quê, um ao outro, para comprarmos Deluxe Lights. E um disco, qualquer. Sim, para comprar um disco qualquer, com um gajo chamado Joe na capa. Que nos cantou, sozinho, num bar, o que morria. Eu, e ela, subimos para o palco, e acompanhámo-lo. Ao vivo. A cantar o que morriamos.
E com as Deluxe Lights, saimos da loja a cantar a mesma canção do disco que traziamos dentro da mão. Onde cantavamos tudo o que morriamos.
Another life? Pergunto eu.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:15 PM | Comentários (0)

Melhor música de todos os tempos, agora.

Meeeeeow
Meeeeeow
Meeeeeow
Meeeeeow

Alive, alive, alive

I'm alive
I'm alive
I'm alive alive alive alive

Baby I'm in heaven
But I don't believe a word
No I don't believe a word
Going down

I'm on five
I'm on five
I'm on five
Alive alive alive

Maybe I got lucky
But I always stood the chance
Yeah I always stood the chance of the prize

Jesus & Mary Chain with Hope Sandoval (Mazzy Star) - «Perfume»

(procurem-na com esta ferramenta)

Afixado por Prusidente da Junta at 03:18 PM | Comentários (0)

Like Sugar

She floats like a swan
Grace on the water
Lips like sugar
Lips like sugar
Just when you think you've caught her
She glides across the water
She calls for you tonight
To share this moonlight

She'll flow down your river
And ask him and she'll give you

Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses

She knows what she knows
I know what she's thinking
Sugar kisses
Sugar kisses
Just when you think she's yours
She's flown to other shores
To laugh at how you break
To melt into this lake

She'll flow down your river
And ask him and she'll give you
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses

She'll be my mirror
Reflect what I am
A loser and a winner
The King of Siam
And my Siamese twin
She knows what I'm thinking

She'll flow down your river
And ask him and she'll give you

Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses


Echo & The Bunnymen
- «Lips Like Sugar» - 1987

Afixado por Prusidente da Junta at 02:58 PM | Comentários (0)

março 26, 2004

Mulheres do Prusidente II



Da direita para a esquerda, de baixo para cima: a Lady Tron!

You’ve got me girl on the run around run around
You’ve got me all around town
You’ve got me girl on the run around
And it’s getting me down, getting me down
Lady if you want to find a lover
Then you look no further
For I’m gonna be your only
Searching at the start of the season
And my only reason
Is that i´ll get to you
I´ll find some way of connection
Hiding my intention
Then i´ll move up close to you
I´ll use you and i´ll confuse you
And the i´ll lose you
Still you won’t suspect me

Roxy Music - «Lady Tron» - 1972

Afixado por Prusidente da Junta at 05:00 PM | Comentários (4)

As Mulheres do Prusidente

A nossa Assussora!

Afixado por Prusidente da Junta at 04:51 PM | Comentários (5)

Os Homens do Prusidente



Da esquerda para a direita, em cima: O Mestre, o Fornecedor Alternativo, o Moço de Recados; em baixo: o Controlado pelo Tráfego Aéreo e o Técnico Cinetário (armado em John Dear). Fui eu que tirei a fotografia, no outro dia, antes da sessão de meditação.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:56 PM | Comentários (1)

'Tá a tocar p'ra saída!

PPPPPPPRrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... RRRRRRRRRRRRRRRIiiiiiiiiiiiiiiiiiii... PPPPPpPPPpPPPPpppppRRRRIIIIIiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... !

Não ouvem?

Afixado por Prusidente da Junta at 12:35 PM | Comentários (1)

Já que estamos numa de musiquinhas


Spring-heeled Jim winks an eye
He'll "do", he'll never be "done to"
He takes on whoever flew through
"Well, it's the normal thing to do" ... ah ...

Spring-heeled Jim lives to love
Now kissing with his mouth full
And his eyes on some other fool
So many women
His head should be spinning
Ah, but no !
Ah, but no !
But no !
Ah, no !

Spring-heeled Jim slurs the words :
"There's no need to be so knowing
Take life at five times the
Average speed, like I do"
Until Jim feels the chill
"Oh, where did all the time go ?"

Once always in for the kill
Now it's too cold
And he feels too
old
Too old
Mmm, old...

La, la, la, la-la, la ... »

...
Adivinhem de quem é!! Hoje esteve em loop nos meus ouvidos, quinhentas vezes!

Afixado por Prusidente da Junta at 12:26 PM | Comentários (4)

Recto Oposto

Lime: Sabes da minha hipotenusa?
Purple: Não! Não sei a que te referes.
Lime: A minha hipotenusa, preciso de a encontrar, sabes onde está?
Purple: Já te disse que não. Que hipotenusa? Que queres dizer com isso? Tu não és uma figura geométrica, não és o cabrão de um triângulo.
Lime: Eu sei que não sou. Mas preciso de a encontrar, não posso explicar, não consigo. Só sei que preciso de encontrar a minha hipotenusa. Sabes onde está?
Purple: Está bem, vou tentar ajudar. Vamos por partes. Que é uma hipotenusa, para ti?
Lime: Não venhas para cá perguntar o que é uma hipotenusa, não sabes é? Queres que explique, com as mãozinhas? Com os dentes? Queres que explique o que é o preto? Para mim? O que é um pássaro, para mim? Queres?
Purple: Tem calma, só estava a querer ajudar.
Lime: Ajudar uma porra, só fazes perguntas parvas.
Purple: Está bem. Olha, acho que está ali. Ali fora, vi-a mesmo agora passar.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:10 AM | Comentários (1)

março 25, 2004

Aztecas & Egípcios

Ontem de repente, vinha eu para casa, fiquei com medo. Apanhou-me a atravessar uma passagem de peões. Medo de viver nesta terra. Um medo muito perto do pânico, quase na fronteira do pavor. É um sentimento terrível porque me apanha desprevenido. Sem escolha ou alternativa. É um medo sem libertação, fica a pairar, é um desconforto que não se fica pelo momento, segue-nos. Cega-nos aos poucos.
Tudo por causa dos imbecis que assolam as ruas e a cidade inteira. Vivo numa terra de idiotas, que se superam uns aos outros. Uma pirâmide de idiotas, em que o que está por cima tapa vai tampado os que estão em baixo, os buracos, as deixas, as faltas de intelecto. São cúmplices na falta de variadíssimas integridades, todas elas falsas, todas elas frágeis.
Pirâmides frágeis de idiotas que me causam pavor. Estou a ser ingénuo, a armar-me em inocente? Não serei eu o topo da pirâmide?

Afixado por Prusidente da Junta at 05:02 PM | Comentários (1)

Para nos aliviar dos pecados


Afixado por Prusidente da Junta at 03:48 AM | Comentários (2)

março 24, 2004

Silêncio é o Barulho baixinho!

Podia deitar 95% disto fora que não se perdia nada! Ou então pegar-lhe fogo, ao material eléctrico. Faíscas, era disso que precisava. De umas grandes faíscas.
E lá se foi o meu dia.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:10 PM | Comentários (1)

A minha amiga Elsa

elsa diz: é verdade tu estás quase a fazer anos!!!
elsa diz: mas não é hoje
elsa diz: que dia é hoje?
elsa diz: estamos a 26??
elsa diz: ou 27?
elsa diz: hey parabéns se for hoje!!!!!!!!!!!!!
elsa diz: que dia é hoje?
elsa diz: ou tu fazes a 24?

Afixado por Prusidente da Junta at 02:26 PM | Comentários (1)

Idiota (#2)

do Lat. idiota > Gr. idiótes, homem de espírito curto, ignorante

adj. e s. 2 gén.,
falto de inteligência;
parvo, estúpido;
ignorante;
imbecil.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:49 AM | Comentários (0)

O Idiota (Dostoiévski #4)



«Por um tempo amaciado, de degelo, de fins de Novembro, cerca das nove da manhã, o comboio de caminho-de-ferro Petersburgo-Varsóvia aproximava-se a todo o vapor de S. Petersburgo. Estava tão húmido e havia tanto nevoeiro quer amanhecia a custo; era difícil distinguir alguma coisa das janelas da carruagem a mais de dez passos à esquerda e à direita da linha. Entre os passageiros, alguns voltavam do estrangeiro; mas o grosso dos viajantes, gente simples e de trabalho, enchia a terceira classe e viajava em lugares não muito distantes. Como de costume, toda a gente estava cansada, de olhos pesados ao fim da noite, com frio, todos os rostos de um pálido amarelado, da mesma cor da neblina.
Numa das carruagens de terceira classe calhou ficarem frente a frente do lado da janela, desde o amanhecer, dois passageiros - ambos jovens, ambos quase sem bagagem, ambos com roupa longe de ser elegante, ambos dotados de notáveis fisionomias e ambos com vontade de, finalmente, meterem conversa um com o outro. Se soubessem um do outro o que sobretudo os tornava dignos de nota neste momento, decerto se espantariam que, de modo estranho, o acaso os tivesse sentado frente a frente numa carruagem de terceira classe do comboio Varsóvia-Petersburgo. Um era baixo, de uns vinte e sete anos, cabelo encaracolado, quase preto, olhos cinzentos pequenos mas flamejantes. Tinha o nariz largo e achatado, as maçãs-do-rosto salientes; os seus lábios finos formavam a cada instante um sorriso descarado, sarcástico, mesmo malvado; mas a fronte era alta e bem desenhada, compensando a rudeza da parte inferior do rosto. Era sobretudo notório neste rosto uma palidez mortal que dava ao jovem um aspecto extenuado apesar da sua compleição bastante sólida e, ao mesmo tempo, uma espécie de paixão próxima do sofrimento, em desarmonia com o seu sorriso atrevido e bruto e com o olhar brusco e presunçoso. Estava bem agasalhado numa peliça larga de pele de carneiro preto e não passara frio à noite, ao passo que o vizinho experimentara nas costas toda a doçura da húmida noite russa de Novembro, para a qual, pelos vistos, não estava preparado. Trazia uma capa sem mangas bastante grossa e larga, com um capuz enorme, como a usada pelos viajantes invernais algures no estrangeiro longínquo, na Suiça ou, digamos, no Norte de Itália, sem ter, evidentemente, em conta distâncias como a de Eidkunen a Petersburgo. O que era útil e satisfatório em Itália tornava-se pouco adequado na Rússia. O proprietário da capa com capuz era um jovem, também de vinte e seis ou vinte e sete anos, de estatura um pouco superior à média, muito loiro, de cabelo espesso, faces cavadas e uma barbicha muito leve, pontiaguda, quase branca. Tinha uns grandes olhos azuis e atentos. Havia naqueles olhos uma grande clama, embora pesada, e algo carregado daquela expressão estranaha que leva algumas pessoas a detectar nela epilepsia. O rosto jovem, porém, era simpático, fino, seco, mas descorado, de momento ainda azulado de frio. Das mãos pendia-lhe uma pobre trouxa de pano desbotado que, pelos vistos, continha todos os seus haveres de viagem. Calçava sapatos de sola grossa com polainas - tudo à moda estrangeira. O vizinho de cabelo preto e peliça examinou-lhe o equipamento, em parte por não ter mais nada que fazer, e perguntou com aquele risinho pouco delicado com que às vezes se exprime descuidadamente e sem cerimónias o prazer das pessoas à vista dos azares do próximo:
- Tem frio?
E encolheu os ombros.
- Muito frio - respondeu o vizinho com grande prontidão - e repare: o tempo degelou. E se estivesse gelo? Não pensava que fizesse tanto frio na nossa terra, já estava desabituado.
- Vem do estrangeiro?
- Sim, da Suiça.
- Irra, onde se foi meter!
O do cabelo preto assobiou e riu-se.
»

Fiódor Dostoiévski - «O Idiota»
Versão portuguesa: Editorial Presença - Tradução: Nina Guerra e Filipe Guerra

NOTAS:
Ofereci hoje este livro ao meu amigo C. que se encontra injustamente preso. Digamos que é um preso político de um regime que não sabe qual é a direita ou a esquerda, o verso ou o inverso. Foi condenado por algo que não cometeu e que, categoricamente, foi provado. Mas aqui nada vale. A avaliação da realidade é completamente dispersa, é uma forma vazia, sem sentir. Aqui não se julga, aplicam-se normas sem precepção de valores, evidências, provas. Julga-se sem ética. Condena-se, pune-se sem recurso ao arbítrio da razão. Formam-se criminosos para criar números e estatísticas. Condena-se a vida. O senso.

Li o livro há muito tempo, noutra versão, deixou um rasto que ainda hoje se mantém cá dentro. Creio que esta tradução, directamente da versão russa, é também ela demasiado ou meramente técnica, fria, matemática, sem emoção.
Fica o registo.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:42 AM | Comentários (2)

março 23, 2004

Volto

Queria escrever, nao vou ter tempo, fica para depois. Entrei por entrar. Saio do mesmo modo! Nao tenho acentos nem onde me sentar.

Afixado por Prusidente da Junta at 12:28 PM | Comentários (13)

março 21, 2004

Deita!

E para quê dormir se posso estar sempre acordado?

Afixado por Prusidente da Junta at 06:26 PM | Comentários (1)

Guês?

Português? Acham que sou português? Acham que Portugal é Portugal. Que o Tejo é o Tejo. Que ser português é ser o Tejo. Ou o Mondego. O Lima. Acham que ser português é ser como o Lima? Que ser português é ser Portugal?
Estão muito enganados!

Afixado por Prusidente da Junta at 06:20 PM | Comentários (0)

Eu fiz amor com Valéria Mendez

Encontrei-a perdida no mato, no mato do mato, mesmo no fundo. Perdidos os dois no mato do mato do mato. Vestidos de escuridão daninha. Perdidos de silvas no meio do mato do mato, no mato do mato. Nas silvas. Como dois corpos. Quentes mesmo no fundo. Frios mesmo no fundo. Perdidos. Na esperança do mato. Na luz. Na escuridão lúcida da luz. Na luz do mato escuro. Em toda a luz do mato escuro. Na luz da luz da luz. Escuros. Como luz. Quentes como luz. Como luz daninha. Nas silvas dos cactos. Nos nossos corpos. No meu. No outro. No nosso corpo cheio de luz. Perdidos. No branco da luz. No negro do branco. Daninho. Todo ele daninho. Despidos. Nós. Num só corpo. Cheio de luz viva. Sem mato. Sem frio. Sem escuro. Encontrou-me o corpo. O mato do corpo cheio de luz. Liso. Liso o corpo liso. Todo ele branco de negro. Cheio de mato de luz. Luz de mato. Mato na luz do mato de luz. Todo ele eu. Todo ele outro. Todo ele. Todo ele todo ele. Corpo.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:14 PM | Comentários (12)

[3x]

E para quê ver o mundo se se se se se pode tê-lo todo dentro de uma sala?

