Meu Caro (carote!) Senhor Primeiro Ministro do País de Camões
Venho por este meio, rogar-lhe encarecidamente, que se digne sair um pouco mais da casca em que se encontra, e observe o país real que V.Excia governa.
Retirar direitos adquiridos aos trabalhadores, aumentar-lhes a idade da reforma, diminuir o poder de compra das massas, querer pretender salvar a Segurança Social à custa da vida de quem trabalhou anos e anos, cumprindo a sua parte como trabalhador e cidadão, esperando do Estado, a retribuição do mesmo Respeito e Responsabilidade demonstrados. Enfim...uma questão de Honra. Afinal, se um tipo não pode confiar no Governo que o governa, em quem terá de confiar?
Oh Senhor Primeiro Ministro, que se passa com essa cabecita não loura, mas rasante a essa côr? Lixar o Alberto João com a Lei do Teixeira dos Santos, outro menino aloucado do nosso pintado Governo !? Ora francamente. Não vê que assim, vai lhe dar ainda mais força junto do eleitorado ? Acredite, que o Alberto João vai governar a gosto dos madeirenses, com dinheiro ou sem dinheiro, tendo agora razão para justificar-se perante os madeirenses: "Meus Amigos, eu não fiz porque o sacana do Socrates não deu o dinheiro!" E pronto! Alberto João ficará de pedra e cal no seu Governo, pelo menos até à quinta reencarnação.
Onde está essa sua inteligênciazinha, Senhor Primeiro Ministro? Será que a crise dos finais dos quarenta está a ser mais forte do que tudo?
Aconselho-o a repousar. Descanse essa cabecita! Ouça um bom trecho de Mozart, leia assim uma obrazita ou outra, nem que seja da Rebelo Pinto, sente-se confortávelmente numa frisa dum teatro e deleite-se com a magia duma Eunice Muñoz, ou com o desempenho dum Diogo Infante...Relaxe. E depois de tudo isto, talvez vossa Excelência se torne num razoável governante.
Sinceramente, a sua (salvo seja!),
Madame Satã
«Ó compadre, como passou a
tarde de ontem à tarde?
Deixe-me lá, meu compadre,
que a tarde de ontem à tarde
foi para mim tamanha tarde
que há-de ser tarde e bem
tarde que eu venha cá outra
tarde como a tarde de
ontem à tarde.»
Venho informar os clientes deste espaço que abandono em definitivo este barco. Há sempre um fim a chegar e ele acabou de atracar. Fica quem ficar. Eu e os meus companheiros mais chegados mudámo-nos para aqui. Não temos tempo para mais. Um grande abraço!
A todos uma excelente vida!

...deseja a V.Exas uma boa páscoa.
- Está lá?!!
«Estou a chover. Sabes?
Estou a chover. Não sei como parar.
Como parar de chover.
Talvez um feiticeiro. Uma dança índia.
Uma magia. Que leve esta chuva.
Que a adormeça.
Adormeces a minha chuva?
Com os teus feitiços. A tua hipnose.
Dás-me a tua dança índia?
Danças em cima de mim.
Por cima dos meus olhos.
Quebras-me? O chover, em mim?
Por favor?»
"Metereologia" por Prusidente da Junta em 31 de Março de 2004
Foi assim que começou este espaço há mais de dois anos. Este documento confidêncial era uma chamada para o centro do quartel, para quem tivesse ainda dúvidas do que se ia passar. A campanha chamava-se "aJunta-te a Nós!" e este era o modelo 2A. Digamos que foi um projecto falhado.
...
A JUNTA – Termos e Questões Frequentes
- A Junta é um espaço fictício embutido na realidade contemporânea. Não há divisão entre o que pode ser ficção e o que pode ser real. Os factos estão misturados no oceâno da imaginação. Tanto faz. Tudo pode acontecer.
A Junta existe em Portugal. Como Junta de todas as Juntas. Como Junta de qualquer tipo de Junta. Como Junta do poder centralizado e hegemónico. A Junta é o funil de qualquer senso.
O Prusidente da Junta é quem manda na Junta. Mas não é totalotário, curva-se face aos seus colaboradores. O Prusidente é boa rês. Ouve e dialoga. Reflecte e observa. O Prusidente não é bom da cabeça.
O que fazer para aderir ou colaborar com a Junta?
- Há diversas áreas por preencher. E se não houver arranjam-se à medida das pretensões dos interessados.
O que se pode fazer na Junta?
- Escrever. Como exercício puro de escrita sem lógica intlectual ou moral. Apenas se pede uma pitada de sarcasmo. Mas nada muito vincado (consciente). A escrita corre ao sabor das palavras e sem ter, necessariamente, de passar pelo cérebro. Na Junta está-se à vontade.
Como se escreve para a Junta?
- Cada colaborador terá acesso a uma página arquivada no servidor www.tblog.com – com o endereço http://nomedaassessoria.tblog.com – que controlará com a administração sempre condescendente do amigo Prusidente.
Como se faz a página de assessoria da Junta?
- O Prusidente trata disso. O design e a estrutura será em tudo semelhante à do Prusidente. Apenas com uma diferenciação tonal. Nada por aí além. O assessor só é responsável pela secção central da página. As margens serão espaço da Junta para informações e ligações à base de toda a estrutura.
O que não se pode fazer?
- Não se pode mexer na estrutura da página nem nos settings da mesma. Não se podem tornar independentes as assessorias. A Junta funciona como um Todo. De resto pode-se fazer tudo.
Como acedo à página?
- Com o início da colaboração será dado um username e uma password a cada assessor, que lhes permite facilmente deixar a sua colaboração depois de feito o login em www.tblog.com.
Quais as funções do acessor?
- O assessor, para além da fulcral colaboração escrita, terá o dever de publicitar a Junta na sua rede de conhecimentos, da maneira que pretender e achar mais piada. ;-)
Terá, também, de aturar o Prusidente. E se possível beber uns copos com ele.
Quais as regalias de um assessor?
- Cada colaborador, para começar, terá o salário de 10 tBucks (a moeda do tBLOG) semanais, acrescentados de 5 tBucks semanais por comentários do Prusidente (cada comentário vale 1 tBuck) mais 5 tBucks por post. Terá carro e chauffer para o trazer até ao seu gabinete na Junta.
Que deveres e que fluxo de trabalho tem um assessor?
- Um assessor deverá escrever (deixar um post) pelo menos três vezes por semana, sendo um deles necessariamente à sexta-feira ou sábado e de preferência mais longo.
De resto cada um pode escrever quanto quiser, o que quiser e quando estiver para aí virado. O Prusidente não exercerá pressões!
O assessor usará o nome real ou será um mero anónimo?
- Na fase inicial o assessor terá o nome do cargo que ocupa. Mais para a frente, dependendo do andamento da Junta, poderá usar-se, mas nunca exigir-se, a identidade verdadeira de cada um.
Para que serve a Junta?
- A Junta não serve para nada. Apenas existe como conceito básico de escrita criativa e conceptual. Serve para o que serve.
Que normas de realidade e de ficcão são exigidas?
A Junta funciona com a base real do dia-a-dia - a realidade diária – e com o que se quiser misturar. A Junta existe com personagens reais ou irreais. A Junta, para além do aspecto lúdico, pretende criticar, gozar ou pôr a olho nu o rídiculo colectivo ou individual do país que é Portugal, em particular, e do Mundo, em geral. Tanto faz. A Junta não é um Contra Informação ou coisa que o valha. A Junta não é nada e ao mesmo tempo é tudo o que se quiser. Na Junta não se mede nem se tem mãos a medir.
Quanto custa?
- Não custa nada!
Quando posso começar?
- Quando quiser! O processo de activação da página é simples e célere. Basta contactar o Prusidente e aceitar os termos deste acordo. É pretensão da Junta arrancar com as assessorias o mais rápido possível. Não é preciso ter medo. Apenas uma pequena disponibilidade semanal.
Para mais questões, dúvidas, omissões e regateios contactar o Prusidente em prusidente@hotmail.com.
...
Não se sabe quem escreveu este documento, foi encontrado dentro do estofo do sofá do Prusidente, que entretanto se pôs a andar, dentro do seu gabinete. As primeiras instalações deste projecto funcionavam aqui. Depois mudámo-nos para o sítio que estão a ver.
este blog a quem for capaz de tomar conta dele!
Deixar declaração da prova devida na caixa de comentários.

