Esses momentos estranhos de eu sem eu. E outros momentos estranhos, relampagos de consciência, lembranças que vêm das profudenzas e sobem como boias à tona da mente. Foi num desses relâmpagos que te vi Mohamed caro amigo e colega. Vi-te aqui, vi-te numa mesa em alfama, vi-te como Albergue no Palácio da Ajuda. Ah e aquela morna ao penúltimo rei?
Quiz imaginar quem a fez, quiz ir ver uma peça de teatro que é muito mais do que uma curta metragem. Olha não fui. Se calhar tenho medo desses sem casa. Tenho medo de não ter casa e medo de ser velha. Se calhar não quero olhar para eles, ou pior, tenho medo que olhem para mim. Se calhar não...
I met this guy - and he looked like might have been a hat check clerk at an ice rink. Which, in fact, he turned out to be. And I said: Oh boy. Right again. Let X=X. You know, it could be you. It's a sky-blue sky. Satellites are out tonight. Let X=X. You know, I could write a book. And this book would be thick enough to stun an ox. Cause I can see the future and it's a place - about 70 miles east of here. Where it's lighter. Linger on over here. Got the time? Let X=X. I got this postcard. And it read, it said: Dear Amigo - Dear Partner. Listen, uh - I just want to say thanks. So...thanks. Thanks for all the presents. Thanks for introducing me to the Chief. Thanks for putting on the feedbag. Thanks for going all out. Thanks for showing me your Swiss Army knife. and uh - Thanks for letting me autograph your cast. Hug and kisses. XXXXOOOO. Oh yeah, P.S. I - feel - feel like - I am - in a burning building - and I gotta go. Cause I - I feel - feel like - I am - in a burning building - and I gotta go.
Laurie Anderson Big Science

LX - Graffittis sobre a cidade
A zona da Grande Lisboa é uma das áreas mais ricas em graffitis. Tudo começou em Carcavelos, de onde são originários os melhores writers. A linha de Sintra é mais conhecida por aquilo a que se chama "destruição", ou seja os locais onde não é permitido pintar e que se encontram repletos de "bombings", rápidos e feitos a duas cores.
- os destaques vão para Carcavelos onde foi pintado o primeiro grande mural de graffiti. Degas ou Wise, e o seu grupo WCB, Exas, Youth e Mozaik, são os nomes que imperam, assim como Eith, Uber e a NCW.
- segue-se o "hall of fame" do Dafundo.
- em Carnaxide encontra-se um graffiti feito com a colaboração de uma crew francesa, NEM.
- na Damaia e Buraca impera Eith, um especialista em letras tridimensionais. E também, aqui, se encontra o maior graffiti de Portugal.
- S. Domingos de Benfica é exemplo de uma zona de destruição completa, ali podem encontrar as paredes cheias de "bombings".
- no "hall of fame" das Amoreiras, destacam-se Kreiz, Wise, Youth, Sire e Clas.
- em Belém, no parque de estacionamento, pode-se encontrar trabalhos de Mozaik, Clas e Piaf, esta última uma das poucas raparigas a fazer graffiti.
- Algés é liderado pelo surfista Stuck.
- O Bairro Alto é zona de destruição massiva, sobrando pouco espaço para escrever uma letra que seja no meio dos bomboings sobre bombings feitos à pressa e sem qualquer critério.
Quem quizer tintas vá a http://www.4graffiti.co.uk/

Quando nos separarmos partiremos tudo, a loiça, o amor o respeito. Quanto à casa partimo-la ao meio. É justo.
Matta-Clark
"Chorava.
Dizia:
fiz tudo
errado.
Como se fosse Deus."
António Rego Chaves
Escuto mas não sei
Se o que ouço é silêncio
ou Deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
o ressoar das planicies do Vazio
Ou a consciencia atenta
que nos confins do Universo
me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
é olhado amado e conhecido
e por isso em cada gesto ponho
solenidade e risco.
Quando abalares, de ida para Ítaca,
Faz votos por que seja longa a viagem,
Cheia de aventuras, cheia de experiências.
E quanto aos Lestrigões, quanto aos Ciclopes,
O irado Poséidon, não os temas,
Disso não verás nunca no caminho,
Se o teu pensar guardares alto, e uma nobre
Emoção tocar tua mente e corpo.
E nem os Lestrigões, nem os Ciclopes,
Nem o fero Poséidon hás‑de ver,
Se dentro d'alma não os transportares,
Se não tos puser a alma à tua frente.
Faz votos por que seja longa a viagem.
As manhãs de verão que sejam muitas
Em que o prazer te invada e a alegria
Ao entrares em portos nunca vistos;
Hás‑de parar nas lojas dos fenícios
Para mercar os mais belos artigos:
Ébano, corais, âmbar, madrepérolas,
E sensuais perfumes de todas as sortes,
E quanto houver de aromas deleitosos;
Vai a muitas cidades do Egipto
Aprender e aprender com os doutores.
Ítaca guarda sempre em tua mente.
Hás‑de lá chegar, é o teu destino.
Mas a viagem, não a apresses nunca.
Melhor será que muitos anos dure
E que já velho aportes à tua ilha
Rico do que ganhaste no caminho
Não esperando de Ítaca riquezas.
Ítaca te deu essa bela viagem.
Sem ela não te punhas a caminho.
Não tem, porém, mais nada que te dar.
E se a fores achar pobre, não te enganou.
Tão sábio te tornaste, tão experiente,
Que percebes enfim que significam Ítacas
«Que suave é a tristeza
Que sai desse teu olhar
Desse rosto de princesa
Cansado de olhar o mar
Dão as ondas a certeza
De a maré nunca acabar
Fica-te uma esperança acesa
A de ver o amor voltar...»
"Suave Tristeza", a melhor música dos Madredeus.

"I generally avoid temptation unless I can't resist it"
Mae West - US movie actress (1892 - 1980)




Espaço alternativo Ruang Rupa (Media Artists Community)
a pedido do sr iconoclaUsta retirei a imagem do espaço alternativo. Era uma imagem de uma imagem que não sepode ver.
Interessante para quem percebia. Quase ninguém fora eu.
Enfim...

A contenção tem qualquer coisa de perverso. Em mim é um paradoxo. Eu sou do tipo desmedido. Na verdade gosto muito de me expandir, como uma galaxia no outer space. Sem limites. Adoro não ter limites, contudo sei que não vou muito além. Nunca fui.
Penso então, não ir para além dos meus próprios limites será um modo de contenção, uma economia moral irmã da preguiça e da cobardia? Ou será que não sou a super mulher? Simplesmente.
«Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!»
Florbela Espanca

Poetry is the photographer who took a picture of God's face,
leaving the lens cap on.
«Só combatendo um grande mal se pode revelar um grande bem.»
Makigushi
"The metaphorical analogue to Gödel’s theorem which I find provocative suggests that ultimately, we cannot understand our own mind/brains... just as we cannot see our faces with our own eyes, is it not inconceivable to expect that we cannot mirror our complete mental structures in the symbols which carry them out?”
Douglas Richard Hofstadter, Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid. 1979.
«Bidi in Peking
In the Allgäu: Bie
Good, says he
Morning, says she.»
Bertold Brecht
É só isto que eu quero. Percebes mon amour?

agora percebi o que queriam dizer "enfiou a carapuça" quando mandavam bocas a fingir que era para quem quiser apanhar e eu ficava furiosa porque sempre soube que eram acusações cobardes na sua falta de direcção. então, no pico minha fúria juvenil, sacrificava o meu orgulho a favor de um mundo mais puro e transparente. e eles diziam que eu enfiava a carapuça. mas não era a deles, era a minha (pensava) - o símbolo da minha individualidade! para sempre, porque chapéus há muitos mas o meu barrete é só um.

"(...) It is no longer a question of killing, of devouring or seducing the Other, of facing him, of competing with him, of loving or hating the Other. It is first of all a matter of producing the Other. The Other is no longer an object of passion but an object of production. Maybe it is because the Other, in his radical otherness [alterite], or in his irreducible singularity, has become dangerous or unbearable. And so, we have to conjure up his seduction (...)"
Jean Baudrillard, in Plastic Surgery For The Other, 1994.
Eu também me escondo na casa de banho. Também gosto de me isolar para pensar. Fecho-me e fico. Apenas eu e a mente que pensa, eu e eles, os pensamentos, que ali se tornam mais contundentes e aniquilantes. E quando sofro do coração (da barriga tb mas isso é outra história) vou à casa de banho de hora a hora e fico por lá de cócoras ou com a cabeça para baixo apoiada nas pernas. Não sei quanto tempo fico sei apenas que alivio a mente por uns segundos, depois volta a paranóia, volto à vida e ao trabalho.
Sim! Não concebo a vida sem estes cantinhos de retiro. E nem precisam ser especiais nem bonitas. Quanto mais preciso mais gosto delas absolutamente fechadas, pequenas e sem janelas. Enclausurantes, protectoras e calmantes.
«Era uma vez e foram muitas vezes
um homem que amava uma mulher
Era uma vez e foram tantas vezes
uma mulher que amava um homem
Era uma vez e foram demasiadas vezes
uma mulher e um homem que não amavam
aqueles que os amavam
Era uma vez
Talvez uma só vez
Um homem e uma mulher
que se amavam»
ROBERT DESNOS
Versão do original:
«Il était un grand nombre de fois
Un homme qui aimait une femme
Il était un grand nombre de fois
Une femme qui aimait un homme
Il était un grand nombre de fois
Une femme et un homme
Qui n'aimaient pas celui et
celle qui les aimaient
Il était une fois
Une seule fois peut-être
Une femme et un homme
qui s'aimaient»
Sim é para ti, para qualquer um que esteja a ler. I can’t take it no more. É a estrofe que entrou, estridente de madrugada, no meu quarto escuro para me arrancar do pesadelo e que já não sai e se repete incessantemente, qual eco na minha caixa craniana, como quem diz subtil e ritmadamente que o pesadelo continua, apesar de eu ter acordado.
E agora escrevo ilegalmente na esperança de (me tornar cidadã?) fazer desaparecer o peso da estrofe que passou a ser acompanhada pelo ritmo acelerado do subufer da caixa torácica. Não devia beber café, não devia beber café, não devia beber café, não devia beber café, canta o coro.
A mulher entra e faz uma série de perguntas às quais respondo secamente. Depressa me arrependo e tento remediar com uma voz mais doce enquanto disfarçadamente baixo o volume da rave dentro de mim. Será que ela ouviu? Five to four, I can’t take it no more.
eu colecciono memórias aka lembranças. arquivo acontecimentos, arrumo-os, classifico-os. A minha memória está perfeitamente organizada, por assunto, por autor, por data, por matérias, odores e por lugares.
ATREVAM-SE E PERGUNTEM-ME, QUALQUER coisa INSIGNIFICANTE...

Agnus Dei qui tollis peccata mundi, miserere nobis
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem. Amen.
Não há muito o que dizer
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor.
Uma prece por quem se vai.
Mas que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações
se deixem graves e simples
pois para isso fomos feitos
Para a esperança do milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos.
Hoje a noite é jovem
Da morte apenas nascemos...
Imensamente.
"Poema de Natal", Vinicius de Moraes
Bom Natal disse ele. Natal?
Define: Natal é o dia em que nasceu o menino Jesus. A data escolhida para a comemoração foi o 25 de Dezembro, porque ninguém sabe o dia em que o rapazinho nasceu nem o dia em que morreu, mas lembram-se dele, vagamente. Também podiam ter escolhido 4 de Março ou 32 de Abril.
Bom ano… Reticências.
Define: as reticências, dizia não sei quem, podem servir para prolongar um pensamento mas que não sirvam para pontuar a falta de atrevimento. Ele usou-as bem, um ano novo… quiçá uma nova galáxia. Pois, Eça de Queiroz era um provinciano, um atarracado de espírito. E o Professor não gosta de advérbios. Chegou a sugerir que não os utilizássemos, “os advérbios não estão lá a fazer nada” dizia, mas a mim ninguém me tira o pois, no início ou no fim, porque o pois pode penetrar o coração com a força com que o faz um ponto final colocado no sítio certo. O só, é só, sim, ele usou um advérbio mas também pode ser um adjectivo, Sr. Professor!
Define: Só, uma pessoa solitária, o número 1 - o mais solitário de todos os números, o que é sempre o primeiro e o último, lembra-se?
São pensamentos que me vêm à cabeça alguns agarro outros fogem. Mas agora larguei o postal e vejo-os sentados num sofá vermelho:
Dois amigos conversam, falam de dúvidas, de deus, de si, no fundo querem chegar ao significado de: amor.
12
«Nunca te foram ao cu
Nem nas perninhas aposto!
mas um homem como tu,
lavadinho, todo nu, gosto!
Sem ter pentelho nenhum,
com certeza, não desgosto,
Até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.
Vou-lhes ao cu
Dou-lhes conselhos,
Enfim... gosto!»
António Boto
Senão vejamos:
Porque são as noites escuras??
Lista do que ainda vou fazer:
- avançar o trabalhinho
- tomar banho;
- oscular a DM;
- comer e beber;
- guiar o chaço velho;
- subir e descer de elevador;
- conversar;
- apalpar o M;
- coçar a cabeça;
Lista do que não vou fazer:
- ler e estudar;
- meditar;
- beijar as crianças;
- cozinhar;
- aquecer-me e aconchegar-me;
- descansar;
- ver os 7 palmos;
- amor;
São mais as coisas que faço do que as que ficam por fazer. A análise quantitativa é favorável, no entanto a qualitativa não me favorece a vida.
Hoje acordei assim, cheia de buracos.
Hoje é a data em que se confirma tudo aquilo que ele não queria saber e que viera a adiar. Hoje vai confrontar-se com o que não queria ver nem ouvir falar. Daqui a pouquinho vão amarrá-lo a uma cadeira de veludo vermelho e prender-lhe a cabeça com uma fita de seda para que só possa olhar para a frente. Vão-lhe prender as pálpebras para manter os olhos bem abertos nos momentos mais críticos e com uns auscultadores de alta fidelidade, B&O, ouvirá tudo na perfeição. Vai ver muitos anos comprimidos nuns segundos. Depois…quem sabe o que virá depois? Ainda está agarrado àquilo que sabe, a tudo o que aprendeu. Ao bem e ao mal. Tem pavor de ver o mal que fez e nunca viu. Quem sou eu? Quem és tu? Belisca-te! Não posso, não tenho braços, não tenho pernas, não se movem, não! Estão presas, recuso-me a ver, não quero! Eu faço o que quero. Só faço o que quero! Já não faço o que quero, não fiz o que queria, ah! Não fui o que dizia!! ah ha, que dizia? Dizer, o que é dizer?? Verbo bla bla bla mover a língua. Deixem-me, não vou olhar. Ver! ahah! Uh! Olhos, berlindes à solta, sou eu quem brinca? Ouve! É a voz dela ainda carinhosa, que digo eu?! Talvez?! Enganei-me, não era isso! Vê! ...nada de especial.
Nunca ninguém lhe disse que era assim - são anos nuns segundos.
Hoje. O dia em que lhe passou a vida pela frente.
November in Durham Township <— click there
|MORE in HERE|
A woman, almost blonde, normal size, a bit tall.
CALL 987654321
- respirar;
- mandar o cartão à rapariga;
- anular o meu visa;
- almoçar;
- ir ao médico;
- fechar conta no BCP;
- reunir com professora do filho mais novo;
- estudar inglês com o filho mais velho;
- dormir;
- trabalhar;
- estudar;
- saber mais sobre actividades pedagógicas na internet;
- saber mais sobre mim;
- beijar o M;
- amar o próximo;
(...) Poetry never wears a suit, a tie, or a string of pearls.
Poetry never washes, enjoying its own smell.
Poetry howls at us in our nightmares,
and seduces us in our wet dreams. (...)
The Day I Got My Finger Stuck Up My Nose
When I got my finger stuck up my nose
I went to a doctor, who said,
"Nothing like this has happened before,
We will have to chop off your head."
"It's only my finger stuck up my nose,
It's only my finger!" I said.
"I see what it is," the doctor replied,
"But we'll still have to chop off your head."
He went to the cabinet and took out an axe.
I watched with considerable dread.
"But it's only my finger stuck up my nose.
It's only a finger!" I said.
"Perhaps we can yank it out with a hook
Tied to some surgical thread.
Maybe we can try that," he replied
"Rather than chop off your head."
"I'm never going to pick it again.
I've now learned my lesson," I said.
"I won't stick my finger up my nose -
I'll stick it in my ear instead."
Brian Patten
...um nome, uma foto, uma cara...
"do outro lado do espelho"
O que é isto? Onde está Prusidente (so kind he was)? O muro das lamentações? Uma parede em branco? Um vago gesto de solidão? Quero ver o que está do lado de lá, quero ver a seiva que corre pelos tubos da comunicação, quero ver-te no fundo do tubo, quero poder cuspir-te num olho, certeiro o meu tiro por dentro do tubo branco a mil à hora até ao teu terminal. Mas é só para experimentar é só para ver se sentiste, se existes, se estás mesmo do lado de lá.
NÃO EXISTE NADA PARA ALÉM DE ÁTOMOS E ESPAÇO VAZIO, TUDO O RESTO É OPINIÃO.
|Demócrito|
"As mulheres seriam maravilhosas se pudessemos cair nos seus braços sem cair nas suas mãos"
Corto Maltese - Sob o Signo de Capricórnio.
De facto, como dizia Hugo Pratt, o Corto é um tipo compreensivo sem dar lições de moral.
Que saudades me dá este rapaz a cantar Cohen
tenho-o no iTunes assim:
Hallelujah | 6:53 | Jeff Buckley | Grace
uma maçã por dia faz bem.
um beijo por dia é pouco.
andar uma hora por dia.
um acto sexual por dia no mínimo.
uma por dia. uma frase por dia. ok. uma frase...
UmaPorDia
Uma coisa por dia, nos dias em que eu estiver com vontade.
umapordia.kold-fusion.net/ - 25k - Em cache - Páginas semelhantes
Secção Desabafe Connosco - Mensagem: "Uma por dia..."
Resposta a. É a vida... - Mandrake - 29-08-2003. Mensagem. Uma por dia... Autor:
Carlos Braga da Cruz
jn2.sapo.pt/seccoes/mensagem.asp?53175 - 3k - Em cache - Páginas semelhantes
Uma por Dia
A homepage do programa Uma por Dia mudou de endereço e está de cara nova!
Favor atualizar seus bookmarks... http://www.awz.com.br/umapdia. Obrigado!
www.geocities.com/Broadway/Stage/4928/ - 3k - Em cache - Páginas semelhantes
Uma Por Dia - [ Traduzir esta página ]
Uma Por Dia. About jhricardo. jhricardo's recent photos. 02/06/04 » 02/05/04
02/03/04 02/02/04 01/24/04 01/20/04. more. < previous • next > ...
www.fotolog.net/jhricardo/ - 17k - Em cache - Páginas semelhantes
Correio da Manhã
Nos restantes dias da semana apenas uma por dia, quando em situação normal são
operadas entre quatro a cinco pessoas. As limitações foram impostas aos ...
www.correiomanha.pt/noticiaImprimir. asp?idCanal=9&id=179403 - 14k - Em cache - Páginas semelhantes
Metadona: um produto da guerra
... entre as 50 e as 150 mg de metadona por dia. No fim do período de estabilização,
a dose de metadona foi reduzida a uma por dia administrada pela manhã.. ...
www.fcsh.unl.pt/cadeiras/ciberjornalismo/ ciber2000/metadona/metadonahistoria.htm - 6k - Em cache - Páginas semelhantes
Fórum - Ler assuntos
Sou casado, 34 anos e além de ter relação com minha esposa, bato punheta tanto
quanto quando eu era adolescente, ou seja, no mínimo uma por dia. ...
www.guiasexual.com.br/forum/150900.htm - 39k - Em cache - Páginas semelhantes
energia autônoma
Estimamos que a bomba ficará ligada 2 horas cada dia para encher a caixa d'água
e que as lâmpadas ficarão acesas uma média de 4 horas cada uma por dia. ...
mbtenergia.com.br/energia_autonoma.htm - 22k - Em cache - Páginas semelhantes
Vilar de Mouros
10 bandas portuguesas no palco secundário (de 6ª a domingo) e mais quatro no
principal (uma por dia, a partir das 19h00). Encontramo-nos em Vilar de Mouros ...
vilardemouros.weblog.com.pt/ - 22k - 7 Nov 2005 - Em cache - Páginas semelhantes
Rotas & Destinos
Um programa com seis noites de alojamento em quarto duplo em regime de meia
pensão, cinco aulas de equitação (uma por dia) e outros tantos passeios a cavalo ...
rotas.xl.pt/1005/500.shtml - 93k - Em cache - Páginas semelhantes
PARIS PARIS
I feel love, Paris Paris
Love to love, Paris Paris
Feelings so close to my heart
Barman dans le shaker, d'abord d'élégance
Un trait de Sacré coeur et deux doigts de Doisneau
Une Piaf, quelques moineaux et Joséphine Baker...
Laine de Prévert, mais sans raton laveur
Prenons un dernier verre près Bateau lavoir
Une Simone de Beauvoir et deux singes en hiver...
Last night was made for love
Mettez trois notes de jazz dans un quartier latin
Un menu sur l'ardoise un fond d'un bar-tabac
Et la résille d'un bas sur un genou qu’on croise
Oh Baby, just take my frozen hands and hear me say
Don't let me turn to sand and blow away
Through this crowded desert called Paris
Malcolm McLaren com Catherine Deneuve
MANDO A QUEM QUISER.
I feel love, Paris Paris
Love to love, Paris Paris
Feelings so close to my heart
Un zeste de Javanaise, un tour de
Moulin Rouge et deux de Notre-dame
Nappé de macadam, décoré d'un chaland
D'Anvers ou d'Amsterdam un canal, Arletty
Oh Baby, just hold this lonely fan and hear him say
Don't let me turn to sand and blow away
Through this crowded desert called Paris
Sans doute la seule femme qui pouvait dire
"Paname"
I feel love, Paris Paris
Love to love, Paris Paris
Feelings so close to my heart
Mettez trois notes de jazz dans un quartier latin
Un menu sur l'ardoise un fond d'un bar-tabac
Et la résille d'un bas sur un genou qu on croise
I feel love, Paris Paris
Love to love, Paris Paris
Feelings so close to my heart
Saupoudrez, pour finir, de poussir du métro
Mais n'en prenez pas trop, Paris perdrait son âme
o homem. aquele de quem eu gosto, tem que ter o que eu sempre pensei que teria: o homem de quem eu gosto tem as mãos quentes e secas.
1. Nunca ter certezas. Esperar. Saber esperar, inventar.
2. Ter uma bicicleta e amar os jardins.
3. Olhar atentamente o que nos circunda.
4. Estudar e ler livros nas bibliotecas.
5. Curar o desejo de comprar.
6. Viver com o mínimo material.
7. Ser poeta, ter sonhos.
8. Não chorar - apertar as mãos, ser simpático.
9. Abrir os olhos a 180º quando se passeia.
10. Ter pensamentos que nos fazem companhia.
11. Gozar muito disto tudo e deixar-se ser feliz. Depressa, devagar, urgentemente, calmamente.
12. Aceitar, aceitar o que acontece, como flui.
Rita Wengorovius (Bolonha 2002)
- Como foi o mergulho? - perguntou-lhe, com a voz lânguida que sempre tem depois do almoço, sem tirar os olhos do teclado.
- Estás a falar ou a escrever? – colocando o baton vermelho e friccionando o lábios num gesto rotineiro.
- Estou a fazer as duas coisas...como foi? Estás melhor? Acho-te tensa hoje, tens a boca crispada e os olhos obtusos. Bem vejo que não escutas nada do que te dizem…
- Eu? Tu nem levantas a cara do teclado quando falas comigo, como podes saber que tenho os olhos obtusos? E se há coisa que odeio é que me digam que pareço tensa quando estou realmente tensa, porque fico ainda mais tensa!
- Estou a ver Monroe, por acaso acho que ficas bela quando ficas histérica.
- Estás a ver, estás a ver? Olha as minhas costas, vês os papéis? Está tudo colado nas minhas costas. Detesto quando fico magnética, raios!!
- EEh poças que até o meu bloco…bolas Monroe as minhas folhas não estavam numeradas! Não se pode viver ao pé de ti quando ficas magnemenológica dessa forma. Atenção ao espaço e ao tempo, não me absorvas tudo grandessíssima alarve!
- Esgoto tudo Doutural, aspiro essa boca carnuda que só emana palavras insignificantes. Tu és irrelevante, tudo isto é absolutamente irrisório! - grita a Loira esbracejando e tentando desviar-se das folhas que esvoaçavam na sua direcção, arrancando as que freneticamente se lhe colavam à cara.
- Não passas de uma boneca de papel e tudo o mais é um sonho excepto tu e a merda dos papéis que a ti se colam. Não acordes Monroe que não vais querer ficar a pisá-los – Doutural Mamalhuda escrevia, escrevia o que dizia e mandava milhões de e-mails para que todos soubessem da corrupção dos impressos. Monroe não tinha a culpa, a Loira era vítima da sua própria volúpia.
«Given the chance
I’ll die like a baby
On some far away beach
When the season’s over.
Unlikely
I’ll be remembered
As the tide brushes sand in my eyes
I’ll drift away.
Cast up on a plateau
With only one memory
A single syllable
Oh lie low lie low.»
BRIAN ENO
(mando a quem quiser)
«Anno dommini but add another d
Attention deficiency, that’s me
I’m the disease of the century but I don’t care
You ask me what I did today but I’m not gonna say
I was watching something in a really really really big way
Culture vulture!!»
CHICKS ON SPEED
«i'm just a waste of her energy
and she's just wasting my time
so why don't we get together
and we could waste everything tonight
and we could waste and we could waste it all tonight
i don't pretend to know what you know
now please don't pretend to know what's on my mind
if we knew already knew everything that everybody knows
we would have nothing to learn tonight
and we would have nothing to show tonight
but everybody thinks that everybody knows
about everybody else but nobody knows
anything about themselves
because they're all worried about everybody else
love is just a waste of our energy
and life is just a waste of our time
so why don't we get together
and we could waste everything tonight
and we could waste
and we could waste it all..
but everybody thinks that everybody knows
about everybody else but nobody knows
anything about themselves
because they're all worried about everybody else»
Jack Johnson
(mando a quem quiser)
ontem tentei entrar, não consegui.
tentei sair, não sabia por onde. não faço quando me lembro, esqueço-me do que tinha que fazer. quando sei não faço na mesma, há sempre algo mais importante ou que me dá mais prazer. é um circulo de complexos de culpa, sou eu a viciosa da acção. vicienta-enta-enta. gosto mesmo daquilo, é o meu tema, tenho curiosidade, eu quero saber, sou quem mais sabe, por enquanto. e a gripe na Indonésia!?assim não dá.
foi esse o meu pecado é esta a minha pena.
Não creias, Lídia...
I
Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo
II
Escuta, Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que nos deixou atentos
III
Ausentes são os deuses mas presidem.
Nós habitamos
Nessa transparência ambígua,
Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente exacto.
O seu olhar ensina o nosso olhar:
Nossa atenção ao mundo
É o culto que pedem.
IV
Falamos junto à luz. Lá fora a noite
Imóvel brilha sobre o mar parado.
À sombra das palavras o teu rosto
Em mim se inscreve como se durasse.
V
Faz da tua vida em frente à luz
Um lúcido terraço exacto e branco,
Docemente cortado
Pelo rio das noites.
Alheio o passo em tão perdida estrada
Vive, sem seres ele, o teu destino.
Inflexível assiste
À tua própria ausência.
VII
Eros, Neera, sacudiu os seus
Cabelos sobre a testa larga e baixa
Eros-Neera-Antinoos
Irrompe no terraço.
Palmeiras nas ruínas de Palmira
Eros poisou seu rosto no teu ombro
Eros soltou as feras
Do halali, Neera.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 - 2004)
(Homenagem a Ricardo Reis, 1972)
"Make the place where you work a place for forging your chatracter and grow as a human being.
No one is more pathetic than someone who is constantly complaining."
Daisaku Ikeda
A gentleman sets strict demands on himself while a petty man sets strict demands on others.
Confúcio
I'VE BEEN WATCHING YOU, WATCHING ME WATCHING YOU.
I’ve nothing much to offer, there’s nothing much to take, I’m an absolute beginner and I’m absolutely sane. As long as we’re together, the rest can go to hell! I absolutely love you but we’re absolute beginners, with eyes completely open but nervous all the same.
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches second time
Just like the films
There’s no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true
Nothing much could happen, nothing we can’t shake. Oh we’re absolute beginners with nothing much at stake. As long as you’re still smiling there’s nothing more I need, I absolutely love you but we’re absolute beginners, but if my love is your love we’re certain to succeed!
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches second time
Just like the films
There’s no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true.
David Bowie
Antes de ter ido ao casamento e antes mesmo de ter lido o texto do ilustre convidado, já tinha decidido que iria escrever sobre o fenómeno da oficialização/ institucionalização duma relação homem – mulher (em Portugal ainda não foram aprovados casamentos entre pessoas do mesmo sexo, e limitando-se a nossa experiência à geografia deste pequenoma che tropopaís, confina-se portanto o tema à heterosexualidade).
Enquanto ser pensante levo-me a tender que tal feito é merecedor de notícia. Ao contrário do John, há imenso tempo que não frequentava uma festa de união entre dois seres antagónicos ("esposo", "esposa" e "esposos" que são as nossas palavras mais feias, com a possível excepção de "paxaxa") e nunca fui convidada para madrinha, mas isso deve-se a ser uma pessoa distraída a quem acham graça e que por isso (desconfio) temem alguma irresponsabilidade, como se fossem incompatíveis a descontracção e a amadrinhagem.
Em todo o caso este casório foi diferente dos outros que até agora frequentei. Já tinha reparado que os noivos convidavam para a “festa de casamento” e não para “o casamento”, mas encarei isso com a maior das naturalidades, reparando que os outros convidados não tinham lido o convite porquanto perguntavam ou comentavam se o casamento era pela igreja ou pelo civil. Para mim não havia dúvidas.
Deambulando pelo recinto da festa ouvi várias vezes, pelos cantos, pelos ventos, em sussurro, proferir-se a palavra “comunista”. Já sentada no banco corrido com mesa à mesma altura ouço"é a primeira vez que vou a um casamento comunista, quero ver como é” e ouço ainda “deve ser o último!!” e “hahahahahahah”. Fiquei entusiasmada, sou franca, e imediatamente iniciei a perscrutação de diferenças entre um casamento normal e um casamento comunista. Para minha desilusão pouco ou nada encontrei. Tentei interpretar o significado das mesas à altura dos bancos, procurei qualquer coisa que me fizesse lembrar uma foice, um martelo ou uma estrela mas apenas encontrei as últimas, que estavam no céu, ao qual pertencem, e nunca ouvi dizer que fossem comunistas.
Porque a vida nos dá o que merecemos, tive a sorte de calhar na mesa de uma espécie de góticos mal encarados. Eram o comité central, lui même, mas nada emanavam de discrepante da aura do vulgo convidado, à excepção de uma certa expressão de inflexibilidade ditatorial que depressa se desvaneceu com a partilha de um charro.
Passaram três dias e eu adoro ver as minhas unhas, ainda pintadas, qual grito vermelho num teclado qualquer.
I'll find a place somewhere in the corner
I'm gonna waste the rest of my days
Just watching patiently from the window
Just waiting, seasons change, some day,
My dreams will pull you through that garden gate
I want to be the wandering sailor
We're silhouettes by the light of the moon
I sit playing solitaire by the window
Just waiting, seasons change, ah hah, you'll see
Some day these dreams will pull you through my door
And I'll come running to tie your shoe
I'll come running to tie your shoe
I'll come running to tie your shoe
I'll come running to tie your shoe
Everything you'd rather not have known about Brian Eno 9
It was with a certain apprehensive curiosity that I first noticed the brown lace-up shoes. He displayed a normalcy that I just couldn't trust. After all, I'd seen his photos and I knew I was dealing with no ordinary deviant.
