Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Chico Buarque
Publicado por Assussora Remota | Amor Ode | 12:09
ADOROO!
Afixado por: em maio 24, 2004 09:21 PM
sou como os ovos...qual é coisa qual é ela?
Afixado por: em maio 24, 2004 08:57 PM
Tão prolífica, tão produtiva, tão sensível e terna apesar da rudeza que diz, de si para si, ter
Afixado por: em maio 24, 2004 07:46 PM