junho 23, 2005

A história

No dia 18 de Março de 1940, Feliciano Falcão casou com Zélia Sofia, filha de João Diogo Casaca, um republicano histórico e então director do jornal a Rabeca, e de Branca da Encarnação Martins Casaca. E um ano mais tarde nasceu o primeiro “rebento” do casamento, uma menina, Branca José.
É também em 1941 que Feliciano Falcão se encontra pela primeira vez com José Régio, com quem, aliás, inicia uma duradoura amizade. Sentimento que o levou a promover, ainda durante o ano de 1941, uma homenagem ao poeta. Acontecimento que causou alguma polémica.
No Café Central, primeiro, e no Café Facha, por último, eram frequentes e contínuas as “tertúlias” em torno de Régio e de Feliciano. Momentos que contavam com a presença de algumas figuras locais e outras que sazonalmente passavam pela cidade, como David Mourão Ferreira e Eugénio Lisboa, ambos a cumprirem serviço militar em Portalegre.

O nascimento da sua segunda filha acontece em 1942, e à qual dá o nome de Maria João.
Dois anos mais tarde regressa a Lisboa, onde durante dois anos (1944-46) exerce medicina e estagia como especialista de análises clínicas no Hospital de Santa Marta.
Apoiou o Movimento de União Democrática (MUD) e colaborou no diário oposicionista República, com um artigo sobre a actividade de “Médico curandeiro em terras medievais”, resultando dessa experiência, em Junho de 1946, a exclusão do Concurso para Assistente da Faculdade de Medicina.
Não foi aceite, por razões meramente políticas, como médico no Hospital da Misericórdia de Portalegre, sendo excluído como analista na Caixa de Providência.
Sem nunca desistir dos seus objectivos nem dos seus estudos, montou em Portalegre, em 1946, ano em que nasceu a sua última filha, Maria Amélia, um laboratório de Hematologia em Portalegre, ao mesmo tempo que se dedicava à investigação.
Entre 1949 e 54 frequentou vários cursos, um deles em Barcelona. Mais tarde, a convite da Ordem dos Médicos faz o 7º curso de Aperfeiçoamento Médico-Sanitário em Lisboa.
Um dos seus trabalhos de investigação foi premiado pela Ordem dos Médicos, com o Prémio Nacional de Medicina, em 1954. O estudo intitulava-se “Nota Hematológica sobre o 1º Estudo de KalaZar no adulto, diagnosticado em Portalegre”.
Sabe-se que o prémio era para ser entregue numa cerimónia presidida pelo Presidente da República, o Almirante Américo Tomaz. No entanto quando se soube quem era o premiado, apenas lhe foi entregue o dinheiro (2.500 escudos), sem pompa nem circunstância.
Para além disso, participou no AMICITA, grupo Cultural de Portalegre, escrevendo para o seu boletim. Foi também um dos fundadores do Cine-Clube de Portalegre (que mais tarde, por ordem governamental, foi extinto).
Participou na elaboração de uma lista oposicionista, em 1969, pelo circulo de Portalegre. A constituição da lista acabou por ser apenas uma tentativa falhada, tendo Feliciano Falcão participado numa sessão comemorativa do 5 de Outubro, no Cine-Teatro Crisfal. E em 1973 esteve presente no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro. No mesmo ano foi eleito por unanimidade director do jornal “A Rabeca”.
Foi com muito entusiasmo que recebeu a notícia da mudança de regime, no dia 25 de Abril de 1974 e esteve na recepção ao Dr. Mário Soares e ao Dr. Álvaro Cunhal no seu regresso do exílio.
Durante oito anos (1972-1980) fez várias conferências sobre várias temáticas, na Escola Mouzinho da Silveira, e no Graal de Portalegre.
Retirou-se mais tarde para a sua quinta na Serra de Portalegre, onde passou os últimos anos da sua vida, continuando sempre a fazer viagens, com a mulher, pelo estrangeiro.
Na última viagem, à Alemanha, país a que se deslocava frequentemente para buscar tratamento médico, faleceu, em casa da sua filha mais nova a, 17 de Agosto de 1988.
Uma vida sempre vivida em torno de ideais. Um portalegrense que fez história como médico e como homem.
Os dados biográficos do Dr. Feliciano Falcão foram-nos facultados por Fernando Mão de Ferro, responsável pela editora Colibri. A quem agradecemos a disponibilidade.

"O homem para além de médico" in Jornal Fonte Nova.

Publicado por Prusidente da Junta | Prusidente | 8:49
Comentários

Um brinde ao Falcão Feliciano.
NÃo sabia dele, thanks.

Afixado por: Mohamed Ali em junho 23, 2005 02:10 PM