Tudo tivera início numa brincadeira: beliscões; palmadas nas nádegas; dentadinhas nos seios e no clítoris; alguma violência simulada no limiar do suportável. Nessa tarde estavam dispostos a aceitar essa experiência sadomasoquista. A parte mais dura da sessão viria na inconsciência febril do acto sexual. Teriam de se relacionar como personagens de um teatro burlesco. Era uma condição confortável se sentissem que não se conheciam de lado nenhum e nunca fizeram amor. A familiaridade afectiva tornava-se um obstáculo de contornos vergonhosos. O incitamento à agressão partia dela; uma voz escandalosa e desafiante que se ocultava num murmúrio de luxúria e medo do que poderia sentir. Mas a voz dela era a presença que orientava a dor e o prazer que se alojava no corpo. Ele era o instrumento agressivo. Aquele que seguia uma voz no túnel do seu desejo. E ele não poderia nunca ultrapassar a zona escaldante que delineava a sensação de acidente corporal. Teria de haver um equilíbrio de fronteira que vigiasse os excessos cometidos. No pedestal feminino, numa fúria de cego que perdera o seu único guia, ele estava sempre em risco de criar o perigo emocional, encenando uma sexualidade sem regras friamente definidas. O amor estava desalojado do comportamento adulterado que os dois haviam proposto como primeira experiência. Em níveis diferentes de sensibilidade, o desempenho sexual de cada um preenchia o vazio sexual do outro. Semelhante a um processo de animação radical pornográfico, a violência sexual fazia parte de uma abstracção do amor. O sofrimento aguardava-os nesse compartimento regulamentado pela inexperiência deles.
Publicado por O Escriturário | Nenhum | 12:27
Tarados
Afixado por: em outubro 24, 2005 06:47 PM
Senhor escriturário este texto é destituído de conteúdo. Se não pretendesse algo mais do que o que é (um monte de palavras caras) até ficaríamos calados, mas, como a presunção atinge proporções assustadoras, dizemos: POUPE-NOS!
Afixado por: em outubro 18, 2005 10:14 AM