fevereiro 24, 2004

Não foge!

Esmurrei o carro da Junta. Foi sem querer. Distraí-me a olhar para umas pernas e com o pensamento que veio a seguir. Como o olhar não voltou para onde devia, esmurrei a viatura. Como se fosse de papel, o carro da Junta, amarrotou-se, encolheu-se, gritou. Ui! Incrédulo não queria acreditar nos meus olhos, que ainda não estavam lá. Não queria ver. Eu sei que o carro é da Junta, que tem arranjo, que se endireita, mas a sensação do momento que não devia ser momento ficou a latejar-me nas fuças. O senhor em quem bati, incrédulo também, face ao seu arranhãozinho invisível ao lado do meu amarrotanço, riu-se, encolheu os ombros e quase me pediu desculpa. Por estar no momento em que não devia estar. E afastou-se. É o carro da Junta. É para estimar. Eu, o Prusidente, embriagado na distracção, teimo em criar-lhe tatuagens, à frente e atrás. Coisas de muito pouca ordem. Mas que magoam, o orçamento sentimental. E, para além disso, fica mal, passar nas ruas da cidade, e as pessoas pensarem, lá vai o Prusidente com o seu carro amarrotado!

Não vai durar muito. É preciso preparar a viatura para qualquer visitante ilustre. Que se avizinha.

Publicado por Prusidente da Junta | Nós Todos Cegos | Prusidente | 8:26
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