novembro 14, 2005

Entropia

Três longas horas de procissão pelas ruas de Lisboa em directo na televisão de um estado (serviço público?) que se diz laico… Já me disseram que foi mais pelo número de participantes do que pela laicidade ou não do estado, mas mesmo assim... Três horas de desfile de cabecinhas beatas com velinhas que pareciam lava nos grandes planos e com vozes off a encherem os ouvidos de chouriços bentos.
Os galos na Tailândia parece que daqui a nada vão passar a usar passaporte.
Num café algures na China fala-se de Angola, espera-se pelos cafés que vêm lentos como as impressões que se vão trocando.
Os artistas, palavra grossa, de Angola ou Moçambique orgulham-se das suas raízes. Raramente dizem que não pertencem ao sítio de onde vieram, que são estrangeirados ou que são cidadãos do mundo.
Uma identidade à procura de si mesma após 30 anos de indepenência.
Teria a independência chegado mais cedo se não houvesse em Portugal uma ditadura podre?
Vi a rainha das fadas, Titânia, como uma madame de um bordel e as fadinhas que a servem como lésbicas meio tias com ataques de protagonismo entre elas.
Oberon, o rei, um lutador de wrestling e o rapaz indiano disputado pelos conjuges reais, um Ladyboy.
Os amorosos estudam direito e vestem capa e batina e os bosque para onde fogem uma Latada em Coimbra.
Entropia para isto tudo. O destino do gelo é evaporar-se.
Ou a Ordem tende para o caos e vice versa.

Publicado por Mohamed Ali | Barros na Parede | 17:01
Comentários

se assim for, que assim seja, não volte a tomá-los. eu cá arrepiam-me as multidões.

Afixado por: a.r. em novembro 15, 2005 09:36 AM

Desculpa que te diga mas estás cada vez pior! Não tens tomados os comprimidos pois não?

Afixado por: Entrópico de Cancer em novembro 14, 2005 06:33 PM