Afixado por Prusidente da Junta at 06:03 PM | Comentários (0)

Aaaahhhhhhhh...

Falar sobre os outros. Falar sobre o que vejo. Dizer coisas que acho. Escrever letras que penso. Que não penso. Escrever com os dedos. Com os dedos das mãos. As minhas mãos. Duas. O que penso dos outros. Falar sobre eles. Descrevê-los. A cor. O cheiro. Descrever-lhes os sentidos. Os sentimentos em mim. Neles. Os passos. Descrever-lhes os passos. Dali para ali. Os morteiros em digestão. O penso na garganta. A escrever-lhes o penso na boca. Na ponta dos lábios. Dois. Na ponta dos dentes. Vários. E eu que não escrevo. Que me escrevem. Os dedos que me escrevem. As letras que surgem do nada. Do branco. As letras que aparecem de repente. Sem penso. Sem parar. Uma após outra. Daqui. Dali. Daqui para ali. Em transe. O dizer todo ele em transe. Em alucínio. Sem perda de tempo. E eu. Calado.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:00 PM | Comentários (1)

Padeorss

Ficas tão bonita quando me és infiel. Com o teu amante japonês. Que te paga os sofás. Os gritos. E ficas tão bonita. E eu perco-me toda a noite acordado. No parque com alguém a molestar-me. Na tua ilha. Como se tivessemos sol. Nos lábios.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:53 PM | Comentários (0)

Duas Letras Iguais

Vi o mundo todo dentro de uma sala. Todas as pessoas do mundo. Dentro de uma sala. Não estava preparado. Uma delas despiu-se de imediato. Outra morreu e ressuscitou em violência crua. Eu não estava preparado.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:34 PM | Comentários (0)

He's so...

«...jefrey with one f jeffery
jefrey with one f jeffery
jefrey with one f one f.
»

Afixado por Prusidente da Junta at 05:21 PM | Comentários (0)

Ar Dinâmico

Eu quero prestar atenção perder o controle. Quero prestar atenção perder. Quero prestar atenção quando for para baixo em chamas. Quero provar o meu próprio tipo. Quero exactamente a mesma coisa mas diferente. Quero fósforos caso seja preciso de repente emolar-me. Quero uma lista das atrocidades feitas em meu nome. Quero que saibam que eu sei. Quero saber se me vão ler. Quero manter-me vivo assim sempre há a possibilidade do suicídio mais tarde. Quero tocar as minhas cicatrizes para lembrar-me onde estive. Quero balançar-me de olhos fechados para ver onde bato. Quero ser um lugar bonito quando morrer. Quero parar de destruir-me mas não consigo. Quero cair para o céu. Quero convencer-me que não sou eu. Quero convencer-me que não há ninguém aqui dentro. Quero eu quero. Quero.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:13 PM | Comentários (0)

Leva-te

Vivo no cimento. Neste meio de rua, que odeio. Com a porcaria mordo o meu lamento. Esta forma de humano onde nasci repele-me. Agora. Neste preciso momento. Repele-me no que resta do branco do chão. A correr como uma faca. A pedir mais branco. O chão. O cimento. O que mordo. O lamento que me repele. Para fora de mim. No meu pequeno pedaço de branco, que me resta. Que mordo. Que resta de mim. Fora. Só existo fora de mim. No cimento. Neste ódio de rua. O meio que mordo. Com duas metades de lamento. No meio. O chão. Onde deixo a faca. Mordo. E se a faca deixa. Vou conseguir. O que gosto.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:51 PM | Comentários (0)

março 20, 2004

Zeca Uh!

Hoje à festa no Gli Amici Caffé, o Big Amici festeja mais um aniversário, não deixem de o visitar, levem-lhe prendas, deêm-lhe muita conversa. Bebam-lhe o café todo.
Eu daqui, da prusidência, mando-lhe um enorme abraço, ao mesmo tempo que falo com ele ao telefone!
PARABÉNS, foda-se!

PARABÉNS, foda-se!! PARABÉNS!! PARABÉNS!! PARABÉNS!!

Zeca Uh!

Afixado por Prusidente da Junta at 03:42 PM | Comentários (3)

Esquecimento Global

Quando acabo um livro debato-me com um problema. Que livro escolher a seguir? O mesmo? De preferência seria o mesmo, o seguimento do mesmo. Mas nesse entretem do escolhe não escolhe dedico-me a outra coisa: à minha vida. A minha vida, quanto não estou a ler, é o hobby dos meus tempos livres. Dou-lhe atenção, abano-a, afino-a. Por pouco tempo. Depressa vem outra coisa qualquer que me distrai novamente. Páginas de um outro livro. A partir daí deixo-me ir nas cordas de outra gente. Esqueço-me da minha vida, esqueço-me de mim. Acordado durmo outro sono que não o meu. Alinho-me noutro sistema, corro, vivo.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:29 PM | Comentários (0)

março 19, 2004

Dirão Burroso

Saí, no meio da noite, a fingir que estava enfurecido, assim com cara de mau, que tanto me apetece fazer, mas que me esqueço logo depois de me lembrar.
Dirigi-me à Cinco de Outubro. Pelo caminho telefonei a dois camaradas, o FA e o CPTA, que se juntaram a mim mal lá cheguei, à porta dos estúdios da RTP. O Mestre gosta de escrever em minúsculas, faça-se-lhe a vontade. É verdade fomos para a porta principal da rtp fazer uma espera. Apesar dos esforços dos seguranças, e dos polícias a armar em secreto, em saber o que estava-mos ali a fazer, não mexemos uma palha, nem um trejeito de língua, talvez alguma careta, mas palavras é que eles não levaram. O que falámos não perceberam porque desatamos a falar chinês, só para armar, também, em secretos.

Lá em cima decorria uma entrevista live com o Primeiro Ministro do nosso país, não sei porquê, mas quando olhei para ele, ainda no sofá dos meus aposentos, entre um cosmopolitan e outro, deu-me uma vontade de lhe dar uma tareia. Assim mesmo, chegar-me ao pé dele e arrancar-lhe o pó de arroz ao sopapo. Nem foi o que disse, porque estava a vê-lo sem som, deve ter sido a forma como soletrava o pensar, ou talvez o beicinho, ou mesmo o à vontade. Havia ali qualquer coisa que saltava fora do que é habitual. E isso irritou-me de que maneira. Dez segundos depois já estava no carro a falar sozinho. Desculpem-me, são impulsos que me dão, não escolhem hora nem sentido, apenas me tornam voluntário, refém de uma acção de despejo que de início não consigo esclarecer.
No número cento e noventa e sete da Cinco de Outubro esperámos uma eternidade, a afiar os dentes, os seguranças privados, e outros do estado, que entretanto apareceram, mais os mirones que se juntaram, entreteram-nos. Quando o Senhor Primeiro Ministro apareceu por volta da meia-noite, no seu próprio pé, para ver o que se passava, já me tinha fugido metade do ânimo, quase nem dei por isso. Vê-lo à frente, estremeceu-me o espanto. "Aahh Senhor Prusidente é você, o que o traz aqui?" - parecia que, cansado da entrevista lá em cima, me queria entrevistar, fazer perguntas imbecis, só para me tirar do sério, ou então queria cumprimentar-me, tão somente. "Veio cumprimentar-me?" - diz-me ele, com aquela mesma carinha que me fez sair de casa, sabe perfeitamente que não pertencemos à mesma laia mas sempre que me vê surge com uma brincadeira do género, a querer criar consensos, a querer furtar-me a anuência do espírito.
Não lhe estendi a mão, nem em cima, como deveria ser, nem em baixo, como manda o protocolo, embora apetecesse orientar-lhe a gravata, fingi que me estava a tremer o telefone, tremendo também, e no meio da confusão, porque entretanto os mirones começaram a berrar em surdina, pirei-me. "Wei? Wei? Wei?" - num chinês manhoso de Shuzao afastei-me. Gosto pouco de ajuntamentos, para mim manifestações só com três pessoas, e mesmo assim já é uma multidão.

Quando cheguei a casa, o cosmopolitan ainda esperava por mim, duram sempre, invictos e, o melhor, é que não me cumprimentam de mão estendida, com o pó de arroz a saltar. Ficam quietinhos a rosnar cá dentro que é uma maravilha.
Para o Senhor Durão Barroso resta-me apenas meia pedra de gelo.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:44 AM | Comentários (0)

março 18, 2004

Remoto

Parece que não vou a lugar nenhum. Que hoje não há festa. Que hoje não vai acontecer nada. Ninguém vai cair em cima de mim. Nem um raio? Parece que vou ficar aqui sozinho. Sem poder mudar o canal.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:22 PM | Comentários (3)

Para o Registo


22º ...
23º - Motel Prusidente - 328 visitas
24º ...

Entrámos pela primeira vez aqui. Fica só a humilde referência.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:24 AM | Comentários (1)

março 17, 2004

Over



Combinei um encontro no cimo da escadaria. Lá em cima. Para ficar a ver sem ninguém ouvir. Qualquer ponte a cair.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:58 PM | Comentários (2)

Um Lugar

Irmão da Sister, sim tu, mesmo tu. Queres vir, arranja-se. Queres mesmo vir? Aqui, na terra onde não há sentimentos?

Afixado por Prusidente da Junta at 04:55 PM | Comentários (0)

Com Licença

Encontrei um senhor com um grande caixote a querer introduzi-lo dentro do prédio onde ambos habitamos. Fiz tenções de o ajudar, mas o senhor sacudiu-me, aborrecido.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:35 PM | Comentários (2)

Corpo

Recentemente participei numa Missão de Paz, um envento simbólico, organizado por uma associação sem fins lucrativos. Foi mais um manifesto lúdico do que outra coisa qualquer. Uma espécie de romaria a Algueirão Velho, a uma terriola que dá pelo nome de Lugar da Preta, em oposição ao Lugar da Branca que fica do outro lado da colina. Ficam as duas para lá do sol posto. O acontecimento até teve uma organização capaz de fustigar ao mesmo tempo uma ministra, dois secretários de estado, dúzia e meia de VIPs, empresários de várias áreas, militares na reserva, docentes, causídicos, eu sei lá, um molho de gente com algum nome, outros nem por isso, que se deslocou, em quatro autocarros de luxo, àquele lugarejo. Fez-me impressão misturar-me com aquela gente. Faz-me sempre. Não porque tenha alguma ponta de snobismo mas, na verdade, não estou para isso, fico até com um certo prurido subcutâneo.
O objectivo era a recuperação de um casebre, outrora palácio de gentes nobres, para alojar um complexo de assistência social multi-usos, uma inovação, um exemplo para o país inteiro. Um emblema, portanto. Fez-se o discurso gongórico, olhou-se para o projecto, lançou-se a primeira pedra. Bebeu-se e eu vim-me embora. A pé.
O Lugar da Preta não é aconselhável nem a maiores de dezoito, nem de vinte, nem de trinta. É puro hardcore, não é aconselhável a ninguém, ponto final. É interdito ao conjunto dos homens. Só dei por isso tarde demais. Para além das ruas e becos esconsos, das pessoas a olhar-me de esguelha, de aspecto funéreo, dos pacotes de leite que lhes forravam as casas, o Lugar da Preta tem outra característica, está em Guerra. Um tipo único de Guerra que não existe em mais lado nenhum, um conflito surdo, mudo, invisível. Sem forma. Que se sente a cada passo, que escorre das paredes de cartão canelado. Olhos e olhos invisíveis que mortificam o humano que há em nós, que deixam só o ser, à porta. No Lugar da Preta, a vida não tem esse nome, tem outro qualquer, tem um nome feio, que ninguém quer dizer. Come-se como búzios que se apanham pelas veredas. Búzios maiores que nós, que se deglutem à força de martelo.
Passei duas horas, por vontade própria, no lugar que tem só uma rua. Um caminho onde tudo desagua, que se percorre com um passo só. Eu fiquei a vazar as águas, a dar de comer, a contar-lhes as suas próprias histórias, a criar esperança. A criar afluentes, pequenas saídas. A recriar-me. Longe do burburinho mânfio das instituições que abrem caminho no acontecer mediático.
Quando a comitiva de autocarros de luxo passou por mim reconheceu-me como um habitante daquele sítio, com repugnância, com vontade de se lavarem. Os individualistas do meio, da transmissão evasiva, da palavra vã, da coisa bonitinha. Eu, sem o meu ser que ficou à porta, senti-me enxuto. Na minha missão de paz.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:22 PM | Comentários (0)

Carta que não enviei ao presidente do novo Governo Espanhol


Distinguido señor José Luis Rodríguez Zapatero:

El pueblo español, decididamente opuesto a la cruel e injusta guerra de conquista en Iraq, a la que usted también se opuso, y ultrajado por la grosera manipulación electoral de la injustificable agresión terrorista sufrida el 11 de marzo, ha decidido confiarle a usted la conducción del gobierno español. Por este importante acontecimiento, que tendrá repercusión en la esfera internacional, le expresamos nuestro reconocimiento.

Deseo extender a la vez, y de modo especial, nuestra más profunda admiración y tributo de respeto al pueblo de España por su nobleza y heroísmo, tantas veces demostrados a lo largo de la historia.

Felicito su decisión de retirar de Iraq antes del 30 junio las tropas españolas.

Tomando en cuenta esta decisión le ruego no olvidar que, en virtud de gestiones y presiones del señor Aznar como Presidente del Gobierno de España, más de mil jóvenes de pequeños y empobrecidos países fueron enviados a Iraq como carne de cañón bajo el mando de la Legión Española. Es por ello una responsabilidad del Estado español la muerte que pueda ocurrir decualquiera de esos jóvenes.

