Caminhei o dia todo sem destino e indiferente ao charme de Roma. As decisões nao se encontram ao virar da esquina. Habituo-me outra vez à doce ilusão do conforto e pelo caminho vou observando com atenção os rostos e os gestos dos vagabundos.
Que esperam, de onde vêm ?
Compreendo–os tão bem. Esperam apenas do presente um lugar seco e tranquilo onde se possam deitar e dormir longe de olhares que os façam reagir. Talvez um banco de jardim não muito duro por detrás de uma árvore grande.
Os melhores lugares da cidade são os primeiros a ser ocupados .
Beijo, se é que os meus lábios são dignos, as mãos, os corações de todos os rostos amáveis e familiares que foram deixados para trás e que os amaram enquanto estes nomadas se deixaram amar.
Procura-se o esquecimento, procura-se não pensar demais, tornar-se completamente vazio de laços, vaguear sem memória, sem remorsos num labirinto sem fim.
Abandonada a memória, a bússola, o fio, deixamos de ter sonhos .
Comidas as migalhas que nos podiam reconduzir de volta à saida entregamo-nos nas mãos de uma providência sem significado.
O perigo passa a ser imediato.
Os possíveis perigos futuros um luxo de quem vive em camas fofas e quentes.
"Na história de Eros e Psique contada por Apuleio, Pan protege Psique do suicídio. Desconsolada, sem amor, a ajuda divina é-lhe negada, a alma é presa do pânico. Psique atira-se ao rio mas este rejeita-a. Naquele momento de pânico, Pan aparece na forma do seu outro lado reflexivo, o Eco…
…O comportamento é natural, em um certo sentido, divino; é um comportamento que trascende os jogos humanos dos objectivos…
A causa de tal comportamento é obscura: nasce espontaneamente, repentinamente.
O seu lugar de origem, a Arcadia, é uma localidade tanto física como psíquica. As obscuras cavernas... onde vivem o impulso, as trevas fora da psique das quais nascem o desejo e o pânico.
...um vagabundo sem a estabilidade que resulta da geneologia..."
James Hilman in Saggio su Pan
"[...] ou converso de modo tresloucado, infantil ou muito sério com a parte mais profunda de mim, que por comodidade chamo de Deus."
do Diário de Etty Hillesum (1941-1943), editado pela italiana Adelphi, ainda sem traduão em português. São as últimas palavras antes de ir para Auschwitz, palavras corajosas sem pieguices que procuram luz e sentido quando à volta tudo se torna cada vez mais difícil.
"[...] Lasciar completamente libera una persona che si ama,lasciarla del tutto libera di fare la sua vita ,è la cosa piu dificile che si sia..."
saudade
faltam noticias e estou preocupada
beijo grande