maio 23, 2004

"A Rivezoer com muito amor" - excerto de uma opereta.

- hmmm... Monroe casando-se com doutoural? promete, esse casamento... onde vai ser? no golfinho do forte s. julião? convidem-me, pleese! não quero perder essa aliança das boazonas! prometo que não vou ser chato! - diz a. Castellani o Conti Visconde muítissimo di Verona, acrescentando - no forte de s. Julião, "às 5 en punta de la tarde"...a hora da união com... o amor e com Lorca?
"Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde"

Rivezoer entra de rompilhão com o mau humor típico dos manga de alpaca:
- As meninas não têm mais nada para fazer? Ainda se fosse com amor... talvez me desse ao trabalho de as descodificar... agora assim...
- Ainda se fosse com amor???! Acha por acaso que é casamento por conveniência? - responde a.r sentindo-se ultrajada.
- quem pensa o senhor desdenhar descodificar??? vá lá para a aridez da sua existência e deixe em paz matérias de que desconhece em absoluto suas regras! chiça! - exclama de longe uma amiga desconhecida, uma das do grupinho lésbico que de longe se avizinha.
- Casamento entre mulheres e começam por aí a aparecer as amigas todas. Calminha meninas, calminha! - acrescenta assussora remota com alguma sensatez. Entra então de novo o conti Visconde muítissimo di Verona com sua espondilose aquinosante e profere:
- corações ao vento, caras poetas-amantes!
não discutam ninharias , casem-se à vontade, lancem guinchos ao vento e aos golfinhos, que eu cá me retiro, mas não sem antes colar minha tristeza às palavras do Poeta (Jimenez)

Se morirán aquellos que me amaron;
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y en el rincón aquel de mi huerto florido y encalado,
mi espíritu errará, nostálgico…

Embora um pouco atrasado no andamento da conversa Rivezoer dá dois passos em frente e fitando o público justifica-se:
- Esperem...houve aqui um dislate... eu queria dizer amor... porque me dedicaram a mensagem com amizade.... e eu queria amor... amor?
- Com muito AMOR, Senhor Rivezoer, sempre! - brada assussora remota que, coitada, considerava aquela palavra sua propriedade.
É então que a. Castellani, deixando cair para o chão a sua capa que vagamente trazia à memória a capa do conde drácula, e baixando o queixo proeminente herdado de sua mama caca confessa, transfigurando-se, não sem sofrimento:
- assussura amiga, não obtive resposta daquele delírio lupino-milanês... cai-me a alma aos pés! nada. silêncio. escafedeu-se. seria o outro disfarçado, decidido a perturbar até a tão inócua novidade virtual?
Ao som de acordes sintéticos entra, elegante, segura e moderna, Enfiada e num tom calmo que a caracteriza profere cantando a uma só voz:
-caro castellani, sinto por si!Esperava ansiosamente novidades.
Talvez até um convite de casamento um pouco mais longe do que o forte de S. Julião...Mas além de a esperança ser a ultima a desfalecer, o espaço sideral é infinito. - o tom de voz eleva-se e prolonga-se - FORÇA! - entra assussora e cantam a duas vozes, uma soprano outra contralto:
- Peça, Castillani, peça tudo o que quiser. Peça amor, mimos, beijos, festas tudo o que for bom e vier por bem

A orquestra toca em força o leit- motif de a. Castillani. Este, mantendo ainda um visual androgino, avança e canta (a sua voz de tenor revela a sua alma masculina):
- caras damas, obrigados pelas palavras amigas, souberam-me que nem ginjas!
pat, querida, pois é, os reveses da fortuna são sempre inesperados, foi-se o nosso lobo, mergulhou no mundo real e despediu-se da mãe-terra-gaia...
assussora, cara, como não acreditar nesse seu optimismo inquebrantável de cibernauta experiente? rendo-me à sua clarividência e lembro-me do seu lema vital (começa por "vul", sabe?)
A orquestra toca fulvurosamente, Castellani a voz ao máximo:
- mime-me, mime-me, mime-me com todo o calor do seu coração ENORME! este ser desgraçado rejubila quando lhe fala assim!

E termina a congratular-se pela condição humilde daquele a quem tanto adorava:
- Feliz sou porque amo e sou amado, sem ter que alterar ou ser alterado!

FIM DA PRIMEIRA PARTE

Opereta baseada em comentários verídicos numa entrada dedicada a Rivezoer.

Publicado por Assussora Remota | Amor Ode | 22:18
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