Los pueblos tienen derecho a esperar, por tanto, el inmediato regreso de esos jóvenes. Ellos no tienen el deber de esperar hasta el 30 de junio. La muerte de cualquiera de esos jóvenes sería doblemente triste si, pudiendo impedirse de inmediato, no se impide, cuando la responsabilidad política del principal autor de esa medida ha sido barrida por el pueblo español. El mundo, y en particular los pueblos de nuestro hemisferio, apreciarían mucho todo lo que usted, aun antes de asumir el gobierno, pueda hacer para evitar que ninguna otra vida de se sume a las que se perdieron en el injustificable holocausto que tuvo lugar en Madrid el 11 de marzo.

Espero comprenda el espíritu de este mensaje y le transmito mis más sinceros sentimientos de respeto y consideración.

El Prusidente del Ayuntamento

Afixado por Prusidente da Junta at 08:02 AM | Comentários (3)

Quinze

Dia dezassete. De que é feita a minha cabeça neste dia, neste preciso minuto?
Afasto-me para não ver o que tenho cá dentro. Misturo-me, sacudo-me para sentir algum sumo. Nada. Oiço vozes. Umas em cima das outras. Conversas sem sentido, de mão nas ancas. Vozes esquálidas. Olho para lá e franzo o lábio. Recebo um sorriso. Está tudo controlado. Se lhes disser para se atirarem para o chão nem tiram o cigarro da boca. Caiem mesmo vestidos, sem pestanejar. Rebolem! Nem preciso de pedir por favor. Fazem-no por graça. Dá a patinha! Lindo menino.
A minha cabeça neste preciso momento não é feita de nada. É um mal que já não me espanta, dia após dia.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:54 AM | Comentários (0)

março 16, 2004

Sem Conta Ordenado

Tudo começa no sangue. O líquido que me avassala diariamente, que me perfura, que me rompe. O líquido que me transforma em círculo. Que me ordena a manter-me em pé.
O sangue que a pouco e pouco se torna granuloso, a magoar-me. A morder-me as veias a cada passagem. Destruindo-me os prados da eficácia. Que ao mesmo tempo me reduz. A nada. Ao pesar. Para cima e para baixo, a deixar destroços. Materiais velhos enferrujados. Pequenas dores que me assolam como tempestades. Em baixo, em cima. O líquido a editar traqueias, a bombear os campos com destruição. A queimar-me, a impedir-me.
O sangue a queimar-me, a destruir-me como uma peste. O sangue sólido, em grão, a matar-me aos poucos. Sem visibilidade. Sem coerência. Todo turvo.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:03 AM | Comentários (2)

março 15, 2004

Adenda

Não é por acaso que trouxe o David Sylvian. O site foi completamente renovado e é do melhor que já se viu. Vale tudo. Vale o tempo todo do mundo. É uma preciosidade. Percam tudo por ele. A vida se for preciso. Porque decerto ganham uma nova. É um apelo à vida, no universo e fora dele.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:38 PM | Comentários (0)

Curso



O Senhor Zapatero agradece ao povo espanhol a vitória de ontem, faz muito bem, nós também agradecemos. É o desviar do rumo da História, o revirar das páginas de todas as histórias mal contadas. Abre-se uma nova etapa, de esperança e de alguma serenidade. Abre-se também um pouco de luz na expectativa da mudança. É um passo em sentindo contrário ao mundo criado por Bush, ao mundo criado pelo terrorismo, ao mundo criado pelo sabor das armas.
Mas é também a mudança ao paladar do terror, na conta dos mortos, no caos da incerteza e da ameaça. Um só acto define o caminho do destino e isso põe-nos nas mãos deles, nas mãos do próprio sangue, que controla a narrativa da nossa humanidade.
Não se pense nisso. O que conta é o resto, por mais infímo que seja.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:22 AM | Comentários (10)

Ar

Sentei-me na mesa deles e não foi por acaso. Eram jovens. Como eu era jovem. Sentei-me e não disse nada. Não tinha nada para dizer. Tudo o que poderia dizer não era tanto como o sentar-me, como o silêncio do sentar-me. Fiquei ali a olhar para dentro dos olhos que também me olhavam. A sorrir. A respirar com eles. A sorrir como um monumento. Apenas a sorrir e a olhar. Não os conhecia. Quando me levantei e me afastei, havia uma afinidade tal que nos podíamos considerar irmãos, amigos, para sempre. Pelo silêncio do olhar. Pelo silêncio do respirar em conjunto. Sem mágoa, sem apertos.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:50 AM | Comentários (3)

Transit



«I have listened repeatedly
I have listened very well
No one interrupts the harmful
When they’re speaking

To wonder why of Europe
Say your goodbyes to Europe
Swallow the lie of Europe
Our shared history dies with Europe

(follow me, won’t you follow me?)»

David Sylvian in «Transit»

Afixado por Prusidente da Junta at 03:19 AM | Comentários (0)

Fear of Flying


Flying with Fear

Design: RDYA Design Group
Texto: Erin Leonard
Música: Javier Dokser

Afixado por Prusidente da Junta at 02:29 AM | Comentários (0)

março 13, 2004

Aqui

Tudo o que vivemos é feito de lugares, nada mais que isso. A minha vida é apenas um lugar.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:03 PM | Comentários (2)

março 12, 2004

Em nosso nome



Escrever sobre quê, já nada mais há para dizer. Todos falaram, todos viram. Aconteceu. Foi uma sequela de uma outra sequela. Não tem terminus, nunca acaba. Ficam as vítimas, a dor. A nossa dor nos outros. A dor dos outros em nós próprios. Ficam as imagens que mais tarde se esgotam quando, de novo, surgirem novas imagens. É o seguimento, de uma estação para outra. Um argumento sempre incompleto e, sobretudo, uma questão de contabilidade, física.
Que há para dizer? Não se pode dizer mais nada. O silêncio é que conta. Mesmo assim é muito. Muito para o pouco que conta. O silêncio está cheio de ruído. Um ruído de morte.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:50 AM | Comentários (0)

Homenagem a Espanha (em catalão)

Vertigen



«Aquell matí em vaig llevar, no recordo on ni tan sols el temps que fa, i tot havia canviat.
Però jo no ho sabia, encara, i més m'hagués valgut no saber-ho mai.
El meu món era petit, però suficient, abans.
Deixà de ser-ho.
La meva vida, un cel particular, nul.la incertesa, dolça soledat;

' més tard, cau soterrat, previsibilitat maleïda, asfixiant aïllament.
Mai res no m'havia fet tanta falta.
Ni la sang que per les venes em corre no necessitava amb la mateixa urgència.
Mentre el dolor creixia, de sobte, aquell soroll estrepitós, insuportable.
Cridant, plorant, vaig córrer.

Era incapaç de sentir els meus crits, de segur esgarrifosos.
De sobte, l'abisme s'obrí sota els meus peus.
Morir, volia.
Recuperar el meu cau, la meva estimada soledat, els meus llimbs, la meva preuada illa.
I vaig caure.
Queia, sentint-me cada vegada més prop d'aquell horror, del meu propi dolor, del més terrorífic despertar dels meus sentits, tot just acabat de descobrir.
Ja no recordo quan va ser que vaig despertar aquell fatídic matí, aleshores salvador.
No recordo quan fa que estic caient, que caic, veient la fi més propera cada vegada però amb la incertesa de si mai arribarà.
Ara el dolor sembla no tenir límits.
El dolor i la por són tot el que sento.
Tinc por de caure per sempre.
»

Tradução (depois do click)

Vertigem

«Naquela manhã acordei, não me lembro onde nem o tempo que fazia, e tudo tinha mudado.
Mas eu não sabia, ainda, e seria melhor se nunca o tivesse sabido.
O meu mundo era pequeno, mas suficiente, antes.
Deixou de sê-lo.
A minha vida, um céu particular, na incerteza, doce solidão;

Mais tarde, buraco soterrado, previsibilidade maldita, elemento asfixiante.
Nunca antes me havia feito tanta falta.
Nem o sangue que nas minhas veias corria necessitava de tamanha urgência.
Mas a dor crescia, de súbito, aquele terrível tumulto, insuportável.
Gritando, em lágrimas, fugi a correr.

Era incapaz de sentir os meus gritos, seguramente aterrorizados.
De repente, o abismo abriu-se sob os meus pés.
Morrer, queria.
Recuperar o meu buraco, a minha doce solidão, o meu limbo, a minha preciosa ilha.
E eu senti.
Caía, sentia-me cada vez mais perto daquele horror, da minha própria dor.
Do mais terrífico despertar dos meus sentidos, justamente tudo o que acabava de descobrir.
Já não recordo quando vai despertar aquela fatídica manhã, o àpice salvador
Não me lembro de quando estava a cair, quando caí, vendo o fim cada vez mais perto mas na incerteza de saber quando finalmente viria.
Agora a dor parece não ter limites.
A dor e o medo são tudo o que sinto.
Tenho medo de cair para sempre.
»

Recoil in «Liquid»

Music: Alan Wilder
Narration: Rosa M. Torras
Aditional Vocals: Diamanda Galás

Afixado por Prusidente da Junta at 08:50 AM | Comentários (3)

março 09, 2004

A cor da velocidade



A semana passada testei este bicho. Não durou muito, foram vinte minutos de puro prazer que acabaram numa árvore de fruto, juro que não fui eu, a maldita apareceu-me de repente à frente, caída do céu. Enfim... pedi desculpas, também foi só um risquinho.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:17 PM | Comentários (4)

ZZêêê

Adeus, Sra. Produtora, fui-me deitar!

Perguntava-lhe se conhecia The Langley Schools Music Project?

Afixado por Prusidente da Junta at 03:09 PM | Comentários (2)

Perdido

Saio para a rua à procura de um motivo. Uma causa. Pessoas que me encantem. Que me vejam. Só peço isso. Pessoas que me vejam, ao longe. Que se desviem, quando passar. Só quero passar por elas. Contorná-las. Sem lhes tocar. Quero ver pessoas que me vejam sem me tocar. Ao longe. Com motivo. Com causa.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:05 AM | Comentários (2)

março 08, 2004

Because

«Because the world is round it turns me on
Because the world is round...aaaaaahhhhhh

Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high......aaaaaaaahhhh

Love is all, love is new
Love is all, love is you

Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue.......aaaaaaaahhhh

Aaaaahhhhhhhhhh....»

Elliott Smith in American Beauty Soundtrack, music by The Beatles

Afixado por Prusidente da Junta at 05:26 PM | Comentários (1)

De Três

- Sabes do que tenho saudades?
- De quê?
- De uma Tasca. Daquelas escuras onde só há velhos a beber.
- Ahhh....
- Tenho saudades de me pôr lá dentro, pedir um copo de qualquer coisa, Teobar de preferência, ou uma Ginja, ou um Bagaço, e derrubá-lo. Derrubar um copo a seguir ao outro. E ficar ali a ouvir os velhos, a meter-me nas conversas, a chateá-los até ao osso, a enterrar-me nos Rissóis de três semanas. E a ficar tão bêbado que nunca mais me conheço. A ficar tão velho como eles.
- Não sei se te faz bem, ficares velho.
- Faz, faz. Ficar velho como eles. Enterrar-me como eles. E ficar com um nariz de maçaneta!
- Ficavas lindo!

Afixado por Lime & Purple at 11:19 AM | Comentários (14)

A Fotografia



No prédio laranja da rua azul, um polícia tirou uma fotografia a um homem morto. O corpo tinha uma semana e estava coberto de moscas. O polícia regressado à esquadra, tira o filme da máquina e envia-o para um laboratório de renome. O filme é revelado e impresso e enviado de volta pelo correio para o polícia, que abre a embalagem na sua secretária. Comparando os negativos com as imagens impressas, por acaso, o polícia segura uma das fotografias entre os dentes. Era o negativo do homem morto no prédio laranja da rua azul. Nessa noite o polícia morre com uma infecção desconhecida.

O seu corpo, coberto de moscas, é encontrado uma semana depois por uma vizinha que o fotografa.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:00 AM | Comentários (2)

Partido

Quem olha para a bancada parlamentar do Partido Socialista não vê ninguém, só fantasmas. Não há ninguém no Partido Socialista, nem nesta geração nem na próxima. Vejam-se os exemplos do seu líder e do cabeça de lista às eleições europeias e, por mais que se procure, também não há um candidato presidencial, nem daqui a vinte anos.
Ao contrário, de relance, quando se passa os olhos pela bancada do Bloco de Esquerda vê-se muita coisa, vê-se a perspectiva do futuro todo de Portugal.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:06 AM | Comentários (3)

março 07, 2004

Yet another one...

«THE PHOTOGRAPH »

Amongst other material, a naturalist took a photograph of a dead dog on a beach. The corpse was a week old and covered in flies. The naturalist returned home, took a film from his camera and sent it to a reputable laboratory. The film was developed and printed and returned by post to the naturalist who opened the small parcel in his study. Comparing the prints with the negatives the naturalist had cause to hold one of the photographs in his teeth. It was the negative of the dead dog on the beach. That evening the naturalist died of an infection.

His body, covered in flies, was found by the police a week later and photographed.

Mais aqui.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:39 PM | Comentários (0)

I n s t a n t e



Eu que não gosto de fazer referências, chega a lista ali do lado, venho deste modo, sem exemplo, dizer que gosto deste sítio! O título vem de um dos meus filmes preferidos.

Relacionado com este filme, tropeço também neste artigo.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:19 PM | Comentários (0)

Exdreços

Tenho coisas para dar, que me sobram das minhas outras vidas. Coisas que nunca usei e nunca vou usar. Coisas parvas sem sentido. Roupas, utensílios, objectos impessoais, sem forma, plantas e peças de mobiliário. Coisas terríveis. Raízes de outras épocas que não chegaram a dar fruto, que nem sequer floresceram. E acompanham-me, estas coisas, como parasitas. Não me largam e eu não as consegui largar. Desfaço-me agora delas, sem mágoa. Quem as quiser levar, faça favor, estão ao fundo das escadas.

