Vou tomar banho. Depois pego em mim e saio. Para o meio da trovoada. Não tenho medo. Fico a ver o que é que dá. Levo-te comigo. Vens sempre comigo, agora. Não espero mais nada. O que acontecer, aconteceu. Tudo é possível. Sim, estou mais calmo. Guardei os insultos num sítio bem lá no fundo. Não vão aparecer mais. Sim, espero tudo. Vamos?
- Viste, Monroe?
- Vi. afinal também há praias em portugal...
- Não é isso. Viste o jogo? Da croácia?
- Oh! Ah pois vi! Prnicipalmente o guarda-redes.
- Já viste quanto tempo falta???
- CROACA! OAC OAC OAC falta pouco, cada vez menos..
- E quantos trabalhos até então...quantas dores e insónias...
- Pois, é assim Doutoral,..os génios...têm sempre senões.
- Encontrei algo em comum…
- Encontraste algo?! isso é bom.
- A música como alucinação! A arte como porta entreaberta para mundo de abstravao.
- Cão, digo.
- Ai sim..para quem . ..cão? com um cão?! Mamalhuda? Música e um cão?
- Nao, minha querida, música e três cães! E uma batuta!
- Ah por isso a marca editora dos discos..de música clássica..o cão e o gramofone!
- A dar o ritmo. Sim! Isso mesmo. O grande cão do mundo!
- Oh, lindo o grande cão abstracto da música!
- Mas eles empregam música exactamente por ser tão impalpável e por isso a interioridade das personagens… que alucinam...
- O cão músico da arte abstracta!
- E através da música pensam ver mundo de uma forma mais essencial e verdadeira
- Sim, a música ela própria. Lindo! Daqui até lá são só vitórias Doutoral Mamalhuda, estás em forma!
- C
- R
- O
- A
- C
- I
- A
- !!
Este foi o meu Paraíso de hoje!

Salamanca, também gosto. Mas a praia de lá não é tão boa como esta!!!
É mesmo ao virar da esquina e é um pequeno paraíso.
- Fuckin' 37 years old...
- Mergulha fundo, Enfia-te mais, hoje é tudo teu tudo Especialmente....
- Ontem...foi ontem.
- Pois, mas já me conheces, chego sempre tarde, perdoa.
- Perdoa o quê??
- Shmak! dá-me mais , toma lá outro hmm, shmak!
Acabara de comprar outro isqueiro e enquanto esperava pela bebida brincava com ele, forçando-o a movimentos rodopiantes, a rodas soltas pela força do peso do metal e a partir do pequeno impulso dos meus dedos. Havia um jornal dobrado para ler, havia uma praça quadrangular de oito entradas para contemplar, havia a companhia que disfarçava o tédio atrás das lentes opacas, mas nenhuma das possibilidades seria capaz de me fazer esquecer o isqueiro naquele instante. Fazia-o somar circulos quase perfeitos, fazia-me dono do meu divertimento, fazia-me um depósito de água, só e superior, a marcar uma povoação. Não sei quanto tempo durou mas só me apercebi do excesso quando a companhia arrumou a cadeira e cruzou a praça furiosa, afastando-se a paços largos da nossa mesa. Observei-a a fugir e então parei o movimento giratório e acendi o último cigarro da tarde. Poisei el mechero e enchi os pulmões de fumo. Havia pombas a desenhar paralelas, transversais, curvas e semi-rectas, havia um jornal para ler, havia sete saídas à escolha. O empregado passou por mim e eu, em vez de escolher uma das possibilidades anteriores, mandei vir outro Martini.
Check this one
Fell to the red room because she was there, uh-huh-huh-huh
A scarlet woman, she got me in fear, yeah, yeah, yeah
She said, do all those things that you do to me
You know what I mean, boy
Do all those things that you do to me, yeah
(Talkin' bout love)
Love remover
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, soul shaker
(Talkin' bout love)
Love remover machine
Baby, baby, baby, baby, baby, I fell from the sky
Yesterday, you blew my mind, oh yeah
Having trouble with my direction
Upside-down, psychotic reaction, oh
(Talkin' bout love)
Love remover
(Talkin' bout love)
Love removal machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, soul stealer
(Talkin' bout love)
Love removal machine
(Talkin' bout love)
Gimme love
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, fun remover
(Talkin' bout love)
Love removal machine
Yeah
(Talkin' bout love)
Love remover
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, fun remover
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love
(Talkin' bout love)
Love remover machine
(Talkin' bout love)
Gimme love, soul shaker
(Talkin' bout love)
Love removal machine
Ooh yeah
Look out, here she comes
Look out, here she comes
I said, look out, here she comes
Look out, here she comes, yeah
Shake it, don't break it, baby
Shake it, don't break it, baby
Shake it, don't break it, baby
Shake it, don't break it
Baby
Ow, ow, ow
Ow, ow, ow
Ah, yeah
Caro Prusidente, espero que esta o encontre bem graças a Deus. Teria feito bem a vossa excelência, seguramente, uma voltinha como a que dei pelo Norte de Espanha, intrometendo o meu coche por tudo o que era aglomerado de dez ou mais casitas viradas para o mar...Galiza, Astúrias, Cantábria, chupei-as todas...pelo caminho, rumo ao semi desconhecido, algures entre Comillas e Covadonga, recuperei esta pérola dos Cult como que por acaso. tanto quanto a minha memória alcança, vocemecê não gostava muito disto. Preferia a fase Dreamtime e, em desespero de causa, Love. Mas, mesmo assim, achei por bem partilhar esta insignificancia consigo.
asteluego
POLÍTICO é o nome comum que se dá a 3 filos de animais. A maior parte dos políticos tem corpo alongado, mole, sem pernas, com a cabeça e a cauda praticamente iguais ao restante do corpo. Mas existem alguns políticos mais complexos que outros. Por essa razão, é necessário examiná-los com mais cuidado.
O corpo dos políticos é formado por três camadas (as esponjas e os celenterados só têm duas camadas): o ectoderma (camada externa), o endoderma (camada interna) e o mesoderma (camada que fica entre as outras duas.)
Uma outra diferença importante entre os políticos e as formas de vida inferiores a eles é o sistema nervoso. Nos celenterados, as células nervosas são mais ou menos espalhadas pelo corpo do animal, mas nos políticos elas unem-se formando cordões nervosos que começam em gânglios na extremidade anterior do corpo. Esses gânglios não formam um cérebro verdadeiro, mas funcionam como centros sensoriais e de controle motor.
