julho 08, 2005

Madame Satã, num repente de Lucidez !

"AI PALESTINA"
INTIFADA PEDRA SANGUE
DE MENINO A LUTAR
POR ALLAH DA LIBERDADE
ÁGUIAS MORTAS DE PESAR

DE RAMALLAH A JENIN
CHÔRO E PRANTO TÃO VERMELHO
SANGUE EM ROCHA DERRAMADO
INTIFADA FEITO FADO

AI PALESTINA, 'PHALESTYN'
COLA TEU ESPELHO QUEBRADO
GRITA,GRITA MAIS ALÉM
PALESTINA, 'PHALESTYN'
TERRA DE JERUSALÉM

Valéria Mendez (letra e música)

Este singelo fado duma obscura fadista insular, vem a propósito neste momento em que o medo, tal como dizia Alexandre O'Neil, abre cada vez mais caminho neste mundo globalizado.
Os grandes senhores do Mundo, já deveriam ter sabido interpretar os sinais. Os dois pesos, duas medidas que o terrorista Bush impõe à 'intelligentsia' internacional, a supremacia do dinheiro, o desrespeito pelas resoluções da ONU, a fatal incompreensão das vivências culturais de certos povos, onde a fórmula da democracia ocidental não funciona, foram alguns dos grandes motores de arranque para a criação de viveiros terroristas, que de quando em vez, estabelecem reinados de terror em muitas cidades do planeta.
Nova Iorque, Bagdad, Madrid... e agora Londres.

O fado aqui editado, apresenta uma dessas fontes do terrorismo, saídas dum Povo, o mais alfabetizado do mundo árabe. A Palestina conta com o maior número de licenciados per capita de todos os países árabes... e mesmo assim, prolifera o ódio, a irracionalidade, e são cada vez mais crescentes, núcleos político-sociais, que cegos pela ira, sucumbem ao básico desejo de vingança. E todos sabemos, até o mais radical colono israelita, que eles têm razão. Todavia, a ambição de Poder é mais forte. E é também a que provoca maior cegueira.

A Intifada, luta dos meninos da Palestina, pedras contra sofisticadas armas fabricadas nos USA, é destino trágico, é Fado. É a Intifada feito Fado.
O espelho quebrado da Palestina, por superiores e cínicos poderes, deverá ser colado, antes que seja tarde demais. E já é tarde, hoje, mais do que nunca. Quem não sentiria correr nas veias laivos de vingança, quando, de repente, sentisse na pele, o drama de ter sido despojado da sua casa, das suas terras, herdadas de seus avós, e ter obrigatoriamente de passar a viver num campo de refugiados, dormir em tendas, comer ao relento, beber o sangue da ira. Quem poderia, algum dia esquecer, o rosto do seu venerando avô, cabisbaixo e sucumbido pela força bélica dum Judeu, ávido por mais um colonato?
Possivelmente, se um dia, me obrigassem a sair da casa de meu pai, que outrora fôra de meu avô... também, quiçá consumida pelo ódio, me vestiria de dinamite, e entraria por um qualquer centro comercial do cínico Ocidental, e lavaria com sangue a minha dor...
Já diz o velho ditado: "Nunca digas, desta água não beberei".
As Nações Unidas, há longos anos, decretaram que a capital de Israel não podia ser Jerusalém, mas sim Tel Aviv. Apesar de todas as pressões da comunidade internacional, Israel não cede, mesmo constatando que a maioria dos países, com excepção, claro está, dos USA e poucos mais, não mantêm as suas embaixadas na cidade do Santo Sepulcro.
O pior é que os Bushes e os Blairs deste mundo não viajam de metro, nem de autocarro, e acaba por ser o povo, a maioria até consciente da injustiça perpetrada pelo Ocidente ao Oriente, a sofrer as consequências.
E que pena tenho, que os Bushes e os Blairs não façam uso do metro, ou dos autocarros londrinos. Se o fizessem, estaria na primeira fila da plateia, a aplaudir os autores do horripilante acto!
Madame Satã, num repente de Lucidez.

