março 01, 2007

O que tem que ser tem muita força

Apaga. Depois não sobra nada.
- As mãos sobram!
- Sobram os dedos!
- Sim, os dedos da mão.
- Mas a mão toda não são os dedos só.
- Pois, não são, mas o resto da mão o que é se não tem dedos? Não serve para nada!
- Não serve. Mas está lá. Um bocado de mão, ainda. Por isso não podes dizer que sobram as mãos se o que sobra são apenas os dedos.
- O que é que isso interessa?
- Interessa muito. Não podes andar para aí a dizer mentiras.
E o resto apaga-se, ainda dentro de um corpo que ferve.
- Ferve, o caraças!
- ...
E calaram-se.

Afixado por Lime & Purple at 11:26 AM | Comentários (0)

janeiro 16, 2007

Take me anywhere

viagem.jpg
Roberta Flickr expõe regularmente na nossa rede de galerias, com relativo sucesso. De noite recolhe aos seus aposentos.
É com espanto como às vezes consegue abusar da paciência do director dos Perdidos e Achados, é que todos querem reclamar a mala que por inerência de funções lhe pertence.

Afixado por Produtora de Inventos at 04:01 PM | Comentários (1)

dezembro 29, 2006

And that's it

Primeiro é preciso criar a presença. Ter uma imagem bonita, ser de fácil trato, inovar acima de tudo, beleza também, com simplicidade. Erguer tudo isso e deixar-se estar. Depois vai-se melhorando, introduzindo, crescendo. Criar movimentos e viço. Direccionar o fluxo. Ser lindo. E ajudar os outros a crescer oferecendo-lhes a inspiração para a vida. Em doses certas... e por aí fora...

Afixado por Gigantic Dwarf at 05:26 PM | Comentários (0)

dezembro 13, 2006

Macau

Crime e corrupçăo no Oriente

A bela, o herói e o vilăo podem ser personagens típicas, mas năo em "Macau". Jane Russell, Robert Mitchum e Brad Dexter săo envolvidos pelo "film noir" de Josef von Sternberg, que recupera nele o seu fascínio pelo Oriente.

Os Clássicos PÚBLICO estăo a chegar ao fim e "Macau/Macao" (1952) de Josef von Sternberg é o último título da colecçăo - um retrato do chamado "Monte Carlo do Oriente" nos anos 50, que nunca se estreou comercialmente em Portugal. Nos principais papéis estăo Robert Mitchum e a sensual Jane Russell, que se reencontram um ano depois de "Redençăo", o "thriller" de John Farrow.

"Macau" é também o último filme que o austríaco Sternberg realizou em Hollywood, apesar de "Jet Pilot" só estrear em 1957 (sete anos depois de estar concluído). A sua liberdade criativa estava cada vez mais limitada e Sternberg năo conseguia continuar a trabalhar nessas condiçőes. O sucesso que alcançou ao lado da diva Marlene Dietrich pertencia ao passado e os projectos produzidos por Howard Hughes foram a derradeira tentativa no cinema norte-americano. Posteriormente, o realizador renegava "Macau" - Hughes năo tinha gostado da sequência de acçăo no iate filmada por Sternberg e contratou Nicholas Ray para refazer várias cenas do filme.

As duas faces de Macau

"Todos estamos sós, preocupados e arrependidos. Todos procuramos algo." Quem o diz é Julie Benson (Jane Russell), uma cantora desempregada e cuja beleza só atrai problemas. Num barco que parte de Hong Kong rumo a Macau, Julie conhece Nick Cochran (Robert Mitchum), um viajante solitário que, enquanto passeia, é atingido pelo sapato da "donzela em perigo".

"Mitchum emerge perturbador, sob a intriga criminal, e o fulgor de Russell incendeia um contexto exótico, pelo Extremo Oriente. 'Macao' é um único testemunho artístico, simbolizando o cinismo humano no exílio do paraíso"
JOSÉ DE MATOS-CRUZ Historiador de Cinema

Antes de chegarem ao destino, Julie e Nick encontram ainda um pacato vendedor, Lawrence C. Trumble (William Bendix), que pretende combinar negócios e prazer, sobretudo nos famosos casinos daquele que já deixou de ser um território português. Mas Trumble năo é o que aparenta ser e reserva alguns segredos e surpresas.

"Macau tem duas faces", explica o narrador. "Uma calma e aberta", que representa a harmonia e a paz do Oriente. "Outra velada e secreta", porque os criminosos estão a salvo naquele território (não podem ser presos pela polícia internacional). Durante a noite, os perigos espreitam e os crimes sucedem-se. E é neste ambiente obscuro e enigmático que nasce a intriga. O seu inevitável alvo é Nick Cochran, com o seu ar reservado e respostas quase lacónicas. Vincent Halloran (Brad Dexter), dono de quase toda a cidade e proprietário do casino "The Quick Reward" na Rua da Felicidade, pensa que o recém-chegado norte-americano é um polícia disfarçado, enviado para prendê-lo fora do limite das três milhas de Macau. A ameaça tem de ser eliminada e Halloran utiliza a sua influência sobre a corrupta autoridade local, representada pelo tenente Sebastian (Thomas Gomez).

Caracterizada com pormenores pitorescos da cultura oriental, a história evolui por entre as ruas exóticas da cidade, a azáfama do casino e as canções de Julie, que cativam os espectadores mas não o seu público. Apesar das alterações impostas por Hughes, o estilo visual de Sternberg está patente em grande parte do filme. Na segunda cena de perseguição, é a própria filmagem que captura o fugitivo, numa das maiores sequências de "Macau". No interior da casa de jogo, é como se o espectador regressasse a outro filme de Sternberg, "The Shanghai Gesture" (1941), com uma composição fascinante dos detalhes - os pequenos cestos que sobem e descem ou os dados a serem misturados pela loira Gloria Grahame, com as suas longas luvas de seda.

Baseado numa história original de Bob Williams, o argumento de "Macau" foi escrito por Bernard C. Schoenfeld e Stanley Rubin. A sua atribulada rodagem e pós-produção acabaram por convertê-lo numa obra de produtor e não de autor, muitas vezes subestimada no universo do "film noir", mas com um dos melhores desempenhos da carreira de Jane Russell, só superado pela sua participação em "Os Homens Preferem as Loiras" (1953) de Howard Hawks.

"Macau" (1952), de Josef von Sternberg

Nesta aventura pelo Oriente, três desconhecidos encontram-se a bordo de um barco cujo destino é Macau. Um viajante solitário (Nick Cochran/Robert Mitchum), uma sensual cantora (Julie Benson/Jane Russell) e um caricato vendedor (Lawrence C. Trumble/William Bendix) têm passados diferentes e objectivos distintos. Informado sobre os recém-chegados pelo tenente Sebastian (Thomas Gomez), o criminoso Vincent Halloran (Brad Dexter) pensa que Cochran é um polícia que quer apanhá-lo e ordena ao tenente que o vigie por perto. Entretanto, Halloran contrata a bela Julie para cantar no seu casino. Quanto a Trumble, passa despercebido e afinal é ele quem reserva a maior surpresa. Sedução, corrupção e crime marcam este "film noir" de Josef von Sternberg. Depois de "Macau", o realizador abandonou Hollywood e fez apenas mais um filme - "The Saga of Anatahan" (1953) - no Japão. Visualmente, "Macau" combina a atracção de Sternberg pelos pormenores da cultura oriental e o seu fascínio pela fotografia.
Por Ana Filipa Gaspar / PÚBLICO

Afixado por Técnico Cinetário at 09:43 AM | Comentários (0)

novembro 29, 2006

Já está!

Na fotografia estão oito pessoas e ainda as mãos de uma outra. O Chefe, ao fundo da mesa, entre-olha uma mulher que está na segunda cadeira ao seu lado direito. Toda a imagem sofre de uma tonalidade verde-azulada, indicação de um balanço de brancos deficiente. Indicação de que tudo está um bocado errado nesta terra.
Em primeiro plano, à esquerda, está outra mulher de cabelo curto que reivindica essa mesma deficiência de cor. O tom do seu penteado vai do azul ao amarelo, tocando com força no castanho. Tem as mãos no colo, uma aperta a outra deixando um dos mindinhos de fora. Olha para a esquerda para o outro lado da mesa, em olhar cruzado, possivelmente para a pessoa de quem só se vislumbram as mãos.
Por detrás do Chefe, na parede, há um reflexo que fugiu do tecto, através do flash, levado por uma decoração em vidro que estraga qualquer noção de equílibrio nesta sala. A grande angular da lente encarregou-se do resto. Os cantos estão retorcidos, a linha do horizonte descaída, e a mulher do cabelo colorido tem uma cabeça do tamanho do mundo inteiro. A isto chama-se deformação de vista. Mas não é nada que um editor de imagem não deixe de resolver.
Transformo tudo. Os cantos ficam à solta, puxo os dois em baixo e as linhas verticais endireitam-se e tornam-se paralelas. Lá ao longe retiro o reflexo por detrás do chefe. E dou-lhe mais luz. Destruo a saturação dos amarelos. Dou vida aos pretos e por fim foco o que ficou por focar.
As oito pessoas estão mais sorridentes e assim o soslaio do Chefe fica mais nobre.

Afixado por Técnico Cinetário at 05:21 PM | Comentários (0)

setembro 01, 2006

Hoje acordei assim...

Klimt Eastwood
Gustav Klimt Eastwood, The Third - by Ring Joid
[LIL' ZOOM] + [ORIGINAL IMAGE]

Afixado por Mestre at 01:31 PM | Comentários (0)

fevereiro 10, 2006

(continuação) Póquer e outros jogos

poquer.jpg

written by mister Bob Dylan: O Chandler disse-me uma vez, "Tens de aprender a fazer bluff. Nunca hás-de vencer neste jogo se não o fizeres. Às vezes é preciso ser-se apanhado a fazer bluff. É uma ajuda para quando se tiver uma mão forte e se quiser que os outros jogadores pensem que provavelmente estamos a fazer bluff".

Afixado por Moço de Recados at 06:30 PM | Comentários (3)

fevereiro 09, 2006

Entrou-me um cisco para os olhos

greatest.jpg

Afixado por Moço de Recados at 10:55 AM | Comentários (2)

fevereiro 08, 2006

Literatura de cordel

em_Clichy.jpg

Vivi uns meses em Clichy em casa da Helena. Ela saía às oito mas eu ficava mais uma ou duas horas na cama. Ela deixava-me recados banais em cima da mesa da cozinha: Por favor lava a louça e despeja o lixo, Dá de comer aos peixes ou Não te esqueças de comprar pão e leite. A letra de Helena é muito bonita e delicada. Era tudo o que eu lia nessa altura.

Afixado por Moço de Recados at 01:19 PM | Comentários (0)

fevereiro 02, 2006

Low tar

Rossi.jpg
VALENTINO ROSSI- ontem - before testing a Ferrari Formula One car.

Afixado por Fornecedor Alternativo at 05:03 AM | Comentários (0)

janeiro 23, 2006

Muscle bend

Hoje lesionei o ombro. Nada de especial, amanhã já deve estar bom.
Perguntei à Rita onde tinha nascido ela. Disse-me que foi em Budapeste. Que é onde a família está toda. O pai nunca saiu do país e não é capaz de a vir visitar. Já tem setenta anos. Não sei que idade terá a Rita. Ela é a minha professora de Pilates! Tenho de lher tirar uma fotografia.
Lembrei-me disto quando estava a lavar os dentes e me doeu a articulação. É só falta de concentração. Lesionar-me assim.

Afixado por O Gajo Novo at 04:23 PM | Comentários (0)

janeiro 02, 2006

Wishful thinking

Dá-me tudo o que é teu.
Dá-me as tuas pernas.
Dá-me os braços.
Os teus dedos anelares.
A tinta das unhas.
As curvas do teu pescoço.
Dá-me tu toda.

