março 14, 2008

Assussora??

Cara Assussora

Não tenha medo.Gostava de falar consigo não sobre o Albergue mas sobre outra coisa mas perdi o seu contacto.Estou muito contente porque ontem www.saturnias.blogspot.com

Podia-me enviar um mail pro saturniaman@yahoo.it ???
Para eu falar-lhe to tal assunto

Abracinhos e beijinhos

Afixado por Mohamed Ali at 06:57 PM | Comentários (4045)

fevereiro 08, 2008

A Arte saíu á rua num dia assim

Arte asiu á rua.JPG
Todos nós, de acordo com Walter Benjamim, momentos antes de acordarmos experienciamos o Instante.
Um breve momento em que não sabemos quem somos, onde estamos, como nos sentimos e o que temos que fazer.Só apenas após este instante começamos lentamente a “vestir” os papeis sociais que nos dizem por exemplo se somos pais, filhos, orfãos, empregados, desempregados, ricos, pobres ou sem-abrigo.
Consiga ser esta proposta um arremedo desse instante e uma oportunidade para uma muito desejada reflexão sobre o que normalmente entendemos do mundo.
Neste sentido A Arte saíu á rua num dia assim é uma manta de retalhos, de muitos e variados retalhos, como todos nós, criados pelos utentes das instalações da Associação dos Albergues Noturnos de Lisboa sita na Rua da Cruz dos Poiais nº 10 em parceria com a Crew Hassan que generosamente ou visionariamente disponibilizou este espaço.
A Associação dos Albergues Noturnos criada em 1881 é uma instituição privada que acolhe sem-abrigo onde lhes é proporcionado uma cama, duas refeições (jantar e pequeno almoço)e o acesso a instalações sanitárias além de um regular apoio e acompanhamento feito por parte de assistentes sociais.
A instituição contactou-me de modo a criar um espaço de interesses assentes na criatividade e dinâmicas de convívio.
Foi um processo irregular mas em que descobri que por desconhecimento e alguma insensibilidade normalmente se constroem muito rapidamente e levianamente opiniões estereotipadas sobre os sem-abrigo e sobre as razões que podem levar alguém a viver na rua. De resto porque não?
Há nos criadores de A Arte saíu á rua num dia assim valores, memórias, visões e em bruto algumas cordenadas para a formulação de políticas sociais que urgem serem pensadas evitando de uma vez por todas o síndrome do “coitadinho”.
A provar que não bastam cobertores e pão na vida de um homem esta exposição ilustra a vontade do Albergue e da Crew Hassan de dar voz a estas questões.
Questões dificeis e por vezes melindrosas ás quais por regra se foge e se cria uma carapaça de certezas. Agradeço portanto a todos os envolvidos na realização desta proposta pela sua generosidade e duvidas.

Afixado por Mohamed Ali at 09:15 PM | Comentários (146)

julho 06, 2007

Un certain regarde

"Tão diferentes como os viajantes eram os seus olhares(não é o olhar o espelho- concavo ou convexo- da alma?)
Ao interpretarem o que viam com ingenuidade, carregado de cálculo mercantil ou de vontade de poder conquistador, tanto do império como da fé; com frias observações de ciência pura ou interessada, na inentariação de novos mercados.(...)"
In O olhar do viajante de Fernando Cristóvão


Afixado por Mohamed Ali at 03:07 AM | Comentários (68)

julho 02, 2007

Caliban de Monstro Adão

O chamado "selvagem" foi sempre um brinquedo para o homem civilizado ... fonte de emoções fortes na teoria. O selvagem foi sempre chamado para dar foros de autenticidade a essa ou aquela hipótese a priori, tornando-se, conforme o caso, cruel ou nobre, lascivo ou casto, canibalesco ou humanitário — em suma, o que melhor conviesse ao observador ou à teoria.

B. Malinowski
Todos nós, de acordo com Walter Benjamim, momentos antes de acordarmos experienciamos o Instante.
Um breve momento em que não sabemos quem somos, onde estamos, como nos sentimos e o que temos que fazer.Só apenas após este instante começamos lentamente a “vestir” os papeis sociais que nos dizem por exemplo se somos pais, filhos,orfãos, empregados, desempregados, ricos, pobres ou sem-abrigo, "selvagens" ou "civilizados".
"Será o unico momento da história da expansão do Ocidente em que o olhar é um doce espanto que engloba toda a paisagem com encantamento.
Um claro exemplo é a carta de Pero Vaz de caminha narrando os cinco primeiros dias na costa do Barsil e o divertimento de ver e brincar com aqueles homens.
Mas é um instante que apenas dura o tempo do primeiro contacto.Quando os indios são trazidos para mostrar na Europa, já o olhar se servira de uma ferramenta para melhor ver: o dedo."Joaquim Pais de Brito
Caliban da Tempestade de Shakespeare sintetiza o quadro mental de uma Europa em crise com a descoberta das Américas e dos amerindios no Sec. XVI.
Geografias novas que entram em conflito com a concepção do Mundo assente em Santo Agostinho.
Na peça do bardo inglês pode-se ler na sumula descritiva dos personagens que Caliban é um monstro, escravo, selvagem e disforme.
São famosas as discussões e Salamanca do mesmo século em que se procurou apurar a existência ou não de uma alma com fins de ordem mais prática que espiritual:A concluir-se terem alma não poderiam ser escravizados.
Caliban, o selvagem sem lei, pagão de uma sexualidade bestial e desviante transforma-se aos olhos dos Europeus com a chegada ao Taithi do Capitão Cook no sec. XVII.
Deste cartografar do maior dos mares da Terra, o Pacífico, em que se desfazem miticos sextos continentes algures a sul da América do Sul que se julgava ser a Patagónia o inicio inicia-se a gesta do Bom Selvagem tão ambíguo e ilusório como o imaginário anterior.
Na lógica cabrita do dedo em riste nós somos o que os outros não são e os outros são o que nós não somos para o bem e para o mal.

Afixado por Mohamed Ali at 11:42 PM | Comentários (1)

maio 09, 2007

O lugar da Antroplogia

View image

Sobre a história do Pacífico, James Cook, doenças venéreas, argonautas lapitas e a emergência de Ilhas do tesouro, Robisons Crusuès, Mobys Dicks, bons selvagens e iconografia.

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maio 05, 2007

Só é impossivel para quem precisa de óculos

"Eu digo-lhe que a terra tem sempre razão.Sabe aquele sítio onde as pessoas vão todas cagar e mijar?Ao pé do Mcdonalds.
Olhe, avomitei-me todo ali e ajoeilhei-me e voltei a comer tudo.Há pessoas que vão a Fátima...É preciso muita coragem não acha??
A flha do Alanches vai-me pagar um dia tudo o que me fez.Vai vai."
Trecho de conversa que tive com um dos utentes do Albergue onde trabalho.

Afixado por Mohamed Ali at 05:01 AM | Comentários (0)

maio 04, 2007

A COMUNIDADE

Aqui segue o 1º editorial do "projecto" de jornal que ando a tentar ver se vai para a frente.É também um teste a ver se o blog ainda está activo.

Um provérbio oriental diz que uma grande viagem começa por um pequeno passo,
poderia juntar-lhe a máxima portuguesa que depressa e bem não há quem.
Neste sentido A Comunidade que por agora se apresenta em formato de jornal de parede é mais um passo para a sua, espera-se, cada vez maior visibilidade.
O nome foi sugerido pelo Carlos Simões que por motivos de ordem maior já não se encontra aqui na “redacção”.Fica aqui o reconhecimento pelo nome que considero ser inspirado.
Um grande bem-haja a todos os que se disponibilizaram com as suas palavras e contributos desfazendo a ideia feita de que a palavra é de prata e o silêncio é de ouro.
Toda a história avança porque houve gente com coragem, que arriscou e falou.
Estou a pensar por exemplo em duas figuras incontornáveis da história que não escreveram uma uníca linha e que passaram a vida toda a falar quase parecendo que não gostavam de trabalhar:
O filósofo grego Sócrates e o nazareno Jesus Cristo.
Acreditem que a vida deles e a de muitos outros não foi nada fácil!
Não nos deixemos levar pela ilusão de maior ou menor importância que julgamos ter na vida. Normalmente essa importância é-nos dada por gente do nosso tempo e lugar.
No dia a dia dos chamados grandes nomes da história uma multidão de gente anónima, directa ou indirectamente, contribuiu, muitas vezes sem o saber, para o formular de ideias que se tornaram ideia e palavra.
Não por acaso na Bíblia da mitologia cristã comece justamente por dizer No princípio era o Verbo.(A palavra)
Lembremo-nos também que as palavras têm significados diferentes conforme a situação.
Apelo ainda á compreensão dos leitores se de algum modo o aspecto gráfico desta primeira experiência não for do agrado geral. Aceitam-se sugestões e comentários.
Aceitam-se igualmente críticas ou comentários sobre os textos aqui publicados.
Caso alguém não se sinta muito confortável em se expor aqui pode sempre recorrer ao anonimato.
Estejamos pois à altura do que nos vai acontecendo.

Afixado por Mohamed Ali at 02:25 AM | Comentários (2)

março 12, 2007

U r welcome to Elsinore

Visitor Map
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Afixado por Mohamed Ali at 04:22 PM | Comentários (1)

março 04, 2007

Olha a Lua que se eclipsa

Eclipse
[ZOOM]

Afixado por Mohamed Ali at 12:05 AM | Comentários (0)

fevereiro 14, 2007

São Valentim

"(...) num dia próximo (...) hão-de aparecer revestidos de
plumagem de pássaros numa cratera minúscula aberta numa
flor. (...) E assim até que a Verdadeira Vida de que somos
abortos seja erguida sobre os alicerces de que eles são os
portadores
Desci as escadas.
Do lado direito a Lua, do lado esquerdo o Sol, ao centro o Fogo
dos Séculos. (...)
"
António Maria Lisboa

Afixado por Mohamed Ali at 07:45 PM | Comentários (0)

janeiro 23, 2007

Angelo mio no bruciare le ali a causa mia

etty.jpgCaminhei o dia todo sem destino e indiferente ao charme de Roma. As decisões nao se encontram ao virar da esquina. Habituo-me outra vez à doce ilusão do conforto e pelo caminho vou observando com atenção os rostos e os gestos dos vagabundos.
Que esperam, de onde vêm ?
Compreendo–os tão bem. Esperam apenas do presente um lugar seco e tranquilo onde se possam deitar e dormir longe de olhares que os façam reagir. Talvez um banco de jardim não muito duro por detrás de uma árvore grande.
Os melhores lugares da cidade são os primeiros a ser ocupados .
Beijo, se é que os meus lábios são dignos, as mãos, os corações de todos os rostos amáveis e familiares que foram deixados para trás e que os amaram enquanto estes nomadas se deixaram amar.
Procura-se o esquecimento, procura-se não pensar demais, tornar-se completamente vazio de laços, vaguear sem memória, sem remorsos num labirinto sem fim.
Abandonada a memória, a bússola, o fio, deixamos de ter sonhos .
Comidas as migalhas que nos podiam reconduzir de volta à saida entregamo-nos nas mãos de uma providência sem significado.
O perigo passa a ser imediato.
Os possíveis perigos futuros um luxo de quem vive em camas fofas e quentes.

"Na história de Eros e Psique contada por Apuleio, Pan protege Psique do suicídio. Desconsolada, sem amor, a ajuda divina é-lhe negada, a alma é presa do pânico. Psique atira-se ao rio mas este rejeita-a. Naquele momento de pânico, Pan aparece na forma do seu outro lado reflexivo, o Eco…
…O comportamento é natural, em um certo sentido, divino; é um comportamento que trascende os jogos humanos dos objectivos…
A causa de tal comportamento é obscura: nasce espontaneamente, repentinamente.
O seu lugar de origem, a Arcadia, é uma localidade tanto física como psíquica. As obscuras cavernas... onde vivem o impulso, as trevas fora da psique das quais nascem o desejo e o pânico.
...um vagabundo sem a estabilidade que resulta da geneologia...
"
James Hilman in Saggio su Pan

"[...] ou converso de modo tresloucado, infantil ou muito sério com a parte mais profunda de mim, que por comodidade chamo de Deus."
do Diário de Etty Hillesum (1941-1943), editado pela italiana Adelphi, ainda sem traduão em português. São as últimas palavras antes de ir para Auschwitz, palavras corajosas sem pieguices que procuram luz e sentido quando à volta tudo se torna cada vez mais difícil.

