janeiro 31, 2004

Campos de Morangos Para Sempre!

A ressaca domina-me. Em dilacerante tirania. Rouba-me o espírito. Arrasta-me. Despoja-me. Turva-me o sentido. Preferia morrer. A ter que viver isto.
Não foi culpa minha. Eu bem insisti para não me servirem tanto vodka, mas o que se pode dizer quando nos dão para as mãos um copo cheio de álcool com uma pedra de gelo e uma tonalidade carnívora a fingir que é sumo? Eu bem vi o homem a cortar os morangos. A trucidá-los com gelo. A encher o copo até ao rebordo. E quando lhe pedi mais sumo insistiu que os clientes protestam sempre porque querem mais distilante. Achou que eu era um deles. Não me lembro do resto. Fiquei avariado, sem forma. Este dia seguinte matou-me. Escrevo-lhes da morgue. Do fundo de uma gaveta escura e gelada. Não vou ressuscitar. Adeus.

Publicado por Prusidente da Junta em 05:07 AM | Comentários (1)

Estaladão



Sentei-me. FIz uma chamada, puxei os papéis para o lado e esperei que eles entrassem. Não entraram. Enganaram-me. Disseram que vinham e não vieram. Espalhei de novo os papéis em cima da secretária. Levantei-me e saí.

Publicado por Prusidente da Junta em 04:32 AM | Comentários (0)

janeiro 30, 2004

Só quando já não existirmos

Nunca vamos saber se o que eles dizem é verdade. Se o que vemos é verdade. Se o que sentimos é verdade. Se somos mesmo de verdade......

Publicado por Prusidente da Junta em 12:29 PM | Comentários (2)

Mais uma pelas Luzes do Trânsito

Há pessoas que confundem urbanismo com a Mãe Natureza. Confundem o alcatrão com as ervas daninhas. Determinam os seus conceitos de espaço apenas pelo estado do tempo. Ficam a olhar para um poste de iluminação como se fosse uma árvore de fruto e, o mais incrível, ficam à espera que caia. A luz. Mesmo que chova. Nada mais importa. Adoro-os nessa simplicidade, nessa habilidade de poder. De dominarem os seus próprios desígnios. Adoro-os porque páram. Onde querem. Se por acaso ao virar numa curva, sem visibilade, dou com um par deles, abraçados e a roerem um ramo de trigo, no meio da estrada lhes dou um açoite com o chiar dos meus travões e, milésimos depois, lhes cai uma roda no meio da garganta, não conseguindo acabar o que estavam a contar ao amigo do lado, fico estarrecido com a alegria com que ficam no olhar. O esgar de quem sorri para a Mãe, toda ela Natureza. Toda ela sol, toda ela luz. Mesmo quando tudo se apaga.

Publicado por Prusidente da Junta em 12:18 PM | Comentários (2)

Amordaçado de comichão

A primeira vez que subi a um palco todos me perguntaram o que estava ali a fazer. Eu lá em cima, eles em baixo a perguntarem, com os olhos arregalados, mais arregalados do que os meus. Quando me candidatei à Junta - e depois venci as eleições por larga maioria face ao meu único adversário, as abstenções, não ter comparecido - todos perguntaram o que é que eu vinha para aqui fazer.
Sou questionado, diariamente, acerca das minhas capacidades. Não percebi se é medo, se é inveja, se é mesmo porque não têm mais nada para fazer. Não me largam um minuto, com recados, exclamações várias, questões sem conveniência. Sem sentido. Eu que tenho tanto com que me preocupar. Chegam aqui e 'Quero falar com o Sr. Prusidente', depois não saem dali enquanto não os atender. A fazerem olhinhos à minha secretária. Vêm com as suas míseras preocupações, a coçar o cabelo que lhes falta, a estenderem-se ao comprido em lamúrias. São às dezenas. Não me desamparam a loja. Como se fosse eu o responsável por lhes levar a comida à boca. Nem de guindaste. Eles que se aviem na mercearia do lado. Ser prusidente não é ser pai de toda a gente. E, sempre, quando os mando embora à cacetada, lá vem a pergunta parva 'Mas o que é que o senhor está aqui a fazer?'. Não podem ir chatear o Primeiro Ministro, que tem sempre soluções tão boas para tudo?

Publicado por Prusidente da Junta em 11:37 AM | Comentários (0)

janeiro 29, 2004

Quiz Show

A Dona Celeste Cardona estraga o visual da Junta, não acham? Querem que a retire?

Publicado por Prusidente da Junta em 02:09 PM | Comentários (5)

Mesmo ao virar da esquina

«Moonriver
Wider than a mile
I'll be crossing you in style
Someday

Oh, Dreammaker
You heartbreaker
Wherever you're going
I'm going your way

Two drifters
Off to see the world
I'm not so sure the world
Deserves us

We're after
The same rainbow's end
How come it's just around the bend ?
It's always just around the bend ?
»

"Moonriver" na versão longa de Morrissey

Publicado por Prusidente da Junta em 10:41 AM | Comentários (2)

É educacional



A Dona Celeste Cardona foi-se explicar, achou ela. Levou os caderninhos, o semblante carregado de ira, a gravatinha da praxe, e lá foi ela, a caminho dos palanques públicos que há para aí. Assembleias e Televisões. Saiu satisfeita, com a missão cumprida, de que amanhã já ninguém se lembrará do caso. Amanhã já ninguém se lembrará da cor da sua gravata, às bolinhas? E que foi ela explicar? Que se não tivesse feito o que fez os trabalhadores, perto de seiscentos, teriam sido despedidos. Achou ela que a afirmação seria suficientemente plauzível para calar o burburinho levantado. É simples: faz-se o lume, deita-se o azeite, depois diz-se que sem azeite não haveria lume. Que o efeito anularia a causa. Estou a falar bem ou não? Estarei eu a querer complicar, só para me armar em esperto? Eu que me esqueço sempre de declarar o que quer que seja? Será da gravata? Ou do jardim?

Publicado por Prusidente da Junta em 08:34 AM | Comentários (2)

janeiro 28, 2004

Compartimento

Temos novos colaboradores. Finalmente, depois de muito protestarem, lá poderam ocupar os seus gabinetes, já corroídos de mofo.
Tratem-nos bem. Ouçam-nos. Apupem-nos, se for caso disso. Beijem-nos. Embrulhem-nos.
Nós por cá vamos fazer festas todos os dias. E festas uns aos outros, diariamente. Obrigado. Pela atenção e pelo resto. Pela paciência.

Publicado por Prusidente da Junta em 05:57 PM | Comentários (2)

Beer

I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better
I dont know how much wine and whisky
and beer
mostly beer
I have consumed after
splits with women-
waiting for the phone to ring
waiting for the sound of footsteps,
and the phone to ring
waiting for the sounds of footsteps,
and the phone never rings
until much later
and the footsteps never arrive
until much later
when my stomach is coming up
out of my mouth
they arrive as fresh as spring flowers:
"what the hell have you done to yourself?
it will be 3 days before you can fuck me!"

the female is durable
she lives seven and one half years longer
than the male, and she drinks very little beer
because she knows its bad for the figure.

while we are going mad
they are out
dancing and laughing
with horney cowboys.

well, there's beer
sacks and sacks of empty beer bottles
and when you pick one up
the bottle fall through the wet bottom
of the paper sack
rolling
clanking
spilling gray wet ash
and stale beer,
or the sacks fall over at 4 a.m.
in the morning
making the only sound in your life.

beer
rivers and seas of beer
the radio singing love songs
as the phone remains silent
and the walls stand
straight up and down
and beer is all there is.