Afixado por Prusidente da Junta at 01:58 PM | Comentários (1)

março 05, 2004

Ceifeira



Não olhei. Estava escuro. Encontrei uma boca e, sem pensar, beijei-a.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:56 AM | Comentários (7)

Lost in Translation

Tocaram à campainha. No meio da minha algazarra, não ouvi. No meio dos gritos e das correrias, não ouvi. Ninguém ouviu. À quinta talvez tenha ouvido e fui abrir. Era uma bela rapariga, de cabelo curto, pele de veludo, a minha vizinha:
- Nestum? - É estrangeira, escandinava, ou báltica, não sei bem. - Nestum?
- Hmm?
- Nestum? Nestum?
A minha vizinha estrangeira tem destas coisas, não se faz entender à primeira, nem à última, não se sabe que língua fala. Fui para a cozinha à procura. Procurei indefinidamente, todos os cantos, mas não encontrei. Pensei que tinha, nas não. Nada. Levei uma alternativa.
- Nestum não temos. Mas... tenho aqui estes Kellogg's Special K, pode ser? - passei-lhe o pacote para a mão, ela, no meio da gritaria, agradecendo-me talvez, não sei, esfregou as mãos nas minhas, ao de leve. Como que a convidar-me. Como será a língua dela?

Afixado por Prusidente da Junta at 08:36 AM | Comentários (3)

Permissivo

E eu a pensar que me tinha estragado. Desprovido de sensibilidades. Eu a achar que era oco. A morder-me à transparência de ser fútil. Com as minhas três palavras, o meu mundo, o meu vocabulário de três promessas. O meu diccionário onde não existe a negação, onde não existe norte, onde não existe luz, nem água, nem forma, onde não há verbos. A minha língua torta de três vocábulos, que são toda a minha expressão. A pensar que era o infímo da minha geração. O último da fila. O espólio dos que me rodeiam. A sentir-me cego, a vê-los cegos sem me verem. Cegos só para mim. Eu, um fragmento da realidade. Um rasgo de mentira. Um capitulo da insignificância. Fechado. Nos meus três riscos. Enganei-me.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:47 AM | Comentários (2)

março 04, 2004

The things I tell myself

«...so I got in a kind of trouble
that nobody knows
it's coming up roses everywhere I go
red roses...
»

Afixado por Prusidente da Junta at 04:17 PM | Comentários (0)

Paredes

Perdem-se os dias, esquecidos, atrás das semanas, das noites, de outros dias. Dias atrás de outros dias que nos escapam. Perdidos. Horas que se tornam anos. Sem mudança. Sem quebras. O tempo que foge para os nossos ombros. Todo ele peso. Que nos curva. Que nos alinha. Os dias que não se contam. Todos eles iguais. Sem cerimónia. Sem iluminação. Dias cheios de vazio. Iguais às noites. Noites dos dias. Misturados no mesmo fluxo. A noite e o dia iguais às horas. Aos anos. A todos os anos. Que nos quebram os ombros. Que mudam a curva. Que se contam no esquecimento. Os dias de noite. Brancos de preto. Alinhados em curvas. Sem anos. Sem peso. Sem nada.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:49 PM | Comentários (0)

março 03, 2004

Muitos meses atrás

Lembrei-me hoje. Da noite da nossa transferência. Lembrei-me da Sra. Assussora. Com o seu pêlo branco pelo pescoço. Pêlo fofo branco pelo pescoço. Lembra-se? Filmei-a. Lembra-se? Com o Sr. d'O Jogo ou o Sr. do Protocolo a querer levá-la para debaixo de qualquer coisa. Que dúvido que tivessem. E o Sr. De Almeida que levámos não sei para onde. O meu carro com a suspensão em baixo. A raspar na nossa transferência. A raspar o hino no alcatrão. O meu carro. Lembra-se? Filmei-a!
E foi a última vez que a vi. A Sra. Assussora.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:06 PM | Comentários (6)

Sem Número

O meu cérebro morto. Sem nada lá dentro. Cheio de ervas daninhas, de ratos. E ferrugem. O meu cérebro morto. Sem desejo, sem pena, sem líquido. Seco. O meu cérebro seco. Seco de ti. E de mim. Sem nada lá dentro. A escorrer tempo. Perdido. A escorrer tempo perdido. O meu cérebro vazio. Morto. Morto por ti. O meu cérebro morto por ti. Sem sangue. O meu cérebro. Uma esponja seca. Com carros apodrecidos e ervas daninhas. E muitos ratos. O meu cérebro com muitos ratos. Mortos. Ratos mortos dentro do meu cérebro. À procura das ervas daninhas. À procura do líquido seco. O meu cérebro sem tempo. Perdido por ti. Morto. O meu cérebro morto. Sem nada lá dentro.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:58 PM | Comentários (1)

SOMA FM @ iTunes Radio

Querem saber qual é o melhor canal de rádio que anda por aí? Eu digo. Chama-se SOMA FM e pode ser sintonizado utilizando o iTunes da Apple, em Alt/Modern Rock - Indie Pop Rocks! (128 kbps para quem tem uma boa ligação). É uma prenda.

Nomes? Eu dou nomes. Aqui vai uma lista do que ficou cá dentro a badalar:

Grandaddy - Summer Here Kids
Elliot Smith - Speed Trials
Sea and Cake - Flat Lay the Water
Monograph - Paper Museum
Velocity Girl - I Can't Stop Smilling
Edith Frost - Further
Dismemberment Plan - A Life Of Possibilities
Beatifics - Last Thing On My Mind
Elf Power- The Arrow Flies CLose
Boyracer - This Is a Part Of Me
Calexico - Black Heart
Pono - Supermarket Bliss
Sebadoh - Dreams
Starlight Mints - Matador
Velvet Teen - Caspian Can Wait
Shipping News - Contents of A Landfill
The Hang Ups - So We Go
Death Cab For Cutie - Line Of best fit
Ivory Library - Another Name
Interpol - Nyc
Apples in stereo - Glowworm
Folk Implosion - Fall Into November
Grandaddy - Lava kiss
Poussin - Boy Friend
Regia - I Believe
Trans Am - Stereo Situation
Neutral Milk Hotel - 10
Slowreader - Anesthetic for Amputee
The New Pornographers - Mass Romantic
Sleater - Jenny
Elf Power - Simon (The Bird Wih The Candy)
Sunny Day Real Estate - 8
Plus Minus - Trapped Under Ice
Interpol - Obstacle 2
Tullycraft - Josie
Sleater Kinney - Good Things
Tulsa Drone - Ironweed
All Girl Summer Fun Band - Girl 3
Tiger Trap - Supreme Nothing
Neutral Milk Hotel - Ghost
The Wannadies - Ball
Trembling Blue Stars - Old Photographs
Superdrag - Sold You An Alibi
Seam - Little Chang, Big City

Para o melhor sound player do mercado, para PC e para Mac. Não perca tempo. Mas também digo que o Moço de Recados é que é o especialista. Ele é que gosta destas listinhas. Também não esquecer outro especialista, está aí ao lado nas portas para os outros blogs: Error_404, um abraço para todos eles!

Afixado por Prusidente da Junta at 02:24 PM | Comentários (0)

Tempos depois

Nova apresentação. Nova rodada. Pago eu. Esta menina estava difícil de nascer. Só à custa de forceps. Milhões de forceps. Ei-la, finalmete. A receita é a mesma. Não perguntem. Tratem-na bem. E apreciem. Até logo.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:50 AM | Comentários (4)

Andando sem direito



O Mestre anda muito calado. Adoptou um regime de silêncio, de introspecção, de si para si. A examinar a sua consciência, a polir a análise, a mente, o sentir. Não sei o que se passa com o Mestre. Sei que as suas impressões nos fazem falta para digerir o mundo. Para engolir o tempo. Para pacificar o juízo.
À falta de sentidos temos sempre o sentido do Mestre, que nos ilumina as vestes, sem ele, sem o domínio do caminho, perdemos o andar, perdemos o destino. Estará vazio, o Mestre?

Afixado por Prusidente da Junta at 03:43 AM | Comentários (1)

março 02, 2004

Esqueci-me de anunciar



Foi um lapso, esquecer-me, da divulgação, a seu tempo, do fenómeno de criatividade, de invenção produtiva, que acabou de chegar ao nosso conselho administrativo. Seria motivo de celebração, de festa, de beberete, nas escadas da Junta, ou do que era a Junta. Perdoem-me. Perdoe-me, minha senhora, é da papelada, tapa-me a vista.
Está dito. Não façam perguntas. Pedidos sim, perguntas não. Tratem-na bem. E apreciem.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:50 PM | Comentários (14)

For the Love of Sophia

Vamos lá falar dos Óscares:

O Billy Cristal não teve piada nenhuma. O Peter Jackson não teve piada nenhuma, há quem diga que ele deve suar muito das mãos, pouco importa. A mulher dele é que falou bem, gostei muito de a ouvir. O Billy Cristal não teve piada nenhuma. As mulheres, as senhoras, as raparigas pareciam todas muito mais velhas, excepto a Julie Andrews que foi ressuscitada para esta ocasião. Gosto quando, de vez em quando, tipo onda ou maré, se ressuscita alguém só para compor o ramalhete. Não vi o Monstro. Mas vi o Billy Cristal e a mulher do Peter Jackson a falar. A Liv Tyler não sei o que me pareceu tinha um penteado terrível e pareceu-me mãe dela. E o Peter Jackson com as mãos a suar. Gostei da Sra. Jolie, da Sra. Lane, da Sra. Kidman, apesar de tudo, gostei do seu ar de estátua gélida, apesar do amarelo debaixo dos braços, mas decerto foi do registo cromático, dos zeros e dos uns. A Sra. Thurman enganou-se na festa, ela queria participar na sequela do Senhor dos Anéis. Pior que o vestido da Sandra Bullock, que parecia a mãe dela, só o da Vanessa Paradis e o da Jamie Lee Curtis, que parecia a avó dela, mas esta já anda nisto há muito tempo, também não teve piada nenhuma, assim como o Billy Cristal, que aliás não tem ponta por onde se lhe pegue. Mas quem trouxe os cortinados de casa foi a Ophra W., o símbolo da mulher americana, acho que foi o David Letterman que lhe desenhou o vestido. O tempo já está curto, tenho de terminar. Gostei, sim, da Sophia Coppola, não me interessa, gostei, gosto, simple as that. Como gosto do Tim Robbins, como gostei do Mystic River e de ouvir a mulher do Peter Jackson.
De qualquer modo, irritam-me os Óscares, nunca gostei do nome, como se o cinema se resumisse àquela meia dúzia de filmes. Àquela meia dúzia de actores. Vale pela ocasião, porque não há muito mais para ver. Ao menos, sempre dá para observar que o Jude Law não quer saber daquilo para nada e que o Johnny Depp quer parecer, a toda a força, que não quer saber daquilo para nada. Eu também não. Não me importa nada que o Billy Cristal não tenha piada nenhuma, problema dele!
Aliás, eu não percebo nada de Óscares!

Afixado por Prusidente da Junta at 08:05 AM | Comentários (5)

When Alien meets The Love Boat

Já agora, sobre o último "Lord of the Rings", continuo a achar, apesar dos prémios, apesar dos efeitos, apesar da herança, que é o filme mais palerma dos últimos tempos. Fui ver sim, na fila F, há uns meses atrás. Devia ter saído uma hora mais cedo, quando o filme terminou realmente, e não teria ficado com dores de estômago. Só fiquei para ver se os Frodos se beijavam na boca. Ou os bonzinhos se beijavam na boca. Ou se aparecia a mulher do Peter Jackson. Mas não. Ainda hoje, quando acordo, me dói o estômago.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:04 AM | Comentários (1)

Descendo as escadas

«Até hoje, meus senhores, ainda não me conheceram. Não será muito conveniente esclarecer as coisas aqui e agora. Apenas abordarei uns pontos sumários, de passagem. Há pessoas, meus senhores, que não gostam de subterfúgios e apenas põem a máscara para o baile de máscaras. Há pessoas que não vêem a vocação humana na habilidade de polir o parqué com as botas. Também há pessoas, meus senhores, que nunca dirão que são felizes e têm uma vida plena só porque, por exemplo, as calças lhe assentam bem. Finalmente, há pessoas que não gostam de andar aos pulos e de rodopiar em vão, de bajular e de lisonjear, e, sobretudo, meus senhores, de meterem o nariz onde não são chamadas... Tenho dito, meus senhores, e é quase tudo; permitam-me, agora, que me retire...»

«O Duplo» de Fiódor Dostoiévski

Afixado por Prusidente da Junta at 06:10 AM | Comentários (2)

fevereiro 29, 2004

In truth I say

Grandaddy Band


«...I'm OK
With my decay
I have no choice
I have no voice
I have no say
On my decay
I have no choice
so I'll rejoice
...»

by Grandaddy

Afixado por Prusidente da Junta at 12:35 PM | Comentários (0)

fevereiro 28, 2004

Comoroes com Furia

É preciso estar sozinho para ir aos sítios onde se está sozinho. Sozinho sou amigo dos sítios onde estava com os meus amigos. Agora são os meus únicos amigos, os sítios onde estou sozinho.

Quando estou sozinho peço a comida que pedíamos, os pratos todos, como se não estivesse sozinho. Como se não estivesse sozinho, como sozinho os pratos todos.

Lembras-te, o sítio da tua password? O pedaço de papel que trazias na carteira, que tinha escrito o que querias comer, o que gostávamos de comer. O que comíamos sempre no sítio da tua password?
E lembras-te do primeiro homem que nos escreveu muita coisa, que te escreveu o nome, e o meu, e que a partir dai usámos para sempre. Não por estar certo, mas por estar a acontecer, porque estávamos a conhecer, porque estávamos sozinhos?

