A carne pede verbos novos, o estrangeiro menos pátria, a árvore silêncio e a noite um pouco mais de breu.
Na China existem uns passaportes para o Inferno, põe-se lá o nome e queima-se em seguida. Lembrar-me-ia de queimar o passaporte para o Inferno ficando assim impedido de lá entrar mas não acredito Nele e muito menos em mais formalidades depois de morto.
Recordava-se de florestas a perder de vista à beira mar onde se perdia, cagava de rabo ao léu, cantava e dançava como um doido.
Aquele encanto breve onde perdia a identidade e a idade em direcção a um mundo onde as folhas das árvores contam histórias, as cascatas de água revigoram nas nuvens os deuses que amava.
De noite mil pirilampos embriagavam-se sem coreografia, sem hierarquia e eu com eles.
O flautista mágico para se vingar da aldeola que se recusava pagar o prometido raptou as crianças todas que o seguiram encantadas com o som da sua flauta. Uma ficou para trás, coxeava e neste coxear salvou-se.
Toca a empurrar a pedra montanha acima mais uma vez, horas extraordinárias para sempre.
Abro a televisão num documentário que na forma ilustra exemplarmente as qualidades necessárias para se viver hoje em dia. American dream on the head, here and everywhere!
O programa chama-se "Built for the Kill"e recorrendo-se de uma parafernália de gráficos e imagens hi-tec exalta a rapidez, o disfarce, as mandíbulas, o engenho, a aerodinâmica e o engenho de algumas espécies animais.
De cada vez que por acaso lhe ponho os olhos em cima fico angustiado..
Os deuses são seres emotivos, sabem que o seu domínio entre nós permanece por se manterem ocultos.
Se há coisa que um deus mais detesta até a náusea é a identidade como a Medusa uma mulher excêntrica e susceptível que em vez de cabelos exibia serpentes e tinha por habito transformar desconhecidos em estátuas.
É preciso alguma flexibilidade para lidar com a verdade dos outros. O rosto por detrás da máscara sem corantes nem conservantes.
A nossa última esperança resiste no desconhecido, o modo como nos libertamos em lugares onde ninguém nos conhece.
Nada de novo portanto apenas salmonete e ramela.
As uvas já foram pisadas e as abelhas dormem. Daqui a nada o vinho unir-se-á ao mel .