«Beer» by Charles Bukowski

Publicado por Prusidente da Junta em 05:37 PM | Comentários (2)

A flecha voa perto

Há dias que olho para mim e surpreendo-me. Ao espelho. Digo eu. Pareces um estivador dinamarquês. Arábico. Um cão de um viking. E vejo-me. Vestido de pescador. De alto mar. Com umas calças até às orelhas. A pele seca quase a saltar. A cara. Toda ela medieval. Muito medieval. Perdida no resto do corpo. O viking de um cão. Dinamarquês. Ou mesmo eslavo. Bizantino. Um Suevo. Persa. Basco. Talvez. A pele a pedir para saltar. Eu a comer no campo. Com eles todos. E o cão a chatear-me para lhe dar peixe. Armado em pescador. Com as orelhas a quererem saltar. Pareces um trovador. Maneirista. Digo eu. A quem quiser. Ouvir. Inexpressivo. Com um arco de monge. Perdido nas montanhas. Nas minhas. Longe de tudo. A pedir para saltar. Pareces um estivador. Aí à volta do queixo. Esqueço-me das cicatrizes. Que de relance. Estão ali. Sempre a olhar para mim. A pedirem para saltar.

Publicado por Prusidente da Junta em 05:17 PM | Comentários (0)

Com os Fusíveis Assados

É uma espécie de stress, miudinho, que se colou a mim desde que nasci. Foi a velocidade do despertar, ou coisa que o valha. Nunca mais recuperei. Agora ando para aqui, sem tino. Não faz mal, não mordo!

Publicado por Controlado pelo Tráfego Aéreo em 01:49 PM | Comentários (2)

Portugularmente

Desespero, desculpem, sempre que vou à rua. Mesmo agora saí, só para apanhar ar, e logo me amedrontei com a variedade da espécie humana que se despoja pelo pavimento. Parece que é moda, mesmo com frio, andar de geladinho na mão. Devem pensar que aquilo lhes alumia o caminho. Ignescentes dizimam o senso de quem ainda o tem. Será problema meu, serei eu o desintegrado? Que bom seria comer um geladinho, também, com este frio tão quente! Desculpem, mais uma vez.

Publicado por Prusidente da Junta em 12:23 PM | Comentários (2)

Maçaricos

Se há coisa que detesto no Ministro da Defesa, Paulo Portas, é o seu cheiro. De vez em quando lá nos encontramos numa missão especial qualquer, um jantarzito, uma conferência, uma visita aqui ou ali. Não é que eu queira mas tem que ser. De vez em quando, também, conversamos, pouco, porque não se aguenta. Não é que ele não tome banho, o problema é que os jantarezitos e os cocktails trespassam a sua habilidade para se perfumar. É qualquer coisa agridoce, que não é acre nem doce. Não faço a mínima ideia o que seja. Se é de sua autoria ou de algum assussor. Meu deus. Tentem, por exemplo, meter-se num elevador com ele. Duvido que consigam passar do Rés do Chão. Nunca lhe falei nisso, mas no outro dia despertou-se-me o seu penteado: "Oh Paulo agora andas com um look de Júlio César (o Imperador Romano), ou é impressão minha?". O que também lhe despertou qualquer coisa e logo recebi em troca: " Você com esse ar de Jesus Cristo também não sei onde quer ir, só mesmo até à sua Junta". Pelo sim pelo não, dias depois, cortei o cabelo.

Publicado por Prusidente da Junta em 11:23 AM | Comentários (1)

Nem chegava ao pescoço

Porque é que temos que levar a cabeça sempre que vamos à rua? Não era melhor se a deixássemos em casa, arrumada com os talheres, com os livros, com os detergentes? E lá íamos nós à nossa vida sem ter que ver ninguém, sem poder beber café por que não ter por onde, sem ter que abrir os olhos para atravessar a estrada. Era tudo mais fácil. Para que serve a cabeça, afinal?

Publicado por Prusidente da Junta em 08:48 AM | Comentários (3)

Sem Título que é um título como outro qualquer!

Voltei!
Preparem-se que eu não venho para brincadeiras.
Foi tempo de farófias, de aniz, estrelado e condensado nas memórias da amizade. Foi tempo de um Natal recordado em estradas como fios da dita árvore, nas bolas do prazer, no desmanchar repentino de embrulhos de amor no amaranhado das fitas do tempo que passou!
Foi um tempo de longas memórias e poucas glórias. Foi um tempo de muitas dúvidas e reflexões. Entre o mudar para que tudo voltasse, e... Como se alguma coisa pudesse voltar. Ou mudar!
Entre os vários eus que sempre fui, e as pátrias que não tenho...mais um copo para celebrar a neblina do esquecimento.
Mudo de agulha. De Rosa dos Ventos. De continente. De gentes?
Eu sei lá se mudei. Na verdade continuo agarrado a este ofegante desespero de não saber quem sou, o que sou, nem sequer onde estou ou de onde sou!
E já nem a mudança de animal do zodiaco chinês para mim desperta qualquer curiosidade. É o hábito. É a rotina.
É isto que eu não quero!
Quero a novidade constante! Quero a alegria! Num sorriso, num, copo, numa qualquer manhã com o Sol a nascer num horizonte que não teve noite. Quero o AMOR!
Que é, afinal... a Liberdade. A descoberta. O adivinhar constante do desconhecido!

Publicado por Mestre em 07:19 AM | Comentários (3)

já está

agora vens-me buscar?

à uma frente à millies?

Publicado por Eu é que era a Mulher do Prusidente em 04:11 AM | Comentários (6)

Sou eu!

Parem lá com isso... o Prusidente é todo meu! Está bem... quase todo!!

Publicado por Eu é que era a Mulher do Prusidente em 03:47 AM | Comentários (1)

Jovem visual

Tenho o prazer de chegar aqui. Esperem-me para breve.

Publicado por Técnico Cinetário em 02:44 AM | Comentários (0)

Sempre pelo Amor

Sentei-me hoje no meu gabinete, o Sr. Prusidente, finalmente, conseguiu dar-me as chaves...

Publicado por Assussora Remota em 02:34 AM | Comentários (0)

janeiro 26, 2004

Vórtice de Feitio

Porque não estavam lá não podem saber como foi, mesmo que vos conte.
Foi viver. Sabem? Viver? E quando o chão caiu. Como nunca tinha caído o chão. Porque nunca antes tinha caído. Gritámos ainda mais. Saltámos ainda mais, para cima das luzes. Para cima da Luz, que iluminávamos. Sabem? Foi viver. Com a súbita glória do ápice. Do instante. Como mais nenhum momento existiu. E poderá existir. Que vive no eterno da alma. Ma índole da consciência. Que regressa sempre que os olhos se fecham. Que volta a viver. Dentro de nós. Que volta a ferver. Quando o chão caiu. E de novo voltou a cair. Novo. E os gritos. Viver? Quando o chão caiu. Não podem saber. Mas sabem do que falo, ao menos? Do que é viver. Quando o chão caí. E fica a boiar no Céu? É Viver. É viver tão alto. Tão grande. Com tanta força. Quando o chão cai. E nós ali. Ao lado. A viver em efusão.
Estavam lá? Sabem do que falo? Viver? Ter vida?

Não se pode explicar. Só dizer.

Publicado por Prusidente da Junta em 02:50 PM | Comentários (3)

Vamos

Fico confuso com esse magote de gente que desceu à cidade. A pastar pelas ruas, como se fossem eles as próprias ruas. E as ruas sem se poderem coçar. Vêm aos grupinhos. Com qualquer artefacto na mão, normalmente explosivo, que os dedos nunca antes tocaram. Vêm despenteados. Em camionetas de carreira. Com o vento. O vento frio. Que os arrasta. Para dentro. Não têm a capacidade de sorrir. Abrem os queixos, somente. Linguarejam num caos de dentes. Ladram, por vezes. Com o vento. Vento frio. Que lhes dá na cara. Procuram outros iguais. Procuram espelhos andantes. Que os reconheçam. Que lhes percebam o carpir da espécie de palavras que reproduzem. Vestidos como se estivessem despidos do nu que têm por baixo. Amarrotados. Retorcidos. Cabelos retorcidos. Com o vento. O vento frio. Será impressão minha?