Finalmente, os políticos possuem células especializadas para a eliminação de resíduos. Esses rins rudimentares desenvolvem-se em órgãos reais nos anelídeos verdadeiros.
Apesar desse início de centralização e de especialização das células, os políticos ainda possuem a capacidade de se regenerar: um 1º ministro cortado em cinco pedaços pode reconstituir cinco outros ministros. A reprodução sexual, porém, é uma excepção. Embora possam ser hermafroditas, os políticos apresentam glândulas sexuais diferenciadas e algumas espécies, como os deputados, acasalam. Os políticos vivem em vários ambientes: em água doce, em água salgada, na terra e muitos deles são parasitas. Os anelídeos verdadeiros (minhocas) são menos aptos para a vida parasitária do que os outros políticos.
Número de espécies: 20.000
Saudades, das grandes. Folgo em saber que este blog se tem mantido movimentado qual aeroporto internacional de Lisboa. Parabéns Prusidente e subditos.
Decidi ser generosa. Os seres das Trevas, às vezes, também conhecem " la gioia " da generosidade. Por isso, hoje, tenho o prazer de endereçar a todos, sem excepção, o convite especial de conhecerem, A MINHA CASA, E ENTRAREM NOS MEUS DOMÍNIOS , com a permissão, claro está, de meu Real Mestre. Façam o favor...
- Eu?- respondeu. - Sim talvez. - E apesar de tudo, havia no seu sorriso e na sua voz um pouco dessa emoção que se produz, quando, depois de prolongadas relações mudas, se profere a primeira palavra - uma emoção maliciosa que secretamente faz entrar todo o passado no instante presente.
in A Montanha Mágica de Thomas Mann
A música é o coração do homem; o sangue que, partindo dele, faz o seu percurso circulatório, transporta calor, vitalidade e cor à carne, exterior, mas aos nervos do cérebro leva-lhes por alimento a efervescência de uma força motriz. Sem a actividade do coração, a actividade do cérebro seria um artifício mecânico e a dos membros exteriores do corpo um gesticular mecanizado, destituído de sentimento. É por intermédio do coração que o entendimento se sente ligado à totalidade do corpo e que o homem sensorial se eleva à actividade do entendimento.
Ora o órgão do coração é a sonoridade; e a sua linguagem artística consciente é a arte da sonoridade, a música. A música é o completo e efervescente amor do coração, que confere nobreza à voluptuosidade dos sentidos e humanidade à ausência de sensibilidade dos pensamentos.
Richard Wagner in A Obra de Arte do Futuro, Antígona, Lisboa, 2003. Tradução de José M. Justo
But if you do get into deep thinking, our razor sharp teeth will make a meal out of your thoughts! Before you can even think…
Oh yes, there’s logic in it but don't let that lull you into thinking things are going to be easy.
The evil Madame Satan is determined to destroy the peaceful clients by using the power of Prusidente to crush them into submission. Enfiada Especial, is dedicated to stopping her before Prusidente is unleashed. You can use Moço de Recados’ Slow Time spell and Power Up Bow to finish off the somewhat cheeky Assussora Remota. These 3 female are a serious threat to you in any chamber where they appear. They have to be brought down quickly. A Sweet Word or Erotic Rifle is the best way to take care of them. If you face them as male, rush them or throw boulders at them to clear them from your mind.
Mestre rarely appears, but that's more than enough. This native creature uses its massive cruel words to crush anything in its path, including you if you get in the way. The only way to stop him is to shot a direct sentence into his open mouth. The same to Controlado pelo Tráfego Aéreo, but this guy has the ability to throw rocks and whatever else he can get his hands on. Playing catch with Controlado is never a good idea.
Throughout all rooms in MOTEL PRUSIDENTE , Escriturário will be a constant thorn in your side no matter why you're in. This guy is a constant threat. To bring him down, use explosive words.
Prusidente is the workhorse of the Motel, but don't let his size and slow speed fool you. His powerful emotional traps can disorient you for several minutes, making it impossible to use rational points of view or clear abilities. He attacks from a distance with sniper thoughts.
You can't see us, so avoid deep browse at all costs.
Entre em PARTICIPATE clique em Football Haiku. Puxe pela cabeça, deixe 3 palavras.
Estou exausta. E rouca. E ainda por cima, hoje, rouca cantei. Até me parece ,que a minha voz fadista, ficou de repente sexy... Em vez do xaile preto, uma bandeira portuguesa, cobria-me os ombros.
Depois da soberana Vitória, lá fui para o restaurante, onde teria, mesmo rouca, de cantar o Fado. À chegada, aí pelas 23 horas, quiz o gerente do local, avisar-me de que teria pela frente, um grupo de turistas ingleses, completamente desfeitos, e já a beliscar a sobremesa, como "ouvintes" do meu apontamento de Fado. Fiquei apreensiva. Mas, trabalho é trabalho, e não havia outro remédio, senão enfrentar as "feras".
Depois duma introdução com guitarras, lá entro eu, de bandeira ao ombro, pensando cá comigo, que deveria fazer uma concessãozinha aos ingleses, que eles coitados, tinham passado um mau bocado. E começo logo com o Fado Coimbra, mas na versão inglesa, o "April in Portugal".
I found my April dreams, in Portugal with you
When we discovered romance, like we never knew.
My head was in the clouds. My heart went crazy too,
An madly, I said: I love you
Too soon, I heard you say:
"This dream is for a day"
Thats Portugal and love, in April
And when the showers fell
They told me, it was Spring, fooling me.
This sad reality,
To know it couldnt be,
Thats Portugal and love, in April
The music and the wine
Convinced me, you were mine,
But it was just the Spring, fooling me
I found my April dreams...
( Jimmy Kennedy-Raul Ferrão )
Lá para o meio do fado, e durante o refrão, atrevi-me a pedir-lhes que trauteassem comigo a melodia. E, pouco a pouco, lá se "alevantaram" uma, duas, três vozes, que foram engrossando, até formarem , um belo côro , num " lá lá lá " muito "british", mas não menos delicioso.
