
Alex Majoli © Magnum Photos
Conheci o Alex em 1999 quando veio a Macau fazer uma reportagem sobre o Handover. Não falámos muito, porque eu não sou de falar muito, mas o que falámos foi essencial. Calmo e sereno, e observador. Cheio de humor. Gostei dele. Esteve cá umas duas semanas e andámos nos copos várias vezes. Esses tempos foram loucos em Macau. Fechava-se a loja e tudo era permitido. Havia quase a lei do "que se lixe", ninguém queria saber, era uma festa todos os dias.
Nesse período muitos dos portugueses fizeram as malas. A maioria deles um bocado obrigados. Foi um dos grandes erros do processo de transição, abandonar o barco sem pensar no que viria a seguir. Sem querer lutar por uma presença. Mas "que se lixe"!
O Alex tinha uma forma peculiar de usar a câmara e a luz envolvente. Usava o flash de uma maneira que nunca vi mais ninguém utilizar. Dirigia o disparo para cima e com uma das mãos atirava a luz para cima das pessoas. Atirava mesmo e era lindo de se ver. Mais tarde usei o mesmo processo algumas vezes. As fotografias ficam com um ar quente. Um ar de carne. Com o calor da mão a fazer-lhe festas na cara.
Nunca mais o vi. Mas quero ainda trabalhar com ele um dia destes. Está na minha to do list. Trazê-lo de novo a Macau para mostrar o seu talento. Como se vê pelos seus portfolios o Alex gosta de coisas fortes e não tem medo de nada. É único.