janeiro 03, 2006

A Rebelião

- Bebam vinagre, cavalheiros - disse Shuyev.
Ninguém lhe deu alguma resposta.
- Cavalheiros! - gritou Shuyev - Proponho-vos que se beba vinagre!
Makaronov levantou-se da sua poltrona e disse: - Eu aprovo a ideia de Shuyev. Vamos beber vinagre.
Rastopyakin disse: - Eu acho que não deva beber vinagre.
Neste momento o silêncio sentou-se à mesa e todos olharam para Shuyev. Shuyev sentou-se com ar petrificado. Era impssível perceber o que estava a pensar.
Três minutos passaram. Suchkov ensaiou um tossido. Ryvin coçou a boca. Kaltayev ajustou a gravata. Makaronov esfregou as orelhas e o nariz.
E Rastopyakin, caído de costas na sua poltrona, olhava como que indiferente para a lareira.
Sete ou oito minutos mais passaram.
Ryvin levantou-se e em bicos dos pés saiu da sala.
Kaltayev seguiu-o com os olhos.
Quando a porta se fechou atrás de Ryvin, Shuyev disse: - Então. O rebelde partiu. Que vá para o diabo o rebelde!
Todos se olharam entre si com grande espanto, e Rastopyakin levantou a cabeça e fixou o olhar em Shuyev.
Shuyev disse severamente: - Aquele que se revoltar é um patife!
Suchkov cuidadoso, debaixo da mesa, encolheu os ombros.
- Eu sou a favor que se beba vinagre - sussurrou Makaronov e olhou expectante para Shuyev.
Rastopyakin soluçou e, com embaraço, corou que nem uma menina.
- Morte aos rebeldes! - gritou Suchkov, desvendado os seus dentes pretos.
"Rebellion" de Daniil Harms, 1934 - Tradução roubada da parede da casa-de-banho desta cave, a assinatura estava riscada, ao lado alguém escreveu: "Viva o 35 de Abril!"

Publicado por O Homem do Leme | Para Sempre | 5:00
Comentários

Eu (também) sou a favor que se beba vinagre :D

Afixado por: cristina em janeiro 3, 2006 09:11 AM