No Pátio do Poeta ardem espirais de incenso. Dentro muitos livros que eu ainda não li com títulos sugestivos, chatos nos tomates, abat-jours de seda, uma borboleta gigante, morta, de asas castanhas, aveludadas e um ovo-caixa de madeira maciça.
Em frente, logo à saida de quem sai, um restaurante francês onde se come bem, bons vinhos, bons queijos e boas sobremesas.
Está de partida quem nunca chegou e chegando nunca mais partiu.
Aquele ovo,a quele objecto entre a ficção cientifica e a mitologia em forma pura,~invólucro de nada, símbolo de tudo, encantou-me.
Lembrei-me de um filme do Woody Allen, O herói do ano 2000. Aí um objecto em forma de ovo metalizado induz orgasmos, o orgasmómetro.
No mito grego da Pandora aparece uma caixa que não se deve abrir. A curiosidade foi mais forte. Imagino essa caixa com estas formas ovais.
“Ab ovo”, diz-se em latim do inicio.
Aquele momento em que poderiamos morrer, na impossibilidade de fixar o instante mágico porque sabemos que depois nunca mais será a mesma coisa.
Assim, mortiço.