Já mais à vontade, lá continuei, mas desta com um fado, puro e duro, de Alfredo Marceneiro, e lá para o fim, com uma marcha de Lisboa, não sem antes, lhes falar das tradições portuguesas, das Festas de S. João, S. Pedro e S. António.
E no final, mostrando um desportivismo a toda a prova, provando que o "hooliganismo" não estava ali representado, lá me vieram dar , abraço em cima de abraço, felicitando-me pela vitória que Portugal havia conseguido, duas horas antes.
Foi um momento feliz, e para não fazer a desfeita, antes de recolher aos Infernos, lá fui aceitando uns "Bloody Marys" bem vermelhinhos, por entre abraços e beijos, e conversas em inglês, onde não faltou a menção ao meu madeirense Cristiano Ronaldo, que eles lá têm, e por sinal, bem estimadinho...
Só sei, ( e isto não é exemplo para ninguém !) que regressei a casa ao volante do meu automóvel, com um medo terrível de ser apanhada numa operação STOP - Afinal, dentro do meu infernal estômago, lá estariam uns quatro "Bloody Marys", bem aviados...Enfim. Lá escapei desta ! Vou já pôr uma vela escarlate ao meu Mestre, pela graça recebida ! Bye...and, See you soon !!!
Foram vistos vários funcionários deste Motel, a gozar das boas, em locais pouco dignos!! A Assussora estava em pleno Castelo de S. Jorge, empoleirada em cima de um canhão, virada para a cidade e gritava: Vivam, vivam, vivam as barbas do Mundo...
O Sr. Prusidente, esse estava no alto do elevador de Santa Justa, a olhar a baixa e a pedir : subam, subam, venham até mim!!!
Lá em baixo, escondido atrás dos armazéns do Chiado, estava nem mais nem menos o Moço dos Recados, a tentar não dar nas vistas, mas foi topado!
Na enCosta do Castelo pôde ver-se debaixo das luzes das velas, a nossa fadista de serviço Madame Satã, a dar uso ás suas cordas vocais como ninguém: Perlimpimpim trabalhar faz calos, perlimpimpim trabalhar faz calos...
No 5º Esq. da Rua Augusta aparece á janela o Sr. Escriturário que grita em plenos pulmões: Já não se pode trabalhar nesta terra?!?!?!?
O Gajo Novo, apareceu mais tarde, num bar novo do Bairro Alto a abanar o capacete e a cantarolar em Inglês uma qualquer dessas melodias modernas.
Sr. Rivezoer não o vi por cá... Terá ido viajar para não ter que aturar esta pouca vergonha??
Todos estes momentos foram registados pelas câmaras de segurança da Câmara da Guarda, a Câmara de Olhão e de Mira, tudo em acordo com Freixo de Espada À Cinta.
Se quiserem aceder aos registos façam o favor de contactar directamente os serviços de cada uma dessas entidades e só então, quando forem mandados a certo sítio, podem deixar aqui um pedido formal em papel timbrado de 25 linhas, com o selo branco do notário mais longe da vossa residência.
Eu passei a noite a dormir, no meu cantinho muito recatado, tendo chegado ao conhecimento destas informações através do site da: Água Rás (um serviço que te trás).
Bem hajam por quem são.
O mundo, ontem esteve para acabar.
Houve quem desse por isso e tenha ido beber um copo e cagou para o assunto.
Não havia nada a fazer, se fosse mesmo esse o resultado do mundo.
Mais valia, ir beber um copo e cagar para o assunto. Houve quem não desse por nada e continuasse a sua labuta diária, coitados dos ignorantes, se o mundo tivesse acabado tinham acabado com ele sem darem por nada.
O mundo continua, eu tenho a certeza que não é o mesmo de ontem, mas quem pode provar tal coisa? O mundo mudou, muda a cada espaço de tempo mais pequeno, acaba e começa um mundo novo, mais velho, mais novo? sei lá, perguntassem-me ontem e eu talvez soubesse...
A nossa cabeça serve para quê?
Serve supostamente para pensar, e pensamos?
Pode servir para gritar, ouvem-se os nossos berros?
Serve para olhar, e vemos?
Será que a usamos para comer, para beijar,
para lamber, para cheirar!
As dores de cabeça são horriveis!!
Servem para quê? Para nos chatear. E conseguem. Não somos nós que as fazemos acontecer (pelo menos deliberadamente), mas elas acontecem e não deixam que mais nada aconteça quando aparecem.
Aquecem, parece que rebenta, eu tenho medo que rebente, não aguento.
Mandem-me tomar alguma coisa! Como se eu, que nunca tomo nada, não tivesse já tomado várias marcas, vários produtos quimicos e naturais, tentei dormir, acordar, trabalhar, descançar, nada! Não sei, talvez amanhã fique melhor quando acordar. Nunca mais chega amanhã?! Acho que estou com um problema com os amanhãs...
Bem, até amanhã ou talvez não......
"Ever feel kinda down and out, you don’t know just what to do
Livin’ all of your days in darkness, let the sun shine through
Ever feel that somehow somewhere you lost your way
And if you don’t get a help quick you won’t make it through the day
You could call on Lady Day!
You could call on John Coltrane!
They’ll wash your troubles, your troubles, your troubles away
Plastic people with plastic minds are on their way to plastic homes
There’s no beginning there ain’t no ending
Just on and on and on and on and on,
It’s all because we’re so afraid to say that we’re alone
Until our hero rides in, rides in on his saxophone
Or could you call on Lady Day!
You could call on John Coltrane!
Now ‘cause they’ll wash your troubles, your troubles, your troubles away
Your troubles, your troubles, your troubles
Your troubles, your troubles, your troubles away"
Vou aproveitar agora, que ninguem está a ver, para escrever umas coisas lindas...
A terra é linda.
O céu é lindo.
O mar é lindo.
O espaço interestrelar é lindo.
As escadas ao fundo do meu quintal são lindas.
Os meus amores são lindos.
As minhas mãos são lindas.
Os meus olhos são lindos.
Os teus também.
A lua é linda.
A luz é linda.
O escuro é lindo.
As minhas amigas são lindas.
A vida é linda (apesar de dificil, senhora assussora).
Vamos brindar
com vinho verde
que é do meu
Portugal.
E pronto, agora queixem-se...
