março 16, 2004

Sister

- Sister, consegues ter paciência para este gajo?
- O que é que queres que eu faça, ele é mesmo assim, já não há nada a fazer.
- Obriga-o a sair, sei lá...
- Ele é assim, não quer sair.

A vida passou-se num sopro, para mim e para ti, Sister, quando demos por nós o tempo estava esgotado. Acabado, vendido a outros. Mas, vendo bem, eu não me importo com a passagem dele, o que me importa é a falta de notícias tuas. Vejo-te mas é tudo fugaz, efémero, vivo, muito vivo, mas em curtos minutos. Estamos sempre acompanhados, nunca falamos o que queremos falar. Resumimo-nos, juntos, a trocas de olhares e sorrisos resignados.

- Sister, estás bem? Melhor, estás feliz?
- Não sei se estou bem, B. Estou farta do emprego, aquilo é uma seca, isso eu sei...

- Não cortes o cabelo, ficas tão bem assim.
- Corto, corto, prefiro cortá-lo. E tu, andas bem, B.?
- Nem por isso, nem por isso...

Nunca tiveste paciência para aturar as quedas dos outros para cima de ti, Sister, mas parecias ter alguma disponibilidade para me ouvir, para me deixares olhar para ti. Eu perguntava, inundava-te de perguntas enquanto ficava ali, especado, a ver-te abrir o frigorífico vazio e a sorrires para mim. Será isto a saudade? A saudade das frases que nunca te disse? E tu, querias ter-me mandado à merda, uma e outra vez? Querias ter-me abanado, acreditando que eu te abanasse a seguir? Acho que nos devíamos ter dado esse direito, sabes?!

- E hoje, sister, que vais fazer?
- E tu?
- Não sei, talvez passear o R.... beber uns copos, se calhar saímos mais tarde. Queres vir?
- Não, já combinei ficar.

Sabes, Sister, fazes falta.
Devíamos meter-nos num carro e fugir daqui. Excepcionalmente não nos preocupávamos com os outros, excepcionalmente não ligávamos a ninguém, excepcionalmente não ficávamos com problemas de consciência.
Sabes, agora estava capaz de te ver abrir o frigorífico vazio outra vez. Ali, o tempo parava, o mesmo tempo que nos atirou para longe um do outro parava, parava e não havia pressas. Quando o ponteiro dava sinal já cada um tinha ido para seu lado. Eu passeava o R. com o R. e tu saías pouco depois com o teu namorado.

Publicado por Moço de Recados | Máquinas de Esticar | 20:13
Comentários

Aí que o coração me cai aos pés....................

Afixado por: Pat em abril 2, 2004 01:30 AM

Se o dia fosse outro era capaz de acreditar em si.
Partindo do princípio que se trata da verdade, asseguro-lhe que é reciproco.

Afixado por: MdR em abril 1, 2004 01:48 PM

Moço de Recados:
É mau brincar-se com os sentimentos dos outros. Bem sei que aqui tudo se resume a letras e a alguns olhares estáticos, frios. Mas se os olhares aqui nada dizem, as palavras podem exprimir muito, quase tudo, e se não o escrevi já, escrevo agora: os sentimentos que nutro por si, Exª, são em 3D. Coração percebe? Sabe o que é?
Aproveito agora que o Motel vai fechar para lhe dizer que por sua causa como chocolates convulsivamente, dos pretos, tipo mousse, os piores e os melhores para estas situações em que o objecto do amor está ausente.

Afixado por: A . bem Remota em abril 1, 2004 01:20 PM

desculpem o encomodo

Afixado por: Vernon em março 31, 2004 10:04 PM

e comé que se vê o olhar na net??!!!

Afixado por: Vernon em março 31, 2004 09:54 PM

A coisa vê-se no olhar, quando se gosta a sério, mesmo, topa-se o amor encerrado no olhar, prontinho a saltar cá para fora.
Ai Deus, que morro!