"[...] Lasciar completamente libera una persona che si ama,lasciarla del tutto libera di fare la sua vita ,è la cosa piu dificile che si sia..."


Afixado por Mohamed Ali at 06:42 PM | Comentários (1)

janeiro 18, 2007

V

"Chorava.

Dizia:
fiz tudo
errado.
Como se fosse Deus."

António Rego Chaves

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Lago dos Cisnes

cisnes2.bmpEscuto mas não sei
Se o que ouço é silêncio
ou Deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
o ressoar das planicies do Vazio
Ou a consciencia atenta
que nos confins do Universo
me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
é olhado amado e conhecido
e por isso em cada gesto ponho
solenidade e risco.

Afixado por Mohamed Ali at 03:26 AM | Comentários (0)

janeiro 12, 2007

Non bisogna aver paura

Não é um caso de policia, é um caso de memória que me sufoca:

"I need someone, a person to talk to
Someone who'd care to love
Could it be you
Could it be you

Situation gets rough
Then I start to panic
It's not enough
It's just a habit

Hey kid you're sick
Darling this is it
You can all just kiss off into the air
Behind my back I can see them stare
They'll hurt me bad but I won't mind
They'll hurt me bad they do it all the time
Yeah yeah, they do it all the time

I hope you know that this will go down on your permanent record
Oh yeah well don't get so distressed
Did I happen to mention that I'm impressed

I take 1 1 1 'cause you left me
And 2 2 2 for my family
And 3 3 3 for my heartache
And 4 4 4 for my headaches
And 5 5 5 for my lonely
And 6 6 6 for my sorrow
And 7 7 7 for no tomorrow
And 8 8 8 I forget what 8 was for
And 9 9 9 for a lost god
And 10 10 10 for everything everything everything..."
[by Violent Femmes]

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janeiro 03, 2007

Lest nigth on hearth

No telejornal de 1 de Janeiro da SIC, a notícia de que um pedaço de gelo quase do tamanho de França inesperadamente se separou da Antártida alarmando a comunidade científica e ecologistas. Que as alterações climáticas realmente estão acontecer já se sabia mas de maneira tão acelerada e abrupta causou e causa apreensão.
Não obstante a existência de megabytes de informação que confirmam isto a responsabilidade humana continua a ignorar o problema de forma irresponsável e assassina. Logo a seguir à peça jornalística vieram as imagens de mil fogos de artifício de festejos da passagens do ano de uma comunidade global que realmente é una no gasto e no absurdo. Chega a ser surrealista tanta fuçanguice e irresponsabilidade de dar ao público apenas e só o que vende. Pensar no que os media nos vão dando e no que não nos dão chega a ser desanimador e não augura nada de bom para 2007.
A carneirada toda espera para 2007 paz e saúde. Eu preferiria mais consciência.
Como é surrealista todo o conjunto de peças que andam agora por quase todos os canis informativos onde se lê em grandes letras que afinal Saddam Hussein tinha um lado humano:
Dava migalhas aos passarinhos, os restos do que não comia aos famintos e que fazia jardinagem chegando a regar até mesmo as ervas daninhas.

Entretanto num programa da RTP 2, em formato do extinto Caderno Diário mas mais digital, dois personagens, um irmão e uma irmã, vão fazendo uma espécie de Querido Diário narcisista impregnado de tecnologia virtual. O programa chama-se PICA mas ainda não percebi bem porquê. O que sei é que o maninho pôs-se a falar sobre liberdade de informação e sobre os cartoons alusivos ao Islão e a Maomé do jornal Dinamarquês.
As palavras eram boas mas quem de raios edita o programa intercalou boas intenções com os tais cartoons desfocados contradizendo com isto tudo aquilo que o adolescente maninho da maninha ia dizendo.
Quem me dera dizer como dizem esclarecidos em massa "Isto apenas em Portugal, neste país" mas infelizmente o que seria razoável que sucedesse apenas e só num país com a dimensão de Portugal em termos de absurdo que quase parece ficção acontece à escala global.

A nível pessoal vou tentar este ano impôr-me rotinas boas que como dizia um músico do Final Fantasy: "They are great, you control your life with them", ser não só amor mas também ter um bocadinho mais de razão. É que só arrebatamento provoca sempre, mais tarde ou mais cedo, confusão. Vou tentar...

Afixado por Mohamed Ali at 01:14 AM | Comentários (2)

dezembro 11, 2006

Livrinho grande

Um livrinho de formato pequeno que dá para viajar connosco no bolso, a editora é a Asa, " O poder dos sonhos " de Luis Sepúlveda.
Passei os olhos nele por acaso e há bons acasos.

Afixado por Mohamed Ali at 12:18 AM | Comentários (0)

dezembro 10, 2006

A mãe de Odin

Mal acabadinho de chegar às mercearias portuguesas às dúzias a novidade da semana "Eu, Carolina" que conta as desventuras da mesma com o Presidente do Futebol Clube do Porto, o bacalhau Pinto da Costa. Hoje já não há nenhum à venda nesta loja onde o vosso Mohamed trabalha. Há os reality shows, este é um reality livro.
"Tem um livro... Carolina qualquer coisa... do Pinto da Costa?"
"Não, já não temos, já esgotou, veio ontem e já acabou!"
"É incrível!" - diz o cliente desconsolado e humorado com a fome de cusquice à volta deste novo produto de mercearia.
"Pois é..." - digo eu, e só penso como é que se gastam árvores para fazer destas porcarias. Que vendem. Há procura para estes fast-books e o que isto revela não é nada animador.

Afixado por Mohamed Ali at 04:13 AM | Comentários (0)

dezembro 08, 2006

Pão e futebol

Uma semana inteira a levar com os flashs de mil telemóveis à entrada do hipermercado Continente no ainda mais hipermega Centro Colombo (acho que é assim que a geração Floribela fala agora). Não lhe dão descanso.
Estou a falar de um stand do Benfica onde há uma semana exibem uma águia que se deve estar nas tintas para toda aquela fama e atenção. É um animal de porte que devia estar a voar. Não há dignidade nenhuma naquilo mas esta é sociedade do espectáculo não é?
Isto é tudo tão normal, tão banal que já ninguém reaje e papa tudo.
Os comportamentos anormais tornaram-se normais e quem não vive pela bitola baixa é anormal, joga na "equipa contrária", é estranho.
Viva o monóxido! Venha mais.

Afixado por Mohamed Ali at 06:45 AM | Comentários (0)

Ser pente

A serpente muda de pele, o empregado da pastelaria despediu-se farto de clientes a reclamarem do leite azedo. Farto do gerente, farto dos passos, farto de gente, farta-se, marta-se, pasta-se, passa-se.
De um lado o mar, do outro a serra, por cima nuvens descontroladas e em frente árvores despenteadas.
Que razão tem a razão se do medo o espanto comeu as línguas todas e se fez canto?
Escrevo sobre um pardal e salta-me um para a mesa, saltitante, terno e confuso. Dirige-se para a mão que escreve, a direita.
Pede-me para não esquecer, para não me deixar por um canto. É ele o canto, é ele o espanto, a origem da pedra, o manto, a viagem, as línguas todas, o silêncio, o mar, a serra, o diabo e o santo.
Limpo as ramelas e levo o copo de leite frio à boca.
Desterrado no armazém subterrâneo da grande torre marca livros como quem marca vacas e faz um filme com aqueles titulos todos. A porta dá para o parque estacionamento e o fumo de mil carros, de mil clientes, ajuda-o ao transe. Monóxido de carbono,venha ele em quantidade. Levita.
Nas prateleiras cadáveres de baratas. As vivas devem estar escondidas com a agitação.
Ser normal é comer a horas certas e fazer o que toda a gente faz, queixar-se muito e andar sempre a correr. Tudo com ar muito ocupado e responsável. Tudo muito produtivo.
A cera, é o reino da cera, a voz da terra tornou-se tosse, o sentido vende-se nas livrarias. O pai morre e ninguém almoça.
Nada disto faz sentido e é.
Pele muda muda pele.
Ser pente pentear a pele muda a pele ser.
Mundo pente.


Afixado por Mohamed Ali at 03:28 AM | Comentários (0)

dezembro 03, 2006

Should i stay or should i go now

“…como diz um amigo meu –um rapazinho que recorda os proverbos dos velhos-“o mundo é dos bons ,e os patos bravos é que o gozam”….Contudo eu,velho burguês racionalista e idealista ,ou seja “ dos bons” ,continuo sempre a detestar com todas as minhas forças o espírito de renuncia.Que afinal de contas é ânsia de integração e opurtonismo.” Pier Paolo Pasolini

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novembro 27, 2006

FAZES-ME FALTA

TANTA UF

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novembro 26, 2006

Olhó indigo fresquinho

A principio quando me perguntavam por livros sobre crianças Indigo ainda julguei tratar-se de um livro sobre os infantes de alguma etnia que eu nunca tinha ouvido falar.
As crianças Indigo é a ultima moda mistica carregadinha de esperança e um bocadinho, no meu escasso entender, preguiçosa e de algum modo niilista pois remete o futuro do mundo para estas crianças prodígio,the next step on human evolution.Encaradas como os neo-Messias.
Prevê-se conversas entre pais do género:
"Tenho 2 Indigo e um cristal puro."-Cheios de orgulho os pais e ás crianças que são crianças espera-lhes uma grande responsabilidade que os pais demitem-se enquanto projecto investindo nas mil formulas de fazer crescer melhor os seus indigos de maneira a torná-los mesmo Indigos.Recorda-me não sei porquê a educação especial para os chamados sobredotados que já estão ultrapassados.
Veem ai tempos de novas comparações,o meu indigo é maior que o teu por isso tem prioridade.
Enfim a cada época um traje novo para o que restou dentro da caixa aberta da maluca da Pandora.
Não é mau,qualquer ideia que trate bem das crianças é sempre bem vinda.


Afixado por Mohamed Ali at 11:56 PM | Comentários (0)

novembro 18, 2006

BOVINO NATALÍCIO

A PEÇONHA DO NATAL, DOS SORRISOS MOLHADOS DE COMPRAS E PAPEL DE EMBRULHO. O NATAL É UMA TRETA, AS PESSOAS SÃO UMA TRETA O ANO TODO, NESTA ALTURA MENTAL DO ANO AINDA MAIS, COMO SE FOSSE SEMPRE DOMINGO. UM GIGANTESCO NATAL BOVINO E EU VOU CEDENDO À INFLUÊNCIA DOS MAUS FÍGADOS OU DOS BONS FÍGADOS E A CADA DIA QUE PASSA TENHO MENOS PACIÊNCIA PARA ISTO TUDO QUE SE REPETE. ESTE ESTADO DE ALMA BOVINO.

Afixado por Mohamed Ali at 09:38 PM | Comentários (0)

novembro 15, 2006

O filho de Odin

João Zuzarte Reis Piedade é o nome da criatura autora do livro "O filho de Odin" e que segundo o próprio quer ser conhecido como um escritor da nova era, jovem e imprevisível. Pois... Literatura jovem significa isto? Existe???
Menino pequeno burguês vulgo beto da linha de Cascais escreve sobre vampiros e logo no primeiro parágrafo "uma espécie de celebração satânica..." seguido logo de "... os acólitos de uma espécie de padre demoníaco..."
Diz ele que um dos seus objectivos é incitar o público mais jovem a ler.
Se mais pessoas começarem a ler destas Margaridas Rebelos Pintos adivinha-se o pior do que já é e que já diz Papá e quantos anos tem.
Já agora deixo aqui três sugestões de leitura:
"A apoteose da vontade romântica" de Isaiah Berlin, "Raça e História" de Lévi-Strauss e para quem aprecie (...) "Lugares etruscos" de D.H. Lawrence.
ADEUS

Afixado por Mohamed Ali at 02:41 AM | Comentários (47)

novembro 10, 2006

A curiosidade matou o rato

Esta é a cadeira que o Mohamed frequenta, assistindo e participando. E do mesmo modo ajudando a construí-la. Gostava que ele pudesse falar sobre isso. Sobre o que se passa dentro da aula e fazer ele próprio o link.