Yet the toned-down reserve, the limp handshake (handshake?) and the nice-guy inoffensiveness had me baffled. He just didn't come on like someone who keeps an extensive collection of breast bondage literature in the bathroom.
I mean, what do you say to this guy? "Oh hi Eno .... Hear you shaved off your pubic hair?" He answers the door wearing a red satin kimono and black dress pants. We pass through the dimly-lit hallway to a large white room which consists entirely of a lit candle, two pillows, tape recorder and beige carpet.
"Carpeting gives you a whole new outlook on life, you don't need furniture."
Eno's voice has absolutely nothing in common with the vocal tracks on Here Come The Warm Jets, his forthcoming L.P.
His pronunciation is that of a soft-spoken gentleman. His singing is not unlike the shriek of a hare that's just caught an air gun pellet up the ass.
Given only the minutest amount of prompting, he will talk non-stop for hours. In this case, the mere mention of his vocal techniques sets him off.
"VOCAL TECHNIQUES. That's something I've never even thought about. Why, I propose the question to myself do people sing certain ways at certain times in history? Why should I want to sing through my nose?" (He breaks into 'Baby's On Fire', a track from H.C.T.W.J. and, as if it's her cue, a 6 ft. 2 in. 195 lb. negress enters the room, lights his cigarette, and without saying a word, exits.)
-- "What I like is when you get a combination of something that's very turned-down and dark and sinister, but not dramatic - very underhand and almost inaudible, as opposed to the kind of aggression that people like the Floyd use, which is very obvious assault. Iggy Pop does it as well.
"I like taking something that's played down -low-key - contrasting with a voice that's very anguished, making the whole sound grotesque and aggressive in a pathetic and laughable way. 'Baby's On Fire' starts out as though it's going to be very sinister, but has very ordinary words, sung with an incredible amount of passion."
What about the song which incorporated 27 pianos? - the one that was inspired by a dream . . .
"You mean 'On Some Faraway Beach'. It wasn't only inspired - all the words to that occurred in the dream. I quite often wake up and write down my dreams because I find them so completely mysterious. I can't see what it was in me that made me put together that particular combination of items.
"I find the dreams are always much more brilliant in their construction than anything I consciously think of. On that particular one, I just woke up with all these words in my head and I wrote them straight down in the dark. When writing from dreams, you don't feel any responsibility for what you do, which is important to me. Another way I write lyrics is to get the backing track down and then play it with a cassette near by and, as it's playing, I start singing anything to it - like 'ba-do-de-be-de-n- do-day'. And I do that a lot until I finally end up with a version in scat singing. Then I listen to that again and again until eventually I don't hear it as nonsense anymore and I start hearing words. Then I write them out and they become the words to the song. I find it absolutely impossible to sit down without music and write lyrics because basically I haven't got anything to say in a direct way like that. The actual musical context of a song is always so much more expressive than the words are. Lyrics in songs, in nearly 8O% of cases, actually make the song less interesting. The lyrics I like best are the ones which are either completely bland like the early rock lyrics, where there's obviously no attempt to do anything but to sing a melody - or, on the other hand, I admire the ones of the great librettists like Noel Coward. And also Bryan . . ."
"Ferry?"
"Yeah, I think Bryan's an extraordinary lyric writer, but in a style that I could never do. That kind of verbal imagery doesn't really come from me very much. I have no pretensions to poetry at all.
"The deciding factor about what words I use is what vowels they have in them - what their phonetic structure is. "Fuck! I wish I'd thought of that! I should have done this interview before I did the album!
"I'M ALWAYS PRONE to do things very quickly, which has distinct advantages - you leave all the mistakes in, and the mistakes always become interesting. The Velvet Underground, for example, are the epitome of mistake-filled music, and it makes the music very subtle and beautiful.
"Any feature can be the most important one - as long as there is one important feature. There are so many bands who present you with a large number of well-done features - none of which are important.
"I think that bands like Yes and E.L.P., even The Floyd who everyone's saying are the beginning of something new and exciting - the new rock tradition - are just tying up a lot of loose ends.
"They're finishing something off which is a useful function, but not one which should be confused with breaking new territory."
His voice trails off as he spies a copy of Search magazine. He leafs through it with obvious pleasure, but the gleam in his eyes softens, and sadly he shakes his head, "It's a burning shame that most people want to keep pornography under cover when it's such a highly developed art form - which is one of the reasons that I started collecting pornographic playing cards I've got about 50 packs which feature on all my record covers for the astute observer.
"There's something about pornography which has a similarity to rock music. A pornographic photographer aims his camera absolutely directly, at the centre of sexual attention. He's not interested in the environment of the room.
"I hate the sort of photography in Penthouse and Playboy which is such a compromise between something to give you a hard-on and something which pretends to be artistic. The straight pornographers aim right there where it's at.
"Which is analogous to so many other situations where somebody thinks one thing is important, so they focus completely on that and don't realize they're unconsciously organizing everything else around it as well. I have such beautiful pornography - I'll show you my collection sometime.
The last guy invited me up to see his etchings.
"One theory is that black-and-white photography is always more sexy than colour photography. The reason for this is provided by Marshall McLuhan, who points out that if a thing is 'high definition,' which colour photography is, it provides more information and doesn't require participation as much as if it is 'low definition'." I.e. a horror play on the radio is always very, very frightening because the imagery is always your own. If youUre choosing your own imagery, you'll always choose the most frightening, or in the case of pornography, the most sexual.
"The idea of things being low definition has always interested me a lot - of being unspecific - another thing which is a key-point of my lyrics. They must be 'low definition' so that they don't say anything at all direct. I think the masters of that were Lou Reed and Bob Dylan (on "Blonde on BIonde"). The lyrics are so inviting.
"DO YOU KNOW WHAT 'burning shame' is by the way? It's a pornographic term for a deviation involving candles.
"Ouch!"
"Very popular in Japanese pornography. They're always using lit candles because Japanese pornography is very sadistic, partly because of the Japanese view of women, which is a mixture of resentment and pure animal lust.
"In the traditional view, a woman is still expected to be at the beck and call of her husband, so that manifests itself in that kind of pornography. Of which I have a few examples, of course.
"Mexican pornography is an interesting island of thought because they seem to be heavily into excretory functions. The traditional American view is that anything issued from the body is dirty. It's incredibly puritanical and it resents bodily fluids, so if one is trying to debase a woman, you cover them with that and hence you get the fabulous term 'Golden Showers' - the term for pissing on someone, which some well- known rock musicians are said to be very involved in . . .
"Here come the warm jets?"
"That's certainly a reference."
That he's considered to be a film star of sorts in a few very 'elite' circles. - Any chance of him making a comeback to the Screen?
"Some of the movies I did were very funny - they had to pretend to have a plot. Ha ha.
"Can I show you my pubic area?" (! ! !) He exposes his stomach down to his, ah - about six inches below his Navel. "Absolutely bare! Now I've got this beautiful bare belly! I've got this new Japanese thing, you see and the Japanese don't have much hair on their bodies 'Japanese culture I tip as the next big thing."
I glance nervously over at the flickering candle on the windowsill. Out of nowhere, Eno produces a very extraordinary looking object which he explains to be the 'Double Punkt Roller', a massage device used in Victorian times. I marvel at its aesthetic qualities and he assures me that it can only be fully appreciated when used on the bare buttocks. We conclude that art which demands participation holds the greatest appeal.
"I think that until the turn of the century, art was always the object - the thing on the wall - whereas now, the orientation is more to think that art is the process, or what happens to you when you view it. "I think this is an important part of Gary Glitter's records in that they make you move in a funny sort of way. Or reggae. It's not possible to assess them without taking into account the part of their existence which causes a certain kind of behaviour.
"I've always been interested in the idea of what I call systems art/systems music', which is where you think first of all of your activity as a system which must be intact and interesting - and you think of the artwork which also must be interesting - and you think of the listener as a system which must be interesting too. So you must work on all these levels. "That's why I don't like the idea of spending months and years recording, because essentially, that isn't an interesting process to me."
AT THIS POINT, a leather-clad redhead, her fingers covered with glue and green parakeet feathers enters the room and announces the arrival of 'the carpenter'. At 1.00 a.m. the inhabitants of the house appear to be waking up, an what all the excitement is about I'm rather reluctant to discover. Gentleman that he is, Von Eno sees me to the door, and, gazing down the night-time street: "Did you know there's a girls' school with 400 girls just round the corner? Very nice, I'll tell you, it really is lovely. I mean they're so beautiful those little girls are. My conscience won't let me tamper - feel I might damage their lives if I do anything."
Chrissie Hynde (1974) New Music
DO NOT WORRY THAT YOUR ABILITIES ARE NOT APPRECIATED. JUST MAKE SURE YOU POSSESS THEM.
Confúcio
I don’t need to take valium or opium to know how it feels to leave you.
I don’t need no cocaine highs or Spanish flies to need you.
No DMT, DMC, LSD, to blow my mind.
Heroine, mescaline or metadream to loose the time. Anyway, drugs tends to diminish my body and it seems so faraway in my mind to me.
And if my hilariant form to yours, is a door to each our concentric souls to meet, I don’t wanna miss it.
I WANT MY FEMININE BODY: CORPOREAL MIND: MATERIAL SOUL
sympathize in a very finely atemptive in the other side of paradise.
And I don’t need no blind thoughts, wipes, boots or rubber suits, school girl uniforms to turn you on.
Anyway fantasies are only boy’s reality, forcing one to live within a distortion.
Pure skin, soul to soul, belly touching, strait is great ‘cause I don’t need the pain or the hate to feel intensively.
And I don’t need to be dominated, degraded or flagellated, and I don’t need to be extorted, exalted or supported, complicated, contemplated, tolerated or liberated.
BUT I DO NEED TO BE PENETRATED, ELEVATED AND APPRECIATED.
And I need to embrace my inescapable femininess, like all the animals naturally embrace. Totally succumb to eroticness of the intuitive risk – life’s hopeful between the guys and all different falls, falls in the base of uncontrolled cries!
Succubus, by Annette Peacock
recomendo e mando a música quem quiser.
Humanismo é olhar para os outros, é dar ao alheio, ter respeito e consideração.
Num mundo caracterizado pela clausura e por vidas que circulam em caminhos estreitos e sentidos únicos é maravilhoso encontrar pessoas que possuem a capacidade inerente de dar. Sim, dar de si.
É por isso essencial saber reconhecer acções generosas, aceitá-las ou agradece-las, louvando-as.
Criticar e destruir actos de generosidade é igual a poluir, atentar, desrespeitar e abusar.
Nada é fácil excepto virar a cara.
«Vai até onde te possas levar»
"USAR E ABUSAR DE CITAÇÕES É UMA DEMONSTRAÇÃO DE PREGUIÇA".
Acredito na felicidade através da brincadeira e do divertimento
Recomendo mais e mais este livro, aliás tenho uma vontade imensa que todos o leiam e gozem tanto quanto eu gozei. Para falar de assuntos sérios por meio da brincadeira é do melhor que tenho visto. A narração simples e aparentemente ingénua é de uma eficácia que obriga a reflectir.
Em português é da Fenda.
Marte é o quarto planeta partindo do Sol e é normalmente referido como o Planeta Vermelho. As rochas, solo e céu têm uma tonalidade vermelha ou rosa. A cor vermelha característica foi observada por astrónomos ao longo da história. Os romanos atribuíram-lhe este nome, em honra ao deus da guerra. Outras civilizações deram-lhe nomes semelhantes. Os antigos egípcios chamaram-lhe Her Descher que significa "o vermelho".
Os astrólogos dizem que tenho o Marte na casa oito, qualquer coisa que significa morte. O planeta Marte é também, segundo os que acreditam na influência dos astros na nossa personalidade e mesmo no decorrer da nossa curta e insignificante vida, o planeta da acção e por consequência do sexo e da realização. O meu está pela hora da morte.
O Marte no meu céu é também aquilo que atrai os homens. O meu Marte é Virgem, por isso atraio os Virgens, e gosto dos Virgens. O Marte é a acção. Eu gosto dos virgens na cama. São carnais. Interajo bem com eles. Um Virgem penetra-me sempre melhor do que um Caranguejo ou um Sagitário. Deve ser do Marte. E depois os Virgens são pesados, gosto de peso, e fôfos, gosto de carne, e são práticos, não inventam muito mas percebem os meus desejos.
Marte esteve muito perto da terra no sábado 27. Como não estava há 60 mil anos. Não o vi (havia nuvens no céu).
- Hey, Cabaça, o piquenique já acabou... como é que é?! Vais meter o CD para ouvirmos o ´Lil Sister, hã hã? E a seguir vamos tratar do babydoll, das sardas e dos tó-tós, hã?
- Sim, vamos sim.
- Olha, pintei as unhas, já viste? Podes chupar-me os dedos todos como dizes que tanto gostas, hã!?!
- Chupo chupo mas não me obrigues a lamber outro chupa-chups, por favor...
- Chupas-me os dedos, hã?
- Chupo sim, apetece-me chupar tudo, lamber tudo, tudo menos outro chupa-chups.
- O que é um Pilar A, Moço?
- Posso encostar-me eu à parede, para variar, não?!?
- O que é um Pilar A, Moço?
- Posso ficar eu de guarda à porta que não abre...
- Sim, a porta não abre, sim sim... mas o que é um Pilar A, afinal?
- E o disquinho do David Sylvian, pode ouvir-se?
- Então e o ´Lil Sister?!
- O Pilar A é o pilar que...
- Então e o ´Lil Sister, Moço?
- Hã?!
- O ´Lil Sister?!
AN IDEA IS SALVATION BY IMAGINATION
FRANK LLOYD WRIGHT
AGORA É QUE VÃO SER ELAS!!
MOÇO: BEIJOS NA BOCA
PRUSI: ABRAÇOS FORTES, BEIJOS E MUITAS CAMBALHOTAS
CONTROLADO E FORNECEDOR: UM APALPÃO NOS TOMATES
MOHAMED: EXPERIMENTE GRITAR. CUIDE-SE. BEIJOS EM QUALQUER LUGAR
ENFIADA E MADAME SATÃ: CONVOSCO REALIZAVA OS MEUS SONHOS SECRETOS
...
E COM ESTA ME VOU DAQUI PARA FORA.
INTÉ!
P.S. - Vou devorar um livro no qual se aborda, para além do mais, o Marxismo nas relações de Amor. Aquilo é ilariante! Experimentem: "Essays in Love" de Alain de Botton.
Esvaziei-me. Agora é que já não tenho nem mais uma gota. Preciso de respirar fundo, de olhar ao largo, que o ar me encha e que as vistas me preencham.
Até esta língua me parece estranha, esta escrita não me diz nada.
Pineapple juice just around the corner… in the fridge.
«THE AVERAGE MAN, WHO DOES NOT KNOW WHAT TO DO WITH HIS LIFE, WANTS ANOTHER ONE WHICH WILL LAST FOREVER.»
Anatole France
Femininas - a term for beautiful women at the beach who are condom worthy (the opposite of sponge worthy)
in: The Jerry Seinfeld Dictionary of Terms and Phrases
Bye bye love, bye bye happiness, hello lonelyness - I think I'm gonna die.
RECEBI TRÊS CHAMAS
ESTOU LOUCA PARA AS SENTIR
DIRECTAMENTE DO INFERNO
MALUCA PARA AS CONSUMIR
MAS NÃO FOI O BELZEBU
TENHO BUÉ PARA OUVIR
NEM TÃO POUCO O SAMBOKU
OBRIGADA MADAME SATÃ!
ACOMPANHAREI COM BLOODY MARY
(...) one of those days where I wish that corporate robbers, tyrants, monopolists, liars, fact hiders, book cookers and people enslavers be sent cozily where they belong(...)
(...) if you're feeling sinister go off and see a minister, you try in vain to take away the pain of being a hopeless is unbelievable (... )
(...) You and me are one and we've only just begun
So let's make a new beginning have some fun
Love is all we need, to make everything complete
All we need is L-O-V-E, love is all we need (...)
Mary J. Blige
(...) She was living in a perfect house
With pictures of smiling faces
But there's a different story told inside
Underneath it all (...)
Celine Dyon
ENTER Our ALL YOU NEED IS LOVE Personals
Bom Dia!
ESTAR SÓBRIA É A MINHA ARMA.
Quantas coisas se passaram num ano. Um ano repleto de acontecimentos, no entanto coberto de uma sensação de esvaziamento, como se eu nunca tivesse lá estado, cito “I came to my own, but my own doesn’t receive me”. Foi mais ou menos isso.
Andei por Londres, encontrei o Prusidente, km andámos nós numa só noite, sem hesitações.
Naveguei pela ex Jugoslávia onde, ainda hoje me custa, busquei os cubos de Judd e, enquanto o meu eu não me recebia, senti que encarnava Heinrich Schliemann ao descobrir que a cidade lendária, neste caso a pureza das formas, não existia por amor mas por razões comerciais.
Todo o ano viajei na Route 66, dormi várias vezes num Motel, esse que todos vós conheceis, e por lá me enamorei (Há palavras que nos beijam como se tivessem boca). Porquanto o meu eu não me queria foi outra que amou, amiga de sangue de Doutural Mamalhuda.
Fui ao Japão, à Coreia, comi bolinhos de chá verde com doce de feijão. Descobri o David Shrigley, um dos acontecimentos mais fortes do ano. Reli Camus, reli-me a certa altura e encontrei-o. Durante meses não soube quem ele era, o outro. Ainda não sei se sei, mas gosto dele, dou-lhe beijos nos olhos enquanto deixo a Monroe a dormir o sono dos sonhos.
No ano de 1984 li o “1984” sem saber do que se tratava.
É assim (suspiro), como tu não gostas que eu diga, mas trata-se de escrever.
(...)
«Cada dia te é dado de uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.»
(...)
Sophia de Mello Breyner, "Não creias Lídia"
(...)
«Realizar»: fazer passar
Para a realidade,
Pôr em prática sonhos,
Ideias, teorias.
(...)
[Alexandre O'Neil - "Agora escrevo"]
Procuro um homem durão, daqueles que só recebe e nada dá, um rijaço à moda antiga.
Eu acho que nos últimos 34 anos as mulheres têm vindo a transformar-se em híbridos funestos, perversus polimorfus que escapam a qualquer classificação de género. Já ninguém as reconhece. Não têm nada à frente, não vêem nada pela frente. Em consequência desta metamorfose, vemos também extintos os homens na verdadeira assumpção da palavra.
Entrelaçaram-se ele e ela, impregnaram-se, misturaram-se das mais diversas maneiras. O cheiro de um é o cheiro do outro, a pele, o cabelo, o sexo, a voz, a segunda pele. São o outro mas não o mesmo, são mistos, tão mais ou menos diferentes como iguais, são mais ou menos mornos, são um quente e frio, dois em um, um em dois. Eu estou farta!
Desejo ardentemente cair nos braços de um hard man do tipo Barba Ruiva ou Abominável Homem das Neves, que me não dê nada, que me provoque sentimentos opostos de amor e de ódio e raivas incontidas. Quero um homem que não pestaneje quando lhe der um estalo seco e estridente na cara, que me obrigue a dizer o que não quero e essas coisas que se vêm nos filmes a preto e branco.
Se houver por aí algum por favor contacte-me.
[a pensar em Mohamed e seus irmãos morenos]
"The men I know, and I've known dozens of them, oh, they're so nice, so polished, so considerate. Most women like that type. I guess they're afraid of the other kind. I thought I was, too. But you're so strong. You don't give. You take. Oh, Tommy, I could love you to death!"
Gosto desses olhos, ficam ainda mais bonitos quando olhas para cima e fixas em risco. Gosto de te ver pensar de pé a olhar ao alto pelo canto do olho, como quem não quer ver a coisa. A grande coisa.
Também gosto quando me finjo morta e tu me violas, usas o meu corpo morto e no fim eu bato-te com os punhos fechados, mas só se o fim for bom, senão continuo morta. Gostei de respirar através de ti, o meu nariz na tua boca e a minha boca selada pela tua mão. E assim ficámos eu respirava tu respiravas, nem sequer nos rimos, acho que foi um momento sério. Quase solene.
Quero mais, quero muito mais.
Frase das 12h10:
"THE TIME IS ALWAYS NOW"
Deixei de estar ligada porque me tiraram a conecção, explodiu. Pof!!
Foi uma boa experiência para perceber como é viver sem ele, que nem sequer é, quanto mais ele.
Nada, não disse nada, foi-se, ficou-se, quedou-se no seu lugar... e para estas palavrinhas do tipo "para bom entendedor" também já não há saco, ou está roto?
Nada morre tudo se transforma.
Nada morre tudo se transforma.
Terei eu ao menos direito a qualquer coisita assim pró natural? Qualquer coisa que quase nos mereça?
Tu disseste que não querias eu também não sei se quero.
O que se faz a um fósforo apagado?
[M.S.]
Ouço música trazida pelo vendo, vem da antiga fábrica de bolachas, agora transformada em Orquestra Metropolitana de Lisboa. Hoje tenho a sorte de ouvir música sem pagar nada. O vento está a meu favor. Ó i ó ai só a mim ninguém me leva, ó i ó ai para o pé do meu amor.
Frase das 8h43:
«You are the bubble in my drink»>
[David Shrigley]
Frase das 11h21
in Naif. Super, de Erlend Loe
MATEI A ASSUSSORA
ass:
M.S.
“A MASK – a perpetual natural
deguiser of herself,
concealing her face,
concealing her form,
changes and transformations
every hour, every moment,
Falling upon her even when she sleeps.
Walt Whitman, Leaves of Grass
vê lá tu que me apeteceu escrever outra vez. sei lá há quanto tempo não sentia essa necessidade e o prazer que daí vem, de escrever e não significar nada. vinha eu ontem pela estrada fora e vê lá o que me veio à cabeça. imaginei-me a falar ao telefone contigo, dizia: "olá minha querida, gota pura como o orvalho matinal", entrei na hiper realidade, três horas de corridas de carros, olhos fora das órbitas.
vou ter d'ir.
gramei.
gosto de ti.
esta blog é fiche!
Transfer of "09 Rippin Kittin.wma" is complete.
miloslava says:
fui lá tomar banho este verão, à lagoa comprida, a serra é dos sitios mais bonitos de portugal, pra mim..e contigo lá no topo fica bestial!
miloslava says:
hmm miss kittin a seguir a Michael nyman...num aconselho..num
Ladytron says:
até parece que me estou a ver a correr na tua direcção, com cara de papão, e a estacar a poucos centímetros de ti, a arfar, a olhar-te ameaçador, a abraçar-te depois e a serenar-te naquela tempestade de frio
miloslava says:
hihih lindo...papão
miloslava says:
lobo mau
Ladytron says:
o meu quase estrabismo dá-me por vezes um ar demente
miloslava says:
ah? ai oh ahahah
We need your information.
We will do what we must.
But not here,
Or in front of people,
Or on the phone.
We're not all blood-sucking leeches.
For we all have families too.
But that don't mean that we really love them-
Or that we don't.
Cause I can't love you.
And you can't love me.
But I can love you.
And you can love me.
Love me.
It's not a confrontation.
(All across the world, open your eyes)
We are here because we are broke.
(Give us what we want, we've had enough.)
But we don't expect a handout, or anything.
(So, so, so, so, so)
Cause I can't help you.
And you can't help me.
But I can help you.
And you can help me.
I can't help you.
You can help me.
I can help you.
You can help me.
Help me.
Help you.
(It's not an impossible situation.)
Help me.
(It's not an impossible situation.)
Help you.
(It's not an impossible situation.)
Help me.
(It's not an impossible situation.)
I know there is doubt we can do this-
But-
I can help you.
The Dears - Who Are You, Defenders Of The Universe?
OBRIGADA MENINO, É UM BOM SLOW...
If rape and poison, dagger and burning,
Have still not embroidered their pleasant designs
On the banal canvas of our pitiable destinies,
It's because our souls, alas, are not bold enough!
Charles Baudelaire
francamente, senhor director?
Tambem tu, levaste no cu,
mas nao penses que era
sempre a mesma orgia.

Havia de manha,
na casa do Ze,
havia a tardinha
em casa da Ninha.
Depois veio o Joao,
com o seu monstrao
veio logo a Joana
com a sua bezana.
Fomos todos uns aos outros
ficamos todos doridos
mas se a guerra fosse assim
ninguem morria no fim!
pede aos homens que tiverem alguma disponibilidade que deixem a sua opinião sobre o que será ser-se uma Mulher. Isto é um estudo sério.
Obrigada.
quem com alegria vive
com alegria morre
não há que temer
não há que temer
Take this kiss upon the brow
And in parting from you now
Thus much let me avow ---
You are not wrong who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away.
In a night or in a day
In a vision or in none
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore
And I hold within my hand
Grains of the golden sand ---
How few! Yet how they creep
Throngh my fingers to the deep
While I weep --- while I weep!
O God! Can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream.
Edgar Alan Poe
for you babe.
We could fly out
Helicopter,
Nothing left to talk about.
Entertain you.
Celebrate you.
I'll be back to frame you!!
hoje era o que me apetecia...contigo...
I know when to talk
And I know when to touch
No one ever died
From wanting too much
e enquanto teimas....
Trying hard to
Fit among you.
Floating out to Wonderland.
Unexpected.
Unprotected.
Feel the consequences
distraído com a banda sonora...
People like us
Know how to survive
There's no point in living
If you can't feel alive
the world is not enough...baby...vem cá...
"É tão bonito observá-las aos pares a defenderem os interesses da multidão de que fazem parte..."
MdR
See those flowers, they need love
see the bluebirds, they need love
see the babies, they need love
all God's children, oh need love
see your mother, she needs love
and my father, he needs love
that's true baby, and I need love too
see those rain drop, rivers they need love
and the mountains and the valleys, they need love
God forgive us, and send us more love from above
don't find good love every day, we ought to think
before we throw good love away
doesn't matter, what you are
a thief or a beggar or even a superstar
as long as you were made by God above
oh, I know, I know, you need love, we need love
baby, oh, I need love, I need your love, (I'm standing here), oh baby standing in the need of love, I need love
I need it, I got to have it baby
oh can't you see that I'm standing in the need
I'm still here cause I need love
I'm still with you dear
cause I need your love
and I know, oh yes I know
though you feel you don't need loving,
you still need loving too, oh yes you do
it don't matter no, it doesn't matter what you are
a thief or a beggar or a superstar
as long as the Lord made you from above
I know, I know
you were made for love(cause love is what you need and understanding) oh, understanding
(various voice overs and adlibs) you were made for love, sweet understanding why can't we see we were made for love
you were made for love baby, sweet understanding, why can't we see, we (you) were made for love (why is it so hard for us today to see the real) we were made from love, you were made of love baby you were made to love baby
what's the only thing that's gonna get us together (love's the only thing that's gonna make this cold-blooded world alright) what is this we're singing about for the love of Jesus, let's do it
I need a whole lot of love, sugar
I need a whole lot of sweet love
it's a fact,
(who) even the slimy seal needs love
(who) all of the folks in jail need love
(who) even a mean old man needs love
ainda não comi e não tenho razões para estar triste. quero ver o ovo estrelado!
All we ever wanted was everything
All we ever got was cold
Get up, eat jelly
Sandwich bars, and barbed wire
Squash every week into a day
The sound of drums is calling
The sound of the drum has called
Flash of youth shoot out of darkness
Factorytown
Oh to be the cream!
Oh to be the cream!
Não deveríamos mostrar-nos tão críticos.(...)Escrever numa folha em branco é bom*, mas não menos bom é pegar no carro e ir para o trabalho, teclar no computador, dar uma voltinha pelo blog, abrir a caixa de e-mail, olhar para as horas, ir almoçar apressadamente, uma sanduiche do pior, e come-la sem dizer nada. Fazer tudo o que se tem a fazer, suspirar, verificar que está na hora de sair. Entretanto pensar em sexo, pensar que nunca mais se pensou verdadeiramente em sexo. Olhar para cima, olhar para baixo. Lembrar do tamanho dos nossos pés. Ah e quem souber o que é um céu estrelado, esse que não cale o bico! Não é menos bom passear na avenida, comprar meias com 6 dedos e comer um bolo de arroz bem seco...
* B. Brecht
hmmm hmmmm hmmmm coisa boa! é tão bom o cheirinho do outro triturado com desejo. hmmm hmmm hmm. ontem fiquei agarrada à t.shirt que te emprestei. o meu nariz perscrutou-a e encontrou, mesmo junto à gola, o teu cheiro.
Venho pela estrada de todos os dias, a sonhar. Quando paro, todos os dias, fico cerca de seis minutos, mais segundo menos segundo, dentro do carro, parada, a pensar de olhos bem abertos. Todos os dias penso nos dias, todos iguais ou parecidos ou mesmo quando são diferentes acabam por ser sempre iguais. Se ao menos não houvesse aquele sítio para estacionar...mas lá está ele, todos os dias, à minha espera, radiante! Há uma coisa que me faz pensar mais um pouco nos últimos dias. Essa coisa que me fez pensar mais do que nos outros dias, passou a fazer parte de todos os dias, penso nela dia após dia mais uns segundos para além dos seis minutos. Mittwoch = mercredi. bom dia.
"Give all to love;
Obey thy heart;
Friends, kindred, days,
Estate, good fame,
Plans, credit, and the muse;
Nothing refuse." (...)
r.w. EMERSON

Adieu, créature
J’ m’en vais dans la nature
Et ne m’en veuille pas
Tu ne seras jamais pour moi
Qu’une jolie créature
Perdue dans la nature
Aimant un peu, beaucoup
Trop, pas assez ou pas du tout
Je suis là pour je n’ sais qui pour je n’ sais quoi
Tu m’as pris pour je n’ sais quoi pour je n’ sais qui
Et moi je n’ sais ce qui m’a pris ce qui m’a pris
De venir ici
Adieu, créature
J’ m’en vais dans la nature
Et ne m’en veuille pas,
Une de ces nuits on s’ reverra
Adieu, créature
Adieu, créature
On se reverra
Quelque part dans la nature !
Serge Gainsbourg
- Como estás?
- Estou, mas gostava de trabalhar mais.....ando sem dinheiro.....
- Pois, eu tb não sei como faço, olha devo dinheiro....e não pago, o típico português.
- Se fosse o meu genero até podia tentar arranjar um homem rico.....mas uma coisa da qual nunca gostei foi de homens a pagarem-me coisas.
- Eu cá não me importo nada que me paguem, só que normalmente não aprecio os homens que estão detrás do pagamento, um problema grave, um dilema eu diria...
- É, ao que parece, a solução está longe da vista. Sabes de alguma coisa para mim? Um trabalhinho rápido e enxuto com pagamento a pronto?
-Ha hah hahahahahahahah, já tinha saúdades tuas!
(...) Sex contains all,
Bodies, Souls, meanings, proofs, purities, delicacies, results, promulgations,
Songs, commands, health, pride, the maternal mystery, the seminal milk;
All hopes, benefactions, bestowals,
All the passions, loves, beauties, delights of the earth,
All the governments, judges, gods, follow’d persons of the earth,
These are contain’d in sex, as parts of itself, and justifications of itself.(...)
Walt Withman
What do you get when you fall in love?
A girl with a pin to burst your bubble
That’s what you get for all your troubble
I’ll never fall in love again
I’ll never fall in love again
What do you get when you kiss a girl
You get enough germs to catch pneumonia
After you do, she’ll never phone ya
I’ll never fall in love again
I’ll never fall in love again
Don’t tell me what it’s all about
’cause I’ve been there and I’m glad I’m not
Out of those chains those chains that bind you
That is why I’m here to remind you
What do you get when you fall in love?