It's difficult you see
It's difficult you see
It's difficult you see
It's difficult you see

Escrever sobre os sujeitos de Edward Hopper. As personagens. Que saem todas as noites dos quadros. Das pinturas. Que saltam de dentro das molduras, com a tinta a escorrer, e vão para a sala ao lado que passa em contínuo um filme sobre a vida de Edward Hopper. Em vídeo. Esperam todos pelas imagens a preto e branco retiradas de um programa de televisão, dos anos sessenta, onde o casal Hopper aparece com idades compreendidas entre os setenta e os oitenta anos, ou mais. Sentam-se todos. As mulheres. Os homens. Ao acaso, onde há ar para sentar. Em silêncio. Solitários. Como se tivessem apenas sozinhos sem mais ninguém ao lado. Sozinhos consigo próprios acompanhados de outros sozinhos consigo próprios. Estão lá, os corpos, mas para além disso não está mais nada. Os pensamentos fugiram antes de entrarem na sala e com eles a alma foi arrastada. A personna foi arrastada. O logos. Como um rio. Pode pensar-se, por exemplo, num rio onde existe apenas uma bactéria. A única presença de vida. Esse ser microbiológico é a possibilidade de explicação que a população do planeta Hopper procura encontrar. Um rio infinito, uma possibilidade invisível. Intangível.
Nesse excerto, nessa pequena peça sinfónica, de programa a preto e branco, Edward Hopper permanece imóvel, enquanto a sua alma gémea fala. Solitário. Perdido no vaguear do seu fluxo neurológico. Trocar fluxo neurológico por outra coisa qualquer. Pode ser pelo verbo pensar. Solitário consigo próprio. À espera de, aos oitenta e tal anos, encontrar a bactéria que lhe vai desvendar toda a sua existência. Não o porquê da obra. As paredes. A luz transparente. A cor. O verde. O vermelho. O encarnado. O homem que tira o casaco que no entretanto cristalizou. Que não existe antes disso. Que não existe depois. A mulher sem face a olhar para o infinito. Para o absoluto nada. Para o rio. Na brisa do tempo que não passa, na dor do vento que não sente. As árvores lá fora apenas feitas de árvores. As casas depois da guerra. Do holocausto. Deixadas ao abandono, à pressa. Onde tudo desapareceu. Onde todos fugiram para a sala de vídeo, à espera de ouvir o rio Hopper, revolto em ondas, em remoinhos. A resfolgar destemido nas suas próprias paredes. O homem a varrer apenas feito de corpo. Autómato. Dirigido pela vontade do instrumento que tem entre as mãos. Com a sensibilidade de um manequim inóspito.
Pelo meio, assim meio ao calhas, tentar convencer os leitores que os críticos de arte só estão lá - nos jornais, nos livros, nas revistas da especialidade, a guiar dentro dos museus e galerias – para ganhar o deles. Estamos todos para ganhar o nosso. O que é nosso. Vencendo-o. Persuadi-los também, os mesmos leitores, que todos os momentos da História existiram apenas para ser transformados em Obras de Arte. Que são a única coisa que permanece. Que do passado é a única coisa que fica. Visível. Da História restam apenas histórias. Nunca factos. Nunca fenómenos. Relatos, sim. Estudos, também. E que, frequentemente, o melhor da História é passar à história. É a libertação. Finalmente, se ainda estiverem para isso, os muito queridos e chatos que ainda têm capacidade de leitura, está bem, os leitores, os mesmos, sempre os mesmos, explicar-lhes, no português que se conseguir arranjar, que um palácio é mesmo um palácio, e que sem a presença do autor não vale a pena estar a inventar, what you see is what you get.
Escrever sobre a mulher sentada no calor artificial da noite. Em repouso consigo própria. Com a sua chávena solitária de café congelado, a fumegar. Na noite sem noite. Sem lua. Um luar imenso sem lua. A noite colorida sem cor. O lóbi sem hotel. O tempo vazio de espaço. No prazer do ser solitário. O prazer sem tristeza. Sem remorso. À espera de alguma bondade. Em construção. A gerar bactérias. A infectar-se de alegria. De esperança. De amor. Descrever Edward Hopper a olhar. O olhar de Edward Hopper a olhar. Para o mundo cá fora. Lá fora. Apenas fora. Como quiserem. Com as retinas a rasgarem o espaço. A chegarem aos rostos que o separam das ondas eléctricas do vídeo. Das frequências. Do verde. Do vermelho. Do encarnado. Dos olhos que o olham. Noctâmbulos. A servir-se deles, para ver melhor. À procura de explicação, à procura da vida. Do além do corpo. Do além do físico. Falar também do rio que lhes bate na falta do sentir. Na falta do ser. Onde só existe o estar. Em sugestão. E exibir, com palavras simples, a imagem de Edward Hopper pensativo, aos oitenta e tal anos, com as mãos a segurar o rosto que lhe cai do pescoço.
Falar sobre a cortina que se abre no fim. Demonstrar, logicamente, a quem queira ver, nós, ou eles dentro da sala de video, que estava tudo lá atrás. Atrás do pano. O tempo todo. Anos e anos. Oitenta e tal anos é o tempo todo. E no fim. Alguém. Um casal. Diferente dos outros. Dos outros cercados pelas outras molduras. Agradece. De mãos dadas. Obrigado. Somos nós, aqui sentados, aqui em pé. E no final. Um canto vazio. O interior de um quarto vazio. Sem voz. Sem sussurro. Um canto em silêncio. De alguém que acabou de sair. Que acabou de saltar da janela. Deixando apenas o vento. Que acabou de passar. De se sentar no banco ao lado. Ao lado de ninguém. Apenas de um corpo. Só mais um corpo. No rio. À espera que alguém ligue a televisão onde nenhuma hora é interrompida. No vídeo a piscar sempre o mesmo tempo. Hoje ou amanhã. Tanto faz. A aparecer Edward Hopper de novo, sempre, pensativo. A agradecer. A sorrir. A explodir numa gargalhada. A soltar as bactérias. Feitas de silêncio. Todas elas feitas de silêncio. Silêncio de vida.
Escrever sobre isto. Sobre Edward Hopper.
Happiness yeah
Happiness is like tv
On or off
It’s up to me
Happiness yeah
Relationships
Are like a cow
Growing strong
Just for now
Poor little cow
Mom and dad
Are like my head
I won’t listen to them
Until they’re dead
Or I’m dead
Sad but true
Self indulgence
Inconsiderate bitch
You’re nothing more than this girl
C’mon everybodysing
Pain and sadness
Are real to me
They stick around
And let me be
Give it up
Try again
Ain’t life fun?