Publicado por Prusidente da Junta em 12:19 PM | Comentários (1)

Gigantic: Pixies nunca morreram!!

Para o caso de não terem ouvido:

Pixies, Radiohead, Kraftwerk confirmados para a Coachella Fest em Maio!
Pixies reunidos para tourné em Abril de 2004; Possibilidade de Novo Album.

Publicado por Prusidente da Junta em 12:06 PM | Comentários (0)

Partam-me os braços da dor

É época de massivas decisões. De mudança. De limpar a cara. De progredir. Talvez para cima de uma árvore. De ponderação. Não a árvore. As decisões. Ponderar no reconforto da mudança. Ponderar no sentido ascendente. Do progresso. Mesmo que seja em sentido contrário. Admirem-me, senhores. Janeiro. Ano 2004. Cheira-me a novidades. Cheira ao desespero de virar. Mesmo em contra-mão. Em circulação centrífuga. Sobre terreno movediço. Admirem-me. Roubem-me. Assaltem-me com uma navalha sedenta de brasas. Quando passar ao largo da vossa visão. Ao largo do prelúdio da memória. Roubem-me. Invertam-me. Virem-me do avesso. Com porrada sôfrega de prazer.

«...sleeping on your belly
you break my arms
you spoon my eyes
been rubbing a bad charm
with holy fingers...»

Publicado por Prusidente da Junta em 11:59 AM | Comentários (0)

As minhas mortes conhecidas

A propósito da morte de Miklos Fehér vêm-me à memória outras pessoas que morreram, de quem eu gostava. Talvez porque andavam depressa demais. A ordem é arbitrária:

Gilles Villeneuve (há vinte anos atrás era eu um putozinho, ainda brincava com caricas)

Stefan Bellof (numa corrida de resistência, 1000 km, ao volante de um Porsche 956 quando tentar ultrapassar Jacky Ickx, num carro igual, espetou-se numa das curvas mais perigosas dos circuitos mundiais: Eau Rouge em Spa. Era piloto de Formúla 1 em fase ascendente. Era o meu preferido depois da morte de GV. Foi em 1985.)

∆ Manfred Winkelhock (morreu também numa corrida de 1000 km, em Mosport Park, no verão do mesmo ano. A partir daqui deixei de ter preferidos. Até aparecer o filho Villeneuve. Mais por afinidade familiar.)

Henry Toivoinen (outro rapaz dos rallies, saiu a voar de uma ribanceira, fazendo jus à fama de finlandês voador. Também foi há muito tempo, em 1986 no Rali da Córsega. Alguém se lembra?)

Jeffrey Lee Pierce (vocalista dos The Gun Club, morreu com uma embolia cerebral em 1996.)

Mark Sandman (vocalista do grupo Morphine, morreu também de ataque cardíaco, em palco, num concerto perto de Roma, no dia 3 de Julho de 1999, tinha 47 anos.)

Ellioty Smith (Morreu em 2003)

Kurt Cobain (suicidou-se aos 27 anos!)

River Phoenix (actor norte americano, morreu aos 23 anos à saída de uma discoteca.)

Estou já a avisar que sou benfiquista. Detesto a paneleirice em que tornaram o futebol. Basta olhar para o Valentim Loureiro e está tudo dito. O Fehér era o meu jogador preferido da actualidade. O que fizeram da morte dele demonstra também em que sociedade vivemos. Simbiose rasteira entre mijo e merda!

Ah esqueci-me do Brandon Lee (filho do Bruce Lee.)

Publicado por Prusidente da Junta em 05:32 AM | Comentários (0)

janeiro 25, 2004

Beijos Intermináveis

For my friend Elsa.

Publicado por Prusidente da Junta em 04:45 PM | Comentários (5)

Difuso

O regresso convida-nos à reflexão. Convida-nos ao silêncio. Absoluto. A ouvir, apenas, os outros a suspirar. Os outros aos gritos. Os outros nas suas banais parvoeiras quotidianas. Quando volto venho vazio. Limpo. Cheio do que vi ou do que não vi. Do tempo que não correu como devia. Como é hábito. Onde só a manhã era diferente da noite. O amanhã nunca diferia do ontem. E o hoje seria o mesmo a toda a hora, se eu estivesse para isso. O longe desfoca o perto. Ofusca-nos os sentidos. O deve e o haver. E o que me importa dever ou o há ou não há? Não há, não há. That's it.
Não estou cá. Onde quer que seja este "cá". Nem estou lá. Não estou em parte alguma. Estou somente aqui em frente aos vossos olhos. E o tempo?

Publicado por Prusidente da Junta em 04:38 PM | Comentários (0)

janeiro 24, 2004

Sibérnia!

Voltei. Mas deu-me uma coisinha má com o frio que apanhei de volta. Aqui. Não se pode!! Chama-se a isto hibernar? May day!! Help!! Achtung!!!
SHIT!!!!

Publicado por Prusidente da Junta em 04:29 PM | Comentários (1)

janeiro 22, 2004

A melhor das boas pessoas

Tenho saudades do homem que nos fez entrar em confronto verbal, em conversa em tom de vontade de comer gelados no Inverno, em troca de piropos, ofensas várias e dicas para encontrar o exemplar raro da colecção filatélica. Nós os columbófilos apreciamos ainda mais esta nova maneira de comunicar, de tão inadaptados nos sentirmos, em ocasiões não muito distantes, frente a um computador. O Nosso Homem, A Melhor das Boas Pessoas, está fora, afastado das confusões da rede mundial informática, mas posso garantir-vos que nem por um breve minuto deixou de pensar em nós. Faz-nos falta, devia acercar-se já, é imperioso que volte a bater entusiasmado nas teclas que significam letras e sinais. Conheço-o faz tempo, saúdo-o frequentemente, separam-nos actualmente muitos mil milhares de quilómetros, é, asseguro-vos, a melhor das boas pessoas. Tem as suas taras, afinal quem não as tem(?), gosta da sua preversãozita e de derrubar um caixote do lixo de vez em quando mas não se mete em brigas, não bate no peito nem arranca troncos e varas de bambu à frente do transeunte vulgar. Tem uma dentição linda mas insiste em mantê-la tapadinha, é popular entre as miúdas mais nova de tão atraente que é, é um melómano e perde-se amiúde entre boas linhas de prosa. Pelo dito e pelo que só ele mesmo pode revelar tenho-o em grande estima. Sem ele não estaria aqui, sem ele não seria o que sou.
Com consideração,
o Moço de Recados.

Publicado por Moço de Recados em 11:14 AM | Comentários (6)

janeiro 20, 2004

O Sol

Falem-me dele, por favor. Sei que agrada à maioria na qual não me revejo por isso, por agradar à esmagadora maioria de vós, falem-me dele.

Publicado por Moço de Recados em 01:00 PM | Comentários (16)

janeiro 19, 2004

Sem Mundo

Cá estamos. Brevemente. Com o sol por trás e pela frente. Sem acentos. Moço, trabalhaste bem. E o Mestre por onde anda!? Morreu!! Definitivamente. É preciso que alguém lhe tome o lugar? Alguém que já tem a chave do gabinete. Esse alguém que faça favor de entrar!! Se o encontrar por lá sente-se ao colo e venha ter connosco, de qualquer modo. Mestre!!
Aqui, deste lado, longe como o bréu, o mundo não existe. So o espaço que nos rodeia. As semanas são um contínuo do mesmo dia.
Até sempre.
(na Malásia) P.

Publicado por Prusidente da Junta em 04:52 AM | Comentários (7)

janeiro 16, 2004

Depende

«Agora imagina a maneira como avança o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão lá desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles porque as correntes não lhes permitem voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.
Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objectos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda a espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projectadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?»

