junho 17, 2005

Sonegar acontecimentos

Capital1.jpg

Afinal a história do arrastão na Praia de Carcavelos nunca existiu. Diz A Capital, dizem dois jovens detidos, dizem dois jovens sem culpa, apanhados ao acaso, um branco, um negro. Afinal dos quatrocentos jovens, perdão, criminosos, pertencentes a gangs organizados, que interromperam o sossego de um dia de praia, não sobra nenhum, o que aconteceu não passou de uma brincadeira de crianças, jovens, no final do ano lectivo. Afinal a notícia não o foi. Afinal foi tudo mentira. Afinal...

Os mesmos órgãos de comunicação social que deram cobro à notícia, que a multiplicaram, que a difundiram, vêm agora, como se não fosse nada com eles, desmenti-la, dar-lhe a volta, inseri-la noutro contexto. Deturpá-la? Que é isto afinal? Eu sei que às vezes reformulo a minha opinião. Mas assim deste modo, à escala mundial, já que as imagens correram mundo, é sinal que o País está profundamente doente. Profundamente em estado de sítio. Mesmo que afinal não tenha havido arrastão nenhum.

A imprensa é sem dúvida o meio que comanda tudo o que se passa no país, que forma a opinião da sociedade em geral. Eles é que sabem. Depende só da disposição como acordam. Não há mais ninguém que mostre a realidade. Que a prove. Que a demonstre. Existir não chega. Existir não existe.

Segue o artigo retirado d'A Capital.

Confusão mostrada pelas fotografias que correram mundo só aconteceu quando chegou a polícia.A história do arrastão que nunca existiuHouve roubos, como sempre na praia mais perigosa do país, mas um «arrastão» como acontece no Brasil ninguém viu no dia 10 de Junho em Carcavelos.

Banhistas, polícia e jovens presos há uma semana em Carcavelos garantem que o «arrastão» do passado 10 de Junho, afinal, nunca existiu. Todos confirmam que existiram assaltos pontuais no areal, apesar de não existir uma única queixa de roubo na PSP, mas as imagens daquele dia, difundidas por todo o mundo como um «arrastão» organizado por 400 pessoas, mostram sobretudo a fuga de centenas de jovens provocada pela chegada da polícia à praia.

Pedro e João, alunos numa das várias escolas secundárias da Amadora, e dois dos jovens detidos naquele dia pela polícia, garantem que tudo não passou de uma enorme confusão. O início do Verão aproximava-se e, como noutros anos, explicam, «milhares de alunos das várias escolas da Linha de Sintra foram passando a palavra dizendo que no feriado iam à praia a Carcavelos».

O ponto de encontro seria, como sempre, a velha bola da Nívea, mesmo no centro da praia. Hora e meia de viagem depois, Pedro e João (nomes fictícios de dois adolescentes de 16 e 17 anos de cor negra e branca, respectivamente, que nos recebem à porta da sua escola secundária) chegaram ao início da tarde à praia, que na zona da bola de Nívea já estava completamente cheia de grupos de jovens, sobretudo de pele negra.

Aqui, a versão da polícia, responsáveis dos bares da praia e restantes banhistas de Carcavelos diverge da dos jovens detidos a 10 de Junho na praia. Pedro e João garantem que tudo começou quando uma roda de jovens, sobretudo negros, se juntou à volta de um grupo com um rádio a dar músicas de hip hop. No meio, outro grupo dançava.
[continua na edição impressa]

por NUNO GUEDES / A CAPITAL

E assim Acontece. Em Portugal.

Publicado por Prusidente da Junta | Nós Todos Cegos | Prusidente | Tirar Olhos | 7:53
Comentários

«Os distúrbios terão tido início quando uma bando roubou um fio de ouro a um imigrante de Leste, espancando-o (...). O tempo de chegada das forças de segurança, ainda que curto, foi suficiente para que, como que por simpatia, outros bandos que ali tomavam banhos de sol aproveitassem a oportunidade para tentar a sua sorte. (...) Gerou-se, então, o caos. Várias crianças perderam-se dos pais, com os bandos a assaltarem quem estivesse mais a jeito, agredindo os que ofereciam resistência.

Nada fazia prever que aquela onda de violência surgisse tão de repente. De acordo com fonte policial, os bandos eram banhistas que, aliás, são frequentadores habituais daquela praia. "Reagiram por simpatia ao verificarem a oportunidade", contou. Não houve, portanto, nenhum assalto organizado à praia, nem qualquer estratégia concertada entre gangs. "A pólvora estava lá e bastou que alguém acendesse o rastilho"» in Diário de Notícias.

Afixado por: DN em junho 17, 2005 01:54 PM