
Vou avisá-los de uma coisa. Não passem daqui. Não leiam mais. Mudem de página. Não estou aqui para dizer nada que vos interesse. Ainda estão a tempo. Desliguem o computador. Vão para casa e não pensem mais nisso. Ou então imprimam. Podem depois rasgar, ou recortar com uma tesourinha, e fazer um rolo de papel higiénico. Arranha, eu sei, mas é de propósito.
Sabem viver? Dúvido que saibam. Mas podiam aprender. Tirar um curso na universidade da vossa imaginação. Pode ser um Mestrado, se quiserem. Mas primeiro têm que passar pela quarta classe. Duvidem. Duvidem da realidade e da ficção. Ponham tudo em causa. Observem. Sintam com o pêlo, sem limites.
Ouvem zumbidos? Mudem. Se já tem idade para ter juízo? Mudem. Morrem de amores pelo padeiro? Mudem. Mexam-se. Nada é eterno. Nada é igual a nada. É zero. Novos foram nada. Agora podem ser tudo. Quantos somos? Somos muitos. Somos bués da people, como dizia o brother que fugiu com a minha mãe. Foi no Bronx e eu ainda não sabia falar. Finjam que são um leão. Olhem-se no espelho, abram a boca, estiquem a língua para fora, Vêem um mapa? Não? É pena. Será do pão ou é mesmo do padeiro. Avaliem a situação. Zuuum. O tempo não é só estar aí sentadinho a ler o jornal, não queriam mais nada, a pensar na morte da bezerra. A confundir o telefone com o cérebro. Não é só ir às compras, ali ao lado, e trazer sete mil carteiras todas iguais só porque acham que faz um bom porco. Corpo! Desculpem, enganei-me. Quantos são? Quantos são? Os que vocês quiserem. Peçam que eu mando entregar. Pode não ser hoje. Mas qualquer dia, tenham a certeza, recebem com a encomenda em cima. É uma granada o que têm aí dentro do peito, a jorrar faíscas de sangue para todos os lados. Em todas as direcções. Não precisam de cozer. Vai mesmo cru, com umas batatinhas a murro. É de chorar por mais, e eu sei o que digo. Imaginem os óculos do Abrunhosa. Sou todos eles triturados numa máquina de picar carne. Andar para a frente, meus amigos. Esqueçam o passado, ele não existe. Foi uma novela que passou no canal da vossa própria caveira. E ninguém quer saber das audiências que tiveram. O prime-time. Subam. Levantem-se. Gritem, se for preciso. Faz bem aos vizinhos do lado. Acordam. Sentem raiva, conhecem-na? Eu apresento-vos, é uma senhora e eu cá não sou ciumento. Façam por vocês o que mais ninguém pode fazer. Sim, olha para mim, estou a falar contigo. Já deste o primeiro passo? Continua, segue o caminho que sonhas. Com os pés no chão. Não deixes que alguém te use. Que te pisem. Exige. Hoje. Já. Somos todos humanos, esse é que é o grande problema. Sentimos com as unhas. Não somos fadas. E vá lá que não troquei a palavra.
Não gostam do sabor do charuto, mudem de marca. Olhem bem para o lado, para a pessoa ao lado, não se iludam, a vida não é hoje, não é amanhã, não foi ontem. É sempre. Sabem vivê-la? Punha as minhas mãos no fogo se dissessem que sim. É só preciso tirar a quarta classe, na escola primária da vossa utopia, desculpem se acham que vos insulto, é precisamente o contrário, estou a dar-vos as minhas mãos. Sou o único peixe no lago para onde atirei o meu maior anzol e preciso de companhia.
Chegaram até aqui? Digamos que agora estão lixados. Já não podem sair. Tarde demais. Eu avisei-os.
Muito boas as palavras que você usou, gostei muito mesmo. Ela me lembra muitas coisas e me faz pensar toda vez que leio. Quase choro a primeira vez que li.
Afixado por: em maio 28, 2004 02:58 PM
Sr Prusidente, estava com saudades suas, mas não pense que está sozinho nessa caminhada.
Temos sempre alguém que nos faz companhia, nem que seja para nos dar água quando temos sede. E parecendo um gesto simples, a àgua é um elemento essencial á vida. E gritar faz sede que se farta.
Devia ter seguido o 1º conselho ... não ler mais!
Quem é o grande escritor?
Riders on the storm
Into this house we're born
Into this world we're thrown
Like a dog without a bone
An actor out alone
Riders on the storm
Quer-me parecer que está no bom caminho...não se esqueça da sacola com os dois papos secos e a maçã suculenta. Do cantil e da bússula.
Afixado por: em maio 21, 2004 09:06 AM