Afixado por Guarda Costas at 09:29 AM | Comentários (0)

dezembro 24, 2005

Feliz memória(s) e bom anus novo

“É preciso começar a perder a memória, embora por fragmentos, para nos apercebermos de que sem ela a vida não seria uma vida, tal como a inteligência sem possibilidade de se exprimir não seria uma inteligência. A nossa memória é a nossa coerência, a nossa razão, a nossa acção, o nosso sentimento. Sem ela, nada somos.
....
A memória é permanentemente invadida pela imaginação e o sonho. E, como existe uma tentação de crer na realidade do imaginário, nós acabamos por fazer da nossa mentira uma verdade, o que aliás, se reveste de uma importância relativa, já que uma e outra são vividas numa intensidade pessoal.”
Luís Buñuel, 1900-1983

Afixado por Iconoclausta at 12:13 AM | Comentários (1)

novembro 14, 2005

Moço de Recados

- Sabes o que é que me fode mais, Lime?
- O quê, Purple?
- Não ter certezas, certezas absolutas.
- Não tens certezas absolutas, tu?! Essa é que é boa! Ah Ah Ah AHA AH AH...
- De que é que te estás a rir, parvalhão?
- AH AH AHA!
- Ri-te à vontade, estende-te ao comprido se te apetecer mas a mim fode-me não ter certezas absolutas...
- Ah ain ah ah... Mas, ain ah, diz-me lá tu, Purple, tu não gostas de gajas?
- Sim, gosto, gosto muito.
- Vês, aí está uma certeza absoluta, grande camelo!
- Falo precisamente de gajas mas não estava a ser tão superficiel?
- Superficiel?
- Desculpa, superficial...
- Superfícial?
- Sim, não se trata de limitar a discussão ao gostar ou não gostar...a crise é quando não sabes o que é que é mais importante...
- Explica-te, caralho!
- Sim, de um lado está o gostar muito do conforto e do outro o gostar muito do desejo...
- Quê?
- Não ter a certeza do que é amar...
- Nunca amaste, é essa a tua dúvida dentro das certezas, dromedário?
- Dormedário?!
- Não tanso, eu disse Dromedário.
- Está bem, adiante-se, amar amei mas nunca percebi até onde chega esse amar.
- Esse amar não te deu para mudares a vida do avesso e vai daí achas que o teu amar não é coisa que se veja, se bem te entendi...
- Pois e essa merda fode-me!
- Olha, sabes que mais?
- Que mais?
- Anda daí que eu pago-te um copo.
- Vamos.
- E sabes que mais, não existe amar de amor de verdade. Nós queremos foder e fora isso temos é muito medo de estarmos desamparados, sem Mãe ou qualquer coisa que se lhe pareça. Nós sem Mãe não somos coisa que se veja. Elas não querem ficar desamparadas do pé para a mão, sem alguém que tome conta delas e dê ordens e lhes decida o rumo da vida e, muita vez, tal como nós confundem o amor de verdade com amar de teatro e de filmes, ´tás a ver?!
- Foda-se, Lime, tu és um génio, caralho!

Afixado por Lime & Purple at 09:06 PM | Comentários (1)

novembro 10, 2005

Prazer dos Diabos

Mas por que raio se está a dar tanto destaque a um canal que mal se vê, pergunto eu? Não estará o senhor Prusidente a exagerar na protecção dada ao seu lacaio? Quarta-Feira, dia 16, às 22.30 horas? Teme-se o pior.

Afixado por Moço de Recados at 08:02 PM | Comentários (2)

outubro 28, 2005

He He He

- Estavas com medo de ser Pai... he he he he...
- Pois estava, tu também estarias.
- 'Atão porquê?
- Porque a relação não foi abençoada por Deus.
- Deus?! Tira lá o teu Deus desta conversa, pá!
- Não é o meu Deus, é o Deus de todos nós... eu tenho um, tu terás outro e a mulher da relação que não foi abençoada por Deus terá outro ainda, seguramente.
- Eu não tenho Deus nenhum, Deus me livre e guarde, he he he he...
- Tens tens, pode até nem ser o da Bíblia mas tens, tens de certeza.
- Tenho-me a mim e basta.
- Olha, o meu Deus é um tipo careca, com 69 anos, com uma prótese na mão esquerda, a quem chamo Pai.
- O teu Pai não abençoava a relação, é?
- É sim. O meu Pai gosta muito da minha mulher, não admite uma segunda mulher na minha vida.
- Vê lá tu bem, o Paizinho.
- Deus!
- Paizinho de Deus.
- Todas as minhas amantes são escondidas do meu Paizinho he he he he...
- E tu abençoas a relação?
- Claro, conheces-me bem, abençoo todas as minhas amantes.

Afixado por Moço de Recados at 07:03 PM | Comentários (6)

outubro 25, 2005

Vais ser Pai, sabes?!

- Olha, afinal a coisa correu mal, vais ser Pai!
- Diz?
- Vais mesmo ser Pai, estou atrasada semana e meia...
- Desculpa, importas-te de repetir?
- Nunca me atraso e já lá vai semana e meia de atraso, vais ser Pai de uma criança nossa!
- Chiça, mulher, não consigo perceber nada do que me estás para aí a dizer...
- Desconfio que vais ser Pai, tu!
- Desconfias ou tens a certeza?
- Oh pá, quer dizer, estou atrasada semana e meia e, sabes bem, eu nunca me atraso...
- Sei?!
- Sim, sabes, tenho uma menstruação muito certinha, nunca me atraso, o período é ao dia certo desde que me lembro de ser mulher...
- Ah, estou a ver, estás uns diazinhos atrasada.
- Semana e meia, semana e meia.
- Pois, isso.
- E que me dizes, então, agora que segundo parece podes vir a ser Pai de um filho nosso?
- Diz?!
- Sim, o que me dizes a isto?
- Segundo parece a coisa correu mal?
- Afinal ouviste?
- Segundo parece, afinal, quer dizer... em que é que ficamos, estás prenha ou não estás?
- Ya, sabes como é, eu nunca me atraso, diria que não há dúvidas...
- Diz?
- Diria que não restam grandes dúvidas.
- E queres ser Mãe, tu?
- Sabes como é... quer dizer, eu adorava ter um filho teu, Jonas, foda-se, querido, o que eu mais quero é ter um filho com a tua cara, com esses olhos verdes lindos, com essa inteligência que me deixa de braços e pernas bambas, com essa tua calma, foda-se, o que mais quero na vida é ter um filho teu, Jonas!
- Diz?
- Amo-te, Jonas, amo-te e quero ser Mãe dos teus filhos todos e quero casar-me e ir viver para um condomínio privado!
- Condomínio Privado?
- Sim, quer dizer, um sítio calmo, entendes?!
- Quer dizer?
- Opá, um lugar grande e pacífico para as crianças brincarem, tu percebes-me, eu sei...
- Tu nunca te atrasas?
- Sim, tenho uma menstruação muito certinha.
- Estás atrasada semana e meia, correcto?
- Sim.
- Diz?

Afixado por Moço de Recados at 07:38 PM | Comentários (3)

agosto 17, 2005

O Carro estava agarrado à árvore como uma chave de porcas e eu via o Cristo a fazer-me sinais com um mindinho

O rebuçado foi largado na minha secretária, embrulhado em papel de jornal. Enquanto o metia na boca marquei o número da remetente.
- Está?! Bela prenda...
- Sabia que detestavas caramelos.
- Pois.
- Por isso enviei-te esse Chupa-Chups luzidio... humm!
- Sabe bem, talvez doce demais mas sabe bem.
- Leste o que dizia o jornal?
- Não. Rasguei e atirei para o cesto dos papéis...
- A sério?
- Sim. Era para ler?
- Era sim.
- Desculpa.
- Cabaça d´um cabrão, tens a sensibilidade de uma pedra, de uma placa de mármore polido. Estúpida sou eu, a enviar-te rebuçados pelo correio, por estafeta, por um desgraçado que corre perigo de vida no meio do trânsito, capaz de se meter dentro de um autocarro da Carris sem pagar bilhete...
- Desculpa, sou mesmo uma cabaça.
- Mas que estúpida sou, quem me manda a mim ver-te como um gajo merecedor de atenção...
- Pois...
- Cabaça d´um cabrão, atrasado mental, placa de mármore polido, é o que tu és... bolas! Mas por que carga de água é que eu ainda me dou ao trabalho de te mandar rebuçados, docinhos, encomendas perfumadas, mas por que carga de água...
Sem dizer palavra poisei o auscultador e fechei a gaveta da secretária. Desliguei o computador e tele-transportei-me para casa da Assussora. Calçava uns sapatos que a faziam ainda maior, faziam-na descomunal, mais poderosa do que o incrível Hulk e o Thor juntos. Vestia um babydoll e tinha um chupa-chups na boca. Tó-tós a prender o cabelo e sardas pintadas com caneta de feltro.
- Viste finalmente o canal, foi?
- Sim, labrego, vi e gostei...
- Gostaste?! Como? Muito, pouco, assim assim, como baby?
- Como gosto de ti, enfim, só para ver de vez em quando. Aquilo não dá para gostar a ponto de ver todos os dias, ´Lil Sister...
- Ah, entendo.
- Pois ainda bem.
- E queres um chupa-chups, tu?
- Não vês que já tenho um, criatura?! Arre que é autista, o Moço!
- Sabes o que é que me apetecia, matulona boazona cavalona, sabes?
- Diz lá, bonzão.
- Ir-me daqui para fora...
- E o babydoll, e as sardas, e os tó-tós, como ficam todos?
- Ir-me daqui mas contigo ao colo, e fazer um piquenique a quatro, contigo, com a L. Monroe e com a D. Mamalhuda. A três, bem vistas as coisas...
- E o babydoll, e as sardas, e os tó-tós, como ficam todos?
- Podem ficar para mais tarde, se ainda tiveres paciência, baby?! Podem?

Afixado por Moço de Recados at 09:46 AM | Comentários (2)

junho 29, 2005

Recuperar, quando nos surpreendemos alegres com o que recuperamos, é bom

«A barba ainda não tinha crescido e já eu tinha estragado duas Wilkinson de lâmina simples em desesperadas tentativas para aparar o buço. Sentia-me na flor da sexualidade, masturbava-me que nem um bruto, lavava as partes várias vezes ao dia, perfumava-me e compunha a cabeleira. Era um homenzinho, antes do tempo. Por aqueles dias ninguém sabia o que era a internet e as revistas de mulheres nuas custavam dinheiro a mais e eu só pensava em foder. Andava eu pela ronda da rua ao lado da minha, onde me esperava a minha nova namorada de 11 anos dali a vinte minutos, quando me deparei com um cigano, pequenito, a amedrontar três gajos do meu tamanho. Instintivamente meti-me a caminho, decidido a acabar com aquela farsa. Gritei ao ciganito, agarrei numa pedra e ameacei-o ao mesmo tempo que corria na direcção dele. O ciganito bracejou e continuou a ameaçar os três meninos bem, educadinhos e nada familiarizados com aquela agressividade toda. Bracejou uns segundinhos porque depois abalou a fugir virado para mim, também a dizer - Eu conheço-te, estás fodido, está fodido! e eu respondi-lhe, autoritário na pele de puto munido de bilhete de identidade e registos de morada fixa - Eu sei onde dormes, sei quem é a tua Mãe e o teu Pai, desaparece daqui cigano de merda! Os outros três chamaram-me porreiro e outros nomes do género, eu sorri com a cara de parvo que ainda tenho e meti-me pela rua a fazer tempo para o encontro. Ao fundo vi-a a dirigir-se para o ponto estudado mais cedo do que o previsto, levava a irmã mais nova pela mão. Tal como no dia anterior ia dar beijos às duas, sem pressas, sem pressões. Um homenzinho antes do tempo, assim era eu.»
por Moço de Recados in "Homenzinho" - ABR 04

Afixado por Moço de Recados at 06:01 PM | Comentários (5)

junho 21, 2005

Am I?

«Yes, I am blind
No, I can't see
The good things
Just the bad things, oh...
Yes, I am blind
No, I can't see
There must be something
Horribly wrong with me?
God, come down
If you're really there
Well, you're the one who claims to care
Love's young dream
I'm the one who shopped you
I'm the one who stopped you
'Cause in my sorry way I love you
Love's young dream
Are you sorry
For what you've done?
Well, you're not the only one
And in my sorry way I love you
Yes, I am blind
But I do see
Evil people prosper
Over the likes of you and me
ALWAYS
God, come down
If you're really there
Well, you're the one who claims to care
Little lamb
On a hill
Run fast if you can
Good Christians, they want to kill you
And your life has not even begun!
You're just like me, you're just like me
Oh, your life has not even begun!
You're just like me, you're just like me
And your life has not even begun!
You're just like me, just like me
And your life has not even begun!
You're just like me, you're just like, just like me
And your life has not even begun!
»

Morrissey - "Yes, I Am Blind"

Afixado por Moço de Recados at 09:50 AM | Comentários (2)

junho 02, 2005

O Moço de Recados não consegue manter o coiso em pé

Tomá lá que é para aprenderes, ó boca rota!

