
Lord Jim sabia que o barco estava prestes a afundar-se mas não disse nada. Poderia avisar aquela massa humana de passageiros que dormia tranquila que daqui a nada ia começar o pesadelo mas não. Calou-se. De que valia provocar o caos se o desastre era inevitável?
Salvou-se contra vontade, achava que era digno como qualquer comandante que se preze ir ao fundo com o barco, que merecia também ele ir ao fundo como expiação para o seu silêncio.
O Lord Gin que nasceu em Lisboa mas que é de Macau seja lá o que isso for; como se algures houvessem países perfeitos ou menos imperfeitos, venha o Gin sem Lord e decida; fala como o diabo e bem. Parabéns!
Só quem possui uma identidade nacional forte consegue distanciar-se, atacá-la ou renegá-la na agri-doce circustancial do estrangeirado. Não é o caso da maioria dos portugueses em Macau mas isto é outra triste e antiga história...
Estou certo que tudo isto não passa de uma questão de forma porque dizer que Portugal é um não país, por oposiçao a Macau, onde tudo se discute e realiza com inteligência, sobriedade e sensibilidade é, a meu modesto ver, branquear a questão ou se quiserem, dourar a pílula. Nasceu em Lisboa mas é mesmo de Macau?
Não obtstante o queixume que se queixa do meu queixo, tão portugues como outra coisa qualquer quando diz ”As cidades, não os países, são a raíz da Europa” que a “ética da política é a pedagogia” subscrevo e aplaudo.
Poderia dizer que nao se queixe tanto, que não seja tão português no azedume, mas isto de queixas e azedumes é comum a todos os cardumes, sempre frescos à merce do freguês que se segue, e por isso abster-me-ei de o dizer.
A ter sucesso o projecto Europeu será por via de uma geração nova menos enraizada, que viaja ,que aprendeu a flexibilidade alimentada a bolsas Erasmos. Há exepções é claro.
Os outros continuam tacanhamente agarrados ao clubinho que escolheram, vendo da vida apenas as cores da sua bandeira, batendo no peito, chorando por ela. Às direitas e às esquerdas, quer se trate de nobres ou de plebeus, todos mas todos cantam a mesma cantiga e creiem-se diferentes. De alguma forma o famoso e misterioso “ELES” a que faz referência no seu texto.
E nao estou só a referir-me a Portugal, há tantas e tão grandes muralhas que comprometem e adiam o sucesso daquela cidade futura, intangível num impossível possivel, onde os afetos serão a única pátria e arte, não mais se tenha que manifestar.
Perdoe-me este final que já soa a cantilena do John Lennon e do seu "Imagine", mas estou certo que me desculpará a fraqueza.
Vai um gin?
P.S.- Este texto surge como resposta a uma cronica de 6 de Julho do jornal de Macau em língua portuguesa o Hoje Macau da autoria de Lord Gin.