Publicado por Moço de Recados em 08:42 PM | Comentários (6)

Put it on


Ele há actos que justificam figurar em páginas, descritos pelos seus autores ou outra parte interessada no testemunhado. Escolher um vestido, ultrapassar a mais do que é permitido por lei, roubar uma loja de bebida, partir um vidro com um pedaço de tijolo, actos simples com consequências incalculáveis. Fazem-se, logo registam-se. Fazem-se e podem provocar o esperado ou o contrário. Robert Redford, protagonista do belo «Uma Flor à beira do Pântano» e realizador do «Quiz Show», não desapareceu contra uma das torres gémeas por causa de um dos inúmeros e simples contratempos que têm lugar nos aeroportos. A 10 de Set. estava marcado para um dos voos fatídicos mas, felizmente para ele, escapou e chegou a São Francisco são e salvo. Desmarcou-se, embarcou noutro avião. Aconteceu, anotou-se.

Put it on
And don't say a word
Put it on
The one that I prefer
Put it on
And stand before my eyes
Put it on
Please don't question why
Can you believe

Something so simple
Something so trivial
Makes me a happy man
Can't you understand
Say you believe
Just how easy
It is to please me

Because when you learn
You'll know what makes the world turn

Put it on
I can feel so much
Put it on
I don't need to touch
Put it on
Here before my eyes
Put it on
Because you realise
And you believe

Something so worthless
Serves a purpose
It makes me a happy man
Can't you understand
Say you believe
Just how easy
It is to please me

Because when you learn
You'll know what makes the world turn

DEPECHE MODE - "Blue Dress"

Publicado por Moço de Recados em 07:04 PM | Comentários (9)

janeiro 15, 2004

Bravo, Tomás

O funcionário do presídio colocou o maço de tabaco na mesa, mesmo à frente dos meus dedos. Debruçou-se e chegou-se perto. Senti-lhe o bafo morno, prova de uma refeição com enchidos, um vinho de fraca qualidade, talvez umas uvas e, certeza das certezas, azeitonas. Antes de falar levou dois dedos à boca e passou-os pelos incisivos. Tranquilo, tinha a missão bem estudada.
- Toma, é para ti, digamos que se trata de uma espécie de satisfação de última vontade.
- Última vontade?
- Sim, como nos filmes!
- Mas, eu não fumo.
- Fumas, fumas, que eu bem sei. Está no relatório.
- No relatório escrevi, em maiúsculas, não fumo, prefiro um bitoque.
- Que dizes?
- O que acabou de ouvir.
- Não fumas?
- Não, não fumo. Deixei-me disso há cinco ou seis anos.
- Cinco ou seis anos?
- Sim, não fumo, prefiro um bitoque.
- Queres-me tu dizer que um maço de cigarros não te serve, de maneira nenhuma?
- Se fosse publicitário talvez me agradasse dissertar sobre a política de marketing da marca, as suas opções gráficas, sobre as vantagens de ter o nome a Bold, a fotografia nas costas do maço e igualmente sobre a actualização periódica do logótipo da tabaqueira. Como não sou, como aliás deixei bem explícito no relatório, tenho que lhe dizer que este maço de cigarros não me serve, de maneira nenhuma.
- E não tens vontade de voltar ao vício?
- Não senhor.
- Ó diabo...
- Esse maço não me serve, lamento.
- Se não és publicitário, que fazes tu então?
- Sou jardineiro.
- Qualquer jardineiro que se apresente fuma o seu cigarrito, ou não?
- ...
- Não?!?
- Desculpe-me, não me leve a mal, mas você ganha algum com esta conversa? Quero dizer, as marcas pagam-lhe algum dinheiro...ou são mesmo os Serviços Prisionais? Vocês são forçados a oferecer cigarros nestas horas? Há acordos com os americanos, um protocolo, um contrato a termo incerto?
- ...
- Eles obrigam-vos a dar-nos cigarros, é isso?
- Qual é o teu nome, mesmo?
- Tomás Bravo, Tomás Bravo Ferreira. Jardineiro de profissão, vou a casa, seja ela onde for no território nacional, tenho um conjunto novo de mangueiras, sou especialista em relva de estufa e publiquei uma tese a propósito de milho transgénico. Os preços são em conta, o serviço é exemplar, garanto satisfação completa.
Juntamente com o relatório pode encontrar uns vinte ou trinta cartões de visita meus...
- Bravo?!
- Sim, obrigado, ao seu dispor.

Publicado por Moço de Recados em 07:53 PM | Comentários (3)

Cotaquinabalú

Ainda me estou a rir, a roncar por rir que nem um alarve.
Na verdade estou a rir-me...mas é dos nervos!

FILTER - "The Best Things"

Got green light, got green light yeah
But I'm going no where
Got green light, got red light yeah
No cop, no stop I don't care

Everyone of you could be the same
Everyone of you could be play the game
Got green light, got green light yeah
But you're going no where

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

Got a new life, got a plight yeah
And it's going no where
Got a moutain top, like a pin drop yeah
No god, no fod
I don't care

Everyone of you could be the same
Everyone of you can't play this game
Got a new life, got a plight yeah
And it's going no where

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

Got a new fun, got a new crime yeah
And it's going no where
Like a global pad, like car crash
And no cop, no stop he don't care

Everyone of you are just the same
Everyone of you will play this game
Got a new fun, got a new crime yeah
And it's going, no where

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free
You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

You know the best things in life aren't for me
You know the best things in life aren't for free

Publicado por Moço de Recados em 02:00 PM | Comentários (9)

Se melómano sois

Fazei um favor a vocês mesmos, tratai de entender de uma vez por todas a necessidade de mudar a vossa triste existência. Faltai-vos o quê? A música, a boa música, evidentemente. Na Antena 2, de manhã, lá pelas 9.45 horas, recomendo-vos pois a audição dos «Postais» da autoria de João Almeida. A roçar a perfeição, a excelência que todos deviam procurar.

Publicado por Moço de Recados em 11:07 AM | Comentários (0)

Prusidência Aberta

O senhor, porventura, nunca ouviu falar da Prusidência aberta? Tentaram-na alguns, realizaram-na pelo menos dois. Não se deram mal, os sinhores doutores, não deixaram à míngua as localidades por onde passaram, os assuntos de estado não se esqueceram na gaveta e o povão não deixou de se sentir feliz. Feliz ficou, de contentamento gritou, o aglomerado de seres menores. Vai daí, caro Prusidente, só me oferece dizer-lhe «as acções ficam com quem as pratica». Vá para fora cá dentro, se faz o favor, não se demita.

Publicado por Moço de Recados em 10:58 AM | Comentários (0)

Tem uma graça do Caraças

Tem uma graça do caraças, ai tem, tem!

Publicado por Moço de Recados em 10:51 AM | Comentários (4)

Dias Santos



O Prusidente da Junta vai ausentar-se para umas merecidas férias. Mesmo aí para o meio do mapa. Deixa o exercício da Prusidência nas mãos do Moço de Recados. Se puder, do meio da selva, entrarei em contacto com este espaço globalizante. Preciso de descanso. Até lá.
Ainda estou por cá, até ao fim do dia. Alguma medida urgente, é só dizer! Obrigado.

