«Arranjem-me um bitoque, se faz favor». Por favor, estou tão mal-disposta, só me apetece comer. Pata fez eco à Enjoada, e agarrou-se à barriga, rebolando de dores: “Ai, Jesus, ai, que morro!”. Miséria entrou de rompão, com um molho de fotografias na mão. Olhou para as duas enjoadas e pôs-se a decantar profissionalmente o vinho. Lançou apenas um olhar de desprezo para a Mázinha que estava acocorada, comendo desalmadamente um doce de gema amarelo-esverdeada: “Hum, isto é que é vida, ovos de província, vindos directamente das quintas da Vovó Madeira.”
Vóvó, apesar de ser francamente surda, ouviu falar seu nome, largou o Grãosburgo com quem dançava desalmadamente o traque “Love on the Beat” e confirmou que os ovos tinham saído directamente de seu cú de galinha.
“Oh coisinha fófa, as maminha da minha fófinha", dizia acaricianddo deliciada a bisneta de quatro anos que engolia ferozmente todo o prato de macarronete de porco” Je vais et Je viens..entre tes rins..”. responde a bisneta de boca cheia, escorrendo uma seiva pelo canto almiscarado de sua pequena boca esventrada. Na realidade o macarronete entrava e não saia, só entrava, tudo entrava a verdade é essa, “uma autêntica rebarbadora a minha bisnetinha”.Com tanta rebarba, Vóvó apelou para o pé boto de sua pequena bisneta e desiludida diz sem dentes “Que pena, ela não vai lá”. Tratava-se do passeio de domingo da Família Banzé , o passeio de todos os domingos de há 50 anos a esta parte, chamavam-lhe “carne na montanha”, consistia num banquete ao ar livre, na Serra da Luz, à sombra de um cartaz “ Já reparou que Lisboa está mais bonita”, que acabava sempre da mesma maneira – Ruína e companhia resfolgando-se no corpo de pequena bácora da bisneta. A porca ou cabra revoltada pega numa gillette que a puta da velha usava para rapar os frangos e as pernas e leva tudo a eito. Num banho de sangue imundo a bácora chafurda qual demónio num festim e diz: “Na minha .... já ninguém chucha, caralho”. Em contrapartida Rúina usa a faca das sandes pr’abrir a botëlka, emborca meia dum trago e levando as mãos ao baixo ventre urra pelo que jaz no chão. A bácora ulula pela vitória de ter descabeçado o velho amigo de Vóvó que desde a sua tenra meninice havia trocado a velha ovelha de casa pelo corpo firme da nova cria engordada a massa au champignon.
“Pronto, agora é que são elas”, disse Ruína, com uma máquina de calcular em riste. Três já se foram, mas caralho eu seja homem e mesmo sem a puta da ferramenta venha quem vier que eu hei de aviá-las”. FODA-SE!
Este argumento para uma curta foi composto a oito mãos, por A. Castellani, Assuz, Enfia mas principalmente por O rapaz da Carapinha Loira
estará esta bicharada pazza?
"carne na montanha", ainda vá, mas chacinas gratuitas por malandros pedófilos????
que falta de chá.
Caríssimos piqueniqueiros,
jamais vilipendiei as famosas carnes montanheiras! Longe de mim.... Mas, visto que a vossa sessão acabou em carnificina (perpetrada, penso eu, por um assassínio arruinado), apenas quis saber mais informações. Uma questão de prevenção, apenas isso. Não gostaria de me tornar bácaro em mãos certeiras.
Talvez nos encontremos por aí, na Serra de S. Cristóvão...
Afixado por: em abril 21, 2004 02:30 PM
... venha daí, comigo!
Liberte-se de expatriados, não se proteja à sombra de um cartaz e diga adeus à Serra da Luz.
Não digo que não seja perigoso, mas acredito que valha o risco.
Afixado por: em abril 19, 2004 05:32 PM
Não deixe de aceitar convites que lhe pareçam perigosos. Venha daí!
Afixado por: em abril 19, 2004 04:16 PM
"carne na montanha" são dias tranquilos, tardes envoltas em amizade no seu sentido mais puro, quem pôde, quem pôde? desta forma vil?
Afixado por: em abril 19, 2004 03:21 PM
Vejo que temos mais uma vitima da "carne da montanha".
Apareça sempre, porque pode ter a sorte de presenciar um destes momentos únicos da nossa cultura popular. Isto é, se não se deu já o caso...Nesse caso partilhe conosco esses bocadinhos tão cheios de alegria!
Será essa carne da montanha um evento liderado por expatriados ucranianos? É que já participei em algo semelhante... Poderá confirmar-mo, para não mais aceitar convite perigoso?
Ó Ruína!, não "entendi": jazeu no chão, qual demónio, devido ao eventual veneno da botelka ou da faca que o terá esventrado no baixo ventre?
Afixado por: em abril 19, 2004 10:28 AM
Que dom, digo eu! Que dádiva vai por essa alma corroída. Venha de lá mais. Muito mais.
Afixado por: em abril 18, 2004 08:17 AM
Meu Deus!!! Que clausura!
Afixado por: em abril 18, 2004 07:21 AM