Mesmo que fosse errado o que o homem nos dizia, o que escrevia, nós estávamos certos em usá-lo, porque estávamos a vê-lo pela primeira vez, a ouvi-lo, a conhecer, a acontecer, o homem, as palavras, as letras.
Lembras-te como guardámos o papel para sempre, com desenhos que fizeste, com as palavras do homem que ilustraste? Dobrávamos o papel. E eram as nossas primeiras palavras, os nossos primeiros desenhos. Os nossos nomes que guardávamos para sempre. Lembras-te guardámos para sempre. Sem o papel, guardámos para sempre.


E agora, quando tenho o prato à minha frente, que comíamos a fumegar, o prato quase a ferver, quase em brasa, a olhar para mim, a fazer desenhos de prato. Não é que me apeteça comê-lo, mas como estou sozinho como-o contigo. E a cerveja, lembras-te dela? Cerveja no sítio da tua password? Grande, como o nome que aprendemos facilmente?

E agora, com a comida na boca, sei que estás aqui, sei que o sabor é o mesmo. Sei que o sabor é o mesmo, é o teu sabor. Sei que estás aqui, porque estás sempre aqui com este mesmo sabor. Sempre que se está aqui, sozinho, o sabor é sempre o mesmo.

Porque hoje descobri que não tenho ninguém. Tendo alguém, não tenho ninguém. Ninguém como tu. Hoje percebi que não tenho ninguém como tu. Por isso vim aqui para estar sozinho. Sozinho, contigo.

Porque hoje descobri o significado, o significado do que fizemos quando chegámos. Com as malas, no final da rampa, em frente de coisa nenhuma, de algo que já não existia. Foi grande o que fizemos, foi tudo o que fizemos. Porque o que existe é estar sozinho. Nesta coisa nenhuma. Nesta coisa nenhuma que é a minha terra. Que descobri que era a minha terra. Que descobri que era a tua terra.

Olham todos para mim. Todos os olhos olham para mim. Porque pedi os pratos todos. Como-os como se não tivesse sozinho. Os pratos todos. A fumegar. Ainda. Sempre.

Porque hoje apeteceu-me morrer, porque hoje me apeteceu matar gente, toda a gente, todos os olhos de toda a gente. Porque hoje fui feio. Muito feio. Porque hoje sei que sou sozinho. Porque hoje sei que esta é a minha terra. Porque hoje sei que, no final da rampa, existe esta coisa nenhuma. Existe esta terra de ninguém que é minha. Que é tua.

E tu sabes que é tua. Porque foi aqui que nasci. Foi aqui que nascemos, tardiamente. Foi aqui que acontecemos. Tarde. No final da rampa. Com as malas. Sozinhos. Com o papel, os desenhos do homem, as letras dos pratos a fumegar.

Porque eramos testemunhas de nós. Eramos nós como testemunhas de nós. E hoje fui feio como sempre fui feio. Como sempre sou feio. Sem o papel mas com o nome guardado dentro de mim. O desenho do meu nome guardado dentro de mim. Neste sítio sozinho. Sozinho, contigo.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:28 PM | Comentários (8)

fevereiro 27, 2004

Strong

Acordei com um machado espetado na testa, mas na parte de dentro. Agora não sei como é que isto se tira. Ajudem-me.

Afixado por Prusidente da Junta at 01:33 AM | Comentários (3)

fevereiro 26, 2004

O Caminho Alto

Ser vassalo é ser palerma. É admirar, escutar, concordar sem consciência. É um sibilar mudo em sintonia disforme. É ser o outro antes do eu. É dar-se todo. É advinhar o outro. Estender-lhe os passos, a bandeja, as ideias. É abrir-se e deixar voar o cérebro. É dispor o destino ao destino. Ao destino. É obedecer sem ordem. É constituir-se arguido do seu próprio juízo. É induzir o reflexo.
Ser vassalo é ser tudo menos o próprio. É emprestar-se ao adiantamento. É algemar-se de livre vontade. É... o que quiserem.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:51 AM | Comentários (10)

Bloco

A dor não dura para sempre. Há um momento antes do sempre em que a dor termina. E já não dói mais.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:52 AM | Comentários (1)

fevereiro 25, 2004

Acabou-se!

Vendi-me, por muito pouco, ao investimento estrangeiro. O que lá vai, lá vai. Tivessem vido mais cedo.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:02 AM | Comentários (2)

fevereiro 24, 2004

Mais nada

Isto é o que se chama trabalhar para aquecer. Vou-me embora! Fiquem na Santa Paz do Crepúsculo, senhores ouvintes. Retiro-me. Para outras trevas!

Afixado por Prusidente da Junta at 09:44 AM | Comentários (2)

Cobertores

E o nevão na Serra da Estrela? Meu Deus. Que drama. Que holocausto. Tanto vento. Neve. Coisa fria. Pessoas perdidas. Três ou quatro pelo menos. E os escuteiros perdidos, os GNR's perdidos. E os senhores a comer nos restaurantes perdidos. A suarem opiniões. Os directos dos quarteis, das florestas, dos postes, dos camiões cisternas. Os directos. Meu Deus. Mas veja lá, não ficou perdido? A sua sandes não ficou gelada? Prove lá, veja bem, sinta, não acha que está gelada? Quantos autocarros viu passar? E escuteiros? E GNR's? E helicópetros?

Na Serra da Estrela havia centenas de jurmalistas perdidos à procura da notícia. A foguear o drama, o holocausto. A fingir que estavam com frio. Nas serras da estrela dos estúdios de televisão nacionais os jornalistas perderam-se nas sandes geladas. Nos escuteiros com o cú gelado. Nos padres. Nos ciprestes. Gelados. A darem largas à imaginação há muito tempo congelada. Tudo em prol do espelecretereaccatcatdor!!

Afixado por Prusidente da Junta at 09:16 AM | Comentários (15)

Não foge!

Esmurrei o carro da Junta. Foi sem querer. Distraí-me a olhar para umas pernas e com o pensamento que veio a seguir. Como o olhar não voltou para onde devia, esmurrei a viatura. Como se fosse de papel, o carro da Junta, amarrotou-se, encolheu-se, gritou. Ui! Incrédulo não queria acreditar nos meus olhos, que ainda não estavam lá. Não queria ver. Eu sei que o carro é da Junta, que tem arranjo, que se endireita, mas a sensação do momento que não devia ser momento ficou a latejar-me nas fuças. O senhor em quem bati, incrédulo também, face ao seu arranhãozinho invisível ao lado do meu amarrotanço, riu-se, encolheu os ombros e quase me pediu desculpa. Por estar no momento em que não devia estar. E afastou-se. É o carro da Junta. É para estimar. Eu, o Prusidente, embriagado na distracção, teimo em criar-lhe tatuagens, à frente e atrás. Coisas de muito pouca ordem. Mas que magoam, o orçamento sentimental. E, para além disso, fica mal, passar nas ruas da cidade, e as pessoas pensarem, lá vai o Prusidente com o seu carro amarrotado!

Não vai durar muito. É preciso preparar a viatura para qualquer visitante ilustre. Que se avizinha.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:26 AM | Comentários (0)

Simbolismo Contemplativo

Estava com o Lenhador. Mais o Chysky. Subíamos a rua, os degraus da rua. Com as nossas duas melhores amigas. Alegres. Todos nós alegres. As ruas alegres. Pessoas que subiam connosco. Outras que desciam. Outras que abriam as portas de casa. E fechavam. Outras com baldes. Outras com mangueiras. Outras aos gritos. Aos gritinhos. Nós subíamos. Todos nós alegres.

De repente. Salta para o meio de nós um bicho peludo. Um homem peludo, gigante, disforme, monstruoso. Torto. Que na sofreguidão do seu ser se atira à Luze, uma das duas nossas melhores amigas. O homem tinha uma cabeça enorme. Sem nada lá dentro. Só a sofreguidão do seu ser. Atirou-se a ela, encostando-a à parede. Rasgou-lhe a saia. A pequena saia escocesa. Com alfinete. Branca e preta. Aos quadrados. Com a mão encostada à parede por cima do corpo dela. Despindo-se da sua pele peluda, toda ela. Todo ele. Peludo. Disforme. Monstruoso. Sem conseguir falar. Sem conseguir grunhir. Só força. Só sofreguidão. Torto.

Saltei com o Lenhador ao mesmo tempo para cima dele. Para cima do pêlo. Ele, encostado à parede, encostado a ela. Ele a cair. O Lenhador também. Eu encavalitado, a bater-lhe na cabeça. Com um descascador de fruta. De plástico. De fruta gigante. Um descascador de plástico gigante a bater-lhe na cabeça. Na sofreguidão do meu ser. Disforme. Sem conseguir grunhir. Eu. Todo eu ele. Todo eu monstro. Peludo. Ele a cair. A morrer. A morrer num beco escuro. Eu com o descascador intacto, cheio de sangue. Eu todo eu cheio de sangue. Dele. Todo dele. O Lenhador em pé. Ele no chão monstruoso. Monstruoso. Num beco escuro. Caído. Sem conseguir grunhir. Sem nada dentro da cabeça. Sem sangue.

Descemos. Esquecidos. A tentar esquecer o beco escuro. A Luze com a sua saia escocesa. Com o alfinete a brilhar. Tão bonita. O Lenhador com duas cervejas na mão. Na outra mão um shot de tequilla. Eu com o instrumento para a fruta, escondido dentro de mim. A precisar de ser escondido fora de mim. A precisar de ser derretido. O plástico. O sangue.

Fugi para o bosque. Por detrás das casas. Nas traseiras das ruas. Onde as pessoas abriam as portas. Com baldes e mangueiras. No bosque. Na parte de trás das casas, sem portas. Só paredes escuras. Longe. A arma do crime a precisar de ser desfeita. Queimada. Eu a adormecer no bosque. No meio do escuro. Desfeito. Aos quadrados brancos e pretos. Tão bonitos.

A escuridão a ser queimada. Com o dia a amanhecer. Eu no bosque. Com medo. Pavor. Pânico. A querer enterrar-me. A ver o homem peludo ao longe a correr. Monstruoso. A ver o Lenhador ao fundo a correr. O Chysky. A Luze. Todos a correr em direcção a mim. Eu a acordar. A pôr-me de pé. A fugir. Para cima de uma árvore. A fugir para outra. E para outra. E para outra. E para outra. Sem saída. No bosque queimado pela manhã. O monstro a chegar. Eu sentado numa mesa. Grande. Numa clareira grande. O homem peludo a falar comigo. A sorrir. Com a sua cabeça. Cheio de vida. Lembras-te quando me mataste? Lembras-te quando me mataste? Foi tão bonito. O monstro a falar comigo. A falar escocês comigo. A sentar-se ao meu lado. A brincar comigo. Todos eles a sentarem-se. A trazerem comida. O Lenhador a trazer cervejas e shots de tequilla. Para todos. A Luze a sentar-se ao meu lado. A dar-me beijos. O homem peludo a dar-me beijos. Todos em festa. Todos nós alegres. Sentados.

Por ter salvo o homem da sofreguidão do seu ser. Por o ter morto. Por lhe ter dado vida com a morte. Por lhe ter dado a manhã queimada com o plástico da sua morte.

Todos nós alegres. Todos nós pessoas alegres. Cheios de vida. Sentados.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:15 AM | Comentários (0)

U Turn

Avisam-se os senhores passageiros que a linha editorial desta coisa a que designamos por blog vai mudar. Mudar para muito pior. Se já era mau, preparem-se porque vai para além da qualidade zero. Vamos ser o ground zero destas coisas que andam por aqui, nesta esfera do mundo todo ligado. Não quero saber. Nada importa, é descer até à cave, abraçar os ratos e as cavernas de monstros e ficar por lá a rebolar. Feios. Ratos. E Maus. A Junta a partir de hoje vai ser um calabouço. Uma masmorra húmida nos confins da terra toda ela ligada. Mortos. Sim. Um blog de mortos. O primeiro.

Quem quiser que me acompanhe. Falo por mim. Os outros que se decidam.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:56 AM | Comentários (0)

fevereiro 23, 2004

A Densidade Popula

Estão 3 Online, que multidão!!! Vamos fazer uma festa, uma orgia, uma manifestação?

Afixado por Prusidente da Junta at 02:35 PM | Comentários (3)

Tabuada Simples



Imaginem. Vão ao mercado para comprar uma peça de fruta. Quando lá chegam reparam que há muito poucas peças de fruta. Três ou quatro que se podem comprar avulso. Outras seis que se podem comprar em conjunto. Uma custa 95. No conjunto das seis, cada unidade custa 93. Mas só precisam de uma. No entanto têm dinheiro para comprar o conjunto das seis. O mercado está a fechar e no final do dia não há fruta nenhuma para comprar. O que fazem?

Compram o conjunto das seis. E quando a fruta acaba põe à venda por 97 só cinco peças, ficando com a outra que precisam. Vendem tudo em pouco tempo.

Resultado. Levam a peça de fruta para casa por 67!
Agora imaginem ter comprado a 88 e ter esperado mais uns tempos e vendido de novo a 100. Multipliquem por milhões e pensem que estão ricos...

Afixado por Prusidente da Junta at 11:13 AM | Comentários (1)

Ajuda para sair

Tive uma revelação. A vida muda. Eu mudo. Em silêncio. Para outra vida. Velado noutra relação. Entre muros. Os meus muros. Que mudam. Comigo mudo em silêncio. Na exposição de uma outra vida. De outro rumo. Outra direcção. Outro caminho. Mudo para outro mundo. Em absoluto silêncio. No meu muro de silêncio mudo.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:04 AM | Comentários (1)

fevereiro 20, 2004

Perdido em combate

Não consegui largar a papelada. Ela não conseguiu largar-me. Ossos do ofício.

Afixado por Prusidente da Junta at 12:30 PM | Comentários (2)

fevereiro 19, 2004

The Blues and stuff

«Texas that´s where i
Belong
It seems to me...
»

Afixado por Prusidente da Junta at 12:33 PM | Comentários (9)

Já agora...

Acham que Istambul é um bom sítio para dar o nó? Ou preferem Cabul?