Queria que este fosse um espaço em que as pessoas falassem de si, contassem o que fazem, o que pensam enquanto estão aqui. Queria que fizessem disto as suas próprias casas ou um quarto onde se pode estar a falar com os outros. A viver, a contar, a rir. A chorar. Somos nós e é preciso deixar alguma coisa para a posteridade. Para quem vem. Para nós que voltamos sempre mais tarde. Era bom se pudéssemos conversar. Se nos pudéssemos orientar em conjunto. Ou mesmo dar as mãos? Isso tudo. Isso e o resto.
Será pedir muito?
E é verdade, despeço-me assim sem mais. Sem explicações. Sem novidade. Vou-me e nem digo adeus. Desapareço. Um Prusidente da Junta já não faz sentido aqui. Não faz sentido em lado nenhum.
Não faz falta.
Anyway, keep it going!
Alguém tomará o meu lugar. Não o de Prusidente mas o que está cá dentro. De mim. See you around!
«Esfodaça a normalidade, estraçalhando o conveniente conforto acagaçado...»
by this guy!
O Motel dantes, há módica quantia de ano e meio, era ASSIM. Tínhamos outro nome, outro conceito: «Somos tudo aquilo que quiser, Animais e Amantes. Derrubamos qualquer um!», depois veio um gajo que comprou o prédio ao lado e que não gostou do nome e nós, sem deixar de estar indiferentes, depois de um bom suborno, mudámos. E assim acontece!
Boas tardes, senhoras. Já agora, tenho uma novidade. É fresquinha, em primeira mão. Aí vai:
O Prusidente vai demitir-se!
«Then at 18 I decided I wanted
To be a commercial photographer
I rented a studio down by the docks
Which I shared with a friendly pornographer
I photographed models in fluorescent light
Whose veins were so blue and whose breasts were so white
I assumed, like the moon, women were blue cheese...»
«ESFODAÇA A NORMALIDADE, BABY DOLL!!»
Estes rapazes chamam-se Earlimart, têm duas ou três músicas que eu considero fabulosas, como se importasse alguma coisa, o que eu considero, gostava de vos poder mostrar assim que metessem aqui o nariz.
Os Earlimart são uma banda de Los Angeles formada em 1996, com quatro discos lançados em editoras independentes, vivem essencialmente do talento criativo do lider da banda (vocalista/guitarrista) Aaron Espinoza e do toque feminino de Ariana Murray (baxista/pianista) que formam um sonoridade cheia de experimentalismos suaves. Que vão do acústico a sons espaciais com uma profundidade mais dura. Entre a calma das ondas do mar e os trovões de um estra-terrestre a tocar guitarra. Com uma conotação para uma certa tendência depressiva, li-o não sei onde, demonstram precisamente o contrário, aliás, formam um conjunto de uma abertura musical que dá vontade de voar. Eu sei que isto é um bocado parvo de se dizer, mas é isso que me apetece fazer quando os oiço. Deixar-me ir, com um sorriso a sair-me dos dentes.
Têm aqui um vídeo que podem espreitar, é uma das tais que gosto muito: "Heaven Adores You". Deixo-vos no entanto com outra, "We're So Happy", que é daquelas canções simples que nos deixam mesmo tão felizes. Enjoy.
[Já sabem, peçam-me que eu envio. Basta enviarem ESTE pedido.]
«It's been a while
But we're so happy
Yeah, we're so happy
Uh huh
To wash our feet off
To hang upside down
Uh huh
To call someone out
Just to come out here
Uh huh
We won't cause we're happy
Yeah, were so happy
We're so happy
Uh huh
We're so happy
We're happy
Uh huh
Uh huh
Uh huh
Uh huh
And we left the piano
In the truck»
EARLIMART - "We're So Happy"
[no site, se carregarem em 'discography' e depois em 'stream tracks' é possível ouvir algumas das músicas da banda.]
E de repente isto morreu de novo. Perdi a vontade de aqui vir. Sorry. Se calhar fui de férias, eu é que não sei!
Uma mistura de "Schindler's List" + "E.T." + um pouco da dimensão dos "Encontros Imediatos de 3º Grau" e MUITO de "Lassie" !
Agarra à cadeira, sim, quando se sai o mundo é um bocado irreal. Mas é um filme à la Hollywood. Uma treta!
Digam-me, no final, aquele casal de velhotes saídos do século XIX, devem-se ter enganado no filme, outro H.G.Wells, "A Máquina do Tempo", não? Só pode.
Bluish son of a bitch behind glass!
Preciso de nadar sempre. De mergulhar para o interior da água e tornar-me líquido de esquecimento. Sem ver, sem ouvir. Apenas um estado a passar por mim.

O Pruz. e o Controladinho, motorcycling em direcção ao norte da muralha.
«... e o que foste lá fazer?
Giroflé, giroflá.
Fui lá buscar uma rosa,
giroflé, giroflé,
Para quem é essa rosa?
Giroflé, giroflá,
É para quem a apanhar,
giroflé, flé, flá...»
Filipe II para o arquitecto do Escurial:
«Façamos qualquer coisa que o mundo diga que nós fomos loucos.»
O Afonso Bivar acabou com os comentários. Não lhe posso dizer como também me sinto bem em Londres. Não lhe posso dizer como o Mundo já não me diz nada. Já é qualquer coisa que se engole como uma aspirina. Que não sinto nada. Que se diz qualquer coisa, mas não entra nada.
Não lhe posso dizer como adorei a Laura do Otto Preminger. Como sempre me fascinou a Gene Tierney. Como nunca percebi porque raio não foi uma Lauren Bacall ou uma Hepburn? A estrela da companhia. Sim, não importa que não tenha sido.
Não percebo porque se fecham os comentários. Assim sem avisar. É pudor? Também não percebo porque é que há essa mania de pedir um email válido, de não permitir o anonimato, como se todos nós não fossemos anónimos, como se um zéninguém@hotmail.com fosse algum gajo conhecido e que só por isso tivesse o passe para abrir a porta dos comentários a alguém. Aqui no Motel toda a gente entra. Aqui toda a gente escreve. Aqui nada importa. Aqui que se foda!
Encham as paredes de grafittis! Porra!
Quando andei à procura de outra coisa, sobre o mar, encontrei isto, que para o caso também serve:
«Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador»
Chama-se "Vigílias" e é do Al Berto. E eu não sou pessoa para gostar de poesia, para perceber o que quer dizer, mas esta entra-me bem no desnível que tenho na espinha.
E se me tivesses apenas por mais três minutos? Sim, não mais, só isso. Abraçavas-me, dizias-me adeus? Davas-me um beijo, contavas-me uma história, choravas? Amavas-me nesses segundos, como nunca? Davas-me a mão e ficavas até ao fim, à espera do milagre?
«Coisa mais bonita é você
Assim, justinho você
Eu juro, eu não sei por que
Você
Você é mais bonita que a flor
Quem dera
A primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza
Que é o amor
Perfumando a natureza
Numa forma de mulher
Por que tão linda assim não existe
A flor
Nem mesmo a cor não existe
E o amor
Nem mesmo o amor existe
E eu fico um pouco triste
Um pouco sem saber
Se é tão lindo o amor
Que eu tenho por você»
[Carlos Lyra & Vinícius de Moraes]
por Enfiada Especial in "Coisa mais linda!" - MAI 04
É fenomenal o poder dos Media, o que se pode construir à volta de um acontecimento. A jornalista Diana Andringa deixa a prova para que não se destrua na memória.
Aqui, onde me encontro, passou tudo no canal do efémero, três ou quatro dias depois, sem importância, como uma espécia de anedota, uma notícia em que não se acredita logo à partida: "Um gang de 550 pessoas fez um assalto à Praia de Carcavelos, a polícia de um lado e os assaltantes do outro lado, em provocação, se fosse noutro sítio tinha começado tudo aos tiros". Alguns dias depois, num jantar, despercebido, oiço alguém dizer: "Afinal não foram 400, foram 80."
"Afinal não foi". Não houve arrastão.
E como diz a minha mãe, "é assim a vida!"
A vida de um país!

Coca-Cola em chinês: Ho Hau-Ho Lok - "Possível Boca Possível Alegria".

... de Esgraton, Vlamidir, Culky, Zoppo e também à espera de uma rapariga.

