Deixei a chave debaixo do tapete que está fora de casa, que raramente tem uso, porque raramente alguém esfrega os sapatos nele, hoje em dia ninguém tem esse hábito, ninguém quer saber, a verdade é que quando entram tiram logo os sapatos, e para além disso são poucas as pessoas que se deslocam à porta de minha casa.
Deixei a chave debaixo do tapete para que a minha empregada pegasse nela e abrisse a porta. Mas não a avisei. Não lhe telefonei, bastava mandar uma mensagem, mas nem isso fiz, não me apeteceu. Não me apeteceu pegar no telefone e escrever se ela podia ir hoje. Trabalha quando a aviso, quando me apetece. Tem outro patrão que a suporta, que suporta a estadia dela nesta terra, que a mantém legal. Precisava que me passasse a roupa a ferro, que limpasse o chão da cozinha que está pegajoso, que aspirasse os despojos do fim de semana, na sala. Que fizesse trinta por uma linha.
Não me apeteceu.
Talvez amanhã.
obrigado, mas eu acho que afinal não quero saber onde fica o nervo ciático! ;)
Afixado por: em junho 7, 2005 04:51 PM
o número não tenho mas posso tentar saber por onde pára o raistapartiça do russo!
Afixado por: em junho 7, 2005 04:33 PM
Ainda tem o número de telefone do Nikolai?!?...LOL
Afixado por: em junho 7, 2005 01:42 PM
pois então cá vai: o russo chamava-se Nikolai. tinha bigode, era baixo e entroncado, assim ao género de um Pit Bull. Metia medo, sou franca, mas a massagem foi-me oferecida e eu adoro que me passem a mão pelo pelo. Lá me deitei na marqueza e senti aquelas mãos ásperas, rijas e grandes a amassarem-me os ossos. Depois torceu-me o pescoço enquanto dizia "be not afraid" e crack!
Virou-me para cima, qual panqueca, e desatou a massajar-me os orgãos internos, "you have stomackake?" perguntou. Eu ouvi qq coisa cake e respondi "no thank you, not hungry". Foi aí que ele me revirou no ar novamente , caí desamparada na marqueza e quando dei por mim tinha um Pitt Bull de cócoras em cima da marqueza agarrado à única zona do meu corpo que tem carne: o meu traseiro. "I am a baker you know, during the night, you know?"..fiquei a saber que na zona superior das nádegas passa o nervo siático.
Safa! Nunca mais lá voltei.
ai! ui ah ah ah, lindo!
e a Otília? que é feito da Otília? eu, como paga, contar-lhe-ei a do meu massagista russo que também era padeiro à noite.
A Otília era empregada de bar de uma escola e fazia limpezas ao final do dia. Era casada e o marido, que eu nunca vi, tinha o meu tipo de constituição física. Muito me elogiava a Otília, o "guarda-fato". Dizia: "Os seus casacos são tão bons, pesados, bonitos! Ficavam muito bem "no" meu marido!" e eu sorria e calava-me. Até que os casacos, rotativamente, começaram a passar fins de semana fora de casa... sozinhos!!
Quando eu lhe perguntava por determinado casaco, ela tinha-o levado para fixar melhor um botão ou porque tinha uma mancha e não havia lá em casa o tiranódoas próprio para resolver o assunto ou... "está aqui!".
Eu gosto de Diospiros! Mas, ao contrário dos diospiros de Macau, que podem ser comidos mesmo rijos, aqui tenho que os deixar amadurecer quase até se desfazerem! Pois quando estavam precisamente no ponto magnífico... foram de fim de semana e não voltaram! Quando perguntei à Otília onde estavam ela disse-me: "Deitei-os fora, estavam podres! Eu até nem gosto" Eu lá lhe disse que era para ser mesmo assim e ela pediu desculpa. Só que na escola onde ela trabalhava, uma minha amiga era professora e uns dias depois disse-me sem saber de nada: "A Otília estava a dizer no bar que a fruta que mais gosta são os Diospiros e que nunca tinha comido uns tão bons como os que comeu este fim de semana!"...
Assim que pude, bye-bye Otília!
Miss Jane era (e ainda é) portuguesa. A última vez em que a vi, "estava" ruiva e vestida de "leopardo". Na realidade chamava-se Joaquina, mas o conde preferia chamar-lhe Jane e ela até gostava. Acompanhava-o nas viagens, ao Casino e aos restaurantes finos e sempre pensou que tinha o futuro garantido, mas assim que os "achaques" do conde começaram a ser mais frequentes, as sobrinhas, que não gostavam nada daquela convivência..., colocaram-no num Lar Luxoso no Luxemburgo, de onde ele tinha vindo aos 21 anos, fugindo da Invasão Nazi.
Miss Jane era uma empregada exemplar se... fosse surda ou não tivesse uma língua "tão comprida". Cuidava da casa como se dela fosse e até ralhava comigo por eu insistir em ter uma jarra de flores em cima do piano. Chegou até a comentar com um dos amigos que lá ficou durante duas semanas :"Pensei que era mais magrinho, as suas "truces" são tão pequenas!..."
A "gota de água", que fez transbordar a minha paciência, aconteceu quando, num jantar em minha casa, ela resolveu informar um meu vizinho e amigo de há alguns anos, que me ouviu dizer que ele "fazia parte da mobília", quando o que eu lhe disse foi :"Ele já é da casa!"
Conte mais, como era Miss Jane? o que fez à Otília?
Afixado por: em junho 7, 2005 11:21 AM
Isso cheira-me a Alentejo!
Afixado por: em junho 7, 2005 10:36 AM
Não tenho chave para a empregada, aliás, agora nem empregada tenho, porque acabo de mudar de casa. A última empregada que tive chamava-se Adília, mas toda a gente se enganava e lhe chamada Idália, principalmente a minha mãe que, não sendo disléxica, fazia um enorme esforço em tentar acertar e... "Idália, não é?!?"
Quase todos os meus amigos têm empregadas maravilhosas, eu é que não acerto. Com a primeira, todos os inícios de ano, era um suplício com a negociação salarial, de tal forma que combinei com um outro amigo, para quem ela também trabalhava, que alternaríamos bienalmente a adminstração de tal empresa. A segunda costumava faltar sem avisar, no entanto dizia-me sempre (depois):"Se eu não vier... o Sr. não se preocupe!!... é porque eu fui à minha terra!".
Tive outra, em quem os meus pais viram uma potencial nora, de tão boa pessoa e dona de casa que era! (foi casar para outro lado)
A Flora tinha 55 anos e levava, cálice a cálice, todas as bebidas alcoólicas que havia lá em casa e nem uns enormes laços vermelhos que coloquei no gargalo das garrafas, foram suficientemente dissuasores de tal prática.
Um dia falo-vos da Miss Jane, amante de um conde que, quando ficou velho, a mandou à urtigas e deu tudo às sobrinhas e da Otília, que adorava diospiros!