Afixado por Moço de Recados at 02:04 AM | Comentários (0)

novembro 01, 2006

A Insustentável Pesadeza do Ser

A ESTUPIDEZ NÃO TEM COR.
É BRANCA COMO O GORDO DE FATO E GRAVATA COM A RESPECTIVA GORDA DE CASACO DE PELES NAS ESCADAS ROLANTES A QUEM PEDIMOS SE PUDEMOS PASSAR A VER SE CONSEGUIMOS APANHAR O AUTOCARRO PARA CASA DEPOIS DE 9 HORAS DE TRABALHO, A VER SE CONSEGUIMOS AINDA LER UM BOCADINHO PARA A UNIVERSIDADE, A VER DE T-SHIRT MAL AMANHADA, BARBA POR FAZER E CABELOS POR CORTAR MAS MESMO ASSIM A VER...
"- DEIXA O SENHOR PASSAR QUE DEVE ESTAR CHEIO DE PRESSA PARA IR...", ISTO DITO COM UM DESPREZO E BOÇALIDADE TAIS QUE NÃO HÁ ENTUSIAMO QUE RESISTA.
É PRETA COMO O PRETO GORDO COM A SUA MULHER GORDA DE VOZES ALTAS A QUEM PERGUNTO SE TÊM 2 EUROS PARA FACILITAR O TROCO NA LOJA. MAS PODIA TAMBÉM SER VERDE, QUE ERA O MESMO.
DIZEM QUE SE VÃO QUEIXAR À DECO, QUE ISTO ASSIM NÃO PODE SER (!!!!!)
COM A MESMA BOÇALIDADE, DESPREZO E AGRESSIVIDADE DOS BRANCOS OU DOS AZUIS, NÃO INTERESSA. TÃO REAL COMO SURREAL QUE FICO A VER IDIOTIZADO, HIPNOTIZADO COM TANTA IDIOTICE GORDA DE BANHAS MAL AMANHADAS. OU O QUE FOSSE.
RESOLVO FAZER-LHE O TROCO SEM LHE PEDIR MOEDAS.
"- ENTÃO JÁ TENS?", DIZ-ME COM UM OLHAR QUE DESAFIA, QUASE COMO SE QUISESSE PANCADA (!!!!!)
A MULHER PRETA GORDA DO VERDE GORDO:
" - ENTÃO DISSE QUE NÃO DAVA TROCO?" (!!!!!)
PORQUE É QUE ESTA GENTE RESPIRA?? PORQUE É QUE ESTA GENTE NOS DEITA ABAIXO???
O CLIENTE TEM SEMPRE RAZÃO???
ISSO É PARA A REALIDADE VIRTUAL. QUE SE FUEDA O CLIENTE E A SUA CAVERNA DECORADA DE CAGALHÕES.
UFFFF PRECISAVA ESCREVER ISTO ASSIM.
JÁ COMEÇO A FICAR ALIVIADO.

Afixado por Mohamed Ali at 06:56 AM | Comentários (3)

outubro 28, 2006

Admirável mundo podre

O movimento na loja vai aumentando cada vez que se aproxima mais o Natal assim como aumenta a pressa e o nervosismo da carneirada. Mais uma vez o paradoxo.N ão é o Natal vendido como uma época de paz entre os Homens??
João, colega de Mohamed em Antropologia passou pelo Centro Comercial para lhe dar apontamentos e fotocópias.. Jantaram juntos numa praça do Colombo chamada Mundo Perdido apinhada de esttabelecimentos alimentícios e gente.
Mohamed acabado de sair do trabalho ficou atordoado com o ambiente. Nunca janta fora, traz de casa um taparuérecom comida e come no escritório da loja onde fica o microondas e o computador de onde escreve estes pedaços.
Mal a comida acabou tiraram os tabuleiros da mesa para poderem falar e estender os papéis das aulas sem os sujar.
Alguma conversa depois chega-se um Segurança:
" - Boa noite, têm que se levantar, à hora das refeições só pode estar sentado nas mesas quem está a comer."


Afixado por Mohamed Ali at 07:50 PM | Comentários (0)

outubro 26, 2006

!

A REALIDADE NUNCA É PARADOXAL.
SE AS COISAS PARECEM PARADOXAIS É PORQUE A PERGUNTA FOI MAL FORMULADA.
SEJA BEM VINDA MADAME SATÃ E MAIS CÓCEGAS PARA A ASSUSSORA.

Afixado por Mohamed Ali at 04:02 AM | Comentários (0)

outubro 25, 2006

A DEUS

LÚCIDO, A MELHOR DAS PALAVRAS, CONCLUÍA, SER O SILÊNCIO.
E UMA NOTA APENAS AOS MAIS CHEGADOS;
NÃO CHAMEM A POLÍCIA, NÃO ESTOU MALUCO NEM DESEPERADO
OBRIGADO POR TUDO E ESQUEÇAM-ME. TENHAM TODOS UMA VIDA FELIZ SE PUDEREM OU SOUBEREM, DESCULPEM-ME SE CAUSEI DOR.
MAS ESTAS PALAVRAS JÁ LHE PARECIAM REDUNDANTES.
SIM, O SILÊNCIO ERA A MELHOR FORMA DE DIZER NÃO DIZENDO.
UM AMIGO COSTUMAVA DESPEDIR-SE DIZENDO ADEUS COMO QUEM DIZ DEUS ESTEJA CONTIGO.
A CADA UM O ENTENDIMENTO DESTAS PALAVRAS.

Afixado por Mohamed Ali at 03:15 AM | Comentários (0)

outubro 21, 2006

Achas?

Nos transportes públicos, na rua, por todo o lado ouve-se agora esta quase interjeição, nova forma de expressão retórica do "Chico-espertismo" e fanfarronice nacional. Ao reinado do "Tou-te a ver" , do requintado "A sério?", segue-se este novo registo.

Afixado por Mohamed Ali at 07:15 PM | Comentários (0)

outubro 19, 2006

Corta a ponta

São 12.18 e entro às 3 da tarde mas resolvi sair mais cedo e de casa porque estava a ficar sem saber o que decidir, se estudar se dar assistência ao meu Pai e à minha Mãe.
Eu não me tinha apercebido disto mas de facto ele, o meu pai, está a fazer quimioterapia com a diferença de que em vez de ir todos os dias ao hospital tem aquelas bolinhas radioactivas implantadas na próstata.
Deram-lhe um contentor de aço para guardar as eventuais bolinhas que lhe escapem pela dita no xixi.
A minha mãe passa-se com as vezes que tem que mudar-lhe os lençóis.
Hoje saio à meia-noite e tenho que me levantar amanhã às 6 e tal da manhã para ir com o meu pai ao Hospital de Santa Maria para fazer uma transfusão urgente de sangue.
Acho que um dos símbolos e figuras que me enerva e confunde e que às vezes chego a odiar está a dar as últimas mas isto não me deixa aliviado, pelo contrário.
De cada vez que me tento aproximar levo sempre com tentativas de me rebaixar, de comparar, venenos ambíguos e ironias que não sei bem onde querem levar. Engulo e faço de conta que não percebi mas afasto-me.
Sou eu que me tenho de adaptar, afinal voltei a casa.
Aflige-me as coisas que podem ficar por dizer, nunca chegarmos a saber o que realmente pensamos um do outro.
Seja como for eu tenho que optar por uma relativização das coisas, ser racional, que em sendo inflamado só ia piorar. Por isso escolho o entusiasmo pelas coisas que estou a aprender e não perco muito tempo a pensar no material de leitura que me vai faltando por não ir às aulas.
Já falei com colegas meus que não sabem ainda todos os nomes uns dos outros mas não sei porque já sabem o meu que quase não vou às aulas.

KOTRÁ PONTA é uma expressão em Kristang língua crioula de origem malaia e portuguesa da etnia com o mesmo nome presente em Malaca e que é o objecto de estudo do professor que me inspira mais ternura e simpatia, o americano O'Neal.
Existem 105 000 habitantes em Malaca, grandeza populacional comparável a Coimbra e 37 línguas e 9 etnias!!!
Ao O'Neal interessava-lhe perceber como uma língua sobrevive por mais de 5 séculos e descobriu que existem e existiram casamentos mistos e que é uma norma existirem famílias quadrilingues em Malaca mas que normalmente por uma razão qualquer de simpatia um dos cônjuges acaba sempre por aprender Kristang.
Os casamentos com os malaios são uma excepção pois a cultura muçulmana é mais rígida e se um homem casa com uma malaia além de ter que se converter tem que Kotra Ponta!!! Circuncisão.
Diz o Prof que quanto mais se evitar contactos com mulheres muçulmanas mais se evita o perigo de se ver de repente obrigado a casar com uma sem bem perceber porquê.
Diz ele também que os habitantes de Malaca têm boas relações comerciais com os malaios muçulmanos mas que não lhe abrem as portas da família e do privado, que não discutem e evitam temas como o da religião.
O professor que mais me apaixona mas que a nível pessoal deve ser alguém muito enervante é o Filipe Verde, sobre a História da Ciência.
Nas aulas do Miguel Vale de Almeida que admiro, mas que como professor fico com a sensação que preferia não ter que dar aulas, descobri por indicação dele um dos mais belos textos por onde passei os olhos A Carta do Achamento do Brasil de Pero Vaz Caminha.
É um livrinho difícil de encontrar mas se o encontrarem não julguem o Pero à luz do que um português de hoje pode e sabe. Era um homem do séc. XV a escrever para o Rei... E mesmo assim.

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outubro 15, 2006

Um Natal de encontros e o essencial à mesa

Este Natal boicota diz "Não obrigado" aos sacos de plástico e ao papel de embrulho ou mesmo não dês nada. Ia ser o caos nos estabelecimentos comerciais que começam a encher-se de tralha para vender, mais e mais a cada dia que se aproxima da data comercialícia.
Não faças o que é normal que se faça.

"O Futuro foi-nos emprestado pelos nossos filhos."
[Provérbio Maia]

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outubro 13, 2006

Antro pulando

Estando 8 anos fora de Portugal constato ao regessar um fenómeno que talvez nem seja apenas português (entre outras coisas) no mundo académico: profs e students.
Confirmo esta suspeita enquanto empregado de uma livraria e mais recentemente enquanto "cliente" do ISCTE:
São os estudantes de Letras, Artes, com os de Direito à cabeça, os clientes mais imbecis, afetados e deslumbrados sendo os de Ciências Naturais os mais simpáticos e cuidados!!!!
Soa-me a paradoxo mas talvez seja de pensar muito nas coisas, relativizar tanto que este absurdo se produz pelo menos no que me pareço aperceber.
No mundo dos profs que pregam na sua terra apesar de à partida terem as melhores capacidades para se aperceberem de coisas como circunstância e identidade acabo por vislumbrar quase uma raiva ideológica ao sítio onde nasceram que os impede de serem objectivos e pouco justos.
Mandam recados a toda a hora ao ocidente e mais subtilmente aos portugueses.
De forma apaixonada. A minha pátria são os afetos mas cansa-me este não distanciamento. Como as exigências e intolerâncias que temos com a nossa família que não temos com desconhecidos, amigos ou estrangeiros.
Um estrangeiro em Portugal dá-se mais e tem menos preconceitos apesar de selecionar os amigos.
Seja como for tentarei calar-me e roubar tudo o que de bom houver para roubar nas aulas que estou a gostar muito.
Escrevo no computador da loja na minha hora de jantar.
É um desabafo e ao mesmo tempo um abraço.
Não quero perder a capacidade do encanto e os portugueses parecem estar sempre a queixar-se de tudo.
Gostaria que a associação de estudantes organiza-se uma manifestação pelo ambiente, que pedisse ao governo medidas pouco populares mas urgentes...
Espero que perceba que o rio que corre debaixo deste tapete não é um mau rio. Tem dúvidas. Se a forma não é das melhores lembre-se que há tanta forma de rio.

Afixado por Mohamed Ali at 07:08 AM | Comentários (0)

setembro 26, 2006

Q

Ecrever para
Falar, ver, ouvir para
Azul.
O som do mar. O rio.
Nadar. Mergulhar.
E o sol do lado esquerdo.
A pôr-se.
Nós às costas de um mundo todo a passar-se
com o "Q" do mundo
Céu, nuvens nas ondas
Onde o Quando se faz Q
E o que há no "Q"?
Rios, sóis, paraíso?
Por Q, chorar, viver!
E antes disso, alguma coisa?
Pedras, construções.
Vento?
Para quê o quê?
Mulheres, homens, crianças.
Nadar, mergulhar.

Afixado por Mohamed Ali at 01:26 AM | Comentários (0)

setembro 19, 2006

Sonambulismos suicidas

O quarto transformou-se numa dimensão negra que se fechava. Ao longe a porta já quase fechada. Saltei da cama em pânico e corri para a porta de onde vinha alguma claridade. Um degrau e mais outro esbarrei nos estores da janela do meu quarto:c onfuso voltei à realidade. Se os estores não estivessem fechados os meus pais no dia seguinte pensariam que me tinha suicidado durante a noite depois de mais um dia de trabalho.
Os degraus eram um sofá e um armário encostado à janela.