Afixado por Controlado pelo Tráfego Aéreo at 10:06 AM | Comentários (3)

abril 27, 2005

Upon this Earth - David Sylvian

A música era lá atrás, algures abaixo da bancada dos electrodomésticos, ela era ali comigo, abrigados os dois por um tecto enfeitado com riscas tipo adidas em tons de verde. A música sem voz era lá atrás, os telemóveis, a sala, a casa de banho e os quartos secundários também. Ela era ali, em cima de mim, a tactear-me, a identificar-me, a medir-me os ossos e a carne em curtos mas macios beijos. A música era lá atrás e nós ali, a salvo das tempestades de gelo e da lava que corre num qualquer ponto de um Planeta em fúria. Não havia fúria ali, ao som da música sem voz. Upon this earth. Tudo muito puro, tudo muito calmo. Gone to Earth. Gravas-me este disco, Moço? A música era lá atrás, ela tinha fome, queria almoçar. Houve ovos com massa com pedaços de fiambre. Por mim não havia fome no mundo.
Envio-te sim, Assussora. Não gravo mas envio.

Afixado por Moço de Recados at 03:59 PM | Comentários (2)

fevereiro 11, 2005

Estica-me a máquina, Himmler

Goering: Estica-me a máquina, Himmler, vá, como deve ser!
Himmler: Sem mãos, outra vez, pode ser?!
Goering: Claro está, sem mãos. Acima e abaixo, sem mãos, claro está.
Himmler: Então cá vai...slrp chlep sllrp chlaap lap lap ppp cleeep clap clap...
Goering: Sim, pelo Arado, sim sim
Himmler: Chlep sllrp sllrrpp lep lep
Goering: Sim, controlado, sim, tu e eu dentro de um Arado...
Himmler: galp glaap glopp ppp

Afixado por Moço de Recados at 02:44 PM | Comentários (2)

janeiro 25, 2005

Perdi o Barney por causa da minha luta constante contra o tempo que me resta

O meu tempo tem dois donos, a casa e o dever. Sou um escravo do que entendo ser o dever. E por causa dessa devoção ao supostamente correcto não arranjei tempo para ver o ciclo Cremaster, as horas seguidas de imagens pensadas pelo Barney. E agora ao vasculhar os arquivos descobri a sugestão da Assussora e pensei que apenas nós devemos ser donos do nosso tempo, nós em nosso nome, nós independentes da casa e do dever. O Barney é o nosso tempo, o meu e o da Assussora.

Afixado por Moço de Recados at 07:36 PM | Comentários (2)

novembro 22, 2004

Make it easy on yourself, Estafermo

Make it easy on yourself

Oh, breaking up is so very hard to do

Verse 1:
If you really love him
And there’s nothing I can do
Don’t try to spare my feelings
Just tell me that we’re through

Chorus 1:
And make it easy on yourself
Make it easy on yourself
’cause breaking up is so very hard to do
Verse 2:

And if the way I hold you
Can’t compare to his caress
No words of consolation
Will make me miss you less

Chorus 2:

My darling, if this is goodbye
I just know I’m gonna cry
So run to him
Before you start crying too

[repeat chorus 1]
Oh, baby, it’s so hard to do

Caso não saibas, é do mesmo Burt de que te falava a Assussora...

Afixado por Moço de Recados at 07:11 PM | Comentários (3)

agosto 27, 2004

Fuck you very much, sir

A deixa é tirada daquele filme manhoso com o foleiro do Michael Douglas, aquele em que um cidadão exemplar se passa dos carretos e desata a matar gente. O filme é uma merda mas a deixa, que me foi ditada por um amigo do peito que vai dar o nó no mês que se avizinha, seguro do que faz mas confuso relativamente ao que eu gosto ou desgosto na história do cinema, vale o esforço. O que também vale o esforço é este Blog do qual me divorciei recentemente mas que, como qualquer relação carnal, me chama a pecar constantemente. Esta coisa a que chamaram Blog Motel Prusidente faz um ano, este poiso desvendado pelo Prusidente tem um ano de vida...e até parece que foi ontem! Pediram-me para escrever,«escreve, caralho, escreve!», e eu assim o faço ainda que não saiba sobre o que escrever. Melhor, já não escrevo, alheei-me da escrita, alheei-me de tudo. A escrita chateia-me, a escrita pressiona-me. Indigente irritante, atento mas deprimido. À falta de melhor desejo a todos um bom ano, boas entradas e que Deus Nosso Senhor vos dê sorte, saúde e alegria. Beijinhos, tal como os atirava a Evita.

Afixado por Moço de Recados at 12:18 PM | Comentários (5)

julho 13, 2004

ZEZA, faltam 12 kms

«Dear Prudence» sintonizado na rádio. O pé direito dela, com as unhas pintadas de vermelho, de fora, quase encostado ao espelho retrovisor. A lata de cerveja ainda fresca colada ao travão de mão. Os RayBan clássicos, de lentes esverdeadas, presos na ponta do nariz, do meu. O vidro sujo de poeira, os limpa pára-brisas antes pretos e agora de tonalidade creme. Duas fatias de pão barradas com pasta de atum, ainda envoltas por celofane, sobre o porta-luvas aberto. Sem sorrisos seguimos a direito.
Faltam cerca de 20 kms para nos separarmos. Eu, ao volante, tinha cumprido a minha parte do acordo, ela cumpriria a metade que lhe estava reservada concluindo a segunda parcela da viagem sozinha. Pelo meio, nas duas noites passadas longe de casa, portámo-nos tão bem que nos ficámos pelas bebedeiras e por uns pézinhos de dança. Numa delas ainda meti o nariz no quarto, armado em segurança de beldade multi-milionária, mas fiquei-me pela correção, essa merda que me torna tão irritante. E agora ao faltarem 20 kms a ideia de a ver partir atormenta-me. - Escreve-me, por favor! - pedi-lhe depois de levar a lata à boca, angustiado. Os olhos irritados pela poeira desviam-se sistematicamente para o vermelho das unhas pintadas. - Escrevo, sim, mas sem promessas, passarinho.
Porra, penso, faltam 17 kms e não há nada a fazer, a minha parte está quase acabada, ela vai-se embora e eu vou ficar a vê-la a cruzar as linhas de asfalto ou de terra batida ou de caminhos de ferro ou lá o que nos espera daqui a 16 kms.
Um escavadora coberta de ervas, alaranjada de velhice, testemunha a minha desorientação quando abrando a marcha junto a um campo que em tempos havia sido lavrado. Naquele campo só a escavadora pode ver-nos. Imobilizo-nos ao lado da vedação a metro e meio da estrada. Faltam 12 kms para o fim. - Olha, sabes que mais, não me apetece nada deixar-te daqui a 12 kms!
- Então não deixes e vem comigo.
- Mas isso não faz parte do acordo.
- Precisas de documentos, de assinaturas, para definir isto?
- Não preciso mas sinto que falta sempre qualquer porra para ter a certeza do que quero.
- Qual porra, diz lá?
Naquele repente agarra nos meus óculos e coloca-os. Está a sorrir. Está a ganhar. Zeza, baby, faltam 12 kms, diz, ordena, manda, define as regras. A escavadora é capaz de se mexer se tu não te despachas. Pára de sorrir, Zeza, já ganhaste. A cerveja está à mão e eu agarro-a. A escavadora vai mexer-se, eu começo a rir com o nervoso, Zeza, faltam 12 kms para o fim. - Mas qual porra, diz-me, de que porra se trata? - a pergunta é feita a uma distancia tão curta que me impede de ver a escavadora lá ao fundo, alaranjada e coberta de verdes e acastanhados. Zeza, baby, não me apetece nada deixar-te daqui a 12 kms.

Afixado por Moço de Recados at 11:53 AM | Comentários (3)

julho 05, 2004

The Dancer - Polly Jean Harvey

He came riding fast like a phoenix out of fire flames
He came dressed in black with a cross bearing my name
He came bathed in light and the splendor and glory
I can't believe what the lord has finally sent me

He said dance for me, fanciulla gentil
He said laugh a while, i can make your heart feel
He said fly with me, touch the face of the true god
And then cry with joy at the depth of my love

Cause i've prayed days, i've prayed nights
For the lord just to send me home some sign
I've looked long, i've looked far
To bring peace to my black and empty heart

My love will stay till the river bed run dry
And my love lasts long as the sunshine blue sky
I love him longer as each damn day goes
The man is gone and heaven only knows

Cause i've cried days. i've cried nights
For the lord just to send me up some sign
Is he near? is he far?
Bring peace to my black and empty heart

So long day. so long night
Good lord, be near me tonight
Is he near? is he far?
Bring peace to my black and empty heart

Afixado por Moço de Recados at 02:04 PM | Comentários (2)

julho 02, 2004

Músicas preferidas

Sugiro que se abra o espaço no blog, o campo para as preferencias musicais de cada um dos convivas. Ouvir atentamente pode significar vibração interna capaz de provocar terramotos. Elas fazem-nos maiores e mais audazes.

In every dream home a heartache
And every step I take
Takes me further from heaven
Is there a heaven?
I`d like to think so
Standards of living
They´re rising daily
But home oh sweet home
It´s only a saying
From bell push to faucet
In smart town apartment
The cottage is pretty
The main house a palace
Penthouse perfection
But what goes on
What to do there
Better pray there

Open plan living
Bungalow ranch style
All of it’s comforts
Seem so essential
I bought you mail order
My plain wrapper baby
Your skin is like vinyl
The perfect companion
You float my new pool
De luxe and delightful
Inflatable doll
My role is to serve you
Disposable darling
Can´t throw you away now
Immortal and life size
My breath is inside you
I´ll dress you up daily
And keep you till death sighs
Inflatable doll
Lover ungrateful
I blew up your body
But you blew my mind

Oh those heartaches
Dreamhome heartaches

«In every dream home a heartache» - Roxy Music in «For Your Pleasure»

Afixado por Moço de Recados at 08:10 PM | Comentários (2)

junho 28, 2004

Love Removal Machine

Check this one

Fell to the red room because she was there, uh-huh-huh-huh
A scarlet woman, she got me in fear, yeah, yeah, yeah
She said, do all those things that you do to me
You know what I mean, boy
Do all those things that you do to me, yeah

(Talkin' bout love)
Love remover
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, soul shaker
(Talkin' bout love)
Love remover machine

Baby, baby, baby, baby, baby, I fell from the sky
Yesterday, you blew my mind, oh yeah
Having trouble with my direction
Upside-down, psychotic reaction, oh

(Talkin' bout love)
Love remover
(Talkin' bout love)
Love removal machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, soul stealer
(Talkin' bout love)
Love removal machine

(Talkin' bout love)
Gimme love
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, fun remover
(Talkin' bout love)
Love removal machine

Yeah
(Talkin' bout love)
Love remover
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, fun remover
(Talkin' bout love)
Love remover machine

(Talkin' bout love)
Gimme love
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, soul shaker
(Talkin' bout love)
Love removal machine

Ooh yeah

Look out, here she comes
Look out, here she comes
I said, look out, here she comes
Look out, here she comes, yeah

Shake it, don't break it, baby
Shake it, don't break it, baby
Shake it, don't break it, baby
Shake it, don't break it
Baby
Ow, ow, ow
Ow, ow, ow
Ah, yeah


Caro Prusidente, espero que esta o encontre bem graças a Deus. Teria feito bem a vossa excelência, seguramente, uma voltinha como a que dei pelo Norte de Espanha, intrometendo o meu coche por tudo o que era aglomerado de dez ou mais casitas viradas para o mar...Galiza, Astúrias, Cantábria, chupei-as todas...pelo caminho, rumo ao semi desconhecido, algures entre Comillas e Covadonga, recuperei esta pérola dos Cult como que por acaso. tanto quanto a minha memória alcança, vocemecê não gostava muito disto. Preferia a fase Dreamtime e, em desespero de causa, Love. Mas, mesmo assim, achei por bem partilhar esta insignificancia consigo.
asteluego

Afixado por Moço de Recados at 12:03 PM | Comentários (3)

De volta, depois de Espanha

Saudades, das grandes. Folgo em saber que este blog se tem mantido movimentado qual aeroporto internacional de Lisboa. Parabéns Prusidente e subditos.