Afixado por Prusidente da Junta at 12:29 PM | Comentários (5)

The buzzzzz

Diz ele que é uma vontade de quatro. Como se tivesse rendido. Quatro que têm tanto de igual como o preto e o laranja fluoroscente. Está doente, o homem. Passou-se. Como um parafuso e uma sandes de queijo. Ainda para mais, ainda para mais, na Rússia. Um tremoço e uma camisola de lã. E o gato? Não perguntaram ao gato? Não seria antes uma decisão de cinco? É que assim sempre daria para desempatar! Será que vêm aí as invasões e é preciso fugir para a montanha?

Afixado por Prusidente da Junta at 12:27 PM | Comentários (2)

Armados em bailarinos

Hoje fiz uma visita a um quartel, não sei a que propósito, mas lá me convidaram e eu, com o rabinho entre as pernas, contrariado, lá fui. Uma escola quartel, com toda a rigidez do que é ser militar. A tábua rasa do ser humano. Tão rasa que rasteja pelo chão e ainda se ri. Com que finalidade existem militares, pergunto-me eu, sempre que vejo espectáculos como estes. Tenho a impressão que estar preso ou suportar a rigidez da hierarquia militar é quase a mesma coisa. Põe-se o humano de parte e o que resta torna-se um número, um brinquedo, que se mexe como se quer, um bocado de qualquer coisa, como um cão. Senta-se. Rebola. Salta. Vai buscar o osso. Tudo num estalar de dedos. E ainda se riem de contentamento. Que se pede de um militar, acima de tudo, que obedeça? Que dê a vida pelo chefe? Um soldado, um número, um cão, é um pedaço de qualquer coisa. Vê-los a marchar, todos em conjunto, parar, marchar, hop, apresentar armas, esquerda volver, marchar só com uma perna, sem as pernas, marchar, marchar; os números todos a marchar, cães a ganir em silêncio, pedaços de qualquer coisa que riem entre os dentes, hop, hip, hop... é a coisa mais deprimente que se pode ver. Mas eles riem-se... enfim...

Afixado por Prusidente da Junta at 12:15 PM | Comentários (1)

fevereiro 18, 2004

Ao salvador do nado

Quantas vezes morri afogado? Duas, talvez três. Ainda me lembro. Atirava-me para a água e, sem me aguentar, a bracejar que nem um pato, ia ao fundo. Atirava-me para águas profundas, a pensar que ficava a boiar, que não tinha peso para descer. Errado. Ia ao fundo e morria. Ia ao fundo e não existia mais nada. Só água escura, no fundo da minha inconsciência. Havia sempre alguém que saltava depois de mim, a quem devo estar aqui hoje, o meu irmão mais velho, nadador versado, ou outro anfíbio qualquer. Que pegava em mim e me tirava dali. Não sei se me saltavam em cima, se me faziam respiração artificial, se me davam pontapés na mona. Normalmente acordava no chão de uma casa, aos soluços, como se nada tivesse acontecido. A olhar o olhar dos outros, petrificado. A pedir um chocolatinho. Grandes tempos.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:47 AM | Comentários (2)

Doente de Casas



Mais uma vez é preciso mudar de sítio, ir para outro lugar, não se sabe onde, longe, perto, não me compete decidir. Não posso. Só existe a certeza da mudança, que me trespassou como uma vara de ponta a ponta e agora que me lixe. É como eles quiserem.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:47 AM | Comentários (0)

fevereiro 17, 2004

Mais tarde

Vou -me ausentar. O último que apague a luz...

Afixado por Prusidente da Junta at 04:52 PM | Comentários (1)

Felizmente

Por cima de uma Junta há sempre uma Câmara. Em cima de um Prusidente de Junta está sempre um Presidente de Câmara, infelizmente. Não se pode evitá-lo, faz parte da constituição. Está escrito. Nos anais da República. No entanto, para aliviar, o meu Presidente, seja ele qual for, tem o ensejo de se lançar a outras lides. Deve ser do lugar, que começa a aquecer, e a mania de se candidatarem a outra Presidência começa-lhes a subir ao nariz. Tanto sobe que começa a entornar. Eu acho bem. Assim escuso de o aturar mais tempo. Ficamos os dois felizes. Se o país fica feliz, isso já é outra história.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:37 PM | Comentários (0)

À entrada da garganta!



Se me apetece estar calado, para quê ouvir? Ruídos, barulhos, berros, estalidos, para quê? Nós os podem calar? Roubar-lhes a fonte de energia? Enfiar-lhes uma martelada mesmo no meio do tímpano? Serrar-lhes a amígdala com uma escova de dentes? Ou com uma fola de papel, para ver se gostam? Não? Há multas para tudo, não podiam arranjar uma para os ladrões do silêncio? Um imposto?
Calem-se, por favor!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:30 AM | Comentários (0)

fevereiro 16, 2004

O Prusidente está lasso!

O Prusidente não está para aqui virado. Deu-lhe uma coisinha má que lhe deixou os membros lassos. O Prusidente sente-se atípico e não pode vir cá hoje. Perdoem-me, fica para qualquer outro dia.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:47 AM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2004

Scarlett Vermeer Johansson



Toda a vida vivi com este quadro. Perto de mim. Como toda a vida vivi perto de quem o tinha. Que não vivendo. Vive sempre perto de mim. Dentro.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:19 PM | Comentários (4)

fevereiro 13, 2004

...

Não consigo mais... tinha tanto nada para dizer.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:28 PM | Comentários (1)

Pêssegos



Amanhã, acredita, é outro dia, não está ninguém, ficamos sós. Tudo desaparece, com medo. Medo de ti, de mim. Matam-se. Por ti, por mim. Fogem. Para muito longe. Ficamos sós. Todos os amanhãs.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:18 AM | Comentários (1)

ABRIL XP 2.5

É preciso lembrar, avivar a memória de tempos idos. Trazê-los de novo para perto. Para que o tempo fique registado para sempre. Com os pés no futuro criámos esta nova categoria. Aberta a todos. Fica aqui, na nossa Junta, para não se perderem. Para continuarem a ter sentido. Para viverem em paz. De espírito.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:22 AM | Comentários (0)

Is on his way

«The bogus man is on his way
As fast as he can run
He´s tired but he´ll get to you
And shoot you with his gun

Focussed his mind
On something he cared about
But it came out a shout
Just like before

The bogus man is at your heels
Now clutching at your coat
You must be quick now hurry up
He´s scratching at your throat

Concealed his doubt
By skilful evasion
But he couldn’t find out
About deception

The bogus man is on his way
As fast as he can run
He´s tired but he´ll get to you
And show you lots of fun
»

«The Bogus Man»
Roxy MusicFor Your Pleasure ») 1973
letra de Bryan Ferry

Afixado por Prusidente da Junta at 05:15 AM | Comentários (0)

O Remontar da Lêndea



Logo de manhã, telefonei ao Presidente da República. Ainda estava a dormir, era cedo, mas sou dos poucos que tem o seu número de telemóvel. Só para emergências - disse-me ele. Era demasiado cedo. Mas logo percebeu que a coisa era grave. Jorge, é hoje, não há tempo a perder. Acciona-me a máquina! Passados quinze minutos, talvez dezoito, liga-me ele. Prusidente, já engrenei a primeira.
Então ficou marcado para hoje. Passei toda a manhã a fazer cartazes. Com palavrões garrafais. Vou com o Presidente, lá para as quatro da tarde, em direcção à Assembleia da República, combinámos no leão do lado esquerdo. Ficamos em aceso protesto até ao lusco-fusco. Até que a voz nos peça para parar. Até que o gás lacrimogéneo nos atordoe o palato. Que as mangueiras nos reguem o coração. Depois partimos para o Marquês, via Bairro Alto, Camões, Rossio. Paramos em todas as estações e apeadeiros. Tascas podem ser examinadas, só para ganhar balanço.
Acabo de receber outra ligação de Belém - Prusidente, já está em segunda mais-mais. Vamos a eles.
Quem quiser que se junte a nós. Sabem onde encontrar-nos. Vamos a eles!!

Afixado por Prusidente da Junta at 03:38 AM | Comentários (6)

Como dar uma queda

É preciso estar lá em cima. De algum modo é preciso subir. Três quatro degraus será o suficiente, desde que se atire de cabeça, impulsionando todo o corpo para a frente, como se fosse uma esfera. No infinito que vai do impulso ao contacto com o chão há sempre tempo para reconsiderar o ângulo, aponte bem, não faça por menos, aponte para a desfiguração. Irá sentir-se muito melhor.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:21 AM | Comentários (0)

O Capitão Boa Parte

O sonho faz de ti um homem. Leva-te para o céu, a cavalo na tua musa. Perdes o tempo a cacetear dragões, ladrões, invasores lendários. Lanças-te ao rio para banhos de peixe fresco. Na procura sôfrega do cadáver do poeta. Que vive uma longa vida gratuitamente. Algures. No teu sonho.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:52 AM | Comentários (1)

fevereiro 12, 2004

Chanel à Brás



Foi reposta a veracidade do que quer que seja. Aviem-se com ela. Estão contentes? Aqui vive-se democraticamente. Todos gritam, todos se espantam. Há regras? Não sei. Será um bog (sim bog... não m'enganei) uma rebaldaria (em itálico)? Digam-me vocês.
Onde se lê Prusidente da Junta, em baixo, leia o que lhe apetecer. Thanks.

Afixado por Prusidente da Junta at 11:28 PM | Comentários (2)

Agarrem-no senão matem-no



Parece que temos aqui uma revolução. Gosto de revoluções. Estava a ver que nunca mais apareciam, mas vamos por partes.
Senhor, Mestre, caso não saiba a nossa Junta possui um revisor de texto e um departamento gráfico, foi algo que não lhe expliquei, perdoe-me. São eles que às vezes limpam os gabinetes. Retiram-lhe as baratas e o pó acumulado. No entanto, acontece que, por vezes, limpam demasiado. Não têm cuidado. O revisor é dado a automatismos morfológicos, digamos que é uma máquina a rever sílabas e letras miúdas, por isso dê-lhe o desconto. Por mim, já lhe dei um puxão de orelhas. Mas proteste sempre, venha ao meu gabinete e revire-me a papelada toda, se for caso disso. Não quero que tenha alguma apoplexia, senhor.
Quanto à segunda parte, quando se refere ao poder. Senhor, Mestre, na minha humilde opinião, creio que pisou um certo risco ao ter esse comportamento títulocentrico (está em itálico, lá está a mão do revisor...), o que me deu a cheirar, ao chegar-se à frente dessa maneira, foi que V. Exa. tem sede de poder. E como tal não quero que fique seco. Vai daí, meu Mestre, deLEGO-lhe a prusidência da Junta. Faça dela o que quiser. Estenda-se ao comprido, dispa-se, parta a loiça toda. Beba à vontade, até cair para o lado. Sossegue.
Para finalizar digo-lhe que quando o convidei a ocupar essa cadeira foi com a esperança que da sua veia saíssem todos os ensinamentos que o percorreram ao longo da vida. Que de alguma forma nos tornasse seus testemunhos. Se quer gritar e espumar da boca, está bem, sempre é uma opção. Sua. Até sempre.
Onde se lê Prusidente da Junta, em baixo, deve ler-se outra coisa qualquer.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:09 PM | Comentários (1)

fevereiro 11, 2004

Pteridófitas



Deixei-o ir sozinho. Até chegar aqui e cair. Não aguentava mais, nem mais um milímetro. Nem mais um milésimo de milímetro. Consumido como um peixe vivo. Neste pântano luminoso. Longe da minha reserva natural. Deixei de poder desempenhar-me. Caí luminoso neste pântano. Com as guelras atadas de espanto. Sem equilíbrio. Sem a pose da espécie que represento. Nem por diploma vou conseguir sair daqui. Nem com a ajuda de cem mil elefantes. Cem mil qualquer marca de guindastes. Cem mil coisa nenhuma. A minha reserva natural. Não se levanta. Neste mangal de sete espécie de anfíbios. Neste terreno húmido de microbiais, cheio de Egrettas garzettas e de algumas Ardeolas bacchus. Não funciono, roubaram-me o manípulo que me dá corda. Nem a lei da bala me leva para longe. Nem daqui a sete mil milhões de anos conseguem descolar-me do colo do chão.

Eu não quero!

Afixado por Prusidente da Junta at 08:55 AM | Comentários (4)

Andar nos meus dentes



Vês? É aqui que tens de acertar. Não custa nada. E eu não peço mais.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:51 AM | Comentários (6)

O Capital

Se fosse uma pessoa normal tinha dez vezes mais dinheiro do que tenho.
Se fosse poupado teria vinte vezes mais.
Se investisse como deve ser teria trinta vezes mais.
Se não tivesse problemas de memória teria quarenta vezes mais.
Se me filiasse em algum partido teria cinquenta vezes mais.
Se me casasse com a filha do merceeiro teria sessenta vezes mais.
Se fosse corrupto teria setenta vezes mais.
Se fosse dirigente desportivo teria oitenta vezes mais.
Se fosse traficante teria noventa vezes mais.
Se fosse amigo do W. Bush teria cem vezes cem vezes mais.
E por aí fora...

Afixado por Prusidente da Junta at 03:02 AM | Comentários (3)

Ontem

Encontrei-me com o Moço e o Mestre. Apanhámos o mesmo autocarro, por acaso. Em diferentes paragens. O Mestre a queixar-se, que precisava de descanso. Eu a dizer para se reformar. Ele a responder, sim, vou para o Ribatejo. Eu, vai para um sítio que eu cá sei. O Moço, a dizer também quero.
A segunda cena somos nós na Quinta da Serra, sentadinhos, lá fora no empedrado do jardim, a apanhar sol. A ouvir a brisa, a beber um refresco. O Moço a dizer que aquilo é que é vida. Eu, a vida ainda está para vir.
Começam a chegar carros com raparigas que se enganam e vão ali parar. Outras raparigas que saem da casa, com ar de quem acabou de acordar. Com casacos de pijama de seda, sem mais nada por baixo. Eu a subir ao primeiro andar, a cruzar-me com mais raparigas, acabadas de sair do banho, nuas, o toque da pele na minha, desculpe, a casa de banho, com tartes e restos de tartes espalhadas pelo chão. Como se fossem velas. Eu, são de quê? Esta conheço.
Eu e a minha rapariga, aos beijos na parte de dentro, encostados à porta, com a porta a bater, com raparigas que queriam entrar. E ela: tão bom....