«There I was in uniform
Looking at the art teacher
I was just a girl then;
Never have I loved since then
He was not that much older than I was
He had taken our class to the Metropolitan Museum
He asked us what our favorite work of art was,
But never could I tell it was him
Oh, I wish I could tell him
Oh, I wish I could have told him
I looked at the Rubens and Rembrandts
I liked the John Singer Sargents
He told me he liked Turner
Never have I turned since then
No, never have I turned to any other man
All this having been said,
I married an executive company head
All this having been done, a Turner - I own one
Here I am in this uniformish, pant-suit sort of thing,
Thinking of the art teacher
I was just a girl then;
Never have I loved since then
No, never have I loved any other man»
['The Art Teacher'] [RUFUS WAINWRIGHT]
[EMPRESTA-SE A QUEM ENVIAR ESTE FORMULÁRIO]
«Cego pelo sudoeste. Cego pelo nordeste. Cego por tudo. Cego. Simplesmente cego!»
in "Isqueiro?" - JAN 04
Aqui estão as razões porque nos procuram, o Top 20 das pesquisas efectuadas com os motores de busca espalhados pelo éter. Os desejos dos pesquisadores:
01. 8.92% - Motel
02. 3.74% - Scarlet Johansson
03. 3.31% - Pecados
04. 3.31% - Recado
05. 2.89% - Moço
06. 2.29% - Ondas
07. 2.12% - Virgem
08. 1.78% - Ladytron
09. 1.61% - Orgia
10. 1.44% - Tripla penetração
11. 1.27% - Suicida
12. 1.19% - Pornografia
13. 1.02% - Prusidente
14. 0.76% - Voltei
15. 0.68% - Enfiada
16. 0.68% - Mulheres
17. 0.68% - Peitos
18. 0.68% - Tesão
19. 0.59% - Beijos
20. 0.59% - Fome
Será preciso escrever uma tese como conclusão? Os dados falam por si.

Ponte Marechal Carmona, sobre o Rio Tejo, em Vila Franca de Xira. Destino: Alto Alentejo.

O azul é o jet da Assussora, o outro é do Cavalheiro de Beri-Beri, um rapaz que a seguiu desde Istambul. O amor tem destas coisas. O que vale é que há sempre estações de serviço!
Está bem, vou deixar de brincar com isto. Time's out!
É neste local, algures perdido no meio do Alentejo, que costumamos aterrar quando voltamos ao nosso planeta.

O nosso Maserati Birdcage no Goodwood Festival of Speed, que se realizou entre os dias 24 e 26 de Junho.
E aqui temos Las Vegas: Macau do Ocidente, como gostam muito de lhe chamar, cá deste lado, mas ao contrário! Aqui o Venetian, um resort/hotel/casino réplica deste sítio em Itália. Só para terminar: Paris, no Texas, de baixa resolução. Berlim e o Adamastor.

Este é o sítio onde eu vivo. A imagem foi conseguida através do Google Maps, onde se pode encontrar o mundo inteiro, em resoluções diferentes.
A Microsoft prepara um serviço semelhante, em género de resposta. Quem ganha somos nós. Qualquer dia posso ver-me a andar na rua. Será isso um ganho?
Macau e Hong Kong, com as suas zonas limítrofes, são os únicos locais na Grande China pesquisáveis com mais alto detalhe, não se vá criar algum incidente político. Já Taiwan... está muito bem catalogado!
E aqui o ground zero! A Piazza Navona em Roma. Uma ilha no Rio de Janeiro. E muito mais. Enjoy!
Digo e volto a dizer, ESTE é o melhor blog de sempre.
Este outro nosso amigo enviou-nos o seu poiso, que também tem a sua piada. O senhor sofre das costas e vive desterrado em Porto Santo. Fascina-o mulheres bem fornecidas. De vez em quando lá vai encontrado uma ou outra, que com mestria coloca na sua montra.
Os estéreotipos deixaram de se definir por normas estreitas, pelo que se vê ou deixa de se ver, do que parece à primeira vista. Neste caso, o New York Times tenta pesquisar as diferenças aparentes nas orientações sexuais do Homem. É um estudo de antropomorfia estatística baseado no estilo, na maneira de vestir, nos trejeitos de comportamento. New York City, aposto que em Lisboa ou no Porto as linhas mudam de figura. See for yourself. Os membros do Motel são tudo o que houver para ser. É só pedir na recepção, no menu.

Encontrei-os no elevador, num hotel em Tóquio. Bonjour, disseram eles. Vinham tão alegres como eu. Bonjour. Só depois percebi quem eram, dois anos mais tarde, quando de novo os vi, desta vez a tocar, num bar em Berlim.
Qual era o nome do bar? Não me lembro.
Miss Soma and her new hair cut.
«Walk in silence,
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.
Walk in silence,
Don't turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don't walk away.»
Uma tenda. Várias. Não me lembro como a montei. Não me lembro de me ver a montá-la. A tenda. Várias. Dormia-se.
O meu avó comprou. Compraram-lhe. Um gravador de cassetes. Com rádio. Para se gravar. Para se fazer ouvir. Mais tarde. E se escrever. Ou alguém o escrever.
Eu desgravava.
Levei o gravador para a tenda. Levava-o para todo o lado. Nessa noite. Era o que se ouvia.
O que me lembro. Noite. Invasões. Estrelas. Alcatrão. Pinheiros bravos.
E a música. Algures por cima do meu avó.
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ANTÓNIO VENTURA (Coord.) Livro que reúne um conjunto de testemunhos sobre a personalidade íntegra do republicano e médico de profissão, Feliciano Falcão, natural de Ribeira de Nisa, concelho de Portalegre, onde nasceu em 1911 e onde viveu grande parte da sua vida. Figura destacada do meio intelectual portalegrense, é aqui lembrado por muitos que o conheceram pessoalmente e outros que aprenderam a respeitar o seu nome pelo que dele ouviram contar. A obra reúne ainda catorze textos da autoria do homenageado.
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No dia 18 de Março de 1940, Feliciano Falcão casou com Zélia Sofia, filha de João Diogo Casaca, um republicano histórico e então director do jornal a Rabeca, e de Branca da Encarnação Martins Casaca. E um ano mais tarde nasceu o primeiro “rebento” do casamento, uma menina, Branca José.
É também em 1941 que Feliciano Falcão se encontra pela primeira vez com José Régio, com quem, aliás, inicia uma duradoura amizade. Sentimento que o levou a promover, ainda durante o ano de 1941, uma homenagem ao poeta. Acontecimento que causou alguma polémica.
No Café Central, primeiro, e no Café Facha, por último, eram frequentes e contínuas as “tertúlias” em torno de Régio e de Feliciano. Momentos que contavam com a presença de algumas figuras locais e outras que sazonalmente passavam pela cidade, como David Mourão Ferreira e Eugénio Lisboa, ambos a cumprirem serviço militar em Portalegre.
O nascimento da sua segunda filha acontece em 1942, e à qual dá o nome de Maria João.
Dois anos mais tarde regressa a Lisboa, onde durante dois anos (1944-46) exerce medicina e estagia como especialista de análises clínicas no Hospital de Santa Marta.
Apoiou o Movimento de União Democrática (MUD) e colaborou no diário oposicionista República, com um artigo sobre a actividade de “Médico curandeiro em terras medievais”, resultando dessa experiência, em Junho de 1946, a exclusão do Concurso para Assistente da Faculdade de Medicina.
Não foi aceite, por razões meramente políticas, como médico no Hospital da Misericórdia de Portalegre, sendo excluído como analista na Caixa de Providência.
Sem nunca desistir dos seus objectivos nem dos seus estudos, montou em Portalegre, em 1946, ano em que nasceu a sua última filha, Maria Amélia, um laboratório de Hematologia em Portalegre, ao mesmo tempo que se dedicava à investigação.
Entre 1949 e 54 frequentou vários cursos, um deles em Barcelona. Mais tarde, a convite da Ordem dos Médicos faz o 7º curso de Aperfeiçoamento Médico-Sanitário em Lisboa.
Um dos seus trabalhos de investigação foi premiado pela Ordem dos Médicos, com o Prémio Nacional de Medicina, em 1954. O estudo intitulava-se “Nota Hematológica sobre o 1º Estudo de KalaZar no adulto, diagnosticado em Portalegre”.
Sabe-se que o prémio era para ser entregue numa cerimónia presidida pelo Presidente da República, o Almirante Américo Tomaz. No entanto quando se soube quem era o premiado, apenas lhe foi entregue o dinheiro (2.500 escudos), sem pompa nem circunstância.
Para além disso, participou no AMICITA, grupo Cultural de Portalegre, escrevendo para o seu boletim. Foi também um dos fundadores do Cine-Clube de Portalegre (que mais tarde, por ordem governamental, foi extinto).
Participou na elaboração de uma lista oposicionista, em 1969, pelo circulo de Portalegre. A constituição da lista acabou por ser apenas uma tentativa falhada, tendo Feliciano Falcão participado numa sessão comemorativa do 5 de Outubro, no Cine-Teatro Crisfal. E em 1973 esteve presente no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro. No mesmo ano foi eleito por unanimidade director do jornal “A Rabeca”.
Foi com muito entusiasmo que recebeu a notícia da mudança de regime, no dia 25 de Abril de 1974 e esteve na recepção ao Dr. Mário Soares e ao Dr. Álvaro Cunhal no seu regresso do exílio.
Durante oito anos (1972-1980) fez várias conferências sobre várias temáticas, na Escola Mouzinho da Silveira, e no Graal de Portalegre.
Retirou-se mais tarde para a sua quinta na Serra de Portalegre, onde passou os últimos anos da sua vida, continuando sempre a fazer viagens, com a mulher, pelo estrangeiro.
Na última viagem, à Alemanha, país a que se deslocava frequentemente para buscar tratamento médico, faleceu, em casa da sua filha mais nova a, 17 de Agosto de 1988.
Uma vida sempre vivida em torno de ideais. Um portalegrense que fez história como médico e como homem.
Os dados biográficos do Dr. Feliciano Falcão foram-nos facultados por Fernando Mão de Ferro, responsável pela editora Colibri. A quem agradecemos a disponibilidade.
"O homem para além de médico" in Jornal Fonte Nova.

