“Num certo sentido pode-se dizer que todo o Cristianismo contribui para esvaziar o céu de significados: Viver no mundo renunciando ao mundo. E esta é a grandde novidade de Cristo: "Eu sou do Pai e não pertenço a este mundo". O cristianismo é a negação de qualquer valor que pertença ao mundo. Não para preenchê-lo com outros valores mas qualquer coisa que nos convida a viver sempre fora do mundo.
Nietzsche foi o maior pensador do niilismo porque compreendeu esta faceta do Cristianismo. O niilismo exclui portanto a existência de valores mas não faz outra coisa que confirmar o Cristianismo. Para Nietzsche não se pode sair do niilismo senão a partir do próprio niilismo. Isto é da ideia que que no mundo não existem mais os valores. Introduzir um novo sentido ,é este o nosso objectivo com a condição que seja claro que este objectivo não tenha sentido…”
Jean-Luc Nancy em entrevista ao Il Manifesto
A Tiziana trabalhava num antiquário no centro de Roma, sem contrato como eu. Uma loja que parecia um museu com vasos estruscos, colunas romanas, amuletos vários. O chefe dela tinha uma caixa cheia de crackers para dar aos pombos que por ali poisavam na entrada. Uma vez correu a insultos um cliente por este ter pisado a comida dos pombos.
Mauro trabalhava num café e despedia-se dos turistas estrangeiros com um “Thank you thousand”, guiava pelo centro sem mãos e tinha uma tatuagem pequena em forma de lágrima no olho direito.
Iehmanan veio de Belgrado para estudar arquitectura. Dizia que na faculdade era tudo filhinhos do papá, que tinham dinheiro para comprar os melhores materiais para as maquetes. Ele reciclava.
Ele e Tiziana tinham que apresentar-se de 6 em 6 meses na esquadra central para renovar o visto em Itália. Foi em Itália que aprendi a palavra extra comunitário.
Eram sempre mal tratados.
Nancy da República Dominicana tinha um namorado em Napoli mas em Roma fazia biscates como prostituta de luxo. Uma vez jantávamos todos em casa da Tiziana e assistiamos incrédulos ao telefonema erótico com um tipo que gostava que lhe chamassem papá. Durante a conversa ia pedindo presentes.
Tinhamos todos pouco dinheiro mas recordo-me de risos, de dançar e de nos querermos bem.
Tenho saudades destes amigos claros.
Sei que as coisas nunca voltam a ser as mesmas, que o presente é sempre afinal ainda um presente mas mesmo assim cada vez mais tenho saudades de qualquer coisa que já nem sei bem o que é e talvez esteja a mitificar a coisa.
Tenho medo de perder de vez o jeito, de saber como é que se faz ou vive.
salta cá para fora profeta, ilumina-nos. Sobre o ajuste diz a hora e o lugar que eu, pelo menos, já cá estou.
Bocas há muitas seu palerma!!!
olha lá ó papalvo, o que é tu sabes sobre as novidades de cristo? a negação de qualquer valor que pertença ao mundo foi o que eu senti quando li este post! um dia ajustaremos contas, na wonderland!
Afixado por: em novembro 18, 2005 12:56 AM