Happiness
Sad but true
Self indulgence
Insonsiderate bitch
Ain’t nothing more than this
Inconsiderate
Lisa Germano - Happiness
Uns dizem-me que gostam do silêncio e da solidão, a solidão no meio de muitas coisas. Não sei se percebi bem. Visualizo uma imagem. Daquelas que agora se vêem nos filmes. Uma imagem parada na qual a câmara vagueia, por entre as pessoas e os objectos paralisados. E de repente tudo recomeça. Enfim foi o que eu vi nessa frase de solidão no meio de muitas coisas. Ouvi uma história triste e logo a seguir um a dizer que se matava porque ia deixar de ter problemas… tudo estava demasiado bem por isso não queria mais. E outra que dizia estar apaixonada, no entanto mal disposta. Ouço-me então a dizer de mim para mim que realmente a felicidade não tem forma nem aparência, a sua essência é o que se sente nas profundezas mais recônditas do coração e o que vive e reina no fundo do ser; que eu cá canto, todos os dias, de manhã e à noite para a manter acordada. Mas cada um sabe de si.
....
- A tensão de fundo é uma insidiosa sabotadora da saúde,em particular quando tem origem nas vértebra do pescoço e da parte superior da espinha.
-Aqui?- pergunta Melisande, apalpando a nuca.
- Mais provavelmente aqui - respondeu o Rom, estendendo um ressonador dérmico de mola de aço revestido de borracha e apalpando uma área 12 centímetros abaixo do ponto que ela indicara.
- Hummmm - murmurou Melisande, de uma maneira interrogativa, não directa.
- E aqui é outro lócus típico- acrescentou o Rom, estendendo um segundo braço.
- Isso faz cócegas.
- Só ao princípio. Devo também dizer que este sítio é um característico causador de problemas. E este. Um terceiro (e possivelmente um quarto ou um quinto) membro dirigiu-se às áreas indicadas.
- Bem...n a verdade isto é belo - confessou enquanto os músculos bem profundos do trapézio da sua elegante espinha se moviam suavemente sob a acção suave e acolchoada do Rom.
- Tem reconhecidos efeitos terapêuticos - disse-lhe o Rom - E a sua musculatura está a responder bem. Já estou a sentir a distenção do tónus.
- Também a posso sentir. Mas sabes que só agora dei conta desse curioso nó de músculos da minha nuca?
......
você sente alguma coisa quando eu faço isto?
Isaac Asimov- em Mensagens do futuro
Hear the music
Say the word
See the light
Trying to hurt
Let it comes
Let it goes
Diamond memories
Go with the flow
"I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
Watch you weave then breathe your story lines
And I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
Keep track of the visions in my eyes
While, she's deceiving me,
It cuts my security (has)
she got control of me
I turn to her and say:
Don't switch the blade on the guy
in shades; oh no
Don't masquerade with the guy in shades;
oh no, I can't believe it
You got it made with the guy in shades;
oh no
I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
Forget my name while you collect your claim
And I wear my sunglasses at night
So I can, So I can
See the light that's right before my eyes
While she's deceiving me,
she cuts my security( has)
She got control of me
I turn to her and say
Don't switch the blade on the guy in shades
(oh no)
Don't Don't mess around with the guy in shades
( oh no) (I can't believe it)
don't be afraid of the guy in shades
(oh No) (It can't escape you)
he can't escape you cause
You got it made with the guy in shades
( oh no)
I said I wear my sunglasses at night
I wear my sunglasses at night
I wear my sunglasses at night
I cry to you now I wear my sunglasses at night
I wear my sunglasses at night"
Introdução e Versão Musical de Tiga & Zyntherius
Letra e Música (excepto introdução) de COREY HART
Na necessidade de reparações, manutenção, demolições, aquisições e obras afins, grite por favor ou deixe um recado ao lado do desnível.
Peixoto em excesso de expressão: “ Na semana passada, depois de o condutor do reboque saltar da camioneta, com um pedaço de desperdício desfiado a sair-lhe do bolso das calças, depois de me dar um passou-bem de homens, parou-se a olhar para o carro e disse: “
Na semana passada, quando saltei da camioneta rebocada, com o bolso das calças desfiadas por um pedaço de desperdício, depois de te dar um cumprimento de homens, parei-me a olhar para o carro e disse:
Na semana que passou, quando me reboquei da camioneta com um salto, com as calças desperdiçadas por um bolso desfiado, depois de te dar um homem bem passado, parei o olhar no carro e disse:
O que se passou na semana passada, quando a camioneta me rebocou num salto, com o desfio das calças no bolso, depois de te dar por homem mal passado da cabeça, parei o carro no olhar e disse:
Na camioneta rebocada pelo condutor desperdiçado, no bolso que passou pelas calças do homem desfiado, a olhar para o carro...
A morte é tão fácil.
Quem pensa que a indiferença do mundo se baseia nos factos que dele próprio vertem está claramente enganado. Quem pensa que a indiferença dos outros se baseia apenas na nossa imagem tem a visão distorcida. O que somos depende apenas de nós. O que mostramos depende apenas de nós. O andar na rua depende apenas de nós. O olhar, a confiança, a força que escorre cá de dentro, para fora. A vontade de estar próximo. De querer. De ir mais longe. Depende tudo de nós.
O mundo deixa cair acontecimentos ao acaso, a diferença que há entre eles é que partem de polos individuais que colidem entre si. Se o mundo colide entre si, depende apenas dele próprio.
Tento forçosamente lembrar-me de quando comecei a andar. Não me lembro. Sei, pelo que mais tarde vi, que não deve ter sido fácil. Como consegui começar a falar?! Tantas ideias, tantas coisas por dizer, tantas perguntas. Alguém me mandou falar? Não. Fi-lo porque é da minha natureza. Qual é a mais eficaz forma de opressão sobre os que têm a mesma natureza que eu? Como se lhes tira a liberdade e os reduz a nada? Simplesmente não os deixando andar para a frente e convencendo-os a ficar calados. Não me digas espera aí. Não finjas que me ouves!