«Ode a tudo»
(Para a Zélia*)
Vou cozinhar para ti. Sei que gostas de coisas boas, tipicamente simples, saídas da terra. Não interessa de onde. De quem é a terra. É preciso apenas que tenham muito sabor. É isso que vou fazer. Andei toda a semana por estas estradas quentes. A subir a serra, do sopé para meia distância do cume. A descer de novo para uma parte mais fria e a reencontrar esse horizonte que se desprende da vista, numa curva contra curva. Lá estava o vale do lado esquerdo. Ao fundo a montanha mais alta do sul do país. Uma paragem de autocarro à direita e talvez um cão a ladrar, não tenho bem a certeza. E fresco de novo, só por um segundo. Mudou tanta coisa que não sei por onde começar. Vai ser um prato de carne. É bom, acredita.
Quando voltaste dentro daquela caixa fiquei no jardim a noite toda. Dormi na rede sem me balançar, à espera que o céu caísse de vez em cima de mim e me acordasse do pesadelo. Tentava esconder-me. De mim e dos outros. Corria para o fundo qualquer de uma azinhaga. Para chorar. Para que ninguém me visse. Deitado no chão, a olhar de novo para as estrelas, talvez no sítio onde íamos apanhar amoras. Agora já não existem nesse sítio. Não existem em lado nenhum. Desapareceram. Compram-se no supermercado, sem as silvas, e custam os olhos da cara. Acreditas nisso? Eu também não.
No dia em que te levámos fomos todos em silêncio. Vieram homens e mulheres de todo o lado. Nos seus burros, nos seus carros de bois. Vinham do outro lado dos montes. Nos seus tractores, nas suas carrinhas de caixa aberta, que pararam em transgressão em qualquer lado, sem se preocuparem com isso. Vieram movidos pela ideia que o sol estava a estremecer, em rodopio, aos saltos, e a brilhar de uma outra forma. A chamar por eles. A dizer-lhes que aquele era um dia especial. Mas homens e mulheres que nunca mais te esqueceram, que na recordação viva de ti trouxeram as famílias, numerosas, e os gatos, e os cães. Para se despedirem de ti. Estava um dia cheio de luz. Seguimos-te e imitámos o teu silêncio. Todos. As pessoas vinham de veredas e ruas íngrimes juntando-se na mais completa das ordens, enquanto caminhávamos. Posso dizer-te que foi lindo. Quase no fim passámos em casa do teu amigo, ele disse-te adeus, do alto do seu olhar de bronze, e deixámos-te. Os gatos não miaram. Os cães não ladraram. Muitas flores e um ramo de uma árvore tua caíram por cima desse fosso geométrico onde te enfiaram. Agradeceste. Eu sei que agradeceste. A árvore que ia crescer dentro de ti. Soubemos todos. Quando saímos nunca mais fomos os mesmos. A cidade nunca mais foi a mesma. Parou congelada naquele verão quente. Lembras-te das groselhas? Já não existem. As borboletas? Raramente lá vão e são todas da mesma cor. Não há cães nem gatos. Apenas erva a crescer em desatino.
Vou fazer-te Goulash. A mesma receita que a avó te fazia, sabes? Que por sua vez era a receita de um restaurante em Budapeste onde vocês estiveram. Lembras-te? Foram os dois para a cozinha, bisbilhotar, à procura do cozinheiro. Telefonei-lhe há pouco, a perguntar-lhe como se fazia. Ela ainda a sabia de cor, claro. Lembrava-se até do nome do homem, chamava-se Lórand Kardos Ogúz e o restaurante ficava na praça Franz Liszt. Mas se lhe perguntares, se eu falei com ela mesmo agora, já não se lembra. Lembra-se apenas do essencial. Do mais importante. Do dia em que te viu descer a rua pela primeira vez. A cor da camisa que trazias vestida, as mãos nos bolsos, o olhar que lhe fizeste. Ela a mudar de cor à janela. A tornar-se amor, à primeira vista. E lembra-se de tudo o resto que vale a pena lembrar. E o que vale a pena lembrar foram todos os dias que passou contigo, todos eles, sem tirar um único. Claro, agora não tem espaço para mais. Para saber se já tomou ou não os comprimidos. Se é Verão ou Inverno. O que é que isso interessa? Ela lá sabe o que interessa, e é muito, é tanto. São tantas voltas ao mundo. Foste sempre o meu modelo. O nosso. Ainda és. Queria ser assim feliz como tu, ter essa capacidade infinita para estar sempre atento, atento ao saber, às brisas da inovação, ser a vanguarda do tempo e em simultâneo transportar um sol de conhecimentos. De vida. A querer inventar-me com as coisas mais ínfimas. E ser feliz como nunca vi ninguém ser feliz. Como nunca vou ver ninguém ser feliz, dessa maneira, mesmo que viva setecentos e cinquenta anos. Porque o teu ser feliz foi a felicidade dos homens todos juntos, desde que o Homem apareceu neste planeta. Há duzentos e quarenta triliões de anos. É preciso saber muito, não é, para lá chegar?
( O homem que encontrei hoje na rua sorria, desalmadamente, quase que não tinha roupa no corpo, nem dentes, não lhe perguntei nada porque tinha a cara toda esborratada de felicidade. E Amor. Em grande. Numa headline de parietal a parietal. Não tinha cabelo, o homem. Ainda tudo é possível no mundo trivial que se atravessa, foi o que gravei.)
No teu laboratório ia ver-te trabalhar. Atravessava o jardim a correr com medo dos cisnes negros que me mordiam o rabo. Nessa altura os carros andavam mais devagar, as pessoas sabiam conduzir, e chegava-se num instante, sem perigos. Entrava. Lá estavam as mulheres todas, que trabalhavam contigo, que sorriam a toda a hora. Felizes, também. Com os seus tubos de ensaio na mão. Os papéis. As pipetas. Os garrotes. Os pica dedos. Picaram-me o dedo e saiu uma bolha de sangue que eu depositei nos lábios. Na sala ao lado tinhas as tuas máquinas, que os médicos todos compram mas que nunca usam e que estão sempre a brilhar. Ficava a olhar para elas, aquelas naves espaciais. A conduzi-las. Ainda lá estão? Devem estar. Vendeste tudo, ao desbarato.
Já não chegaste a tempo. Tinha uma família muito bonita. Amalgamou-se com um calor qualquer ou com a corrosão da humidade. Mas gostava muito que conhecesses umas pessoas pequeninas. Já lá vamos, está bem? Sabes o que é o amor? É nós todos gostarmos de ti, sempre. E eu delas. Essa é a definição da palavra, a mais simples que se pode arranjar. A melhor que sei. A que vou responder no exame da minha faculdade.
Também íamos para o café. Ler. Ouvir os homens que vinham logo ter contigo. Que num ápice perguntavam. Perguntavam. E tornavam a perguntar. E ouviam. Tudo. Os homens que aprendiam contigo, sempre com sede do que lhes dizias. O homem dos jornais, que tinha nome de pássaro como tu. Ficavam os dois a chilrear montes de tempo. O que é que eu pedia nessa altura? Torradas, só podia ser. Com manteiga.
E os táxis? Os homens dos táxis. Lembras-te? Já não existem. Reformaram-se todos. Não fazia sentido transportarem outras pessoas. Venderam os carros, sem se preocuparem com o lucro, saíram da terra, desapareceram. Nunca mais ninguém os viu. Voltaram no dia em que a tua cidade te fez uma homenagem. De novo com os seus carros de praça. Debaixo dos plátanos. A reluzir. À espera que chegasses. Levaram o livro debaixo do braço, que fizeram sobre ti. Pesa duzentas e vinte gramas. Chamaram-lhe ‘Memória Viva’. É o que estou ali a fazer na cozinha, para que não te esqueças. Agora tens também uma rua com o teu nome. Sabias que em Porto Alegre, no Brasil, existe uma rua homónima à tua, só que de outra pessoa? Coincidência, não é? É de um general.
(Acordou com dores de estômago, a pensar que tinha todas as doenças do mundo, mas como a viu, ao lado, a respirar como uma fada, ficou descansado e voltou a adormecer.)
Entrava pelo teu hospital adentro. Percoria os corredores como um fio. Conhecia os andares todos. As máquinas espaciais de todos os médicos. Ficava à espera com os doentes. A olhar para eles. A adivinhar-lhes as dores. Depois entrava e lá estavas tu, sempre de bata branca, a contar leucócitos dentro de um microscópio. A contabilizar os glóbulos brancos. A falar alto, com um pianinho ao lado e a tocar aquilo que vias lá dentro: os linfócitos, os monócitos ou mesmo certos eosinófilos. No fim tínhamos uma gymnopédie, lenta e dolorosa. De vez em quando lá se encontravam alguns basófilos. São os piores. Agarram e não largam mais. Vão até ao osso. São apenas aquilo que se vê, não têm mais nada por baixo. Nada mais para descobrir. São um bife, todos os dias da semana. Noutros dias estavas a compor madrigais sob sedimentos urinários. No pianinho que marcava números. Naquela profusão toda de vidros de aumentar. Às vezes visitávamos o teu irmão que tinha um buraco na garganta por onde falava. Sim, também era médico.
E quando eu desaparecia sem deixar rasto, só porque me apetecia fugir de casa, ou quando ia dormir para o telhado, e encontravas a minha cama vazia? Não havia telemóveis nessa altura, que chatice que era. Nem assim ficavas chateado. Fingias apenas, mas eu sei que não ficavas. Quando te desgravei das bobines onde estavas a falar de música dodecafónica e te substitui por uma peça radiofónica sobre a Volta a Portugal também só ficaste furioso, mas não chateado. Quando substituí o nome do Alban Berg por outro de um corredor chamado Zequinha. Ou mais adiante, quando já estavas na pintura, e mudei Paul Klee por Toupeira, e Vassili Kandinsky pela chegada à meta do pelotão seguido de uma queda colectiva, apenas torceste o nariz ao de leve. A pensar que aquilo era tudo mentira. A tua sorte foi não perceberes nada de teorias das fitas magnéticas.
A mim só me bastavam dois dos teus passos. Com eles podia chegar onde quisesse. À Lua, se fosse preciso. Se ainda tiver dois genes dos teus posso tentar ir mais longe. Onde nunca fui. E desembrulhar-me. Pode ser que me visites, outro dia, num país mais frio, onde o sol nunca desce.
Podes sentar-te, aí nessa mesa azul. Não faças caso, é pequena demais, eu sei. Só chega para a semana, a outra que comprei. Come. É o melhor Goulash que eu alguma vez fiz na vida. Ensinou-me o Lórand Kardos Ogúz. Nunca mais vais esquecê-lo. É uma memória viva e está quentinha. Está bem. Imagina que somos amigos do Gulliver. Somos todos pequeninos. De novo crianças.
___________________________
* Zélia é o nome da minha avó.
"Ode a tudo"
[Publicado por Ring Joid in Hoje Macau – 9 de Julho de 2004]
Hoje, enquanto ouvia a última gravação de um discurso que ainda não fiz, encontrei ISTO. O mundo é cheio de novidades, a toda a hora. Não são bem coisas novas, elas já existem há muito sem nós as vermos, é mais o choque de diferentes mundos, a sua percepção, que cria a novidade. Esta existe há pouco tempo, creio.
Anunciam-se assim: «Outside of a dog, a book is a man's best friend; inside of a dog, it's too dark to read.» Groucho Marx
Aqui fica uma pequena amostra:
«— E aí, Groucho, tudo jóia?
— Folgo em vê-lo mais bem disposto, senhor.
— Venho de dormir uma sesta. Diga-me, acredita na reencadernação das almas?
— Ah, e voltou ao projecto de compilar paronomásias burlescas.
— Nem mais, se a tanto ajudar o engenho e a tarte.
— Hoje de morango, senhor, e sem electricidade estrábica. Vieram em embalagens aritmeticamente fechadas.
— Boa, quero duas. E desculpe ter feito de si bode respiratório esta manhã.
— Ora, senhor, trabalho para servir, embora não sirva para trabalhar.
— Alto lá, que isso é uma antimetábole.
— Imperfeitíssima, senhor, imperfeitíssima.»
Pois, só para apreciadores. Nós já os colámos nas paredes do Motel, até já chateia, diz a clientela de pensar mais exíguo.
Gosto do que escreve este senhor, que é parecido com este, que já morreu. Qualquer deles é benvindo aqui neste tasco. Vivo ou morto. Não interessa.