You only get lies and pain and sorrow
So far at least until tomorrow
I’ll never fall in love again
I’ll never fall in love again
Burt Bacharach
EU OFEREÇO O QUE TODOS PROCURAM E QUE É DIFÍCIL DE ENCONTRAR.
A MASK—a perpetual natural disguiser of herself,
Concealing her face, concealing her form,
Changes and transformations every hour, every moment,
Falling upon her even when she sleeps.
Walt Whitman in Leaves of Grass, Long Island, 1900
Existem sete notas musicais:
Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si - Dó
Essas notas podem ser alteradas de forma ascendente ou descendente, tornando-se, então, 12 notas musicais:
Sete naturais e cinco alteradas.
As notas alteradas são identificadas pelos sinais # (sustenido) e b (bemol)
lá lá lá blá lá blá blá lálálálá
You and I, love will not compromise
And we, we can go on
Cause you and me we can't go wrong
Sleep will close your eyes
Dream of love and make it multiply
Cause we, we can't go wrong
You and me we can't go wrong
go wrong..
Cause you and me we can't go
You and I, love will not compromise
And we, we can go on
Cause you and me we can't go wrong
Sleep will close your eyes
Dream of love and make it multiply
cause we, we can go on
You and me we can't go wrong
Cause you and me we can't go
You and me
We can't go...
KOOP
- Não minha cara eu não procuro o reconhecimento...
- Claro...pois...
- Estás com uma voz sarcástica, passa-se alguma coisa Monroe?
- Sarcástica?! Eu? Diria que tu és cínica quando me tratas por "cara".
- Não! Passa-se qualquer coisa! Ai passa-se! Estarás com inveja do meu trabalho com Niels Bohr? Posso tentar arranjar-te qualquer coisinha se..., diz Doutural num tom acelerado, com os olhos postos num futuro glorioso.
- Muito obrigada querida mas não me apetece rapar os pelos das pernas, para além disso, sabes bem, o meu objectivo é os cubos, acrescenta LM coçando vigorosamente a cabeça como que numa tentativa de arrebitar uma ideia há tanto cristalizada na sua mente.
- Os cubos brancos, sim...
Ambas ollham pela janela, revêm os sonhos que em nada se assemelham com a conversa.
Doutural Mamalhuda e Loira Monroe são vistas na janela do quarto andar de frente para a serra do outro lado do mar.
Respondo-te aqui, do podium, também de calças na mão a receber a medalha de ouro por tudo o que não fiz nem faço por mim. Se eras mais isto ou aquilo? Para mim és mais agora. É que agora "és".
beijos
Mila
Últimamente tenho vindo a trabalhar com um cão e uma banana. Tem sido uma experiência fenomenal no que diz respeito a contribuir para o meu reconhecimento a nível nacional e internacional. O único problema tem sido a dúvida que me assola todas as manhãs quando tenho que seleccionar entre as cuecas.
Hoje voltei a calçar as botas. Voltei a fazer o mesmo gesto e ouvi o mesmo zip. Quem calçou aquelas botas não fui eu, hoje sim, antes não, contaram-me. Parece que tinha calçado aquelas botas no Inverno passado. Que costumava sentar-se na borda da cama, calçava as botas e dava-lhes corda. Eu não lhes dei corda, estão lentas as minhas botas, mas conscientes, dizem, da sua cor e do seu material. Entretanto a fivela não serve para nada, ridículo!
Estou rodeada de coisas supérfluas, fivelas que não apertam, palavras que escrevo, música pop...
Last night I dreamt
that somebody loved me
no hope - but no harm
just another false alarm
Last night I felt
real arms around me
no hope - no harm
just another false alarm
so, tell me how long
before the last one?
and tell me how long
before the right one?
this story is old - I KNOW
but it goes on
this story is old - I KNOW
but it goes on
The Smiths
não quero levantar uma questão moral mas pergunto-me se o bem e o mal são iguais para todos. qualquer coisa me diz que não, quando vejo as coisas pelo lado moralista, algo me diz que sim quando tento responder numa perspectiva cósmica. o bem é tudo o que nos faz felizes, o mal tudo o que nos afasta, tudo o que nos reduz, tudo o que nos comprime.
I don't care how sick you say it's gonna get,
My big ass bubble has not busted yet.
Because I feel,
I feel fine, I feel fine.
Yes I feel,
I feel fine, I feel fine.
Yes I feel, I feel fine, I feel fine.
Yes I feel, I feel fine.
Bran Van 3000
They both smiled, standing there. They both felt a common hilarity, excited by the moving waves; and then by the swift cutting race of a sailling boat, which, having sliced a curve in the bay, stopped; shivered; let it sail drop down; and then, with a natural instinct to complete the picture, after this swift movement, both of them looked at the dunes far away, and instead of merriment felt come over them some sadness - because the thing was completed partly, and partly because distant views seem to outlast by million years...
chissa! para quem nao saiba nao tenho cedilhas.
tu oh prusidente espero bem que andes a fazer coisas bem mais interessantes, and I mean it, podes ateh nao fazer nada desde que tenhas os olhos o nariz e os aouvidos bem abertos, alerta! and cool man, nao te deixes levar pelas ilusoes das tuas imaginacoes.
as fotos!! lembras? foram um sucesso, mostrei duas (hoper blond e national gallery) gabaram-nas, directinho man!
xxxx
zzz
ouvindo doors em versao orquestral, no decimo setimo. nao tenho sono. olha! um computador! olha esta ligado ah net e eh de graca! olha la fora tanta luz. o que eh que ele me diz?? aize aize?! oh!ai sim, claro sim com ICE.
dois ou tres igualmente perdidos, pasmam no balcao. e uma corre com o telemovel na mao. pra onde eh que ela ira?
love you all babes, have you ever felt a self emotion? esta ate doi. au.
E pensar que estiveste aqui tão perto!
Aqueles beijos bons, sem picos, ninguém mos tira.
Keep on flowing Pruz and I will too.
zzz
I really must stop always being the child
Chasing his youth his heart, nose to the wind
I really must cure my tender nostalgia
Bury deep my stars beneath the veil of night
I must postpone my Spanish chateau
Dreams that befuddle like an old wine
I must also give up those sunny states
To become a man
And when that day comes
You will forgive me, you won't be surprised
When I show my teeth, when I show my bite
Then I will be a man
And I will stand tall
I really must share my classes with others
So my youth can pass at last, so I forget
I really must scrape my nails on my heart
That my life hardens with sorrow and pain
I must upset my guardian angels
Who soothed me too much
And when that day comes
You won't be annoyed
If I scratch a bit, if I practice being....so savage!
You will forgive me, you won't be surprised
When I show my teeth, when I show my bite
Then I will be a man
And I will stand tall
And you will be prepared to find before you
Someone who's like you, a wolf among the wolves
Then I will be a man
And I will stand tall
And you will be prepared to find before you
Someone who's like you, I'll be a wolf among the wolves
Then I will be a man
And I will stand tall
Then I will be a man
And I will stand tall
Marc Almond
Não paro de pensar na relatividade da palavra, foi para isso que fomos para aqui chamados e se tudo isto é a perpetuação do antagonismo! E já tinha dito, Schelling?!! Nada disto faz sentido sem alimentarmos as nossas necessidades primárias... "estava capaz de me pôr num porco" disse Nietzche. Metáforas, metáforas que se fodam as metáforas e as hipérboles. Se a linguagem me resumi, então sou o superlativo, e repito tenho fome, tenho sede, sequioso é o amor!!
Ah a mesquinhez, a estreiteza imaginativa! uh os romances e os romancistas. Que cheguem os romances impertinentes, que sejam eles gelados como os cornetos que como às 5 da tarde, que não pretendem sacudir os nervos mas tão só serem num minuto consumidos e logo depois esquecidos. É assim a gula rapaz! Meu caro Branco (mais branco não há?!), agora a sério, o romance é o conto de fadas de quem não tem imaginação. Sendo a arte uma confissão de que a vida não basta, talhar a obra sobre as próprias formas do que não basta é uma perda de tempo. Senão repare, claro que Simão já não é porque nunca foi mais do que uma sombra daquilo que você, Branco quase branco, queria ser. E talvez o quisesse ser para se acercar da Teresa. Mas a Teresa está aqui, é minha, porque me ama; a sua obra, Branco do Castelo e as suas palavras, só demonstram a impotência da sua arte para substituir a vida.
Calme plat - mer blême - Ciel vide
Soleil térass dans un coin
Autour des mâts tournent sans fin
Quelques vagues oiseaux livides
Le ventre des voiles se ride
Et pend depuis tant de matins...
Le goudron fond au fond ses joints.
Dans toute l'étendue aride,
Sans mouvement et sans couleur
Sous l'étreinte de la chaleur
Les ombres tombent, plates, mortes.
Et l'océan, ciment luissant
Fait prise, emprisonnant, gisant
L'inerte vaisseau qu'il supporte...
Boris Vian
Já tinha ouvido falar, mas como tudo, só quando se experimenta é que se sabe.
Já me tinham avisado que as relações virtuais eram estranhas e perigosas, mas eu quis ver como era. Agora estou agarrada a uma coisa que não é. A amizades que são muito mais do que são na realidade. Questiono-me qual delas é mais verdadeira, a virtual ou a real? Na realidade virtual, sente-se, ama-se e sofre-se, vai-se fundo, mas não há vento, não há cheiros, nem calor nem frio. Não há constrangimentos porque não há olhos nos olhos, há enganos, rasteiras, mal entendidos, no entanto não há egos nem ofensas porque não há limites. Há verdades imaginadas.
Por esta altura está o Prusi mais o seu corpo (bem giro que ele é) num avião real , vai demorar 24h a cá chegar. Vem a pensar, tenho a certeza.
A realidade real é cruel, é bela, é um desafio, uma luta constante. Não se pode parar, quem pára fica para trás, a ver a vida a ir sózinha.
O mais importante é não duvidar, perseguir todos os desejos, concretizar todos os objectivos e no fim olhar pelo retrovisor e perguntar: valeu a pena? É bom ter uma resposta: oh yes!
A FRIEND IN NEEDS A FRIEND INDEED,
A FRIEND WHO BLEEDS IS BETTER,
MY FRIEND CONFESSED SHE PASSED THE TEST,
AND WE WILL NEVER SEVER,
From Placebo "Pure Morning"
A FRIEND IN NEEDS A FRIEND INDEED,
A FRIEND WITH WEED IS BETTER,
A FRIEND WITH BREASTS AND ALL THE REST,
A FRIEND WHO'S DRESSED IN LEATHER
From Placebo "Pure Morning"
...
A FRIEND IN NEEDS A FRIEND INDEED,
A FRIEND WHO'LL TEASE IS BETTER ,
OUR THOUGHTS COMPRESSED,
WHICH MAKES US BLESSED,
AND MAKES FOR STORMY WEATHER…
From Placebo “Pure Morning”
O processo criativo é um processo doloroso.
A vida decorre num abrir e fechar de olhos. Não importa quantos terríveis inimigos possam encontrar, desterrem todo o temor e jamais pensem em retroceder.
Sobre a prática dos ensinos do Buda, WND, pág. 395
Morena Doutoral: Porque não o convidamos para fazer um risotto al funghi? Adoro isso!
Loira Monroe: não sei, querida, achas? No panelão que levámos para o hotel já estão ostras a fumegar e palpitar...
Mamalhuda: Já que estamos num hotel de milionárias, há que aproveitar cada cantinho. Olha eu levo este rabeta para nos cozinhar e tu contratas um "mate" gigante e coelhone para abrir as ostras, all right babe, sugar, love love?
L. Monroe: Dá-me um beijo com essa boca carnuda dos livros de sexo que eu vou ali à esquina, ver se apanho um e já volto...
- CHUÁC!
LM tira a mega máquina e começa a fotografar desalmadamente cada esquina, esfinge e portal romano da cidade do bispo de pé doirado e bem aventurado. Voltando meia hora mais tarde, ao encontro de sua amiga que jazia no chão encerado da praça outrora palácio de imperador, exclama - Doutoral, não resisti, sei que se calhar é demais mas foi-me completamente impossível escolher...
Mamalhuda que entretanto se havia elevado, cai lânguida na calçada milenar, e agarra-se ao pé, mostrando-o aos 21, que acodem para lhe retirar os picos venenosos do ouriço.
- 21? poças Monroe! – esticando o pé em direcção ao céu azul e acariciando-o com ternura.
- São bellos! Tão imensamente esbeltos! Tudo nesta terra é gigante – e olhando para o pé da amiga - até os ouriços!
Os 21 marmanjos de altura 190 e pé 46 olham para o membro inferior esquerdo de Doutoral e de imediato fazem fila. - Isso queridões, libertem-na do sofrimento! - Diz Monroe continuando a disparar – Já temos 1553 fotografias Doutoral. Olha para mim, lindo, linda, isso, fantástico…. - e, para consigo - "será que é tudo à escala desmesurada?". E lambe a boca, recordando-se de um fim-de-tarde em Veneza, no Gugenheim, onde uma estatueta lhe havia despertado um esgar na boca sensual...
- É um para cada pico! – diz Mamalhuda entre gritinhos de dor e prazer - Não vale tirar mais do que um! oh Monroe achas que o risotto chega para esta malta? Quem sabe abrir ostras, grandalhões fofões??
Levanta-se de chofre do chão, fartinha de ver agulhas imundas a espetarem-se-lhe nos pés - “Vou mas é também tirar eu uma foto àquela cisterna gigante e olhar para o solestício através de um golpe de rins”.
Monroe fica só, rodeada dos rapagões, que querem ser fotografados, esquadrinhados, emoldurados, para toda a eternidade, e ainda de pensamentos elevados naquela tarde em Veneza, que agora se vislumbrava em carne e osso, distrai-se com os petizes.
- Quanto calças pá? És mesmo grande...e tu quanto medes? ai ai ó Doutoral isto é demais, devem comer tanto! E cheiram bem, hmm. Cheiras a quê, coelhão? - coloca os óculos Chanel, retoca o lenço vaporoso na cabeça, a mini-saia de estilista e ainda o verniz vermelho dos pés.
- És donde, és donde? - pergunta enquanto dispara freneticamente. Eles vão respondendo, Split, Zadar, Pula, Dobrovnick, Hvar, Preka, até que um no meio deles diz rapidamente..”Austrália”. Doutoral sai disparada da cisterna onde se tinha dedicado à meditação internacional e grita - IMPOSTOR! Manda esse fora! YOU'RE a Fake!
- Get out, GET OUT!!! - grita Monroe impelida pela amiga, e nervosamente pega na câmara para apagar a foto do virus quezilento.
- Hei! Baby. You don’t know where is Australia? I’m a surfer, I’m a real shark, look at my teeth… - Monroe distrai-se da câmara e olha de frente a dentadura branca do rapagão que tanto lhe fazia lembrar… - Iogurte! Quero um iogurte yankee! - diz num tom mandão e mimado.
- Olhe lá, hvala, hvala, quanto custa esse iogurte de aloé vera, prego, por favore - pergunta Doutoral Mamalhuda acelerada a um vendedor que passava por ali, de fio dental e rede negra nos quadris estreitos e apertados. Num vaipe lançou-se ao vendedor e esbofeteou-o até o pobre largar todos os iorgurtes, vencido e prostrado pelas falanges destruidoras do australiano enfurecido.
Monroe e "Shark" comeram avidamente o iogurte, que cobria agora meia parte da cidade velha em vagas de branco húmido, enquanto Doutoral se rebolava no creme que tão bem lhe fazia à pele.
- Afinal vocês são bons no iogurte, gostam é? Não sabia…pensei que fossem os gregos - diz Doutoral fazendo um gesto rápido à amiga que lhe responde em sinal afirmativo piscando depressa e bem o olho esquerdo.
- E trufas? acrescenta retocando o baton e disparando o anti-ceptico para o seu pé violado e um pouco para o ar, num gesto já batido como se fosse a colónia Issey Miake.
- Sabes uma coisa que me lixa Monroe? Larga lá o rapaz e ouve-me que o que te tenho pra dizer é de extrema importância. O perfume que comprei no aeroporto não tem vaporizador, não sei usar aquilo, para além…
É interrompida por uma voz tímida com uma tonalidade estranhamente fanhoza “ Duopo la precuria l'agua calma...ciertamente...duopo la tempestade l'agua pura...duopo lo...”
- Que diz ele Doutoral? Não percebo nada de espanhol ou de italiano ou lá que é, o que diz?
- Tenho medo Monroe! É o anão! Fujamos! - lançando com ganas o Eau D'Issey que embate certeiramente numa cabeça arredondada, LM&DM fogem deixando cair os 21 Adonis e o Shark em calda.
Correram com quantas forças as pernas mandavam mas ainda puderam ouvir “ Vratite se nazad tako da kliknete na "back" gumb u vašem browseru ili kliknite ovdje. Hrvala ,hrvala!”
- Tchau bellos!!! - Acenaram.
- Miloje te!!!
Here we are in this big old empty room, staring each other down,
U want me just as much as I want U, let's stop fooling around
Take me baby... kiss me all over... play with my love
Bring out what's been in me for far too long
Baby, u know that's all I've been dreaming of
Do Me Baby, like u never done before
Give it to me till I just can't take no more
Do Me Baby, like u never done before
I want u now, I just can't wait no more, can't wait...
Here we are looking for a reason for u to lay me down
For a love like ours is never out of season, so baby please stop teasing me
what ya do, I can never love no other, u're the best I ever had
Whenever we're not close to one another, I just want u so bad
So Do Me Baby, like u never done before
Give it to me till I just can't take no more
C'mon, Do Me Baby, like u never done before
I want u now, I just can't wait no more
I said ooo...ooo...oooo...ooooooo
Do Me Baby, Do Me Baby, give it to me
Do Me Baby, I want u now
Do Me Baby, give it to me
Do Me Baby, Do Me baby, don't wanna do it all alone
I want your love.
Do Me Baby, give it to me
Do Me Baby, This feeling is too strong, make me wait 2 long, I want u now
You're leaving me no choice
OK, what are u gonna do...u just gonna sit there and watch? alright...
are u sure u don't wanna close your eyes?
...well, isn't it supposed to take a long time?
I'm not gonna stop till the war is over...
Help me! there...ok...ok
I'm so cold....just hold me
Prince 1983
Foi hoje e já foi tarde. Levantou-se sem acordar quanto mais lavar a cara. Dirigiu-se à porta de entrada em passos trôpegos mas largos. Abriu a porta e em dois passos alcançou a porta dele. Tocou. Ele abriu com a guitarra na mão. "Toca mais baixo! Pá!" e não fosse ele não perceber levou o dedo à boca em sinal de silêncio e para reiterar encostou a palma da mão ao ouvido esquerdo e, inclinando ligeiramente a cabeça para o mesmo lado, fechou os olhos. Adormeceu durante uns segundos. Quando os abriu tinha um rapaz alto, careca, de óculos quadrados, especado à sua frente. "Sim?" perguntou, ainda estremunhada. O rapaz acenou positivamente, e de boca aberta mirou-a lentamente de alto a baixo. Ela fez o mesmo, olhou-se a si própria, do peito aos pés. Ao levantar a cabeça olhou-o nos olhos em busca duma explicação. Virou-lhe as costas e voltou para casa, humilhada, orgulhosa, triunfante.
“Depois da tempestade a bonança”. Dediquei o sábado a arrumar as gavetas violadas por mãos alheias, tanta coisa espalhada pelo chão, objectos que jaziam naquelas gavetas há tanto tempo que se auto promoveram a recordações. No meio da roupa fora de moda, estavam papeis que, prontamente, apanhei do chão para deitar fora. Porquê papeis no meio da roupa, ainda me perguntei, e pegando no primeiro percebi que não estavam ali por acaso, tinham sido guardados. Papeis que se não guardam noutro lado senão na gaveta da roupa interior. Sentei-me na cama para ler. Agora, ao escrever isto para ti, ouço os Nocturnos de Chopin e a carta que transcrevo torna-se ainda mais bonita. Num impulso resolvi escrever-te uma outra, para iniciar o novo ciclo, pensando bem já temos a idade delas, mas não resisti a escreve-la em formato electrónico para evidenciar o sinal dos tempos. Duas gerações de amizade indestrutível é a coisa mais bela do mundo. Isto só vem confirmar o que falávamos no outro dia, “contra o nosso amor ninguém pode...” que milagre! E qual de nós irá primeiro???!!
Pois cá fica. Chora pequenina chora! Eu já chorei.
QUERIDA LUISA
Tirei ao fim da tarde a carta do correio. Pensei:-Leio-a já, ou logo? Antes logo. À noite, já deitada, sem barulhos, muito quentinha, calma e sossegadinha. E assim pensando fui até à praia. Esqueci-me que era o dia do Senhor do Povo, das multidões, dos grandes e dos pequenos e...principalmente dos veículos. Pensei: em qual destes irá o “Senhor”? Respondi: em todos vai um senhor ou....ou uma senhora. Estúpida! Eu perguntei o SENHOR! E SENHOR SÓ HÁ UM!!!!....Ah! respondi, “Então isso já não sei". Quando cheguei à estrada marginal aguardei imenso tempo até poder atravessar. Ao lado havia 2 casais, cada um com uma criança ao colo, à espera que algum “senhor” parasse para deixar passar. Mas os senhores iam muito apressados e eram muitos. E eu pensei: “mas se há um só SENHOR, como “ela” diz – O TAL SENHOR – onde está ele? Quanto a mim devia estar aqui, para que não passassem só os “senhores” mas os outros também. “Não vês, respondeu, que Ele está além, lá no alto, e vê tudo?” Ah! Respondi: Então, deve ser por estar tão alto que, embora vendo tudo, vê tão mal! Tola! Não se diz mal do Senhor. Ele conhece os nossos pensamentos! Ah! Respondi: Que indiscrição!!!!
Cortando através dos senhores, do povo, dos veículos e sob o olhar do outro “Senhor” lá cheguei à praia. Olhei bem para longe, caminhei pela tal estrada que levava ao outro lado, de Além, onde estava « a Luisa, a rapariga mais bonita que vivia para lá do mar...» mas o mar estava muito zangado, as ondas eram muitas e muito altas e a certa altura a estrada deixou de se ver. Fiquei parada. Olhei, olhei muito longe, estendi o braço mas a distância era muito grande. Voltei para trás. Dei de caras com o povo, com os senhores, os veículos, todo um monte de coisas que já “vinham”. Eu ainda ia. Mesmo assim quando entrei no motel, a bicha ia até à porta. É claro que mais uma vez voltei. Agora fazia parte dos que “vinham”. Antes de entrar em casa fui ao “lugar”. À entrada estava um grupo de velhos sentados ao sol. Eu disse “Boa tarde!” Eles responderam: “Boa tarde menina”. Entrei no lugar e perguntei: tem manteiga? Não senhor! E leite? Não senhor! Pronto. Até à próxima. Não achas Luisa, que cada um daqueles velhos, mais o homem do lugar podiam ser um SENHOR? Não achas que devia haver mais que um Senhor? Que andassem aqui mais ao pé de nós e não só um que olha lá do alto e observa e lê os nossos pensamentos? Que vissem quando precisamos de atravessar a rua e dissessem que todos os dias são de todos e não há um dia para todos, porque o “Senhor” disse?
Enfim, melhor seria ainda que cada um visse quando o outro precisa....
...voltando do lugar cheguei a casa. Fiz um desenho para a Joana. Falta pintar. Depois de ter feito coisas sem grande importância e estar pronta para me deitar telefonei-te: só disse coisas feias e queria dizer-te coisas bonitas, mas é como se estivesse intoxicada. Vou precisar de muito tempo para que o que diga seja sempre bonito e agradável. Entre as coisas que queria dizer-te é que gostava muito de tentar pintar-te (isto para não fugir completamente à conversa dos quadros....)!!!! Mas já tenho 2 quadros, muito pequenos claro, que imaginei.
Quando acabei de falar convosco fiquei contente por ainda ter a tua carta para ler.
Era linda e fez-me bem lê-la. Não há nada mais bonito do que o Amor das pessoas. Fiquei comovida, apeteceu-me dar-te muitos beijos.
A flor era linda, linda e apetece imenso fazer uma história com ela.
Esta carta não a mando para Lagares. Fica junta com os presentes. Desculpa ser feia e mal escrita.
Com um beijo da Rosário
Maybe love is not for me
Maybe love is a dream thing
That I don't dream
e se te dissesse que te senti a falta mesmo não existindo tempo?
e que fotografei os meus olhos em contra luz porque é assim que vejo os teus?
que corri e gritei para apanhar o comboio depois de me ter embebedado num trago?
e que andei de lenço na cabeça para escapar aos gafanhotos, com o vestido branco que mudou de cor e que pouco me importei?
e se te contasse daquela boleia no carro vermelho de Pekra a Cver com a música aos berros "niet gazoline" diziam eles...
da queda de lambreta e do prazer de sentir o sangue e a linfa a escorrerem do joelho pela perna até ao pé? e se te dissesse que dormi no convés e que no chão estendida observei os rapazes e percebi os seus jogos e danças de sedução?
que persegui crianças com a minha máquina e as imobilizei contra vontade? que fotografei ilhas, o pôr do sol e o quarto vazio, que não falhei nenhum cliché?
e se te contasse que fui apanhada pela polícia num acto ilegal?
e te mostrasse o que assentei no meu caderninho? Poetry will be seen in the final flash of nuclear annihilation,
silently screaming, 'I told you so!' esta estava numa parede, mas há mais.
e se te dissesse que fiz desenhos sem olhar para o papel e que cantei alto com os auscultadores nos ouvidos “Just a Perfect Day” do Lou Reed.? que comi mal, arrotei e esfreguei a barriga sempre que me apeteceu? e que me deliciei ao sentir a água a passar por entre as pernas quando mergulhei nua?
e se te pedisse que me explicasses porque tenho vontade de te dizer isto?
e te dissesse que não sei para quem falo, que sem corpo não há espaço nem passa o tempo e que a única razão para gostar de ti é gostar de mim a pensar em ti mas que não deixo de desejar a tua boca?
head phones/cassettes, máquina fot. descartável underwater, toalha, aspirinas, livro O engenheiro do tempo perdido, passaporte, não esquecer o creme protecção 60, foda-se o chapéu onde está? O guia da croácia, é importante...1 par de meias, cuécas, saia das riscas, vestido branco (vai ficar limpinho), biquini, tampões, calças da tropa, ténis vermelhos, t. shirts. A mala a mala quem me dera a mala...! A lua está linda, a lua mais linda que já vi. Concentra-te. Os bilhetes. Cartões, os cartões, no money no sex. Uma camisola de lã, esta não que pica... Odeio fazer a mala, até parece que não gosto de partir... Chinelos pretos, sandálias. Oh a lua! E esta música...miles crashing me by, crashing me by; esta vai comigo para se fundir com o adriático. Lindo, bonito chegou a hora, e a mala...o que falta? Deixa-me cá ler a lista outra vez. Portanto...6 t. shirts, 7 cuécas, 1 par de meias...tá bem. Tabaco! Comprar cigarros, importantíssimo. Não. Deixo de fumar. Não deixo nada. A mala ai...a lua, o barco a passar, a música, lindo... 213344523 “Está? doutoral já fizeste a mala? O que levas? Tá bem pronto é só que...té logo” Hmmm, vejamos... oooh me and the dragon can push the pain away...and she said - my sweet prince you are the one...never thought a have to retire, never thought she fuck with my brain, never thought she would brake the chain…and she said - you are the one… ui música triste, não percebo bem o que ele quer dizer…esta não vai não. Mala, a mala, que canseira...
Blue light
There's a blue light in my best friend's room, there's a blue light in his eyes, there's a blue light, yeah I want to see it shine.
There's a ship that sails by my window, there's a ship that sails on by, there's a world under it
I think I see it sailing away…
I think it's sailing,
Miles crashing me by
Crashing me by,
Crashing me by
There's a world outside my doorstep, flames over everyone's heart, don't you see them shining?
I want to hear them beating for me.
I think I hear them
Waves crashing me by,
Crashing me by,
Crashing me by
Mazzy Star
...No need for words now
...And ooooh...
The city sunset over me
...Don't ever change no baby
...And ooooh...
The city sunset over me
Sabes lá, ontem fui jantar com uns amigos, verdade seja dita eram mais mulheres do que homens, na realidade era tudo mulheres menos um que era homem. Não sei se o homem se sentiu mal por estar no meio de mulheres, mas apanhou uma bebedeira daquelas que não se vêm à mesa a partir de uma certa idade. Pensava eu. Fartou-se de gritar comigo o homem, porque queria muito que eu gritasse com ele, acho. O pior é que ele gritava mas não dizia nada e eu só consigo gritar a sério se houver algum assunto. Então o homem foi buscar o assunto e gritava sem qualquer argumento…era só para me chatear, acho. As minhas intenções eram outras, aliás querido diário, as minhas intenções são sempre outras, e são boas, acho. Vim para casa a pensar quais serão as intenções de um homem que pretende apenas massacrar, chatear, é aborrecido, acho. Disse o homem que este blog era um nojo, oh! Que pena, pensei eu, o gajo é um idiota, acho.
Mais giro, querido diário, é que ele vai ler-te, ele gosta de ler merda, acho.
Adeus querido diário, vou de férias, vão ser lindas, espero.
Estou vibrante, sinto-me orgulhosa. Rodopio como um pião novinho em folha. Como é possivel que, a um texto tão modesto e simples, como eu aliás, possam ter respondido as maiores eminências do mundo, de todos os tempos, de todos os campos do pensamento e em todas as profundidades??
Numa época em que os outros postes deste Motel se dedicam exclusivamente ao tema sexo, estas cabeças passaram por cá e deixaram o maior contributo que este Motel, senão mesmo todos os outros blogs, jamais teve e terá. Oito dias de brainstorming num total de (até agora) 47 contribuições inegavelmente indispensáveis para a estética, a arte, a filosofia e a cultura em geral.
Muito, muito obrigada queridas cabeças, que as vossas bocas não se calem. Nunca!
P.s.
Prusidente: citando o amigo da sua amiga "it's TREMENDOUS!!"
Não resisto a editar duas intervenções no tema aberto à arte:
"a poesia é para comer".
hoje a arte, mais do que para deleitar (cf conceito da poética clássica), é para ser apropriada, usada, manipulada (cf edónea teoria utilitarista vs utilitarismo) ingerida, comsumida rápido, e, por que não, fodida?
sexo, sexo, sexo, prazer, comer, arte, tudo facetas de uma só pedra: a grande pedra deste século de clichés e cabeças formatado-alienadas pela cultura de massas. viva, pois então (e isto é para ti, alexis-yourcenar) a pop art e o gay power! vão lá averiguar, filósofos e comunas de merda, onde começou a pop art. vá, andem, saiam do micro e entrem no macro, onde tudo é mais baratinho e de fácil (in)digestão, como voces gostam.
Afixado por: caverna em julho 16, 2004 05:27 PM
11:28:Comentário em: a relatividade da palavra
Minha querida, nesta posição entre a economia e a teologia, a totalidade do mundo visível é glorificada e legitimada nos desígnios da incarrrrnação, da carne, entendes? Seu nome denota a conformidade espiritual e do corpóreo que é o que permite que o sentido do segundo termo seja encontrado no primeiro, ehhh, e, minha querida, a menina esqueceu-se do Tio Miguel? Por onde tem andado, não leu os livrinhos que lhe dei, ai ai, mas eu continuo, para si, só para si, há quem diga minha piquena, que a Boaventura é a contemplação admirável dos cinco sentidos espirituais em conformidade com os sentidos corpórios. Isto é lindo, meu amor, aproveite a juventude, vá, vá....!
