«O restaurante voltava a acolher-me sem alarido, sem algazarra, sem banda sonora. Era uma Segunda-feira tardia, cheia de Sol e humidade, mas era apenas uma Segunda-feira. Os meus colegas trabalhavam e eu gozava a primeira de duas folgas seguidas a sete dias de trabalho, com um tufão pelo meio. Porra, que venha uma Tsingtao fresca, à pressão. - Menina, Sio Tche, iat có Tsingtao, ou tó Tong! TONG! Enquanto bebia avistava uma barcaça lenta, quase parada, a atravessar o estreito que nos separava de Zhuhai. A Sister teria gostado daquilo, na volta até mesmo a Assussora teria apreciado aquela alegria tranquila, o Encaracolado estaria a rir-se e o Prusidente teria proposto algo do tipo «vamos tirar as roupas e dar um mergulho no baixio, caralho». Nenhum estava ali, para bem do baixio e para mal do negócio do Ngatim. Para além das quatro empregadas que sorriam para mim e diziam «lei-cá-tou, lei, leng chai» - uma delas era capaz até de levar uma trinca se tomasse um banhinho antes - só a recém chegada inglesa dona da casa de móveis ali se encontrava. Aquela puta fica para a história como a única capaz de beber as seis primeiras imperiais, com prazer, mais rápido do que eu. A cada uma que se perfilava para ser desepejada pela goela levantava o copo e brindava-me. Sua puta, és linda, mais vermelha que um semáforo, dizia-lhe em sussurro. Ela sussurrava algo que, mal ou bem, não devia andar longe do que eu acabara de sussurrar, apenas com evidente diferença cromática. Eu, por muito que bebesse, jamais atingiria aquele tom de brazeiro facial. Sim senhor, isto é que é uma tarde bem passada, amigos. Quatro gajas do campo a rir e a falar entre elas ao mesmo tempo que estão a olhar para nós, um copo de cerveja gelada sempre pronta a desaparecer, uma inglesa alcoolizada disposta a competir e uma ida à prisão prevista para pouco depois, para partilhar com duas ou três pessoas uns minutinhos de visita a um amigo que estava injustamente metido dentro. Ao pensar nele senti-me um felizardo, Coloane ao final da tarde, húmido até mais não, ali no Ngatim, valia por sete dias de trabalho árduo com um tufão pelo meio que quase me rebentou o quarto de dormir de alto abaixo. Além do mais, ao pensar no Carlos, percebi que não há males sem emenda para além da morte e da prisão. Ele, tal como o encaracolado, tal como o Prusidente e a Sister, teria gargalhado e bebido, feliz, genuinamente feliz.»
O Moço, a pedido de um amigo
Publicado por Moço de Recados | Máquinas de Esticar | 15:46
Sabeis não sabeis?!
Afixado por: em abril 29, 2004 03:23 PM
Sabeis bem que seria apenas e só capaz de me enamorar por elas, Ho Chi Min...aliás, tanto quanto me lembro, testemunhaste o que se passou. Depois enviei-lhe fitas de audio que vieram devolvidas, ao que parece o barzinho bonzinho fechou de vez e a Miss Nha desapareceu para todo o sempre. Lembras-te dos túneis e do energúmeno que me acompanhou na viagem? E do Continental, o do G.Green? E do «Moviestar, moviestar», em China Beach?
Afixado por: em abril 16, 2004 11:59 AM
Meretrizes? Meu Deus! Não acredito!
Afixado por: em abril 16, 2004 02:15 AM
Mas foi mesmo assim, foi bonzinho, fazia muito calor mas tudo era bonzinho, tudo amistoso, tudo enternecedor, até mesmo as meretrizes eram boazinhas...
Afixado por: em abril 15, 2004 07:32 PM
Esse é um bom termo, bonzinho!!!
Afixado por: em abril 15, 2004 03:01 PM
Pelo Vietname que nos foi tão bonzinho prometo escrever mais tarde...
Afixado por: em abril 15, 2004 01:37 PM
Óh moçito e do vietname que nos contas tu?
Afixado por: em abril 15, 2004 03:34 AM