Ámen.

Afixado por Mohamed Ali at 07:01 AM | Comentários (0)

agosto 31, 2006

Um dia

Por sorte descobri que o Jardim da Estrela áquela hora ainda estava aberto e estive lá um bocadinho debaixo de uma árvore gigante.
A respirar e a sentir-me agradecido.
Se eu acreditasse em Teus; como acredito; e em todos os deuses e ventanias podia dizer que Teus tem sido bom comigo.
Ontem vi a família toda dos golfinhos. Foi tão bom mor.
Só faltava um toldinho na embarcação tipica do Sado, espécie de barco entre o veleiro e a traineira. Não levei chapéu e deixei a mochila no escritório deles.
São enormes os golfinhos e conversando com o Ricardo (o guia/biólogo/sócio da VERTIGEM AZUL) disse que os golfinhos sexualmente são dados a grandes misturadas/muchiatas e graças ao grande golfinho ao menos não são catalogados. Embarcam no que lhes apetece, golfinho golfinha, golfinho golfinho, golfinho golfinhas e fazem pompinos!!!!!! (Vulgo "broche" em português, gosto mais da palavra em italiano.)
Disse que os golfinhos do Sado são iguais aos que normalmente se vêem nos parques marítimos e jardins zoológicos só que são decididamente muito maiores. Tão lindos mor.
O irritante são os barcos a motor e motas de água que literalmente perseguem os golfinhos num espaço que deveria ter algumas regras. É uma reserva natural. A lei existe e na Vertigem Azul já lhes bastava, ao menos, que se fizesse cumprir a lei existente.
É que eles desaparecem logo assustados.
Aliás o guia disse que nos guias turísticos estrangeiros se aconselha a evitar Setúbal e apenas ir à Arrábida, Sado e Tróia.
Aquela cidade poderia ser um destino sofisticado (leia-se simples, eficaz e inteligente) se houvesse mais visão. Tem tudo para isso.
Mas as pessoas são estranhas, não gostei muito da rudeza dos Setubalenses.
Há um golfinho, o Sujo, que está sempre a encalhar e já pensaram em mudar-lhe o nome para Encalhado.
Anda sempre aparte do grupo, é uma ovelha negra. Foi do que gostei mais.
E vi o bebé, o Tongas.
Finalmente parámos para uns mergulhos e aqui é que vi o que são correntes e água gelada.
Ancorámos ao pé de um banco de areia já longe dos golfinhos. Então puseram umas escadas, uma corda comprida com uma boia amarrada no fim.
Fui o primeiro a saltar e quando regressei à tona parecia que alguém me estava a arrastar muito depressa. Tive que me agarrar à corda. Mesmo agarrado aquilo puxava de uma maneira que foi educativa. A água é muito fria brrrrrrr! Acho que só mesmo um golfinho. As águas ali são muito frias.
Mor mas quero voltar lá contigo.

Afixado por Mohamed Ali at 08:46 PM | Comentários (2)

agosto 25, 2006

Morte à família/Viva a família

A familia tem sido o grande empecilho daquilo a que chamamos humanidade.
Por um factor sorte temos à partida circunstâncias mais favoráveis ou não.
Herdam-se tiques, conceitos e preconceitos, crenças e descrenças e até o clube de futebol.
Não é um sistema justo.
Acabamos por nos enredar sempre em remoinhos de alegrias, culpas, remorsos, gratidão. Em família reproduzem-se as dinâmicas existentes na selva. Basta recordar o macho dominante, nos Leões por exemplo, e a ameaça em que se tornam os filhos ao crescer ou os filhos de outro macho.
Fica aqui expresso se tudo está como está se deve à falta de um governo urgente de Mães.
Desculpem-me mas não sei se consegui dizer neste pouco tempo que tenho aqui agora.
"O único caminho é o não caminho. Tudo o resto é hesitação."

Afixado por Mohamed Ali at 01:58 AM | Comentários (0)

agosto 24, 2006

Back in lush time

"Amigo, pode abrir o dicionário? É que eu acho que a edição que eu tenho não é igual."
Tratavam-se de dois volumes embrulhados em plástico transparente.
"Não sei se posso... Só um momento vou chamar o gerente."
"mas quer vender o livro ou não?"
Abertos os dicionários o homenzinho como quem diz eureka atirou, "viu, não eram iguais. Passe-me aquele dicionário de termos técnicos em inglês."
Um livro quase do tamanho do balcão que o homem se pôs a consultar ignorando a fila de clientes que entretanto se acumulara atrás dele.
Enquanto o fazia levava o dedo à boca, à língua, para mudar as páginas.
Um brasileiro perguntou pelo Evangelho de Jesus Cristo.
"Muito bom, Cristo. Faz bem em ler." - meteu-se o homenzinho.
"O do José Saramago?" - perguntou o brazuca.
"Esse, nem abro os livros desse sujeito, são tudo mentiras. Cristo morreu por nós!"
São tão pios estes crentes...

Afixado por Mohamed Ali at 01:49 AM | Comentários (0)

junho 07, 2006

Contemplação

Contemplo o deserto. Onde encontro o diabo, quarenta dias e noites. O deserto de Al berto, o deserto , o deserto, o deserto...

contemplação

Afixado por Jardineiro Mágico at 09:03 PM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2006

14 fevereiro no Poemário

"Estão na minha taça
a vertigem brilhante,
a embriaguez borbulhando.

Grandes redemoinhos
sobre nós às avessas
estão na minha taça.

Um grande coração de urso,
um grande coração de águia,
um grande coração de milhafre,
um grande vento que roda -
juntaram-se todos num só.
Estão na minha taça.

-Bebe-a agora."

(Papagos)
Poemas ameríndios

Afixado por Mohamed Ali at 10:11 AM | Comentários (1)

fevereiro 14, 2006

Dragon ball Z Z Z

«No momento em que escrevo ainda não é possível saber todas as consequências das caricaturas de Maomé nas relações com o mundo islâmico. Por outro lado, é evidente a dificuldade que há em pronunciar-se sobre um assunto tão amplo e polémico em espaço tão limitado.

Para salvaguardar a transcendência divina, a Bíblia impõe o mandamento de Deus "Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão. Não haverá para ti outros deuses na minha presença. Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas. Não te prostrarás diante dessas coisas e não as servirás."

A controvérsia sobre as imagens no cristianismo durou séculos e a chamada crise iconoclasta desembocou por vezes em perseguições violentas. Foi com o concílio de Niceia II (787) que, com base na encarnação do Verbo, foi reconhecida a possibilidade da representação de Cristo e a veneração das imagens. Mesmo assim, há, neste domínio, diferença entre os católicos, pródigos em imagens, os protestantes, reservados, que se limitam à cruz, e os ortodoxos, que são mestres na arte dos ícones.

Régis Debray fez notar com humor que o ano de 787 marca a data de nascimento de Hollywood, observando de modo fino que "uma cultura que honra as imagens honra também as mulheres. Velha constante das civilizações, que atravessa os tempos e as latitudes! Os que bombardeiam estátuas são os mesmos que lapidam as adúlteras. Quem fecha os museus mantém as mulheres fechadas. A inversa também é verdadeira em toda a parte onde a imagem tem direito de cidadania, a mulher tem o direito de participar".

Entre os muçulmanos, nem sempre foi interdita a imagem do Profeta. Depois, enquanto os teólogos sunitas proibiram qualquer representação humana do Divino, os xiitas reservaram a interdição a Maomé.

Pela sua própria natureza, o Sagrado é inviolável, não pode ser profanado, deve-se-lhe respeito incondicional.

Toda a questão reside, porém, na distinção, essencial, que é preciso fazer entre o Sagrado em si e as figurações humanas desse Sagrado. Foram sobretudo os místicos que estiveram atentos a esta diferença.

Mestre Eckhardt pedia a Deus que o libertasse de Deus, exactamente para preservar essa diferença e prevenir quanto ao perigo constante de confundir e identificar os conceitos, imagens e representações humanas de Deus e a Divindade em si mesma.

Tomás de Aquino, no fim da vida, depois de uma experiência mística, porque sabia que a fé não se dirige às fórmulas, mas ao Mistério, quis queimar tudo quanto tinha escrito.

Também no Islão há uma forte corrente mística. Pense-se, por exemplo, em Rumi.

O místico budista Nagarjuna foi radical. Segundo ele, o homem, se quiser tornar-se livre para a verdade suprema, religioso-mística, tem de ir além da dialéctica comum e mesmo da dialéctica hegeliana (ser, não ser e devir), para atingir a dialéctica dos quatro passos, que nega as quatro possibilidades afirmação (é), negação (não é), afirmação e negação (é e não é), dupla negação (nem é nem não é).

O que pode o homem finito dizer sobre o Infinito, sobre o Absoluto? Algo precisa de balbuciar, mas sabendo à partida que o que diz é finito. Por isso, o crente que pensa não receia os cartoons sobre o divino, pois eles nunca atingem o Divino em si mesmo, mas apenas as suas imagens e representações humanas. As caricaturas nunca caricaturam o Sagrado em si, mas tão-só o perigo das caricaturas humanas desse Sagrado. Os cartoons podem ser um apelo de transcendência, para que os crentes percebam que é preferível ser ateu a ser idólatra.

Ai de uma religião que pretenda ser imune à crítica! O filósofo Immanuel Kant deixou um aviso contra a menoridade religiosa culpada enquanto a mais nefasta "O iluminismo é a saída do homem da sua menoridade, de que ele próprio é culpado", e isso "sobretudo nas coisas da religião, porque a tutela religiosa, além de ser mais prejudicial, é também a mais desonrosa de todas".

O nosso tempo é "a idade da crítica", e a religião, apesar da sua "santidade", não se lhe pode subtrair, se não quiser expor-se a uma "justa suspeita".

No concreto, o problema situa-se na dificuldade em conciliar esta crítica, muitas vezes inevitavelmente provocatória e até corrosiva, com o respeito pelo outro nos seus sentimentos religiosos - uma questão do âmbito da razão prática prudencial.»
Anselmo Borges in DN

Afixado por Mohamed Ali at 09:04 PM | Comentários (0)

fevereiro 08, 2006

Salam malekum

dan.jpg
Aqui vos deixo um texto de um amigo meu que está a estudar em Manchester, o Faris Musallan (do Kuwait), que não se enquadra bem no imaginário colectivo que a maior parte das pessoas têm sobre o Islão neste momento. Quantos hóspedes deste espaço, se fossem muçulmanos, exibiriam na fotografia do MSN Messenger a bandeira da Dinamarca??
O texto foi publicado no seu blog e enviado para um jornal do Kuwait.

«It has become evident in the last few weeks that Arabs posses a very special talent... of passing judgement without taking the time to understand the situation, the different forms of action that can be taken, and the repercussions.
What I am insinuating specifically are the savage and ape-like actions that have taken place in Damascus earlier today. Why is it that Arabs make their voices heard in the most deplorable way? And yet we have the NERVE to act surprised when the rest of the world regards us as violent, narrow-minded terrorists! Maybe people would take us (and our rich civilization) much more seriously if we didn't blow up innocent people.
It's real, no wonder Arabs are now at the bottom of the barrel. Countless hijackings, suicide bombers, hostage takings - all carried out by the same people who had mastered algebra, geometry, and astronomy, and all carried out "in the name of Palestine", or "against American Imperialists".
It is real, no wonder that with a vast majority of supposedly "good Muslims" that people seem to think that our religion is one that encourages violence, hatred, and the dehumanization of women. When will people understand that Israel is going nowhere, and that the OOOOOONLY solution is a federation (like Switzerland)? When will people understand that the American troops that were (and ARE) stationed in the Gulf, are there at the request of each of the respective governments? It's rather silly to call the Americans imperialists when we've got "intellectuals" calling for a WORLDWIDE ISLAMIC REVOLUTION. If that isn't Imperialism, then I don't know what is. It is also rather hypocritical that the Saudi Arabian government recalls its ambassador to Copenhagen because of a cartoon in an independent (read NON GOVERNMENTAL) newspaper, when its own Ministry of Education publishes textbooks that incite religious hatred and intolerance. (I myself have seen these books and read them). Why is it that the Danes have to show respect to all religions, when only Muslims may practice their religion in Saudi Arabia, and no Jews are allowed into the "Holy Kingdom"?
In addition, why is it that people seem to think that Islam is the only religion that is parodied? And why do people think that this is the first time that Islam has been caricatured? Also, how is boycotting companies such as Arla, Puck, and even Kuwait's own KDD (Kuwaiti Danish Dairy) revenge on a Danish NEWSPAPER? Can we Arabs, the ones who showed the world advanced mathematics, not put two and two together?
One last point, one of the greatest insults on Earth is to burn a flag. People have DIED and SUFFERED for the flag which they douse in petrol, step on, and burn. A national flag represents a government, a people, and a way of life. It carries with it so many feelings of patriotism, that warm feeling of "my home", "my people". Therefore, (in my opinion), burning a flag is an even bigger offense than a satirical cartoon which we were responsible for...
Held og lykke, Danmark!»