• por M. Tamen
Li ontem uma notícia interessante num jornal local aqui da capital. Parece que construíram um condomínio daqueles de luxo (é amarelo de certeza) na zona de Alcântara. Segundo o jornal, os apartamentos foram adquiridos por gente importante, magnatas, ministros e candidatos a ministro. Isto porque o condomínio, para além de ser amarelo e ter as janelas aos quadradinhos à maneira de solar (i.e. uma casa de família há várias gerações) também é dotado de segurança acérrima à cause du danger (lembro-me agora de ir de carro pela estrada marginal, era eu de tenra idade, e de ver uns sinais de trânsito triangulares que diziam “perigo” e por baixo “danger”, terei então perguntado ao meu pai o que era um “perigo danger”, tendo ele respondido que era um perigo ainda mais perigoso). Dizia pois o jornal, numa expressão algo indignada, que têm vindo a acontecer uns fenómenos estranhos no dito condomínio dotado de piscina, e que por azar foi construído por baixo da ponte 25 de Abril. Não era de prever esta ofensiva e portanto não foram pensados nem radares nem defesa anti aérea, mas a crua realidade é que os habitantes e o condomínio têm vindo a ser alvo de ataques vindos de cima. Precipita-se regularmente no solo a mais extraordinária variedade de coisas, tais como pneus, garrafas, colchões, toxico-dependentes, cães, pedaços de automóveis, e até fardos de palha, pondo em risco, cito, “a vida dos moradores”.
Thirty spokes are made one by holes in a hub,
By vacancies joining them for a wheel's use;
The use of clay in molding pitchers
Comes from the hollow of its absence;
Doors, windows, in a house,
Are used for their emptiness;
Thus we are helped by what is not,
To use what is.
by Marshall McLuhan
«You see, Dad, Professor McLuhan says the environment that man creates becomes his medium for defining his hole in it. The invention of type created linear, or sequential, thought, separating thought from action. Now, with TV and folk singing, thought and action are closer and social involvement is greater. We again live in a village. Get it?»
in The New Yorker Magazine, Inc., 1966
uma topada numa esquina duma porta com o pé descalço à uma manhã...não foi agressão a não ser contra mim própria. um médico a olhar fixamente, analisando o mindinho. no mínimo ridículo, uma tala, dois dedos atados e as unhas pintadas de vermelho. terá sido castigo????!!
doi que se farta. vim para casa elevar o chispe e ficar a vê-lo a derreter gelo durante três dias. foi o que o médico disse. o my precious recomendou que eu fizesse tudo o que o médico disse. ainda bem que só disse isto e que me largou o mindinho ao fim de 15 minutos. e o que é que isto vos interessa? e lá estou eu preocupada com o que vos interessa?! doi-me o pé e a cabeça. cambada de foles, deve ser da música mesmo. da “ la folie” que marcou tantos, começando pelo prusidente, o inadaptado. Fdx. poupem-me! eu hoje ouvi Cure, só ouvi Cure e vou ouvir só Cure durante estes três dias. amei aquele homem, mais o baton borrado e a voz desajeitada. é como eu a voz. tinha fugido com ele se fosse maior no dia em que parou à minha frente, ali, olho no olho. fiz-me maior, estiquei os peitorais. nada, topou-me. deixou-me. fui abandonada pelo meu primeiro amor. – Robert! Take me with you! Sou uma criança sub alimentada, não és da Amnistia Internacional? Fuck…- não resultou. é feio o gajo, esquece. nunca esqueci, o meu primeiro amor não correspondido. é preciso começar tão cedo a sofrer de amores? é. é preciso! é para veres o que a vida custa. é o amor e o dedinho do pé ahahah esta teve graça, para quem perceber. vou a coxear para a Croácia, aproveito para fazer lá a fisioterapia, dizem que os países de lestes são muito avançados na recuperação de mindinhos. será verdade?
obrigada ó do da carapinha, gostaste de fazer de ambulância? és o meu anjo da guarda. vá responde sei muito bem que andas aí. cuida-te que eles andem no meio de nós! pensando melhor acho que és um deles. claro! como é que nunca tinha pensado nisso? basta olhar para ti, tens mesmo cara de extra terrestrial. fora o resto hihih. como é que te chamas lá no teu planeta? Fliziecz? Zinensaqz? cambada de esquisitoides. gentalha como disse o my precious. e o que é que eles andem a fazer no meio de nós? vá pa-ra-a –tu-a-ga-la-xi-a!! a humanidade não precisa dos vossos préstimos para sair da selva. a malta gosta disto assim. a comermo-nos uns aos outros. a realidade é uma doçura. o resto é filme tás a ver? os problemas estão nos dedos dos pés. e uma foot massage tem muito que se lhe diga. disse o Travolta. mas é filme, percebem? e a serra dos monges ali a olhar para mim. imóvel como eu. eu e ela fixas. olho no olho. bem bom.
All I Want
Tonight I'm feeling like an animal
Tonight I'm howling inside
Tonight I'm feeling like an animal
Tonight I'm going wild
And all I want is to be with you again
And all I want is to hold you like a dog
And all I want is to be with you again
With you again
Just to hold you like a dog
Tonight I'm screaming like an animal
Tonight I'm losing control
Tonight I'm screaming like an animal
Tonight oh I'm getting so low
And all I want is to be with you again
And all I want is to hold you like a dog
And all I want is to be with you again
With you again
Just to hold you like a dog
That's all I want
The Cure in Kiss Me Kiss Me Kiss Me, 1987
Dear Prudence, won't you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It's beautiful and so are you
Dear Prudence won't you come out and play
Dear Prudence open up your eyes
Dear Prudence see the sunny skies
The wind is low the birds will sing
that you are part of everything
Dear Prudence won't you open up your eyes?
Look around round
Look around round round
Look around
Dear Prudence let me see you smile
Dear Prudence like a little child
The clouds will be a daisy chain
So let me see you smile again
Dear Prudence won't you let me see you smile?
Hoje apetece-me mais do que tudo o que me apetece. Provar-te, morder-te, roer-te, aproveitar-te. É que hoje és tudo o mais que me apetece. Cheirar-te, trincar-te, lamber-te, absorver-te e consumir-te demais.
É o tudo e o ainda mais o que hoje me apetece.
Dizia eu: A Vida é Bela!
Dizia Diderot: Como se explica que quase todos os homens estejam de acordo em que existe um belo; que entre eles tantos haja que o sentem vivamente onde se acha, e que tão poucos saibam o que é?
in Traité du Beau
Dizia o outro: Uma mulher bela não é o mesmo que uma bela mulher.
Mal o intrépido Castellani entrara a trote na imaginária floresta de Hrvatska, quando percebeu o retorno, esbaforido, do seu escudeiro, o anão Point Noir. Implorava o pobrezito por socorro, pois atrás dele, galopando com um espadão em riste, vinha um possesso, ameaçando decepar-lhe a enorme e por isso irresistível cabeça. Não demorou para que Castellani e o desconhecido que entoava “La Bohème” travassem um estridente duelo. A luta só terminou com a chegada providencial de um outro cavaleiro, o Bigode Milanês, que, depois de degolar as donzelas malvadas, que, com olhar vingativo, assistiam à refrega, os fez cair em si. Elas haviam-nos endemoniado para que se matassem entre irmãos, quais bellissimas bruxas feiticeiras, uma loira como o trigo que alimenta os bravos, outra angulosa como as montanhas onde se refugiam os guerreiros. Passado o efeito do feitiço, os irmãos reconheceram-se e, abraçados, saíram para mil outras aventuras, inocentes e absortos às vozes que de longe, qual vento por entre as arvores da floresta, assobiavam - sólo en la caída se identifica qué es el cuerpo y qué el alma.
I know who I am
I'm not who you think I am
- Do you like my legs?
- Oh yes, they walk perfectly! Do you like mine?
- Yeah sure, they walk a lot. I like that. Are you o.k.?
- I am as I can be…
- Can’t you be a little bit more?
- Yeah, maybe but I’m not certain.
- Can you try? Look around and watch them. Do you feel the flow?
- Yeah! Fuckin’ special this town.
- We’re walking with the flow…
- Walking fast… I am a little bit more now!
- I can feel you coming up. Me, I am all I can be, even if I’m not able to talk.
- Hey! Let’s follow the van!
- Yeah, let’s eat green hamburgers with green ships…
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
I'm rock
I'm roll
Nat King Cole
Schatzakovic drowning in a fish bowl
Earthling something you can never get a hold of
Baby took a load off
And then she strolled off
Whistling
Hummin'
Thumbin' a ride
"Driver won't you take me to the other side?"
I'm a book
A poem
By Leonard Cohen
Son of the dice man
And I won't stop throwing
I'm Boris Karloff
The man they could not hang
I'm a ruffneck romantic
Talkin' that slang
I'm Jesus Christ superstar
Driving around in an old yellow car
I'm jumping on the balcony
Landing on a bigger man
I can fly
I fly to Japan
Hail stones falling on my dreads
Reminding me of something Hendrix said
Tunes from the room
Come back on many levels
Sounds from the earthling swing and dishevel
I'm Pollyana in the way that I portray
Poo poo
La la
I kiss you on a good day
Hey little beetle
Sliding in my bath
When you flip on your back
You really make me laugh
I used to kill worms when I was a kid
Like Mr. Mclaren, someday I'll kill Sid
Crazy how my girl wants a simple life
She's a simple schizophrenic but we get along fine
I'm a young parisian,
Maybe I'm mistaken
Maybe I'm cuban
Maybe I'm jamaican
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
I never say "never"
I always say "more"
I know the score
I know what to look for
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
Kickin' like a kung-fu Shakespeare
Another girl another planet
On the corner, just wasted
Oh gosh
Oh gosh
Oh Juliette Binoche
I'm on my way to Babylon, by bus
I'm a big bloke
When I smoke, I don't choke
"Hi Malachi" let's talk about hope
In the beginning
Head spinin' make me dizzy
I'm the mirror man
So don't ask who is it
London is my city
Jamaica's my country
Africa's my history
It ain't no mistery
How I came to be
Earthling-free
Sitting in Ilford watching TV
Where's Uhura
On an adventure
Did she touch your sexual centre?
Cursing
Never seen an earthling
Never seen a microphone
Microphone
Now i'm all alone
Lost in my head
On the road until tomorow
I'm double demented
Like William Burroughs
P to the I to the M P
Pimp
Sako Urinocho reading Iceberg Slim
I'm Marcus Garvey
I'm Harvey Keitel
I'm the ghost of a dog chasing Edie Brickell
It's crazy perplexing
I'm hexing like a haitian
I'm an Arowak Indian
Picking pockets like Fagan
I know who I am
I'm not who you think i am
I know who I am
I'm not who you think i am
I know who I am
I'm not who you think i am
I know who I am
I never say "never"
I always say "more"
I know the score
I know what to look for
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
I know who I am
I'm not who you think I am
I know who I am
I'm Michelangello working on a totem pole
I'm Gallileo studying Shinto
I'm the rest of the earth giving birth to a baby
Grasshopper, tell me about slavery
I'm in a sauna, watching television
Yeah, Tripitaka gave me permission
I'm that man in 1686
Saying black people come from venus
Yeah
I saw her reading poetry
Practising verses
What's the meaning of 33 degrees in the morning ?
It ain't easy man
It ain't easy
1st Transmition
by Earthling in Earthling radar
Adquiri um ear massage, para pensar em si, Moço.
Que é o tempo? (Um mistério: é imaterial e omnipotente!) - É um movimento ligado e relacionado com a existência dos corpos no espaço e com a sua marcha.
Então deixaria de haver tempo se não houvesse movimento? Não haveria movimento sem tempo? Haveria espaço se não houvesse corpos? Ai. Aonde os corpos senão no espaço?
Quem é que consegue imaginar um tempo finito e um espaço limitado? Não! eternos e infinitos, evidentemente. O que está para lá do espaço? O que acontece depois do tempo? Eternos e infinitos é uma solução muito melhor. O Hoje não é o Ontem, o Aqui é diferente do Ali. Nada morre, tudo se transforma, é o que o tempo acarreta em movimentos circulares, redondos, em que o Hoje contém o Ontem e o Amanhã.
Quando a mente esquece o corpo, não há espaço nem há tempo não há limites infinitos e eternos.
NO COMMENTS
- Viste, Monroe?
- Vi. afinal também há praias em portugal...
- Não é isso. Viste o jogo? Da croácia?
- Oh! Ah pois vi! Prnicipalmente o guarda-redes.
- Já viste quanto tempo falta???
- CROACA! OAC OAC OAC falta pouco, cada vez menos..
- E quantos trabalhos até então...quantas dores e insónias...
- Pois, é assim Doutoral,..os génios...têm sempre senões.
- Encontrei algo em comum…
- Encontraste algo?! isso é bom.
- A música como alucinação! A arte como porta entreaberta para mundo de abstravao.
- Cão, digo.
- Ai sim..para quem . ..cão? com um cão?! Mamalhuda? Música e um cão?
- Nao, minha querida, música e três cães! E uma batuta!
- Ah por isso a marca editora dos discos..de música clássica..o cão e o gramofone!
- A dar o ritmo. Sim! Isso mesmo. O grande cão do mundo!
- Oh, lindo o grande cão abstracto da música!
- Mas eles empregam música exactamente por ser tão impalpável e por isso a interioridade das personagens… que alucinam...
- O cão músico da arte abstracta!
- E através da música pensam ver mundo de uma forma mais essencial e verdadeira
- Sim, a música ela própria. Lindo! Daqui até lá são só vitórias Doutoral Mamalhuda, estás em forma!
- C
- R
- O
- A
- C
- I
- A
- !!
- Fuckin' 37 years old...
- Mergulha fundo, Enfia-te mais, hoje é tudo teu tudo Especialmente....
- Ontem...foi ontem.
- Pois, mas já me conheces, chego sempre tarde, perdoa.
- Perdoa o quê??
- Shmak! dá-me mais , toma lá outro hmm, shmak!
POLÍTICO é o nome comum que se dá a 3 filos de animais. A maior parte dos políticos tem corpo alongado, mole, sem pernas, com a cabeça e a cauda praticamente iguais ao restante do corpo. Mas existem alguns políticos mais complexos que outros. Por essa razão, é necessário examiná-los com mais cuidado.
O corpo dos políticos é formado por três camadas (as esponjas e os celenterados só têm duas camadas): o ectoderma (camada externa), o endoderma (camada interna) e o mesoderma (camada que fica entre as outras duas.)
Uma outra diferença importante entre os políticos e as formas de vida inferiores a eles é o sistema nervoso. Nos celenterados, as células nervosas são mais ou menos espalhadas pelo corpo do animal, mas nos políticos elas unem-se formando cordões nervosos que começam em gânglios na extremidade anterior do corpo. Esses gânglios não formam um cérebro verdadeiro, mas funcionam como centros sensoriais e de controle motor.
Finalmente, os políticos possuem células especializadas para a eliminação de resíduos. Esses rins rudimentares desenvolvem-se em órgãos reais nos anelídeos verdadeiros.
Apesar desse início de centralização e de especialização das células, os políticos ainda possuem a capacidade de se regenerar: um 1º ministro cortado em cinco pedaços pode reconstituir cinco outros ministros. A reprodução sexual, porém, é uma excepção. Embora possam ser hermafroditas, os políticos apresentam glândulas sexuais diferenciadas e algumas espécies, como os deputados, acasalam. Os políticos vivem em vários ambientes: em água doce, em água salgada, na terra e muitos deles são parasitas. Os anelídeos verdadeiros (minhocas) são menos aptos para a vida parasitária do que os outros políticos.
Número de espécies: 20.000
- Eu?- respondeu. - Sim talvez. - E apesar de tudo, havia no seu sorriso e na sua voz um pouco dessa emoção que se produz, quando, depois de prolongadas relações mudas, se profere a primeira palavra - uma emoção maliciosa que secretamente faz entrar todo o passado no instante presente.
in A Montanha Mágica de Thomas Mann
A música é o coração do homem; o sangue que, partindo dele, faz o seu percurso circulatório, transporta calor, vitalidade e cor à carne, exterior, mas aos nervos do cérebro leva-lhes por alimento a efervescência de uma força motriz. Sem a actividade do coração, a actividade do cérebro seria um artifício mecânico e a dos membros exteriores do corpo um gesticular mecanizado, destituído de sentimento. É por intermédio do coração que o entendimento se sente ligado à totalidade do corpo e que o homem sensorial se eleva à actividade do entendimento.
Ora o órgão do coração é a sonoridade; e a sua linguagem artística consciente é a arte da sonoridade, a música. A música é o completo e efervescente amor do coração, que confere nobreza à voluptuosidade dos sentidos e humanidade à ausência de sensibilidade dos pensamentos.
Richard Wagner in A Obra de Arte do Futuro, Antígona, Lisboa, 2003. Tradução de José M. Justo
But if you do get into deep thinking, our razor sharp teeth will make a meal out of your thoughts! Before you can even think…
Oh yes, there’s logic in it but don't let that lull you into thinking things are going to be easy.
The evil Madame Satan is determined to destroy the peaceful clients by using the power of Prusidente to crush them into submission. Enfiada Especial, is dedicated to stopping her before Prusidente is unleashed. You can use Moço de Recados’ Slow Time spell and Power Up Bow to finish off the somewhat cheeky Assussora Remota. These 3 female are a serious threat to you in any chamber where they appear. They have to be brought down quickly. A Sweet Word or Erotic Rifle is the best way to take care of them. If you face them as male, rush them or throw boulders at them to clear them from your mind.
Mestre rarely appears, but that's more than enough. This native creature uses its massive cruel words to crush anything in its path, including you if you get in the way. The only way to stop him is to shot a direct sentence into his open mouth. The same to Controlado pelo Tráfego Aéreo, but this guy has the ability to throw rocks and whatever else he can get his hands on. Playing catch with Controlado is never a good idea.
Throughout all rooms in MOTEL PRUSIDENTE , Escriturário will be a constant thorn in your side no matter why you're in. This guy is a constant threat. To bring him down, use explosive words.
Prusidente is the workhorse of the Motel, but don't let his size and slow speed fool you. His powerful emotional traps can disorient you for several minutes, making it impossible to use rational points of view or clear abilities. He attacks from a distance with sniper thoughts.
You can't see us, so avoid deep browse at all costs.
"Ever feel kinda down and out, you don’t know just what to do
Livin’ all of your days in darkness, let the sun shine through
Ever feel that somehow somewhere you lost your way
And if you don’t get a help quick you won’t make it through the day
You could call on Lady Day!
You could call on John Coltrane!
They’ll wash your troubles, your troubles, your troubles away
Plastic people with plastic minds are on their way to plastic homes
There’s no beginning there ain’t no ending
Just on and on and on and on and on,
It’s all because we’re so afraid to say that we’re alone
Until our hero rides in, rides in on his saxophone
Or could you call on Lady Day!
You could call on John Coltrane!
Now ‘cause they’ll wash your troubles, your troubles, your troubles away
Your troubles, your troubles, your troubles
Your troubles, your troubles, your troubles away"
It's difficult you see
It's difficult you see
It's difficult you see
It's difficult you see
Uns dizem-me que gostam do silêncio e da solidão, a solidão no meio de muitas coisas. Não sei se percebi bem. Visualizo uma imagem. Daquelas que agora se vêem nos filmes. Uma imagem parada na qual a câmara vagueia, por entre as pessoas e os objectos paralisados. E de repente tudo recomeça. Enfim foi o que eu vi nessa frase de solidão no meio de muitas coisas. Ouvi uma história triste e logo a seguir um a dizer que se matava porque ia deixar de ter problemas… tudo estava demasiado bem por isso não queria mais. E outra que dizia estar apaixonada, no entanto mal disposta. Ouço-me então a dizer de mim para mim que realmente a felicidade não tem forma nem aparência, a sua essência é o que se sente nas profundezas mais recônditas do coração e o que vive e reina no fundo do ser; que eu cá canto, todos os dias, de manhã e à noite para a manter acordada. Mas cada um sabe de si.
Hear the music
Say the word
See the light
Trying to hurt
Let it comes
Let it goes
Diamond memories
Go with the flow
"I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
Watch you weave then breathe your story lines
And I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
Keep track of the visions in my eyes
While, she's deceiving me,
It cuts my security (has)
she got control of me
I turn to her and say:
Don't switch the blade on the guy
in shades; oh no
Don't masquerade with the guy in shades;
oh no, I can't believe it
You got it made with the guy in shades;
oh no
I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
Forget my name while you collect your claim
And I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
See the light that's right before my eyes
While she's deceiving me,
she cuts my security( has)
She got control of me
I turn to her and say
Don't switch the blade on the guy in shades
(oh no)
Don't Don't mess around with the guy in shades
( oh no) (I can't believe it)
don't be afraid of the guy in shades
(oh No) (It can't escape you)
he can't escape you cause
You got it made with the guy in shades
( oh no)
I said I wear my sunglasses at night
I wear my sunglasses at night
I wear my sunglasses at night
I cry to you now I wear my sunglasses at night
I wear my sunglasses at night"
Introdução e Versão Musical de Tiga & Zyntherius
Letra e Música (excepto introdução) de COREY HART
Tento forçosamente lembrar-me de quando comecei a andar. Não me lembro. Sei, pelo que mais tarde vi, que não deve ter sido fácil. Como consegui começar a falar?! Tantas ideias, tantas coisas por dizer, tantas perguntas. Alguém me mandou falar? Não. Fi-lo porque é da minha natureza. Qual é a mais eficaz forma de opressão sobre os que têm a mesma natureza que eu? Como se lhes tira a liberdade e os reduz a nada? Simplesmente não os deixando andar para a frente e convencendo-os a ficar calados. Não me digas espera aí. Não finjas que me ouves!
Jean Cocteau, Le Rappel à l'Ordre, 1926
and the worst feeling for a common mortal is to miss something that he never had. Acontece-me sempre nos primeiros dias de verão...o que me diz senhor doutor??
Senhor Prusidente,
reunidas em alegre convívio, suas fãs pensam e falam em V. Exª.
Não obstante tal facto lhe passar ao lado, como cão por vinha vindimada, vimos por este meio expôr a nossa ordem de trabalhos:
1. Foi indagada a sua altura, em cm.
2. Foi igualmente questionado o seu tamanho de polegar e de punho, pelo que pude escutar chegou-se mesmo ao percentil encefálico e tamanho de pé.
3. Coeficiente de inteligência e coeficiente emocional.
4. Endurence coital, em h.p.
5. Capacidade licorosa, em litros.
6. Velocidade de estimulação.
7. Volume toráxico.
8. Volumetria do plexus principalis (o pai de todos), em cm3.
9. Performance da língua, em r.p.m.
10. Capacidade de encaixe.
Podem comentar.
There is a margin of error inherent in every form of navigation due to the limits of methods themselves… May I say that I don’t give a shit?
You may wish to use traditional scientific devices such as maps or a compass to help you walk around the city, or you may prefer to use less exact means…
My own methods are orientation, sound, smell and horizon, shall I say that I’ll make personal errors more likely than others? And I mean it; I don’t give a fucking shit.
We walk; I don’t want to get there straight away. I don’t ask you, I can’t tell. And you say, like once one has said, “eastward I go only by force, but westward I go free”. You go westward Piccadilly Boy, west is calling you, and I go eastward while I wander why wherever you live the rich always lives in the west. I’m not able to tell, but I want to smell the real, I want to see the “hands on”, and to understand who is creativity.
The plan is:
1. Invite strangers to hold your hand while you cross the road.
2. Hold hands with strangers without their permission.
3. Hold hands with as much people as you can in order to create a row, which connects east and west, facing north.
I just can’t tell.
Londres, White Chapel, this is Friday and I’m late.
- Qu’est-ce autre chose que la vie des sens, qu’un mouvement alternatif qui va de l’appétit au dégoût et du dégoût à l’appétit, de l’appétit au dégoût et du dégoût à l’appétit...
- J’ m’en fous !
- Ta gueule, laisse-moi finir ! Car j’ai peur, j’ai peur du grand méchant…l’amour sans amour. La vilaine bête !
- Je m’en fous !
- Écoute moi ! Je te dirai comment je me suis mis dans sa gueule, combien de nuits ce grand méchant m’a sauté, comment j’allais le caresser…
- Et tu m’as aimé ? Un peu, beaucoup, trop, pas assez ou pas du tout ?
- J’ai pleuré pour un rien, ça c’est déjà beaucoup, mais toi, tu n’as rien dans le cœur !
- Car qu’est-ce autre chose que la vie des sens, qu’un mouvement alternatif qui va de l’appétit au dégoût ??
- Ah et je suis là pour je n’ sais qui pour je n’ sais quoi. Tu m’as pris pour je n’ sais quoi pour je n’ sais qui.
- Et moi je n’ sais ce qui m’a pris de venir ici.
- Si, c’était trois fois rien, trois fois rien entre nous, évidemment…
- Ferme les yeux CRACK ! Embrasse-moi SMACK !
- Nhoc !
- Chmec, sniff, hmmm
- Mais oui !
- Ah oui ! nhoc, shlep.
- hmmm, hm ah , uh oh !!
- Mais NON!
- Mais OUI!
no outro dia saí. ainda vi uns gajos a tocar, era a Janis Joplin e o John Travolta. cantavam Pink Floyd à moda dos bee gees ela era homofóbica e ele um gay irritante. até era gira aquela merda, só não vi o e.t. porque quando dei por mim estava a rodopiar entre duas paredes de espelhos, nos braços de um molato bonzão. senti-me o pirata das caraíbas e o que eu gosto é de puxar o autoclismo com a botifarra cardada. perdi o cantil que levava escondido nas cuécas mas o meu super amigo pagou-me uns copos, foi aí que tentei entrar no iate dos vips, queria ver o que era aquela cena, porra! todos engalfinhados dentro do iate. fui à confiança mas fui apanhada, toparam-me. caguei e fui estrebuchar mais um coche ao som dos beatles remix, cena fixe “this is not dyyiiinng...” bué alucinante. bué da people, gajos bons e gajas boas. “estranhas estranhas até que entranhas” disse-me ele. xáu! qual cinderela que se faz tarde. a merda do despertador tocou estava eu a na parte melhor dum sonho é sempre assim. 3 horas de sono, e toca a ir prá labuta, ainda a sonhar, a completar o sonho, tem que ser, tem que ser, bruxo?
Se pensa que vai entrar num MOTEL recheado de surpresas, de conversas animadas, de teorias sentimentais , de música, de sonhos e pesadelos, de desejos e até de sexo, está enganado!
Este Motel já teve a sua época. É que tudo tem o seu tempo, depois...é inevitavelmente o declínio. As camas estão por fazer, as portas dos quartos não têm fechadura, o restaurante já não funciona, só serve ginginhas em copos de três (querem pior?). Na recepção encontrará uma boazona decadente a limar as unhas, que por aqui se manteve sem razão, e que pela mesma razão se vai embora. Para quem gosta de fenómenos espectrais, talvez valha a pena dar uma espreita, é que vive um fantasma no Motel Prusidente, uma mulher que se enfiou e se perdeu num dos quartos e que ainda hoje é vista a vaguear captando imagens dos poucos que se atrevem...
O que aconteceu? Dizem que foi uma virose. O Prusidente anda por aí a carpir e os outros seguiram-lhe os passos. A Madame Satã foi de retro com o seu amigo, a Produtora de Inventos e o Mestre foram de Lua de Mel, nunca mais ninguém os viu.
Vos deixo com uma frase do Mestre:
"Perdições"
Amigo sem A não é como Revolução sem R
Amigo sem A, continua a ser amigo é o Migo
E estamos cá é para andarmos de braço dado.
ATÉ SEMPRE!
I have a dream that one day this city will rise up and live out the true meaning of its creed. I have a dream of a Giant Wheel in Parque de Monsanto! And this will be the day when all of God's children will be able to sing with a new meaning! (toda a gente tem porque não havemos de ter nós também?) I have a different dream everyday!
Santana Lopes on Martin Luther King
Ai mulher se visses o que eu vi! O que foi? estás com cara de caso...Vi o homem , o homem mais belo que jamais vi. Oh, esse já eu conheço qual é a novidade? Não é esse burra é um ainda mais do que esse. Ainda mais do que o que jamais viste? caramba! o que é que ele tinha diz lá, e levanta-te que está toda a gente a olhar. Não consigo, ele passou e eu fiquei assim - decúbito dorsal, é a única posição que consigo suportar. Dá-me a mão e desembucha que te vai ajudar a sair desse transe. Tu não me compreendes, ninguém me pode compreender. Pois não, realmente é difícil, o que é que este tinha de especial..vá isso levanta-te. Tinha uma tatuagem na cabeça! E...?! Com o meu nome!!
Sweet F.A.
I was rolling down the window of my car
And I was thinking where the game had got me so far
Doesn't matter where you're going or where you're coming from
Or is your life just like a grain of sand?
Fuck all else
Well I was rolling down the highway of my dreams
And I was wondering about highward sunsets and the silver screen
Doesn't matter where you're going or where you're coming from
Or is your life just like a grain of sand?
Fuck all else
Doesn't matter where we're going or where we're coming from
Or isn't life just like a grain of sand?
Fuck all else
Rolling down the highway in a dream
I was rolling down the highway in a dream
Just rolling down the highway in a dream
Just rolling...
Just rolling...
Love and Rockets in Sweet F.A.
- hmmm... Monroe casando-se com doutoural? promete, esse casamento... onde vai ser? no golfinho do forte s. julião? convidem-me, pleese! não quero perder essa aliança das boazonas! prometo que não vou ser chato! - diz a. Castellani o Conti Visconde muítissimo di Verona, acrescentando - no forte de s. Julião, "às 5 en punta de la tarde"...a hora da união com... o amor e com Lorca?
"Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde"
Rivezoer entra de rompilhão com o mau humor típico dos manga de alpaca:
- As meninas não têm mais nada para fazer? Ainda se fosse com amor... talvez me desse ao trabalho de as descodificar... agora assim...
- Ainda se fosse com amor???! Acha por acaso que é casamento por conveniência? - responde a.r sentindo-se ultrajada.
- quem pensa o senhor desdenhar descodificar??? vá lá para a aridez da sua existência e deixe em paz matérias de que desconhece em absoluto suas regras! chiça! - exclama de longe uma amiga desconhecida, uma das do grupinho lésbico que de longe se avizinha.
- Casamento entre mulheres e começam por aí a aparecer as amigas todas. Calminha meninas, calminha! - acrescenta assussora remota com alguma sensatez. Entra então de novo o conti Visconde muítissimo di Verona com sua espondilose aquinosante e profere:
- corações ao vento, caras poetas-amantes!
não discutam ninharias , casem-se à vontade, lancem guinchos ao vento e aos golfinhos, que eu cá me retiro, mas não sem antes colar minha tristeza às palavras do Poeta (Jimenez)
Se morirán aquellos que me amaron;
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y en el rincón aquel de mi huerto florido y encalado,
mi espíritu errará, nostálgico…
Embora um pouco atrasado no andamento da conversa Rivezoer dá dois passos em frente e fitando o público justifica-se:
- Esperem...houve aqui um dislate... eu queria dizer amor... porque me dedicaram a mensagem com amizade.... e eu queria amor... amor?
- Com muito AMOR, Senhor Rivezoer, sempre! - brada assussora remota que, coitada, considerava aquela palavra sua propriedade.
É então que a. Castellani, deixando cair para o chão a sua capa que vagamente trazia à memória a capa do conde drácula, e baixando o queixo proeminente herdado de sua mama caca confessa, transfigurando-se, não sem sofrimento:
- assussura amiga, não obtive resposta daquele delírio lupino-milanês... cai-me a alma aos pés! nada. silêncio. escafedeu-se. seria o outro disfarçado, decidido a perturbar até a tão inócua novidade virtual?
Ao som de acordes sintéticos entra, elegante, segura e moderna, Enfiada e num tom calmo que a caracteriza profere cantando a uma só voz:
-caro castellani, sinto por si!Esperava ansiosamente novidades.
