abril 15, 2004

Propellerheads

É muito simples chamar as coisas pelos nomes. É simples dizer. Dizer o sentir. O árduo, o obscuro. O difícil é descobrir de onde vem o sentir, o que o traz para dentro de nós, de repente, sem pedir. São desejos, sensações estrondosas, arrepiantes. São pensamentos. Ideias. Não têm foco, não têm corpo, são apenas impulsos que atordoam a alma. A ideia do momento.

Não é a ideia do corpo, ou o desejo do corpo, é mais, muito mais, é a fusão em algo incorpóreo, que excita dos pés à cabeça. E é também a mente, a exuberância da mente. A fala, é muito a fala.

Falo de amor. Do amor a sério, verdadeiro, sem transparências. Falo do sentir do amor, da falta de sentido, da falta de lógica, do perigo, que o amor transporta. A verdade do amor, escrita cá dentro, que mais ninguém sabe, mais ninguém sente.

O desejo de estar perto. De estar dentro. O desejo cego do sublime, do fundir sem corpo, a aliança imaterial impalpável. Maior que o universo, maior que todos os universos juntos. Maior que o infinito. Infinitamente maior que o infinito, que o ilimitado, que o absoluto. Um sem fim imenso.

O amor sem limites nem medidas. É disso que falo. Do meu amor. A extinguir-me numa insaciabilidade que me exalta. Em combustão permanente. O amor exasperado de paixão, maior que o tudo. A enfurecer o sentir, a revolver o espírito. A inconsciência.

Sou eu a bater forte. Num corpo infinito, sem espaço. Onde tudo roda, tudo ferve. Falo de ti, meu amor. De ti, apenas. Sem palavras para te descrever. Sem uma única palavra para te nomear.

Não há palavras, frases, no mundo, em qualquer idioma, que te possam eleger. Nenhuma. Nem todas.

Por isso, falo de mim. Apenas.

Publicado por O Gajo Novo | Amor Ode | Nós Todos Cegos | Sem Conservantes | 4:39
Comentários

Distribua esse Amor por todos meu querido amigo, por todos os que o amam.

Afixado por: assussora remota em abril 15, 2004 05:37 PM