Afixado por Moço de Recados at 10:22 AM | Comentários (1)

maio 27, 2004

motel prusidente

Se pensa que vai entrar num MOTEL recheado de surpresas, de conversas animadas, de teorias sentimentais , de música, de sonhos e pesadelos, de desejos e até de sexo, está enganado!
Este Motel já teve a sua época. É que tudo tem o seu tempo, depois...é inevitavelmente o declínio. As camas estão por fazer, as portas dos quartos não têm fechadura, o restaurante já não funciona, só serve ginginhas em copos de três (querem pior?). Na recepção encontrará uma boazona decadente a limar as unhas, que por aqui se manteve sem razão, e que pela mesma razão se vai embora. Para quem gosta de fenómenos espectrais, talvez valha a pena dar uma espreita, é que vive um fantasma no Motel Prusidente, uma mulher que se enfiou e se perdeu num dos quartos e que ainda hoje é vista a vaguear captando imagens dos poucos que se atrevem...
O que aconteceu? Dizem que foi uma virose. O Prusidente anda por aí a carpir e os outros seguiram-lhe os passos. A Madame Satã foi de retro com o seu amigo, a Produtora de Inventos e o Mestre foram de Lua de Mel, nunca mais ninguém os viu.
Vos deixo com uma frase do Mestre:

"Perdições"

Amigo sem A não é como Revolução sem R
Amigo sem A, continua a ser amigo é o Migo
E estamos cá é para andarmos de braço dado.

ATÉ SEMPRE!

Afixado por Assussora Remota at 09:50 AM | Comentários (3)

maio 07, 2004

Horny

Não há dia em que assim não acorde, não se passa um único em que não me sinta horny. Nasci para isto, para ser horny e para espalhar o amor em redor, ao ser humano mais próximo, à mulher mais dedicada, aos solitários, aos apaixonados, aos quentes e crentes, às tipas que saibam beijar em condições. Horny, enfim, é como me sinto. Horny, horny, horny like Joe Dallesandro or maybe like Terence Stamp in The Colector.

Afixado por Moço de Recados at 01:32 PM | Comentários (5)

abril 29, 2004

A Ponta e o jogo das palavras

A tesão, ora aí está um assunto que nos une a todos. Mal ou bem interessa a todos os pecadores, a uns mais do que a outros, na verdade, mas interessa a todos. Pessoalmente sinto-a com uma frequência assustadora, é um tormento, aparece-me quando menos a espero mas, sei, em doses mais avantajadas quando o encantamento surge através da escrita. As palavras trocadas, em crescendo de intensidade fazem-me aumentar no tamanho e na perversidade, trepo, galgo degraus, à conta das frases ou de simples palavras como Boazona. Repito-me? Sim, repito mas de que importa isso se a tesão também se repete tanta vez, seja no local de trabalho seja em casa, em frente ao computador ou no cinema, seja no carro, seja na garagem, seja no jardim. Um amigo meu diz-me, volta e meia, que a tusa inoportuna o obriga a masturbar-se na casa de banho do serviço, lá naquele ramo da função pública onde perde tempo com processos chatos até mais não. Mesmo para gente cujo trabalho é uma chatice a tesão surge como a salvação circunstancial, difícil de ignorar. A tesão é tão boa, a tesão é vida, a tesão aproxima-nos dos animais nossos amigos, a tesão é o que importa, é o que nos separa dos tansos que vão à missa todos os dias e que só fodem - fazem amor perdão! - numa determinada posição e que não conseguem imaginar uma penetração anal como deve ser porque se trata de um sacrilégio, próprio dos animais nossos amigos. E pronto lá vou eu ter que terminar isto falta-me sempre tempo, porra, sempre, sempre...desculpai, desculpai-me pecadores.

Afixado por Moço de Recados at 11:57 AM | Comentários (10)

abril 28, 2004

Arre, Chiça

- São duas imperiais, faz favor.
- Estás a pedir em meu nome?
- O que é que tem? Não queres, é isso?
- Só não gosto que tomes a liderança, chiça...
- Olhe, ó faz favor, retiro o pedido, traga-me só uma imperial, o resto fica para depois!
- O que é que estás a fazer?
- A mandar a tua imperial para trás, simple as that.
- I hope you burn in hell, simple as that!
- Isso lembra-me o Blog...
- O Blog?
- Sim, o Blog.
- Olhe, ó rapaz, pssssiu, rapazinho...traga-me uma imperial para mim também!
- Arre.
- Arre, o quê?
- Nada, deixa lá, saiu-me...
- Chiça, porque é que eu ainda me dou ao trabalho de vir ter contigo?
- Perguntas bem, perguntas bem, porque é que te dás ao trabalho de vir ter comigo?!
- Não seja por isso... - Arrastou a cadeira para trás e desandou pegando na mala com uma expressão determinada, independente, segura. Coloquei os óculos escuros e abri o jornal. As imperiais vieram e eu poisei o jornal. Arre, eu devia era pôr-me ao fresco o quanto antes.
Senhor Doutor, diga-me, o que devo fazer? Ir-me ou ficar-me?

Afixado por Moço de Recados at 07:52 PM | Comentários (11)

abril 23, 2004

Devotion

I'm an underwater fraulein
I'm an underwater fraulein
all I know is my rhyme
all I know is my rhyme
long lost daughter of mine
can you send me a sign
can you send me a sign

Feels like devotion
under my skies
feels like devotion
makes the rockets fly

And I don't know if a word
can explain all the possibilities
and I hope it is clear
I don't think complaining is
the answer here
I'm an underwater fraulein
I'm an underwater fraulein

Chorus

And I think sometimes you're right
when I'm wrong
and I think sometimes you're wrong
when I'm right
Thank God I can see your side

Chorus

(give me a little while / I will see your side)

Luscious Jackson - «Devotion»

Foi ao som deste tema retirado de «Electric Honey» que me fiz à estrada hoje. Queria experimentar a S.B.Green mas continuo a busca sem, no entanto, a encontrar à venda. E precisamente por isso fiz-me à estrada hoje, bem cedinho. Não descobri a solução para o problema e, à falta de resposta, desejei ser uma Underwater Fraulein. Estarei a ficar louco, senhor Doutor?

Afixado por Moço de Recados at 03:53 PM | Comentários (3)

abril 20, 2004

Homenzinho

A barba ainda não tinha crescido e já eu tinha estragado duas Wilkinson de lâmina simples em desesperadas tentativas para aparar o buço. Sentia-me na flor da sexualidade, masturbava-me que nem um bruto, lavava as partes várias vezes ao dia, perfumava-me e compunha a cabeleira. Era um homenzinho, antes do tempo. Por aqueles dias ninguém sabia o que era a internet e as revistas de mulheres nuas custavam dinheiro a mais e eu só pensava em foder. Andava eu pela ronda da rua ao lado da minha, onde me esperava a minha nova namorada de 11 anos dali a vinte minutos, quando me deparei com um cigano, pequenito, a amedrontar três gajos do meu tamanho. Instintivamente meti-me a caminho, decidido a acabar com aquela farsa. Gritei ao ciganito, agarrei numa pedra e ameacei-o ao mesmo tempo que corria na direcção dele. O ciganito bracejou e continuou a ameaçar os três meninos bem, educadinhos e nada familiarizados com aquela agressividade toda. Bracejou uns segundinhos porque depois abalou a fugir virado para mim, também a dizer - Eu conheço-te, estás fodido, está fodido! e eu respondi-lhe, autoritário na pele de puto munido de bilhete de identidade e registos de morada fixa - Eu sei onde dormes, sei quem é a tua Mãe e o teu Pai, desaparece daqui cigano de merda! Os outros três chamaram-me porreiro e outros nomes do género, eu sorri com a cara de parvo que ainda tenho e meti-me pela rua a fazer tempo para o encontro. Ao fundo vi-a a dirigir-se para o ponto estudado mais cedo que o previsto, levava a irmã mais nova pela mão. Tal como no dia anterior ia dar beijos às duas, sem pressas, sem pressões. Um homenzinho antes do tempo, assim era eu.

Afixado por Moço de Recados at 11:43 AM | Comentários (6)

abril 14, 2004

Ngatim, o restaurante

«O restaurante voltava a acolher-me sem alarido, sem algazarra, sem banda sonora. Era uma Segunda-feira tardia, cheia de Sol e humidade, mas era apenas uma Segunda-feira. Os meus colegas trabalhavam e eu gozava a primeira de duas folgas seguidas a sete dias de trabalho, com um tufão pelo meio. Porra, que venha uma Tsingtao fresca, à pressão. - Menina, Sio Tche, iat có Tsingtao, ou tó Tong! TONG! Enquanto bebia avistava uma barcaça lenta, quase parada, a atravessar o estreito que nos separava de Zhuhai. A Sister teria gostado daquilo, na volta até mesmo a Assussora teria apreciado aquela alegria tranquila, o Encaracolado estaria a rir-se e o Prusidente teria proposto algo do tipo «vamos tirar as roupas e dar um mergulho no baixio, caralho». Nenhum estava ali, para bem do baixio e para mal do negócio do Ngatim. Para além das quatro empregadas que sorriam para mim e diziam «lei-cá-tou, lei, leng chai» - uma delas era capaz até de levar uma trinca se tomasse um banhinho antes - só a recém chegada inglesa dona da casa de móveis ali se encontrava. Aquela puta fica para a história como a única capaz de beber as seis primeiras imperiais, com prazer, mais rápido do que eu. A cada uma que se perfilava para ser desepejada pela goela levantava o copo e brindava-me. Sua puta, és linda, mais vermelha que um semáforo, dizia-lhe em sussurro. Ela sussurrava algo que, mal ou bem, não devia andar longe do que eu acabara de sussurrar, apenas com evidente diferença cromática. Eu, por muito que bebesse, jamais atingiria aquele tom de brazeiro facial. Sim senhor, isto é que é uma tarde bem passada, amigos. Quatro gajas do campo a rir e a falar entre elas ao mesmo tempo que estão a olhar para nós, um copo de cerveja gelada sempre pronta a desaparecer, uma inglesa alcoolizada disposta a competir e uma ida à prisão prevista para pouco depois, para partilhar com duas ou três pessoas uns minutinhos de visita a um amigo que estava injustamente metido dentro. Ao pensar nele senti-me um felizardo, Coloane ao final da tarde, húmido até mais não, ali no Ngatim, valia por sete dias de trabalho árduo com um tufão pelo meio que quase me rebentou o quarto de dormir de alto abaixo. Além do mais, ao pensar no Carlos, percebi que não há males sem emenda para além da morte e da prisão. Ele, tal como o encaracolado, tal como o Prusidente e a Sister, teria gargalhado e bebido, feliz, genuinamente feliz.»