Talvez até um convite de casamento um pouco mais longe do que o forte de S. Julião...Mas além de a esperança ser a ultima a desfalecer, o espaço sideral é infinito. - o tom de voz eleva-se e prolonga-se - FORÇA! - entra assussora e cantam a duas vozes, uma soprano outra contralto:
- Peça, Castillani, peça tudo o que quiser. Peça amor, mimos, beijos, festas tudo o que for bom e vier por bem
A orquestra toca em força o leit- motif de a. Castillani. Este, mantendo ainda um visual androgino, avança e canta (a sua voz de tenor revela a sua alma masculina):
- caras damas, obrigados pelas palavras amigas, souberam-me que nem ginjas!
pat, querida, pois é, os reveses da fortuna são sempre inesperados, foi-se o nosso lobo, mergulhou no mundo real e despediu-se da mãe-terra-gaia...
assussora, cara, como não acreditar nesse seu optimismo inquebrantável de cibernauta experiente? rendo-me à sua clarividência e lembro-me do seu lema vital (começa por "vul", sabe?)
A orquestra toca fulvurosamente, Castellani a voz ao máximo:
- mime-me, mime-me, mime-me com todo o calor do seu coração ENORME! este ser desgraçado rejubila quando lhe fala assim!
E termina a congratular-se pela condição humilde daquele a quem tanto adorava:
- Feliz sou porque amo e sou amado, sem ter que alterar ou ser alterado!
FIM DA PRIMEIRA PARTE
Opereta baseada em comentários verídicos numa entrada dedicada a Rivezoer.
"(...)Só quando o pensamento consegue, de modo simpatético e sem reservas, mergulhar na sensibilidade, na carência real e sensível, pode então participar na actividade da não-consciência; e só aquilo que nasce por via de uma carência não-arbitrária e necessária, ou seja, o acto real e sensível, pode por seu turno chegar a ser objecto satisfatório do pensamento e do saber; (...)
daí que vós, os inteligentes, não sejais de facto inventores de coisa alguma; o inventor é o povo, porque é a falta, a privação, que o impulsiona para a invenção: todas as grandes invenções são realizações do povo, ao passo que as invenções da inteligência mais não são do que expropriações, derivações, quando não desmembramentos e mutilações das invenções do povo. Não haveis sido vós a inventar a linguagem, mas sim o povo; o que haveis conseguido foi tão somente arruinar-lhe a beleza sensível, cortar-lhe a força, obrigá-la a perder o entendimento íntimo, e depois passar a investigar esforçadamente tudo o que ela perdeu. (...) E é a vós que me dirijo com estas palavras, não ao povo, porque poucas palavras há para lhe dizer, e mesmo o apelo: «Faz como tens que fazer!» é-lhe supérfluo, porque o povo por si próprio, faz como tem que fazer. Dirijo-me, pelo contrário a vós, e faço-o no sentido do povo, embora necessáriamente usando o vosso estilo, a vós os inteligentes, os prudentes, para vos oferecer também, com toda a generosidade do povo, a redenção que vos possa arrancar ao feitiço egoísta em que vos encontrais (...)".
Richard Wagner in A Obra de Arte do Futuro (1849), Antígona, Lisboa 2003.
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Chico Buarque
when one realizes that the basic cause of his unhapiness lies nowhere but in himself and other people are merely influences, he is taking the first step toward his human revolution.
*Antigamente devolvia-se o anel, rasgavam-se as cartas. Contigo não. Estás colado a mim. Invadiste-me sem eu reparar. Não há canto, não há gaveta desta casa em que te não encontre! No armário, marcas na parede mais recôndita, caril super picante na despensa… Pensei que tinha deitado tudo fora, mas tu brotas por todos os poros desta casa. Fizeste de propósito, deixaste restos…o que é aquele creme com um nome esquisito no armário dos remédios? Ah sim? Vai para o lixo, então...e escreveste na minha lista telefónica, uma pasta em teu nome no computador, no meio dos meus papeis encontro post-its com os teus gatafunhos. O que vale é que lês pouco esqueceste-te dos livros que te dei, ah esses não deito não... até capas de CDs ficaram para ali, sem nada lá dentro! E desenhos e mais desenhos, não precisas deles? Pensei que tivesses levado tudo, mas não, o que faria se vivesses comigo…ah pois foi como se vivesses, nunca é tarde para admitires, e porquê é que eu gostava? sim, huummm, pensando bem, do que é que eu gostava em ti? Não estou a ser cínica, não me lembro mesmo....não, amanhã é sexta, não vou estar em casa.
pronto liguei o turbo, aqui vou eu ... e tenho os homens do ar condicionado em cima da minha cabeça
Adoro rock a partir, gosto quando o som entra a toda velocidade e me bate com força no cerebelo. Preciso disso, é uma necessidade cíclica, sazonal, que interrompe dramáticamente longos períodos dedicados à música clássica, downtempo, electropop....
Eu também sou assim, longos períodos de calma são interrompidos repentinamente (numa questão de segundos) por fases em que predominam os saltos e os estrebuchamentos, há quem lhe chame sacudir a poeira, no entanto eu não costumo ter poeira, assim, em cima dos ombros. O que eu chamo a isto é tesão. Tesão pela vida, pelo que não se vê, nem se sabe, só se sente.
My love is bigger than your love
We take more drugs than a touring funk band
Sing it!
My love is bigger than your love
Sing it !
My love is bigger than your love
Sing it!
Hhhhhhhiiiiiiiiiiiiiiiiiirrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
tatratatratatratatratatratatratatratatratatratratata
heeeeeeeeerrrrrrrrrrrrhhoihhoihiiiiiinnnioih
rrrrrrrrrrrrõenõeõenõerrroõeeeeeeee
My band is better than your band
We've got more songs than a song convention
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
And we're all going straight to hell
My dad is bigger than your dad
He's got eight cars and a house in Ireland
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
When we gonna torch the restaurant?
Sing it
When we gonna pay the guide dog?
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
And we're all going straight to hell
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
When we gonna torch the restaurant?
Sing it
When we gonna get inside it?
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
My love is bigger than your love
Sing it
And we're all going straight to hell
mclusky in mclusky do dallas, 2002
"Mais de 3000 suspeitos de terrorismo foram já presos em muitos países e muitos outros tiveram um destino diferente. Digamos assim: deixaram de constituir um problema para os Estados Unidos." George W. Bush, discurso do Estado da União, 2003
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 14 de Maio de 2004
(...) P.S.: E agora, que o nosso Governo de direita se prepara para privatizar mais uma empresa estratégica - a Galp - e que, a fazer fé no que consta, o Carlyle Group se apresenta como potencial vencedor do concurso, talvez fosse interessante aprendermos mais sobre esta empresa americana, que dá trabalho a Carlucci e a Bush-pai e que entre nós aparece associada ao ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Martins da Cruz (não há uma lei de incompatibilidades para situações destas?). Se quiser saber mais sobre a Carlyle - que, nos últimos anos tem surgido ligada a negócios estratégicos nas áreas do petróleo, armas e "combate ao terrorismo"- aconselho ao ministro Carlos Tavares a leitura do livro de Dan Briody ("The Iron Triangle - Inside the Secret World of the Carlyle Group"). Para depois não se vir refugiar na decisão de uma "comissão de sábios independente".
De cada vez que George Bush atravessa um momento particularmente difícil, em que navega à vista sem objectivos políticos claros, a Al-Qaeda parece prestar-se a vir em seu socorro. Foi assim com o 11 de Setembro, que escancarou a porta a toda a espécie de legislação e comportamentos de excepção, abrindo profundas fendas num património acumulado em 228 anos de Estado de direito, mas justificadas e consentidas em silêncio pela necessidade de combater eficazmente o terrorismo. E foi assim agora novamente, com a divulgação das imagens aterradoras da decapitação do cidadão americano Nicholas Berg, na altura em que Bush e a sua Administração enfrentavam o escândalo dos abusos cometidos sobre presos iraquianos.
Mas não confundamos as coisas, conforme muitos se apressaram rapidamente a fazer: a Al-Qaeda não existia no Iraque, até os Estados Unidos o terem invadido. Foi a invasão e ocupação do Iraque que deram a Bin Laden e seus seguidores a oportunidade operacional, política e popular de se instalarem também eles no "bazar" iraquiano. E, como já toda a gente de boa-fé percebeu, longe de ajudar o combate ao terrorismo, a aventura iraquiana veio potenciar o terrorismo, desviando as atenções e os esforços do combate à Al-Qaeda, dando carta branca a Israel para sabotar definitivamente todas as veleidades de uma paz definitiva na Palestina e espalhando o ódio à América e ao Ocidente em todo o mundo árabe e muçulmano, onde o terrorismo organizado encontra agora um terreno cada vez mais propício ao recrutamento de voluntários.
Não impede que as imagens do bárbaro assassínio de Nicholas Berg tenham vindo no momento decisivo para contrabalançar as outras imagens da prisão de Abu Ghraib. Porque não adianta ter ilusões: a maioria da população americana, como o demonstram as sondagens, não ficou particularmente chocada com as imagens dos abusos, humilhações, torturas e sevícias sexuais cometidos pelo Exército americano no Iraque. O que os chocou foi a divulgação pública dessas imagens e por isso agora discute-se abertamente se mais e piores imagens existentes e conhecidas de alguns devem ou não ser divulgadas. Mesmo antes do "site" da Al-Qaeda ter divulgado o vídeo da execução de Berg, já havia senadores republicanos a dizer que bastava de autoflagelação e antipatriotismo, porque não há guerras "limpas", em especial contra o "terrorismo". E, no momento em que o "Washington Post", o "New York Times" e o "L.A.Times" exigiam a demissão de Rumsfeldt e o "Herald Tribune" escrevia que "o mundo espera por um sinal de que o Presidente Bush entendeu a gravidade daquilo que aconteceu... começando por exigir a demissão do secretário da Defesa", o que Bush fez foi deslocar-se propositadamente ao Pentágono para fazer o elogio público do sinistro Rumsfeldt e agradecer-lhe o seu "excelente trabalho" no Iraque.
Não há ingenuidade alguma naqueles que se esforçam em ver nos retratos da prisão de Abu Ghraib apenas um episódio isolado. Primeiro que tudo, as próprias imagens em si são perturbantes pelo que implicam para além dos factos retratados: os prisioneiros nus, o sadismo e exibicionismo sexual, os cães, a mulher-soldado que puxa um preso por uma coleira, tudo aquilo é desagradavelmente familiar - lembra os campos de presos geridos pela Gestapo. Em nenhum exército do mundo os soldados se comportam assim e ainda se fazem fotografar (são centenas de fotografias, não umas dúzias!), sem que haja uma cadeia de comando que incentiva, consente ou encobre deliberadamente tais actos. Por isso mesmo é que, entre aqueles que se indignaram com estas imagens nos Estados Unidos, estão não apenas democratas, imprensa e organizações cívicas, mas também círculos militares que não se conformam com a imagem degradante que as fotografias fornecem sobre o Exército americano.
Em segundo lugar, aquelas fotografias não revelam apenas factos isolados, mas são sim a documentação que faltava para demonstrar o ponto a que pode chegar um país que progressivamente se vai colocando à margem da lei. É má-fé, e não ingenuidade, pretender que as coisas acontecem por acaso ou por ocasionais e "condenáveis desvios" . Quando George W. Bush se recusou a submeter os soldados americanos à jurisdição do Tribunal Penal Internacional, não ratificando o tratado assinado pelo seu antecessor, quando fez tábua rasa da 3ª Convenção de Genebra, assinada pelos Estados Unidos em 1949, fazendo de Guantánamo uma zona de não direito, onde os presos não têm estatuto civil, nem político nem militar, e onde o Exército americano, como sucedia na Argentina dos generais, nem sequer identifica quem está preso, é evidente que a mensagem transmitida de cima para baixo, do Presidente ao mais simples soldado, é clara: vale tudo, tudo é permitido porque a nossa impunidade é total.
O que está a acontecer com o clima moral dos Estados Unidos vai muito para além de Abu Ghraib ou Guantánamo. Aqui está uma nação que humilhou publicamente Bill Clinton - o Presidente que lhe assegurou a maior prosperidade económica das últimas décadas - porque ele manteve relações íntimas com uma secretária na Casa Branca. Acusado do grave crime político de ter mentido, por se ter recusado a incriminar-se a si próprio, foi devassado e enxovalhado na sua vida privada à vista do mundo inteiro e por iniciativa da maioria republicana do Congresso.
E aqui está uma nação que, a seguir, aceitou sem pestanejar um Presidente que se fez eleger com batota na contagem dos votos, que transformou o excedente orçamental herdado de Clinton num astronómico défice, que falsificou os relatórios sobre a situação ambiental nos Estados Unidos e no mundo para dar carta branca a indústrias altamente poluidoras de amigos e aliados políticos, que ignorou negligentemente os avisos sobre a iminência de um ataque terrorista em território americano, que começou a congeminar a invasão do Iraque assim que tomou posse, para depois se exibir como "Presidente de guerra", que fabricou provas e mentiu deliberadamente aos americanos e aos aliados da América sobre os fundamentos para a guerra, que fez tábua rasa da carta da ONU, dos tratados e convenções internacionais de que os Estados Unidos são parte, que já sacrificou perto de mil vidas de soldados americanos e uns milhares de milhões de dólares numa ocupação militar sem solução à vista e onde os únicos que até agora ganharam são os seus amigos do governo ou próximo dele ligados à indústria de armamento e de petróleo, e cujo Exército, finalmente, se dedica a seviciar os presos confiados à sua guarda. E que se prepara para ser reeleito, numa espécie de redenção póstuma ao general Custer, derrotado no século passado por esses outros "selvagens" que eram os índios do Faroeste.
Este homem, este Presidente americano, é perigoso. O seu governo é perigoso. Esta América é perigosa. Deles se pode dizer o mesmo que o "Herald Tribune" disse de Rumsfeldt: "A sua crescente soberba e arrogância transformou-se numa deliberada cegueira." Quem viver verá.
O que lá vai lá vai. Deve deixar-se ficar onde morreu. Desenterrar os mortos pode ter consequências imprevisíveis!
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo por tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrimas
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
E agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.
Chico Buarque in Construção
Já o sol se põe entre os montes, os seus corpos repousando numa postura de abandono, derretem-se, fundem-se com o verde. Duas cotovias rodopiam alegremente. Como os pássaros, elevam-se as duas almas flutuando em pensamentos sublimes. Já não pensam. Os corpos estirados no chão, nús, puros, fundidos com o espaço vazio, com a àgua, com o ar que respiram, com o silêncio do campo que os envolve e absorve. Os seus espíritos voam para longe e conciliam-se com o mundo. Os corpos não se movem, inertes para sempre, assim o desejam, para sempre.
- Estás com uma carinha...esse sorrisinho não me engana.
- O que foi??
- Estás mesmo com carinha de quem deu uma queca, das boas! Hahahahahah!
- Não dei queca nenhuma, sorry desiludir-te.
- Olha agora armada em sonsa! A mim não me enganas tu querida, conheço-te como às palmas das minhas mãos, mas se não queres contar, tudo bem, fico melindrada mas tens esse direito...dizem...
- Pois...é...tenho o direito ao silêncio, não quero conspurcar aquilo que vivi, foi bom demais para estragar com palavras porcalhonas vindas dessa tua boca carnuda e sexual.
- Bem...estás mesmo armada, eu? A minha boca sexual?? Ahaha, deixa-me rir e a tua é o quê, sua taradona!
- A minha boca...não sei, só sei que não dei uma queca, foi muito diferente amiga...
- Então conta lá, estou curiosa sobre esse fenómeno, não me digas que experimentaste aquilo que é aclamado por “fazer amor”, bolas, bolas Monroe, poupa-me que não há pachorra, qual é a diferença diz lá?? Vá...
- Foi estranhamente diferente Doutoral, asseguro-te, primeiro não o beijei, encostei a minha cara à dele, ficámos assim, a sentirmo-nos um ao outro, ao de leve, foi arrepiante, depois ele começou a dizer-me coisas ao ouvido...
- Hmmm...
- Isso mesmo hmmm, foi o que dissemos um ao outro enquanto passávamos a cara um no outro, enquanto enrodilhávamos e misturávamos os cabelos, devagar, tudo muito devagar, ficámos horas assim.
- Assim? Horas?!
- É...
- E depois?
- Depois nada, ele teve que ir e eu também.
- E o resto?!
- O resto nada, não há resto, foi tudo.
- E estás com essa cara??!
- Qual cara?
I’ve got you under my skin
I’ve got you deep in the heart of me
So deep in my heart, that you’re really a part of me
I’ve got you under my skin
I’ve tried so not to give in
I’ve said to myself this affair never will go so well
But why should I try to resist, when baby will I know than well
That I’ve got you under my skin
I’d sacrifice anything come what might
For the sake of having you near
In spite of a warning voice that comes in the night
And repeats, repeats in my ear
Don’t you know you fool, you never can win
Use your mentality, wake up to reality
But each time I do, just the thought of you
Makes me stop before I begin
’cause I’ve got you under my skin
Frank Sinatra
Senhores e Senhoras:
Queremos interessá-los, fazê-los sair das vossas inibições, descontraí-los. Queremos fazê-los participar. Queremos que tenham consciência da vossa participação. Queremos desenvolver em vós uma forte capacidade de percepção e acção. Por favor ponham em prática:
PROÍBIDO NÃO ENTRAR, PROÍBIDO NÃO ESCREVER, PROÍBIDO NÃO USAR, PROÍBIDO NÃO PARTIR.
Não obstante a mafiosa “proposta irrecusável” do Prusidente, também eu me vou ausentar por uma parelha de dias, portanto, os freios estão nos vossos dentes.
Até breve.
isso dêm-me dead lines, muitas. eu que tenho querelas com o tempo, o rei abstracto. por isso fixem-no, marquem-no, digam-me que ele existe, dêem-lhe um corpo e serei sua vassala, escrava, concubina. as dead lines uh é vê-las correr com o tempo, o imperador dos Capricórnios. eu nada tenho com elas, faço corridas no hipódromo, ganho sempre, sou campeã. no fim espeto-lhes o dedo, o pai de todos. tôma! na corrida de 100m dou-lhes 50 de avanço. sou mestra, sou a abelha mestra.
Era uma da manhã quando eles se resolveram, andavam a discutir o assunto há já alguns dias e chegara o momento. Ele é muito para elas, não tudo, mas quase tudo. É o que as inspira, dir-se-ia, o que lhes dá gás para se moverem.
Aproveitem, lembrem-se que estar vivo é um milagre, desafiem a vida aos limites, não a poupem, não se poupem. Esta viagem passa num instante, acaba de um dia para o outro caraças, será preciso estar quase morto para dar valor ao tão simples facto de estarmos vivos?
You look so fine
I want to break your heart
And give you mine
You're taking me over
It's so insane
You've got me tethered and chained
I hear your name
And I'm falling over
I'm not like all the other girls
I can't take it like the other girls
I won't share it like the other girls
That you used to know
You look so fine
Knocked down
Cried out
Been down just to find out
I'm through living for you
I'm open wide
I want to take you home
We're wasting time
You're the only one for me
You look so fine
I'm like the desert tonight
Leave her behind
If you want to show me
I'm not like all the other girls
I won't take it like the other girls
I won't fake it like the other girls
That you used to know
You're taking me over
Over and over
I'm falling over
Over and over
Drown in me one more time
Hide inside me tonight
Do what you want to do
Just pretend happy end
Let me know let it show
Ending with letting go
Let's pretend happy end
Garbage in Version 2.0, 1998
À medida que me aproximo dos quarenta estou cada vez mais sexual. Adoro mulheres . Cada vez gosto mais de mulheres, estou louco por elas, apetece-me fodê-las todas, não as posso ver passar só me apetece é comê-las de toda a forma e feitio, a todas, bonitas, feias, novas ou velhas. Estou cada vez mais sexual, já disse à minha mulher, ela sabe de tudo. Pedi-lhe para fazermos amor com outra mulher e ela não se importou, mas não sei como fazer, alguém me pode dizer como isso se faz? A minha mulher é dez anos mais velha que eu, “recuerdarás nuestros dias felices, recuerdarás lo sabor de mis besos”, e adora a Luz Cazal. Quanto a mim sou pintor, já reconhecido no mundo da arte, exponho na galeria 111, vendo os meus quadros todos. Lixa-me ter sucesso neste meio de “tias” que escolhem os quadros conforme as cores dos sofás, mas tenho que comer e foda-se passo metade do tempo no atelier a bater punhetas. Diga-se a verdade. "A Vera com outra, as duas, uma com a outra, eu ficava a ver, nem precisava de lhes tocar", venho-me só de pensar.
O meu atelier está um caos, porra, foram lá uns clientes ver as minhas obras, estava tudo de pernas para o ar, sexo em toda a parte, só me veio à cabeça – "pinto como o Jakson Pollock mas em vez de tinta uso sémen, sémen por todo o lado, lançado ao acaso, num gesto desesperado de desejo, por isso é que não veêm nada, por isso é que as telas estão atiradas para o chão mas os senhores não podem ver, não não é arte gestual é arte sexual" - foda-se! estou a enlouquecer, como é que se arranja um “ménage à trois”???
From The Air
Good evening. This is your Captain.
We are about to attempt a crash landing.
Please extinuish all cigarettes.
Place your tray tables in their
upright, locked position.
Your Captain says: Put your head on your knees.
Your Captain says: Put your head on your hands.
Captain says: Put your hands on your head.
Put your hands on your hips. Heh heh.
This is your Captain-and we are going down.
We are all going down, together.
And I said: Uh oh. This is gonna be some day.
Standby. This is the time.
And this is the record of the time.
This is the time. And this is the record of the time.
Uh-this is your Captain again.
You know, I've got a funny feeling I've seen this all
before.
Why? Cause I'm a caveman.
Why? Cause I've got eyes in the back of my head.
Why? It's the heat. Standby.
This is the time. And this is the record of the time.
This is the time. And this is the record of the time.
Put your hands over your eyes. Jump out of the plane.
There is no pilot. You are not alone. Standby.
This is the time. And this is the record of the time.
This is the time. And this is the record of the time.
Laurie Anderson
Mommy, can I go out and kill tonight?
I feel, I feel like taking a life.
Please, I wanna seal the kitchen knife
and feel, feel like taking a life.
Rippin kittin kidding on the round
Daddy, can I go and haunt tonight
like you do on Sunday mornings.
Honey, give me a real gentle knife
to feel, feel like taking my life.
Rippin kittin kidding on the round
Mommy, can I go out and kill tonight?
I feel, I feel like taking a life.
Please, I wanna seal the kitchen knife
and feel, feel like taking a life.
Mommy, daddy, please let me go
Cara Senhora Assussora,
Entendo perfeitamente a sua "revolta" e assumo inteiramente a responsabilidade, pois admito ter sido o único elemento do grupo a escolher as ditas peças para o posterior envio.
Quanto à rapidez da satisfação de um "pedido" que lhe foi dirigido, deve-se apenas e unicamente ao facto da Senhora Assussora Remota deixar facilmente a sua imaginação fértil fugir ao encontro do seu médico dentista, e à estimulação que o dito cujo efectua nos seus "caninos". Custa, não custa? É a vida...!
----- Original Message -----
Às vezes as coisas correm tão bem que fico desconfiada. Aliás fico desconfiada antes delas correrem, por isso é que correm mal e são tantas as vezes, que fico desconfiada quando correm bem. Um círculo vicioso provocado pelo meu olhar perscrutor sobre as coisas e as pessoas. “A mania que sabe, é o que é, armada em boa”. Mas não foi o que se passou há dias.
Nesse dia estava naturally high, estado de espírito provocado por um incidente previsto e especialmente agradável. Estava disposta ao que desse e viesse.
Estavam à minha espera e foi com agrado que me deparei com o Cão. É assim que lhe chamo, a um dos meus primos. Não o via há que séculos, é daqueles que ficou do lado de lá ou pelo menos foi o que eu pensei na altura e até então não voltara a pensar nele.
Apertei-lhe o nariz e arrebitei-o até aos limites, como fazia em pequena, dizendo em tom de “está quietinho senão apanhas”: “Cão cão, nariz de porco!” ele deixou, recostando-se na cadeira e avisou-me entre dentes que a mulher não achava graça nenhuma a essas brincadeiras, não porque tivesse ciúmes mas porque achava um disparate. “Caguei! Cão com nariz de porco! Rosna!”, “Lembras-te que eu te dava o pão que levava para o liceu em troca do teu nariz de porco?” “Passavas fominha só para eu fazer nariz de porco, não era priminha?” “Ficava esfomeada mas deleitava-me com esta visão. Como é que um simples nariz pode mudar uma pessoa por completo!?”.
Já experimentaram? Vão ao espelho e façam nariz de porco, garanto que não se reconhecem! É lindo.
-.......xxxy.., sussurrou-lhe ao ouvido.
-.. o medo reside na incapacidade de lidarmos com as coisas. respondeu também em sussurro.
- ah! suspirou.
Ninguém é responsável pela vossa felicidade. Do mesmo modo que vós não sois responsáveis pela felicidade de ninguém. É um erro comum a todo o mortal fazer-se depender dos outros, das coisas, do ambiente para conseguir sentir o valor da sua vida. Resumidamente, não se deixem enganar. Afaguem os vossos corações, afaguem os dos que vos rodeiam, mas não sejam presunçosos, ninguém depende inteiramente de vós. De dentro para fora, homens e mulheres, não é de fora para dentro.
(silêncio)
6
hoje é o sexto dia
sexta morada de silêncio
anotar os nomes das flores e
suas significações emblemáticas
absíntio/amargura, tristeza
asfódelo/coração abandonado
cinerária/dor de coração
glicínia/ternura
junquilho/melancolia
silindra/recordações
anotar os nomes das areias e das argilas mais profundas
os nomes dos insectos e dos minerais
as marcas discretas das coisas cortantes
e recopiar algumas palavras de Amers:
...toi que j’ai vu dormir dans ma tièdeur de
femme, comme un nomade roulé dans sons étroite
laine, qu’il te souvienne, ô mon amant, de toutes
chambers ouvertes sur la mer où nous avons aimé.
manter a imobilidade absoluta dos rochedos
recear as falésias onde a lua abriu um sulco
tactear teu rosto disperso pelos ventos
recolher a dor na penumbra do entardecer
anunciar a noite com a ponta de um punhal de veludo
espiar o frémito súbito das estrelas...reler tudo
mantendo o corpo em surdina
WORDSONG
Al Berto
Hoje apetece-me tudo. Hoje apetece-me tudo o que me apetece. Morder-te,
hoje apetece-me morder-te, roer-te, hoje apetece-me roer-te ainda mais. É que hoje tudo o que me apetece és tu. Apetece-me muito mais, trincar-te, lamber-te, absorver-te, absorver-te mais. E mais ainda é o que hoje me apetece.
Faz impressão o trabalho que se tem em se ser superficial
Faz-me impressão o baralho o vulgar e o intelectual
Sinto depressão conforme perco tempo essencial
Sofro uma pressão enorme para gostar do que é normal
Deixo tudo para mais logo não sou analógico sou criatura digital
Tendo para mais louco não sou patológico sou como o papel vegetal
Faz-me impressão ser seguido imitado por gente banal
Faz-me um favor estou perdido indica-me algo fundamental
Acho que o que gosto em mim o que me motiva é uma preguiça transcendental
E em ti o que me torna afim o que me cativa é esse sorriso vertical como uma impressão digital
Sinto-me uma fotocópia prefiro o original
Edição revista e aumentada cordão umbilical
Exclusivo a morder a página em papel jornal
Faz-me impressão o trabalho a inércia faz-me mal
GNR, in Valsa dos Detectives.
“Amor enim, ex quo amicitia nominata est...”
“Ex quo axardescit sive amor sive amicitia. Ultrunque enim ductum est ab amando...”
Cícero
“Porque o amor do qual a amizade recebe o nome...”; “Assim se inflama tanto o amor como a amizade. Porque tanto um como a outra vêm de amar”, Laelius de Amicitia, VIII, 26, e XXVII, 100.
A vida por vezes depara-se-me de uma forma tão bela que me sinto arrebatadamente feliz, no entanto esmagada. Deveria sentir-me leve Senhor Doutor?
-Está?
-Sim?
-Estás-me a ouvir?
-Estou-te a ouvir sim, diz...
- Onde estás?
- Estou no sofá...
-Estás vaga?! Que se passa, esqueceste-te?
-Não, não me esqueci, é que tomei três clonix, estou dopada.
-Três clonix para quê?
-Para acabar com a tesão, foda-se! Como é que tu consegues?
-Porque queres acabar com a tesão? Não faças isso, anulas a tusa e acabas contigo... que grande disparate. Sentes-te bem?
-Sinto-me junkie, super bem, vejo bolas cor de rosa e estrelinhas quando fecho os olhos. Sabes o que é, estou cansada de ser quem sou, de andar praí cheia de tusa por tudo e por nada, quero ser uma mulher vulgar deitada no sofá....
-Bom, se precisares de alguma coisa... diz-me.
-Amas-me?
-Sabes que te amo sempre, sou a tua máquina mimadora.
-Mimas-me? Vem cá mimar-me.
-Estou a ver que o clonix não te fez grande mossa, fico mais descansada Monroe, bolas, que susto!
-Estou bem... sinto-me maravilhosa, vejo meloas frescas a pairarem sobre o meu ventre.
- Diz-me uma coisa, a vida é bela?
- A vida é bela!
«(...) "Ó meus amigos, não há nenhum amigo."
Endereço-me (je m'adresse) a vós, não é assim?
Quantos somos nós?
- Contará isso?
- Endereçando-me assim a vós, talvez não tenha ainda dito nada. Nada que seja dito neste dizer. Nada talvez de dizível.
Talvez deva confessá-lo, talvez nem sequer me tenha ainda endereçado.
Endereçado a vós, pelo menos.
Quantos somos nós?
- Como contar?
- De um lado e do outro de uma vírgula, a seguir à pausa, «Ó meus amigos, não há nenhum amigo», eis os dois membros disjuntos de uma só e mesma frase. Uma declaração quase impossível. Em dois tempos. Inarticuláveis entre si, os dois tempos parecem disjuntos pelo próprio sentido do que, ao mesmo tempo, parece afirmado e negado: « meus amigos, nenhum amigo». Em dois tempos mas ao mesmo tempo, no contratempo da mesma frase. Se não há «nenhum amigo», como poderei, meus amigos, chamar-vos meus amigos? Com que direito? Como me levaríeis vós a sério? Se vos chamo meus amigos, meus amigos, se vos chamo, meus amigos, como ousar ainda dizer, e precisamente a vós, que não há nenhum amigo?
Ora, por mais incompatíveis que pareçam, e votados a anularem-se na contradição, eis que numa espécie de desejo desesperadamente dialéctico os dois tempos formam já duas teses, talvez dois momentos encadeiam-se, parecem juntos, comparecem, no presente: apresentam-se como que de um só traço, de um só sopro, no mesmo presente, no presente mesmo. Ao mesmo tempo, e diante não se sabe de quem, diante da lei de não se sabe de quem. O contratempo sorri ao encontro, comparece a ele sem demora mas sem renúncia: não há encontro prometido sem a possibilidade do contratempo. Desde que há mais de um.
Mas quantos somos nós?(...)».
Jacques Derrida in Políticas da Amizade, Campos das Letras, Lisboa, 2003.