Afixado por Mohamed Ali at 03:33 PM | Comentários (4)

fevereiro 06, 2006

Queremos provar que Deus existe!

Se Deus lê este blogue que faça qualquer coisa, entre hoje e amanhã. Que faça aqui um milagre. Que mude a côr de qualquer coisa, a letra. As horas. Que escreva uma história sobre Walser. Que se manifeste. Que se sente à espera e mude de canal. Vamos ficar atentos.

Afixado por Guarda Costas at 05:27 PM | Comentários (2)

janeiro 23, 2006

a poesia é para comer


Hoje a arte, mais do que para deleitar (cf conceito da poética clássica), é para ser apropriada, usada, manipulada (cf edónea teoria utilitarista vs utilitarismo) ingerida, comsumida rápido, e, por que não, fodida?

Afixado por Assussora Remota at 10:37 AM | Comentários (3)

dezembro 03, 2005

Alarme! Bomba no Bunker

04-suicide-inside.jpg
Finalmente a luz do profeta, andei este tempo todo a adiar o inadiável.
Estão todos convidados…
Alá é grande, a recompensa é monumental!

Afixado por Mohamed Ali at 12:13 PM | Comentários (3)

Check Out

Quando se chega enchem-nos os ouvidos com as maravilhas da empreitada de Macau.
Se não gostares da casa onde vais viver podes partir paredes, fazer uma janela nova, o que quiseres. Isto quando se chega parece uma coisa boa.
O tempo passa e descobres que por cima, em baixo e à volta anda sempre tudo em obras a toda a hora. Berbequins, betoneiras, marteladas.
Quando julgas que a obra do vizinho de cima acabou, começa a do vizinho de baixo.
Depois os respiradores destes prédios em vez de ar trazem-te o fumo, as tintas, o pó e cheiros de comida do vizinho.
Em vez de te sentires no lar doce lar julgas que foste viver para algum estaleiro em obras ou para a cozinha de um restaurante chinês.
Há sempre uma parte em obras no Casino Lisboa do Stanely Ho. Um vidente disse–lhe que para os negócios irem bem as obras no casino não podem nunca acabar, tem que haver sempre uma parte inacabada ou por construir.
Regresso a qualquer coisa onde realmente nunca cheguei a chegar.
Exmo. Sr. Pruz foi boa a estadia aqui no Motel but I need to do Mohamed Ali check out.
Salam
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Afixado por Mohamed Ali at 09:19 AM | Comentários (0)

dezembro 01, 2005

Neste Natal as compras online podem ser uma solução diz o apresentador do Telejornal.

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Afixado por Mohamed Ali at 03:00 PM | Comentários (0)

Hanged

enforcamento irao.jpg
Mahmoud Asgari e Ayaz Marhoni (16 e 17 anos) no dia 19 de Julho deste ano na cidade iraniana Mashhad.
“Instead of paying tribute to the action of the judiciary, the media are mentioning the age of the hanged criminals and creating a commotion that harms the interests of the state”
Ali Asgari - Majlis deputy for Mashad

Afixado por Mohamed Ali at 08:33 AM | Comentários (0)

Judas priest

Num prato carne picada frita em mel e malaguetas com rebentos de soja. Noutro prato uma pilha de folhas de alface crua.
Pega-se numa folha com as mãos, tira-se um pedaço da carne picada com uma colher e põe-se dentro da folha. Enrola-se e mete-se à boca.
Assim que me vêem atiram logo um “hello” que julgo não o fazerem em chinês para os clientes chineses que ali vão.
Duas bancas de sumo naturais em frente uma à outra com os mesmos frutos e possibilidades e no entanto aquela onde costumo ir é a que está mais cheia.
Olho para a outra banca, quase sempre vazia, para os olhares desconsolados daquela concorrência .
Mangas, melancias, peras, cenouras, laranjas, kiwis, maçãs, papaias, amarelos, encarnados, cor de laranjas, brancos e verdes.
Digo sempre que da próxima vez vou pedir um sumo à banca vazia mas o sorriso e “hello” enérgico que me atira a banca “mainstream” assim que me topa desarma-me e o projecto mais uma vez fica adiado. Fico sem coragem, inibido .
Moral da história: O meu signo celta é o Sabugueiro (Sambucus nigra), a árvore onde Judas se enforcou

Afixado por Mohamed Ali at 04:13 AM | Comentários (0)

Nunca nada de ninguém

diamonds are forever.jpg
«Cá me parecia que tu tinhas tendência para essa rapaziada! És o da pistolinha, não?»

Afixado por Mohamed Ali at 01:52 AM | Comentários (0)

Virtualidades interiores

«Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
"Moi, moi je me prenais pour moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...
»
Jacques Brel

K. mostrou-me o jogo com que se entretia nas folgas. Uma password e dava-se o big bang no ecrã. Conhecia gente de vários sítios que se encontravam ali para jogar. Ele nunca jogava. Dentro de um personagem, na maior parte das vezes um feiticeiro, deambulava pelo jogo para falar com outros jogadores.
Numa clareira rodeada de árvores algumas figuras pareciam dançar.
- O que é aquilo? - Respondeu-me que eram jogadores em festa, numa pausa para dançar.
Uma vida sem toque, sem cheiro em que o único pesadelo é o dia em que o disco rígido se queime.
Na floresta columbiana os agricultores deixaram de cultivar feijão, tomate ou batatas, a planta da coca rende mais , na Papua Nova Guiné um americano dedica-se a organizar excursões First Contact para turistas endinheirados que consistem como o nome indica num first contact com tribos indígenas que nunca viram pessoas fora da floresta.
Wololford vê as coisas do seguinte modo, a elite dos estudiosos, considerada guardiã das descobertas, quer excluir todos os outros. As expedições First Contact servem portanto para tornar o processo mais democrático.
São extraídos a mãos nuas, trabalhados em condições desumanas. Depois são usados como jóias, símbolos de poder e de beleza. São pedras que marcam a vida em todos os sentidos, os diamantes.
O dia está mesmo bonito hoje, são 7 da manhã e está sol sobre o rio das Pérolas.

«-Que sítio encantador!
-Sim, maravilhoso...
-Vamos embora?»
Trecho do Godot de Becket
Pois é a merda dos diamantes continua a ser eterna!

Afixado por Mohamed Ali at 01:38 AM | Comentários (0)

novembro 30, 2005

Trabalho de equipa

rugby.jpg

Afixado por Mohamed Ali at 02:48 PM | Comentários (1)

novembro 29, 2005

Em branco

Impaciente suspira com a minha impotência. Eu também quero mas não consigo, tenho vontade mas não me acontece nada. Ela esparramada sobre a mesa espera por um milagre,e u perdi a fé.
Lá fora o dia vai-se esvaindo límpido e eu cá dentro sem saber para onde vou, de onde venho ou o que sou.
Branco como a folha branca aos riscos.


Afixado por Mohamed Ali at 05:54 AM | Comentários (0)

novembro 24, 2005

A KISS IT'S JUST A KISS

Exibicionista é o beijo dos outros

Augusto M. Seabra
«Um observador do espaço que se designou por Europa Ocidental, aquele que até recentemente tinha expressão política enquanto "Europa dos Quinze", verifica que a opinião no espaço público português é acentuadamente "conservadora" - inúmeras vezes tenho constatado observações dessas e tentado responder a questões que me são colocadas.
Todavia, verifica-se uma recorrência paradoxal dos discursos, com os colunistas e editoralistas a argumentarem, quais cavaleiros solitários, contra uma tenebrosa hegemonia do "politicamente correcto", uma "ditadura do relativismo" ou dos "bem-pensantes", uma dominação do "antiamericanismo", isto é, com todos os tópicos de variados discursos conservadores e neoconservadores. Só falta o ataque ao liberal bias, ao "enviesamento liberal" dos media, ou nem falta, porque preside à criteriosa revista a que Pacheco Pereira procede, qual ministro da verdade orwelliano. Acontece que "liberalismo" é exactamente o outro tópico que tem que ser introduzido.
Que muitas vezes os enunciadores até tenham opiniões diferenciadas acaba por se tornar facto de circunstância perante os espectros constantemente brandidos, criando uma ordem de discurso coerciva, a que só falta a acusação de "terrorismo" - e mesmo isso, na metáfora de "terrorismo intelectual", é por vezes esgrimido.
Quando até o beijo amoroso de duas adolescentes é apresentado enquanto exemplo de "ditadura" e "terrorismo intelectual", como Miguel Sousa Tavares (M.S.T.) o fez, é mesmo tempo de dizer: alto lá, que não se está apenas a censurar implicitamente actos, como também a criar quadros limitativos e a acentuar o défice de liberalismo - de liberalismo, acentuo.»

«Já que falámos de um suposto "antiamericanismo" e de um conceito provindo dos Estados Unidos como "politicamente correcto", vou recordar dois exemplos de confusão, publicados neste jornal em dias sucessivos, e com pontos de vista opostos sobre a reeleição de Bush. A 04/11/04, em God Bless America, M.S.T., numa sentida deploração pela América liberal (que, enquanto tal, eu subscreveria), atribuía aos moral issues da direita conversadora "o carácter de cruzada da virtude contra o vício" do antitabagismo ou contra o "assédio sexual"; também isso eu subscreveria, não se desse o caso de, dessa vez sim, M.S.T. ter perdido uma oportunidade de atacar o "politicamente correcto" -- de facto, ele confundia a direita religiosa com certos "puritanismos" (chamemos-lhe assim) que como código "politicamente correcto" se originaram no campo "liberal" ou "progressive".
No dia seguinte, Helena Matos rejubilava com o triunfo de Bush Jr., ou antes, com a derrota dos seus adversários, sob o título de Na escolinha do pensamento único, título delirante, pois "pensamento único" é um conceito da esquerda militante para anatemizar o que tem como "centrão" dos "neoliberais" e das práticas gestionárias sociais-democratas, perdendo também ela a oportunidade de atacar o "politicamente correcto", pois era a isso que se queria referir.
Como se vê por tais exemplos, não prima o rigor. Mas é este brandir de espectros que faz escola e agora até num discurso que implica a escola também.
Tenho o maior pudor em evocar o já famoso beijo de duas adolescentes numa escola de Gaia, justamente por se tratarem de duas adolescentes surpreendidas e denunciadas. Acontece que há preconceitos, falsidades e confusões a mais no texto de M.S.T. de sexta-feira. Começa pelas raparigas, que têm 16 e 18 anos, passarem para 14 e 15 e andaram a expor-se a crianças de "seis ou sete anos de idade" - extraordinário, de repente já nem a distinção entre escolas básica e secundária existe! E depois é o disparate pegado, como a declaração de que o autor nunca descobriu em si qualquer "orientação sexual homofóbica" (essa da homofobia ser orientação sexual deve première mundial) à obstinação em insinuar que a inconstitucionalidade do art. 175º do Código Penal, que explicitamente criminaliza "actos sexuais homossexuais [e só esses] de relevo com menor entre 14 e 16", permite a pedofilia e o abuso.
Há aqui duas questões fulcrais: o direito de cada indivíduo/cidadão à sua orientação sexual, e a não ser discriminado por ela, como ficou consagrada constitucionalmente na última revisão; outro, não menos importante, é a protecção dos menores em relação a qualquer abuso, cujas consequências aliás afectam a sua autodeterminação sexual e o seu futuro enquanto indivíduo/cidadão. Está isso explicitamente consagrado, e obviamente mantido, nos artigos 172, 173 e 174, pelo que o 175 é uma redundância discriminatória. Mas um jurista, jornalista e colunista não sabe ler o Código Penal?
Tanto ou mais extraordinário, para mim, é o conceito de "beijo exibicionista", como o seria o dessas duas adolescentes. E não falo de outra incorrecção factual, sobre quem de facto "exibiu" publicamente o afecto das jovens. Trata-se do curioso conceito do que é e não é "exibicionista", ou até "exibível", e como ou quem isso determina. "Exibicionistas" são sempre os outros, não? Dir-se-ia que nunca nenhum par de namorados hetero foi tido por "exibicionista" - mas claro, como isso é da norma de M.S.T., já o rótulo não conta.
Tendo invocado a questão fulcral da "norma", terei de repegar nas confusões, para tentar explicar isso de "politicamente correcto". A codificação do "P.C." supôs a restrição de expressão ou actos que pudessem marginalizar ou insultar grupos étnicos, culturais os sociais. A sua origem está assim especificamente ligada a sociedades multicomunitárias (Estados Unidos e Canadá) e supôs o direito à afirmação própria de cada grupo e da sua imagem. Eu posso compreender as razões, mas como noutros casos de lógicas identitárias e comunitaristas também acho que rapidamente extravasou para perversões várias, como a reescrita da História e sobretudo um sentimento de comunidade/quota, em que cada uma negoceia os modos de apresentação da sua imagem, qual detentora do "copyright", como se a sociedade fosse uma sociedade por acções. Posso compreender as origens e o quadro, mas não sou adepto, porque acho o "politicamente correcto" conflitual com os valores gerais do liberalismo.
Acontece que como a tal confusão de M.S.T. há um ano relevava, há um conjunto de valores e códigos restritivos até de sinal oposto, mas todos fortemente politizados. Nesse sentido, a minha posição anti "politicamente correcto" é mais lata e veemente. Refiro-me a um conjunto insistente de discursos fortemente normativos; nesse sentido, haverá algo de mais "P.C." que, por exemplo, as pregações de João Carlos Espada?
E já agora, por falar em pregações: descobri eu ao lado do texto de M.S.T., na coluna de Eduardo Prado Coelho nesse dia rendido à Igreja, que em Lisboa tinha estado o cardeal Schönborn. Pois é ele o autor de Finding Design in Nature, publicado no New York Times a 7 de Julho passado, ou seja, o ponta de lança do Vaticano na questionação da concepção evolucionista darwiniana: contra a "ditadura do relativismo", essa batalha de Ratzinger e acólitos como Espada, já se questiona mesmo a ciência. E é assim que mesmo algo que supunhamos tão adquirido como o livre pensamento terá de estar sempre presente - e que a minha liberdade passa também pelo respeito intrínseco da liberdade e direitos de outros, sem lhes andar a apor rótulos, de "exibicionistas" a "terroristas intelectuais".»

