Peguei num livro ao calhas, «O Setembro Biológico» de Esori Oljid, e reproduzi o que estava lá dentro, numa página aleatória, a quatrocentos e dois. A frase do meio da folha - «Quero que morras entre a tua morte e a minha» - deu um salto quando passei por ela. E deu sempre um salto, cada vez que os meus olhos passavam por ela. Tentei segurá-la. Com o dedo. Enquanto lia. O meu dedo saltou com ela, para fora do livro. Um arco descontrolado e perfeito. Quando a redigi, no bloco a imitar pergaminho que tinha ao lado do livro, nada se passou. Mas ao relê-la. Desapareceu. E voltei a escrevê-la. E voltou a desaparecer. Voltei a escrevê-la. Desapareceu mal escrevi o último A. Tentei tapá-la com a mão, em concha, sem ver muito bem o que escrevia. Mas, ao afastar a mão, só vi a frase anterior.
Tentei, como experiência, mudar de suporte. Enfiei a mão num balde de tinta e com a palma escrevi na parede. A frase. Não desapareceu logo. Demorou um ou dois minutos. Talvez porque estava ainda a tomar forma. Quando me distraí. Ciente da vitória. Entre o momento de desviar e voltar a focar o olhar na parede. A frase desapareceu, num ápice, sem deixar o mais ínfimo rasto. De novo no papel. Resolvi então trocar-lhe uma palavra. E o efeito foi claro. Fixou-se no plano. Sem protesto. É essa frase que reproduzi umas linhas acima. Porque a verdadeira duvido que se mantenha aqui, por mais do que um milésimo: « » Está em itálico e tudo, caso não tenham dado por isso.
Naõ a encontro, a palavra.
Terá fugido também, contaminada?
Diga-me prusidente que palavra era. Não consigo dormir sem ler essa palavra.
Faça-me o favor.
Obrigada