De barriga cheia desandámos directos para as ruas, eu adoro estar perdida mas tu sabias bem onde estavas. Era o teu mundo minúsculo, não cheguei a perceber se gostavas dele ou se te resignavas. Encontrámo-nos com os teus amigos, ouvimos música na casa de uns, não me lembro quem eram, sei que tinham boa música. Depois fomos sair com outros tantos. Um deles falou-me da “Montanha Mágica”, disse-me que convivia diariamente com aqueles personagens, que estava apaixonado pela Cláudia Chauchat, que se sentia Hans, todo ele Hans. E disse que tu eras lindo “Olhem para este homem, ele é tão bonito...”, eu por acaso também acho. Fomos a um bar de portugueses, voltaste a fazer-me perguntas e tiraste conclusões que eu nem queria ouvir. Depois fugimos e infiltrámo-nos no outro lado, para mim um lado estranho e agreste. Cercaram-me, fitavam-me de olhinhos cerrados, eram pequenos e musculados, não percebi o que queriam, tu de mãos nos bolsos gozavas o prato com um sorriso. Pensavam que eu era uma puta russa, e eu deixei-me ser durante uns minutos, mas de repente eram muitos e tu mantiveste-te a gozar o prato calmamente, não me hei-de esquecer do teu sorriso perverso. Desembaracei-me deles, e dançámos os dois. Depois voltámos ao hotel, despedimo-nos e eu subi ao vigésimo e tantos andar. Nos quartos repousavam os da outra dimensão. Lembro-me de ir pelo corredor a dizer o nome deles a cada porta, largando gargalhadas sarcásticas, relutante em voltar àquela zona. Fiz o corredor de gatas, imaginei-os na cama deitadinhos, um a um, elas e eles com os seus cabelos duros e as barbas brancas…"se vissem o que eu vi, se soubessem o que eu sei!" E ria sentindo-me repleta.
...interessante constatar que a mim acontece tudo ao contrário. Sou um caso à parte, um daqueles casos chamados difíceis, pouco óbvios, que se esquivam aos diagnósticos. As minhas reacções não são nada típicas. Por exemplo, não fico triste nos primeiros dias. Fico radiante, toda a gente diz que estou mais bonita e tudo. Adoro a sensação de libertação dos primeiros meses. O poder estar sozinha, não ter que dar cavaco a ninguém, não ter que esperar, não ter que perguntar, não me preocupar, não ter que ter paciência, custa-me ter paciência, cansa-me, mas estou melhor, já vou tendo paciência naturalmente, sem sequer pensar nisso. Sou anormal, não sofro com saúdades, sublimo-as, não caio em melancolia, acho que descanso em nostalgia. E os meus amigos não acreditam, insistem em que estou triste, que estou mal, repetem palavras animadoras, que eu não rejeito mas não preciso delas para nada. Porque quando choro dá-me prazer, e eles não acreditam!
Este delicioso estado de libertação quiçá oposto ao amor perdido, tão estranho a quem me quer convencer de uma raiva que não sinto, nasce precisamente do perdão. “Adeus, desejo-te as maiores felicidades”. É o que eu sinto, dizer não importa. E é ele a ir por um lado e a liberdade, ainda morna, a entrar pelo outro. Sou eu a entrar pelo outro.
Não mato o amor, nem faço por esquecer, deixo-o ficar enquanto ele quiser, mais cedo ou mais tarde transformar-se-à noutra coisa. É inevitável. Melhor ainda, até gosto de o alimentar, a esse amor, pois traz-me à lembrança não ser nem o único nem o último. Quando durmo não gosto de sonhar. Gosto sim de sonhar acordada, consciente, gosto de saber que são ilusões, como outras quaisquer. E transporto-me para outros sonhos muitos mais altos, belos, belíssimos agora que nada me impede.
Às vezes sinto-me mal por me sentir bem, o que acha senhor Doutor?
Os homens que não se mexem na cadeira ao ouvir ou ler Boazona não sabem o que vale a vida. A Loira Monroe ou a Doutoral Mamalhuda com o complemento Boazona, antes ou depois, devem ser as mulheres mais desejáveis do Planeta. Levantem-se, Boazonas, espalhem os vossos encantos.
Controlado pelo Tráfico Aéreo in Motel Prusidente.
doutoral mamalhuda says: entao???
loira monroe says: então o que?
loira monroe says: boa?
loira monroe says: queres-me?
loira monroe says: muito
loira monroe says: hein?
doutoral mamalhuda says: boa
loira monroe says: quem me ama? quem????
doutoral mamalhuda says: vai ser tam bom
doutoral mamalhuda says: Loira
loira monroe says: diz diz
doutoral mamalhuda says: eu
loira monroe says: alguem me ama?
doutoral mamalhuda says: eu
doutoral mamalhuda says: eu
doutoral mamalhuda says: bora nessa?
loira monroe says: ah estou feliz!
doutoral mamalhuda says: queres-me?
doutoral mamalhuda says: vamos amarmo-nos?
loira monroe says: quero pois
loira monroe says: amora
doutoral mamalhuda says: na croácia
doutoral mamalhuda says: não, la, vamos amar homens
doutoral mamalhuda says: ate lá, nós
doutoral mamalhuda says: tu e eu
doutoral mamalhuda says: eu e tu
loira monroe says: amora negra
loira monroe says: saborosa
doutoral mamalhuda says: eu vou arrasar croatas, ke gosto muito de carne eslava
loira monroe says: ui ui ui
loira monroe says: nunc provei!
loira monroe says: deve ser bbooooooom!
doutoral mamalhuda says: hmm
loira monroe says: hm hm hm
doutoral mamalhuda says: caspios nunca aprovei
loira monroe says: chlep
doutoral mamalhuda says: mas ja provei de muitos pontos do globo
doutoral mamalhuda says: vendo bem
doutoral mamalhuda says: te ja
doutoral mamalhuda says: boa
loira monroe says: boazona!
loira monroe says: hmmm ai BOAZONA
doutoral mamalhuda says: sim...
doutoral mamalhuda says: moi
loira monroe says: boaaaaa
loira monroe says: ZONA
loira monroe says: nham
loira monroe says: nham nham
loira monroe says: nham nham nham
doutoral mamalhuda says: vem cá
doutoral mamalhuda says: vem vem
loira monroe says: vou ai vou amora
loira monroe says: nem sabes o que te espera
doutoral mamalhuda says: vem framboesa boa
doutoral mamalhuda says: hmmm
loira monroe says: nham nham nham
loira monroe says: shlep!
doutoral mamalhuda says: nhoca nhoca
loira monroe says: hmmmmmm
loira monroe says: hihihihihih
loira monroe says: aaaaaaaai oohhh! siimmmm!
loira monroe says: sim! assim !
loira monroe says: mmmmhmmmm
doutoral mamalhuda says: uaua!
loira monroe says: auauauaua OH!
doutoral mamalhuda says: tás sola?
doutoral mamalhuda says: tou vendo
doutoral mamalhuda says: oh??!!!
doutoral mamalhuda says: já???
loira monroe says: não, mas agora..estou
doutoral mamalhuda says: és rapida amore mio
loira monroe says: mas está a voltar
loira monroe says: inda não!
loira monroe says: não já!
loira monroe says: hihihihhih
doutoral mamalhuda says: ah
doutoral mamalhuda says: aspeta
doutoral mamalhuda says: pela noite...
doutoral mamalhuda says: dentro
doutoral mamalhuda says: VVV
doutoral mamalhuda says: vou-me
doutoral mamalhuda says: chegou ela..
loira monroe says: a vaca gorda?
«Whether at Naishapur or Babylon,
Whether the Cup with sweet or bitter run,
The Wine of Life keeps oozing drop by drop,
The Leaves of Life keep falling one by one.
Then to the Lip of this poor earthen Urn
I lean`d, the secret Well of Life to learn:
And Lip to Lip it murmur`d - "While you live,
Drink! - for, once dead, you never shall return."
And if the Cup you drink, the Lip you press,
End in what All begins and ends in - Yes;
Imagine then you are what heretofore
You were - hereafter you shall not be les
So when at last the Angel of the Drink
Of Darkness finds you by the river - brink,
And, proffering his Cup, invites your Soul
Forth to your Lips to quaff it - do not shrink.
When You and I behind the Veil are past,
Oh, but the long long while the World shall last,
Which of our Coming and Departure heeds
As much as Ocean of a pebble - cast.
One Moment in Annihilation`s Waste,
One Moment, of the Well of Life to taste -
The Stars are setting, and the Caravan
Draws to the Dawn of Nothing - Oh make haste.
Would you that spangle of Existence spend
About the secret - quick about it, Friend!
A Hair, they say, divides the False and True -
And upon what, prithee, does Life depend? »
Estou farta de lamechisses. Passou o tempo, já passa da hora. A partir de agora é AMOR a partir! NHAM, NHAM, NHAM.
Quando cheguei, depois de três meses de ausência, encontrei-te deitado. Estavas triste e amuado. Três meses de ausência tinham que ser desforrados ali, naquele momento, aproveitando o facto de estares deitado, à minha espera. Sorriste ligeiramente, aquele sorriso dizia que me querias por isso avancei, devagar.
Despi-me, estava muito calor. Fiquei só de roupa interior.
Não te mexias, mas não conseguiste esconder o sorriso de felicidade, e a tua respiração acelerou quando me aproximei. Olhavas-me de soslaio, mimado, lindo com esses olhos malandros. Estavas mais bonito que nunca. Deitaste-te de barriga para cima pronto para as minhas carícias e fitaste-me, atento, os olhos condizentes com os pelos do teu peito. Mal te toquei a tua respiração tornou-se ainda mais rápida, ofegante, beijaste-me delicadamente, mordiscaste-me, depois começaste a lamber-me sem parar. E eu ofereci-te o meu pescoço, eu gostava que me lambesses o pescoço. “Calma, com calma”. Pingos de saliva cristalina caiam no chão, estava calor e tu transpiravas, que saudades! Transbordavas de amor, um amor incondicional por mim. Que honra ter sido uma deusa para ti. Perdoaste a minha ausência, esqueceste-te que eu te tinha abandonado e naquele momento o mundo era só nosso outra vez.
Hoje apetece-me morder-te, roer-te, hoje apetece-me tudo o que me apetece. Hoje apetece-me muito mais, trincar-te, lamber-te, absorver-te. E mais ainda é o que hoje me apetece.
I caught you knockin'
at my cellar door
I love you, baby,
can I have some more
Ooh, ooh, the damage done.
I hit the city and
I lost my band
I watched the needle
take another man
Gone, gone, the damage done.
I sing the song
because I love the man
I know that some
of you don't understand
Milk-blood
to keep from running out.
I've seen the needle
and the damage done
A little part of it in everyone
But every junkie's
like a settin' sun.
Neil Young - Needle And The Damage Done
«Arranjem-me um bitoque, se faz favor». Por favor, estou tão mal-disposta, só me apetece comer. Pata fez eco à Enjoada, e agarrou-se à barriga, rebolando de dores: “Ai, Jesus, ai, que morro!”. Miséria entrou de rompão, com um molho de fotografias na mão. Olhou para as duas enjoadas e pôs-se a decantar profissionalmente o vinho. Lançou apenas um olhar de desprezo para a Mázinha que estava acocorada, comendo desalmadamente um doce de gema amarelo-esverdeada: “Hum, isto é que é vida, ovos de província, vindos directamente das quintas da Vovó Madeira.”
Vóvó, apesar de ser francamente surda, ouviu falar seu nome, largou o Grãosburgo com quem dançava desalmadamente o traque “Love on the Beat” e confirmou que os ovos tinham saído directamente de seu cú de galinha.
“Oh coisinha fófa, as maminha da minha fófinha", dizia acaricianddo deliciada a bisneta de quatro anos que engolia ferozmente todo o prato de macarronete de porco” Je vais et Je viens..entre tes rins..”. responde a bisneta de boca cheia, escorrendo uma seiva pelo canto almiscarado de sua pequena boca esventrada. Na realidade o macarronete entrava e não saia, só entrava, tudo entrava a verdade é essa, “uma autêntica rebarbadora a minha bisnetinha”.Com tanta rebarba, Vóvó apelou para o pé boto de sua pequena bisneta e desiludida diz sem dentes “Que pena, ela não vai lá”. Tratava-se do passeio de domingo da Família Banzé , o passeio de todos os domingos de há 50 anos a esta parte, chamavam-lhe “carne na montanha”, consistia num banquete ao ar livre, na Serra da Luz, à sombra de um cartaz “ Já reparou que Lisboa está mais bonita”, que acabava sempre da mesma maneira – Ruína e companhia resfolgando-se no corpo de pequena bácora da bisneta. A porca ou cabra revoltada pega numa gillette que a puta da velha usava para rapar os frangos e as pernas e leva tudo a eito. Num banho de sangue imundo a bácora chafurda qual demónio num festim e diz: “Na minha .... já ninguém chucha, caralho”. Em contrapartida Rúina usa a faca das sandes pr’abrir a botëlka, emborca meia dum trago e levando as mãos ao baixo ventre urra pelo que jaz no chão. A bácora ulula pela vitória de ter descabeçado o velho amigo de Vóvó que desde a sua tenra meninice havia trocado a velha ovelha de casa pelo corpo firme da nova cria engordada a massa au champignon.
“Pronto, agora é que são elas”, disse Ruína, com uma máquina de calcular em riste. Três já se foram, mas caralho eu seja homem e mesmo sem a puta da ferramenta venha quem vier que eu hei de aviá-las”. FODA-SE!
Este argumento para uma curta foi composto a oito mãos, por A. Castellani, Assuz, Enfia mas principalmente por O rapaz da Carapinha Loira
...e se eu jurasse que hoje acordei com esta, alguém me acreditaria?
Com um brilhozinho nos olhos
e a saia rodada
escancaraste a porta do bar
trazias o cabelo aos ombros
passeando de cá para lá
como as ondas do mar.
Conheço tão bem esses olhos
e nunca me enganam,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.
Com um brilhozinho nos olhos
metemos o carro
muito à frente, muito à frente dos bois
ou seja, fizemos promessas
trocamos retratos
trocamos projectos os dois
trocamos de roupa, trocamos de corpo,
trocamos de beijos, tão bom, é tão bom
e com um brilhozinho nos olhos
tocamos guitarra
p'lo menos a julgar pelo som
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto
Hoje soube-me a tanto
Hoje soube-me a tanto
Hoje soube-me a tanto
portanto,
Hoje soube-me a pouco
Com um brilhozinho nos olhos
corremos os estores
pusemos a rádio no "on"
acendemos a já costumeira
velinha de igreja
pusemos no "off" o telefone
e olha, não dá p'ra contar
mas sei que tu sabes
daquilo que sabes que eu sei
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos parados
depois do que não te contei
Com um brilhozinho nos olhos
dissemos, sei lá
o que nos passou pela tola [o que nos passou pelo goto]
do estilo és o "number one"
dou-te vinte valores
és um treze no totobola [és o seis do meu totoloto]
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos imóveis
a dar uma de "tête a tête"
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco.....
Passa aí mais um bocadinho
Que eu estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto...
Portanto hoje soube-me a pouco
E com um brilhozinho nos olhos
tentamos saber
para lá do que muito se amou
quem éramos nós
quem queríamos ser
e quais as esperanças
que a vida roubou
e olhei-o de longe
e mirei-o de perto
que quem não vê caras
não vê corações
com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões.
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Passa aí mais um bocadinho
que eu estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto....
Portanto, hoje soube-me a pouco
Sergio Godinho in Canto da Boca, 1981
Subject: two friends talk about their lives, their disappointments, their illusions, their lack of fulfillment. But they laugh about their own tragedies. They just want to love and to be loved. Behind all the words, they are just craving for love. As simple as that.
“As simple as that”. Mas que raio quereria isso dizer? “As simple as that”.
A. CASTELLANI
Sim, tu sabes, precioso amigo,
que longe de ti me atormento.
O amor faz sofrer os corações.
Bem hajas.
Um dia, assolado pela liberdade,
elevei o cálice de ametista,
e tu abençoaste a poção.
Bem hajas.
O mal foi por ti esconjurado
e eu ousei o que jamais tinha ousado;
abençoado repousei no teu coração.
Bem hajas!
Hermann Hesse
É muito simples chamar as coisas pelos nomes. É simples dizer. Dizer o sentir. O árduo, o obscuro. O difícil é descobrir de onde vem o sentir, o que o traz para dentro de nós, de repente, sem pedir. São desejos, sensações estrondosas, arrepiantes. São pensamentos. Ideias. Não têm foco, não têm corpo, são apenas impulsos que atordoam a alma. A ideia do momento.
Não é a ideia do corpo, ou o desejo do corpo, é mais, muito mais, é a fusão em algo incorpóreo, que excita dos pés à cabeça. E é também a mente, a exuberância da mente. A fala, é muito a fala.
Falo de amor. Do amor a sério, verdadeiro, sem transparências. Falo do sentir do amor, da falta de sentido, da falta de lógica, do perigo, que o amor transporta. A verdade do amor, escrita cá dentro, que mais ninguém sabe, mais ninguém sente.
O desejo de estar perto. De estar dentro. O desejo cego do sublime, do fundir sem corpo, a aliança imaterial impalpável. Maior que o universo, maior que todos os universos juntos. Maior que o infinito. Infinitamente maior que o infinito, que o ilimitado, que o absoluto. Um sem fim imenso.
O amor sem limites nem medidas. É disso que falo. Do meu amor. A extinguir-me numa insaciabilidade que me exalta. Em combustão permanente. O amor exasperado de paixão, maior que o tudo. A enfurecer o sentir, a revolver o espírito. A inconsciência.
Sou eu a bater forte. Num corpo infinito, sem espaço. Onde tudo roda, tudo ferve. Falo de ti, meu amor. De ti, apenas. Sem palavras para te descrever. Sem uma única palavra para te nomear.
Não há palavras, frases, no mundo, em qualquer idioma, que te possam eleger. Nenhuma. Nem todas.
Por isso, falo de mim. Apenas.
Atravessaram um jardim, disse-lhe para não pôr os pés no chão por causa das baratas, então voaram como elas que eram grandes como eles. Foram jantar à Índia, ela comeu arroz ele não sei, não me lembro, sei que era picante porque suou e limpou o suor com as costas da mão, enquanto lhe fazia perguntas. Que prazer responder-lhe, com arroz, de boca cheia, com cerveja num primeiro andar. E falaram de música, ela não se lembrava de nada, de um único nome de um único músico, mas lembrava-se da música e ele disse-lhe coisas, que ela depressa se voltou a esquecer, a música não se fala, pois.
Já não o via há 5 anos, quando me foi buscar ao hotel. Estava igual, mãos nos bolsos, um ar envergonhado, um brilho atrevido nos olhos. Ele é assim. Os outros, os que estavam comigo, eram doutra dimensão, eu estava ainda na dimensão deles, quando ele chegou mudei de zona, passei-me para lá para a que é a minha. Uf, que alívio e que vontade de rir. Virámos costas e fomos, queria correr e gritar, faço isso às vezes para me libertar e chamar o Eu ao de cima, mas as pessoas assustam-se e eu não o quis assustar.
- Oi! Hei! 4 anos! Tanã!
- Estou doente, estou cheia de febre, quem faz quatro anos?
- Nós fizemos, faríamos se quisesses, 4 anos de amor! Anda daí kona mansa!
- Estou doente... o que vale é o poder que tens para me fazer rir...estou na cama a sonhar com outro, noutra cama, noutro lugar, noutro ano!
- São 4 anos poça! O tempo passa...e tu...
- Pois, pois, “time flyes when you’re playing games”, põe-te a mexer!
Tinha no rosto um sorriso enigmático e doloroso.
Tenho saudades dos almoços de Domingo, de ementa previamente combinada ao telefone. Sempre com vontade de agradar, de fazer o melhor possível. Tenho saudades dos lanches, da groselha misturada no leite, do capilé, do cheiro a torradas, sempre perfeitas, sempre no ponto, gentilmente barradas com doce de tomate feito em casa, com tanta dedicação.
Saudades das tardes passadas a ver filmes cujos personagens principais eram sempre cães ou crianças, à espera que os meus pais chegassem das suas matinés de cinema ou teatro.
Saudades dos jogos, das brincadeiras, de descascar ervilhas e feijões, de correr por toda a casa e sentir tudo a estremecer à minha volta, de ouvir a minha avó avisar:
- "Olha que a D.Olga ainda te cai em cima! Pára de correr!"
De repente, sem que déssemos conta, as receitas começaram a ficar esquecidas na memória, as torradas nunca mais ficaram no ponto, o doce de tomate deixou de existir...
Acabaram-se os almoços, os risos, as brincadeiras...
A minha avó passou a ser uma memória daquilo que outrora tinha sido. Cada vez mais pequenina e mirrada deixou de se mexer, deixou de cozinhar para mim, deixou de cantarolar pela casa. Deixou de falar. Parou no tempo. Passou a viver num mundo só dela.
Até eu passei a ser uma recordação, só visível nas fotografias que religiosamente guarda na mesinha de cabeceira, junto ao filho bebé que morreu com uma gripe quando tinha 3 anos apenas. Dor.
Quando me dirijo a ela, tenho medo de ver apenas inexpressividade.
Mas não. Sei que ela ainda me reconhece. Os olhos brilham de maneira diferente. Tenta esboçar um leve sorriso, que nunca chega a aparecer.
Mas para quê?
Os olhos, sempre húmidos devido à idade já avançada, recordam-me sempre o cheiro a arroz de ervilhas, o cheiro a torradas acabadas de fazer, o cheiro dos bolinhos e dos pastéis de massa tenra, tudo feito naquela cozinha cheia de histórias e de sabor.
Foi há mais de vinte anos, mas, às vezes quando chego a casa, ainda consigo ver a minha avó dizer adeus por detrás da janela, ao mesmo tempo que sinto o leve cheiro a bolinhos de manteiga, acabadinhos de fazer.
Levantei-me, agarrei na tralha que trazia e ele levantou-se.
Afastei-me e ele seguiu-me. Passos calmos, seguros, convictos do que estava a fazer. Como se aquilo fosse a maior certeza do mundo.
Senti-me observada, admirada, genuinamente amada, apreciada, comida e degustada pelos olhos.
Sentei-me ao sol, confortável, naquela cadeira de pano cru. Estava uma tarde quente, apenas uma leve brisa vindo do mar, acalmava a força dos raios solares.
Estrategicamente, sentou-se a quatro cadeiras de mim. Dali podia continuar o seu exercício de observação.
Admirava-me, continuava, calmamente, na sua agradável contemplação. Pedi um café, adivinhando automaticamente aquilo que ele iria pedir.
Olhei para ele através do canto do olho, fingindo-me distraída. Ele topou e sorriu.
Sacana, tem um sorriso lindo.
Ao mesmo tempo que sorria fazia que "não" com a cabeça. E sorria, nunca parava de sorrir.
Chegaram os nossos cafés. O meu e o dele.
Eu bebia o meu, calmamente. E ele, entretido, olhava para mim, bebia o café, olhava para mim, bebia o café, olhava para o mar, olhava para mim...
Findado o café, pegou no jornal que tinha colocado no chão, ao lado da cadeira.
Um jornal grande, com letrinhas pequeninas, um jornal enfadonho. Nem uma página virou. Nem uma.
Porreiro miúda! Neste instante, tens mais poder que qualquer noticia do mundo!
Pouco depois, já eu tinha acabado o meu café, já os últimos raios de sol pairavam no céu, vejo-o rasgar um pedacinho do jornal. Olha para trás, pede uma caneta ao empregado, lança-me um último sorriso e um último olhar...
Rabisca-o. Ao mesmo tempo que escreve, continua a sorrir e a fazer que "não com a cabeça. Levanta-se, sinto um arrepio no estômago quando o vejo dirigir-se a mim. Sinto-me pequenina. Ridícula. Baixo os olhos, e só vejo uma mão delicada a colocar o papelinho em cima da minha mesa. Não me mexo, nem os olhos mexo, nada. Tudo pára à minha volta. Passam alguns minutos, ou horas, não sei... De repente fica frio. O sol há muito que já se foi. Lentamente dirijo a minha mão para o pedacinho de jornal. Está dobrado em quatro partes.
"Foste, por longos instantes, o meu mundo. Obrigada"
Olho para trás, agarrada ao papel, mas há muito que ele se tinha ido. Ele e toda a gente que habitava aquela esplanada à beira-mar...
Sento-me novamente, confortável na minha cadeira. Fecho os os olhos. Está mais vento. Sente-se mais o cheiro a algas vindo do mar. Silêncio.
Ele desapareceu. Desapareceu para sempre. Sinto-me feliz, apesar de saber que nessa mesma noite alguém iria viver mais do que eu.
I'm a high school lover, and you're my favorite flavor.
Love is all, all my soul.
You're my Playground Love.
Yet my hands are shaking.
I feel my body remain tense, no matter, I'm on fire.
On the playground, love.
You're the piece of gold that flushes all my soul.
Extra time, on the ground.
You're my Playground Love.
Anytime, anyway,
You're my Playground Love.
Air in The Virgin Suicides, 2000
Vou para o campo, tenho um caso com a natureza, vou rebolar no chão e lamber a terra, vou deixar-me abater pela montanha, absorver odores, arrepanhar as ervas, vou gritar arrebatada. Não levo comigo os meus defeitos, vou para o campo envolta nas qualidades, vou amar-me. Dias e dias de amor próprio. Experimentem queridos amigos, experimentem! É uma loucura!
E pronto voltei ao Amor Ode, não resisto, disto é que eu gosto.
Hoje, até o gel de banho, me fez lembrar as tuas explosões de amor...
Caríssimo Moço de Recados
Hoje consegui o minuto, aquele que lhe tinha pedido, e como está lúcido (hmm como gosto de si bem lúcido) vou gastá-lo todo consigo. É precioso este minuto. Espero que lhe dê o devido valor.
Lembra-se daquele texto que a Exª escreveu intitulado “A Tua Língua”? Tem razão Moço, a linguagem é uma negaça relativamente à expressão daquilo que nos vai na mente, e mais ainda quando a linguagem é apenas escrita, onde não há “respirações audíveis nem olhares convergentes”.
Aqui somos seres virtuais e como tal podemos explorar a linguagem e os seus limites para provocar, desentender, gozar, viver e conviver, amar e até para sofrer quando nos dá para aí, que bom, que bom.
Lembra-se da banheira Moço, da minha? Está assente em chão de madeira, rodeada de paredes em tons de vermelho (coincidência para quem nunca a viu!), à sua espera sei lá há quanto tempo. O Prusidente e o Mestre já lá tomaram uma banhocas, deixaram-me tudo encharcado o raio dos miúdos. Também já lá tomaram banho a Diva, a Enfiada e a Inventora.
O que eu lhe quero dizer Moço, é que o mail que aquela menina pediu, não foi ela fui eu, deixe-se de coisas, liberte-se, grite do alto da montanha e atire-se, não tenha medo, aqui não há subterfúgios é tudo tal qual como imaginamos e só como queremos. Cale-me essa matraca e despache-se que tenho outras coisas para lhe dizer: mila_sargratus do hotmail.
E com isto já lá vão precisamente 58 segundos naõ tennho tempo para rever o tex
la la la
la la la
la la la
la la la
la la la
tuc puc tuctuc puc tuc puc tuctuc puc
tuc puc tuctuc puc tuc puc tuctuc puc
la la la
la la la
la la la
la la la
la la la
tcha tcha
deng dongdengdong dongdeng dong
Death in Vegas - «The Contino Sessions» - 1999
la la la
la la la
la la la
la la la
la la la
rreeeeeeereeeeeeerrrrreeere
deng dongdengdong dongdeng dong
tcha tcha
rrreeeeerrrrreeeeeeeerreeeeeeeeee
la la la tuc puc tuctuc puc tuc puc tuctuc puc
tuc puc tuctuc puc tuc puc tuctuc puc
la la la tuc puc tuctuc tha tcha puc tuc puc tuctuc puc
tuc puc tuctuc puc tuc pucla la la tuctuc puc
rreeeeeeereeeeeeerrrrreeere
rreeeeeeereeeeeeerrrrreeere
oiiooiiiiiiinnnnnnnniionnnnnnnn la la la
lalala tuc puc tuctuc puc tuc reeeeeeeerreeeeeeeepuc tuc
reeeeeeoiiiiiirrreasaaaalse iiiiiieeoõõouinnnnreeeeuien~~ei~ui
ta tata ta tata ta tata ~iuuiiuiurrrrrta tatatata ta tatatata tata uinnn uinnn uinnn
rrrrreerrrrrrrrreeeeee uion uiouonnnnnnnnonononon
iiiiiuuiiiiiiiuuuuuurrrrrorrrrrrr~~~~~~oooinnnnnnn~~~~
rreeeeeeereeeeeeerrrrreeere
rreeeeeeereeeeeeerrrrreeere
oiiooiiiiiiinnnnnnnniionnnnnnnn la la la
lalala tuc puc tuctuc puc tuc reeeeeeeerreeeeeeeepuc tuc
reeeeeeoiiiiiirrreasaaaalse iiiiiieeoõõouinnnnreeeeuien~~ei~ui
ta tata ta tata ta tata ~iuuiiuiurrrrrta tatatata ta tatatata tata uinnn uinnn uinnn
rrrrreerrrrrrrrreeeeee uion uiouonnnnnnnnonononon
iiiiiuuiiiiiiiuuuuuurrrrrorrrrrrr~~~~~~oooinnnnnnn~~~~
oiiiiin~~~~~~~rreooooomn~~ooorrrrreeeeeeeõõõ~~oõõnnnrrrrrrrrrr
rrrrrrrrrrtab tatttatat tatatata eeeoiiiinnnrreeeeeeeeeeeee!
Assim como Kant, Wittgenstein estabelece na linguagem os limites da razão, do pensar e do dizer, para libertar, não mais a crença, mas a linguagem, para que possa "mostrar" (liberta das exigências de seus pressupostos lógico-científicos) a ética, a estética, o inefável e o Místico, mas ao mesmo tempo, mostrar o acontecer, tomado então como puro acaso: se as coisas simplesmente são, devo calar-me diante delas. Devo "dizer" apenas a verdade científica, segundo os rigores do método lógico – e esta é a função e os limites da filosofia. Em Kant, tratou-se de determinar os limites da razão pura, sendo que os da filosofia eram ainda os de estabelecer uma razão prática e um juízo estético e teológico; com Wittgenstein, os limites da filosofia são apenas os da razão científica: quanto à ética, à estética e à crença, que podem apenas ser mostrados (por algum tipo de linguagem não proposicional, mas não pela filosofia, cuja linguagem deve ser lógica), é melhor ficar calado.
Já Heidegger (ontem enquanto me ungia com óleos perfumados)
descreve como e porquê se afastou da fenomenologia, a partir de um incomodo gerado por uma contradição interna da obra Pesquisas lógicas do seu então futuro mestre Husserl. O primeiro argumento do livro La Logik. Die Frage nach der Wahrheit ( Lógica. A Pergunta pela verdade) afirma que uma teoria do pensamento e do conhecimento não pode fundar-se sobre a psicologia, mas sim sobre a lógica – neste ponto, concorda com Kant e ainda mais com Wittgenstein. No segundo argumento, no entanto, descreve os actos essenciais da consciência na edificação do conhecimento, retornando, num certo sentido e apesar de tudo, à psicologia, perguntando-se: "em que consiste o próprio da fenomenologia, posto que ela não é nem uma lógica, nem uma psicologia?" E responde: a "subjectividade transcendental" e busca explicar "a estrutura dos actos vividos", assim como "os objectos vividos nos actos de consciência, do ponto de vista da sua objectividade" determinada pela própria consciência (objectividade "transcendental", determinada pelo sujeito do conhecimento). Conclui, por fim terminando a massagem: "o que, para a fenomenologia dos actos de consciência, se realiza pelo manifestar do fenómeno, é pensado por Aristóteles e em todo o pensamento dos gregos como ???????, como o aberto sem retraimento da presença, o seu desvendamento, o mostrar-se." E sendo assim, continua Heidegger, como e de onde se determina a questão própria da filosofia? "Trata-se da consciência e de sua objectividade? Ou do ser do ente no seu não retraimento e no seu retraimento?"
On candystripe legs the spiderman comes
Softly through the shadow of the evening sun
Stealing past the windows of the blissfully dead
Looking for the victim shivering in bed
Searching out fear in the gathering gloom and
Suddenly!
A movement in the corner of the room!