O Moço, a pedido de um amigo

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abril 07, 2004

a tua língua 2

Caríssimo Moço de Recados
Hoje consegui o minuto, aquele que lhe tinha pedido, e como está lúcido (hmm como gosto de si bem lúcido) vou gastá-lo todo consigo. É precioso este minuto. Espero que lhe dê o devido valor.
Lembra-se daquele texto que a Exª escreveu intitulado “A Tua Língua”? Tem razão Moço, a linguagem é uma negaça relativamente à expressão daquilo que nos vai na mente, e mais ainda quando a linguagem é apenas escrita, onde não há “respirações audíveis nem olhares convergentes”.
Aqui somos seres virtuais e como tal podemos explorar a linguagem e os seus limites para provocar, desentender, gozar, viver e conviver, amar e até para sofrer quando nos dá para aí, que bom, que bom.
Lembra-se da banheira Moço, da minha? Está assente em chão de madeira, rodeada de paredes em tons de vermelho (coincidência para quem nunca a viu!), à sua espera sei lá há quanto tempo. O Prusidente e o Mestre já lá tomaram uma banhocas, deixaram-me tudo encharcado o raio dos miúdos. Também já lá tomaram banho a Diva, a Enfiada e a Inventora.
O que eu lhe quero dizer Moço, é que o mail que aquela menina pediu, não foi ela fui eu, deixe-se de coisas, liberte-se, grite do alto da montanha e atire-se, não tenha medo, aqui não há subterfúgios é tudo tal qual como imaginamos e só como queremos. Cale-me essa matraca e despache-se que tenho outras coisas para lhe dizer: mila_sargratus do hotmail.
E com isto já lá vão precisamente 58 segundos naõ tennho tempo para rever o tex

Afixado por Assussora Remota at 02:03 PM | Comentários (1)

abril 05, 2004

Foster Geladinha

Encontrei-o parado, com os olhos agarrados algures fora da sala, virado para o vidro enorme que preenchia grande parte da fachada do café. Sentei-me e mandei vir o mesmo que ele havia escolhido: uma cerveja australiana de rótulo azul. - Então o que é que contas? - perguntei.
- Vou mudar de vida, M., vou mudar.
- Mudar, como, mudar de emprego, de casa, de rua, de carro, o que é mudar de vida, R.M.F.?
- Conheci uma fulana por quem me apaixonei... e, foda-se, não me venhas com lições de moral, a última merda que quero ouvir dessa boquinha de responsávelzinho da treta é uma lição de moral, ok!?! Poupa-me, ouve-me e poupa essa tua conta privada cheia de sentenças, cheia de liçõezinhas de moral, caralho. Gasta-a com outro qualquer, não comigo!
- Bem, pela quase histérica celeridade da resposta às minhas perguntas, pela antecipação da minha resposta, só podes estar mesmo afectado...
- Apaixonei-me, azar.
- Azar?! Azar é roubarem-te o carro no dia em que o vais vender por bom preço...
- Outra merda em ti que não suporto é esse teu jeitinho para comparar sem o mínimo jeito para ter graça... esta é de amigo, acorda, deixa-te disso, é ridículo!
- Está bem, está bem, está tudo muito bem...então conta lá, como é que te apaixonaste?

- Vai para o caralho!
- Vá, conta, esquece a cena do azar... ama-la?
- Sim.
- E como é que começou, a paixão?
- Não sei precisar, aconteceu...primeiro gostei da forma como gostou de mim, como disse desejar-me, como se referiu a mim como «todo tu dás tesão», como se mostrou disponível para entrar numa relação sem disponibilidade, com o tempo contado, com outra vida paralela...
- Deixa-me adivinhar, é mais nova...bastante mais nova?
- Sim, é mais nova, mas não é por aí. Atrasei o sexo quase involuntariamente, como se fosse refém da minha consciência, entendes?!
- Sim, claro.
- Pois, depois, quando se deu, finalmente, acabei por perceber que aquilo tinha tudo para correr melhor e para não ser barrado pela outra vida...
- Foda-se, és mesmo atrasado mental!
- 'Atão, caralho, estás aqui para me ouvir ou para me julgar, grande cabrão?!
- Desculpa... prossegue... desculpa-me, desculpa lá, vá...
- És meu amigo ou és irmão da minha consciência, grande cabrão?
- Vá, caga no que te disse, fala, prossegue... desculpa...
- Talvez seja melhor não te lembrar a vida paralela, doutra forma vais julgar-me e vais estar a fazer um esforço tremendo para não me atirares da cadeira abaixo...
- Não volto a pedir desculpas, prossegue se fazes o favor!
- Aquilo avançou de uma forma tolerante, justamente quando a tolerancia não era para ali chamada, e quando dei por mim estava preso à púbis dela, estás a ver?!
- Não acredito, agora é a púbis... e onde é que fica a cona neste caso, não há, é isso?!
- Sim, a cona, estava agarrado à cona mais perfeita que alguma vez vi na vida. Foda-se, man, não calculas o que é uma cona perfeita, nem tu nem ninguém. Eu conheço a melhor cona do mundo, não te passa pela cabeça. Falo com ela e ela responde-me, beijo-a e ela beija-me, como-a e ela segreda-me «come-me, come-me, come tudo»!
- Com que então é a cona dela, a cona jovem dela?!
- Não, caralho, não é a cona, a cona é um dos pontos a favor, a cona é parte da perfeição...
- Devias ouvir-te, rapazinho, devias gravar o que dizes para teres a noção do conjunto de disparates que estás a dizer...
- Sabes que mais, tu não és meu amigo, tu és um cabrão de um falso puritano, um norte-americano disfarçado de portuga, um gajo que faz exactamente o mesmo que eu mas que até ao melhor amigo prefere pregar lições de moral em vez de assumir que só não pula a cerca porque não consegue!
- Sabes que mais, não estou para te ouvir, ó tesão por todo o lado!
- Vai-te embora e vai bater uma punheta a imaginar a melhor cona do mundo, vai, vai-te daqui para fora, cobardolas!
- Vou mesmo, falar contigo tornou-se impossível. És imaturo, és uma criança que só pensa em ser adulto para poder fazer o que lhe apetece sem dar cavaco a ninguém. Mas o mais engraçado é ver que tu não tens a noção do ridículo, da anedota... ouve, endireita-te de uma vez, abre os olhos e vê o que andas a perder!
- És um triste, não sabes o que vale a vida... tu é que andas a perder, eu estou rico!
- Triste és tu, adeus.
Levantei-me e saí dali a correr. Levei a garrafa comigo e tentei despejá-la num gole. Fi-lo em dois. Ao procurar as chaves do carro no bolso acabei por deixá-las cair na calçada, com a fúria... ou talvez fosse nervoso. Se as tivesse deixado cair dois passos antes teriam entrado na sarjeta. Foda-se, que atrasado mental, tu e aquele cabrão!

Afixado por Moço de Recados at 12:01 PM | Comentários (9)

março 24, 2004

Enigma of the Absolute



«Saloman hung down her head, laid bare her heart
For the world to see, she craved for intimacy
Through darkened doors her aspect veiled with indecision
Gazed out to sea, she craved lucidity

Cast adrift from past relationships in her life
Hoisted up the ideal, this was her saving grace
Sea's of rage that once assailed her concern for the truth
Had passed her by and left her high and dry
In her saviour's arms...

Across the sea lies the fountain of renewal
Where you will see the whole cause of your lonliness
Can be measured in dreams that transcend all these lies
And I wish and I pray that there may come a day
For a saviour's arms...
»

Dead Can Dance

Afixado por Moço de Recados at 10:42 AM | Comentários (6)

PARABÉNS PRUSIDENTE

PRUSIDENTE, o menino merece o carinho de todos os membros desta Junta, o menino hoje merece tudo o que lhe apetecer querer. Aquele abraço de quem se mantém atento. Porte-se bem mas cometa as loucuras que a idade exige. Beijos

Afixado por Moço de Recados at 10:28 AM | Comentários (5)

março 23, 2004

Charles Bukoswski



Aos vinte e poucos queria ser o Charles Bukowski. Em tudo, na relação com a bebida, na relação com as mulheres, na relação com a escrita, na relação com a vida lá fora. O homem morreu feliz e farto.

Afixado por Moço de Recados at 07:42 PM | Comentários (10)

março 18, 2004

Espécie de vício

Não parava de me provocar, de espalhar obescenidades ao auscultador, de vociferar desejos e fixações reais mas só reais porque se encontrava distante, não quis em momento algum parar com aquilo. Não quis nem admitiu cortar a corrida, a estafeta. As passagens de silêncio eram quase imperceptíveis, os atletas estavam a ganhar, a atingir novos máximos mundiais. Eu não as topei, às passagens, pelo menos, no centro daqueles longos minutos que fazia, liderava, acontecia, dominava e humilhava. O mundo a seus pés, a partir de uma cabine pública. Assim se sentia, em segurança, pelo anonimato assegurado por um telefone no meio da rua.
Aos 23 minutos gastos, marcados pelo relógio de parede, soltei-me do anzol, despachando a agonia. Cuspi o sangue mas mantive o estômago no sítio. Atirei o aparelho aos gritos para cima da alcatifa. Naquele preciso minuto 23 eu apercebi-me da sua presença, na rua, em frente, à luz do dia, desafiadora, arrogante, autoritária.
Cheguei lá muito mais depressa do que o elevador. Contra o que esperava dela não saiu do lugar, manteve-se presa à terra pelo fio agarrado ao poste e à caixa metálica. A gritaria ofensiva continuou. Eu, agora sem medição temporal, ouvi-a toda, acreditando que um nada mais à frente haveria um fim. Duas ou três pessoas invadiram o asfalto e desviaram os olhos na nossa direcção. O fim não chegou e mais pessoas passaram na rua. Já só queria que parasse, já só me apetecia baixar o volume do som, já só me apetecia acabar de vez com aquela espécie de vício, com aquele descontrole de medo, do meu, já só importava cortar aquela chamada inter-urbana. Virei costas e subi a casa. Debrucei-me sobre a alcatifa e desliguei o telefone.

Afixado por Moço de Recados at 07:42 PM | Comentários (11)

março 16, 2004

Sister

- Sister, consegues ter paciência para este gajo?
- O que é que queres que eu faça, ele é mesmo assim, já não há nada a fazer.
- Obriga-o a sair, sei lá...
- Ele é assim, não quer sair.

A vida passou-se num sopro, para mim e para ti, Sister, quando demos por nós o tempo estava esgotado. Acabado, vendido a outros. Mas, vendo bem, eu não me importo com a passagem dele, o que me importa é a falta de notícias tuas. Vejo-te mas é tudo fugaz, efémero, vivo, muito vivo, mas em curtos minutos. Estamos sempre acompanhados, nunca falamos o que queremos falar. Resumimo-nos, juntos, a trocas de olhares e sorrisos resignados.

- Sister, estás bem? Melhor, estás feliz?
- Não sei se estou bem, B. Estou farta do emprego, aquilo é uma seca, isso eu sei...

- Não cortes o cabelo, ficas tão bem assim.
- Corto, corto, prefiro cortá-lo. E tu, andas bem, B.?
- Nem por isso, nem por isso...

Nunca tiveste paciência para aturar as quedas dos outros para cima de ti, Sister, mas parecias ter alguma disponibilidade para me ouvir, para me deixares olhar para ti. Eu perguntava, inundava-te de perguntas enquanto ficava ali, especado, a ver-te abrir o frigorífico vazio e a sorrires para mim. Será isto a saudade? A saudade das frases que nunca te disse? E tu, querias ter-me mandado à merda, uma e outra vez? Querias ter-me abanado, acreditando que eu te abanasse a seguir? Acho que nos devíamos ter dado esse direito, sabes?!

- E hoje, sister, que vais fazer?
- E tu?
- Não sei, talvez passear o R.... beber uns copos, se calhar saímos mais tarde. Queres vir?
- Não, já combinei ficar.

Sabes, Sister, fazes falta.
Devíamos meter-nos num carro e fugir daqui. Excepcionalmente não nos preocupávamos com os outros, excepcionalmente não ligávamos a ninguém, excepcionalmente não ficávamos com problemas de consciência.
Sabes, agora estava capaz de te ver abrir o frigorífico vazio outra vez. Ali, o tempo parava, o mesmo tempo que nos atirou para longe um do outro parava, parava e não havia pressas. Quando o ponteiro dava sinal já cada um tinha ido para seu lado. Eu passeava o R. com o R. e tu saías pouco depois com o teu namorado.

Afixado por Moço de Recados at 08:13 PM | Comentários (23)

março 15, 2004

E agora, man?!