Publicado por Prusidente da Junta em 03:27 AM | Comentários (1)

janeiro 14, 2004

For you, hone'! (Tournier#2)

AS PEDRAS SONANTES

«A 25 de Setembro de 1937, uma corrente de perturbações circulando da Terra Nova para o Báltico dirigiu para o corredor da Mancha massas de ar oceânico suave e húmido. Às 17 h. e 19 uma rajada de Oeste-Sudoeste levantou a saia da velha Henriette Puysoux que estava a apanhar batatas na sua leira, fez estalejar o toldo do Café des Amis de Plancöet, fechou brutalmente um dos taipais da casa do dr. Botterreau na orla do bosque da Hunaudaie, virou oito páginas dos Meteoros de Aristóteles que Michel Tournier estava a ler na praia de Saint-Jacut, levantou uma nuvem de poeira e palha desfeita na estrada de Plélan, salpicou de rebentação o rosto de Jean Chauvé que ia fazendo o seu barco à baía do Arguenon, sacudiu, inchada e dançando na corda onde estava pendurada a secar, a roupa de cama da família Pallet, accionou o aerodínamo da quinta das Mottes, e arrancou um punhado de folhas doiradas das bétulas brancas do jardim da Cassine.
O sol descia já por trás da colina onde os inocentes de Sainte-Brigitte estavam a apanhar asteres e flores bravias que se amontoariam a 8 de Outubro em ramalhetes desajeitados aos pés da estátua da sua padroeira. Este trecho da costa da baía do Arguenon, virada a Leste, só de terra recebe o vento marítimo, e Maria-Barbara redescobria através das brumas salgadas das marés de Setembro o odor acre das queimadas do interior. Cobriu com o xale os dois gémeos enlaçados na mesma rede de descanso.»

Michael Tournier - «Les Méteores» - Éditions Gallimard, 1975
Versão portuguesa: Publicações Dom Quixote - Tradução: Miguel Serras Pereira

Publicado por Prusidente da Junta em 09:27 AM | Comentários (2)

janeiro 13, 2004

Isqueiro?

Cego pelo sudoeste. Cego pelo nordeste. Cego por tudo. Cego. Simplesmente cego!

Publicado por Prusidente da Junta em 06:22 PM | Comentários (2)

Tripla Penetração

Nada de revivalismos, está bem? - Lime tinha acabado de chegar, estava há vinte minutos a tentar convencer Purple a não se atirar do cimo do monte. Escarpado. Ouve o que eu te digo, aconteça o que acontecer, nada de nada de revivalismos! Nada de nada de nada! Estás a ouvir? - Purple sofria. Só porque estava a ouvi-lo. Ouvia-o para sofrer. E deixava-o falar para sofrer ainda mais. Mais e mais. Não penses em reviver. Reviver não é nada. É morrer de novo - Mais e mais. E mais. Era tão bom se ele continuasse. Até ao fim. Ficava aqui a olhar, no cimo deste monte, até me atirar para a erosão da escarpa. Quando ela já não existisse. E não estivesse aqui mais ninguém. Nem eu nem ele. Quando mais nada existisse. Nem eu nem ele. Mais e mais e mais. No revivalismo não acontece nada, sabias? Sabias que o revivalismo está vazio? Oco? Sem ninguém? Vazio de gente. Nem tu nem eu. Sabias? Vazio de ti, de mim? Sabias? - Era tão bom se ele continuasse. Mais e mais. E mais. Era tão bom. Até à erosão do movimento. Do tempo. Quando já não existisse tempo. Nem ninguém. Só a cavidade do universo. Sempre. Nada de revivalismos! Acabou! Estás a ouvir?

Publicado por Lime & Purple em 06:00 PM | Comentários (0)

Tomei o autocarro às duas horas. (Camus#1)

Primeira página de um livro ao calhas, é uma nova secção:

«Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames". Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem.
O asilo de velhos fica em Marengo, a oitenta quilómetros de Argel. Tomo o autocarro das duas horas e chego lá à tarde. Assim, posso passar a noite a velar e estou de volta amanhã à noite. Pedi dois dias de folga ao meu patrão e, com uma razão destas, ele não mos podia recusar. Mas não estava com um ar lá muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe: "A culpa não é minha". Não respondeu. Pensei então que não devia ter dito estas palavras. A verdade é que eu não tinha nada que me desculpar. Ele é que tinha de me dar os pêsames. Mas com certeza o fará, depois de amanhã, quando me vir de luto. Por agora, é um pouco como se a mãe não tivesse morrido. Depois do enterro, pelo contrário, será um caso arrumado e tudo passará a revestir-se de um ar mais oficial.
Tomei o autocarro às duas horas. Estava muito calor. Como de costume, almocei no restaurante do Celeste. Estavam todos com muita pena de mim e o Celeste disse-me: "Mãe, há só uma". Quando saí, acompanharam-me à porta. Estava um bocado atordoado e tive que ir a casa do Manuel, para lhe pedir emprestados um fumo e uma gravata preta. O Manuel perdeu o tio, há meia dúzia de meses.
Tive de correr para não perder o autocarro.
Esta pressa, esta correria e, talvez, também os solavancos, o cheiro da gasolina, a luminosidade da estrada e do céu, tudo isto contribuiu para que eu adormecesse no caminho.»

Albert Camus - «L'étranger» - Éditions Gallimard, 1949
Versão portuguesa: Livros do Brasil - Tradução: António Quadros

Publicado por Prusidente da Junta em 05:18 PM | Comentários (0)

janeiro 12, 2004

Diálogo II (Pai e Filha de 3 anos)

- Então o que queres ser quando fores grande?
- Quero ser um Monstro!

Publicado por Prusidente da Junta em 03:28 PM | Comentários (6)

Preferências Anuais

«RODGER DODGER. Um texto daqueles, uma dramatização daquelas, uma direcção de actores do outro mundo. Responsável pela recuperação do limbo da Jennifer Beals e Campbell Scott, Rodger Dodger é um dos pontos altos de 03. Quem concordar escreva X, quem discordar escreva X. Quem não souber escreva o que lhe apetecer e quem lhe apetecer outro passatempo escreva XXX».
Trata-se da derradeira comunicação do meu amigo do outro dia. Sem reacções ao seu último contributo, escolheu esquecer-vos e dizer-vos adeus. Julgou o blog como uma simples conta de somar, entendeu isto como trigo limpo farinha amparo e enganou-se. Desta parte, relativamente a ele, acabaram-se os recados, as incumbências.
Obrigado.
O Moço.

Publicado por Moço de Recados em 11:46 AM | Comentários (7)

janeiro 11, 2004

Pergunta no final do fim de semana

Sempre vão, de uma vez por todas, fechar a Casa Pia?

Publicado por Prusidente da Junta em 05:57 PM | Comentários (3)

Nada

Mesmo não tendo nada para dizer. É melhor deitar tudo cá para fora. Sem medo de ser ouvido. Nunca é só o silêncio. Há sempre algo mais... bbzzzzz...

Publicado por Prusidente da Junta em 05:53 PM | Comentários (1)

Sem Vigília

Já dormi. Já acordei. Já voltei a dormir e, agora, vou de novo acordar. Para retomar o sono. Quem quiser que me acompanhe. Estou na esquina ao lado da ponte levadiça.

Publicado por Prusidente da Junta em 05:40 PM | Comentários (0)

The 6-Dual Miracle

Peguei num livro ao calhas, «O Setembro Biológico» de Esori Oljid, e reproduzi o que estava lá dentro, numa página aleatória, a quatrocentos e dois. A frase do meio da folha - «Quero que morras entre a tua morte e a minha» - deu um salto quando passei por ela. E deu sempre um salto, cada vez que os meus olhos passavam por ela. Tentei segurá-la. Com o dedo. Enquanto lia. O meu dedo saltou com ela, para fora do livro. Um arco descontrolado e perfeito. Quando a redigi, no bloco a imitar pergaminho que tinha ao lado do livro, nada se passou. Mas ao relê-la. Desapareceu. E voltei a escrevê-la. E voltou a desaparecer. Voltei a escrevê-la. Desapareceu mal escrevi o último A. Tentei tapá-la com a mão, em concha, sem ver muito bem o que escrevia. Mas, ao afastar a mão, só vi a frase anterior.
Tentei, como experiência, mudar de suporte. Enfiei a mão num balde de tinta e com a palma escrevi na parede. A frase. Não desapareceu logo. Demorou um ou dois minutos. Talvez porque estava ainda a tomar forma. Quando me distraí. Ciente da vitória. Entre o momento de desviar e voltar a focar o olhar na parede. A frase desapareceu, num ápice, sem deixar o mais ínfimo rasto. De novo no papel. Resolvi então trocar-lhe uma palavra. E o efeito foi claro. Fixou-se no plano. Sem protesto. É essa frase que reproduzi umas linhas acima. Porque a verdadeira duvido que se mantenha aqui, por mais do que um milésimo: «                                                                                         » Está em itálico e tudo, caso não tenham dado por isso.