Afixado por Mohamed Ali at 12:40 PM | Comentários (0)

Hoje acordei assim™ [5]

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Alguém já parou para pensar um bocadinho sobre o significado da Igreja de Roma quando afirma "… se após três anos o candidato a padre tiver superado as suas inclinações homosexuais pode vir a ser ordenado…"
A frase não seria comentável se não fosse grave, pelo que revela, e no entanto passar despercebida, como uma coisa corriqueira.
Anacrónica e descarada estratégia de marketing, tendo em vista de alguma forma distanciar-se dos padres pedófilos nos E.U.A., esta politica expõe a fragilidade moral daqueles que mais pregam esses mesmos valores atropelando tudo aquilo que são os pilares do cristianismo.
Estes experts em Cristo perderam por completo a sua morada ficando apenas na sua agenda propósitos de sobrevivência alla Maquievel. Não importam os meios apenas os fins, e que fins divinos estes… Nada de novo portanto!
Os bodes expiatórios fazem as vezes dos cordeiros.
A frase acima encara a homossexualidade como uma forma de toxicodependência.
Depois toda esta campanha só vem alimentar a enésima mistificação sobre o binómio gay=pedófilo - quando as estatísticas revelam que uma percentagem maior dos casos de abuso sexual sobre menores consuma-se da parte de “Paizinhos” com as suas rapariguinhas.
Porque não reescrever a frase? Onde se lê "inclinações homosexuais" substituir por "… superado todo e qualquer impulso sexual...”
Volta e meia fala-se de um lóbi gay, já agora que se fale tambem do lóbi hetero que esse sim é organizado e tem à disposição todos os meios, todos os dias e a toda a hora, maquinando imaginários e estereótipos.
Um programa americano “The queer eye for the straight guy” espalhou-se como um fungo alucinogénio pelas televisões de vários países com as bichas loucas locais a fazerem a vez das suas homónimas gringas.
Este programinha só perpétua a imagem associada aos gays apenas e só para um adolescente que tenha as tais inclinações mas que não se identifique em nada com aquelas caricaturas terá como consequência imediata ter medo de ser descoberto, de ser alvo do escárnio e assim crescerá sem dizer "quero ,queria, desejo."
Crescer a negar, a evitar tem as suas consequências e por isso se existem tantas pancadas associadas ao mundo gay é mais uma consequência que uma verdadeira característica.
Tudo isto como sempre revela pouca objectividade nesta era informada, já que pouco ou quase nada se reflecte.
Antigamente o ícone religioso fazia as vezes dos livros para as massas analfabetas, pela imagem transmitiam-se modelos e exemplos.
Hoje isto já não passa de um facto distante. Será verdade?

Afixado por Mohamed Ali at 11:41 AM | Comentários (8)

novembro 22, 2005

NÃO MACIÇO

Não a nenhuma forma pura de raça , de religião, de linguagem, de política e de sexualidade.
O futuro é, quere-se, mestiço.
Tudo o resto é doentio e só diz não.

Afixado por Mohamed Ali at 11:46 AM | Comentários (0)

Pedrado

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Procurava avistar nas águas agitadas do estuário do Rio das Pérolas um golfinho cor de rosa como quem aguarda um milagre. Esta espécie está em vias de extinção mas não tendo melhor porque esperar resolveu pôr-se a caminho.
Uma rocha grande amarelada pontuada por blocos maciços de pedras em cima umas das outras em equilibrio quase surrealista pareceu-lhe um bom lugar para o avistamento.
Escalou a rocha grande e descobriu na parte virada para o água um recanto abrigado do vento onde cresciam escondidas duas espécies de plantas. Num dos lados do abrigo dava para encostar as costas.
Ali sentado ninguém o via. Tinha descoberto o seu lugar na Rocha Grande.
Atirou ao rio em jeito de oferenda dois ramos entrelaçados das duas plantas ali residentes.
Agora era só esperar que o golfinho aparecesse.
Gostava deste sol de Inverno, um calor estranho que ora aquece, ora arrefece.
Ondas e barcos de pescadores de grandes redes ao fundo.
Alguns cigarros depois decidiu-se a escrever. Tinha sempre tantas ideias mas depois não lhe saía nada de jeito. E para quê, de resto, o jeito?
Daqui a uns anos vai ser construída no Delta das Pérolas uma megaponte que vai unir Macau, Hong kong e Zhuhai. Os ambientalistas vêem neste projecto o afastamento definitivo dos mamíferos destas águas.
O Rio Tejo em Lisboa já teve como quotidiano golfinhos a saltarem, agora não passam de histórias, quase lendas.
Dentro a arder uma pequena lanterna, vermelho amarelo e azul.
Veio buscá–lo uma amiga que a medo lá subiu à rocha grande.
Quase caiu ficando suspensa no ar agarrada por um braço, à filme, mas não desistiu.
O primeiro Deus dos egípcios, Amon Atum, masturbou-se e ao comer o seu próprio esperma fecundou-se.

Afixado por Mohamed Ali at 06:01 AM | Comentários (9)

Camelo

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«Birds do it, bees do it
Even educated fleas do it
Let's do it, let's fall in love

In Spain, the best upper sets do it

Lithuanians and Letts do it
Let's do it, let's fall in love

The Dutch in old Amsterdam do it
Not to mention the Fins
Folks in Siam do it - think of Siamese twins

Some Argentines, without means, do it
People say in Boston even beans do it
Let's do it, let's fall in love

Romantic sponges, they say, do it
Oysters down in oyster bay do it
Let's do it, let's fall in love

Cold Cape Cod clams, 'gainst their wish, do it
Even lazy jellyfish, do it
Let's do it, let's fall in love

Electric eels I might add do it
Though it shocks em I know
Why ask if shad do it - Waiter bring me
"shad roe"

In shallow shoals English soles do it
Goldfish in the privacy of bowls do it
Let's do it, let's fall in love
»
Ella Fitzgerald - Let's Do It (Let's Fall In Love)

Afixado por Mohamed Ali at 05:01 AM | Comentários (0)

novembro 21, 2005

Squirrel without nuts

squirrel without nuts.jpg
D. Shrigley

Afixado por Assussora Remota at 10:33 AM | Comentários (0)

novembro 19, 2005

The Turim papyrus

View image
They really were the progressives and the embodiment of the avant-garde in early years of this century. Every time we look at them again they seem to have something for the contemporary world, whether in sexual ethics, liberation, biography, economics, feminism or painting."
Michael Holroyd, in the San Francisco Chronicle, 1995
"It is a very fascinating, queer, self-absorbed, fantastic set of people. But they are very interesting..."
Ray Costelloe in A Letter to Mary Costelloe, 1909 / Bloomsbury Group

Afixado por Mohamed Ali at 06:28 PM | Comentários (3)

Wonderland II


«Mas ao Joseph não conheço porque não conheci o pai dele. (...) Talvez uma divindade venha viver para a terra de vez em quando.Ele sobrepõe-se com força á visão confusa, tem a calma das montanhas e as suas emoções são tão selvagens, ferozes e vivas como relâmpagos, e tão destituídas de racionalidade quanto eu me possa ter apercebido (...) A sua figura crescera até se tornar enorme, até ser maior que as montanhas, e a sua força parecer-se-á com o irresistível impulso de vento. (...) Não se consegue conceber o Joseph a morrer. Ele é eterno. O seu pai morreu e isso não foi bem morrer, (...) garanto-te que esse homem não é um homem, a não ser que seja todos os homens. A força, a resistência, o longo e laborioso raciocínio de todos os homens, e também toda a alegria e sofrimento. (....) Ele é tudo isso, um repositório de um pedacinho de cada alma humana e, mais que isso, um símbolo do espírito da terra».

No momento em que a seca parece ter chegado à própria clareira, Joseph teve o intuito de fugir ou desistir. Contudo, sacrifica-se pela terra. Com uma faca corta as veias dos pulsos e o seu corpo «subiu ao céu e dele tombou a fustigante chuva. «Eu devia ter sabido – murmurou. – a chuva sou eu!) (...) Sentia a chuva cair e ouvia-a fustigar o sois Via os outeiros escurecerem com a humidade». A vida regressa com a chuva, a terra está salva, o povo de Nuestra Señora sai para a rua a festejar euforicamente.
«A expressão faminta dos seus olhos tornou-se voraz, ao contemplar o extenso vale verde. A ganancia que o dominava transformou-se em paixão. 'É minha – murmurou. – Até às suas profundezas, pertence-me; até ao centro da terra'. (...) Deixou-se cair sobre a relva húmida, apoiando com força o rosto contra ela. Apertando-a com dedos convulsivos, arrancava-a e voltava a apertá-la. As suas coxas batiam com mais força no solo. (...) Durante um momento a terra fora sua amante».
No centro de uma clareira embutida numa floresta densa existia uma rocha, «tão grande como uma casa , misteriosa e enorme. Dava a impressão de ser sábia e destramente talhada. (...) Parecia um altar que se tivesse fundido e rolado sobre si mesmo. Num dos lados da rocha havia uma pequena gruta (...) e dela corria silenciosamente um fio de água». Joseph, apesar de nunca ter visto a rocha, pensava tê-la visto algures, «talvez num sonho». E diz ao irmão: «Isto é sagrado e... muito antigo».

In A um Deus desconhecido de Jonh Steinbeck

Afixado por Mohamed Ali at 04:10 PM | Comentários (0)

A um Deus desconhecido

[O ESCRAVO DA ALEGRIA]
«E eu que andava nessa escuridão,
De repente foi me acontecer.
Me roubou o sono e a solidão,
Me mostrou o que eu temia ver.
Sem pedir licença nem perdão,
Veio louca pra me enlouquecer.

Vou dormir querendo despertar,
Pra depois de novo conviver
Com essa luz que veio me habitar,
Com esse fogo que me faz arder.
Me dá medo e vem me encorajar,
Fatalmente me fará sofrer.