Nunca ele se imaginou nesta situação. A derrota era mais do que certa, restava-lhe arranjar uma justificação para os números. Se fossem menos era a vitória da prepotência e do virar o rabinho ao Bush, se fossem mais era um claro sinal de que os Espanhóis não esqueceram o trabalhinho feito de joelhos ao amigo norte-americano. Mas estes números, os da vitória, trocaram-lhe as voltas a ponto de dizer apenas o que era políticamente correcto no momento da consagração...nada! Varreu o País e o mundo com os cinquenta e poucos segundos de silêncio e acreditou existirem pêlos levantados e cristas disparadas para o espaço por todo o planeta. Zapatero era o meu homem no lugar em que estava, no lugar para o qual se havia preparado. Para este talvez não seja o homem de ninguém, nem da esquerda, nem da direita, nem dos que buscam a autonomia, nem dos que sonham com a independência, nem dos que sendo Espanhóis adoravam, em nome de uma região, defrontar e derrotar a Espanha num estádio de futebol. Não é, nem dele próprio. O anterior Galo, que devia ser velhaco, porque bom bailarino consta que não é, não soube digerir o comboio destruído como devia, tal como aconteceu com Cavaco com o maldito bolo rei, mas, no entanto, soube safar-se, na mente de cada votante seu, com a argumentação da incoerência do eleitorado. Mas Zapatero não, Zapatero ficou com um menino nos braços quando nem sonhava com a adopção. Para já vem a dor de cabeça da formação de um Governo cheio de gente insatisfeita, daqui e dali, qual manta de retalhos, e depois a obrigatoriedade de trazer de volta os militares do Iraque. Zapatero, amigo, quando precisares de um momento calmo, de um cantinho com boa música, solarengo e bem cuidado, já sabes, podes bater à minha porta. Eu recebo-te, tranquilo, tranquilo, coño...

Afixado por Moço de Recados at 05:44 PM | Comentários (3)

março 11, 2004

Nicole Blackman sings for Recoil

«Carla was on her break from the graveyard shift at the mayonnaise factory
She sat at a teetering picnic table
There was a toxic orange moon and it was slightly cold
Carla took out her knife and began etching random words into the table’s surface
Then she thought of her co-worker Jack
Carla liked to think of Jack as a luscious apparatus
He was meaty but graceful
His flesh seemed folded onto his body like a suit made of meat
Carla started to think of Jack as a luscious apparatus in a meat suit
Thinking this gave Carla a dreamy smile
Her mouth was small to begin with but dreaming made it even smaller
That’s just how some people are, their mouths get smaller with dreams
Carla’s small mouth was dreaming
As her knife began carving a poem into the table
I like hot voids, smooth pants, lazy beds in the rain
I like tongue petals, lather, a blistering sun
But what I like best is the worship of a luscious apparatus
When Carla was done carving she went back to her work station
And scooped shiny white goop into jars
That’s just how some people are their mouths get smaller with dreaming
The next day Jack took his own 1a.m. lunch break at the same picnic table
He noticed the poem carved into the wood
Although he didn’t know who had written it, he co-incidentally thought
‘Luscious apparatus’ aptly described him
So he took out his own knife and wrote luscious apparatus was here
After a few days both Jack and Carla happened to sit at the picnic table at the same time
They both started to look at the things carved in the table
Then they looked at each other
They knew who each other was
Carla’s mouth got small and dreamy, Jack’s eyes got round and hot.
When they got done with the graveyard shift
They went back to Jack’s apartment and had sex
Wordless sex, slow sex, fast sex talking sex
Sex like animals have, sex like boys have, sex like girls have
Sex upside down, sex inside out
Sex with grins, sex with tears
Sex, sex, sex

Then she noticed the knife by the side of Jack’s bed, Jack picked the knife up
And Carla knew at once that Jack’s wounds were from carving himself
Jack was trying to carve poems into himself
And now he wanted to carve some in her
This was where she drew the line
She’d have any kind of sex but not with a knife
When Carla refused to let Jack carve her up, Jack felt cheated and misled
He felt that by carving a poem in the table
Carla had been begging to be carved upon
Carla didn’t see it that way at all
She got up and started putting on her clothes
Jack went nuts, he was coming at her with a knife
Carla was scared, Carla was shaking and sweating
Then, because she was small and could move fast
She ducked and Jack tripped and fell
And impaled himself in the arm with his own knife
He howled and howled and Carla got the hell out of there fast
Carla didn’t think of Jack as a luscious apparatus after that
»

«Luscious Apparatus» - Unsound Methods - ="_blank" href="http://www.recoil.co.uk/">Recoil

Afixado por Moço de Recados at 06:19 PM | Comentários (9)

março 05, 2004

Bullet Proof.. I Wish I Was

«Limb by limb and tooth by tooth
Tearing up inside of me.
Everyday, everyhour, wish that I was..
Was bullet proof

Wax me, mould me
Heat the pins and stab them in.
You have turned me into this, just wish that it..
Was bullet proof

So pay me money, and take a shot
Lead fill the hole in me.
I could burst a million bubbles, all surrogate..
& bullet proof (slowdown, slowdown, slowdown)
Bullet proof (slowdown, slowdown, slowdown)
»

Radiohead, in «The Bends»(1995)


Afixado por Moço de Recados at 06:27 PM | Comentários (2)

março 03, 2004

Trabalho Urgente

O texto anterior destina-se a preparar a missão que vos venho propôr, homens leitores deste Blog. Preciso, como de pão para a boca, de uma listagem, tão séria quanto possível, de receios que as mulheres fazem originar em vós. O meu trabalho terá que apresentar os resultados na próxima Segunda-Feira, à noite, expondo-os com seriedade a milhares de pares de olhos.
Por favor, ajudem-me, façam desfilá-los, os receios, sem medos.
Agradecido

Afixado por Moço de Recados at 01:54 PM | Comentários (9)

O medo maior

Os homens também têm receios, caso não vos tenha passado semelhante visão pela cabeça, os homens têm realmente receios grandes. Ao acender um cigarro o homem capacita-se da figura máscula a quem é permitido inclusivé coçar os testículos em público. O cigarro torna macho o pequenote imberbe. Ao acender um cigarro uma mulher pode evitar uma conversa que nao domine, apresentar uma imagem irrealmente segura, mas não aproveita em circunstância alguma, publica, para coçar o que não tem até porque se coçasse o que tem rapidamente era tomada por uma prostituta em busca de contrato verbal. Os homens têm receios como qualquer animal do reino, exceptuando a Orca, o Tubarão Branco e a Sucuri - igualmente conhecida por Anaconda. Quando os homens têm à sua frente uma bela mulher, estendida numa cama, despida numa cama, os homens receiam falhar e interromper a comunicação aberta das partes(emissor) para o cérebro(receptor), estando acima ainda, a salvo, da acção pretendida. Os homens não admitem falhar, sendo a falha, entenda-se nesta altura, não conseguir manter estável uma erecção. Quando os homens descem, naqueles segundos anteriores ao contacto cutâneo com a mulher despida, imaginam uma quantidade imensa de absurdas possibilidades.


Afixado por Moço de Recados at 01:22 PM | Comentários (3)

março 02, 2004

A pedido de um tal R.H.

«I'm so tired of being here
suppressed by all of my childish fears
and if you have to leave
i wish that you would just leave
because your presence still linger here
and it won't leave me alone

These wounds seem to heal
this pain is just too real
there's just to much that time cannot erase

when you cried i'd wipe away all of your tears
when you'd scream i'd fight away all of your fears
and i've held your hand through all of these years
but you still have all of me

you used to captivate me
by your resonating light
but now i'm bound by the left behind
your face is haunts my once pleasant dreams
your voice is chased away all the sanity in me

these wounds won't seem to heal
this pain is just too real
there'ss just too much that time cannot erase

when you cried i'd wipe away all of your tears
when you'd scream i'd fight away all of your fears
and i've held your hand through all of these years
but you still have all of me

i've tride so hard to tell myself that you're gone
and though you're still with me
i've been alone all along
»

Pediu-me para que transcrevesse isto tal como estava na página concreta que me mandou procurar. Dedica-o, o isto, a alguém que me diz estar engripada e confusa a respeito dos impulsos e desejos de um terceiro. Este RH, positivo, afigurou-se-me desesperado ao fazer tais pedidos, expondo-se desconexo, disléxico e incapaz de deslindar a verdade da mentira na mensagem que me enviou. Interrompeu-me petulante, sem por isso mesmo merecer perdão. Sem perdão irá continuar mas, porque sou amigo de outros carnavais, satisfeito será o seu pedido movido pelo desespero. Porque um homem triste é espectáculo deprimente.

Afixado por Moço de Recados at 05:33 PM | Comentários (21)

fevereiro 26, 2004

In the lounge with Andy Williams

Can´t take my eyes of you, Wives and Lovers, The Look of love, Spooky, Sunny e Moon River surgem alinhados com cabeça pela Columbia, empresa discográfica agora armada do Stereo e munida de uma dedicatória de outro canastrão - mas de sucesso muito menor - o Donny Osmond. Assim é In the lounge with Andy Williams, disco que vos aconselho esteja eu sóbrio ou alcoolizado. Hoje deu-me para aqui em vez de me ter dado para, por exemplo, o So Tonight That I Might See dos Mazzy Star. Estarei eu em estado de TPM por influência de outrem ou será tão somente o medo dos quarenta?

«You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.
You'd be like Heaven to touch.
I wanna hold you so much.
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive.
You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.

Pardon the way that I stare.
There's nothing else to compare.
The sight of you leaves me weak.
There are no words left to speak,
But if you feel like I feel,
Please let me know that it's real.
You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.

I love you, baby,
And if it's quite alright,
I need you, baby,
To warm a lonely night.
I love you, baby.
Trust in me when I say:
Oh, pretty baby,
Don't bring me down, I pray.
Oh, pretty baby, now that I found you, stay
And let me love you, baby.
Let me love you.

You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.
You'd be like Heaven to touch.
I wanna hold you so much.
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive.
You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.

I love you, baby,
And if it's quite alright,
I need you, baby,
To warm a lonely night.
I love you, baby.
Trust in me when I say:
Oh, pretty baby,
Don't bring me down, I pray.
Oh, pretty baby, now that I found you, stay...»

O azeite escorre...

Afixado por Moço de Recados at 06:03 PM | Comentários (12)

Por terras de Espanha

O 190 D nunca se engasgou, aceitou toda e qualquer ordem sem soluços, sem recusas, sem medos primários. Segui rumo a Salamanca desejoso de beber umas canhas desde que não fossem San Miguel. O trajecto fez-se dentro da ordem, em respeito assumido pela lei, no dever pelo dever e respeitando-o como se respeitam as unhas pintadas de uma virgem falsa que nos faz vergar com um subtil descer do olhar. O 190 D imobilizou-se e o um euro e meio caído no parquímetro deu-me para quase mais duas horas do que daria em Portugal. Entrei confiante, achando-me o mais belo dos seres masculinos. Ninguém me deu razão, todos cagaram de alto. Achei-me portanto invisível o que acabou por ser altamente benéfico. E no fim das caminhadas a canha foi a única que falhou por ser, irremediavelmente - ao que parece - naquelas paragens, San Miguel. Não encontrei nenhuma de unhas pintadas mas descobri pardais em vez de pombos. Percorri a cidade à procura de uma beata no chão e tal como outra marca de cerveja não descobri nenhuma. Tudo certo, exacto, preciso e imaculado. A puta da cultura pode deixar-se comer sem se fazer pagar e à saída ainda nos sorri. Podes voltar quando quiseres, ó tanso, é só meteres-te à estrada em fuga do inferno dos pequeninos.
Abandonei os ocres a custo e tive pena de não ter partilhado a experiência com o sr.Prusidente. O homem teria gostado daquilo, seguramente.

Afixado por Moço de Recados at 01:04 PM | Comentários (7)

fevereiro 18, 2004

You don´t need them

Angel don't take those sleeping pills you don't need them
Though it's just time they kill
Angel give me your sleeping pills you don't need them
Give me the time they kill
You're a water sign I'm an air sign
Gone gone to Valium can you get me some?
You're a water sign and I'm an air sign
Too Siamese to catch the leaves from those trees

Angel don't take those sleeping pills you don't need them
Though it's just time they kill,

You're a water sign, I'm an air sign
Pumped up with Valium, could you get me some?
You're a water sign, I'm an air sign
With sweet F.A. to do today, with sweet F.A. to do today...

...Angel, don't take those sleeping pills

«Sleeping Pills» - SUEDE


Afixado por Moço de Recados at 08:04 PM | Comentários (13)

Rapaz loiro encarapinhado

Tantas saudades eu tenho daquele rapaz, tantas, tantas, tantas, tantas, tantas, tantas. Não fora o Prusidente e ele era o meu melhor de maior confiança. Acho que se perde, quase sem calcular o risco da perda. Tal como o outro está longe, só que desta vez por opção própria. Isola-se, desaparece, prefere esconder-se, apesar da saudade dos amigos. Diversifica, soma os riscos. E nós sem ele não somos os mesmos.

