De que é feita uma recordação? De tempo? De memória, apenas?
Uma recordação é um sentir que ficou gravado cá dentro. É um pedaço de nós que não deixámos ir embora com os outros. Que não foi abraçado pelo esquecimento. São momentos que percorremos, que presenciámos, que sentimos na pele. Dor ou prazer. Alegria ou medo. Sabor ou tacto.
São recordações. Estão dentro de nós, não podemos vivê-las de novo como se fossem agora. Repetir. Reviver. Continuar.
O tempo pesa. Adianta-nos para uma incógnita. Envelhece. Transforma possibilidades em amálgamas de memória. Amálgamas de pessoas. Viver de recordações é, em sequência, tornar-nos gastos e antecipar um futuro longínquo, desprezando o presente. O dia de hoje. O prazer de acordar de manhã e viver como somos. Em plena consciência. A abraçar-nos de vida. Em testemunha do crescimento.