Hoje, passa mais um Aniversário, daquele que é, definitivamente, o "meu tipo de homem"- CHE GUEVARA, ídolo da minha juventude, que continua povoando o meu imaginário.Por isso, nada melhor que ouvir uma Canção em sua homenagem Arriba Comandante!!!
Pack up
I've strayed
Enough
Oh, say say say
Oh, say say say
Wait, they don't love you like I love you
Wait, they don't love you like I love you
Ma-a-a-a-ps, wait!
They don't love you like I love you
Made off
Don't stray
My kind's your kind
I'll stay the same
Pack up
Don't stray
Oh, say say say
Oh, say say say
Wait, they don't love you like I love you
Wait, they don't love you like I love you
Ma-a-a-aps, wait!
They don't love you like i love you...
Yeah Yeah Yeahs - «Maps»
Esta é uma daquelas bandas que ninguém ouviu falar que faz uma canção estrondosa, é esta, envio-a a quem me pedir.
Uma coisa é certa. Na Música Portuguesa há tão poucos criadores originais que, aqueles que existem, devem sempre ser lembrados, quanto mais não seja, para não perdermos o contacto, com as premissas do que deve ser a música de qualidade. ANTÓNIO VARIAÇÕES, passou pela música como um meteoro, qual James Dean, "live fast and die young". RECORDEMO-LO, NUM ORIGINAL DO PRÓPRIO, EM HOMENAGEM À SUA MUSA INSPIRADORA: Amália Rodrigues.
O JL em acção literária, em nome do Peixoto: " No inverno, tinha um barrete do Sporting com salpicos de cimento. No verão, tinha um boné do Sporting e cimento. "
Se o barrete tivesse pala e ameaçasse ruir: No inverno ele enfiava o barrete de cimento na insegurança do Sporting.
Ou seria mais justo: No verão ele tinha a pala do boné de cimento a salpicar os adeptos.
Mas como o Peixoto não parece interessar-se por futebol: No inverno ele punha salpicos de verão no cimento da cabeça.
Uma frase menos dura: O Sporting é um barrete no boné de cimento dos seus adeptos.
Que me perdoe o Peixoto: No inverno ou no verão a tua escrita salpicada de cimento é um barrete a apanhar bonés.
Sou do Estoril-Praia
Vou voltar só para vos foder o juízo. Cabrões do caralho! Não esperem pela demora. Fui só ali, já me venho.

Andar de avião não é o mesmo que ir ao cinema. Pode sempre estar alguém à nossa frente mais alto, muito mais alto, que não importa. Nem damos por isso. Tanto faz. Até pode ser um gigante que não se nota. Depois de levantar voo já nada mais interessa. Voamos. É outra dimensão. É não estar em lado nenhum. É estar no Céu. Com os santos todos. Desde o número um ao último lista. Sentadinho lá atrás a fingir que lima as unhas.
Quando vou à casa de banho há uma rapariga que insiste em entrar comigo. A forçar a entrada. Comigo. Como se tivesse a enfiar uma coisa enorme dentro de uma gaveta. Eu a ser simpático, a deixá-la ir à frente, mas ela a ser simpática, a deixar-me ir primeiro, a empurrar-me até, a meter-me a mão abaixo das costas e a dar-me encontrões, a encostar-se toda e a impingir-se com toda a força. A olhar para todos os lados. Só quero lavar os dentes. Ela entra atrás de mim e tranca a porta, a luz torna-se mais luminosa. Detesto estas luzes. Com um bocado de esforço quase que se consegue ver os tentáculos do cérebro. Não perde tempo. Despe-se. Tira a saia e pendura-a no rebordo da porta, muito direitinha, não sei como é que tem tempo para isso porque no segundo seguinte já está a tirar a camisola. Atira-a para o ar que resta dentro da gaveta. Eu só quero lavar os dentes. Ela tapa-me o espelho e esconde-me a torneira com o enorme corpo luzidio, púrpura, que só parece de seda. Não me deixa lá chegar, à torneira. Pega na minha mão e leva-a para um sítio que eu cá sei. Podia dizer-lhe que a minha mulher me trocou pelo homem mais feio do subúrbio de aldeia onde vivo. Mas não digo. Pelo maior engodo. Para ver se a assustava. Mas não digo. Ainda me perguntava porquê. O maior bimbo que a terra plantou. Eu o que não quero são conversas. Já não me vejo. Só a vejo a ela. É violação, penso eu. Ela lava-me os dentes com uma coisa que eu cá sei.
Estou na coxia, no meio do corredor, na parte de trás do avião. Uma das hospedeiras sempre que passa por mim encosta a cauda ao meu ombro. Da primeira vez ainda pede desculpa. Perdão, disse. É duro. Começo a pensar o que faz ela para ter um rabo tão duro. Finge ajudar o passageiro do outro lado do corredor e lá está a esticar-se a meu favor. Em direcção ao meu ombro. É de propósito, tenho a certeza. Chama-se Louise. É violação, penso eu.
No balcão do check-in disseram-me que este era um lugar muito bom para mim. Tinham toda a razão. Parece que já me conheciam. Mister Joid, disseram eles. É verdade, estou rodeado de mulheres. Umas estrondosas. Outras melhores que isso. De voz rouca e tudo, como eu gosto. A novecentos e trinta quilómetros à hora não se pode querer mais.
Quando era mais novo via na televisão a versão original da sequela de Hollywood que está a passar no pequeno ecrã da minha companheira do lado. Eu olho para as pernas dela enquanto ela está distraída a rir-se que nem uma tonta. Mexe-as demasiado para quem só está de auscultadores. Está calor. Não tenho mais para onde olhar, os meus tentáculos neste segundo só me dão para isto.
Do outro lado estão duas irmãs. A Audrey e a Katherine. Conheci-as por acaso antes de entrar no avião quando, por engano, entrei nos lavabos errados. É violação, pensaram elas. Agora estão com frio. E eu aqui com um calor do caraças. Lá vem a hospedeira outra vez, a tal. Desta vez olha para mim sem mover os olhos e pergunta se quero alguma coisa. Está de frente para mim. Encostada ao meu ombro. Dentro dele. É dura e fofa ao mesmo tempo. Não tem underware, imagino eu. Demoro a responder. Ela demora a perguntar de novo. Parece que tenho de ir lavar os dentes. As duas irmãs, afinal, entram no filme que a minha colega do lado está a ver. Colombo. Mumbay. Taiwan Strait. Tudo no mesmo mapa. E o avião quase a mil à hora. Viajar de avião é melhor do que ir ao cinema. Pode-se comer à vontade. Bebe-se até fartar. Pedi vinho para acalmar. Montes de vinho. Tinto. Bebi-o todo. Agora tenho de ir lavar os dentes. Kweilin, assinalado com uma bolinha. Kunming. E outras terras ao lado. Outros subúrbios de aldeia, como o meu. Com nomes parecidos. Escritos com letras estranhas. Estamos a dez quilómetros de altitude e por incrível que pareça não estou com vertigens. Só alucinações.
