“Com a neblina do céu sobre o arvoredo
Sonha-se eterno o que termina cedo”
[Byron]
«The early Christians rejected most anything Roman, including the value of cleanliness. They considered it unsaintly to be clean, sinful to display material wealth. "All is vanity," stated an early Christian writer. St. Benedict pronounced that "to those that are well, and especially for the young, bathing shall seldom be permitted." A 4th-century pilgrim to Jerusalem would brag that she had not washed her face for 18 years so as "not to disturb the holy water" used at her baptism.
By the Middle Ages, the "hot houses" or "stews" of the Roman baths carried the stigma of debauchery and wild parties. During the reign of Richard the Lionhearted, the little rooms or "bordellos" of the baths became synonymous with brothels.»
in The History of Plumbing
Byron aos 19 anos (1807) iniciou o seu Grand Tour que incluiu Portugal. O poema que inicia este texto foi escrito a pensar em Sintra onde pernoitou num hotel que ainda hoje existe e que até há bem pouco tempo estava para ali abandonado.
Foi recuperado pelas mãos e visão de um casal de ingleses (D.Lawrence?). Para os interessados fica perto da Quinta da Regaleira. Mas o que é que Byron tem a ver com sanitas e hábitos de limpeza além do óbvio?
Byron disse de Sintra ser um paraíso na terra deixado aos porcos, os portugueses.
A redescoberta da higiene pela água,os banhos e a invenção da sanita dá-se no sec.XVIII em Inglaterra.
Para um inglês nascido numa altura em que tomar banho era já um hábito banal deve ter sido dificil lidar com a profusão de cheiros e gorduras várias que empastavam os rostos e corpos destes nossos antepassados.
É que em Portugal ainda não se tinham criado estes hábitos. Isto não passa de uma suposição que a preguiça me impede de confirmar mas ao atender que o poeta também passou pela Grécia e por Espanha não é de excluir que os motivos de tal antipatia e nojo pelos lusitanos nao fossem só uma questão de cheiro.
Seguindo esta hipótese meti-me pelo Google adentro num Tour sans Grand e cheguei ao site acima citado.
Que o Cristianismo empastou muita coisa já de longe lhe sentia o cheiro mas a limpeza?
Seja como for todas as religiões têm um início e uma causa ou várias. Uma religião como a romana que favorecia os ricos esquecendo-se dos pobres e dos excluídos (a maioria) é claro que só podia vingar. É a distância no tempo e no espaço que nos faz ver como bolhinhas simpáticas todas as outras que ficaram para trás ou que estão longe fisicamente.
Vi em Roma uma exposição de arte sacra dos primeiros cristãos. Marketing puro. Se as obras não tivessem uma legenda o visitante julgaria tratar-se de peças da Roma clássica. Cristos e apóstolos como atletas ou deuses longe ainda dos esgares de sofrimento que com o passar do tempo se foram aperfeiçoando.
Isto servia de isco aos ainda nao convertidos.
Se sou ateu? Nao, nao sou.