Quando vi o filme de Carl Dreyer "Ordet" - "A Palavra" - pela primeira vez e Joahnnes, a mística criatura que dizia ser a reincarnação de Cristo, pensei: aí está alguém que eu poderia representar facilmente. A languidez de movimentos, o compasso da fala, a figura hermética, fechada sobre si, mas aberta para o mundo, e de todo cheia de uma luz interior que não se vê por fora, à primeira vista, aliás para a qual não se pretende olhar, porque é esse o sintoma da sua "loucura".
Quero dizer, podia encarná-lo numa representação simples e pouco encenada, numa versão qualquer meio amarrotada. Seria fácil recriá-lo, dar-lhe forma, por mim.
O filme é extraordinário, creio que voltarei a ele vezes sem conta, não que procure as conotações religiosas, a sua iluminação teológica, mas sim o mundo puro de Dreyer que inspira uma outra dimensão aos meus dias. Como a flutuação da personagem de Joahnnes na sequência narrativa. Encadeado no seu espectro silencioso e perpétuo. Anjelical.
Joahnnes, o maluquinho que se perdeu devido a leituras intensas de Soren Kierkegaard, a certa altura diz: "... I came to my own, but my own doesn't receive me", é nessa luta com a realidade de que o filme vive, a procura de um estado de alma puro, transparente. Divino. Um estado que nos represente e dê visibilidade de um todo, do nosso ser, aos outros. Um reconhecimento nos outros sem extravios, sem falsas interpretações. É isso que eu procuro, que não me tomem por outra pessoa. Que não me escondam noutra palavra que não a minha.
Que não me fodam o juízo.
Vi umas pernas mortas. A andar transparentes. Dentro de um branco amarelecido. Vi um homem de calções. Velho. A regatear. Com uma mulher de calções. Com as mãos cheias de papéis. Vi água em chamas. Um carro a tossir. Uma menina de lábios vermelhos que não me quis dar um beijo. Outra de cabelo loiro que não foi ao meu colo. Vi uma mulher feia. Raquítica da cabeça aos pés. Por dentro e por fora. Fugi dela.
Aaron tem problemas com a namorada, anda em terapia há várias semanas. Meses. Anos. Nada lhe tira o aperto que vive dentro dele. É uma doença como outra qualquer. Um virús. Não há nada a fazer. Mas não é o único. Spencer, Lindsay, Sumoh e muitos mais.
Precisa de descontrair os neurónios, agarrar qualquer coisa, perder-se no tempo? Aqui está uma ajuda.
E aqui um crash test para os dois lados do cérebro.
«I'm not here at the moment. Leave your message after the beep . . .»
in "Gone Like the Swallows" - DEZ 03