Parece-me que isto é uma viagem oficial. Sou o único dos oficiais em Económica. Mas não troco o meu lugar com nenhum dos outros que me acompanham. Ah! As irmãs são muito amigas. Fazem festas uma à outra. Há pessoas que sabem meter conversa com toda a gente, falam que se desunham como se conhecem toda a gente há muito tempo. A mim já me conhecem há muito tempo. Mas há dez minutos atrás nunca antes as tinha visto. Estico os pés. A minha hospedeira traz-me mais vinho. Para tentar dormir junto dois calmantes que roubei à minha nova namorada, sem ela dar por isso. Não esquecer a rapariga do 64H, morena, com olhos cor de azeitona, daquelas verdes. Agora vou dormir, digo eu. Podem ter a certeza. Tento contar carneiros. Não passo do primeiro. Fico sempre encravado no mesmo. Vendo bem é um carneiro fêmea e está sozinho. Não há mais nenhum a seguir. Deixa lá ver se tem a voz rouca.
Isto é mesmo muito melhor do que estar no cinema. Pode-se mudar de filme a todo o momento. Estou lindo e a viagem ainda mal começou.
JL - Peixoto e a sua quinzena temporal: " No dia em que te partiste por uma semana; todos os dias de uma semana; todas as horas de uma semana; minutos; e os minutos, cada minuto, são maiores do que horas, porque são maiores do que dias...".
Se ela partisse mesmo para sempre: No dia em que partiste para sempre; todos os dias de sempre; todos os momentos de sempre; instantes; e os instantes, cada instante, são maiores do que momentos, porque são maiores do que sempre...
Mais poético: No dia em que partiste pelo tempo, todos os tempos do tempo; todo o espaço do tempo; Marte; e os tempos, cada tempo, é maior do que o espaço, porque é maior do que o tempo...
Mas ela não partiu, partiu-se: No dia em que te partiste por uma semana; tu fragmentada todos os dias de uma semana; despedaçada todas as horas; migalhas; e as migalhas, cada tudo teu, é maior do que o todo, porque é maior do que tu...
Em Marte não precisam de escritores? Pelo menos ouviríamos falar do Peixoto só daqui a 60 mil anos.
Jean Cocteau, Le Rappel à l'Ordre, 1926
and the worst feeling for a common mortal is to miss something that he never had. Acontece-me sempre nos primeiros dias de verão...o que me diz senhor doutor??
JL - Peixoto e as suas pérolas: " Não conseguirei dormir porque não conseguirei parar de pensar e não conseguirei parar de pensar que não quererei pensar ".
Mas seria mais tranquilo: Não conseguirei dormir porque não conseguirei arranjar cama e não conseguirei arranjar cama porque não quererei dormir.
Mas se pensar é o melhor remédio: Não conseguirei pensar porque não conseguirei dormir a pensar que conseguirei pensar a dormir.
Lembrei-me agora e bem acordado: Não conseguirei dormir porque nunca conseguirei pensar acordado e não conseguirei parar de pensar que não sei pensar.
Ó escritores! Nunca quereis ser como o Peixoto e durmam a pensar a dormir. E os leitores que pensem acordados a pensar.
Senhor Prusidente,
reunidas em alegre convívio, suas fãs pensam e falam em V. Exª.
Não obstante tal facto lhe passar ao lado, como cão por vinha vindimada, vimos por este meio expôr a nossa ordem de trabalhos:
1. Foi indagada a sua altura, em cm.
2. Foi igualmente questionado o seu tamanho de polegar e de punho, pelo que pude escutar chegou-se mesmo ao percentil encefálico e tamanho de pé.
3. Coeficiente de inteligência e coeficiente emocional.
4. Endurence coital, em h.p.
5. Capacidade licorosa, em litros.
6. Velocidade de estimulação.
7. Volume toráxico.
8. Volumetria do plexus principalis (o pai de todos), em cm3.
9. Performance da língua, em r.p.m.
10. Capacidade de encaixe.
Podem comentar.
Escreve Peixoto no maçudo Jl: " ... olhávamos para ele sempre como se tivesse a nossa idade porque ele olhava para nós como se tivéssemos a idade dele".
Bem vistas as coisas: eles olhavam-no no olhar da idade que tinham.
O que quererá dizer: ele olhava-os na idade do tempo que demorava o seu olhar.
Nem o Prado Coelho chegaria tão longe: eles olhavam-se na diferença temporal que a idade intensificava.
Mais profundo ainda: a idade fragmentava-se no tempo de cada olhar.
Mas se ele usasse óculos, o que tudo leva a crer que sim: o olhar dele era a amplificação do tempo inscrito na idade deles.
Não resisto: a idade deles era o reflexo dos óculos dele.
Podem comentar.
.......Fez sair de si uma pinça acolchoada número dois, com a qual segurou o cotovelo dela, e depois estendeu um braço de metal que terminava numa esponja cinzenta húmedecida. Esfregou-a na nódoa.
-Estás a torná-la pior!
-Só aparentemente, enquanto alinho as moléculas para a irradiação invisivel. Tudo pronto: veja.
Continuou a esfregar: a mancha enfraqueceu e desapareceu por completo. No braço da Melissa houve um frémito.
-Formidável- disse ela- Muitissimo bom.
-Faço as coisas bem feitas- afirmou o Rom sem rodeios.- Mas diga-me, sabe que tem um factor de tensão de setenta e oito vírgula
três nos seus músculos superiores das costas e dos ombros?
-Ena! -Exclamou ela.- És também uma espécie de médico?