Afixado por Prusidente da Junta at 02:52 AM | Comentários (2)

fevereiro 10, 2004

5.16

É tarde, eu sei. Não posso evitar. À volta do mundo o abandono morde. E a lua com a sua calma de abandono mata-nos, sem pedir licença. Faz parte da tradição. O mundo, a lua, a morte. O abandono.

Afixado por Prusidente da Junta at 09:28 PM | Comentários (3)

Piiiiiiiiiii

Site promocional do livro "A Vida de Pi" do escritor Yann Martel. Experiência única de interactividade, para ligações rápidas. Seleccione a versão full screen e seja paciente. Preparado? Não tenha pressa.
É aqui: A Vida de Pi.

(produzido por Screenbase)

Afixado por Prusidente da Junta at 03:40 AM | Comentários (5)

fevereiro 09, 2004

Accident just waiting to happen

«...make me a present
make it something sweet
small enough to go unnoticed and big enough to complete
...»

Afixado por Prusidente da Junta at 04:45 PM | Comentários (4)

0.00

Estou nas montanhas. Fugi ontem de noite sem ninguém dar por isso. Fugi por fugir, só porque me apeteceu fugir. Não há razão para aqui estar, apenas a esperança que as montanhas sejam o ultimato da minha fuga. Agora perdi-me, mas não vou entrar em pânico, não é preciso. Perdi-me às voltas à procura de qualquer coisa, que me passou pela cabeça e, que já esqueci. Estava a fumar um cigarro, ali ao pé de um monge com uma camisola que dizia Ostrogodos FFC, mas de repente, distraído, enganado pelo olhar e pelo cansaço, desnorteei-me. Ele desapareceu e eu ZUCA, perdi-me. Sentei-me aqui onde ainda estou sentado, agora. Não me levanto. Não preciso, mesmo no meio da montanha. Fico à espera que passe qualquer coisa, por mim, um Ostrogodo FFC, ou pela minha cabeça, e me faça levantar e dar largo às pernas. Talvez a galope na síntese da escuridão.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:39 PM | Comentários (1)

fevereiro 08, 2004

Lava Kiss

«...Volcanologists say
they were the best
they were unlike the rest,
fearlesness
boundariless,
togetherness...
»

Afixado por Prusidente da Junta at 05:06 PM | Comentários (0)

327 Santos Automáticos

Não te posso dizer mais. A terra fria esgota-me. Rompe-me até à alma. Que já não tenho. Foi-se com os últimos ventos. Deixou-me sem caminho. Substituído por nevoeiro que me deixou em espelho. Com o meu reflexo negro. Na luz escura do teu negro. Um espelho de não dizer mais. De terra fria. Que volta com todos os ventos. Com todos os nevoeiros. Nas luzes queimadas com todos os negros do universo. Com todos os todos de não dizer mais. Sem romper. Sem reflexo. Nem o espelho do nevoeiro. Nem. Sem. Nem. Sem. Nem. Sem...
Alma?
Como os últimos. Que já não tenho...

Afixado por Prusidente da Junta at 05:05 PM | Comentários (0)

A frase só contém erros

Não tenho vida. Por nenhum dos poros. Não tenho nada.
Sou gordo e mal amanhado. Magro e horroroso.
Sou uma besta. Cúbica. Eleva ao extremo da estupidez.
Sou um monte de porcaria. Que para aqui anda. Para aí. Sem lugar para cair.
Morto.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:12 PM | Comentários (3)

fevereiro 07, 2004

Desculpem-me!

Hoje estou de folga!! E acho que não sou só eu! Estamos todos fora. Away. Até um dia destes.

Afixado por Prusidente da Junta at 02:32 PM | Comentários (2)

fevereiro 06, 2004

Parabéns e Muitos Anos de Vida

O Mestre celebrou hoje mais um aniversário. Já lhe deram os parabéns? Já lhe passaram a mão pelo pêlo? Sim, pelo pêlo!

Afixado por Prusidente da Junta at 11:54 PM | Comentários (5)

Muchachas, furgonetas y caramelos

Vivi durante alguns anos da minha vida colado a Espanha. Os primeiros anos da minha vida, parte dos segundos e raramente nos terceiros. Habituei-me a eles, aos espanhóis, nuestros hermanos. Que por boa hora se transformaram em família muito antes de eu nascer.
Um dos irmãos do meu avô, o único que tive, fugiu para Espanha, talvez porque tinha fome de qualquer coisa, talvez para fugir à fome que tinha deste lado da fronteira. Enamorou-se. Casou. Tornou-se Espanha. Do lado de lá.
Durante um ano da minha vida li tudo o que havia para ler sobre a Guerra Civil Espanhola. Para mim o outro país ibérico que não o nosso parou aí. Deste lado. Do meu lado. Onde vivia. Chegavam, no entanto, todo o tipo de influências. Via hertziana, via as curvas da minha prima, descendente da fome vivida meio século antes. Está bem. Não me consigo explicar. De repente começaram a chover memórias e já não me consigo compreender. Não consigo estender-me, perante vós, meus queridos. Minhas queridas. Vou reiniciar.

Um momento!

Numa das últimas vezes que estive daquele lado da fronteira. Depois de uma festa de arromba numa terreola de província. Fui trespassado, sem tirar nenhuma peça de roupa, por uma rapariga espanhola, que num inglês manhoso se estendia ao comprido na palavra fúquemi. Fúquemi? Seria japonesa? Já não sei. Fui salvo por uma carrinha de caixa aberta que a levou para onde nunca mais a vi. Para uma terreola no lado de dentro do meu corpo, chamada Alto Desconocimiento. Durou trinta segundos, se tanto. Ainda hoje estou para perceber a razão porque não durou uma hora, por exemplo. Maria del Pilar? Não. Esse é o nome da minha prima.

Também não era isto. Desculpem. Volto mais tarde. Não se esqueçam: Espanha. Lembrem-me, si de manera me olvido.


Afixado por Prusidente da Junta at 08:41 AM | Comentários (1)

Extraordinariamente Azul

Agora já não posso esperar. Não o fiz. E não posso ficar mais tempo. Desligo-me sem aviso. Nada fica cá dentro. Quando acordo. Tudo volta ao ponto de partida. Como se nada tivesse acontecido. Nada do que tivemos. Aconteceu. Nem o resumo do teu olhar. Nem o solo do teu vulto. Quem és tu?

Afixado por Prusidente da Junta at 07:27 AM | Comentários (3)

Levita-me

OOhh... ontem depois de elas adormecerem, já tu estavas a dormir, dei-te beijinhos. Fiz-te festinhas. E não te roí os calcanhares. Deste por isso?

Afixado por Prusidente da Junta at 04:59 AM | Comentários (1)

fevereiro 05, 2004

Ficheiros de Programas

Esqueci-me. Diariamente me esqueço. Preciso de deixar marcas. Bocados de passado espalhados, por onde passo, para me lembrar. Para conseguir viver. Mas mesmo assim, no momento em que devia lembrar-me, esqueço-me. É o declínio, desde o dia do meu nascmento. Já não me lembro quando.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:59 PM | Comentários (1)

O Pensar do Espírito

Entrevistaram-me, ontem, pelo telefone, para um jornal local. Não costumo falar com ninguém dos jornais, ou seja lá de onde for que tenha o rótulo de imprensa, escrita ou falada, apenas com os amigos, era este o caso. Quando não têm mais nada para fazer, telefonam-me. A querer escutar a minha opinião. São amigos, dou o desconto, dou cinco minutos do meu tempo, pelo telefone.
O problema das entrevistas é que não as queremos dar, não nos interessa distorcer com outra pessoa aquilo que tentamos pensar quando nem lá estamos, quando a nossa mente anda a vaguear por outro sítio qualquer. Às tantas, não é preciso esperar muito, talvez meio minuto, já estamos a desconversar. Já estamos cansados de tentar dizer, aturdidos com o tom que vem do outro lado, qualquer coisa que faça sentido. E nada do que dizemos tem pernas para andar. É apenas uma reacção, um estímulo de rejeição. Porque somos amigos, não o mando para onde deveria ir, a correr. Porque somos amigos, faço de parvo. Finjo que não e que sim ao mesmo tempo. Mas o tom mantém-se colado ao fio, como se eu quisesse responder, como se estivesse interessado. Mesmo um pouco preocupado. Nada disso. Como somos amigos digo-lhe que nem faça referência ao meu nome. Porque não disse nada. Porque não estava lá. Só fiz um favor, pequeno.
Quando hoje peguei no jornal e vi ficcionado parte do que disse e não quis dizer misturado com outras palavras perdidas, vindas do sítio para onde devia ter mandado o meu amigo, só me resta pensar que a objectividade não vale nada. Que a base da realidade diária é construida num mundo imaginário, no terceiro mundo do planeta Racíocinio. Que a percepção vive no ruído do juízo. No que está a menos. É preciso criar banalidades sumptuosas para que o mundo seja compreendido. E pergunto eu, para que estudam estes senhores? É o que lhes ensinam ou é a realidade do mercado que os castra e os torna reis da incompetência?

Afixado por Prusidente da Junta at 08:30 AM | Comentários (3)

Quando a carpete encontra as cortinas

Foi a primeira que apareceu. No meio da rua. Nem me lembro da cara. Sei que tinha um cabelo russo, perdido numa cor qualquer, e os seios hermeticamente fechados. Nem tinha passado por ela já a estava a agarrar, por todos os lados. Não se tratou de uma violação apenas atalhámos caminho. Apenas um desvio. Ainda a coisa não tinha começado já eu estava ajoelhado entre as pernas dela. Toda ela encostada à parede num nicho que, por acaso, apareceu no meio da rua. Depois ela encostou-se a mim. Encostou-se tanto a mim que passou a fazer parte do meu corpo. Por momentos tornámo-nos um só corpo. De um animal qualquer sem nome. Um bicho. De quatro patas. Sem forma. Mutável a todo o segundo. Fomos um bicho sem forma naquele nicho de rua. Naquele escuro talvez nem lhe tenha visto a cara, apenas a tempestade de cabelos revoltos e o sabor do sexo. Cru. Se lhe tivesse visto a cara não a teria esquecido. Teria ficado gravada dentro de mim. Também não importa. Éramos apenas um bicho. Que se transformou de novo. Que voltou a andar com duas pernas para cada lado. Que não se despediu. Que nunca mais se viu.

Afixado por Prusidente da Junta at 07:59 AM | Comentários (2)

Fill it up

«Tore open a package it was an empty box
No meaning to me just an empty box
Sender was a woman
Sender was a woman
She said she's sending me everything that I never gave her before
She said fill it up and send it back
Fill it up and send it back
So I send her back an empty box
A big mistake sent back an empty box
Half in the shadows half in the husky moonlight
And half insane just a sound

I crossed into a valley a valley so dark
That when I look back I can't see where I began
I can't see my hands
I don't even know if my eyes are open
In the morning I was by the sea
And I swam out as far as I could swim
Until I was too tired to swim anymore
And then I floated and tried to get my strength back
And then an empty box came floating by
An empty box and I crawled inside
Half in the shadows half in the husky moonlight
And half insane just a sound in the night
Half in the shadows half in the husky moonlight
And half insane just a sound
»

(entre para ouvir...)

«Empty Box» by Morphine

Afixado por Prusidente da Junta at 03:37 AM | Comentários (1)

fevereiro 04, 2004

Não me apetece, agora.

Há uma voz que me chama, está cá dentro, aos gritos. A pedinchar. É a voz da disciplina, do objectivo, a que nunca liguei. Põe-se de joelhos, a rastejar dentro de mim, à espera que me vá embora para onde ela diz. A voz da verticalidade humana sem erros, que estou cansado demais para ouvir. Permanece cá dentro dias a fio. Faço-lhe frente com o aleatório que me suporta. Com a falta de síntese. Com o rídículo que me rodeia. Sem prova de passado. Sempre actual, viva. A voz que me rouba a memória, que me crítica. Não acredita em mim. Berra sem parar. Não me dá tréguas.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:43 PM | Comentários (3)

Coletes

As forças de bloqueio começam a alastrar as suas redes. Introduzem-se pela calada, sem ninguém dar por isso e de repente ZÁS! Foi-se o paraíso. É preciso estar atento. É preciso ir contra. É preciso o protesto. Até ao último homem!

Afixado por Prusidente da Junta at 08:46 AM | Comentários (2)

Estradas com Muito Sentido

Lime nasceu perto de Pisek, num lugarejo chamado Horni-Záhori. Purple vem de Tábor. Entre as duas fica Bernartice, onde ambos se encontravam para discutir. Para debater ideias. Lime era sempre o primeiro a ligar, pegava no telefone e dizia 'vamos discutir'. Era um impulso imediato, agarravam nas bicicletas e faziam os vinte quilómetros, distância para ambos os lados, em pouco mais de meia hora. Sentavam-se na praça principal, fizesse sol ou neve. Purple falava, Lime ouvia, atento, tirando notas que escrevia na escuridão do cérebro. No fim discutiam, por vezes envolviam-se fisicamente, por falta de adjectivos. Mas na maior parte do tempo estavam calados a controlar o tempo. A olhar para o ponteiro dos segundos, imaginário, que circulava na torre da Igreja. Ouviam a calçada e, por baixo da calçada, ouviam a terra, que gemia de dor. Apertada. Ouviam os outros que estavam também à espera de os ouvir. Calados na mesma praça, com as mesmas bicicletas. Vindos de terras adjacentes, a vinte quilómetros de distância. Foi a partir daí que, mais tarde, se formou o chamado, porque não tinham nome, Grupo de Bernartice. Poetas e carpinteiros que se juntaram para libertar o país das amarras do marasmo. Com o país libertaram-se eles. Libertou-se a praça.

Afixado por Lime & Purple at 07:52 AM | Comentários (0)

Aviso!

Para os felizes utilizadores de browsers da Apple, o espectacular Safari, a Junta tem o prazer de anunciar que garantiu o certificado ISO 9999 que permite a visualização do nosso blog sem problemas de maior, sem a necessidade de dobrar o monitor. Sejam bem vindos senhoras e senhores Mac! É com fervor que os abraçamos.

