fevereiro 26, 2004

Por terras de Espanha

O 190 D nunca se engasgou, aceitou toda e qualquer ordem sem soluços, sem recusas, sem medos primários. Segui rumo a Salamanca desejoso de beber umas canhas desde que não fossem San Miguel. O trajecto fez-se dentro da ordem, em respeito assumido pela lei, no dever pelo dever e respeitando-o como se respeitam as unhas pintadas de uma virgem falsa que nos faz vergar com um subtil descer do olhar. O 190 D imobilizou-se e o um euro e meio caído no parquímetro deu-me para quase mais duas horas do que daria em Portugal. Entrei confiante, achando-me o mais belo dos seres masculinos. Ninguém me deu razão, todos cagaram de alto. Achei-me portanto invisível o que acabou por ser altamente benéfico. E no fim das caminhadas a canha foi a única que falhou por ser, irremediavelmente - ao que parece - naquelas paragens, San Miguel. Não encontrei nenhuma de unhas pintadas mas descobri pardais em vez de pombos. Percorri a cidade à procura de uma beata no chão e tal como outra marca de cerveja não descobri nenhuma. Tudo certo, exacto, preciso e imaculado. A puta da cultura pode deixar-se comer sem se fazer pagar e à saída ainda nos sorri. Podes voltar quando quiseres, ó tanso, é só meteres-te à estrada em fuga do inferno dos pequeninos.
Abandonei os ocres a custo e tive pena de não ter partilhado a experiência com o sr.Prusidente. O homem teria gostado daquilo, seguramente.

Publicado por Moço de Recados | Máquinas de Esticar | 13:04
Comentários

A menina saiu-me cá uma fiteira, não sei se lhe diga se lhe conte.
A minha referência ao Hemingway não se queria limitada a Espanha e à sangrenta Guerra Civil.

E você a dar-lhe com o meu feitio, apre!

Um beijo, ao de leve e sem sopros

Afixado por: Moço de Recados em fevereiro 26, 2004 07:41 PM

De cabeça baixa, digo-lhe que a propósito de Espanha prefiro o Maulraux ao Hemingway e como aquele dizia "in love as in literature, we are often amazed at other people's preferences."
Desculpe-me por favor, o meu acto de agressão não foi consciente é que o Moço quando se irrita fica mais inteligente e perspicaz do que nunca. Talvez tenha sido por isso....
Vou então ler por quem os sinos qu'isto ainda está a doer.

Afixado por: assussora remota em fevereiro 26, 2004 06:24 PM

Não perca tempo com assuntos tão insignificantes como conversas de rapazes, faça-me o favor. Morda-me à vontade, à vista, mas não me agrida com teorias sobre o provincianismo. De si espero pontapés, Assussora, serei um alvo fácil, mas nunca vou esperar ocultos sopros de zarabatana.
Agarre-se ao melhor de cada viagem, brinque com o que existe e com o que nos reduz a nada, tal como o fez Hemingway.
Outro, daqui para aí.

Afixado por: Moço de Recados em fevereiro 26, 2004 04:48 PM

Boa viagem, cuide-se, cuidado com as víboras.
Um beijo soprado de longe.

Afixado por: assussora remota em fevereiro 26, 2004 04:14 PM

Com que então o Moço em Espanha, a bela Espanha. De passagem para terras mais altas presumo pelo que li. Mas, não me leve a mal, nunca leu a teoria de Fernando Pessoa sobre o provincianismo? Doença que ataca fortemente o povo Português? E com a qual o Senhor já foi contaminado? Aproveite a viagem Moço para reflectir, é que coisas grandes têm grandes males e não os queiramos imitar. Ao invés aproveitemos o pouco que nos resta da nossa pequenez. Do pouco já muito pouco qualquer coisa boa se há-de encontrar.

Afixado por: assussora remota em fevereiro 26, 2004 04:11 PM

Ali, garanto-te, não vale nada. A propósito, nunca mais viste nenhum Carina The my Road por esses lados?

Afixado por: Moço de Recados em fevereiro 26, 2004 02:49 PM

Eu de Salamanca só de passagem, prego a fundo, rumo a Valladolid, que me faz lembrar Taipé, na Ilha Formosa.
Olha que a San Miguel difere, de estado para estado...

Afixado por: O Prusidente da Junta em fevereiro 26, 2004 02:05 PM