O presidente Juan Perón era um hábil manipulador de massas, compreendendo o impacto que uma vitória dos heróis locais Juan Manuel Fangio ou Froilan González teria, decretou que o Grande Prémio da República da Argentina de 1953 seria de entrada livre ao público. Não foi uma surpresa tal decisão - num país com uma paixão ávida pela competição automóvel - ser uma receita directa para o desastre. Uma multidão sem fim invadiu os meandros do circuito, sobrecarregando a sua capacidade e estrutura. Perón no dia da prova descobre por si que existiam demasiadas pessoas que pudessem ser controlados. Em tais circunstâncias, uma tragédia era justamente o que estava à espera de acontecer.
E assim. Na trigésima volta da prova, quando Ascari num Ferrari abria uma distância sobre o Maserati de Fangio, o piloto que seguia em terceiro lugar, Giuseppe Farina, ao tentar desviar-se de um espectador mais excitado que vagueava no meio da pista, perde o controle do seu Ferrari 500, despistando-se para cima da multidão de espectadores que se alinhava na borda do circuito, personificando o que seria um dos acidentes mais graves de toda a história da Fórmula 1.
Mesmo que o relatório oficial mencione nove espectadores mortos e outros incontáveis feridos, pelo menos dez deles - e de acordo com algumas testemunhas, talvez quinze - perderam a sua vida no massacre. As vítimas eram Claudio Enrique Rivas (25 anos de idade), Rubén Carrillo (16), Juan Gallo (45), Ítalo Gallo (25), Elvio [ou Pedro] Ulises Etchegaray (29), Juan José Temprano (22), Oscar Argentino Cabret [ou Cabré] (19 ou 20), Hugo Valdés (10 ou 12), uma pessoa desconhecida (16 ou 17) e um homem sem nome. A corrida continuou, e mais tarde somente um golpe de sorte evitou um outro acidente terrível quando uma roda voou fora do Gordini dirigido por Robert Manzon. Sob uma atmosfera de confusão, de ruído e de drama semelhante a um circo romano, a prova seria ganha por Ascari, seguido do seu companheiro de equipa Emilio Villoresi e por Froilan González, o herói local.
«Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.»
[Ricardo Reis]

Lewis Strang looks over a model of the proposed Indianapolis Motor Speedway, he would become the first pole sitter in Indianapolis 500 history.
«Don't make fun of Daddy's voice because he can't help it, when he was a teenage boy something got stuck in his throat.
No te divertes con pappy. No te divertes con pappy, No te divertes con pappy. No te divertes con pappy.»
Para acabar... um video!
«Irish Blood, English heart, This I'm made of, There is no one on earth I'm afraid of, And I will die with both of my hands untied...»
Acordar. Tarde. O escombro do espelho. O vazio da água. Gelada. Nem quente. Um cinto a apertar-me. Paredes brancas. Dois andares que rodam em balanço. A rua. A estrada. A ponte. A chuva. A chuva. A chuva. E parar num sítio qualquer. Com frutas. Tarde. Tudo muito tarde. Suspenso.

Afinal a história do arrastão na Praia de Carcavelos nunca existiu. Diz A Capital, dizem dois jovens detidos, dizem dois jovens sem culpa, apanhados ao acaso, um branco, um negro. Afinal dos quatrocentos jovens, perdão, criminosos, pertencentes a gangs organizados, que interromperam o sossego de um dia de praia, não sobra nenhum, o que aconteceu não passou de uma brincadeira de crianças, jovens, no final do ano lectivo. Afinal a notícia não o foi. Afinal foi tudo mentira. Afinal...
Os mesmos órgãos de comunicação social que deram cobro à notícia, que a multiplicaram, que a difundiram, vêm agora, como se não fosse nada com eles, desmenti-la, dar-lhe a volta, inseri-la noutro contexto. Deturpá-la? Que é isto afinal? Eu sei que às vezes reformulo a minha opinião. Mas assim deste modo, à escala mundial, já que as imagens correram mundo, é sinal que o País está profundamente doente. Profundamente em estado de sítio. Mesmo que afinal não tenha havido arrastão nenhum.
A imprensa é sem dúvida o meio que comanda tudo o que se passa no país, que forma a opinião da sociedade em geral. Eles é que sabem. Depende só da disposição como acordam. Não há mais ninguém que mostre a realidade. Que a prove. Que a demonstre. Existir não chega. Existir não existe.
Segue o artigo retirado d'A Capital.
Confusão mostrada pelas fotografias que correram mundo só aconteceu quando chegou a polícia.A história do arrastão que nunca existiuHouve roubos, como sempre na praia mais perigosa do país, mas um «arrastão» como acontece no Brasil ninguém viu no dia 10 de Junho em Carcavelos.
Banhistas, polícia e jovens presos há uma semana em Carcavelos garantem que o «arrastão» do passado 10 de Junho, afinal, nunca existiu. Todos confirmam que existiram assaltos pontuais no areal, apesar de não existir uma única queixa de roubo na PSP, mas as imagens daquele dia, difundidas por todo o mundo como um «arrastão» organizado por 400 pessoas, mostram sobretudo a fuga de centenas de jovens provocada pela chegada da polícia à praia.
Pedro e João, alunos numa das várias escolas secundárias da Amadora, e dois dos jovens detidos naquele dia pela polícia, garantem que tudo não passou de uma enorme confusão. O início do Verão aproximava-se e, como noutros anos, explicam, «milhares de alunos das várias escolas da Linha de Sintra foram passando a palavra dizendo que no feriado iam à praia a Carcavelos».
O ponto de encontro seria, como sempre, a velha bola da Nívea, mesmo no centro da praia. Hora e meia de viagem depois, Pedro e João (nomes fictícios de dois adolescentes de 16 e 17 anos de cor negra e branca, respectivamente, que nos recebem à porta da sua escola secundária) chegaram ao início da tarde à praia, que na zona da bola de Nívea já estava completamente cheia de grupos de jovens, sobretudo de pele negra.
Aqui, a versão da polícia, responsáveis dos bares da praia e restantes banhistas de Carcavelos diverge da dos jovens detidos a 10 de Junho na praia. Pedro e João garantem que tudo começou quando uma roda de jovens, sobretudo negros, se juntou à volta de um grupo com um rádio a dar músicas de hip hop. No meio, outro grupo dançava.
[continua na edição impressa]
por NUNO GUEDES / A CAPITAL
E assim Acontece. Em Portugal.
«O sorriso mais longo. O caminho obstruído. As rodas no passeio que subi à pressa. As ventoinhas. O risco. Alguém que fugia, a correr. Nove e catorze. O meu relance num reflexo de mim. As curvas. O Livro. O contrário. A parede a cair. O chão por fazer. A vista. A tarde. O tempo a passar. A escuridão. Ela. Ela. E ela. Uma chorava.»
in "O que vi hoje" - DEZ 03

«I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Of nothing in particular...»
HERE!