Publicado por Prusidente da Junta em 05:26 PM | Comentários (1)

12000 Fotogramas por Segundo!

#3 - EXP_07: DEFOCUSED ANALYSIS - 5'23'' de televisão verdadeiramente de perto.
Cam & Edit por Eduardo Sousa; música de Fizzarum.

#4 - ECOLINE
por Eduardo Sousa

Publicado por Prusidente da Junta em 10:27 AM | Comentários (1)

janeiro 10, 2004

Integração de quase nada

Já não há paciência para se ouvir falar no Iraque. Para se ouvir falar nos Estados Unidos da América, com o seu Dólar cada vez mais estúpido. De movimentos. Para retornos de processos. De paz ou seja do que for. Não há paciência para o deserto que nos assola. De norte a sul do país. Do norte ao sul das cidades. Todas elas. Passando pelas vilas, aldeias e apeadeiros. Não se pode descansar. Tudo dura. Tudo aperta. Não se pode sair. Daqui. Ileso.

Publicado por Prusidente da Junta em 07:26 PM | Comentários (4)

Técnica Perra!

Para que serve o arrependimento? Para dormir melhor, mais descansado? Para olhar para a frente, com outros olhos? Para desejar, novo arrependimento?

Publicado por Prusidente da Junta em 07:19 PM | Comentários (2)

Diálogo (Pai e Filha de 3 anos)

- Queria queimar o Sol com água!
- Ah sim? E como fazias isso?
- Metia o dedo lá dentro e tu pisavas!

Publicado por Prusidente da Junta em 08:48 AM | Comentários (1)

janeiro 09, 2004

Fire walk with me

Quem matou L. Palmer? Terá sido Killer Bob? Alguém ou apenas obra e graça do Espírito Santo? Os sonhos, meu Deus, ai os sonhos do Agente Cooper, tão longe foram. Sherill Lee, a amiga de L. F. Boyle, é a morta e a prima - separadas no tempo, mas próximas nas folhas de produção e nos guiões. Ganharam um extremo afecto pelo motorcycle boy de serviço, o simples James no pequeno ecrã, o único empata da equipa. Seja, gostei de ver aquando da estreia nacional mas na revisão da matéria, armazenada na memória a longo prazo, através da Radical SIC, reparei em simples sinais de erosão, técnica e narrativa, inevitáveis ao fim dos ciclos de três centenas e meia de dias. O tempo é padrasto, a madrasta é bera e o órfão é o maior desgraçado. Morre-se por muito pouco hoje em dia, cede-se por meia dúzia de tostões, come-se quase de borla e é-se famoso num ápice.

Publicado por Moço de Recados em 07:31 PM | Comentários (2)

NOVELTIES, PARTY TRICKS, SOUVENIRS!

Abrimos uma GALERIA. Aqui na sala ao lado, no princípio do corredor. É um espaço universal onde tudo pode acontecer, onde todos podem entrar. É um espaço vosso, também. À disposição de quem o quiser usar. Podemos ter exposições diárias, semanais, mensais, depende do tempo que lhe quisermos dar. Não tem nome, é apenas uma GALERIA. De criações subliminares. Começamos com algo que não é nosso, mas que está onde nós estamos, ao alcance de um click, ao alcance de um botão. De um mero movimento. Vem de uma revista assídua aqui na Junta. Chama-se BORN MAGAZINE, vão até lá, é uma recomendação que fazemos com agrado. A porta para o nosso novo espaço está aqui: #1 - ENTREM. Sirvam-se à vontade. Com o som bem alto.

Mais informações em breve. Planeamos, a curto prazo, fazer uma mostra de auto-retratos não autorizados pela mão do próprio Prusidente da Junta.

Deixe os seus comentários, faça as sugestões que quiser.

STAY TUNED!

«By sides in the short and busy bar, we stare ahead,
talking: me to the mirror, you
as I feel you, glancing back at me. Longing? Wistful?
No, everything is fine here, waterspots and ashes,
exactly what we find in front of us,
your small hands, cool around your drink,
my hands held down by drink, unshaken
as I go on and on about her, to your ready ear.
Aside, now up against you, watching your lips
moisten, their parting, your round tongue—
across breasts, down your legs, I try to see
what she has seen, up close, between the folds,
the winey crease of you. There, inside,
might I find I love your touch more, too?»

To My Lover’s New Lover, Now Her Ex-, Too
BY GARY HAWKINS & JADON ULRICH

Publicado por Prusidente da Junta em 12:35 PM | Comentários (4)

Carregava num botão e desapareciam todos!

Odeio as pessoas, de uma maneira geral. À partida não gosto do povão, dos movimentos de massas, da cegueira do futebol, dos pais que não educam os filhos, dos condutores que não respeitam o código, dos homens portugueses que enchem as discotecas, dos engates em pé e junto ao balcão com o copo por companhia. Odeio as pessoas, de uma maneira geral. Não gosto de quem amaldiçoa a chegada ao emprego, detesto quem anónimo esfaqueia o parceiro, abomino a ambição desmedida, a correria aos saldos e as empregadas sem paciência para atender, os clientes exigentes e os tipos que fazem questão de se divertir todas as noites. Odeio as pessoas, de uma maneira geral. Mais que as pessoas só odeio a passagem de ano e o carnaval.
Fazei-me o favor, ide-vos desta para melhor, caso sabeis o que melhor significa.
Raios vos parta!

Publicado por Moço de Recados em 12:27 PM | Comentários (4)

janeiro 08, 2004

Sexualmente Elástico

«A talhe de foice, pediu-me um beijo na virilha. Eu não fiz mais nada, debrucei-me, concentrei a atenção nas cuecas e nos rebordos folhados das ditas e com um subtil movimento do indicador puxei a área elástica para a esquerda, destapando pouco, mas o suficiente, a mancha disforme de pêlos escuros. Beijei a virilha, durante um minuto, e armando-me em comilão precipitei-me e tratei de morder a fronteira elástica embora com o olho metido já por baixo do tecido. Quando larguei o elástico dos dentes abusei e quis tudo para mim num segundo, as cuecas, os pêlos, a fruta e o bicho da dita. Foi um erro, só vos digo...»

O meu amigo do outro dia voltou a pedir-me e eu, incapaz de soltar um não, aceitei dar-lhe mais espaço neste blog. Desta vez visitou-me em casa com um texto enorme de que decidimos extrair esta insignificância. Ele quer continuar, eu começo a perder paciência para este tipo de abusos. Pois então, dizei-me, atentos, devo dar-lhe mais espaço de publicação?

Desculpai mais este recado do Moço.

Publicado por Moço de Recados em 06:45 PM | Comentários (5)

Hoje não saio de casa!