And there is nothing I can do
When I realise with fright
That the spiderman is having me for dinner tonight!
Quietly he laughs and shaking his head
Creeps closer now
Closer to the foot of the bed
And softer than shadow and quicker than flies
His arms are all around me and his tongue in my eyes
"Be still be calm be quiet now my precious boy
Don't struggle like that or I will only love you more
For it's much too late to get away or turn on the light
The spiderman is having you for dinner tonight"
And I feel like I'm being eaten
By a thousand million shivering furry holes
And I know that in the morning I will wake up
In the shivering cold
And the spiderman is always hungry...
The Cure in Desintegration, 1989
Venho por este meio pedir-vos conselhos, a vós que entendes tão bem o sexo oposto que vagueia pelo Blog - sua propriedade. Arranje-me o contacto, dê-me um sinal, atire-me desta para melhor.
Desde que conheço a Junta, agora Motel, que vejo por aqui um senhor, o Vernon. O Vernon está sempre no sítio, olhos a postos, faz questões relevantes e põe silêncios pertinentes. Uma espécie de oráculo? Quem és tu Vernon?
Now the day has wearied me.
And my ardent longing shall
the stormy night in friendship
enfold like a tired child.
Hands, leave all work;
brow, forget all thought.
Now all my senses
long to sink themselves in slumber.
And the spirit unguarded
longs to soar on free wings,
so that, in magic circle of night,
it may live deeply, and a thousandfold.
in Four Last Songs de Richard Strauss
Solista Elisabeth Schwarzkopf
Radio Symphonie-Orchester Berlin
Versão Original:
Beim Schlafengehen
Nun de Tag mich mud gemacht,
Soll mein sehnliches Verlangen
Freundich die gestirnte Nacht
Wie ein mudes Kind empfangen.
Hande lasst von allem Tun,
Stirn vergiss du alles Denken,
Alle meine Sinne nun
Wollen sich in Schlummer senken.
Und die Seele unbewacht
Will in freien Flugen Schweben,
Um im Zauberkreis der Nacht
Tief un tausendfrach zu leben.
E se eu o pudesse agarrar e o pusesse no lugar? E se o conduzisse ao meu sabor e o usasse por prazer para depois o despachar e até quiçá o matar? E ai dele se me magoasse ele que nem tentasse, fazia dele farinha e guardava-o na cozinha, para quando me aprouvesse estivesse pronto a usar.
Tal e qual como seria. Sem nada a mais, sem nada a menos. Foi como chupar um rebuçado cristal de limão.
Hey, baby, are you there? What the fuck is going on?
Hey, been trying to meet you...hum, huuuum, Hey...
Sou uma crédula, acredito em tudo o que me dizem. Uma daquelas a quem chamam apatetada (prefiro distraída). Filhos da mãe!
Pois a mentira com a verdade se paga por isso eu hoje vou-vos contar a verdade:
Costumo escrever umas histórias cujas personagens são duas boazonas, a Loira Monroe e a Doutoral Mamalhuda. Já há muito que as escrevo, muito antes de ser subdita do prusidente. Estas histórias nasceram num verão em que conheci duas francesas maravilhosas em todos os sentidos, a Lauren e a Fabien, duas grandes mulheres também em todos os sentidos, ambas medem para lá de 1,80 m. Lauren e Fabien são profissionais do amor, muitíssimo competentes. Lauren (Loira Monroe) é loira de cabelo bem curto, costuma vestir Issey Myake e usa perfumes caros. Fabien é morena, mais avantajada não recorre a subterfúgios, veste-se como lhe dá na gana e não disfarça a voz grossa. Já não vivem em Portugal, constou-me que foram vistas em Ibiza, montadas num Mercedes descapotável. São raparigas para todos os gostos, são meninas ou meninos conforme a vontade de quem as ama. Castellani foi vítima de uma delas, enganou-se o pobre coitado, queria menina, saiu-lhe menino.
P.s.
Moço tudo o que lhe disse em Sister é verdade do fundo desta alma debilitada e achocolatada, obrigada por me ter avisado!
- “Quiseram matar-nos sabias?”
- “Quiseram fazer-nos desaparecer...” - diz Monroe olhando a amiga vagamente, não a fixando.
- “Disseram-nos pouco intelectuais sabias?”
- “Mataram-te...” - diz Monroe sarcasticamente frazindo a sobrancelha esquerda.
- “Voltemos então a O’Doherty, à tua Reesa Greenberg, a Maulraux e o seu “Musée Imaginaire”. Voltemos às teorias da interpretação, ao minimalismo dos cubos, a Kant, ao espaço e ao tempo, a Goodman e à exemplificação na arte, a Dérrida, sim enlouqueçamos com ele, a Susan Sontag na caverna de Platão, chamemos o Miguel Tamen e os seus amigos de objectos interpretáveis....”
- “Estou farta desses todos, minha querida, fala-me antes dos teus, da tua folia, fala-me de fenomenologia, excita a mente e fala-me de Heidegger como só tu..” - Monroe começa languidamente a enfiar a mão no decote. Doutoral, distraída, absorta e já longe nos seus pensamentos audíveis continua –
- “...daí, pois a crítica que Formaggio faz, por exemplo, ao pensamento de Luigio Pareyson, no ensaio I problemi dell’Estetica in Luigi Pareyson, incluindo no volume Studi di Estetica. Admitindo que a teoria da formatividade representa uma tentativa mais ampla – aqui olha para a amiga Loira e sem ver continua – “comparada com as várias estéticas filosóficas que não raro se podem acusar de normatismo” - os seus neurónios nadavam de felicidade no oceano escondido por detrás da farta cabeleira morena – “de alcançar uma complexa pureza teorética dos conceitos próprios, Formaggio assinala-lhe o limite justamente na intenção...”
- “E ela a dar-llhe com os italianos, eu pedi Heidegger, Heidegger!” - expressa Monroe num tom de grito em voz baixa, enquanto num gesto rápido descalça as sapatilhas e as atira contra a parede. No entanto Doutoral, mais Mamalhuda que nunca, tinha decidido naquele preciso momento devotar-se às letras e a nada mais, por isso não vê a outra, não a ouve, e continua após uma brevissima pausa para engolir a saliva.
- “...na intenção de propor, ainda e apesar de tudo, um conceito e, portanto, uma definição geral da arte. Enquanto que a estética, como vimos ao examinarmos as formulações precedentes, não teria realmente esta tarefa.. Com efeito, não estará talvez a definição categorial-conceptual em todos os casos.....o que foi isto?!”
- “Olha, fui eu! Tive que dar um pum para acordares, tive medo, estavas-te a transfigurar, mas estavas a chegar a qualquer lado, respira fundo e podes continuar...estou captando amiga, dava-me era mais jeito que transasses com o comuna do Crimp que já me anda a dar cabo dos miolos. Eu ligava o gravador...e...”
- “Tu, tu és demais filha da mãe, que estás para aí a tramar?”
- “Pedi-te Heidegger cabrona e tu continuas na tara dos italianos, não te bastou a merda do Castellani esclerótico aquinosante? Hein?” diz Loira Monroe levantando o queixo numa pose inquisidora.
- “Não. Fica sabendo que não. E eu agora não quero saber de homens eu agora dedico-me inteira e exclusivamente às letras. Decidi há dois minutos atrás.
- "Pois então espero que não te magoes com os livros, lembra-te que têm arestas cortantes...mais de um mês sem homem e hei-de encontrar-te com eles entre as pernas hi!hi!hi!hi!” Monroe rebola no chão, tranformando o riso em gargalhadas forçadas e teatrais.
- "E digo-te mais, eu cá não me coíbo minha amiga, enquanto os leio e estudo faço amor com eles todos, e hoje apetecia-me o Heidegger!”.

Assussora Remota,
Agradecendo de avanço a divulgação do e-mail “Don’t stereotype Me” que lhe tenho enviado e pedindo também as minhas escusas pelo meu português que eu tenho já esquecido, venho por este caminho expressar minha opinião como pediste sobre o Motel Prusidente que tu colaboras. Eu podia mandar esta carta ao Prusidente do Motel, como tu disseste-me para fazer, mas minhas convicções levaram-me a adereçá-la a si, em ordem que sejas tu, em consciência, a decider se deves ou não divulgá-la.
Sou, como tu sabes, uma activa feminista, e porque pertenço a várias organizações internacionais, tais como a soc.feminism ou a oui-femme, faço contribuições para a defesa das mulheres avaliando web sites. Venho portanto apresentar-te a breve análise sobre o Prusidente Motel.
Eu não analiso o comportamento dos homens, eu analiso atitudes que descriminam e degradam o sexo feminino.
A minha análise é feita quantitativa e qualitativa, isto é dizer, eu olho para números e analiso atitudes.
Em a análise quantitativa o Motel Prusidente recebe os parabéns, a média de mulheres que aí colaboram é de 42,857%, baseando que são três mulheres e sete homens. Esta percentagem é boa especialmente para Portugal o qual no seu Senado tem apenas 15,217% de mulheres. Na produtividade também está congratulado para as mulheres
, o colaborador (Prusid. exclusivae) mais produtivo é uma mulher, esta análise é baseada no tempo da colaboração e no número de textos que tenham sido produzidos.
A análise qualitativa olha para conteúdo dos textos. Eu pude encontrar algums observações sexistas e descriminatórias, algumas inocentes, e.g. “não se tratam assim meninas” enquanto outras apontam para uma opinião redutora da imagem e função da mulher e.g. “é boa”, “boazona, boazona” “sou loira não percebo nada de geografia” . A análise das fotografias de mulheres é muito negativa para a dignidade feminina, chegando a apresentar uma mulher sem cabeça e outra na cama deitada quando as imagens com os homens mostram homens robustos, dignos e trabalhadores, excepto um que também se apresenta deitado mas no sofá o qual indica para atitudes de exploração da mulher.
Em os textos de autor é onde o grande problema é apresentado. Embora não sejam por agora em grande número têm aparecido textos que vão muito baixo na imagem digna da mulher. As personagens de Mamalhuda e Loira Monroe são um retrato simplesmente degradante, que exploram a ideia de mulheres carentes que parece sofreram maus tratos na juventude, goza-se com suas fraquezas, e se no inicio elas eram intelectuais, elas foram ao longo deixando de apresentar opiniões interessantes e inteligentes e têm sido conduzidas pela sua autora a serem apenas sex symbols que ajudam os homens por meio do corpo. A ridicularização da ideia de uma das mulheres não tirar os pelos de suas pernas revela um tipo de Pop Feminism que não é mais do que a reconfirmação de um machismo enraízado e disfarçado. Os outros textos em sua maioria não revelam más intenções mas poucos defendem importantes causas, e geralmente são individualistas.
Guerrilla Girl
P.S. Assussora if you want to be ironic in order to show some sympathy for the feminist movements you have to go much further, I am sorry for that.
I did enjoy Motel Prusidente. I’ll keep an eye on it.
"I AM NOT NOT AN AUNT JEMINA, BALBREAKER, BILLER CHICK, BIMBO, BITCH, BOMBSHELL, BRA BURNER, BULL DYKE, BUTCH, CALL GIRL, CARMEN MIRANDA, CHINA DOLL, FAG HAG, FEMME FATALE, FEMINAZI, GEISHA, GIRL NEXT DOOR, GOLD DIGGER, GOOD CATHOLIC GIRL, HAVEM GIRL, HO, HOME GIRL, HOT FEMALE, INDIAN PRINCESS, JEWISH PRINCESS, LADY BOSS, LIPSTICK LESBIAN, LOLITA, MOTHER TERESA, NYMPHO, OLD HAG, OLD MAID, PINUP GIRL, PRUDE, SLUT, SORCER MOM, SQUAW, STAGE MOM, SUPERMODEL, TOKY ROSE, TOMBOY, TROPHY WIFE, VALLEY GIRL, VAN, WICKED STEP MOTHER OR YUMMY MUMMY!"
DON'T GO TO THE GUERRILLA GIRL AND DON'T ASK FOR IT!
"Eu brincava com o Lego, construindo réplicas defeituosas do Águia 1 e das pistolas da Base Lunar Alfa. O Alan era o verdadeiro cagão, na minha maneira de ver a série, e o John tinha as qualidades de um líder cheio de dúvidas existenciais, sensível e corno. Tal como os super-heróis com limitações difíceis de ocultar, o Koenig era bem mais franco que o Alan. O episódio melhor, na minha maneira de ver a série, levou à Lua uma nave que se assemelhava a uma cabaça pilotada por uns fulanos que eram tal qual o Brian Eno na fotografia interior do For Your Pleasure dos Roxy Music ou nas fotos da banda referentes ao disco de estreia «Re-make, Re-model». Houve outro, magnífico na minha maneira de ver a série, em que se tornava possível apanhar sol e respirar na Lua..."
Miroslav in Alan Carter, Motel Prusidente, 2004
O que eu queria mesmo era ter 1 minuto, não peço mais, 60 simples segundinhos, em que não tivesse nada para fazer.
«Por altura das comemorações do Jubileu o escritor Elliot Crane, ultimamente sujeito àquilo a que chamava “tempestades” de esquizofrenia paranóide, almoçou com a mulher, uma jovem repórter fotográfica de nome Lucy Evans, na cidade galesa de R., onde ela trabalhava para o semanário local. Parecia bem disposto, e disse-lhe que se sentia bem, mas cansado, e que se deitaria cedo. Era noite de fecho do jornal, de forma que Lucy regressou tarde à casa de campo onde os dois moravam, a meia-encosta de um monte; ao subir ao primeiro andar, viu que Elliot não estava no quarto de casal. Partindo do princípio de que estaria no quarto de hóspedes, para ela não o incomodar quando chegasse, meteu-se na cama.
Uma hora depois, Lucy acordou com uma premonição de catástrofe e foi, sem se vestir, até à porta do quarto de hóspedes; porta que, depois de respirar fundo, se decidiu a abrir. Meio segundo depois tornou a fechá-la e deixou-se cair pesadamente no chão. Havia mais de dois anos que ele estava doente, e a única coisa que Lucy conseguia agora pensar era “Acabou-se”. Quando começou a tremer voltou para a cama e dormiu profundamente até de manhã.
Ele metera o cano da caçadeira na boca, e carregara no gatilho. A arma pertencera ao pai dele, que a tinha usado para o mesmo fim. O único bilhete de suicídio que Elliot deixou ao perpretar este derradeiro acto de simetria macabra foi uma série de meticulosas instruções sobre o modo de limpar e cuidar da arma. Elliot e Lucy não tinham filhos. Ele tinha trinta e dois anos.»
Salman Rushdie - «Oriente, Ocidente»
Edições Dom Quixote - 2002
Tradução de Ana Luísa Faria
( bullet got the wrong bloke )
life kid suck
drink from the box
the juice kicks up
life give suck the box drink
yeah
life kid drink from the box
the juice kicks up
life kids sucker
box drink
yeah
bruce lee
life kid seen from the box
seen from the box
the juice from the box
kids suck life
kid get suck from the box
drink
bruce lee
life kid suck from the box
drink from the box
the juice kicks up
life kid suck from the box
drink
yeah
bruce lee
life gets in from the box
seen from the box
the juice from the box
kids suck life
kid get suck from the box
drink
bruce lee
life kid suck from the box
drink from the box
the juice kicks up
life kid suck from the box
drink
yeah
bruce lee
life kid suck from the box
seen from the box
drink from the box
the juice kid suck
life kid suck the box
drink
yeah
bruce lee
tanglon
( skin hard sails in jail )
( hair always cut with a blunt tool )
( muscular but thin like springs )
( but not steel )
( for ford men )
( four ford men )
( they sell it into vaporizing rulers )
( each way up in his own head )
( hold up in its fly flicking markses )
( piggy little piggy little eyes )
( holds and scape )
( hole in skin )
( just enough to let in light )
( bullet got the wrong bloke )
( but he don't die anyway )
( its nothing mortal if you don't move )
( you still have slot the wall in a blanket )
( I have been this way for days )
( bullet got the wrong bloke )
( it's happenned mortuary, you die it means )
( skin has it off the wall and it goes like this )
( I have been this way for days )
(oh no, there's a gun )
( over there under the bed )
( turn, let's see what's in the other room )
( he grew up faster )
( just the disco with the one get my rope )
( pull through again )
( a third rat a fourth to his head is calm the sheets of calm )
( bullet got the wrong bloke )
( he's out of the eyes now )
( strained gas on his head )
( It's dark, he comes up with his darkness...)
life kid suck from the box
drink from the box
the juice kid suck
life kid suck the box
yeah
bruce lee
tanglon
Underworld in Beaucoup fish, 1998
“Cuidado com os ratos... desviem-nos e estejam à vontade. Procurem-me! Estou aqui! “
À confiança elas subiram, não enxergavam um palmo à frente do nariz, mas tinham confiança em quem as impelia para aquele caminho desconhecido.
- Uh, eh os ratos! Mexem-se, posso senti-los Doutoral! Olham para nós!
- Não te amedrontes, tudo vale a pena quando a alma...e têm olhos vermelhos! Adiante, coragem, no fim da caminhada encontraremos o Amor, não é isso que queres Loira?
- ...sim...
As escadas pareciam jamais terminar, os degraus sempre iguais, os passos ritmados. Como não viam nada, depressa aperfeiçoaram os outros 5 sentidos. O tacto apurado permitiu-lhes sentir o chão para lá das solas delicadas dos sapatos roxos e das sapatilhas Pony modelo para box. À medida que subiam estranhavam a alteração da consistência do solo que tanto lhes parecia alcatifa, como alcatrão, madeira exótica ou pedras preciosas. O olfato apurado permitiu-lhes sentir odores extraordinários que faziam lembrar terras longínquas, ora doces ora acres ou até ardentes para os seus narizes delicados. Cansadas, não se detiveram nem um minuto, os passos continuaram ritmados, diria até, apressados.
- Não vejo ponta de um corno, dá-me a mão. – disse a Loira – Acho que agora são aranhas, ouves? Olham para mim...e se são primas da outra...
- Não pares, o melhor é nem pensar, cheira bem...
- E se querem vingança!? Lembras-te daquela, daquele, ele?!!
- Olha se calhar é ele que nos chama, o teu aranhão, com infinitos olhos, rapaste-me esses pelos das pernas, Monroe?!
- Não antes de irmos para a Jugoslávia, fiz uma promessa...hihih..uf !mas afinal quando...
Os passos ecoavam no silêncio, o silêncio ajudava-as a sentir o que as rodeava, e o ritmo dos passos aos seus ouvidos, agora mais atentos que nunca, conferia-lhes as ganas necessárias para continuar a marcha.
“ Procurem-me estou aqui..”
- Ouviste? Estamos perto...
- Perto Doutoral? Ele está aqui, ao meu lado, tens coragem...?
- Tu primeiro ó desbocada, vá atreve-te se és capaz!
Loira Monroe usou então o 6º sentido, o feminino, em todo o seu esplendor e sem medo avançou para quem as houvera chamado, Doutoral seguiu- a . O escuro continuava como breu, confrontados com o facto de não poderem usufruir do 1º dos sentidos encontraram-se pelas mãos, perscrutaram-se com o nariz e deleitaram-se com a boca, saborearam-se das mais bizarras formas, e fizeram-se ouvir com variadíssimos e amorosos sons em vários tons.
- Diz-me Doutoral Mamalhuda, achas que era ele??
- O aranhão? Não sei, só sei que era o mais belo homem que jamais vi!
- Também acho, o mais lindo, o melhor!! ... e quando ele...viste, viste Doutoral?
Ao Prusidente com todo o AMOR do mundo, das DM & LM.
- Viste, viste-lhe o rabinho?
- Lá estás tu, cala-te e deixa-me estudar.
«Put your hands on the wheel
Let the golden age begin
Let the window down
Feel the moonlight on your skin
Let the desert wind
Cool your aching head
Let the weight of the world
Drift away instead
These day I barely get by
I don't even try
It's a treacherous road
With a desolated view
There's distant lights
But here they're far and few
And the sun don't shine
Even when its day
You gotta drive all night
Just to feel like you're ok
These days I barely get by
I don't even try»
Beck in Sea Change, 2003
Escutem, estou em estado de choque. Eu trabalho, sou mal paga mas gosto do que faço. Ultimamente tenho estado envolvida num projecto internacional Ásia-Europa, no qual participam 8 ou 9 países ou até 10 de ambos os continentes, comandados por um inglês, o Brian que é simpático, competente, com um humor agudo, um gentleman.
Foi como se me tivesse dado um murro nas costas, com muita força, eu, entre o choque e as lágrimas não sei o que fazer. Deixo à vossa consideração o e-mail/reply que me enviou em maiúsculas, e digam-me por favor O QUE É ISTO??!
Dear Brian, DEAR ASSUSSORA
I hope everything is going well with you, here spring is arriving sooner and life goes on between work, family, studies etc.
I HATE SPRING! I THINK IT IS A VERY DEPRESSING TIME OF THE YEAR, IN WHICH ONE SEES MANY COUPLES IN LOVE... HOW I ABOMINATE IT! AND I'M ALLERGIC TO POLLEN, SO...
I am looking now at the exhibits ONLY NOW? we already have for the Travelling exhibition, but I would like to ask you for a little help I'M FUCKING TIRED OF YOUR CONSTANT HELP ORDER... REALLY.... Can we take for granted the 9 pieces from Hani? DO WHAT YOU WANT. TAKE WHAT YOU WANT!
Can you please tell me what do we really have definitely for now? I STILL DO NOT KNOW. ASK THE JAP! If you do so, I will make a list with all the information and images about the exhibits and then I’ll send it back to you. DO YOU WISH A COFFEE ALSO? WHO AM I, A SLAVE AT YOUR DISPOSAL?
We have to begin somewhere don’t we? YEA, YEA, WHATEVER...
Looking forward to hear from you, I wish you all the best. PLEASE... HELP ME!!!!
Assussora. HELP!!!
«Sunday morning, praise the dawning
It's just a restless feeling by my side
Early dawning, Sunday morning
It's just the wasted years so close behind
Watch out, the world's behind you
There's always someone around you who will call It's nothing at all
Sunday morning and I'm falling
I've got a feeling I don't want to know
Early dawning, Sunday morning
It's all the streets you crossed, not so long ago
Watch out, the world's behind you
There's always someone around you who will call It's nothing at all
Watch out, the world's behind you
There's always someone around you who will call It's nothing at all
Sunday morning
Sunday morning
Sunday morning»
The Velvet Underground and Nico - 1967
«I don't have to sell my soul
he's already in me
i don't need to sell my soul
he's already in me
I wanna be adored»
Foi assim que tocou o despertador. Contra vontade levantei-me. Por estranho que pareça não tomei banho, sentei-me na cama e comecei a despir-me e despir-me, continuamente, como um loop que se repetia. Despia-me e recomeçava a despir-me, depois, simultaneamente comecei a vestir-me, devagar. Despia-me e vestia-me, dois loops em simultâneo, com ritmos diferentes, mas conjugados. A cabeça fazia-se sentir, ora pesada ora leve. Sentei-me nos pés da cama e estiquei os braços, pude esticá-los o quanto precisava para chegar ao armário. Estiquei-os dois metros para a frente. Saquei as botas do armário e calcei-as. Num gesto quotidiano puxei o fecho “éclair”, ziiip, um pé, ziiip outro, um terceiro loop – despia-me, vestia-me, zziiip ziiip.
Sentada nos pés da cama, olhei novamente para o armário, as botas continuavam lá dentro, olhei para os pés, as botas estavam calçadas, olhei para o armário… um quarto loop – despia-me, vestia-me, zziip ziiip, as botas no armário e as botas nos pés. Levantei-me e fui-me deitar, lembro-me de ter pensado “deito-me com as botas” e um quinto loop – despia-me, vestia-me, ziiip ziiip, botas no armário botas nos pés, deito-me. Caí, não parava de cair, entra o sexto loop – despia-me, vestia-me, ziiip ziiip, botas no armário, botas nos pés, deito-me, caio. Acordo. Desta vez sinto o corpo pesado, arrasto-me para a casa de banho, olho para o espelho e desvio o olhar “ o melhor é não olhar. Nunca!” penso. Tomo banho, quando volto para o quarto já os Stoned Roses estavam a dar as últimas, “I wanna be adooooored” cantarolei torcendo o corpo à Mick Jagger.
- Querida, olha só, a Mila tinha razão, é de meter dó.
- Porque é que ele está assim? Parece um ouriço! – diz Monroe soltando um guinchinho.
- Urge, que façamos qualquer coisa. - Diz Doutoral dobrando-se para a frente e tocando ao de leve com os peitos avantajados na cabeça de Castellani, que enrolado no chão exprimia a sua desgraça com vagos uivos.
- Porque ele está assim não sei, mas sei qual é a nossa missão. Afaga-lhe a cabeça que eu tiro-lhe os sapatos.
Reagindo às massagens das piquenas, Castellani começou, lentamente, a desenrolar-se.
- Olha Doutoral, olha como ele tão depressa se faz homem...tão querido! Gosta Senhor Castellani? Está melhor? Sente-se bem?
- It’s impossible to resist to a foot massage, nevertheless you could…- professa Castellani com uma voz funda, olhando para as raparigas com os olhos repentinamente redondos -You could...I heard that you two…do you love each other?
- O que é que ele quer Mamalhuda? Não gosta das minhas massagens na cabeça? O que foi querido? Deixe-se estar, relaxe, estamos aqui para lhe proporcionar sensações incontroláveis – diz Monroe dando uma gargalhada e afagando violentamente a cabeça do homem, deixando-o completamente desgrenhado.
- Estás a ver ? O que tu precisas é de um bom abanão, como é que queres que alguém te respeite com esse cabelinho colado à cabeça?
Mamalhuda por sua vez afinca-lhe os dentes no dedo grande do pé fazendo-o soltar um grito misto de dor e de prazer.
- Como grita de prazer! Gostas amori? És italiano não és amori mio? – Monroe entusiasmada continuava freneticamente a massajar-lhe a cabeleira, chegando ao ponto de não percebermos onde acabava a massagem e começava a tareia.
- Tem calma Monroe! – diz Doutoral com o pé entre dentes – Dá-lhe festas como me dás a mim, suave miúda, suave...
- Como as que te dou fôfa? - Monroe liberta-se imprevisivelmente da cabeça de Castellani, que com estrondo cai no chão – Assim? Como estas que te dou? – começando num gesto sensual a massajar as cervicais da outra.
- That’s what I meant..I...oh! My head…- tenta dizer Castellani com os olhos ainda mais redondos.
- És muito querida Monroe, mas não podemos ser egoístas. Viemos aqui para fazer o bem a este senhor, que, afianço-te, está com o coração despedaçado. O que me fazes a mim, fazes a ele com o mesmo peso e medida, e ele está tão giro assim todo despenteado.
- Pois está, não está? Estás tão engraçado – diz Monroe carinhosamente começando a fazer-lhe cócegas – ah! estás-te a rir! larga-me! Doutoral, olha ele!
Doutoral salta para o meio dos dois e os três travam uma batalha de cócegas.
Os corpos enrolam-se, desenrolam-se tornando a enrolar-se e durante horas ouvem-se gargalhadas felizes e gritos de amor.
A Castellani e todos os que praí andam de coração despedaçado com amizade das
LM e DM
é que quando menos se espera...
- Está quieta, este é só para mim, governa-te Monroe...olha ali outro, busca!
Ao Rivezoer com amizade. COM MUITO AMOR
doutoral diz:
oi amor
doutoral diz:
tas libre?
doutoral: diz:
para casres comigo?
doutoral diz:
hihihi
L Monroe diz:
oi oi
doutoral diz:
intão?
doutoral diz:
casa?
doutoral diz:
casas?
doutoral diz:
ba lá!
doutoral diz:
ja combinaste 6ª feira?
L Monroe diz:
estou livre sim sou graciosa, e não mto rica mas amorosa,
doutoral diz:
av ver s elevo uma ganda de uma pedra pra nos rirmos
doutoral diz:
pois... ja sei isso tudo
doutoral diz:
o dinheirinho faz falta, mas... enfim
L Monroe diz:
ainda não, vou lá hoje queres aparecer para delenearmos estratégias?
doutoral diz:
hoje bou ao cine...
L Monroe diz:
nao queres aparecer dp do cinema
doutoral diz:
vasi la tar ate tao tarde?
doutoral diz:
tipo 24h?
L Monroe diz:
sim devo la estar a essa hora se tiveres coragem..telefona
L Monroe diz:
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahh eheeeeeeeeeee!!
doutoral diz:
shimmmmmmm!
L Monroe diz:
cavalos cavalgando relinxando por entre as arvores, sons estranhos, duendos, unicornios quiça extras terrestriais
L Monroe diz:
tudo para os nossos sentidos se deleitarem!
L Monroe diz:
tenho que me ir, acompanhada deste sonho, vou contente
L Monroe diz:
beijos sonantes cridona boazona..hm caso sim caso!
Para mim o 17 do 3 é um dia em falta. Alguém nasceu há uns quantos anos neste dia e não sei se merece que lhe dê os parabéns. Merece concerteza, pensaria, pois não somos todos feitos da mesma massa? Diferentes manifestações de uma mesmíssima coisa - e a coisa é bela!
Os que me parecem mais defeituosos espelham, nem mais nem menos, os meus próprios defeitos. Isto é difícil de engolir, é a mais intrigante das verdades. Aquela verdade que quase todos morrem sem ver.
E o homem do café perguntou-me - “Já ligou o turbo hoje?” - para quem quer passar despercebido deve ser insuportável ter-me como companhia.
Doem-me as costas, estou seriamente a pensar...
(...)"Esta fortaleza iria ser a mais poderosa do sistema de defesa do litoral de Lisboa: defenderia a barra do Tejo cruzando fogo com a Torre do Bugio (começada a construir pouco depois), sendo a fortificação de Cascais a guarda avançada e a Torre de Belém com a Torre Velha da Caparica a defesa última do porto de Lisboa."(...)
in brochura da fortaleza de S. Julião da Barra, edição do Ministério da Defesa, Lisboa, 2003.
«It starts in my belly
Then up to my heart
Into my mouth I can’t keep it shut
Do you recognize the smell
Is that how you tell
Us apart
I fool myself
To sleep and dream
Nobody’s there
No-one but me
So cool
You’re hardly there
Why can’t this be killing you
Frankenstein would want your mind
Your lovely head
Your lovely head»
Goldfrapp, in «Feltmountain» - 2000
Este meio de comunicação, esta coisa "blog", esta junta infiltrou-se de tal modo na minha vida que ontem me pus a pensar o que era afinal a internet. Sempre a aceitei sem me interrogar de onde veio, como foi criada, para onde vai... usei-a por pura necessidade, mas agora que conheço pessoas que não conheço, agora que ela se infiltrou na minha pele como uma bactéria e que algumas pessoas já fazem parte da minha vida como um sistema unificado invisível, interroguei-me. O que é isto? Quem é que manda aqui, quem é o Senhor Internet? Como é o Cyber God? É infinitamente misericordioso como o outro? Omnipotente e omnipresente? Ou não existe simplesmente. Sim, não existe um centro, é uma rede sem centro, ninguém manda, ninguém sabe, todos usam e alguns controlam. Será?
Ouvi dizer que a internet foi inventada por um suíço que se baseou no sistema de rede informática da “Defesa Americana” . Um sistema sem centro, de modo a garantir a sua sobrevivência em caso de invasão, esse sistema ter-se-á então baseado no sistema rodoviário americano que liga todas as cidades e não parte de lado nenhum.
Um polvo sem cabeça com triliões de tentáculos. Perdoem a minha ignorância, mas com tudo isto concluo que a Junta é uma das paragens da Road 66. O meu motel preferido.
«Todas as manhãs, quando as meninas vão para a escola, beijo-as e digo: "Gosto muito de vocês". Digo-o porque é verdade, porque elas têm de ouvir isso e de o saber. Também o digo pelo seu poder mágico, pela capacidade de fazer face ao mundo.»