Afixado por Prusidente da Junta at 06:49 AM | Comentários (0)

fevereiro 03, 2004

Obstáculo 453GK

Atravessei a ponte. A pé. Ontem de madrugada. Precisava de sair e entrar de novo. Deixar a cidade entrar em mim. Muito devagar. Sentir-lhe o pulsar.
Entrar de novo. Pela primeira vez. Tornar-me desconhecido. Peregrino. Dentro de mim.
Forasteiro. Dentro de mim. Pela primeira vez.
De longe, a cidade vive. Amanhece. Serena. Com outra cara. Que não se distingue. De dentro.
Vim devagar. A olhar o rio. A querer saltar. A querer ir depressa. A querer voltar para trás. Para nunca mais voltar.
De fora. Olhei-me. Na cidade. No rio. Na ponte. Tornei-me desconhecido. E voltei. Para dentro.

Afixado por Prusidente da Junta at 03:59 PM | Comentários (3)

Alta Costura

Cavaco Silva, meu Deus, ouvi-o falar. Está pior do que estava. Saliva mais, a tremular a língua dez vezes mais do que anteriormente, quando era chefe do governo. Mantém o sorrisinho ignóbil, hirto, que lhe ficou cravado desde essa altura. Mas ouvi-lo falar, isso sim , dá-me volta ao estômago. Não é que eu fale melhor, isso não vem para o caso. Foi como um murro, não estava à espera. Tem-se falado nele, mas não estava preparado para lhe ouvir a voz, sentir-lhe o ranger dos lábios, na militância daquela presença sem expressão viva. Conjugada num misto de bruxedo e passado. Cavaco Silva é um feiticeiro de tempos mortos. Tempos fechados. Pensar que pode vir a ser o próximo Presidente da República é um sonho mau. Daqueles que não trazem acreditação. Cavaco Silva é o poltergeist do futuro de Portugal. E não estou a ser malcriado.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:27 AM | Comentários (0)

fevereiro 02, 2004

Ecrã de Esforço

Há dias que não tenho mesmo nada para dizer. Sem saber para que é que isto tudo serve. Para que é que eu sirvo...

Afixado por Prusidente da Junta at 09:01 AM | Comentários (2)

Sem Dentes

O Primeiro Ministro exigiu mais dos autarcas. Exigiu projectos. Desculpando a sua falta de talento com a falta de criatividade, por exemplo, dos munícipes. Avia-se esta coleira e mantem-se o canil ocupado, ganhando tempo, pensou S. Exa. Para prusidentes da Junta como eu - que dependem, em sua parte, das autarquias, que por sua vez dependem do poder central, com n projectos de reformulação do país entregues às autoridades competentes, na sua maioria reprovados - resta-nos a esperança de que o rio, que passa ao largo, esteja tão poluído que nos fulmine quando da ponte nos atirarmos em uníssono.
Pensa o Primeiro Ministro que, fazendo estas afirmações, estimula a massa que, de baixo, faz andar o país. Engana-se redondamente. Alimenta apenas focos de resistência física e, sobretudo, moral ao seu progresso. Ao desevolvimento da própria estratégia do governo. É apenas mais um passo para o suicídio, que culminará na sede da sua própria sepultura. Em nome de uma passividade que se vai generalizando e alastrando pelo país fora.

Afixado por Prusidente da Junta at 08:44 AM | Comentários (0)

Tyed/Tie-Dye

«The sheet that was cut
Caught the blood
Was opened
The sheet that was cut
Caught the blood
Was opened and dried
Sheet that was cut and caught the blood
Was opened and dried
And stretched out
Sheet that was cut and caught the blood
Was opened, dried and stretched out
Hung on the wall

The sheet that was cut
Caught the blood
Was opened
The sheet that was cut
Caught the blood
Was opened and dried
Sheet that was cut and caught the blood
Was opened and dried
And stretched out
Sheet that was cut and caught the blood
Was opened, dried and stretched out
Hung on the wall
»

Tindersticks - "Tyed/Tye-die"

Afixado por Prusidente da Junta at 02:58 AM | Comentários (1)

fevereiro 01, 2004

B de Longa Distância

Com o ruído do inferno
um sino soa
atrás do meu sorriso
a abrir-me os dentes
e em todo o momento
enquanto os vampiros me alimentam
eu sangro.

Minha querida linda
o que andamos nós aqui a fazer
ninguém sabe
vamos dormir
enquanto se respira
da minha mente perdida
eu sangro.

Há um lugar
no poente enterrado
numa caverna
com uma casa lá dentro
na argila
a forma das mãos
em conjunto
podemos colocar
sangrando.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:19 PM | Comentários (2)

A Treta do Voar (Auster#3)

«Tinha doze anos a primeira vez que caminhei sobre as águas. Quem mo ensinou foi o homem de fato preto, mas não me vou pôr a dizer que aprendi o truque de um dia para o outro. Mestre Yehudi encontrou-me tinha eu nove anos, um órfão a pedir nas ruas de Saint Louis, e treinou-me pacientemente durante três anos, antes de me deixar apresentar em público as minha habilidades. Estávamos em 1927, ano de Babe Ruth e de Charles Lindbergh, precisamente o ano em que a noite começou a cair sobre o mundo para sempre. Andei nisso até uns dias antes da bancarrota em Outubro, e o que eu fiz foi uma coisa mais assombrosa do que tudo o que aqueles dois poderiam imaginar. Fiz o que nenhum americano tinha feito antes de mim, o que mais ninguém fez desde então.
Mestre Yehudi escolheu-me por eu ser de todos o mais pequeno, o mais sujo, o mais abjecto. "Não vales mais que um animal - disse ele - uma amostra da insignificância humana." Foi a primeira frase que me dirigiu e, apesar de já terem passado sessenta e oito anos desde essa noite, é como se ainda estivesse a ouvir essas palavras da boca do mestre. "Não vales mais que um animal. Se ficares aqui, estarás morto antes do fim do Inverno. Se vieres comigo, ensino-te a voar."
- Ó senhor, ninguém é capaz de voar - disse eu. - Isso é para os pássaros e se há coisa de que tenho a certeza é que não sou pássaro nenhum.
- Tu não sabes nada - disse Mestre Yehudi. - Não sabes nada porque não és nada. Se quando fizeres treze anos eu não te tiver ensinado a voar, podes cortar-me a cabeça à machadada. Se quiseres ponho-o por escrito. Se não conseguir cumprir a minha promessa, a minha sorte fica nas tuas mãos.
Era uma noite de sábado nos princípios de Novembro e estávamos em frente ao Café Paraíso, um bar fino do Centro com uma banda jazz de negros e vendedoras de cigarros com vestidos transparentes. Costumava andar por ali nos fins de semana, a cravar umas c'roas, a fazer recados ou a chamar táxis para os finaços. A princípio pensei que Mestre Yehudi era mais um desse bêbados, algum desses ricos que andam pela noite fora aos tropeções a bater os bares, de smoking preto e chapéu alto de seda. Tinha um sotaque esquisito, por isso calculei que não fosse da cidade, mas isso foi o mais que pensei. Os bêbados dizem coisas estúpidas e aquela treta do voar não era mais estúpida do que tantas outras.
»

Paul Auster - «Mr. Vertigo» - Viking Penguin, 1994
Versão portuguesa: Editorial Presença - Tradução: José Lima

Afixado por Prusidente da Junta at 03:47 PM | Comentários (3)

janeiro 31, 2004

Campos de Morangos Para Sempre!

A ressaca domina-me. Em dilacerante tirania. Rouba-me o espírito. Arrasta-me. Despoja-me. Turva-me o sentido. Preferia morrer. A ter que viver isto.
Não foi culpa minha. Eu bem insisti para não me servirem tanto vodka, mas o que se pode dizer quando nos dão para as mãos um copo cheio de álcool com uma pedra de gelo e uma tonalidade carnívora a fingir que é sumo? Eu bem vi o homem a cortar os morangos. A trucidá-los com gelo. A encher o copo até ao rebordo. E quando lhe pedi mais sumo insistiu que os clientes protestam sempre porque querem mais distilante. Achou que eu era um deles. Não me lembro do resto. Fiquei avariado, sem forma. Este dia seguinte matou-me. Escrevo-lhes da morgue. Do fundo de uma gaveta escura e gelada. Não vou ressuscitar. Adeus.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:07 AM | Comentários (1)

Estaladão



Sentei-me. FIz uma chamada, puxei os papéis para o lado e esperei que eles entrassem. Não entraram. Enganaram-me. Disseram que vinham e não vieram. Espalhei de novo os papéis em cima da secretária. Levantei-me e saí.

Afixado por Prusidente da Junta at 04:32 AM | Comentários (0)

janeiro 30, 2004

Só quando já não existirmos

Nunca vamos saber se o que eles dizem é verdade. Se o que vemos é verdade. Se o que sentimos é verdade. Se somos mesmo de verdade......

Afixado por Prusidente da Junta at 12:29 PM | Comentários (2)

Mais uma pelas Luzes do Trânsito

Há pessoas que confundem urbanismo com a Mãe Natureza. Confundem o alcatrão com as ervas daninhas. Determinam os seus conceitos de espaço apenas pelo estado do tempo. Ficam a olhar para um poste de iluminação como se fosse uma árvore de fruto e, o mais incrível, ficam à espera que caia. A luz. Mesmo que chova. Nada mais importa. Adoro-os nessa simplicidade, nessa habilidade de poder. De dominarem os seus próprios desígnios. Adoro-os porque páram. Onde querem. Se por acaso ao virar numa curva, sem visibilade, dou com um par deles, abraçados e a roerem um ramo de trigo, no meio da estrada lhes dou um açoite com o chiar dos meus travões e, milésimos depois, lhes cai uma roda no meio da garganta, não conseguindo acabar o que estavam a contar ao amigo do lado, fico estarrecido com a alegria com que ficam no olhar. O esgar de quem sorri para a Mãe, toda ela Natureza. Toda ela sol, toda ela luz. Mesmo quando tudo se apaga.

Afixado por Prusidente da Junta at 12:18 PM | Comentários (2)

Amordaçado de comichão

A primeira vez que subi a um palco todos me perguntaram o que estava ali a fazer. Eu lá em cima, eles em baixo a perguntarem, com os olhos arregalados, mais arregalados do que os meus. Quando me candidatei à Junta - e depois venci as eleições por larga maioria face ao meu único adversário, as abstenções, não ter comparecido - todos perguntaram o que é que eu vinha para aqui fazer.
Sou questionado, diariamente, acerca das minhas capacidades. Não percebi se é medo, se é inveja, se é mesmo porque não têm mais nada para fazer. Não me largam um minuto, com recados, exclamações várias, questões sem conveniência. Sem sentido. Eu que tenho tanto com que me preocupar. Chegam aqui e 'Quero falar com o Sr. Prusidente', depois não saem dali enquanto não os atender. A fazerem olhinhos à minha secretária. Vêm com as suas míseras preocupações, a coçar o cabelo que lhes falta, a estenderem-se ao comprido em lamúrias. São às dezenas. Não me desamparam a loja. Como se fosse eu o responsável por lhes levar a comida à boca. Nem de guindaste. Eles que se aviem na mercearia do lado. Ser prusidente não é ser pai de toda a gente. E, sempre, quando os mando embora à cacetada, lá vem a pergunta parva 'Mas o que é que o senhor está aqui a fazer?'. Não podem ir chatear o Primeiro Ministro, que tem sempre soluções tão boas para tudo?

Afixado por Prusidente da Junta at 11:37 AM | Comentários (0)

janeiro 29, 2004

Quiz Show

A Dona Celeste Cardona estraga o visual da Junta, não acham? Querem que a retire?

Afixado por Prusidente da Junta at 02:09 PM | Comentários (5)

Mesmo ao virar da esquina

«Moonriver
Wider than a mile
I'll be crossing you in style
Someday

Oh, Dreammaker
You heartbreaker
Wherever you're going
I'm going your way

Two drifters
Off to see the world
I'm not so sure the world
Deserves us

We're after
The same rainbow's end
How come it's just around the bend ?
It's always just around the bend ?
»

"Moonriver" na versão longa de Morrissey

Afixado por Prusidente da Junta at 10:41 AM | Comentários (2)

É educacional



A Dona Celeste Cardona foi-se explicar, achou ela. Levou os caderninhos, o semblante carregado de ira, a gravatinha da praxe, e lá foi ela, a caminho dos palanques públicos que há para aí. Assembleias e Televisões. Saiu satisfeita, com a missão cumprida, de que amanhã já ninguém se lembrará do caso. Amanhã já ninguém se lembrará da cor da sua gravata, às bolinhas? E que foi ela explicar? Que se não tivesse feito o que fez os trabalhadores, perto de seiscentos, teriam sido despedidos. Achou ela que a afirmação seria suficientemente plauzível para calar o burburinho levantado. É simples: faz-se o lume, deita-se o azeite, depois diz-se que sem azeite não haveria lume. Que o efeito anularia a causa. Estou a falar bem ou não? Estarei eu a querer complicar, só para me armar em esperto? Eu que me esqueço sempre de declarar o que quer que seja? Será da gravata? Ou do jardim?

Afixado por Prusidente da Junta at 08:34 AM | Comentários (2)

janeiro 28, 2004

Compartimento

Temos novos colaboradores. Finalmente, depois de muito protestarem, lá poderam ocupar os seus gabinetes, já corroídos de mofo.
Tratem-nos bem. Ouçam-nos. Apupem-nos, se for caso disso. Beijem-nos. Embrulhem-nos.
Nós por cá vamos fazer festas todos os dias. E festas uns aos outros, diariamente. Obrigado. Pela atenção e pelo resto. Pela paciência.

Afixado por Prusidente da Junta at 05:57 PM | Comentários (2)

Beer

I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better
I dont know how much wine and whisky
and beer
mostly beer
I have consumed after
splits with women-
waiting for the phone to ring
waiting for the sound of footsteps,
and the phone to ring
waiting for the sounds of footsteps,
and the phone never rings
until much later
and the footsteps never arrive
until much later
when