Ontem dei boleia ao Presidente. Sim, ao Presidente da República. Fomos os dois a uma Cerimónia, com outras personalidades ilustres, em luto. E ele, como quem traz água no bico: "O Sr. Prusidente, dá-me boleia?", lá veio. Dispensei o motorista e passei para o volante com o PR ao meu lado, no banco da frente, com o cinto posto. "Temos Air-Bag não se preocupe." Estava com pressa e viemos os dois aos trambolhões, mesmo de cinto, pelos Mártires da Pátria acima. A meio caminho, ao largo do Miguel Bombarda, sai-se com esta: "Oiça, preciso de um favor..." Quando um presidente fala mais vale responder, não vá ficar chateado. Fiquei calado "...troque o seu corpo pelo meu." - atirou, por fim. Quase chocava, lateralmente, com uma motoreta da Tele-Pizza que ia a passar. O que é certo é que, junto ao Tejo, já eu estava convencido. E lá troquei, o meu corpo. Com o dele. "Precisava de dar umas voltas. Distrair-me. Entrar numa loja e comprar uns discos. Uns filmes. Sem ninguém atrás de mim. A chatearem-me. A pedir autógrafos e reformas antecipadas. E este seu corpo é o ideal para isso." Para isso e muito mais, penso eu. Já lá vão mais de vinte e quatro horas desde que nos separámos. O meu corpinho nem vê-lo. Não saí de casa, nem ontem, nem hoje. Não recebi telefonema algum. Nem do Palácio de Belém, nem do Colombo. Porra. Nem consigo olhar-me ao espelho. Com medo de o partir. "O Sr. Prusidente, dá-me boleia?" Porque é que não bati no homem da Tele-Pizza? Nem um telefonema. E eu sem sair de casa. Dentro deste corpo de Jorge Sampaio, sem nada que possa fazer com ele. Ainda para mais cheiro mal. Não tive coragem de me despir e, muito menos, de tomar banho. E ele a divertir-se. Sei lá aonde. "O Sr. Prusidente, dá-me boleia?"

Publicado por Prusidente da Junta em 03:51 PM | Comentários (3)

Dedos de Lula Inc.

Entraram para aqui com uns papéis de parede e como eu não sei dizer que não, antes que desse por isso, já me estavam a colar estas porcarias pelas paredes fora. Porcarias tóxicas. "Olhe este. E olhe este. E mais este..." Tive que os correr a pontapé. Não se pode estar aqui com o cheiro. A cola. Ainda para mais não embriaga. Não se preocupem. Já chamei uns contínuos, que com os seus escopros atacaram tudo o que era canto. Que barulheira. Zing. Zing. Acho que os vou correr a pontapé. Entretanto, já chamei os pintores. Vêm a caminho. Zing. Zing.

Publicado por Prusidente da Junta em 03:49 PM | Comentários (3)

Não Morreu

O Mestre vai voltar. Aguentem-se! Agarrem-se bem!

Publicado por Mestre em 09:13 AM | Comentários (3)

janeiro 07, 2004

Doçura

«De saída para outra vida, ou melhor, para outra tarefa da vidinha, encontrei ao caminho um camionista que não arranjou melhor paciência que a minha, para chagar. Queria um serviço, uma coisa leve, uma coisa boa. O taxímetro estava encerrado, o trabalho podia esperar pelo dia seguinte, como tal declinei o convite feito com doçura - Ouve, filha, queres deixar-te comer de mansinho? - Declinado o convite igualmente com doçura - Põe-te com dono, camó! - o filho da vaca, fora a Mãe, vendo-me agachar para agarrar um malmequer, deu-me um pontapé na cara, desta vez sem doçura alguma. Caí e mantive-me imóvel. Naqueles instantes pensei em mudar de ocupação, no taxímetro, na forma de dizer as frases e na incapacidade geral, hoje em dia, para entender o próximo. Abri a bolsa e pintei os lábios e com o blush redesenhei de forma aceitável a marca de sangue pisado.»
Este texto pequenino foi escrito pelo amigo do outro dia, numa folha de mesa de restaurante, depois de eu lhe ter dito o que havia feito com as suas palavrinhas sábias. Se lhe toma o gosto o Moço de Recados passa a Pombo Correio. Obrigado.
Desculpai a ambição alheia.

Publicado por Moço de Recados em 07:29 PM | Comentários (2)

Cheio de ZEROS Cheio de UNS

Não vou morrer ainda. Agora. Só enterrei a cabeça dentro dos cristais líquidos do monitor. Com um bocado de sorte alguém me virá libertar, antes da hora de jantar. Senão, a mulher da limpeza, que nunca chega a horas, virá dar comigo nesta agonia e liberta-me, com a sua esfregona XP. Eu não queria estar aqui, mas aproximei-me tanto que acabei, depois de ficar colado, por ser sorvido. Slluuurp. Metade do meu cérebro tornou-se digital. Sinto os zeros e os uns a arranhar-me a garganta. Fogem do monitor, às minhas custas. Com o desejo de se transformarem, de um momento para o outro, em átomos. Sabe bem o latejo dos neurónios. Pena não poder ler outra coisa qualquer.

Publicado por Prusidente da Junta em 06:30 PM | Comentários (2)

Ganhar a face (V. 1.01)

Por excesso, nunca por defeito, sinto uma vontade imensa de oferecer beijos, de os retribuir e de os endereçar. São talvez o acto terno mais íntimo e perfeito de todos.

Publicado por Moço de Recados em 04:56 PM | Comentários (6)

Lady Grinning Soul

She'll come, she'll go. She'll lay belief on you
Skin sweet with musky oil
The lady from another grinning soul

Cologne she'll wear. Silver and Americard
She'll drive a beetle car
And beat you down at cool Canasta

And when the clothes are strewn don't be afraid of the room
Touch the fullness of her breasts. Feel the love of her caress
She will be your living end

She'll come, she'll go. She'll lay belief on you
But she won't stake her life on you
How can life become her point of view

And when the clothes are strewn don't be afraid of the room
Touch the fullness of her breast. Feel the love of her caress

She will be your living end
She will be your living end
She will be your living end
She will be your living end
She will be your living end

(David Bowie - «Aladdin Sane»)


Publicado por Moço de Recados em 01:03 PM | Comentários (4)

Abrir a Mão

A Justiça é rasa. Não é uma ciência. Não é binária. Nem hexadecimal. A Justiça não perdoa. Pune. Fixa. Limita. A Justiça não é razoável. Depende de ligações neurológicas. A Justiça não avalia. Distorce. Empata. Encaminha. Absorve. A Justiça engole valores. Engolidos por outros. Regurgita. Vacila. Reforma-se. A Justiça vive presa. Condenada por si. Em masoquismo mutilado. A Justiça não é. Faz-se. De parva. Manifesta-se. Sem protesto. Arromba. Sem força. Brutalmente. A Justiça é humana. Falaciosa. De humores. Com desejos de se associar. A outra. Não evolui. Definha. A Justiça vende-se. Não se compra. Fecha-se. Não se abre. Não tem câmbios. No mercado. A Justiça complica. A Justiça é negra. De veludo. De napa. De traças. A Justiça é rival da sua Justiça. Desactualiza-se. No vigor. No padrão. Sofre de influenzas. Várias. Estranhas. A Justiça fica para lá do Z. Do alfabeto. Da consciência. Da balança. Fica para lá da Justiça.

Publicado por Prusidente da Junta em 11:21 AM | Comentários (7)

janeiro 06, 2004

Disse-me no outro dia um amigo meu

«Já viste, bem, pá, o bem que nos fazem os filmes britânicos bem dispostos, as boas companhias, os amigos próximos, os amores resolvidos a bem, o bem que nos fazem os animais de pêlo longo e olhos brilhantes...e o mal que nos fazem as mulheres dominadoras? Fazem mal pelo bem que sabem, mesmo quando é contra vontade. Na montanha com erva ou sem ela, no mar, revolto ou não, tanto faz, caralho! Pode ser na cidade, também não nos importa. As mulheres dominadoras, as que resistem a tudo e sobrevivem aos confrontos em forma e com uma última frase inesquecível por ser tão cruel e fria, são as que mais mal nos fazem mas paradoxalmente as que mais vagueiam pelas nossas memórias inquietas».

Publicado por Moço de Recados em 07:21 PM | Comentários (12)

A Neve

FALEM-ME DA NEVE, BICHOS RAROS, FALEM-ME DELA!