Bollywood, Tamilwood, whatever!
«There's a place in the sun,
For anyone who has the will to chase one
And I think I've found mine,
Yes, I do believe I have found mine, so...
Close your eyes,
And think of someone,
You physically admire
And let me kiss you, Let me kiss you
I've zig-zagged all over America,
And I cannot find a safety haven
Say, would you let me cry, On your shoulder
I've heard that you'll try anything twice
Close your eyes,
And think of someone,
You physically admire,
And let me kiss you, Let me kiss you
But then you open your eyes,
And you see someone,
That you physically despise
But my heart is open
My heart is open to you»
by MORRISSEY [aqui numa versão ao vivo do albúm "Live At Earls Court" de 2004]
Filme de Luchino Visconti, realizado em 1960, com Alain Delon, Renato Salvatori e Annie Girardot nos principais papéis.
Lá voltaremos.
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Entre as 17:00 de ontem e as 05:00 de hoje este sítio mudou de nome, mas a Brigada dos Bons Costumes fez questão de se instalar no lobby e estragar a festa toda. Os cães já estavam lá fora para fechar as portas do Motel, mas no final resolvemos acordar com um regresso ao passado, ao nome de sempre. Mais tarde, resignados, a Brigada juntou-se à festa e ficámos até de manhã. Andavam à procura da Enfiada. Ela tratou-lhes da saúde, na Suite Prusidencial.
OK. Back to normal.
Roger & out!
Mostrem o pior/melhor que têm. Vá. Show it all. Hoje mudámos para este nome. Não há regras e é como quiserem. Hard stuff.
Amanhã regressamos ao estado habitual.
Mas hoje temos um Gang Bang aqui dentro. Para toda a gente. Be our guests!
«A dor não dura para sempre. Há um momento antes do sempre em que a dor termina. E já não dói mais.»
in "Bloco" - FEV 04
Segundo Alberto João Jardim:
Os jornalistas são bastardos,
Os jornalistas são filhos da puta,
logo, alguns bastardos são filhos da puta!
ou, já estarei a fazer confusão:
Os bastardos acabam por ser jornalistas,
Alguns deles chegam a ser filhos da puta,
logo, os jornalistas tornam-se filhos da puta pelo exercício da profissão.
ou:
O Alberto João vive na Madeira,
Vai buscar o dinheiro ao Continente,
logo a Madeira está dependente do Continente.
e:
Se o Alberto João é filho da puta,
logo, poderá ser bastardo,
logo, aspira a ser jornalista.
Não era bem isto, mas é o que se pode arranjar!
Precisa de criar um site? Aliás, quer criar o seu site? Ou apenas reformulá-lo mas de maneira diferente, vivo, atraente, especial? Precisa de uma nova imagem para a sua empresa, atrair clientes, essas coisas? Um menú, cartões de visita? Mais. Quer fazer uma revista e não sabe como, ganhar uma campanha eleitoral? Então carregue aí no lado direito, em SOMA SPACE, ou aqui.
«Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar.
Para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.»
"O Sal da Língua" de Eugénio de Andrade.
«Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.
Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.
Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.
A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.
De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.
Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.
A boca sobre a boca nevava.»
"Deixa a Mão..." de Eugénio de Andrade.
[A morte levou-o pela mão às 3 e 30 da madrugada, terá levado Ávaro Cunhal na outra mão?]

Faleceu hoje de madrugada o líder do movimento comunista em Portugal. A imagem. A pessoa viva. O mastro. O centro. Não é que eu tenha afinidades com o movimento. Todos me transtornam de tédio uns mais que outros. Mas perdeu-se um símbolo da vitalidade humana. Da franqueza. Da luta. Um dos pilares do nosso país, quer se queira quer não. É óbvio que não haverá outro igual. Os tempos são outros. Retira-se a Foice e o Martelo e fica o quê? Um panejar vermelho a carpir ao vento?
Segue um perfil retirado do Público.
Perfil de Álvaro Cunhal
Álvaro Barreirinhas Cunhal, nascido em Coimbra, em 10 de Novembro de 1913, hoje falecido aos 91 anos, morreu comunista como resolveu sê-lo aos 17 anos.
A sua vida confunde-se com a do Partido Comunista Português, para o qual foi sempre uma referência, mesmo depois de ter cedido a sua cadeira de secretário-geral, em Dezembro de 1992.
O pai de Álvaro, Avelino Cunhal, era advogado de província tendo chegado a governador civil da Guarda.Fez a primária em casa, mas aos 11 anos, a família mudou- se para Lisboa, tendo estudado nos liceus Pedro Nunes e Camões.
Em 1931, com 17 anos, ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa e, eleito representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário, a sua primeira proposta foi acabar com a Mocidade Portuguesa.
No mesmo ano filiou-se no PCP, entrou para a Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional e depressa subiu os degraus da organização do partido.
Em 1935 já era secretário-geral das Juventudes Comunistas e no ano seguinte entrava para o Comité Central, que o enviou a Espanha, onde viveu os primeiros meses da guerra civil, uma experiência que o inspirou para o seu romance "A Casa de Eulália".
Aos 24 anos, em 1937, sofre a primeira prisão, no Aljube e Peniche.
Por questões políticas foi obrigado ao serviço militar (início de Dezembro de 1939) na Companhia Disciplinar de Penamacor, mas por motivos de saúde, a junta militar dispensou-o pouco depois.
Em Maio de 1940 foi novamente preso.
Estudou na cela e foi à Faculdade, sob escolta policial, defender a sua tese (100 páginas, confiscadas depois pela PIDE) sobre a realidade social do aborto e a sua despenalização.
Os examinadores Paulo Pita e Cunha, Cavaleiro Ferreira e Marcelo Caetano (que vieram a integrar o consulado de Salazar) deram-lhe 19 valores.
Em 1941, trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares e chegou a dar explicações a Mário Soares, mas, no final do ano, passa à clandestinidade.
Até 1947 conseguiu pôr de pé o partido, restabelecer as relações com a Internacional Comunista (interrompidas em 1938) e ganhou todos os "desvios internos", sendo mesmo o responsável pelo relatório político apresentado no II e IV Congressos.
Preso de novo pela PIDE em 1949, no ano seguinte é levado a julgamento e é condenado a quatro anos de prisão maior celular, seguida de oito anos de degredo.
Na prisão escreve e desenha. Esteve mais de oito anos isolado numa cela.
"Quando se tem um ideal o mundo é grande em qualquer parte", lembraria mais tarde.
A 03 de Janeiro de 1960 foge, com outros camaradas, do Forte de Peniche, uma fuga espectacular e novo período de clandestinidade.
No ano seguinte é eleito secretário-geral (cargo vago desde 1942).
E, mesmo vivendo no exílio, entrou e saiu várias vezes do País e consegue publicar em 1964 o "Rumo à Vitória", cujas teses ainda perduram no núcleo duro do PCP.
Cinco dias após o 25 de Abril de 1974, Cunhal regressou a Lisboa, vindo de Paris, para a 15 de Maio tomar posse como ministro sem pasta no governo provisório.
Entre 1975 e 1992 foi deputado à Assembleia da República, mas só por curtos períodos ocupou o lugar na sua bancada.
Em 1982, torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandonou em 1992, ano em que cedeu liderança do PCP a Carlos Carvalhas, para passar a presidente nacional do Conselho Nacional do partido, um cargo criado à sua medida e extinto anos depois.
Passou incólume aos desaires internos: o "grupo dos seis" e a "terceira via" em 1986; em 88 o caso Zita Seabra, que acaba por ser expulsa dois anos depois.
Foi operado a um aneurisma da aorta, em 1989, em Moscovo.
Quando regressa a Portugal, o partido sofre sucessivos contratempos: o grupo do INES e a "quarta via", a queda do muro de Berlim e a "perestroika".
Livre das luzes da ribalta partidária, nem por isso deixou de influenciar os destinos dos comunistas portugueses, embora tenha assumido claramente apenas a sua condição de romancista e esteta.
Os seus contactos com jovens multiplicaram-se, mas tiveram de passar 28 anos sobre o 25 de Abril para Cunhal ser convidado a falar na Universidade Católica (1997), onde surpreendeu todos ao dizer que Jesus Cristo se sentiria mais próximo dos comunistas.
Com obras publicadas como ideólogo do marxismo-leninismo (entre as quais "Rumo à Vitória" e "Partido com Paredes de Vidro"), só em 1995 reconheceu publicamente ser ele o Manuel Tiago da ficção literária "Até amanhã Camaradas", "Cinco Dias e Cinco Noites", "Estrela de Seis Pontas" e "A Casa de Eulália" e o António Vale que assinava temas plásticos e fazia desenhos como as suas célebres ceifeiras.
Após a aprovação no Comité Central do "Novo Impulso", um documento que em 1998 imprimia um sentido renovador às linhas de orientação do partido para os anos seguintes, Álvaro Cunhal fez uma ronda de sessões de esclarecimento pelo país, alertando contra as "tendências de social-democratização" no PCP.
Dois anos depois, e por motivos de saúde, Cunhal faltou pela primeira vez à Festa do Avante e pela mesma razão ao XVI Congresso do PCP.
Mesmo ausente, marcou os trabalhos, ao enviar um documento em que reafirmava a actualidade do marxismo-leninismo.
Nos últimos anos esteve sempre afastado da cena política devido à sua avançada idade e ao seu estado de saúde.
Em Novembro último, voltou a enviar uma nova mensagem ao XVII Congresso, também saudada de pé pelos militantes.
Álvaro Cunhal teve uma filha única, Ana (a mãe foi a sua companheira de exílio Isaura Dias) embora a mulher dos seus últimos anos fosse Fernanda Barroso.

