- Como foi o mergulho? - perguntou-lhe, com a voz lânguida que sempre tem depois do almoço, sem tirar os olhos do teclado.
- Estás a falar ou a escrever? – colocando o baton vermelho e friccionando o lábios num gesto rotineiro.
- Estou a fazer as duas coisas...como foi? Estás melhor? Acho-te tensa hoje, tens a boca crispada e os olhos obtusos. Bem vejo que não escutas nada do que te dizem…
- Eu? Tu nem levantas a cara do teclado quando falas comigo, como podes saber que tenho os olhos obtusos? E se há coisa que odeio é que me digam que pareço tensa quando estou realmente tensa, porque fico ainda mais tensa!
- Estou a ver Monroe, por acaso acho que ficas bela quando ficas histérica.
- Estás a ver, estás a ver? Olha as minhas costas, vês os papéis? Está tudo colado nas minhas costas. Detesto quando fico magnética, raios!!
- EEh poças que até o meu bloco…bolas Monroe as minhas folhas não estavam numeradas! Não se pode viver ao pé de ti quando ficas magnemenológica dessa forma. Atenção ao espaço e ao tempo, não me absorvas tudo grandessíssima alarve!
- Esgoto tudo Doutural, aspiro essa boca carnuda que só emana palavras insignificantes. Tu és irrelevante, tudo isto é absolutamente irrisório! - grita a Loira esbracejando e tentando desviar-se das folhas que esvoaçavam na sua direcção, arrancando as que freneticamente se lhe colavam à cara.
- Não passas de uma boneca de papel e tudo o mais é um sonho excepto tu e a merda dos papéis que a ti se colam. Não acordes Monroe que não vais querer ficar a pisá-los – Doutural Mamalhuda escrevia, escrevia o que dizia e mandava milhões de e-mails para que todos soubessem da corrupção dos impressos. Monroe não tinha a culpa, a Loira era vítima da sua própria volúpia.
Matem a loira!
Afixado por: em novembro 3, 2005 01:52 AM