Publicado por Madame Satã | Enfados do Vício | 18:12
Comentários

Oh meu Prusidente Querido, como poder-lhe-ia levar a mal? Eu sei que estou errada! O meu mal é não conseguir viver essa Paz!
Abraço

Afixado por: Madame Satã em julho 11, 2005 07:55 PM

Lá terá as suas razões... que de qualquer modo não subscrevo. Teremos sempre de viver com Bushes e Sharons neste mundo, infelizmente, e é necessário sempre tentar arranjar uma forma consanguínea de harmonia social. Eu sei que isto é utópico. Todo eu sou utópico.
O mais fácil é mesmo mergulhar nessa sede de vingança. Matar a sangue frio, sim, isso é bastante fácil.
O difícil é viver nos escombros e daí formar uma nova vida, uma nova aliança com o mundo que nos rodeia. Encontrar de novo um chão que nos suporte, sem vontade de beber o rancor que nos fez explodir. Encontrar uma plataforma que flua para outros caminhos. Caminhos de felicidade. Percebe-me?
Acho que estou a ficar muito místico. Devoto de uma causa qualquer. Mas parece que é nessa crença que consigo sobreviver, que me conseguirei encontrar com mais claridade. Com mais clarificação.
Sacudam-me, please, se isto aqui começar a alagar.

Não me leve a mal, Madame. Um grande abraço para si também. É preciso ter cuidado para não me chamuscar... ;-)

Afixado por: Pruz. em julho 11, 2005 03:19 AM

Senhor Prusidente, passei hoje a gostar ainda mais de si!

Quando me referi aos "Judeus", não estava como é óbvio a generalizar, estava apenas a referir-me àqueles que persistem numa ocupação ilegal, que persistem no roubo, no crime...que depois levou à 'compreensível' ascensão do terrorismo, das intifadas.
Eu, ao contrário de si, sou pelas "Intifadas". Os Bushes e os Sharons deste mundo, ainda não atingiram um estadio evolucional para perceberem outras formas de luta. Mas isso sou eu, que venho dos Infernos, e você, caro Prusidente, vem concerteza do Paraíso!!! Um dia...se calhar, também lá chegarei. Por enquanto, vivo o Inferno e o Purgatorio, alternadamente...O Mundo, e eu concerteza, temos ainda muito 'karma' para queimar...

Um abraço
Madame Satã

Afixado por: Madame Satã em julho 10, 2005 04:54 PM

Eu nunca posso catalogar o todo e dizer: os Judeus. Porque os judeus como esse todo não existem. São diferentes. Como não posso dizer os Palestinianos. Há diferenças no indivíduo, que impedem o todo de tomar uma forma orgânica.
E sou incapaz de aplaudir um acto desses. Por mais que ache o Bush um imbecil. Não merece morrer por isso. Mesmo que tenha morto centenas no Iraque por negligência, por exemplo.
Não sou adepto da vingança, apesar de às vezes essa atitude possa parece ser a única solução quando o nosso mundo é derrubado. Quando de repente ficamos paraplégicos. Não sou "olho por olho, dente por dente". Sou todo pela vida. Sou todo por gostar dos outros, embora acabe por não gostar dele, por não me rever nos seus olhos. Sou por amar alguém perdidamente. Não sou pelas "intifadas". Sou por um exercício de consciência de Paz. De Justiça.
Mas ela não existe em muitas partes do mundo. Não existe, regra geral. Não existe quando se exercita o Poder desalmadamente, sem a concepção do diálogo e da condescendência. Sim, a vigança é difícil de engolir, fica tudo a boiar na garganta, a ferver cá dentro. A impedir que a nossa vida decorra normalmente. Mas isso não é razão para replicarmos o que os outros fazem. Dar-lhes a mesma resposta. Imitá-los. É a vingança que faz a Guerra. É preciso saber parar.
A prática é uma realidade insoluta. É um pântano. Um remoinho de más intensões. Junte-se a isso um mar de interesses económicos e temos o mundo todo em chamas.
Agora que me causa indiferença vê-lo em chamas isso já é outro assunto...

Afixado por: Pruz. em julho 10, 2005 02:54 PM

Ah fadista!
Talvez me engane mas creio que o terrorismo terá como consequência a criaçãoo de um mundo cada vez mais seguro, controlado ao mínimo detalhe, asfixiante. Surge como causa possivel do mundo asséptico descrito no livro de Aldous Huxley, "Admirável Mundo Novo."
Dentro da cidade perfeita tudo e previsível e controlável, fica de fora deste oásis todo a barbárie e caos mas também tudo aquilo que nos faz humanos para o bem e para o mal.
O que fazer?

Afixado por: Mohamed Ali em julho 9, 2005 09:13 AM