«love, let me sleep tonight on your couch
and remember the smell of the fabric
of your simple city dress
oh... that was so real
we walked around til the moon got full like a plate
the wind blew an invocation and i fell asleep at the gate
and i never stepped on the cracks 'cause i thought i'd hurt my mother
and i couldn't awake from the nightmare that sucked me in and pulled me under
pulled me under
oh... that was so real
i love you, but i'm afraid to love you
i love you, but i'm afraid to love you
i'm afraid. . .
oh... that was so real»
Jeff Buckley in «Grace» - 1994
Monroe não reage e Doutoral sente a cinza a cair-lhe no coração. Mas era corajosa (não tinha ela acabado com tantos namorados?):
- Pronto, é o Adão, sua putéfia, que sabes muito bem conseguires o que queres. É o nipo-americano que te fez o caldo-verde com chouriço, bem como tu gostas.
- Desculpa, mas não foi com chouriço, e acho que era couscous. Sim, lembro-me perfeitamente! Foi couscous que ele me fez e que depois, o farsante, forçou-me a comer três quilos! Três quilos de couscous enfiados pela goela abaixo, por esse maravilhoso samurai de espada em riste.
Aqui, Monroe desata a rir, furiosa com a lembrança e com a levedura de cerveja. Doutoral não resiste e faz-lhe eco, furiosa com a história universal e também com Petrarca, Bocaccio e Dante.
A porta abre-se e dali irrompem cinco homens, cinco como os dedos de uma mão e bem portugueses.
Monroe pula de contentamento e corre para receber os estranhos-conhecidos. Doutoral range os dentes e refugia-se debaixo da cama. Não queria falar com ninguém, estava oprimida pela ausência da floresta e pelas falhas de memória.
A Loira não dava por nada. Estava eufórica, radiante, rodopiante.
- Olha Doutoral! São soldados da paz! Escusas de pensar que não te vêm aí escondida com as mamocas de fora...és como os gatos...tu, sai daí anda!
- Achas que veem por bem? Que querem eles?
- Não te armes em sonsa, depois do estrilho que fizemos...
Doutoral endireita-se e num gesto certeiro lança o telemóvel pela janela. Fixando os soldados com um olhar dúbio, abre a garrafa e, como água para a sede, bebe um litro de vodka. Arrota depois imensas linhas de palavras, que se vão colar ao corpo de Loira Monroe e, felizes, mão na mão, uivam juntas pela madrugada.
Ah! Os cinco bombeiros...! Esses perderam a paz e pondo em risco as suas carreiras de soldado açoitaram-nas valentemente. A calma regressou enfim ao Motel e o U ao Prsidente.
Mais um filme que nos fala directamente do coração. Para quem não rejeita frases como: envelhecer não significa ficar mais velho.
Com a optima representação de Julie Walters, Helen Mirren, Linda Bassett, Annette Crosbie, John Alderton. Realizado por Nigel Cole.
Quase chorei, ou talvez não.
Especialistas calcularam que, por entre os seus afazeres, sobejavam ao homem da pré-história cerca de 4 horas livres por dia. Agora digam-me, como preenchiam estes homens os seus tempos livres?
hoje estou gelada. à falta do gás aqueço-me com o secador de cabelo.
Depois de algum tempo, aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança…
E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas…
E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso…
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas alguns segundos para destruí-la… e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias…
E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, devemos sempre deixar as pesoas que amamos com palavras amorosas…pode ser a última vez que as vemos…
Aprendes que paciência requer muita prática
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento, condenado.
E finalmente,
Aprendes que o tempo, não é algo que possa voltar atrás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga flores.
E percebes que realmente podes suportar…que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida!
E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!
«à mordre les mots à tordre les mots à jouir les mots
à cuire les mots voyage les mots des noms des noms des noms
Kalou on ice=sali=Henriette ROCK=À.Petits-Pieds=Peter Schlagger
l 'astronaute halluciné léxil et l'aprés exil l'écriture
l'astromaute HALLUCINÉ l'éxil et láprès exil l'écriture
qui parle DU CORPS
les mots les mots fruits LES MOTS jus
les mots les textes
le même text les mots jus les mots jus les fruits de mer
les fruits de mer un ESPACE suicidaire
une véranda la gare la ville le port la peau la
PEAU de lui
les mots les mots fruits les mots
jus les mots
à mordre les mots
à MORDRE les mots
l'astronaute halluciné (de)
léxil, et l'après exil
les mots les mots fruits les mots jus les
mots
les mots les mots fruits
les mots jus les
mots
les mots les mots fruits
les mots jus les mots
les mots fruits les mots fruits les mots jus les mots»
Música: Wordsong
Poema de Al Berto : "Le plus grande calligraphe"
(vale a pena ouvir)
"É tão bonito observá-las aos pares a defenderem os interesses da multidão de que fazem parte..."
«Quand on est tout blasé,
Quand on a tout usé
Le vin, l'amour, les cartes
Quand on a perdu l'vice
Des bisques d'écrevisse
Des rillettes de la Sarthe
Quand la vue d'un strip-tease
Vous fait dire: "Qué Bêtise !
Vont-y trouver aut' chose"
Il reste encore un truc
Qui n'est jamais caduque
Pour voir la vie en rose
Une bonne paire de claques dans la gueule (...)»
Estavam no Motel. Motel Prsidente. Tinha-lhe caído o “U”. Para colmatar a carência, resolveram começar a Uivar pela noite dentro. Mão na mão, Elas Uivavam ao mesmo tempo que folheavam, desesperadas, os livros empilhados no quarto.
Uma começou a chorar. A outra a rir. Mas sempre a Uivarem. Não queriam deixar o Motel indiferente à sua presença. Por isso uivavam. Por isso liam. Por isso apertavam a mão uma da outra, por isso magoavam os músculos dos braços, por isso não entendiam nada do que vinha nos livros. Mas ao menos uivavam e faziam estragos tremendos por todo o estabelecimento. Não havia quarto, sala ou corredor que já não tivesse sido vandalizado. A destruição acompanhava os berros, cada vez mais lancinantes.
- Vais apanhar nessa cara de desenvergonhada!
E o homenzinho seboso pôs-se a admirar as pernas de uma das Uivadoras. O suor começou a escorrer-lhe pela cara gorda abaixo, e os membros começaram a tremer-lhe.
- Andem cá que já bos digo. Cabronas! – disse tirando da manga um lenço e limpando o suor que lhe escorria ambundantemente por todo o corpo, criando um charco em seu redor.
As raparigas fizeram silêncio e imediatamente desataram a fugir em todos os sentidos.
Corriam para trás e para a frente como presas enjauladas, até que ao fim de alguns minutos, tendo já saído do transe momentâneo que os uivos lhe haviam provocado, Mamalhuda pára e enfrenta frontalmente o sujeito. Por sua vez Monroe continuava às voltas no quarto até que escorrega na poça de suor e fica deitada aos pés do dito, olhando-o de baixo, num estado de pânico inconsciente. A amiga veste então o ar doutoral suficientemente eficaz para acalmar o gerente e diz ofegante:
- Senhor, peço desculpa, responsabilizar-nos-emos pelos danos causados. - O homenzito fixo nas cuecas de Monroe que continuava especada a olhar para ele, passa a mão na careca ensopada e afirma:
- Se assim é – continuando com o olhar fixado – tendes muitas maneiras de o fazer. A começar por me dares essas calcinhas. Tens de as tirar, estão encharcadas do meu suor... - E aí, todo ele tremeu, convulso, no desejo entrevisto, na esperança de sentir a calcinha por entre os seus dedos inchados, nos quais um enorme anel brilhava.
- Se não me deres já esse anel, homem horrendo, juro que te parto em dois!! -
E Doutoral tinha um tal ar de ferocidade estampado na cara tumefacta pelo ódio, que o gordinho desviou os olhos das calcinhas da loira que, no chão, os observava transida de excitação ante aquele inesperado duelo.
De repente, Monroe começou a olhar para todos os lados, com ar de animal acossado. Doutoral estranhou o brilho doentio nos olhos esgazeados da outra.
- Mas que... Mas o que é que tens, Monroe?
Sem parecer reconhecer nada nem ninguém, soltava gritinhos e estalava os dedos. Começou, perante a cada vez mais perplexa Uivadora, a rodopiar no charco de suor, com a língua escancarada. Tão subitamente quanto o seu corpo começara a vibrar, parou, e arranjou os cabelos, acariciou a barriga e disse numa voz cheia de duplos sentidos só para ela perceptíveis:
- E tu, minha palerma, por que é que só apareceste agora? Depois de um dia inteiro encafuada neste quarto, sem mais nada para onde me virar senão a comida do frigorífico, não era natural ter dado em louca e ter atacado o nosso vizinho? - gritou inconsequente para a Doutoral, que lutava para arrancar o anel do dedo inchado do seu dono.
- E não vês que só chupando esse dedo nojento é que consegues tirar-lhe o cachucho? Dá cá!- autoritária, Monroe abocanhou implacavelmente o dedo do Gerente, esforçando-se por imitar certos gestos que vira em determinados filmes.
- Pára por favor. Não tens “background” nem para convencer o menino Jesus. Isso não se faz assim, repara e aprende! – enxotando a Loira, Doutoral Mamalhuda pega delicadamente no dedo do Gerente que rosna entre dentes: – Vão-se os anéis fiquem os dedos...- libertada dos afazeres e pouco interessada no que a amiga lhe pudesse ensinar, Loira Monroe dirige-se para a janela que dava para as traseiras:
- Uma horta! –diz melancolicamente sem olhar para trás – Querida, tu que vieste do campo diz-me, os teus avós faziam hortas? Plantavam as couves? E tu colhia-las? Bem me apetecia um caldo verde! - e olhando então para dentro do quarto, encontra a sua amiga de mão dada com um senhor de idade.
- É o teu avô?
- Não! - responde a neta displicentemente como quem sabe que tem um trunfo na manga - é... Heidegger!
(a saga não acaba aqui)
«E dizes tu que és meu amigo
Que me dás tudo o que eu preciso,
Eu quero mais
Quero muito mais.
E dizes tu que és meu patrão
Tenho muita sorte em não dormir no chão,
É o que tu dizes
É o que tu dizes
É o que tu dizes
É o que tu dizes!
E vens tu mais a tua tropa
E eu só tenho a minha manta rota
E já sei que vou levar co’a moca
Por tentar abrir a boca,
E comigo é sempre assim
Eu sei lutar até ao fim
É tudo ou nada!
É tudo ou nada!»
Xutos e Pontapés por Lulu Blind
"Cegos e surdos não fazem nenhum, comem papas e bebem rum!"
O conto de fadas para quem não tem imaginação
"A mesquinhez, a estreiteza imaginativa são os vícios definidores da nossa época.
Somos incapazes de escrever, ou de querer escrever, ou de saber ler sem escrever, epopeias. Em compensação, escrevemos romances.
O romance é o conto de fadas de quem não tem imaginação. Todos nós, ou inferiores, ou em momentos de inferioridade, sonhamos com atitudes da vida real. Sonhamos também, é certo, com o longínquo; mas isso é, em todo o caso, a poesia da mesquinhez. "Tout notaire - dizia G. Flaubert - a rêve de sultanes". O ajudante de notário, porém sonha apenas com uma sucessão de acontecimentos em que entra a vizinha possível, o marido dela, ele galã, e assim por diante.
A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. Talhar a obra literária sobre as próprias formas do que não basta é ser impotente para substituir a vida."
Fernando Pessoa, in Páginas sobre Literaturatura e Estética, Livros de Bolso Europa América, Lisboa, 1986.
Três na linha novamente. Grande farra! Só não vejo nada...cambada de voyeurs.

Com uma intensão semelhante mas desta vez sozinha, ela parte.
«I wish I was a hunter in search of different food
I wish I was the animal which fits into that mood
I wish i was a person with unlimited breath
I wish I was a heartbeat that never comes to rest...»
As palavras não a comovem, não significam nada, não se encaixam no seu sonho de liberdade para aquele fim de semana. Chega a pensar se porventura aquela partida brusca e sem destino faria sentido...Senão porque não sentia o arrepio a correr-lhe nas veias? Seria porque na realidade nada tinha deixado para trás? – “Não tinha nada para deixar!” – assolada por tais pensamentos Pandora endireita-se bruscamente no assento, passa a mão na cara e despenteia os cabelos, estica o pescoço e conclui aterrada que ninguém lhe sentiria a falta – “E é preciso abandonar alguém para nos sentirmos livres?! Não pode ser.”
Não sei se impelida por alguma teimosia ou se por instinto, arrepia caminho certa de que num dos troços da viagem sentiria vontade de nunca voltar.
Já a jornada ia longa quando pára numa bomba para tomar café e comprar um isqueiro. Há três horas que não fumava – “Tanto melhor”- pensa.
Bate a porta do carro, os seus passos parecem-lhe lentos em relação à velocidade que tomara até aí.
Recostada displicentemente na cadeira do café, exalando círculos de fumo absorta a quem a rodeava, é surpreendida por um homem:
- Então, está tudo bem? diz Trips sentando-se rapidamente a seu lado de modo a disfarçar alguma timidez que as vicissitudes do tempo e da ausência não perdoam.
- Ah! Tu! – diz ela corando – não contava...
- Vais para o Porto?
- Não, porquê?
- Nada, podias ir para o Porto...
- Vais tocar ao Porto?
- Sim. Está tanta gente, muita gente aqui não achas?
- Pois, é carnaval.
- Então faz boa viagem – diz Trips apagando rapidamente o cigarro enquanto se levanta.
- Adeus- diz ela com uma voz sumida, seguindo-o com o olhar e circundando-o habilmente com uma das bolas de fumo – “Sempre gostei daquelas ombros rectos”.
Segue viagem. Agora já não pensa nem tão pouco ouve a música. Funde-se com a paisagem que muda a todo o instante tornando-se cada vez mais densa.
«I wish I was a forest of trees that do not hide
I wish I was a clearing no secrets left inside
I wish I was a stranger who understands the sky
I wish I was a starship when Saturn's flying by...»
A estrada por sua vez é cada vez mais estreita e Pandora está finalmente só.
Ao longe, contrastando com o céu de fim de tarde, um vulto escuro e magestoso eleva-se por entre as árvores. Dominada por um sentimento arrebatador e, posso afirmar, simultaneamente devorador, Pandora escancara a boca querendo engolir duma só vez toda aquela magnitude. Com o coração dilatado, acelera na direcção do Gigante que imóvel a aguarda, impassível e indiferente, como aliás sempre foi, a criaturas insignificantes.
«I wish I was a writer who sees what's yet unseen
I wish I was a prayer expressing what I mean»
Música: Soundtrack "Run Lola Run"
«Girl
I wanna take you to a gay bar,
I wanna take you to a gay bar,
I wanna take you to a gay bar, gay bar, gay bar.
Let's start a war, start a nuclear war,
At the gay bar, gay bar, gay bar.
Weow
At the gay bar.
Now tell me do ya, a do ya have any money?
I wanna spend all your money,
at the gay bar, gay bar, gay bar.
I've got something to put in you,
I've got something to put in you,
I've got something to put in you,
At the gay bar, gay bar, gay bar.
Heow
You're a superstar at the gay bar.
You're a superstar at the gay bar.
Yeah you're a superstar at the gay bar.
You're a superstar at the gay bar.
Superstar.
Super, superstar!»
EXPLOREM o resto 'cause it's fucking cool!
Bom fim de semana e um entrudo alegre eu cá vou de macaquinho.
Quando o conheci era um petiz com cara de anjo mau, capaz de fazer despertar os mais proíbidos desejos aos devotos da virilidade. No género de Tadzio.
O rapaz cresceu, rapou os caracois loiros e tornou-se duro como um homem. Eu vi porque estava lá entre folhas e livros, ele não reparou porque se fazia homem. Vi formar-se um bando de cachorros que brincavam e rosnavam, como é próprio da idade. Pouco mais tarde era já um gang de cães danados. Gostava de os observar. Conhecia-os a todos, distinguia-os um por um pela actuação, eles não reparavam, demasiado ocupados a serem homens. Já eu largara os livros e as folhas quando o bando se dispersou.
Hoje, parece que sou uma privilegiada, para além da vista de mar, posso desfrutar diariamente da, por vós tão desejada, companhia daquele que foi Tadzio, agora o académico alemão em crise, mas neste caso sem busca de um ideal de beleza. E tomamos café e falamos vagamente desses tempos e dos vossos nomes aos quais ele reage com um sorriso de anjo mau.
- Vou passar o fim de semana para a montanha junto ao mar. Libertar-me do frenesim e da frustração de querer fazer muito e não fazer nada. Queres vir?
- Tenho de estudar, tenho que ler senão o que será de mim. Ele mata-me, aniquila-me, talvez fosse bom sair daqui. Quem me dera poder deixar cá os meus pensamentos. Sim vamos!
- Olha para esta vista...não há descrição...esta água límpida.
- A montanha todos os dias muda. Este silêncio, o barulho das moscas...
Ela é canhota, segura o livro ao alto e com a mão esquerda escreve. A outra vai para dentro. Senta-se à frente da janela a que chama aquário. Fica indecisa, lá dentro a vista é enquadrada, lá fora a imensidão e o vento.
- "Cá dentro" - decide.
Elas lêem, escrevem, a montanha em frente é só já uma sombra negra recortada.
- Tal e qual os desenhos das crianças não achas?
- Sim, olha a árvore solitária!
- Adoro ciprestes..
- E o que achas do "horizonte de expectativa"?
- O quê? Expectativa de amores húmidos? diz ela rindo nervosa e frenética.
A outra desliza para a brincadeira e, depois, coloca um ar doutoral:
- Não filha, não é amor, é de arte que te falo. Arte sem amor. Arte que nasce precisamente do não-amor. Do não-lugar húmido. Do não-sexo. Vazio.
A loira Monroe surpreende a doutoral. Tira-lhe o tapete dos pés:
- Vazio referencial de Gadamer? Ó querida, isso é tudo uma g'anda treta. Vem mas é cá ver isto - esganiça a voz - Anda!
As duas deitam-se na relva, rebolam como duas enormes e graciosas aranhas felpudas, e riem de felicidade.
- Há algo mais belo do que esta natureza à La Toscana?
Lá dentro, em casa, dois mosquitos são vorazmente engolidos pela aranha. Um minuto mais tarde a loira Monroe persegue, obstinada, o animal a comando de gritos estridentes da Doutoral mamalhuda que salta na cama:
- Faz qualquer coisa!
- Quando te enervas incha-te a boca, ficas sexy, sabias? diz a outra hesitando com o sapato na mão.
- Mata-a!
Impelida pela boca carnuda, num gesto feroz e preciso, loira Monroe esmaga a aranha. Derreada senta-se no chão, triste.
- Desculpa, é que não consigo coabitar com esse tipo de animais - diz mamalhuda tirando o ar doutoral.
- Era tão grande... parecia... acho que olhou para mim.
- As teorias de Brian O'Doherty são interessantes, bem diferentes das dos teóricos. É que ele é um usuário, a exposição de arte tratada por um artista é bem diferente...
Nesse instante passa um helicóptero. As raparigas, em consonância como que numa coreografia bem ensaiada, esperneiam gritando " Let me go! Let me go!". O helicóptero segue o seu caminho, elas voltam à leitura.
- A fotografia veio revolucionar a expressão estética. Na pintura as margens desapareceram, a representação da paisagem passa a ser um recorte duma paisagem maior.
- Sim, e as molduras, que não eram mais do que o símbolo que anunciava a condição de "grande mestre" e uma condição monetária...
- Mas já no séc. XIX a forte convenção do horizonte atravessa com muita facilidade o limite da moldura...e que tal se me emoldurasses mestra? Faz de mim uma obra prima!
- Cala-te, não levas nada a sério, és de uma leviandade...
- Sempre sirvo para matar aranhas... e ela olhou para mim, nunca hei-de esquecer aquele olhar.
- E as aranhas lá têm olhar! Quantos olhos tinha vá - diz ela colocando novamente um ar doutoral. Monroe arregaça as calças e pousando vaga e pensativamente os olhos nas suas pernas acrescenta:
- Muitos fica sabendo - passando docemente as mãos nos joelhos - Tantos quantos pelos tenho nas pernas.
- Bem se vê que não tens homem há um tempo, loira Monroe.
- Aquele olhar...talvez tenha morto o que me restava...
- Que tal irmos à Jugoslávia no Verão?
- Que cheiro estranho! Sentes?
Loira Monroe abria as narinas qual felina a perscrutar no ar o cheiro de uma presa.
A outra prosseguia, enlevada e alienada – frise-se – no seu sonho de liberdade:
- Sim , na Jugoslávia, através da ruptura da História, encontrarei – aqui pára e olha frontalmente para Monroe, que continuava a dilatar furiosamente as finas narinas – encontraremos a superliteralidade dos nossos corpos... – sentiu um calafrio e aconchegou-se na manta de patchwork bafiento e aracnídeo.
Monroe saíra do seu transe animalesco e num gesto bizarramente cândido, começou a acariciar as suas longas pernas:
- Chiça! Não há ninguém que me faça rapar os pelos! – e, olhando para os cabelos pintados, e muito mal pintados, da já não tão morena Doutoral que desaparecera por baixo das mantas e almofadas, diz – Nem Courbet, nem Matisse, nem a arte de pendurar quadros, nem mesmo os cubos de Judd, me farão dizer não à Jugoslávia!
"Au début, la beauté
Au début, la beauté, pour les messieurs
C'était des poils, de toutes les sortes
Au nez, au cul, sur le thorax
Ou même en forme de barbe
On portait aussi le ventre
Et les épaules trop larges payaient la taxe
Seulement, on a protesté
(Personne ne sait plus qui, car il l'a regretté après).
Alors un homme nouveau
(Et pas un self-made man, vu qu'il serait un con,
S'est donné la peine de naître
Il s'entraîna depuis son plus jeune âge
Et devint beau comme Jean Marais
Grâce à la quintovence de l'abbé de Frileuse
Il pratiquait tous les sports de salon
Depuis la pédérastie combinée jusqu'au pistolet Eureka
Mais on l'accusa de ne pas être un homme
Aussi, pour prouver le contraire, il a eu un enfant avec un chien
Ah! Ah! Vous êtes bien embêtés."
Boris Vian
"Taste classifies, and it classifies the classifier. Social subjects, classified by their classifications, distinguish themselves by the distinctions they make, between the beautiful and the ugly, the distinguished and the vulgar, in which their position in the objective classifications is expressed or betrayed."
Pierre Bourdieu
Bom fim de semana.
Fiquei escondida à espera. Vi-o entrar, foi emendar o cônjuge para cônjuge. Adorei vê-lo, todo prefiladinho, empitocado, muito direito. Um manga de alpaca é o que é esse tal revisor oficial. Apeteceu-me despenteá-lo, mandá-lo dizer um palavrão: "vá diz NUMARO 1", mas a criatura não tem o mínimo, não dá luta. Se quiserem escondam-se, ele virá AQUI emendar certas palavras. xxxiuu não façam barulho.
"msm=»P388*=472
my Message 4U-Ligue 12300 e no Dia dos Namorados surpreenda a sua cara metade com uma dedicatória original. Programe ja o seu envio ( Eur 0,30/min+Eur 0,60/envio)".
Fdx mil vezes fdx. Isto é demais. Estou sem palavras, estou toda vermelha, Estou com raiva. Saiam-me da frente que eu não respondo por mim. Mas o que é isto?!
PROGRAME JÁ O SEU ENVIO!!!!!!!!! ? Ai de quem não o fizer pois é um péssimo cônjuge, um namorado de merda, um egoísta, uma egocêntrica....
Uma DEDICATÓRIA ORIGINAL! até me engasgo!
Invadem-me o telemóvel com mensagens para fazerem dinheiro à custa das minhas paixões?! Quero que se lixem, que vão para o buraco mais fundo, que se enterrem.
Uff que alívio, realmente é bom despejar as angústias em cima da populaça da junta.
E já agora digam-me
O Amor " Será parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?"
O observador está só, num ermo místico ou na orla duma cidade...estranhos encontros entre os adormecidos e os acordados.
Entrem no "night train", percam-se.
Vão ao Kiasma Museum of Contemporary Art.
Hoje ao entrar na junta deparei com uma rapariga que me barrou a entrada. Empunhava um cartaz, daqueles com um pau, à americana, que dizia:
QUERO OS RECADOS DO MOÇO!
M.s
A mulher era parecida com alguém que eu conheço, ou talvez já a tenha visto por estas bandas, talvez até no restaurante da esquina, a beber copos de acool com o Moço, não sei...
Aqui fica o recado.
O verdadeiro AMOR é o amor de cão!
Soubesse eu que hoje vinhas e tinha ficado.
Soubesse eu que hoje vinhas e tinha-me arranjado.
Soubesse eu que hoje vinhas e tinha jantado.
Soubesse eu que hoje vinhas e tinha rezado.
Soubesse eu que hoje vinhas e tinha fugido.
Soubesse eu que hoje vinhas e não tinha resistido.
Soubesse eu que hoje vinhas e tinha adormecido.
Soubesse eu que não vinhas e tinha enlouquecido.
Soubesse eu o que sei e não te tinha conhecido.
Soubesse eu o que não sei e não me tinha oferecido.
Três janelas e uma porta e não tinha acontecido.
Três janelas e uma porta e tu assim estendido.
Três janelas e uma porta tanto sangue escorrido.
Três toques na porta o vizinho embranquecido.
Não há toques na porta um polícia enfurecido.
Três janelas e uma porta já ali tinha acontecido.
Ela gostava de o retratar. Ele gostava que ela o captasse. Ela retratava-o das mais diversas formas. Ele expunha-se de muitas maneiras. Ela gostava de se esconder, ele gostava de se exibir. Ela vestia-o, ele despia-se. Nunca falaram, nunca assumiram, apenas corriam para casa, todos os dias. Ela mora no 5º C, ele no 6º B.
Pensando bem não existem nem bons nem maus corações.
Existem sim corações abertos e corações fechados.
O teu amor e o meu, o nosso,
consiste numa prolongada desmemoria.
Pelos vistos esqueceste-te
que a decência já a tinhas deitado a perder
muito antes de eu acabar na tua vida.
Esqueces, quando dizes as coisas que me dizes,
que não sou o teu tema predilecto de conversa
e que as tuas amigas, as pobres
eclipsam os nossos jogos de alcova.
Não te queres dar conta de que amares-me,
correntemente, já não é um risco,
antes um hábito digno de melhor recompensa.
E quanto aos domingos
(que são inevitáveis, como dizes)
continuam bem tristes, ainda que não tão vazios.
Não digo por exemplo,
que saberás perder-te por ti própria
e que a marca da minha vida na tua
será insignificante, como insignificantes
serão as nossas duas vidas na vida do mundo.
O teu amor e o meu, o nosso
consiste ao que parece em misturar os silêncios
com aquilo que esperamos ouvir
nos momentos mais necessitados.
E suponho que não há um bom motivo
para dizermos tudo.
A única certeza é que viveria melhor
se te pusesse a preço nas esquinas.
Sabes a minha intenção: quero perder-te,
dividir a história da tua vida terrena
e se possível arruinar-te qualquer outra futura.
Já sei que te compraz a forma como te quero.
Muitas vezes aprecio as tuas virtudes:
que, desmaiada, fumes na banheira,
que te seja precisa a mordaça nocturna
para que não se alterem os vizinhos,
ou o gosto que cultivas pelo meu livro de cheques.
Sabes que me compraz a forma de me teres amor.
Contudo, fatigam-me os teus admiradores
- os criados dos bares de moda, os músicos,
os catedráticos da tua Universidade -
e o afã com que procuras que me provoquem ciúmes.
Deve ser da idade, devo estar a perder
a predisposição que tinha para as brigas.
Ainda que me custe, agrada-me saber, minha querida,
que o que perco para ti em vigor
o ganho em artimanhas, em prudência,
em estratégia, em rectidão de espírito.
E tudo o que ganho, em pouco tempo,
acaba sendo teu.
Sorry lá
O autor do poema abaixo é o senhor Carlos Marzal, o poema é um triptico que será exposto por três vezes, sem cenas dos próximos episódios.
Dormi três horas e não foi porque me pusessem uma mordaça nocturna, foram valores mais altos para uns, mais baixos para outros, para mim tanto faz, o que eu tenho é sono.
Para todos o coração ao alto.
Deitaste-me a perder a compustura e a cabeça,
a severa decência que tinha
e algumas roupas da minha mãe.
Por isso te adoro e te detesto.
Ensinaste-me o Sena, cinza e sujo,
que não troco pelas filas traseiras dos cineas,
como não troco as zangas em público
- com as nossas reconciliações, tão violentas -
por esses poetazecos que tu lês.
Não posso nunca prescindir
de comentar (exageradamente) com as minhas amigas
os nossos jogos privados, quando faço de hospedeira,
equilibrista ou doente.
Amo o risco de amar-te e a vertigem
da vida a teu lado.
Amo os teus presentes caros sem motivo,
tal como os inevitáveis dias de domingo,
que já não são tão tristes com as tuas mãos.
E se tu assim quiseres
podes pôr-me um preço nas esquinas.
Expliquem-me. Falem-me dessa coisa que está muito em voga: auto-estima, amor próprio..
Estou viva por acaso e na maior parte dos dias esqueço-me de mim. Telefono-me pouco, não procuro ver-me mais do que cinco minutos por dia, sexo comigo? Conto pelos dedos da mão/ano. Ofereço-me cigarros, e ginásticas dolorosas. Obrigo-me a levantar cedo, com muito sono, flajelo-me com o mau humor, e quando tenho dores obrigo-me a suportá-las. Pinto-me para ficar diferente de mim. Devia massajar-me, fazer-me festas? Beijar-me, gabar-me? Digam-me, gosto de mim?
O Amor não existe, resume-se a conveniências de tempo e de espaço.
«Se ficasses para sempre
nos olhos que em ti medi
naquele balouçar de vestal e puta eternamente
serias o sonho prolongado
que não há
mas os anos amiga
os anos que passaram
fizeram de borracha a tua pele
e o desespero das rugas
enfeitou teu rosto
num rasgo de ti mesma
e desdobras-te em cascatas de gestos
em busca do que foste
sem saber
há qualquer coisa de injusto em tudo isto
porque os meus olhos são da mesma idade
e o tempo
esse carrasco lento
fez de nós uma referência
uma memória esconsa do que fomos
e hoje são tuas filhas
quem herdou de ti o alçamento
a graça de garça
e o altar de espanto
mas tu amiga
aqueles teus seios de mármore
que mordi de amante
esses roubaram-mos de inveja
o tempo e a lonjura
por isso recuso ver-te hoje
sem ser nessa memória
dizem que é assim
isto de viver
mas há tudo de cru, injusto e triste
nessa amargura
que a beleza extrema
nunca houvera de morrer
e o tanto que me estrago
não magoa
que eu nunca contei muito
para o belo que me deste
sempre vou ser isto
mais coisa menos coisa
cada vez mais velho e mais agreste
mas tu
tinhas direito à eternidade
teu rosto teu corpo tuas mãos
moram para mim na ideia que te guardo
há qualquer coisa de injusto em tudo isto
porque os meus olhos são da mesma idade.»
Pedro Barroso
Meu deus fui chamada. Coragem mulher, penso. O pavor da ribalta invade-me, o que vou dizer, como lhes vou parecer? Já dizia um amigo meu "a primeira imagem é aquela que fica" e dizia por isso "tem cuidado com o que dizes, és dona do que não disseste e escrava do que proferiste". Pensei por isso começar por falar com palavras de outro, ele é que se trama, apesar da escolha ser minha...menos mau.
Amanhã, amanhã vou lá, está decidido.
Sentei-me hoje no meu gabinete, o Sr. Prusidente, finalmente, conseguiu dar-me as chaves...