Quero voltar a onde tudo começou. Quando o tempo não existia. Depositar-me no Big Bang. Esperar pelo Bang. E recomeçar tudo de novo. Tornar-me real. Com a explosão.

«All the lazy dykes, Cross armed at the palms,
Their legs astride their bikes,
Indigo burns on their arms.
One sweet day, An emotional whirl,
You will be good to yourself
And you'll come and join the girls.
All the lazy dykes,
They pity how you live,
Just "somebody's wife",
You give, and you give, and you give, and you give...
And one sweet day, An emotional whirl
You will be good to yourself,
And you'll come and join the girls.
Touch me, Squeeze me, Hold me too tightly,
And when you look at me you actually see me.
And I've, Never felt so alive,
In the whole of my life,
Free yourself, Be yourself,
Come to the Palms and see yourself,
And at last your life begins,
At last your life begins,
At last your life begins... »
"All the Lazy Dykes" by MORRISSEY
(Envio a quem me pedir)
Estou a poucos dias de me acontecer alguma coisa fora do comum. Não sei o que é, mas é algo que está mesmo a virar a esquina, e não o posso evitar.
Já o sinto.
Há um trânsito caótico dentro de mim, cheio de linhas trocadas: os semáforos deixaram de funcionar. O que se nota, o que fica, são apenas rotas de colisão.
Um acidente à espera de acontecer.
1. Passando pelo Portugal Diário pode-se encontrar esta publicidade bastante engraçada, que com o país a arder faz todo o sentido.
2. Tropeçando na Bomba Inteligente é possível seguir para aqui e encontrar mais ajudas para quem gosta de se linkturbar! Gosto de imaginar a Carla Hilário a praticar este desporto enquanto lê as últimas do Abrupto, as mais recentes coisas quentes, hot stuff, que José Pacheco escreve.
Passei pela Livraria para ver o que tinha chegado. Estava lá o novo livro da Margarida Rebelo Pinto. Não me lembro do nome e também não me apetece procurar. Vem com uma citação do Francisco José Viegas na capa, a envolvê-la em papel vegetal - estes gajos citam-se todos uns aos outros - uma coisa qualquer que o F. escreveu só para ser simpático, só para não dizer: "Foda-se Margarida, não tenho paciência para te aturar!"
Tenho sempre curiosidade quando chega um novo livro da Margarida Rebelo Pinto. Abro-os sempre. O que procuro é uma cena de sexo bem escrita. O que procuro é saber como fode a Margarida. Abri. Páginas centrais. Uma gaja qualquer está a fazer uma conferência, não reparei no crachá, no banner por detrás da mesa. Se era escritora ou não. Devia ser, ou qualquer coisa do género. Banhista. Canalizadora. Trolha. Surpreenda-me, Margarida. Fiquei sem saber qual o nome da personagem, nem a cor dos seus olhos.
Na primeira fila um Gabriel. Alguém que ela já tinha comido. Que andou dez anos a pensar nela mas... mas não tinha tido coragem para dar o passo. God damn it! Duas três páginas, aquilo não desenvolveu e segui-os até casa. Já não me lembro se foram de táxi. Acho que enfiaram no carro dele e arrancaram a abrir. Eu é que apanhei um táxi para os perseguir, só sei que me saiu caro, mais de dez euros. O que aconteceu foi que ele lhe deu boleia, de certeza. Acho que tanto fazia irem para casa dele ou dela, vinha lá escrito. O que importava era a proposta de intimidade. Vinha lá escrito. O convite. O objectivo era foder. Moram sempre longe estes gajos.
Ela era mais uma daquelas com uma depressãozinha, a queixar-se da vida. Ele, vejam, tornou-se um Ortopedista bem sucedido... A Margarida fez uma alegoria à Muralha da China e tudo. Que imaginação.
Mas não. Não o vi a rasgar-lhe a roupa. A meter a língua entre as pernas dela. A derrubar a jarra das flores, o computador portátil, sim pelo ar da papelada devia ser escritora, e tudo o que estava em cima da mesa da sala, e comê-la mesmo ali, até perder o fôlego. Até a partir ao meio. Rodando-a como nos churrascos.
Esta viagem durou dois minutos. Nunca li nenhum livro desta autora. Apenas umas crónicas medíocres, e pretenciosas, que escreveu aqui. Não me apeteceram, os livros. Debico-os, apenas, quando aparece um novo, à procura de poucas vergonhas. Como quem lambe as pernas à Margarida, enquanto ela escreve, enquanto ela sonha, e antes de chegar às coxas se vai embora. Desaparece.
Desculpem, devo ser estúpido, fico à espera do próximo. Talvez ela me surpreenda.

Esta linda fotografia foi tirada este ano, estavamos nós a comemorar o 25 de Abril, o desfoque não é propositado, juro! Era o Lenhador que tinha a máquina nas mãos e a hora já ia avançada... ao que parece. Não ma lembro muito bem.
Жama says: Escreve-se "dans le lit" ou "au lit" ?
Sשtra says: au lit.
Sשtra says: in bed.
Sשtra says: na cama!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sשtra says: na cama é que eu sou inteligente!
Sשtra says: Já o Truman Capote dizia ser um escritor horizontal.
Жama says: ok
Sשtra says: gostei de ler isso. há anos que digo que sou melhor na horizontal!
Sשtra says: cama, chão, água, tudo horizontal. Tudo oriental,
Sשtra says: de orientação,
Sשtra says: de extremo oriente,
Sשtra says: agora do Sul. Bermuda trianguled.
Жama says: D'a Pakistan Song?
Жama says: "dans le lit" é mal escrito então?
Sשtra says: não é bem escrito
Sשtra says: mas existe.
Sשtra says: é mesmo lá dentro, dentro.
Sשtra says: dentro dos lençóis, dentro da cama.
(...)
Tenho cá destas paranóias. "Candy Says" é uma das minhas músicas preferidas dos Velvet Underground. No mundo actual, I mean na net, é possível encontrar tudo o que se quer. Pesquisa-se. Procura-se. E o impossível começa a chover-nos aos pés. Isto tudo para dizer que tenho n versões dessa música, aí vai a lista, para além da versão original:
Antony And The Johnsons (estiveram em Portugal há pouco tempo e tocaram-na no final, quase em silêncio.)
Beth Gibbon (ao vivo em Barcelona.)
Blind Melon (a mais folk, a que gosto menos.)
Garbage
Kathryn Williams
La Buena Vida (um grupo espanhol com uma versão cheia de sotaque.)
Martin L. Gore (ao vivo em Hamburgo.)
Secret Square
E canta-se assim:
«Candy says I've come to hate my body
and all that it requires in this world
Candy says I'd like to know completely
what others so discreetly talk about
I'm gonna watch the blue birds fly over my shoulder
I'm gonna watch them pass me by
Maybe when I'm older
What do you think I'd see
If I could walk away from me
Candy says I hate the quiet places
that cause the smallest taste of what will be
Candy says I hate the big decisions
that cause endless revisions in my mind
I'm gonna watch the blue birds fly over my shoulder
I'm gonna watch them pass me by
Maybe when I'm older
What do you think I'd see
If I could walk away from me»
Já vai estando melhor. Regressámos de vez. Só falta pintar as paredes e acordar o resto dos funcionários. Actualizar a lista de Blogs e as Ligações Rápidas. Havia também um contador que informava quantos manfios estavam cá dentro. É preciso repôr isso.
A novidade é a estreia de Mohamed Ali para breve. Esperamo-lo a qualquer momento.
Temos também um novo patrocinador. Está aí no lado direito: SOMA SPACE. Atrevam-se a visitá-lo. Fica em S. Bento. Vão ficar surpreendidos. A renovação será completa.
My girl anda na Aliance Française há uns meses. Ontem passámos a noite a falar francês "dans le lit". Como a percepção que temos das pessoas muda conforme a língua que falam, conforme a língua que falamos. E a descoberta que podemos fazer através de um novo idioma. Um novo termo de comunicação, que estende as asas. E nos leva.
O chinês é cantado, melodioso, mas também banal, sem encanto. Corriqueiro. Arrastado. Depende sempre de qu