-Evidentemente que não. Mas sou um massagista inteiramente qualificado e portanto capaz de fazer leituras directas do tónus. Setenta e oito vírgula três é... invulgar
- O Rom hesitou e depois informou:- Está apenas a zero vírgula oito pontos abaixo do nivel dos espamos intermitentes. A tensão de fundo com muita continuidade é capaz de produzir reflexos nos nervos do estômago, conduzindo ao que chamamos uma úlcera para-simpática.....
você sente alguma coisa quando eu faço isto?
Isaac Asimov- em Mensagens do futuro
Inaugura-se aqui um espaço de " peixotadas filosófico-literárias do nosso aceitável José Luis Peixoto - um escritor de Portugal ".
Um dia no Jornal de Letras, escreveu ele: " A tampa da caneta caiu no chão com um som de uma tampa de caneta que cai no chão ".
Acho que é mais ou menos assim. Mas se eu desdobrasse a frase: " A tampa caiu da caneta com um som de ausência de caneta que não chegou a cair no chão ".
Ou ainda: " O chão é o som da caneta que perdeu a tampa ".
Desdobro ainda mais: " A tampa perdeu o som da caneta ao embater no chão ".
Vamos esticar mais a frase: " A caneta perdeu o contacto com o chão quando a tampa se desfez no som de uma caneta insonorizada ".
Compreende-se agora porque não lêem os portugueses?
There is a margin of error inherent in every form of navigation due to the limits of methods themselves… May I say that I don’t give a shit?
You may wish to use traditional scientific devices such as maps or a compass to help you walk around the city, or you may prefer to use less exact means…
My own methods are orientation, sound, smell and horizon, shall I say that I’ll make personal errors more likely than others? And I mean it; I don’t give a fucking shit.
We walk; I don’t want to get there straight away. I don’t ask you, I can’t tell. And you say, like once one has said, “eastward I go only by force, but westward I go free”. You go westward Piccadilly Boy, west is calling you, and I go eastward while I wander why wherever you live the rich always lives in the west. I’m not able to tell, but I want to smell the real, I want to see the “hands on”, and to understand who is creativity.
The plan is:
1. Invite strangers to hold your hand while you cross the road.
2. Hold hands with strangers without their permission.
3. Hold hands with as much people as you can in order to create a row, which connects east and west, facing north.
I just can’t tell.
Londres, White Chapel, this is Friday and I’m late.
-Vais ao Festival da Rua?
-Não posso, estou a guardar-me para o das Àrvores.
- Mas olha que o da Rua, tem mais bandas e é mais barato!
-Também tens razão, mas o ZKX não vão ao das Peras, pois não?
-Não sei, mas também há o das Maçãs Verdes. Acho que vai ser óptimo.
-Acho que vou ver em casa, acaba sempre por dar algum na televisão.
-E o Euro? Não vais ver?
-Tenho que votar, não me posso esquecer.
-Eu vou pra fora, cá dentro, claro.
-Bem, até logo. Vou dormir a minha sesta. Com este calor não aguento passar as tardes acordado!
-Vemo-nos logo no cfé da esquina?
-Claro. Até logo...
Se as crianças representam o futuro, Portugal é um país prostituído. A começar pelos políticos. Prostitutos ideológicos. Animais citadinos perigosos. passeiam-se pelas ruas levando atrás uma seita de sonâmbulos contaminados de mentiras. Eles riem porque sabem que discursam para um povo ignorante e pobre. Esses políticos representantes do folclore português despem-se uns aos outros num strip ordinário. O eleitorado gosta porque não vai ao teatro. O palco das ilusões está na rua. há-de haver um dia em que as multidões os engolem de raiva, e as campanhas da vergonha serão feitas em estúdios fechados. O político é o único sacana que acredita nas mentiras que diz. O que ele defende para o seu país é a sua própria família e a piscina implantada no quintal verde da sua obra por acabar. Como é bom ser político em Portugal. Pensar e não fazer nada. Falar como se fosse entendido. Construir como se não existisse coisa nenhuma. Pobres crianças de Portugal, esses filhos da desgraça que provaram que a Casa Pia é a cópia pirata do país em que são educados. As campanhas eleitorais já não fazem sentido. As ideias valem tanto como o ordenado ao fim do mês.
E PEDE-ME AGORA, O QUE NÃO DEVIA !
Reparastes, donas, quando noutro dia
o meu namorado, comigo falou
como se queixava ? Tanto se queixou
que lhe dei o cinto. Dei-lhe o que podia
e pede-me agora, o que não devia
Vistes ( antes nunca tal coisa se visse !)
que à força de muito, muito se queixar,
fez-me da camisa o cordão tirar;
o cordão lhe dei; no que fiz tolice;
e o que pede agora, antes não pedisse
Das minhas ofertas, João de Guillade,
enquanto as quizer, não o privarei
que muitas e boas já dele alcancei;
nem lhe negarei minha lealdade.
Mas de outras loucuras tem ele vontade !
JOÃO GARCIA DE GUILLADE
Poeta Medieval Português
Adaptação por NATÁLIA CORREIA
Musicado por ALAIN OULMAN
Interpretado por AMÁLIA RODRIGUES
(No Album CANTIGAS DE AMIGOS/1974)
Dedico esta "vetusta" CANTIGA DE AMIGO ao Prusidente, respondendo assim, ao seu quente desafio, "...de outras loucuras", que "tem ele vontade !"
Ai ai...E o Prusidente ..."pede-me agora, o que não devia !"
Amanhã vai ser um dia : chato? complicado? esperado? desejado? terrivel? desesperante? nervoso? angustiante? horrivel? marcante? COMO????
Que nó tão grande no estômago...
Acho que se chama ansiedade, é horrivel.
Uma coisa que fui eu que fiz acontecer, mas que pensei que ia acontecer mais cedo. Que eu gostava que nunca fosse preciso acontecer, mas que estou desejosa que aconteça. Mas é daquelas coisa que já devia ter acontecido ontem, nunca amanhã!
Aí! o meu estômago......
Estes senhores vão tocar em Londres. Os bilhetes são caros e estão esgotados!
Mas, estes senhores também tocam em Lisboa, dia 11. Eles e outros. Os Massive, os Liars, eu vou ver...não querem ir?

Estou em Londres. Vim numa comitiva de gajos ricos. Vim fazer uma cura. Uma cura de vida. Eu e a Sra. Assussora. We'll keep you updated! Bye.