Afixado por Moço de Recados at 06:56 PM | Comentários (5)

fevereiro 11, 2004

Ontem estive na televisão

Apareci e mantive-me por mais de uma hora a falar de banalidades. Gostei tanto que tenho direito a vezes dois e vezes três. Repito-me amanhã, cedinho.
Gostais da televisão, queridos meninos? A ilusão da perfeição fascina-vos, é? A mim, mesmo em repetição, continua a mexer-me com os sentidos, a ilusão da perfeita.

Afixado por Moço de Recados at 06:17 PM | Comentários (5)

Máquinas de ponta

Hoje ao entrar na junta deparei com uma rapariga que me barrou a entrada. Empunhava um cartaz, daqueles com um pau, à americana, que dizia:
QUERO OS RECADOS DO MOÇO!
M.s
A mulher era parecida com alguém que eu conheço, ou talvez já a tenha visto por estas bandas, talvez até no restaurante da esquina, a beber copos de acool com o Moço, não sei...
Aqui fica o recado.

Afixado por Assussora Remota at 12:01 PM | Comentários (5)

fevereiro 04, 2004

A tua língua

Queriam ser compreendidos por pessoas que não falam a mesma língua que a vossa? Não me refiro a gente de países diferentes, entenda-se, evoco caras próximas, respirações audíveis e olhares convergentes. Gostavam, não gostavam? O que falha então, por onde se perde a linguagem, o que falta no meio da transferência de dados?

Afixado por Moço de Recados at 02:27 PM | Comentários (12)

janeiro 22, 2004

A melhor das boas pessoas

Tenho saudades do homem que nos fez entrar em confronto verbal, em conversa em tom de vontade de comer gelados no Inverno, em troca de piropos, ofensas várias e dicas para encontrar o exemplar raro da colecção filatélica. Nós os columbófilos apreciamos ainda mais esta nova maneira de comunicar, de tão inadaptados nos sentirmos, em ocasiões não muito distantes, frente a um computador. O Nosso Homem, A Melhor das Boas Pessoas, está fora, afastado das confusões da rede mundial informática, mas posso garantir-vos que nem por um breve minuto deixou de pensar em nós. Faz-nos falta, devia acercar-se já, é imperioso que volte a bater entusiasmado nas teclas que significam letras e sinais. Conheço-o faz tempo, saúdo-o frequentemente, separam-nos actualmente muitos mil milhares de quilómetros, é, asseguro-vos, a melhor das boas pessoas. Tem as suas taras, afinal quem não as tem(?), gosta da sua preversãozita e de derrubar um caixote do lixo de vez em quando mas não se mete em brigas, não bate no peito nem arranca troncos e varas de bambu à frente do transeunte vulgar. Tem uma dentição linda mas insiste em mantê-la tapadinha, é popular entre as miúdas mais nova de tão atraente que é, é um melómano e perde-se amiúde entre boas linhas de prosa. Pelo dito e pelo que só ele mesmo pode revelar tenho-o em grande estima. Sem ele não estaria aqui, sem ele não seria o que sou.
Com consideração,
o Moço de Recados.

Afixado por Moço de Recados at 11:14 AM | Comentários (6)

janeiro 20, 2004

O Sol

Falem-me dele, por favor. Sei que agrada à maioria na qual não me revejo por isso, por agradar à esmagadora maioria de vós, falem-me dele.

Afixado por Moço de Recados at 01:00 PM | Comentários (16)

janeiro 16, 2004

Depende

«Agora imagina a maneira como avança o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão lá desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles porque as correntes não lhes permitem voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.
Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objectos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda a espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projectadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?»

Afixado por Moço de Recados at 08:42 PM | Comentários (6)

Put it on


Ele há actos que justificam figurar em páginas, descritos pelos seus autores ou outra parte interessada no testemunhado. Escolher um vestido, ultrapassar a mais do que é permitido por lei, roubar uma loja de bebida, partir um vidro com um pedaço de tijolo, actos simples com consequências incalculáveis. Fazem-se, logo registam-se. Fazem-se e podem provocar o esperado ou o contrário. Robert Redford, protagonista do belo «Uma Flor à beira do Pântano» e realizador do «Quiz Show», não desapareceu contra uma das torres gémeas por causa de um dos inúmeros e simples contratempos que têm lugar nos aeroportos. A 10 de Set. estava marcado para um dos voos fatídicos mas, felizmente para ele, escapou e chegou a São Francisco são e salvo. Desmarcou-se, embarcou noutro avião. Aconteceu, anotou-se.

Put it on
And don't say a word
Put it on
The one that I prefer
Put it on
And stand before my eyes
Put it on
Please don't question why
Can you believe

Something so simple
Something so trivial
Makes me a happy man
Can't you understand
Say you believe
Just how easy
It is to please me

Because when you learn
You'll know what makes the world turn

Put it on
I can feel so much
Put it on
I don't need to touch
Put it on
Here before my eyes
Put it on
Because you realise
And you believe

Something so worthless
Serves a purpose
It makes me a happy man
Can't you understand
Say you believe
Just how easy
It is to please me

Because when you learn
You'll know what makes the world turn

DEPECHE MODE - "Blue Dress"

Afixado por Moço de Recados at 07:04 PM | Comentários (9)

janeiro 15, 2004

Bravo, Tomás

O funcionário do presídio colocou o maço de tabaco na mesa, mesmo à frente dos meus dedos. Debruçou-se e chegou-se perto. Senti-lhe o bafo morno, prova de uma refeição com enchidos, um vinho de fraca qualidade, talvez umas uvas e, certeza das certezas, azeitonas. Antes de falar levou dois dedos à boca e passou-os pelos incisivos. Tranquilo, tinha a missão bem estudada.
- Toma, é para ti, digamos que se trata de uma espécie de satisfação de última vontade.
- Última vontade?
- Sim, como nos filmes!
- Mas, eu não fumo.
- Fumas, fumas, que eu bem sei. Está no relatório.
- No relatório escrevi, em maiúsculas, não fumo, prefiro um bitoque.
- Que dizes?
- O que acabou de ouvir.
- Não fumas?
- Não, não fumo. Deixei-me disso há cinco ou seis anos.
- Cinco ou seis anos?
- Sim, não fumo, prefiro um bitoque.
- Queres-me tu dizer que um maço de cigarros não te serve, de maneira nenhuma?
- Se fosse publicitário talvez me agradasse dissertar sobre a política de marketing da marca, as suas opções gráficas, sobre as vantagens de ter o nome a Bold, a fotografia nas costas do maço e igualmente sobre a actualização periódica do logótipo da tabaqueira. Como não sou, como aliás deixei bem explícito no relatório, tenho que lhe dizer que este maço de cigarros não me serve, de maneira nenhuma.
- E não tens vontade de voltar ao vício?
- Não senhor.
- Ó diabo...
- Esse maço não me serve, lamento.
- Se não és publicitário, que fazes tu então?
- Sou jardineiro.
- Qualquer jardineiro que se apresente fuma o seu cigarrito, ou não?
- ...
- Não?!?
- Desculpe-me, não me leve a mal, mas você ganha algum com esta conversa? Quero dizer, as marcas pagam-lhe algum dinheiro...ou são mesmo os Serviços Prisionais? Vocês são forçados a oferecer cigarros nestas horas? Há acordos com os americanos, um protocolo, um contrato a termo incerto?
- ...
- Eles obrigam-vos a dar-nos cigarros, é isso?
- Qual é o teu nome, mesmo?
- Tomás Bravo, Tomás Bravo Ferreira. Jardineiro de profissão, vou a casa, seja ela onde for no território nacional, tenho um conjunto novo de mangueiras, sou especialista em relva de estufa e publiquei uma tese a propósito de milho transgénico. Os preços são em conta, o serviço é exemplar, garanto satisfação completa.
Juntamente com o relatório pode encontrar uns vinte ou trinta cartões de visita meus...
- Bravo?!
- Sim, obrigado, ao seu dispor.

Afixado por Moço de Recados at 07:53 PM | Comentários (3)

Cotaquinabalú

Ainda me estou a rir, a roncar por rir que nem um alarve.
Na verdade estou a rir-me...mas é dos nervos!

FILTER - "The Best Things"

Got green light, got green light yeah
But I'm going no where
Got green light, got red light yeah
No cop, no stop I don't care

Everyone of you could be the same
Everyone of you could be play the game
Got green light, got green light yeah
But you're going no where

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

Got a new life, got a plight yeah
And it's going no where
Got a moutain top, like a pin drop yeah
No god, no fod
I don't care

Everyone of you could be the same
Everyone of you can't play this game
Got a new life, got a plight yeah
And it's going no where

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

Got a new fun, got a new crime yeah
And it's going no where
Like a global pad, like car crash
And no cop, no stop he don't care

Everyone of you are just the same
Everyone of you will play this game
Got a new fun, got a new crime yeah
And it's going, no where

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free
You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

Afixado por Moço de Recados at 02:00 PM | Comentários (9)

Se melómano sois

Fazei um favor a vocês mesmos, tratai de entender de uma vez por todas a necessidade de mudar a vossa triste existência. Faltai-vos o quê? A música, a boa música, evidentemente. Na Antena 2, de manhã, lá pelas 9.45 horas, recomendo-vos pois a audição dos «Postais» da autoria de João Almeida. A roçar a perfeição, a excelência que todos deviam procurar.

Afixado por Moço de Recados at 11:07 AM | Comentários (0)

Prusidência Aberta

O senhor, porventura, nunca ouviu falar da Prusidência aberta? Tentaram-na alguns, realizaram-na pelo menos dois. Não se deram mal, os sinhores doutores, não deixaram à míngua as localidades por onde passaram, os assuntos de estado não se esqueceram na gaveta e o povão não deixou de se sentir feliz. Feliz ficou, de contentamento gritou, o aglomerado de seres menores. Vai daí, caro Prusidente, só me oferece dizer-lhe «as acções ficam com quem as pratica». Vá para fora cá dentro, se faz o favor, não se demita.

Afixado por Moço de Recados at 10:58 AM | Comentários (0)

Tem uma graça do Caraças

Tem uma graça do caraças, ai tem, tem!

Afixado por Moço de Recados at 10:51 AM | Comentários (4)

janeiro 12, 2004

Preferências Anuais

«RODGER DODGER. Um texto daqueles, uma dramatização daquelas, uma direcção de actores do outro mundo. Responsável pela recuperação do limbo da Jennifer Beals e Campbell Scott, Rodger Dodger é um dos pontos altos de 03. Quem concordar escreva X, quem discordar escreva X. Quem não souber escreva o que lhe apetecer e quem lhe apetecer outro passatempo escreva XXX».
Trata-se da derradeira comunicação do meu amigo do outro dia. Sem reacções ao seu último contributo, escolheu esquecer-vos e dizer-vos adeus. Julgou o blog como uma simples conta de somar, entendeu isto como trigo limpo farinha amparo e enganou-se. Desta parte, relativamente a ele, acabaram-se os recados, as incumbências.
Obrigado.
O Moço.

Afixado por Moço de Recados at 11:46 AM | Comentários (7)

janeiro 09, 2004

Fire walk with me

Quem matou L. Palmer? Terá sido Killer Bob? Alguém ou apenas obra e graça do Espírito Santo? Os sonhos, meu Deus, ai os sonhos do Agente Cooper, tão longe foram. Sherill Lee, a amiga de L. F. Boyle, é a morta e a prima - separadas no tempo, mas próximas nas folhas de produção e nos guiões. Ganharam um extremo afecto pelo motorcycle boy de serviço, o simples James no pequeno ecrã, o único empata da equipa. Seja, gostei de ver aquando da estreia nacional mas na revisão da matéria, armazenada na memória a longo prazo, através da Radical SIC, reparei em simples sinais de erosão, técnica e narrativa, inevitáveis ao fim dos ciclos de três centenas e meia de dias. O tempo é padrasto, a madrasta é bera e o órfão é o maior desgraçado. Morre-se por muito pouco hoje em dia, cede-se por meia dúzia de tostões, come-se quase de borla e é-se famoso num ápice.

Afixado por Moço de Recados at 07:31 PM | Comentários (2)

Carregava num botão e desapareciam todos!