Ando escravo da alegria.
Hoje em dia, minha gente,
Isso não é normal.
Se o amor é fantasia,
Eu me encontro ultimamente
Em pleno carnaval.
»
Descobri há pouco tempo esta música num CD e agora não me canso de a ouvir. Vem num disco do Toquinho & Vinicius - Colecção Millenium.
Como não sei fazer links de músicas deixo aqui o pedido ao fantasma do Pruz. para que o faça. Tenho-a gravada no computador mas como é que eu a passo para aqui?


Afixado por Mohamed Ali at 12:09 PM | Comentários (0)

The heretic King

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Propólis, mel, cera, geleia real e ferroadas, o legado das abelhas.
A rainha, os zangões, as guerrreiras, as obreiras e as larvas.
Diz-se que Akenethon teve um dia uma visão em que viu o disco solar entre duas montanhas. Sentiu que Deus o estava a guiar para fazer uma mudança.
No sexto ano ano do seu reinado, Akenethon rejeitou os deuses de Tebas.
Declarou (pela primeira vez na história de que há registo) haver apenas um só Deus - o conceito de monoteísmo. Do dia para a noite mudou 2000 anos de tradição religiosa no Egipto.
Em criança parecia ser ignorado pelo resto da família. Nunca apareceu nos retratos e nunca foi levado a acontecimentos públicos. Nunca aparecia com a sua família nem era mencionado nos monumentos. E mesmo asssim a sua Mãe favoreceu-o.
Os cientistas estudam o facto de que Akenethon sofria de uma doença rara chamada Síndrome de Marfan.
O seu reinado durou apenas 16 anos em que proclamando-se a encarnação do Sol e único intermediário entre o céu e a terra minou o poder dos sacerdotes e abalou os negócios de uma multidão de artesãos que vivia do fabrico da parafernália religiosa à volta dos antigos deuses.
Com a sua morte regressam os antigos deuses.
A aparência estranha e o seu comportamento misterioso, bem como a sua ligação a Nefertiti e ao mal fadado rapaz - rei Tutankhamon fizeram dele o objecto de muitas paixões e controvérsias no último século.
Uma ferroada de abelha de vez em quando faz bem ao sangue .
Os ursos gostam de mel, Lao Tse dizia que “se queres o mel suporta as abelhas.”
E o Tom Zé que quem perde o telhado ganha as estrelas.
O Prusidente está morto mas deixou-nos pérolas com esta: se não bricássemos com o fogo ainda estávamos na idade da pedra.

Afixado por Mohamed Ali at 10:03 AM | Comentários (0)

novembro 17, 2005

Wonderland

“Num certo sentido pode-se dizer que todo o Cristianismo contribui para esvaziar o céu de significados: Viver no mundo renunciando ao mundo. E esta é a grandde novidade de Cristo: "Eu sou do Pai e não pertenço a este mundo". O cristianismo é a negação de qualquer valor que pertença ao mundo. Não para preenchê-lo com outros valores mas qualquer coisa que nos convida a viver sempre fora do mundo.
Nietzsche foi o maior pensador do niilismo porque compreendeu esta faceta do Cristianismo. O niilismo exclui portanto a existência de valores mas não faz outra coisa que confirmar o Cristianismo. Para Nietzsche não se pode sair do niilismo senão a partir do próprio niilismo. Isto é da ideia que que no mundo não existem mais os valores. Introduzir um novo sentido ,é este o nosso objectivo com a condição que seja claro que este objectivo não tenha sentido…”
Jean-Luc Nancy em entrevista ao Il Manifesto

A Tiziana trabalhava num antiquário no centro de Roma, sem contrato como eu. Uma loja que parecia um museu com vasos estruscos, colunas romanas, amuletos vários. O chefe dela tinha uma caixa cheia de crackers para dar aos pombos que por ali poisavam na entrada. Uma vez correu a insultos um cliente por este ter pisado a comida dos pombos.
Mauro trabalhava num café e despedia-se dos turistas estrangeiros com um “Thank you thousand”, guiava pelo centro sem mãos e tinha uma tatuagem pequena em forma de lágrima no olho direito.
Iehmanan veio de Belgrado para estudar arquitectura. Dizia que na faculdade era tudo filhinhos do papá, que tinham dinheiro para comprar os melhores materiais para as maquetes. Ele reciclava.
Ele e Tiziana tinham que apresentar-se de 6 em 6 meses na esquadra central para renovar o visto em Itália. Foi em Itália que aprendi a palavra extra comunitário.
Eram sempre mal tratados.
Nancy da República Dominicana tinha um namorado em Napoli mas em Roma fazia biscates como prostituta de luxo. Uma vez jantávamos todos em casa da Tiziana e assistiamos incrédulos ao telefonema erótico com um tipo que gostava que lhe chamassem papá. Durante a conversa ia pedindo presentes.
Tinhamos todos pouco dinheiro mas recordo-me de risos, de dançar e de nos querermos bem.
Tenho saudades destes amigos claros.
Sei que as coisas nunca voltam a ser as mesmas, que o presente é sempre afinal ainda um presente mas mesmo assim cada vez mais tenho saudades de qualquer coisa que já nem sei bem o que é e talvez esteja a mitificar a coisa.
Tenho medo de perder de vez o jeito, de saber como é que se faz ou vive.

Afixado por Mohamed Ali at 06:42 PM | Comentários (2)

novembro 15, 2005

My pills are over

As palavras cresciam como uma teia pegajosa, tentava furtar-se ao monstro que a cada passo se aproximava mais.
Um monstro viciante prenhe de um veneno alucinógeno que nos faz acreditar sempre outra vez em tudo, que nos faz esquecer as experiências passadas, responsável porque nos repitamos sempre e cada vez mais.
Nunca esteve tão gordo.
O projéctil dentro da pistola recusa-se a sair, a cumprir a sua função.
Frunculover a arma que dispara furúnculos estava a passar-se.
O Deus desconhecido do Jonh Steinbeck, a seca seguida de uma chuvada regeneradora e um suicídio.
As cartas a um jovem poeta do Rainier Maria Rilke.
Extasiado vendia a Morte de Deus pelas ruas de Fátima, que o elixir dos deuses guardado pelas três velhotas cegas evaporara. Dentro do frasco de vidro veneziano havia apenas nada.
Uma casa feita de pergaminhos, mapas de astronautas humanautas, as constelações e os signos marcianos, histórias e a antropologia invisível.
Os unicórnios perderam o corno, os cavalos alados as asas, os centauros as flechas.
Tornar visível o invisível.
Os ícones e os clastas. Nas urgências de um hospital acaba de entrar um vagabundo. Cheira mal, mesmo muito mal e o maqueiro que o despe quase se engasga nos ameaços de vómito que o atacam.
Não tem documentos de identificação e está inconsciente.
O cheiro a fezes, a sangue, suor e vomitado mistura-se criando uma atmosfera adocicada que recorda Nestum, as papas.
Um Deus moribundo sem memória, incapaz de criar o que quer que seja acorda ligado a uma máquina.
Pede um cigarro à enfermeira e um copo de vinho.
A enfermeira era estagiária, tinha um belo par de mamas e nádegas.
Sorriu-lhe maternalmente enquanto lhe dizia que ali não se podia fumar e beber álcool.
Baixou-se para apanhar a arrastadeira. Deus não resistiu e apalpou-lhe o rabo.
As palavras cresciam como uma teia pegajosa, tentava furtar-se ao monstro que a cada passo se aproximava mais.
Frunculover a arma que dispara furúnculos estava a passar-se.
Morder-te os ovários, dos teus rins patê. Não tem documentos de identificação e está inconsciente.
Com os teus pontos negros um sabão.
Entropia pia pia piu atchim Bum! Finalmente o germe transformou-se e alastra.

Afixado por Mohamed Ali at 05:32 PM | Comentários (2)

novembro 14, 2005

Entropia

Três longas horas de procissão pelas ruas de Lisboa em directo na televisão de um estado (serviço público?) que se diz laico… Já me disseram que foi mais pelo número de participantes do que pela laicidade ou não do estado, mas mesmo assim... Três horas de desfile de cabecinhas beatas com velinhas que pareciam lava nos grandes planos e com vozes off a encherem os ouvidos de chouriços bentos.
Os galos na Tailândia parece que daqui a nada vão passar a usar passaporte.
Num café algures na China fala-se de Angola, espera-se pelos cafés que vêm lentos como as impressões que se vão trocando.
Os artistas, palavra grossa, de Angola ou Moçambique orgulham-se das suas raízes. Raramente dizem que não pertencem ao sítio de onde vieram, que são estrangeirados ou que são cidadãos do mundo.
Uma identidade à procura de si mesma após 30 anos de indepenência.
Teria a independência chegado mais cedo se não houvesse em Portugal uma ditadura podre?
Vi a rainha das fadas, Titânia, como uma madame de um bordel e as fadinhas que a servem como lésbicas meio tias com ataques de protagonismo entre elas.
Oberon, o rei, um lutador de wrestling e o rapaz indiano disputado pelos conjuges reais, um Ladyboy.
Os amorosos estudam direito e vestem capa e batina e os bosque para onde fogem uma Latada em Coimbra.
Entropia para isto tudo. O destino do gelo é evaporar-se.
Ou a Ordem tende para o caos e vice versa.

Afixado por Mohamed Ali at 05:01 PM | Comentários (2)

novembro 08, 2005

Talking heads

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Quebra-cabeças do dia:
Dogville com a Nicole Kidman, Chocolate com a Juliette Binoche, Stromboli com a Ingrid Bergman. Filmes, grandes filmes. Embrulhos diferentes para o mesmo tema, antigo como o mundo, desde Caim e Abel.
“Água mole em pedra dura tanto dá até que fura.” Será verdade?
Qual é o tema?

Afixado por Mohamed Ali at 02:18 PM | Comentários (1)

Iconoclausta

“Feito de contrastes, de extremos, sem pieguices ou meias tintas, sempre atravessei a vida entre casos de amor e de ódio, ambos levados às mais sublimes e às mais mesquinhas consequências. Do divino ao rasca com a rapidez que só um milagre pode explicar. E como eu acredito em milagres, acredito no maravilhoso e horrendo da minha natureza.”

Ruben A. “O mundo à minha procura”

Afixado por Iconoclausta at 09:11 AM | Comentários (1)

novembro 07, 2005

Post modernos

Nas mil bancas desta China que faz fronteira com a Hollywood do Oriente milhões de DVDs pirateados. Está lá tudo, desde o cinema de autor (asiático, europeu ou americano) ao último blockbuster passando por filmes antigos.
Isto dos piratas intriga-me, devem ser requintados piratas post-modernos. Se nas bancas encontramos preciosidades (por ex. Bergman, Dreyer, Tarkosfsky) é porque alguém os escolheu. Há ali bom gosto, exigência.
Dividir-se-ão os piratas por sectores? O Chang Wu fica com os pornográficos, o Ling Chow com o mainstream, o Lao Tsum encarrega-se do cinema de autor.
E se estas cópias existem é porque há procura que não se deve esgotar na comunidade ocidental residente em Macau.

Afixado por Mohamed Ali at 10:44 AM | Comentários (1)

novembro 06, 2005

We will shine

‘We will shine’ - ouve-se no máximo do volume no estádio antes do jogo de futebol Coreia-China.
Dos dois lados os jogadores caem como tordos a cada 10 minutos a cada encontrão. Lá vai maca, lá vem maca.
Passou por ali a meio do jogo uma garça que dizem os entendidos ser espécie em vias de extinção, cuja comunidade se concentra à beira de um lago na ilha da Taipa em Macau. À volta desta micro reserva natural cresce a uma velocidade de olhos em bico um gigantesco parque temático, filial da rede de casinos Venetian.
Mais um pedaço de horizonte ao ar.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Um destes não-lugares temáticos acolhe agora quem chega a Macau de barco via Hong Kong, o Fisherman's Dwarf.
A volta ao mundo em 80 passos.
Comecei a gostar daquilo e não vejo a hora que inaugure.
Dizem-me que em vez do Sonho de uma noite de Verão do Shakespeare faça uma coisa mais violenta, que é preciso partir a louça aqui na aldeola.
Faça sol ou faça chuva a gente vai levando.
Realizou-se uma largada de rinocerontes pelas ruas do centro de Macau.
Organizam-se “tertúlias “sobre as presidenciais em Portugal na associação Casa de Portugal.
Tão longe e sempre tão perto. O debate possível, o menos melindroso.
O impossível procura-se!
A Juliette Binoche e o Johnny Depp comem chocolates numa aldeola de vistas curtas. Tão bonito. The chocolate revolution.
A garça passou pelas cabeças dos jogadores e de repente caiu fulminada no campo.
Foi o caos no estádio. Alguém espirrou?