Afixado por: m. acabrunhado em março 31, 2004 08:13 PM

Diga-me Moço, depressa, o que é para si gostar mesmo?

Afixado por: assussora, sua em março 31, 2004 03:09 PM

Arre, que saudades do si que desconheço. Estava capaz de pegar fogo a um pinhal pintado numa tela facilmente inflamável, estava capaz de fazer uma mulher feliz desde que ela gostasse mesmo de mim.

Afixado por: m. acabrunhado em março 31, 2004 01:50 PM

Precious!

Afixado por: a.r em março 23, 2004 10:15 AM

Li o primeiro, o segundo está lá em casa pronto a ser lido. O Manuel esmerou-se e o Paul deve estar igual ao seu melhor. Histórias de cães comovem-me sempre, se fosse multi-milionário construia um canil e um gatil, enormes, e todos os dias fazia uma festa em cada hóspede. E nos intervalos mandava flores para cada uma das meninas.

Afixado por: MdR em março 22, 2004 01:04 PM

Esse cão sem abrigo... Gigantic... Gigantic...

Afixado por: Fornecedor Alternativo em março 21, 2004 05:38 PM

E a Sister já experimentou "Timbuktu" do Paul Auster? Parafraseando seu ilustre irmão, o da carapinha loira, lhe digo "em matéria de cães é do melhor que tenho visto".

Afixado por: assussora remota em março 20, 2004 08:18 PM

Permito, concerteza. Já leu um cão como nós?

Afixado por: Sister em março 19, 2004 07:34 PM

Bastou que falasse em Dolphin para me fazer sorrir nervosamente. A lágrima andou por aqui a bailar, consegui retê-la felizmente.
Um beijo, se me permite

Afixado por: Moço de Recados em março 18, 2004 10:37 AM

De beber o que me apetecia, de dormir onde queria, de dizer até logo e voltar dias depois, de não ter que explicar.
Gostava de si, dos Vizinhos, do Dolphin. Do movimento daquele apartamento/acampamento, apesar de algumas vezes (raras)não ter tido muita paciência.
Gostava do tempo que tinha à frente. De saber que faltava muito para chegar a este tempo presente.

Afixado por: Sister em março 18, 2004 12:53 AM

E, diga-me, gostava do quê naqueles tempos?

Afixado por: Moço de Recados em março 17, 2004 05:38 PM

Não se iniba, Moço! Sabe,o querido encarapinhado foge dos sentimentos a sete pés.Tem que os manter à distância, não vá vacilar...

Afixado por: Sister em março 17, 2004 12:50 PM

Oh Moço! Saiba que o li ainda ontem. Fiquei atada de pés, mãos e cérebro com a comoção de ser transportada para outra vida a anos-luz de distância.E relembrada deste modo! Sinto uma saudade imensa daquele tempo, e como era tão bom sem darmos conta...

Afixado por: Sister em março 17, 2004 12:38 PM

Agora fiquei inibido, confesso, por causa do comentário do querido encarapinhado.

Afixado por: MdR em março 17, 2004 12:10 PM

A Sister costuma vir sim mas é pessoa de poucas palavras. Estou certa que a sua dedicatória a fez corar e correr para o frigorífico não tão vazio. Já o Gajo, o da carapinha, acrescentou "qu'é essa coisa de reviver vidas passadas...vocês estão doentes" ao qual respondi com uma gargalhada estridente.

Afixado por: a.r em março 17, 2004 11:57 AM

Será que a sister se dispõe a vir aqui, de quando em vez, a.r.?

Cara Odete S., a menina costuma assinar textos na Junta? Se não o faz, gostaria de passar a fazê-lo?
Já falou com o Prusidente sobre isto?

E a Madame B., o que é feito dela?

Afixado por: MdR em março 17, 2004 10:49 AM

Moço, isso tem um nome: é Amor!!

Afixado por: Odete S. em março 17, 2004 02:53 AM

Como se pode exprimir aqui o silêncio e a emoção sem palavras?!!

Afixado por: ar em março 16, 2004 11:59 PM