Não parava de me provocar, de espalhar obescenidades ao auscultador, de vociferar desejos e fixações reais mas só reais porque se encontrava distante, não quis em momento algum parar com aquilo. Não quis nem admitiu cortar a corrida, a estafeta. As passagens de silêncio eram quase imperceptíveis, os atletas estavam a ganhar, a atingir novos máximos mundiais. Eu não as topei, às passagens, pelo menos, no centro daqueles longos minutos que fazia, liderava, acontecia, dominava e humilhava. O mundo a seus pés, a partir de uma cabine pública. Assim se sentia, em segurança, pelo anonimato assegurado por um telefone no meio da rua.
Aos 23 minutos gastos, marcados pelo relógio de parede, soltei-me do anzol, despachando a agonia. Cuspi o sangue mas mantive o estômago no sítio. Atirei o aparelho aos gritos para cima da alcatifa. Naquele preciso minuto 23 eu apercebi-me da sua presença, na rua, em frente, à luz do dia, desafiadora, arrogante, autoritária.
Cheguei lá muito mais depressa do que o elevador. Contra o que esperava dela não saiu do lugar, manteve-se presa à terra pelo fio agarrado ao poste e à caixa metálica. A gritaria ofensiva continuou. Eu, agora sem medição temporal, ouvi-a toda, acreditando que um nada mais à frente haveria um fim. Duas ou três pessoas invadiram o asfalto e desviaram os olhos na nossa direcção. O fim não chegou e mais pessoas passaram na rua. Já só queria que parasse, já só me apetecia baixar o volume do som, já só me apetecia acabar de vez com aquela espécie de vício, com aquele descontrole de medo, do meu, já só importava cortar aquela chamada inter-urbana. Virei costas e subi a casa. Debrucei-me sobre a alcatifa e desliguei o telefone.
uma novidade... isso não é uma espécie de vício, era mesmo um desses!Ehehe
Afixado por: em março 26, 2004 06:21 PM
Mas como posso eu mergulhar se nem sei onde fica?
Peça ao Prusidente um espaço para si, Pat, já o merece. Eu e a Assussora liamo-la diariamente, é certo e sabido. Eu e a Assussora, mão na mão, pé no pé...
Afixado por: em março 23, 2004 07:37 PM
Mergulhe, moço, mergulhe...
É o meu conselho...
Não se canse, vá, não se canse.
Sim, muito.
Afixado por: em março 19, 2004 12:04 PM
Ai Moço a Exª às vezes cansa-me. Aprenda a receber, APRENDA A RECEBER! Eu não minto. Uma lambidela no pescoço saber-lhe-ia bem?
Afixado por: em março 19, 2004 11:37 AM
Sou muito sério e não lambo botas por interesse, salivo-as apenas e só por prazer. Não é fetiche, é só desejo, só, só desejo. No arranque sou submisso, no arranque quando desejo.
De que fala quando fala em coisas mais sérias?
Afixado por: em março 19, 2004 11:35 AM
É um fetiche seu, lamber botas? E coisas mais sérias, também faz?
Afixado por: em março 19, 2004 11:28 AM
Corei.
Afixado por: em março 19, 2004 11:13 AM
Não me minta, nunca, meta-se com quem se meter não me minta, por favor. Venha o Trips ou o encaracolado querido de todos nós, não me engane. Como já lhe disse, sou um crédulo quando amo.
Agora, se aí estivesse, deixasse ou não, lambia-lhe as botas.
Afixado por: em março 19, 2004 10:27 AM
"Espécie de vício" demonstra bem o quanto já estamos a entrar no domínio da psicanálise. O sub está a subir. Hoje aconteceu-me o mesmo. Adoro le-lo Moço, aliás, adoro-o.
Afixado por: em março 19, 2004 10:12 AM
Estava a pensar em alguém, quando escreveu isto? Ou era mesmo o Moço, este gajo especado a olhar?
Afixado por: em março 19, 2004 10:08 AM