100 Mente!
«Estou aqui escondido atrás desta haste de arbusto. Eu que não sou de me esconder. Andam a perseguir-me. Desde que saí para almoçar.
Foi mais ou menos na Columbano, ao lado do Rissol Dourado, que reparei no bicho. Um homem escuro - porque não se consegue ver muito bem - com um carrinho de mão cheio de cimento borbulhante. Tudo bem nada de especial. Só me ficou a de não o conseguir ver em pleno dia e, porra, obras há em qualquer lado. Mas!
Sim, mas, quando ia já a descer a António Augusto dou com ele a deslizar rua abaixo. Atrás de mim. Tive a sensação que me observava mesmo sem o distinguir. Continuei. Mas fiz-lhe o teste. Parei. Imobilizou-se. O cimento estava fresquíssimo. Esperei no beiral de uma porta e quando recomecei a caminhada ouvi o chiar do monocórdio. Estiquei-me para a Cerejeira e enfiei-me pelo Parque, até sabe-se lá onde. Ele ziguezagueava indiferente absorvendo os raios luminosos, sem os devolver. O palhaço! Ao menos que abrisse a luz. Ou que a acendesse. Corri. Suei. Nada! Não me perdeu.
Ao lado da Estufa estão umas pequenas árvores da família das Taxáceas, talvez Teixos. Pareceu-me bom refúgio. Estou aqui há cinquenta minutos na tentativa de deslocar uma reacção alérgica. Não me parece que vá conseguir. Ouve-se ferozmente o betão a resfolgar!»
Publicado pelo Prusidente da Junta em 24 de Setembro de 2003
e muito bem publicado. sem erros gramaticais ortográficos ou mesmo de html.
parabéns
encontramo-nos nas cimo das escadas um dia destes?