Publicado por Moço de Recados em 05:22 PM | Comentários (4)

Um Mês Qualquer

Quando cheguei pensei que iria precisar de muita coisa. Por isso vim carregado. De malas. De objectos inúteis. Como se a mudança fosse dos objectos e não minha. Como se para mudar fosse necessário transportar todo o meu passado atrás. Em malas inúteis. Em pesadelos. E os fatinhos também. Como se fosse um boneco que ia deixar o circo. Para outro circo. Quando me vi de objectos inúteis nas mãos. Com as malas cheias de pesadelos. Achei-me rídiculo. Achei-me inútil. A transportar todos os meus pesadelos, a tiracolo. Com os objectos dentro de mim a transbordarem de calor. No suor da mudança.

Quando cheguei com o peso do todo de mim. O todo de mim inútil. A escorrer pesadelos e passado. E os fatinhos também. Achei-me atrás da minha frente. No passado do meu passado no futuro. Presente. No circo. Mesmo lá no meio, a pousar as malas no chão. Carregadas com o suor dos bonecos. E tudo a olhar. Sem ninguém. Milhares de olhos de ninguém. A ver-me. Inútil. Dentro de mim.

Hoje percebo que não é preciso nada. Nem fatinhos. Nem passado.

Publicado por Prusidente da Junta em 11:45 AM | Comentários (1)

janeiro 05, 2004

Landed


Desci. Sem segurança nenhuma, aos encontrões na carlinga. Não consegui desprender-me. Dos destroços que ficaram espalhados no solo. Tenho uma mão a funcionar. A outra não mexe. Está perfurada e não a vejo, para aí. Respiro com dificuldade este ar de plasma...

Publicado por Lime & Purple em 05:01 AM | Comentários (11)

janeiro 04, 2004

Diuos #943 Violet Pearl

Não vou escrever nada, hoje. Nem mais uma palavra. Nem uma letra. Nem mais um ponto final.

Publicado por Prusidente da Junta em 03:57 PM | Comentários (0)

janeiro 03, 2004

A Corda

São tudo tretas. Mesmo o ir deitar-me é uma grande treta!

Publicado por Prusidente da Junta em 05:57 PM | Comentários (0)

Generalizando Irrelevâncias

Será o Caso Pia importante? Será o Presidente da República importante? Ou o Ministro que o tutela? E os detidos, serão importantes? Embaixadores de apresentadores, apresentadores de embaixadores? É a televisão importante? A mudança de canais, o ruído da frequência horizontal, os cândidos cenários? É a capital deste distrito importante? E todos os seus componentes? E aquele homem dentro do quiosque a masturbar-se, é importante? O Juíz Qualquer Coisa Teixeira e as suas decisões, são importantes? E todos os seus oponentes? E o Delgado Mistério Público, assim como os Bispos heterossexuias, são importantes? Sinceramente, repito, é o Governo importante? São os automóveis e as brigadas importantes? O alcatrão? Será que ser sincero é importante? Mesmo mentido com sinceridade? As armas, os barões assinalados, os mais menores, excluindo os menos maiores, serão importantes? Os seus olhos, sim você aí, que olham para este X, serão importantes? E o seu corpo, mal sentado, e a sua perna a tremelicar? E a sua mãe que já era, e o que ela dizia, era importante? Serão os jornais, as notícias, as palavras, os bocejos, importantes? Será o sexo importante? O orgasmo? Importante? E o seu oposto? Será isto, isto e isto, importante? E o carro lá em baixo que passa e grita? De sofrimento. O Benfica e o seu Presidente Esqueceu-se-me o Nome da Costa, e a relva, e a moeda, importantes? E o Eusébio e a sua Margarina Flora? E o Astrónomo Amador, o Fuzileiro, o Parque-Campista? Os aviões que se afundam. E os deuses, os começados por R, são importantes? Mesmo um Deus de letra grande? Mesmo aqueles infravermelhos? Será um Clitóris importante? E uma dúzia deles? E a porta ao lado, mesmo aqui ao lado, que não fecha? Merda, e os finais felizes, os infelizes, os que espreitam por qualquer lado, serão importantes? Serão eles mais importantes que eu? Do que esse aí do outro lado? A pensar, de maneira diferente da minha, a exigir. Será importante? Será a vida, a que vivemos e as outras, importantes?

Publicado por Prusidente da Junta em 05:49 PM | Comentários (3)

Chance Meeting



I never thought I'd see you again
Where have you been until now?
Well how are you?
How have you been?
It's a long time since we last met

It seems like yesterday
When I first saw you
In your red dress smile
How could I forget that day?
I know that time spent well is so rare

(Words & Music by Bryan Ferry & Played by Roxy Music - 1972)

Publicado por Prusidente da Junta em 04:32 PM | Comentários (2)

janeiro 02, 2004

Help Me!

Que horas são? Parece-me tão tarde!

Publicado por Prusidente da Junta em 07:23 PM | Comentários (3)

Perdidos & Achados

Perdeu alguma coisa? Alguém? Procura o que perdeu? Perde o que procura? Alguém? Alguma coisa? Perde-se se procura? Algum alguém? Coisa? Perdeu alguém? Em alguma procura? Perde-se? Perde perdendo? Alguém que o procura? Perdeu? Procura? Alguém? Alguma? Com procura? Porque coisa perdeu? Porque procura? Alguém o perdeu? Com alguém? Com alguma? Procurando a procura? A coisa? De alguém? Que se perdeu? Procurando? Perde-se perdendo-se? Alguém? Com alguém? Alguém? Coisa alguma?

É aqui! Que se procura. E é também onde se encontra.

Publicado por Prusidente da Junta em 06:34 PM | Comentários (40)

Será que estou vivo?

Será que estou morto e ainda não dei por isso? Há dias que o sangue não me chega ao cérebro. Fica ali estatelado na dobra dos omoplatas, entretido, sem vontade de continuar. Denso. Embriagado no doce dos glóbulos. Coloridos. Cintilantes. Eu fico como se não ficasse. Estou como se não estivesse. No entanto, mantenho-me a respirar, ao que parece. Ao menos isso. Se gritar talvez alguém venha. Mas prefiro ficar calado.


Entretanto, caso não tenham reparado, estou a regressar, a pouco e pouco. 1200 Mhz depois. Vem mais alguém comigo?
Por acaso tropecei no melhor blog dos últimos séculos HERE! E eu para aqui com paneleirices!

Publicado por Prusidente da Junta em 06:08 PM | Comentários (1)

janeiro 01, 2004

Qualquer Coisa Serve para o Engano

Foi impressão minha ou o Primeiro Ministro lá veio com mais um conto de Natal? Ou era um anúncio aos Chocolates Regina? Foi pelo dia vinte e tal. Não reparei bem no que dizia, mas o seu ar benevolente demonstrava a superioridade intelectual de um professor. Da classe primária. Toma-nos, o Primeiro Ministro, por parvos? Por meninos? Será que nos quer sodomizar?

Publicado por Prusidente da Junta em 03:47 PM | Comentários (2)

Resto Sem Rasto

Deixei milhares de coisas por fazer, nesse infinito entre a meia-noite e as zero horas do novo ano. Nesse momento perdi-me. Esqueci-me que existia. Eu e o bug do ano dois mil e quatro. Andamos aí à solta. Acreditem. Mas eu perdi-me. Não voltei a encontrar-me.

Publicado por Prusidente da Junta em 03:37 PM | Comentários (0)

Rigorosamente Nada!

Nada mudou. Tudo está como estava anteriormente. Não me deitaram a porta abaixo como eu pedi. Não. Não arrombaram nada à martelada. No Ano Novo não acontece nada. Nem dei por ele a passar. Festas? Não. Nenhuma. Fechei-me em casa e reparei que era meia noite porque de repente, estava eu muito quieto, começou a chover fogo de artíficio. Mais tarde, nos canais televisivos, as pessoas esfuziavam-se em uníssono. Eu cá de longe a vê-los, como se tivessem todos numa gaiola e desesperado a tentar arranjar semelhanças entre eles e a minha pessoa. Só para não parecer desfasado do universo, que para um Prusidente da Junta não fica lá muito bem. Enfim...

Publicado por Prusidente da Junta em 03:06 PM | Comentários (0)