Odeio as pessoas, de uma maneira geral. À partida não gosto do povão, dos movimentos de massas, da cegueira do futebol, dos pais que não educam os filhos, dos condutores que não respeitam o código, dos homens portugueses que enchem as discotecas, dos engates em pé e junto ao balcão com o copo por companhia. Odeio as pessoas, de uma maneira geral. Não gosto de quem amaldiçoa a chegada ao emprego, detesto quem anónimo esfaqueia o parceiro, abomino a ambição desmedida, a correria aos saldos e as empregadas sem paciência para atender, os clientes exigentes e os tipos que fazem questão de se divertir todas as noites. Odeio as pessoas, de uma maneira geral. Mais que as pessoas só odeio a passagem de ano e o carnaval.
Fazei-me o favor, ide-vos desta para melhor, caso sabeis o que melhor significa.
Raios vos parta!

Afixado por Moço de Recados at 12:27 PM | Comentários (4)

janeiro 08, 2004

Sexualmente Elástico

«A talhe de foice, pediu-me um beijo na virilha. Eu não fiz mais nada, debrucei-me, concentrei a atenção nas cuecas e nos rebordos folhados das ditas e com um subtil movimento do indicador puxei a área elástica para a esquerda, destapando pouco, mas o suficiente, a mancha disforme de pêlos escuros. Beijei a virilha, durante um minuto, e armando-me em comilão precipitei-me e tratei de morder a fronteira elástica embora com o olho metido já por baixo do tecido. Quando larguei o elástico dos dentes abusei e quis tudo para mim num segundo, as cuecas, os pêlos, a fruta e o bicho da dita. Foi um erro, só vos digo...»

O meu amigo do outro dia voltou a pedir-me e eu, incapaz de soltar um não, aceitei dar-lhe mais espaço neste blog. Desta vez visitou-me em casa com um texto enorme de que decidimos extrair esta insignificância. Ele quer continuar, eu começo a perder paciência para este tipo de abusos. Pois então, dizei-me, atentos, devo dar-lhe mais espaço de publicação?

Desculpai mais este recado do Moço.

Afixado por Moço de Recados at 06:45 PM | Comentários (5)

janeiro 07, 2004

Doçura

«De saída para outra vida, ou melhor, para outra tarefa da vidinha, encontrei ao caminho um camionista que não arranjou melhor paciência que a minha, para chagar. Queria um serviço, uma coisa leve, uma coisa boa. O taxímetro estava encerrado, o trabalho podia esperar pelo dia seguinte, como tal declinei o convite feito com doçura - Ouve, filha, queres deixar-te comer de mansinho? - Declinado o convite igualmente com doçura - Põe-te com dono, camó! - o filho da vaca, fora a Mãe, vendo-me agachar para agarrar um malmequer, deu-me um pontapé na cara, desta vez sem doçura alguma. Caí e mantive-me imóvel. Naqueles instantes pensei em mudar de ocupação, no taxímetro, na forma de dizer as frases e na incapacidade geral, hoje em dia, para entender o próximo. Abri a bolsa e pintei os lábios e com o blush redesenhei de forma aceitável a marca de sangue pisado.»
Este texto pequenino foi escrito pelo amigo do outro dia, numa folha de mesa de restaurante, depois de eu lhe ter dito o que havia feito com as suas palavrinhas sábias. Se lhe toma o gosto o Moço de Recados passa a Pombo Correio. Obrigado.
Desculpai a ambição alheia.

Afixado por Moço de Recados at 07:29 PM | Comentários (2)

Ganhar a face (V. 1.01)

Por excesso, nunca por defeito, sinto uma vontade imensa de oferecer beijos, de os retribuir e de os endereçar. São talvez o acto terno mais íntimo e perfeito de todos.

Afixado por Moço de Recados at 04:56 PM | Comentários (6)

janeiro 06, 2004

Disse-me no outro dia um amigo meu

«Já viste, bem, pá, o bem que nos fazem os filmes britânicos bem dispostos, as boas companhias, os amigos próximos, os amores resolvidos a bem, o bem que nos fazem os animais de pêlo longo e olhos brilhantes...e o mal que nos fazem as mulheres dominadoras? Fazem mal pelo bem que sabem, mesmo quando é contra vontade. Na montanha com erva ou sem ela, no mar, revolto ou não, tanto faz, caralho! Pode ser na cidade, também não nos importa. As mulheres dominadoras, as que resistem a tudo e sobrevivem aos confrontos em forma e com uma última frase inesquecível por ser tão cruel e fria, são as que mais mal nos fazem mas paradoxalmente as que mais vagueiam pelas nossas memórias inquietas».

Afixado por Moço de Recados at 07:21 PM | Comentários (12)

A Neve

FALEM-ME DA NEVE, BICHOS RAROS, FALEM-ME DELA!

Afixado por Moço de Recados at 05:22 PM | Comentários (4)

dezembro 26, 2003

Volto para o Ano

Na Serra da Estrela encontrei o meu Amor. Fiquei com ele. Desesperado.

Afixado por Moço de Recados at 09:10 AM | Comentários (4)

dezembro 09, 2003

Os homens são uns joguetes

Nas mãos delas, é o que eles são. os homens rastejam, suplicam, humilham-se, acreditam no sonho e no paraíso em nome delas, as mulheres. As mulheres são as donas do mundo e ainda não se aperceberam disso. De que importam o dinheiro, o poder, o poleiro, comparativamente ao que elas nos fazem sentir. Pode até ser ilusão mas nem importa porque no acreditar já existe uma tentativa, desesperada ou não, de prazer. Nós, além de carentes, somos facilmente manietados, nós além de transparentes, nas mãos delas, somos uns joguetes.
Segundo e último capitulo referente à frase «atirem-me ovos», da autoria do Prusidente da Junta.
Até.
O Moço, de saída para outro recado.

Afixado por Moço de Recados at 06:17 PM | Comentários (0)

Os Homens são todos carentes

O Prusidente está carente, é tão certo como dois e dois serem quatro. Não há que enganar, meus amigos, ao pedir ostensivamente ovos no fundo está a pedir-vos que lhe escrevam, que lhe digam que gostam de o ler, que lhe façam chegar os vossos pensamentos, que lhe façam crer que o esforço não é em vão. Já vi disto em muito lado, em todas as casas onde servi. O Prusidente é um homem e sendo um homem é igual aos outros, é pão-pão queijo-queijo, é fraco e transparente. Os homens são uns fracos e mais fracos se tornam quando reparam que ninguém lhes liga ou se apercebem da existência de um outro qualquer capaz de chamar mais do que eles a atenção alheia. Ser homem é isto mesmo, é querer mas ter cuidado redobrado com a dimensão do querer, para que o querer não seja entendido como pouco masculino ou pouco próprio da masculinidade. Quem pede ovos desta forma só pode estar carente.
O Moço de Recados contra a fraqueza encapuçada mas, mesmo assim, a favor do Prusidente.
Adeus.

Afixado por Moço de Recados at 01:13 PM | Comentários (1)

dezembro 04, 2003

Eu, pecador, me confesso

Nunca pensei em colar-me a uma destas manias, destas fixações encorpadas nas linhas rectas de um teclado de computador, em monólogo informático com o mundo dos vivos que não se sentem verdadeiramente próximos de ninguém. Confesso a dependência, confesso o receio de ficar magnetizado para sempre e por isso confesso recear ter que vos abandonar. A vocês que não me querem ler, vocês que não me entendem, a vocês que não sabem quem sou, entrego as minhas espada e armadura. Agarrando-me à verdade dos dias, sou mais um como todos, como cada um de vocemecês que escreve neste e noutros Blogs, sou viciado em escrita, estou preso a esta verbalização mental da qual procuro saír sem conseguir. Cheguei há pouco mas para bem da minha mente atormentada não me resta outra saída que não a do abandono, o da perda por falta de comparência. 5 a zero não é, quando muito pode ser um 5-4 a favor do meu adversário. O Moço retira-se para morrer, em silêncio.
Para elas ficam os beijos e a vontade de os dar, para eles nada.
Foi um prazer, fugaz mas intenso
Moço a recado

Afixado por Moço de Recados at 04:57 PM | Comentários (4)

Natal é quando um homem estiver para aí virado

Gastamos o que não temos, procuramos o que não existe. Apesar disso voltamos ao local do crime, ano após ano. Masoquismo ou simples apetite pelo supérfluo. Seja lá o que for, o Natal apela ao pior de cada um, revela a incongruente paga de promessas de quem está cheio de vícios e pecados. Rezar, por exemplo, é dos actos mais desprezíveis que há. Quem reza pede ajuda, quem reza quer limpar-se da sujidade que transporta, quem reza espera ser perdoado. Mas, vai daí, na primeira oportunidade quem reza descarrila uma vez mais, outra sobre a anterior e mais uma ainda. O Natal, esse gajo balofo, quase disforme, agrada-nos e oferece-nos a vontade em falta no resto do ano. Comemos mais, rezamos mais, gastamos o que não temos, procuramos o que não existe. Cambada...

Afixado por Moço de Recados at 03:29 PM | Comentários (4)

Fala-se em Gajas e os tansos agitam-se logo

Meus caros, sois previsíveis até mais não. Penitenciai-vos por serem tão óbvios, ajudai-vos com umas vergastadas valentes.
Folgo em saber que sou realmente popular, a ponto de merecer sete respostas sob a forma de comentário mais ou menos correcto. Bastou-me falar em gajas para ver os pelos do peito a esticar, a esticar, a subir e a perfurar as TermoTebes amareladas. Aliás, para que saibam, a utilização do termo Gajas foi precisamente pensada para testar o grau de insurreição dos leitores deste Blog. Ninguém se insurgiu contra o termo, todos gritaram vivas enquanto massajavam a mancha de carne que começa onde a barriga acaba, ninguém se ofendeu com a palavra Gajas, ninguém a considerou sequer depreciativa quanto mais ofensiva. Pois bem, voltando à razão que torna os leitores do Prusidente da Junta vulgares detentores de pila e testículos, as meninas, mulheres ou ainda não, merecem mais consideração e homens com alguma subtileza na atitude. Os Moços de recados são chamados para todo e qualquer serviço, verdade que os torna sensíveis, também, a vontades e exigências do sexo oposto. Não somos especialmente habilitados para todas as tarefas, não estamos sempre preparados para tudo o que se avizinha mas conseguimos aperceber-nos dos interesses que as move, as mulheres.
Digam-me senhoras, justifica-se que prossiga?

Afixado por Moço de Recados at 11:12 AM | Comentários (3)

dezembro 03, 2003

Tanto barulho para nada

Meus caros, vocemecês, e esquecendo de vez os que respondem remetendo exclusivamente para Macau conversa que se quer universal, parecem-me agastados em demasia por causa de umas simples linhas provocatórias. O Moço de Recados quis tão somente agitar as águas, as ervas altas dos campos cultivados, as bolas de borracha na piscina de bolas, as cabeleiras das crianças de tenra idade, disparando pequenas farpas às couraças mais sensíveis. Essas armaduras de Tatú ou de Pangolim podiam ser mais resistentes, não acham?! Aos ofendidos sugiro melhor poder de encaixe, aos que respondem com raiva cega aconselho um melhorado jogo de cintura. É que de repente parecem-me todos gajas em época de crise pré-mestrual. A saia fica-vos mal e da irritação despropositada resultam incómodas e inestéticas erupções cutâneas. De hoje em diante se é de gajas que se trata seja de gajas que se fale.
Beijos

Afixado por Moço de Recados at 04:49 PM | Comentários (13)

novembro 28, 2003

Qual é a maior, a Piton ou a Anaconda?

Caro constrictor, vulgo Jibóia, os assuntos de Macau não se esgotam na ementa de um comum restaurante chinês. E tu não me pareces viajado o suficiente para opinar sobre um palmo de terra fora das nossa fronteiras. «Meu» é a tua prima. Escolhe animais pequenos para deglutires, faz o favor, porque os teus anéis não conseguem apertar grande volume. Para teu bem, deixo-te um conselho: evita os ratos e os pombos, podem fazer-te mal ao estômago. E, não esqueças, qualquer bicho maior vai atrasar-te a digestão e deixar-te à mercê de um predador mais astuto.
Mas se quiseres engolir tudo, não tenho nada contra...

Afixado por Moço de Recados at 05:42 PM | Comentários (3)

Não estou a ver o BIBI,