Afixado por Mohamed Ali at 04:35 PM | Comentários (0)

Ab ovo

No Pátio do Poeta ardem espirais de incenso. Dentro muitos livros que eu ainda não li com títulos sugestivos, chatos nos tomates, abat-jours de seda, uma borboleta gigante, morta, de asas castanhas, aveludadas e um ovo-caixa de madeira maciça.
Em frente, logo à saida de quem sai, um restaurante francês onde se come bem, bons vinhos, bons queijos e boas sobremesas.
Está de partida quem nunca chegou e chegando nunca mais partiu.
Aquele ovo,a quele objecto entre a ficção cientifica e a mitologia em forma pura,~invólucro de nada, símbolo de tudo, encantou-me.
Lembrei-me de um filme do Woody Allen, O herói do ano 2000. Aí um objecto em forma de ovo metalizado induz orgasmos, o orgasmómetro.
No mito grego da Pandora aparece uma caixa que não se deve abrir. A curiosidade foi mais forte. Imagino essa caixa com estas formas ovais.
“Ab ovo”, diz-se em latim do inicio.
Aquele momento em que poderiamos morrer, na impossibilidade de fixar o instante mágico porque sabemos que depois nunca mais será a mesma coisa.
Assim, mortiço.

Afixado por Mohamed Ali at 04:32 PM | Comentários (0)

outubro 31, 2005

Calígula

“Mientras comía o fornicabaustaba ver vér como se decapitaba.

Se no fueses tan puta!
Y si yo no supiesse,hacia ya tempo
Que tú eres fuerte cuando yo soy débil
Y que eres débil cuando me enfurezco…”
Contra Jaime Gil de Biedma
De Jaime Gil de Biedma
In "El poeta que volia ser poema"

Nos mil grãos de areia vi o teu nome. Repeti-o até à tontura para esquecer o punhal que me come as entranhas.
Ao longe onde o céu acaba começo eu.
Passam por mim a galope as miragens, dançam à minha volta em silêncio.
Ensurdecem-me!
Carrego às costas um saber, a cada passo curvo-me mais. Tenho saudades do céu mas as forças faltam.
Alá seja grande.
Vem a noite e a festa das serpentes. Enroladas nas minhas pernas como chamas querem-me comer a mão direita.
Para me libertar danço, para me calar faço-me cobra e o escorpião, do alto da torre mais alta, faz um brinde sorrindo.
Hoje haverá uma morte, talvez uma das suas 300 mulheres!
Que diferença haverá entre o exílio de um homem há três séculos e a solidão de um nascido amanhã?
Fazer a ponte, fazer a ponte…
A inocência:
Como são os teus olhos?
A dança continua, os abutres cantam a orgia antiga.
Saiu de mim o saber que me pesa e num beijo dá-me um nome.
As estrelas rodopiam ninfas, as vozes crescem. Cada minuto é uma flor e o Rei parece adormecer.
- Conta-me uma história-pede o eunuco.
Vi-te bocejar no teu trono de crâneos, da tua boca escorre um fio de sangue.
Há muito que não dormes e a montanha ganhou asas ludibriando Maomé.
Cada farol que na noite brilha tem um grito, romaria pagã, senhora vento, senhora eu tento. Avelã!
Aproxima-te tenho que ir.

A Lua fez-se rosa.
Trepei os espinhos até à coroa e encontrei um espelho.
Parti-o, tive que o partir. Os cacos fazem a festa na carne pedindo canções de embalar.
- Dorme pequenina dor, dorme que amanhã arranco os pulmões, dorme que amanhã as raízes mais raras estarão a teus pés em flor.
O Rei boceja novamente, o seu sorriso tem qualquer coisa de sádico. Melancólicas as pedras desfazem-se, inexplicável euforia que o monarca saboreia.
Estou longe da raíz, as pétalas tem as veias salientes.
Sacio-me um pouco naquele sangue verde.
Andei mil quilómetros para te esquecer, há qualquer coisa que me escapa.
Em duvída a flor começou a murchar ficando semente.
Caí do sítio onde havia uma Lua, caí de muito alto mas não te larguei.
Tenho uma semente na mão direita e o que sabia voltou a cavalgar-me.
As serpentes estão malucas, as escamas translúcidas arranham como ácido as pernas.
Querem-me comer a mão com mais força.
Sou salvo pelo abraço do Sol.
Uma história não me sai da cabeça e enquanto não o fizer não terei descanso.
O Rei:
- As palavras, dá-me as palavras… Saiam do vosso anel de chumbo, quero dormir.
Entretanto as Mães em quarto crescente batem as palmas e cantam incentivando os filhos.
Na raíz o sono urgente!

Afixado por Mohamed Ali at 12:04 PM | Comentários (4)

outubro 28, 2005

abortar e fixe

Nao ha um minimo de ousadia,de propostas e a Espanha mesmo ali ao lado.
O governo em portugal tem a maioria que governe e deixe-se de historias,de referendos.
“Qualquer dia “como diria o boneco do Herman jose no tempo em que os seus bonecos tinham piada poem-se a referendar se se constroem mais escolas,novos trocos rodiviarios,se se aprova o orcamento.
Cambada de colhoes engavetados,nada de novo portanto e mais ainda do mesmo.
Com politicos destes quem precisa dde politicos?
Toca a referendar tudo por televoto,60 centimos por chamada ate dava uns trocos fixes.
E a malta o que nao falta sao opinioes.
"As gajas que abortam sao umas malucas,quando estao sem nada para fazer decidem ir fazer um aborto.E tao bom!"-subtexto dos paladinos da moral e dos bons costumes.

Afixado por Mohamed Ali at 08:47 PM | Comentários (4)

pearl river

"As confidencias sao sempre perniciosas,quando nao se destinam a simplificar vida de alguem."
in Alexis de Marguerite Yourcenar
P.s.- faltam 2 tils,1 acento circunflexo e um normal.
There is a river with no return

Afixado por Mohamed Ali at 06:39 PM | Comentários (0)

Birdzilla or the Planet Flu

Jogos da Ásia, gripe dos frangos, furacões catrinas, boatos numa escola chinesa de que andava um fantasma por ali provocou a morte a 12 putos por esmagamento no meio do pânico, o presidente do Irão a querer riscar do mapa Israel, o Motel, a produção de riqueza, o fim do petróleo em divisas americanas, entra o euro na capoeira pelas mãos da Venezuela, num site descubro que Puck é o nome de uma das luas de Urano, que o nome "vem de uma fada malévola do Sonho de Uma Noite de Verão", o Hi5, os telemóveis, a puericultura e a pedagogia em mil manuais e revistas a comerem de vez as últimas réstias de instinto e bom senso substituídas por um excesso de relativismo cada vez maior, uma frase numa estação de metro de Lao Tse: "Se queres o mel suporta as abelhas."

Afixado por Mohamed Ali at 12:40 PM | Comentários (3)

outubro 27, 2005

2

Uma casa canta no bosque
onde o silencio cresce engrinalado de luas

SUAVE SER FOGO FATUO
O crepitar embala-te os passos
vento
Ha no musgo verdade suficiente que me alente e
conforte
De qualquer modo estou so e na montanha o sol canta
noites
vem dizer-me o que nao sei sombra

diz o filme agora verde perfume
fresco da manha em ti no mel e no vinho ando em extase
com a maravilha eeeeeee encho

o peito aliviado deste ar

Azevinho na alma e um discorrer manso

Na agua contigo
in Infancia de Hermes de R.B.

Afixado por Mohamed Ali at 08:03 AM | Comentários (2)

outubro 25, 2005

The panic room

Dos talentos inexplorados
a alma gentil
a alma boa

como a água que escorre dos rochedos
Onde se penduram azevinhos raros

Em ti o nome que não sei
azul fogo
tépido

Nas margens a memória
aqui o nada
Lentamente
Escorrendo amanhãs
De danças únicas

Vem
Vem agora e dá-me um beijo
amanhã contas-me o resto


Afixado por Mohamed Ali at 12:20 PM | Comentários (0)

outubro 10, 2005

Should i stay or should go now?

“Como que levados pela mão do magister, dos sacerdos, percorramos a voz dos Deuses, ouçamos as pedras que falam - Loquuntur saxa - e aprendamos a refrescar o nosso presente na inesgotável e benfazeja fonte do passado; porque ela contém o gérmen da Fénix que renasce sempre nova e depurada.”
José Leite Vasconcelos

“Talvez ainda não se tenha salientado devidamente que o problema da liberdade sensual em todas as suas formas é em grande parte um problema de liberdade de expressão. Parece óbvio que de geração para geração, as tendências e os actos variam pouco; pelo contrário,aquilo que muda é a zona de silêncio ou a espessura das camadas de mentira à volta.”
Marguerite Yourcenar in Alexis

No baixo Alentejo a alguns quilómetros de Beja fica Cuba. Vila caiada de branco rodeada de uma paisagem plana e árida. Lugar pacato, bom para se ler, escrever e muito pouco mais pois quase nada ali existe. A ausência de estímulos e a coscuvilhice meio abrutalhada dos locais nem dá vontade de sair de casa.
Um lugar bonito que vai morrendo de isolamento. À tarde a canícula e a inevitável sesta. Chaparros,azinheiras e sobreiros. A morte no ideal romântico a piscar-me o olho num manual de filosofia dos
anos 60, encontrado no sótão da casa grande.
Ouvi dizer que é no Alentejo que se situa a maior percentagem de suicídios no nosso país. A minha Mãe nasceu num lugarejo ao pé de Serpa, Pias.
Dizer não posso ou não consigo, aquilo que me sufoca, atrai e prende por isso esta areia que a camioneta é pequena e os olhos míopes.
Quero voltar, não quero voltar, quero voltar, não quero voltar
Desculpem–me estes arrufos que só desinformam, que não embriagam.

Afixado por Mohamed Ali at 12:58 PM | Comentários (2)

outubro 04, 2005

Azeitonas

A azeitona ao natural colhida da árvore sabe a veneno. Em Évora no cromeleque dos Almendres a acústica é boa dentro do anel de pedras. Algumas pedras parecem ocas pelo som que fazem quando se lhes bate com uma pedra.
Chegamos à Sé de Évora, parte integrante do património da humanidade da cidade, paga-se para a poder ver: 3 euros. As funcionárias dizem-nos que o IPPAR não faz nada, que se não fosse pelo cabido (pelos vistos é o nome que por ali se da a 12 cónegos) que gere o espaço e é responsavel por estes três dinheiros. Dizem-nos que aquilo está abandonado, que está a cair de podre!!!!
Um concurso internacional de jovens na área da pintura e colagens... O autarca recebe os participantes já não no salão nobre mas num ângulo das escadas da câmara municipal. Professores e alunos provenientes da Rússia, Albânia, China(Macau), Itália, Bulgária, Eslovénia, Portugal, França, Alemanha recebem as medalhas no tal ângulo.


Afixado por Mohamed Ali at 04:57 PM | Comentários (2)

setembro 22, 2005

Morte ao pai?

Mohamed jantava com o pai.Ja nao se viam ha um ano e seis meses.
"Quando e que voltas a Macau?"
"A 19 Outubro"-responde Moha.A reaccao do progenitor na poderia ser mais elucidativa ao girar-se para a patroa com ar de "estou tramado"-Ja viste,ele so vai a 19 de Outubro.
A "chiquilina" voltou a fazer teatro,falava com o pai desta vez a um almoco.
E na feira da luz,um texto do Cervantes.she was his best friend in portugal.
A proposito de nada o pai:sabes que eu gosto muito dela mas quando ela ia de ferias para o algarve fazia-se comer dos gajos que lhe davam boleia.
Moha ignorava isto,esta confissao era dos tempos em esteve internado no pais das maravilhas.
O almoco passou,as horas passaram mas de repente isto batia-lhe na cabeca.Nao se a amiga foi ou nao comida por motoristas mas sim porque e que o pai saiu-se com aquela historia tao antiga.
Nao foi inocente,nao foi cordial.Havia no registo paterno desprezo como se os seus amigos nao passassem de merda comparado com os amigos dele,que Moha era uma merda e os amigos eram como ele.Uma cambada simpatica mas desgracada.
Fazer de conta que nao se passa nad